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Theatro Capitólio, em Varginha, recebe climatização VRF e modernização de áudio

Equipamento cultural de Varginha (MG) inaugura em 1º de maio sistema de ar-condicionado VRF inverter e nova infraestrutura de sonorização para espetáculos.

A Prefeitura de Varginha inaugura na sexta-feira (1º de maio), às 10h30, o novo sistema de climatização e a modernização técnica do Theatro Municipal Capitólio. A cerimônia prevê apresentação da Orquestra Filarmônica de Varginha e presença de autoridades locais.

A principal intervenção é a instalação de um sistema de climatização do tipo VRF inverter. Segundo a administração municipal, a solução foi adotada por critérios de eficiência energética e sustentabilidade. O projeto foi desenvolvido para preservar as características arquitetônicas e patrimoniais do edifício, com renovação de ar sem alteração da estrutura original.

De acordo com a prefeitura, a iniciativa busca atender demanda antiga do teatro relacionada ao conforto térmico e às condições de uso do espaço pelo público.

Além da climatização, o projeto inclui atualização da infraestrutura de áudio. O teatro recebeu mesa de som digital de 32 canais, subwoofers ativos, microfones condensadores e processadores digitais. Segundo as informações divulgadas, os equipamentos foram incorporados para atender espetáculos de diferentes portes e ampliar a operação técnica entre palco e cabine.

A modernização reúne intervenções em climatização e sonorização em um edifício histórico voltado a atividades culturais em Varginha.

Resumen (Español)

El Theatro Municipal Capitólio, en Varginha (MG), inaugurará el 1 de mayo un sistema de climatización VRF inverter y una modernización de su infraestructura de audio. El proyecto contempla renovación de aire compatible con la preservación del edificio histórico y la incorporación de mesa digital de 32 canales, subwoofers, micrófonos condensadores y procesadores digitales para espectáculos.

Summary (English)

The Theatro Municipal Capitólio, in Varginha, Minas Gerais, will inaugurate on May 1 a VRF inverter air-conditioning system and upgraded audio infrastructure. The project includes air renewal designed to preserve the historic building, along with a 32-channel digital mixer, active subwoofers, condenser microphones and digital processors for live performances.

Retrofit de climatização avança na Fatec São Paulo com apoio da Enel

Modernização inclui sistemas inverter, substituição da iluminação e ações para uso racional de energia.

A Fatec São Paulo iniciou a modernização dos sistemas de climatização e iluminação da unidade em parceria com a Enel Distribuição São Paulo e a DEODE Inovação e Eficiência em Energia. O projeto, viabilizado por chamada pública, soma investimento de R$ 1.119.499,03.

A iniciativa prevê a substituição de 3.220 lâmpadas convencionais por 3.070 luminárias com tecnologia LED e a troca de 41 equipamentos de ar-condicionado por modelos inverter. Segundo os dados divulgados, a estimativa é de economia anual de 529,87 MWh e redução de 92,72 kW na demanda energética em horários de pico.

O projeto também prevê melhorias nas condições dos ambientes acadêmicos e ações de capacitação voltadas ao uso racional da energia para a comunidade da instituição.

De acordo com o vice-presidente do Centro Paula Souza, Maycon Geres, a iniciativa busca associar eficiência energética e formação educacional. O presidente do Centro Paula Souza, Clóvis Dias, afirmou que o projeto integra a estratégia de investimentos da instituição. A vice-coordenadora da Fatec São Paulo, Esmeralda Macedo Serpa, disse que a parceria inclui modernização da infraestrutura e ações de conscientização.

Os novos equipamentos têm vida útil superior a dez anos e o volume estimado de energia economizada equivale ao consumo médio de mais de 300 residências.

Resumen (Español)
La Fatec São Paulo inició un proyecto de modernización energética junto a Enel Distribuição São Paulo y DEODE Inovação e Eficiência em Energia, con inversión de R$ 1,1 millones. La iniciativa contempla el reemplazo de luminarias convencionales por tecnología LED y la sustitución de equipos de aire acondicionado por modelos inverter. La expectativa es reducir el consumo eléctrico, disminuir la demanda en horarios pico e incorporar acciones de concientización sobre uso racional de energía en la comunidad académica.

Summary (English)
Fatec São Paulo launched an energy modernization project with Enel Distribuição São Paulo and DEODE Inovação e Eficiência em Energia, involving R$1.1 million in investments. The project includes replacing conventional lighting with LED fixtures and installing inverter air-conditioning units. Expected outcomes include lower electricity consumption, reduced peak demand and educational actions focused on rational energy use within the academic community.

HVAC-R nacional avança no mercado internacional

Com tecnologia competitiva, participação crescente em feiras internacionais e adequação às exigências técnicas de diferentes países, fabricantes brasileiros ampliam sua presença no exterior e fortalecem a imagem da indústria nacional no cenário global

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A indústria brasileira de HVAC-R vem ampliando sua presença no comércio internacional. Com um parque industrial cada vez mais moderno e soluções alinhadas às demandas globais de eficiência energética, digitalização e sustentabilidade, empresas nacionais têm fortalecido sua atuação no exterior por meio de exportações, participação em feiras internacionais, obtenção de certificações técnicas e parcerias com distribuidores globais.

O setor movimenta cerca de R$ 54 bilhões por ano e representa aproximadamente 2,3% da indústria nacional. Produtos brasileiros chegam a mais de 60 países, com presença na América Latina, América do Norte, Europa e Oriente Médio. Entre os segmentos que mais demandam HVAC-R estão alimentos e bebidas, varejo, saúde, logística refrigerada, data centers e edifícios comerciais.

Esse movimento de internacionalização acompanha a evolução do setor no país, reunindo fabricantes de equipamentos, componentes, sistemas de controle e soluções completas para diferentes aplicações. Para muitas empresas, expandir as fronteiras comerciais tornou-se uma estratégia para ampliar escala, diversificar mercados e reforçar a competitividade tecnológica da indústria nacional.

A exportação tem sido uma das principais portas de entrada da indústria brasileira de HVAC-R no mercado internacional. Equipamentos, componentes e soluções desenvolvidas no país vêm ganhando espaço principalmente na América Latina, América do Norte, Europa e Oriente Médio.

