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Um componente pequeno com impacto enorme no sistema

Presente em geladeiras, balcões frigoríficos e expositores verticais, a resistência de degelo é um componente simples, barato e muitas vezes negligenciado.

 A resistência de degelo tem a função de remover o geloformado naturalmente sobre o evaporador durante a operação do sistema. Em equipamentos frost free domésticos ou comerciais, o degelo periódico garante a correta troca térmica, vazão de ar adequada e estabilidade da temperatura interna. Quando a resistência não atua, seja por circuito aberto, mau contato ou falha de comando, o gelo se acumula, bloqueia o fluxo de ar e provoca sintomas clássicos de “baixa refrigeração”. O problema é que, no campo, esses sintomas ainda são frequentemente associados de forma precipitada a defeitos no compressor ou à falta de carga de refrigerante.

Estimativas divulgadas por entidades do setor e por centros de formação técnica indicam que entre 25% e 35% das chamadas por baixa refrigeração em equipamentos comerciais têm origem em falhas no ciclo de degelo, muitas delas diretamente ligadas à resistência elétrica. Dados apresentados em treinamentos do SENAI Oscar Rodrigues Alves e SENAI CIMATEC Salvador, reforçam que diagnósticos incorretos ainda levam à troca desnecessária de compressores, aumento de custos e insatisfação do cliente final.

De acordo com esses dados, nos treinamentos técnicos observa-se que uma parcela significativa das ocorrências de baixa refrigeração em geladeiras e expositores comerciais está associada a falhas no ciclo de degelo, especialmente na resistência elétrica. O problema é que, sem um diagnóstico elétrico básico, muitos equipamentos acabam tendo componentes caros substituídos sem necessidade.

Diagnóstico correto

Segundo Wander Basso, da Refrigeração Basso, a análise sempre começa pela observação do evaporador. “Gelo excessivo, principalmente concentrado nas primeiras voltas da serpentina, é um forte indicativo de falha no degelo. Em balcões frigoríficos e expositores verticais, a presença de gelo sólido atrás do painel traseiro também é um sinal clássico”.

Antes de qualquer intervenção mais complexa, o técnico deve iniciar o diagnóstico verificando o histórico de degelo, observando os intervalos e a duração dos ciclos, além do estado visual da resistência e do chicote elétrico. Também é necessário avaliar as condições do termostato, do sensor ou do bimetálico de degelo, bem como o funcionamento do timer ou da placa eletrônica.

Somente após essas verificações faz sentido avançar para outros componentes do sistema.

Nesse processo, os testes elétricos com multímetro são fundamentais para diagnosticar corretamente a condição da resistência de degelo e devem ser realizados sempre com o equipamento desligado da rede elétrica.

“O primeiro passo é o isolamento do componente, desconectando a resistência do circuito. Esse cuidado evita leituras incorretas causadas por caminhos paralelos, comuns em sistemas com sensores, bimetálicos e temporizadores interligados”, recomenda Basso.

Em seguida, realiza-se o teste de continuidade, ajustando o multímetro para a escala de resistência (ohms). Uma resistência em boas condições apresenta continuidade elétrica, enquanto a ausência de leitura indica circuito aberto, caracterizando elemento queimado. Esse teste simples já elimina uma grande parte das dúvidas durante o diagnóstico em campo.

O próximo passo é a verificação do valor ôhmico, comparando a leitura obtida com o valor nominal informado pelo fabricante. Leituras muito acima do especificado indicam degradação do elemento resistivo, mesmo que ainda exista continuidade, o que compromete a eficiência do degelo e aumenta o tempo de operação do sistema.

Por fim, deve-se realizar o teste de fuga para carcaça, medindo a resistência entre os terminais da resistência e a carcaça metálica do equipamento. O valor esperado é infinito. Qualquer leitura diferente disso indica fuga elétrica, representando risco operacional, possibilidade de choques elétricos e atuação indevida de proteções. Esse conjunto de testes objetivos ajuda a evitar trocas desnecessárias de outros componentes do sistema de degelo.

Confirmada a falha, a substituição da resistência deve seguir procedimentos que evitem retrabalho. “É indispensável utilizar uma resistência com mesma potência, tensão e formato da original, garantindo também um bom contato térmico com o evaporador. Sensores e bimetálicos devem ser reposicionados corretamente, respeitando o projeto do fabricante, além da verificação do isolamento elétrico e da fixação adequada dos terminais”, alerta.

Após a troca, recomenda-se sempre a execução de um ciclo completo de degelo, assegurando o funcionamento correto do sistema. Em expositores verticais e balcões frigoríficos, é essencial atenção especial ao sistema de drenagem da água de degelo, evitando refluxos, acúmulo de água e novo congelamento, problemas que comprometem diretamente o desempenho térmico e a confiabilidade do equipamento.