Atuação B2B, tanto com revendas quanto com indústrias é conduzida diretamente por equipe própria, a partir da sede da Full Gauge Controls

Segundo Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls, o avanço da indústria brasileira no exterior está ligado à capacidade de desenvolver tecnologia competitiva e adaptada às exigências de cada mercado.

“Atualmente, exportamos cerca de 50% da nossa produção para mais de 60 países, com liderança consolidada em diversos mercados. Nos últimos anos, os Estados Unidos têm se destacado como a região de maior expansão, onde crescemos 42% ao longo de 2025”.

Gobbi afirma que esse crescimento é resultado de uma estratégia construída ao longo de décadas. “Esse avanço é resultado de uma estratégia consistente de longo prazo. Iniciamos nossa presença no país em 2001, com a participação como expositores na AHR Expo, principal feira global do setor nos Estados Unidos, e intensificamos essa atuação a partir de 2016, com a inauguração de uma operação local e a formação de uma equipe própria dedicada ao desenvolvimento de mercado. Observamos a manutenção de crescente interesse em regiões como América Latina, Europa e Oriente Médio, impulsionado por fatores como a busca por eficiência energética, adoção de tecnologias mais sustentáveis e a necessidade de sistemas mais confiáveis e conectados”, revela.

Para o executivo, a presença nesses mercados também eleva o nível tecnológico da indústria nacional. “Para a indústria HVAC-R brasileira, esses mercados são estratégicos não apenas pelo volume, mas pelo nível de exigência técnica e regulatória, que impulsiona a inovação e eleva o padrão dos produtos. Nesse contexto, o Brasil se posiciona de forma competitiva ao combinar engenharia de alto nível, capacidade de adaptação às demandas locais e uma excelente relação custo-benefício”.

A análise é compartilhada por Felipe Guerini, gerente comercial da Termomecanica, que destaca a importância de mercados com forte crescimento da demanda por climatização.

“Os produtos brasileiros para o setor de HVAC-R são altamente consumidos na América do Sul e América do Norte, regiões com alto interesse comercial. Essas regiões possuem forte demanda por produtos de climatização e refrigeração por conta do crescimento urbano, expansão de setores como varejo, alimentos e data centers, além das necessidades relacionadas ao conforto térmico em ambientes comerciais, residenciais e industriais”, ressalta Guerini.

Feiras internacionais impulsionam negócios e visibilidade

Outro fator para a expansão global da indústria brasileira é a presença em feiras e eventos internacionais do setor. Esses encontros funcionam como vitrines tecnológicas e pontos de conexão entre fabricantes, distribuidores e clientes.

Gobbi destaca que a participação constante em eventos internacionais foi determinante para o crescimento da Full Gauge Controls.

Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls

“Somos expositores em mais de 20 feiras internacionais por ano, em diferentes regiões do mundo. Essas experiências vão muito além da prospecção comercial: funcionam como um termômetro do setor, permitindo identificar tendências, demandas emergentes e movimentos tecnológicos que impactam diretamente o HVAC-R global”.

Segundo ele, os resultados acompanham a trajetória da empresa desde seus primeiros passos no comércio exterior.

“Temos exemplos concretos desse impacto. Nossa primeira exportação ocorreu durante a Febrava de 1992, quando firmamos um contrato com um cliente da Bolívia. Da mesma forma, a chegada dos nossos produtos no hemisfério norte aconteceu em 1996, a partir da participação na Hannover Messe, um dos eventos industriais mais relevantes do mundo. Para os fabricantes brasileiros, as feiras internacionais são uma plataforma de acesso a novos mercados, construção de credibilidade e geração de negócios. Além disso, permitem demonstrar a competitividade da indústria nacional, seja em tecnologia, seja em custo-benefício”.

Na visão de Guerini, esses encontros também têm papel no relacionamento com o mercado.

“A participação em feiras e eventos é uma das estratégias para ampliar a visibilidade e para a geração de novos negócios. Esses eventos são uma oportunidade para apresentar tecnologias, demonstrar aplicações dos produtos, testar a qualidade do material apresentado, networking, reforçar a reputação da empresa e fortalecer o posicionamento da marca no mercado”.

 Certificações internacionais e exigências técnicas

Para competir em mercados globais, os fabricantes brasileiros precisam atender a exigências técnicas e regulatórias. Certificações internacionais de qualidade, segurança e eficiência energética são apontadas como condição para acesso a diferentes regiões.

Gobbi afirma que o processo exige planejamento.

Felipe Guerini, Gerente Comercial da Termomecanica

“Esse é um ponto fundamental e que deve ser levado em consideração por empresas que desejam exportar. Atender mercados internacionais exige atenção não só à qualidade do produto, mas também ao registro de marcas, proteção de patentes e às normas e certificações específicas de cada país ou região”.

Segundo ele, a Full Gauge Controls mantém produtos em conformidade com diretrizes e certificações como UL, CE, NSF e as ISO 9001 e 14001. A linha de produção atende à diretiva europeia RoHS.

“A adaptação técnica também inclui requisitos específicos de cada país. Nos Estados Unidos, por exemplo, além da certificação UL, é necessário adaptar o manual do produto ao idioma, às unidades de medida para °F e a requisitos específicos de aplicação. Mais recentemente, também temos acompanhado mudanças regulatórias relacionadas ao uso de fluidos A2L, o que levou ao desenvolvimento de sensores com detecção de vazamentos. Também estamos trabalhando forte em controladores que trabalham com sistemas de CO‚  transcrítico”.

Para Guerini, países do Hemisfério Norte possuem exigências técnicas e regulatórias específicas.

“Os produtos brasileiros já são amplamente conhecidos, porém há de considerar-se que países do Hemisfério Norte possuem suas exigências técnicas e regulatórias, sendo este um dos principais pilares técnicos da Termomecanica na exportação do cobre, que além de possuir diversas certificações em diversos setores como meio ambiente, sustentabilidade, compromisso social, etc., também cumpre com padrões internacionais e possui relacionamento com certificadoras específicas do setor em diferentes países. Com o avanço do acordo UE-Mercosul, espera-se que haja maior clareza e pareamento das certificações requeridas para diferentes países do bloco, o que não nos impede de seguir crescendo considerando toda expertise que já possuímos na linha regulatória dos países que mantemos relação comercial”, aponta.

Certificação HALAL da Montreal Canadense abriu portas para a empresa comercializar seus produtos em países islâmicos e Oriente Médio

Segundo Hélio Martins Teixeira, diretor Montreal Canadense, indústria química produtora de óleos lubrificantes, um dos principais desafios é atestar ao mercado internacional a qualidade dos produtos.

“Para isso, buscamos certificações para ambos mercados. Em 2023, conquistamos o certificado emitido após auditoria realizada pela Fundação Vanzolini pela implantação e manutenção de um Sistema de Gestão da Qualidade que cumpre os requisitos da norma NBR ISO 9001:2008. O escopo compreende o desenvolvimento, fabricação e comercialização de óleos para sistemas de refrigeração, juntamente com a certificação IQNET que atesta a qualidade e garante a comercialização para o mercado global. Também conquistamos a certificação internacional NSF H1, que estabelece padrões para lubrificantes e aditivos utilizados em aplicações vinculadas à indústria alimentícia. Recentemente, conquistamos a certificação HALAL, que envolve um processo de avaliação e verificação para garantir a qualidade e segurança dos produtos e abrir portas para comercialização em países islâmicos e Oriente Médio”, informa Teixeira.

Ele acrescenta que a Montreal expandiu seus negócios exportando seus produtos para a América do Sul com clientes no Paraguai, Bolívia, Peru, Uruguai e Colômbia. “Estamos num processo de expansão para conquistar países da América Central e investindo em novas linhas para processos industriais, além do lançamento da linha para amônia, atendendo aos critérios do HALAL”.


Resumen (español)
La industria brasileña de HVAC-R amplía su presencia en el mercado internacional mediante exportaciones, participación en ferias y cumplimiento de certificaciones técnicas. Empresas como Full Gauge Controls, Termomecanica y Montreal Canadense destacan el papel de la innovación, la adaptación regulatoria y la eficiencia energética para acceder a mercados en América, Europa y Oriente Medio. La creciente demanda global por climatización, especialmente en sectores como alimentos, logística y data centers, impulsa la expansión y posiciona a Brasil como un actor competitivo en el escenario global.

Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is expanding its global footprint through exports, participation in international trade shows, and compliance with technical certifications. Companies such as Full Gauge Controls, Termomecanica, and Montreal Canadense emphasize innovation, regulatory adaptation, and energy efficiency as key factors to access markets across the Americas, Europe, and the Middle East. Growing global demand for cooling solutions in sectors like food, logistics, and data centers is driving this expansion and strengthening Brazil’s competitive position worldwide.

 

Data centers na era da IA entram na agenda do Rethink Live da Danfoss

Evento gratuito, em 11 de março, reúne especialistas para discutir eficiência energética, gestão térmica e sustentabilidade diante do avanço da Inteligência Artificial.

A Danfoss promove, no dia 11 de março, das 16h às 18h, a edição “Data Centers: Os Atuais Desafios e Tendências na Era da Inteligência Artificial” do Rethink Live. O encontro discutirá os impactos da transformação digital e do avanço da Inteligência Artificial sobre a infraestrutura tecnológica global, com foco na operação de data centers.

Segundo a empresa, o crescimento exponencial do processamento de dados tem ampliado a pressão sobre eficiência energética, gestão térmica e sustentabilidade nas operações. A iniciativa integra o Rethink Live, série global de debates dedicada a compartilhar soluções e iniciativas sustentáveis na cadeia de HVAC-R.

Entre os participantes está Zachary Dominique, Diretor Global de Vendas de Data Center da Danfoss, que abordará o crescimento dos data centers, a pressão energética e tecnologias relacionadas ao gerenciamento térmico e de energia. O painel técnico contará também com Alexandre Kontoyanis, Vice-Presidente do Capítulo Brasil da ASHRAE (2024-2025), que tratará dos desafios e oportunidades para o resfriamento da nova geração de equipamentos de TI diante do aumento da densidade computacional.

Agostinho Villela, Diretor de Tecnologia da Scala Data Centers, discutirá conceitos, impactos e oportunidades da conexão entre data centers e IA. A mediação será de Eládio Pereira, Regional Sales Driver para Compressores Comerciais da Danfoss do Brasil. Segundo ele, o Rethink Live se posiciona como fórum para troca de conhecimento e discussão sobre o papel dos data centers na economia digital.

O evento é gratuito e aberto ao público, mediante inscrição na plataforma ON24, responsável pela transmissão ao vivo. Haverá tradução simultânea.


Resumen (español)

La Danfoss realizará el 11 de marzo, de 16h a 18h, el evento “Data Centers: Os Atuais Desafios e Tendências na Era da Inteligência Artificial”, como parte de la serie global Rethink Live. Especialistas nacionales e internacionales debatirán los impactos del crecimiento del procesamiento de datos en la eficiencia energética, la gestión térmica y la sostenibilidad de los data centers. La participación es gratuita, con inscripción previa en la plataforma ON24 y transmisión en vivo con traducción simultánea.

Summary (English)

Danfoss will host the March 11 edition of Rethink Live titled “Data Centers: Os Atuais Desafios e Tendências na Era da Inteligência Artificial.” The event will address how the rapid expansion of data processing and Artificial Intelligence is impacting energy efficiency, thermal management and sustainability in data center operations. The free online event requires prior registration on the ON24 platform and will offer simultaneous translation.

Fabricantes combinam produção local e importados para garantir competitividade

Com fábricas instaladas no país, o setor avalia o equilíbrio entre produzir localmente e importar componentes para garantir competitividade no abastecimento.

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A cadeia de fornecimento local tem ganhado importância estratégica para a indústria de HVAC-R no Brasil, especialmente em um cenário de demanda crescente por climatização, pressões por eficiência energética e necessidade de reduzir vulnerabilidades logísticas globais. Empresas que atuam no país avaliam constantemente se devem produzir localmente ou importar equipamentos, peças e partes.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou um parque industrial relevante na área de climatização e refrigeração. A proximidade com o cliente também favoreceu a customização, atendimento mais ágil e controle de qualidade. Além disso, permite maior agilidade na reposição de peças e serviços, o que se traduz em confiabilidade e menor tempo de resposta nas manutenções. Grandes grupos globais já apostam nessa estratégia: por exemplo, o Midea inaugurou em 2023 uma fábrica de 73 mil metros quadrados em Pouso Alegre (MG), que produz cerca de 1,3 milhão de unidades por ano. Já a Gree do Brasil mantém uma planta em Manaus (AM) com capacidade de mais de 1,5 milhão de aparelhos/ano, confirmando a força da produção local no segmento. Além dessas, empresas como Electrolux, LG, Samsung e Whirlpool também operam montagens no Brasil, beneficiando-se dos incentivos fiscais locais.

No entanto, produzir no Brasil não é isento de desafios. Custos industriais elevados, escala ainda limitada em algumas linhas e a dificuldade em acessar tecnologia de ponta ou componentes específicos podem reduzir a competitividade frente a peças importadas são alguns dos pontos a serem avaliados. Além disso, há escassez de mão de obra especializada em determinados processos, o que muitas vezes exige treinamento ou terceirizações e encarece o produto final.

Essa presença diversificada permite que parte relevante dos equipamentos comercializados no país seja fabricada ou montada localmente, reduzindo o tempo de entrega, facilitando o atendimento técnico e permitindo customizações de acordo com normas brasileiras, como os requisitos de etiquetagem energética e padrões elétricos específicos.

Apesar desses avanços, a cadeia local ainda depende fortemente de componentes importados. A fabricação de placas eletrônicas, sensores, módulos de controle, ventiladores específicos, trocadores de calor de alta densidade e certos modelos de compressores permanece concentrada na Ásia, sobretudo na China.

“Muitos splits montados no Brasil utilizam kits eletrônicos, motores e serpentinas produzidos no exterior, que chegam ao país por meio de distribuidores ou diretamente para as linhas de produção. Isso cria uma produção híbrida, em que o produto final é nacional, mas boa parte dos seus insumos depende de fornecedores internacionais”, informa Leonardo Araujo, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Midea.

Do ponto de vista econômico, produzir localmente traz benefícios claros: reduz a exposição cambial, encurta o lead time, aumenta a previsibilidade de abastecimento e fortalece fornecedores nacionais, que passam a investir em tecnologia e mão de obra qualificada. Além disso, a proximidade entre fábrica e mercado permite ajustes rápidos de portfólio, adequação a legislações e adaptações a padrões climáticos regionais. A geração de empregos diretos e indiretos reforça o impacto positivo da industrialização no país, ampliando a competitividade do setor.

No entanto, a produção local exige investimentos necessários para instalação de fábricas, aquisição de maquinário, automação e certificações são elevados e exigem escala para que a operação se torne economicamente sustentável. Em mercados altamente competitivos, como o de splits residenciais, a pressão por preços baixos faz com que empresas avaliem com cuidado se vale mais montar localmente ou importar o produto acabado. Questões logísticas internas, como o transporte em longas distâncias dentro do território brasileiro, também afetam a equação de custos, além da complexidade tributária nacional, que pode reduzir margens se não houver incentivos adequados.

Programas de conteúdo local, acordos de desenvolvimento com fornecedores brasileiros, investimentos em pesquisa e inovação e a expansão de polos industriais fortalecem a independência tecnológica da indústria nacional.

“Entre os incentivos fiscais aplicáveis à comercialização da produção para fora da área da Zona Franca de Manaus estão a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), as reduções específicas do imposto de importação, isenção do PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas da Zona Franca de Manaus, além de outros incentivos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e crédito estímulo de ICMS. Do ponto de vista logístico, no entanto, existe um desafio a ser superado. Se, por um lado, a sua localização é a mais próxima de grandes mercados externos como a América Central e do Norte, por outro ela está distante de alguns dos principais mercados consumidores do Brasil. Sabe-se que alguns produtos, como o ar condicionado, dependem de modais específicos para manter a sua competitividade, por isso, manter investimentos e discutir alternativas é urgente para que as empresas possam superar adversidades”, comenta Araujo.

Sistema híbrido

Por sua vez, depender exclusivamente de importações traz problemas operacionais: a volatilidade cambial, o aumento de fretes, os prazos imprevisíveis e os gargalos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda ou crise internacional, que podem comprometer cronogramas e inflar preços. Para mitigar esses riscos, muitas empresas participam do Programa Abrava Exporta, uma parceria com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização da indústria HVAC-R nacional. Por meio do programa, as empresas recebem apoio técnico, inteligência de mercado e acesso a feiras.

“Esse esforço de internacionalização reforça a competitividade global da indústria nacional, promovendo a combinação entre produção local e importação, não apenas para atender à demanda doméstica, mas também torna o Brasil um exportador relevante no setor HVAC-R. O modelo híbrido permite aproveitar o melhor dos dois mundos: manutenção da cadeia produtiva local, com empregos, customização e agilidade; e acesso a tecnologias e componentes importados quando necessário, garantindo inovação e eficiência”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Silva acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). “A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela.

“Em última análise, o equilíbrio entre produção nacional e importação tem se mostrado a estratégia mais eficiente para atender à crescente demanda no Brasil, preservando competitividade, assegurando sustentabilidade da cadeia e aumentando a previsibilidade no abastecimento. No ambiente atual, marcado por incertezas cambiais, variabilidade logística e exigências regulatórias, essa flexibilidade estratégica se traduz em resiliência e capacidade de resposta para o futuro do setor HVAC-R no país”, conclui.


Resumen (Español)
La industria de HVAC-R en Brasil adopta un modelo híbrido que combina producción local e importación de componentes para mantener la competitividad frente a una demanda creciente por climatización y mayores exigencias de eficiencia energética. Con plantas industriales instaladas en el país, las empresas logran reducir plazos de entrega, adaptar productos a normas locales y fortalecer la cadena de suministro nacional, aunque siguen dependiendo de insumos estratégicos provenientes principalmente de Asia.

El equilibrio entre fabricar localmente e importar permite mitigar riesgos asociados a la volatilidad cambiaria, costos logísticos y limitaciones tecnológicas. Iniciativas de apoyo a la internacionalización y acuerdos con proveedores refuerzan la capacidad del sector para atender tanto al mercado interno como a las exportaciones, consolidando a Brasil como un actor relevante en la industria HVAC-R.


Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is increasingly adopting a hybrid model that combines local manufacturing with imported components to remain competitive amid rising demand for air conditioning and stricter energy-efficiency requirements. Domestic production helps shorten delivery times, enable customization to local standards and strengthen supply chains, while key components continue to be sourced mainly from Asia.

Balancing local production and imports reduces exposure to currency volatility, logistics disruptions and technological constraints. Support programs for internationalization and partnerships with local suppliers enhance the sector’s ability to serve both domestic and export markets, positioning Brazil as a relevant player in the global HVAC-R industry.

Vidros especiais ampliam controle térmico e experiência do cliente

Soluções avançadas em vidros ajudam a reduzir desperdício, preservar alimentos, economizar energia e melhorar a experiência do cliente

 Nos supermercados brasileiros, a transparência dos expositores vai muito além da estética. Hoje, o vidro é um dos principais aliados do controle de temperatura, da preservação de alimentos e da eficiência energética. Portas, vitrines e tampas de freezers utilizam tecnologias específicas para ambientes refrigerados, equilibrando desempenho térmico, segurança e visibilidade dos produtos.

Entre as soluções está o vidro duplo insulado (IGU), formado por duas lâminas separadas por gás inerte. Essa estrutura cria uma barreira que minimiza a troca de calor e evita a condensação. Em redes como Carrefour, Assaí e Pão de Açúcar, o uso de portas com vidros duplos nas seções de frios e laticínios tem reduzido o consumo de energia em até 25%, além de melhorar a conservação e a aparência dos alimentos expostos.

Nos projetos mais modernos, o destaque vai para o vidro a vácuo (VIG), que oferece isolamento térmico até quatro vezes superior ao vidro comum, mantendo as temperaturas internas estáveis mesmo em ambientes de alta umidade, reduzindo o trabalho dos compressores e garantindo condições ideais para a conservação de produtos congelados e sensíveis ao calor. Lojas conceito como as do Super Nosso (MG) e do Hirota Food Express (SP) já adotam expositores com VIG, que dispensam o uso de resistências elétricas antiembaçamento.

Outro tipo amplamente utilizado é o vidro de baixa emissividade (Low-E), que recebe uma camada metálica microscópica capaz de refletir o calor infravermelho. Essa barreira impede a entrada do calor externo e retém o frio interno, tornando-o ideal para portas de freezers verticais, câmaras e adegas climatizadas. Além de promover economia de energia, o Low-E ajuda a manter a temperatura constante, promovendo maior segurança alimentar e reduzindo o desperdício de perecíveis.

Fabricantes como Guardian Glass, AGC, Saint-Gobain, Pilkington e Cebrace oferecem linhas específicas de vidros para refrigeração comercial. “A Cebrace, por exemplo, desenvolve soluções de vidro Low-E, como o Themo Vision, fabricado no Brasil, que aliam alto desempenho térmico, ampliando o conforto e a eficiência em ambientes climatizados e refrigerados. A empresa tem investido em tecnologias de revestimento que melhoram a durabilidade e o desempenho óptico dos painéis utilizados em sistemas de refrigeração e fachadas comerciais. O produto ser adquirido na versão jumbo (3,21 m x 6 m), permitindo maior aproveitamento da chapa no processamento e no corte, trazendo ainda mais economia ao processo para as indústrias de refrigeração comercial e de linha branca”, explica Luiz Carlos Gonçalves Junior, diretor de Marketing da Cebrace e Comercial da Saint-Gobain.

No Brasil, empresas como Eletrofrio e Metalfrio já integram esses materiais em suas soluções, combinando vidros Low-E e insulados com perfis de alumínio de baixa condutividade e sistemas de vedação avançados. Essa integração é parte fundamental das metas de sustentabilidade do varejo alimentar, que busca reduzir o consumo elétrico e as perdas por deterioração de alimentos.

“Na Eletrofrio, priorizamos o uso de vidros de alta performance em todos os expositores, especialmente os Low-E e insulados com camadas antiembaçantes. Essa combinação proporciona maior eficiência energética e visibilidade dos produtos, além de garantir a estabilidade térmica e a segurança alimentar. Os resultados têm sido expressivos: nossos clientes observam economia de energia e melhor experiência de compra para o consumidor final”, explica Rogério Marson Rodrigues, da Eletrofrio Refrigeração.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança

Conservação e a aparência

Uma das inovações mais relevantes no setor é a tecnologia antiembaçamento, essencial em ambientes com alta umidade e portas frequentemente abertas. A condensação sobre o vidro, além de comprometer a visibilidade dos produtos, pode alterar a eficiência do sistema e causar desperdício energético. Para contornar esse problema, as portas de refrigeradores comerciais e vitrines contam hoje com diferentes tipos de vidros desembaçantes. O método mais utilizado é o aquecimento perimetral, no qual uma resistência elétrica de baixa potência é instalada na borda do vidro ou na moldura da porta. O leve aquecimento evita a formação de gotículas de água, mantendo a superfície sempre transparente. Essa solução é amplamente adotada em expositores de supermercados como Muffato e Pão de Açúcar, que valorizam a visibilidade dos produtos congelados e reduzem o tempo de manutenção.

Uma alternativa são os revestimentos anti-fog (ou antiembaçamento), aplicados sobre a superfície interna do vidro. Essa película condutiva ou hidrofílica distribui uniformemente a umidade, impedindo o embaçamento mesmo em temperaturas muito baixas.

Adegas climatizadas utilizam vidro Low-E com proteção UV para manter o equilíbrio térmico e evitar o envelhecimento precoce dos vinhos

O vidro Low-E também pode atuar como desembaçante quando combinado a resistências marginais. Essa combinação é uma das mais eficientes do mercado, pois reflete o calor externo enquanto mantém a superfície livre de condensação — garantindo máxima visibilidade e conforto térmico para o consumidor.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança. Já em locais de alto tráfego, como padarias e lojas de conveniência, o vidro laminado com película interna protege contra impactos e mantém a estrutura coesa em caso de quebra, além de poder receber tratamento anti-fog.

As adegas e empórios gourmet também se beneficiam dessas tecnologias. No Empório Santa Maria (SP), por exemplo, portas de vidro Low-E com proteção UV mantêm o equilíbrio térmico e evitam o envelhecimento precoce dos vinhos. Além da conservação, a estética e a clareza visual valorizam o ambiente e os produtos expostos.

“Mais do que garantir eficiência energética, os vidros tecnológicos são fundamentais para a segurança dos alimentos. Ao evitar oscilações térmicas e eliminar a formação de condensação, eles mantêm carnes, frios, laticínios e congelados dentro da faixa segura de refrigeração. Isso reduz o risco de contaminações, amplia o prazo de validade e evita perdas por descarte. Estudos do setor indicam que o controle adequado de temperatura pode reduzir em até 10% o desperdício de perecíveis no varejo”, comenta Gonçalves.

Com ambientes mais confortáveis, exposição aprimorada e economia comprovada, os vidros inteligentes consolidam-se como peças-chave na refrigeração moderna. Em um cenário em que eficiência energética, segurança alimentar e sustentabilidade são prioridades, eles representam o elo que conecta tecnologia, economia e qualidade, mantendo o frio e o alimento protegido.

Futuro do HVAC-R une eficiência, sustentabilidade e ar mais saudável

Com foco em eficiência energética, uso de refrigerantes de baixo GWP e melhoria da qualidade do ar interno, o setor de HVAC-R no Brasil acelera sua transição para uma era mais sustentável

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À medida que o setor de HVAC-R no Brasil avança, as atenções se voltam para três pilares que definirão o futuro da climatização e refrigeração: eficiência energética, transição para refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) e melhoria da qualidade do ar interno, e vem assumindo papel estratégico na agenda de sustentabilidade no país, além de representar participação significativa na produção industrial.

Representando cerca de 2,3% da produção industrial, nacional a eficiência energética é hoje uma das prioridades da política ambiental e industrial brasileira. O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a organização internacional CLASP, promoveu em 14 de outubro último, o seminário “Brasil e a COP30: o papel da eficiência energética no setor HVAC-R”, que reuniu representantes do governo, entidades industriais e especialistas nacionais e internacionais.

Durante o encontro, foi lançado o Comitê de Acompanhamento do Projeto de Eficiência Energética como Instrumento de Política Industrial, iniciativa que reunirá representantes públicos e privados para sugerir ações que ampliem a competitividade e a sustentabilidade do setor. O grupo também será responsável pela elaboração de uma carta de compromisso com a eficiência energética, que poderá ser apresentada na COP30, em Belém (PA), este mês de novembro.

Para o MME, a cooperação entre ministérios, indústria e instituições de pesquisa é essencial para fortalecer a política energética brasileira e posicionar o país como referência global em inovação. O diretor do Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética do MME, Leandro Andrade, destacou que o setor de HVAC-R representa cerca de 10% do consumo de energia elétrica do setor residencial no país, índice que evidencia o enorme potencial de economia e de crescimento.

Leandro Andrade destacou o papel da eficiência energética no setor HVAC-R durante seminário “Brasil e a COP30”

“A eficiência energética é o primeiro e mais imediato mecanismo de impacto para os sistemas HVAC-R. No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou diretrizes específicas para aparelhos de ar-condicionado, estabelecendo novos índices mínimos de eficiência com metodologia baseada na norma ISO 16358-1, que permite diferenciar os equipamentos com tecnologia inverter, capazes de consumir até 30 % menos energia que os convencionais de rotação fixa. A eficiência energética usualmente é como se fosse o combustível mais barato, a alternativa energética mais econômica para o consumidor de energia. Ela pode reduzir a necessidade de novos investimentos em geração e transmissão de energia e trazer benefícios diretos ao consumidor, com redução na conta de luz, sem perder qualidade de vida. Num contexto de COP, reforçar a eficiência dentro da política industrial brasileira é essencial para alcançarmos a transição energética inclusiva que desejamos”, afirmou Andrade.

A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) vem alertando sobre os desafios na implementação de alternativas de refrigerantes de baixo GWP, tecnologias com máxima eficiência e QAI, destacando questões como infraestrutura, custo, capacitação técnica e normas de segurança e fabricantes já se movimentam.

“Durante o evento “Brasil e a COP30”, foi assinado o termo com os SENAI Amazonas e Paraná, que farão o mapeamento de toda cadeia produtiva do HVAC-R na intenção de apresentar iniciativas que impulsionam a sustentabilidade e a inovação no país. Além disso, eu e Felipe Raats representaremos a ABRAVA no Comitê de Acompanhamento do Projeto Eficiência Energética no setor”, informa Thiago Pietrobon, Diretor de Meio Ambiente da ABRAVA.

Tanto para os grandes fabricantes quanto para instaladores, esse tripé: pressão regulatória + mercado + tecnologia, significa que os sistemas devem ser projetados com componentes de alta eficiência, controles inteligentes, manutenção rigorosa e integração digital (IoT/monitoramento). O resultado: menor consumo de energia, menores custos operacionais e menor emissões de CO‚  no ciclo de vida.

A Daikin divulgou que pretende duplicar a eficiência energética de seus equipamentos até 2030 e zerar as emissões de carbono em 2050. Em sua participação no seminário “Brasil e a COP30”, a empresa apresentou sua visão de sustentabilidade e o avanço tecnológico em equipamentos inverter e VRV.

“A promoção do inverter e o desenvolvimento do VRV foram fundamentais para o salto tecnológico que resultou em equipamentos mais eficientes. Em cada COP, a Daikin buscar trazer novas ideias e aplicações com o objetivo de reduzir sua pegada de carbono e transformar o setor. Na COP30, o foco será em soluções para descarbonização de edificações e combate ao overcooling (arrefecimento excessivo)”, enfatiza João Aureliano, Gerente Sênior de Engenharia de Produto da Daikin.

Já a Hitachi, teve projeto pelo retrofit do Condomínio Edifício Villa Lobos com a substituição de chillers, infraestrutura elétrica e hidráulica que resultou em redução de consumo de energia elétrica de cerca de 20% e água em 25%. O retrofit substituiu a Central de Água Gelada (CAG), condicionadores de ar, infraestrutura elétrica e hidráulica, além da instalação das seis unidades resfriadoras de água gelada com Chiller Parafuso com Condensação a Ar de capacidade 140 TR cada, totalizando 840 TR.

Transição para refrigerantes de baixo GWP

O segundo grande vetor é a transição para refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global (GWP). No Brasil, esse movimento é impulsionado tanto por compromissos internacionais como a Protocolo de Kigali (sobre HFCs), quanto por iniciativas setoriais. A Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ASBRAV), por exemplo, publicou recentemente um alerta sobre “Desafios na implementação de refrigerantes de baixo GWP no Brasil”, mencionando barreiras como infraestrutura, custo e capacitação técnica.

“Globalmente, a indústria de HVAC-R é incentivada a diminuir o uso de refrigerantes tradicionais devido ao seu alto GWP, que contribui significativamente para o aquecimento global. O Protocolo de Kigali, uma emenda ao Protocolo de Montreal, exige uma redução substancial na utilização destes gases até 2030. Para o Brasil, a adesão a este protocolo significa necessidades urgentes de adaptação às novas normativas internacionais que promovem um mercado mais sustentável. A transição para refrigerantes de baixo GWP no Brasil é inevitável e essencial para alinhar o país com objetivos globais de sustentabilidade. Enquanto os desafios são consideráveis, as oportunidades para inovar e liderar em eficiência energética e redução de emissões são vastas. Com o apoio governamental adequado através de incentivos fiscais e programas de financiamento, juntamente com um ambiente regulatório claro e estável, o Brasil pode superar esses obstáculos e estabelecer um novo padrão em sustentabilidade ambiental no setor de HVAC-R”, comenta Mario Henrique Canale, presidente da ASBRAV.

No setor industrial, as fabricantes já lideram esse movimento. A Daikin iniciou em Manaus a produção de equipamentos que utilizam o R-32, fluido com GWP até 68% menor que o R-410A. A Midea também investe em linhas com R-32 e em projetos que testam o uso do R-290 (propano), considerado uma solução natural e de baixíssimo impacto ambiental. Já a Copeland oferece compressores e sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚  (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais de alta eficiência.

Esses avanços colocam o Brasil em sintonia com os compromissos do Protocolo de Kigali, que prevê a redução gradual dos HFCs. No entanto, para consolidar a transição, é indispensável investir na capacitação de técnicos e instaladores, pois o manuseio de novos gases requer normas de segurança, ferramentas específicas e procedimentos de comissionamento adequados.

Grandes fabricantes já oferecem sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚ (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais


Qualidade do ar interno e saúde

A pandemia reforçou a importância da qualidade do ar interno (QAI) como fator de saúde pública e produtividade. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a ABRAVA têm enfatizado que a QAI deve integrar políticas ambientais e de edificações sustentáveis. Segundo dados da ABRAVA, em ambientes fechados onde passamos cerca de 90% do tempo, a poluição interna pode ser 2 a 5 vezes maior do que a externa. Isso reforça o papel crítico de projetistas, instaladores e técnicos em garantir sistemas bem dimensionados e limpos, com ventilação adequada, filtragem eficiente, controle de umidade, troca de ar e manutenção periódica.

Até recentemente, a Resolução RE 09/2003 da ANVISA era o principal documento que definia padrões referenciais de QAI no país. Contudo, ela foi substituída pela nova ABNT NBR 17.037:2023, que modernizou e ampliou os critérios de avaliação. A norma estabelece parâmetros para contaminantes biológicos, químicos e físicos, além de condições térmicas ideais e taxas mínimas de renovação de ar.

“A publicação dessa norma representa um avanço importante, pois substitui padrões antigos e alinha o Brasil às práticas internacionais de controle de qualidade do ar. A NBR 17.037 dialoga com outras referências, como a NBR 16.401-3, voltada ao projeto e manutenção de sistemas de ar-condicionado central e unitário, e as normas ASHRAE 62.1 e 55, que orientam o conforto térmico e a ventilação adequada em edifícios. Além disso, em 2024 foi sancionada a Lei nº 14.850, que institui a Política Nacional de Qualidade do Ar. Embora voltada principalmente ao ar externo, a legislação reforça a necessidade de monitoramento, divulgação de dados e integração de políticas públicas, o que influencia diretamente os esforços pela melhoria da QAI”, diz Leonardo Cozac, Presidente da ABRAVA.

Essas mudanças normativas refletem uma nova mentalidade no setor HVAC-R. Hoje, não basta climatizar, é preciso purificar, ventilar e monitorar o ar que se respira. Essa evolução tecnológica e regulatória vem acompanhada de desafios, como o custo das medições e adequações, a necessidade de atualização profissional e a substituição de equipamentos antigos por sistemas mais eficientes.

A LG, por exemplo, em sua plataforma de soluções, afirma adotar uma abordagem “digital e ecologicamente correta” e aponta que suas soluções ajudam a “garantir ambientes mais seguros e saudáveis”, com filtros de alta eficiência, monitoramento de qualidade do ar e ventilação térmica otimizada.


Desafios de instaladores e técnicos

Mesmo com equipamentos de ponta e fluidos de baixo impacto, se a instalação for inadequada, a manutenção negligente ou os controles inexistentes, o ganho se perde. Entre os desafios destacados estão:

– Capacitação técnica para os novos refrigerantes (manuseio, instalação, segurança) e para manutenção de sistemas inverter e de vazamento reduzido.

– Necessidade de projetos bem dimensionados e execução com qualidade (tubulação, isolantes térmicos, carga correta, comissionamento).

– Manutenção periódica que garanta desempenho real, qualidade do ar e vida útil dos equipamentos.

– Conscientização dos usuários finais para optar por soluções de maior eficiência, ainda que com investimento maior.

– Alinhamento regulatório, incentivos fiscais ou programas de apoio para acelerar a substituição de sistemas obsoletos, inclusive em edificações públicas ou industriais.

ONU alerta que demanda por ar-condicionado deve triplicar até 2050

Relatório do Pnuma indica que emissões do setor podem dobrar e defende acesso ao resfriamento como infraestrutura essencial.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou, durante a COP30, em Belém, o relatório Global Cooling Watch 2025, que aponta o crescimento acelerado da demanda global por refrigeração. Segundo o documento, o uso de aparelhos de ar-condicionado e sistemas de refrigeração deve triplicar até 2050, o que pode dobrar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor.

O relatório relaciona o aumento da população mundial e a intensificação das ondas de calor extremo ao maior acesso de famílias de baixa renda a equipamentos de refrigeração ineficientes e mais poluentes. A projeção é de que as emissões atinjam 7,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2050, mais do que o dobro do registrado em 2022.

O Pnuma aponta que a adoção de equipamentos mais eficientes e o uso combinado de ventiladores e ar-condicionado poderiam reduzir as emissões do setor em 64% até meados do século. A medida evitaria US$ 43 trilhões em gastos com energia e infraestrutura e protegeria 3 bilhões de pessoas dos impactos do calor extremo. Se houver uma descarbonização rápida da matriz energética, a redução da poluição poderia chegar a 97%.

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que o acesso ao resfriamento deve ser tratado como infraestrutura essencial, a exemplo de água e saneamento, e destacou que “não é possível resolver a crise do calor apenas com ar-condicionado”, alertando para o aumento das emissões e o risco de sobrecarga nas redes elétricas.

Segundo o relatório, mais de um bilhão de pessoas vivem hoje sem acesso adequado à refrigeração, número que também deve triplicar até 2050, com impacto maior sobre mulheres, idosos e pequenos agricultores.

Entre as soluções propostas estão o resfriamento passivo, por meio de projetos arquitetônicos que favorecem ventilação e sombreamento; sistemas de baixo consumo energético, como ar-condicionado híbrido e soluções solares off-grid; e a redução do uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs), substâncias com alto potencial de aquecimento global.

O Pnuma alerta ainda que o estresse térmico pode inviabilizar 80 milhões de empregos em tempo integral até 2030, tornando o acesso ao resfriamento sustentável fundamental para a continuidade de atividades em escolas, hospitais e empresas.

Brasil avança em projeto para eliminar uso de HCFC-22 na manufatura de equipamentos RAC

Iniciativa coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e executada pela UNIDO busca substituir o HCFC-22 por alternativas de menor impacto ambiental.

O Projeto para o Setor de Manufatura de Equipamentos de Refrigeração e Ar-Condicionado (RAC), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e executado pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), foi aprovado em dezembro de 2015 durante a 75ª Reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal (FML).

A iniciativa tem como objetivo reduzir o consumo de HCFC-22 utilizado na fabricação de equipamentos de refrigeração e ar-condicionado, responsável por cerca de 17% do consumo total da substância no país. O projeto faz parte da Etapa 2 do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) e prevê a eliminação de 65,64 toneladas PDO de HCFC-22, por meio da conversão tecnológica em empresas elegíveis.

As empresas participantes receberão recursos doados pelo Fundo Multilateral para realizar a substituição por alternativas que não agridem a camada de ozônio e apresentem baixo impacto climático. O projeto inclui ainda assistência técnica, testes-piloto, treinamentos de operação segura e ações de conscientização voltadas aos setores de refrigeração comercial e ar-condicionado.

Com a execução do projeto, o Brasil reforça seu compromisso com o Protocolo de Montreal, contribuindo para a eliminação das substâncias que destroem a camada de ozônio e para a mitigação das mudanças climáticas globais.

Nova gestão do DN da ABRAVA foca em sustentabilidade e fortalecimento do comércio

Paulo Neulaender e Cida Contrera assumem o Departamento Nacional de Comércio e Distribuição da ABRAVA com mandato até 2027, representando um segmento responsável por 30% do faturamento do setor HVAC-R.

O Departamento Nacional de Comércio e Distribuição da ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) iniciou uma nova gestão com Paulo Neulaender, da Frigga, na presidência, e Cida Contrera, da Frigelar, na vice-presidência. O mandato segue até outubro de 2027 e tem como foco o fortalecimento do comércio e da distribuição no setor HVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração).

A ABRAVA mantém sua atuação como articuladora entre indústria, comércio e serviços, reforçando ações voltadas à capacitação profissional, inovação, regulação técnica e sustentabilidade. Segundo o Departamento de Economia e Estatística da ABRAVA, liderado por Toríbio Rolon, o setor deve superar em 2025 o faturamento de R$ 54 bilhões, com crescimento médio de 18% sobre o ano anterior e geração de cerca de 300 mil empregos formais.

Neulaender destacou que o fortalecimento do DN depende da cooperação entre os representantes do comércio e distribuidores do setor. “Um DN forte é construído com a união do mercado e a participação ativa de seus representantes. Nosso propósito é evoluir de forma coletiva e contínua”, afirmou.

Entre as prioridades da nova diretoria, estão a capacitação da mão de obra nas áreas de vendas, expedição e administração, e a atualização constante sobre variações de preços e condições de abastecimento, fatores que afetam diretamente a operação das empresas. Em médio prazo, a gestão pretende preparar o setor para as mudanças tributárias previstas para 2026 e revisar processos ligados à garantia de produtos, em diálogo com fabricantes de compressores.

No longo prazo, o objetivo é alinhar o comércio e a distribuição às novas exigências ambientais e regulatórias, incentivando práticas sustentáveis e garantindo competitividade e responsabilidade ambiental.

A nova diretoria reforça que a atuação do DN está alinhada aos eixos estratégicos da ABRAVA — qualidade do ar, segurança alimentar e descarbonização — e que as ações buscarão combater práticas inadequadas e fortalecer a profissionalização do setor.

Segundo Cida Contrera, o momento é de consolidar o papel do comércio como elo entre indústria, serviços e clientes finais. “O comércio é a porta de entrada para um setor mais profissional e alinhado”, afirmou.