Conhecimento técnico gera economia e credibilidade

A resistência de degelo pode parecer um componente secundário dentro do sistema de refrigeração, mas seu papel é decisivo para a estabilidade térmica, a eficiência energética e a confiabilidade do equipamento. Segundo Basso, o domínio do diagnóstico elétrico, aliado à correta interpretação dos valores ôhmicos e ao procedimento adequado de substituição, diferencia o profissional técnico que atua com precisão daquele que trabalha por tentativa e erro. Um diagnóstico bem executado reduz significativamente o tempo de parada do equipamento, evita trocas desnecessárias de componentes de maior custo e contribui diretamente para a redução dos custos operacionais do cliente.

Além do impacto financeiro, a assertividade no diagnóstico fortalece a credibilidade do técnico, fator cada vez mais valorizado em um mercado competitivo e com clientes mais informados. Em ambientes como expositores verticais, balcões frigoríficos e câmaras frias comerciais, um erro de avaliação no sistema de degelo pode resultar em perda de produtos, reclamações e retrabalho. Por isso, acertar no diagnóstico não é apenas uma questão técnica, é uma estratégia profissional que sustenta relacionamentos de longo prazo e consolida a reputação do prestador de serviços.

“Como reforçado em treinamentos técnicos, o acúmulo excessivo de gelo no evaporador raramente está associado a falhas no compressor. Na maioria dos casos, a origem do problema está diretamente relacionada ao ciclo de degelo, especialmente a resistências abertas, com fuga elétrica ou fora do valor ôhmico especificado. Um simples teste com multímetro, realizado de forma correta e criteriosa, costuma esclarecer o defeito rapidamente, evitando condenações equivocadas do sistema e intervenções desnecessárias que elevam custos e comprometem a confiança do cliente”, conclui.


Resumen (español)

La resistencia de deshielo cumple un papel central en el funcionamiento de sistemas frost free domésticos y comerciales, al eliminar el hielo acumulado en el evaporador y garantizar el intercambio térmico y la estabilidad de temperatura. Datos presentados en capacitaciones del SENAI Oscar Rodrigues Alves y del SENAI CIMATEC Salvador indican que entre 25% y 35% de los casos de baja refrigeración en equipos comerciales están relacionados con fallas en el ciclo de deshielo, especialmente en la resistencia eléctrica. El diagnóstico correcto, que incluye pruebas con multímetro, verificación del valor óhmico y detección de fugas a tierra, evita la sustitución innecesaria de compresores y reduce costos operativos. Según Wander Basso, de Refrigeração Basso, el conocimiento técnico y la aplicación de procedimientos adecuados fortalecen la credibilidad profesional y previenen pérdidas en vitrinas, balcones frigoríficos y cámaras frías.

 

Summary (English)

The defrost heater plays a critical role in frost free domestic and commercial refrigeration systems by removing ice buildup on the evaporator and ensuring proper heat exchange and temperature stability. Data presented in training programs at SENAI Oscar Rodrigues Alves and SENAI CIMATEC Salvador indicate that 25% to 35% of low refrigeration complaints in commercial equipment are linked to failures in the defrost cycle, particularly the electric heater. Proper electrical diagnostics — including multimeter continuity testing, ohmic value verification, and ground leakage checks — help prevent unnecessary compressor replacement and reduce operational costs. According to Wander Basso of Refrigeração Basso, technical expertise and correct procedures enhance professional credibility and prevent product losses in display cases, refrigerated counters, and cold rooms.

Ar-condicionado pode custar R$ 44 por mês com uso diário de 8 horas

Simulação baseada na metodologia do Inmetro indica que, em condições adequadas, impacto na conta de luz pode ser menor do que o esperado.

Em meio às ondas de calor e à pressão sobre o orçamento doméstico, o ar-condicionado costuma ser apontado como principal responsável pelo aumento da conta de energia. Simulação técnica indica, porém, que o impacto pode ser mais limitado, a depender das condições de uso e instalação.

O supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da Gree Electric Appliances, Romenig Magalhães, realizou cálculo com base na metodologia do Inmetro (Portaria nº 269), utilizada para classificação da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE).

A simulação considerou um ar-condicionado split residencial com consumo anual de 362,6 kWh/ano, temperatura externa média de 35 °C, ambiente interno a 27 °C, ajuste do controle entre 24 °C e 25 °C, tarifa média de R$ 1,04 por kWh e mês com 30 dias. O consumo estimado foi de aproximadamente 0,174 kWh por hora.

Com base nesses parâmetros, o custo mensal estimado seria:

  • 2 horas por dia: cerca de R$ 10,80

  • 5 horas por dia: cerca de R$ 27,10

  • 8 horas por dia: cerca de R$ 44,00

  • 10 horas por dia: cerca de R$ 54,30

Os valores são estimativas orientativas e consideram equipamento eficiente e corretamente instalado. Ainda assim, ajudam a dimensionar o debate: o ar-condicionado nem sempre é o vilão da conta de luz.

Segundo Magalhães, consumo elevado costuma estar associado a fatores externos. “Vedação inadequada, excesso de entrada de calor, falta de manutenção e instalação fora das recomendações fazem o aparelho trabalhar mais do que deveria”, afirma.

Ambiente influencia desempenho

A vedação do ambiente é um dos principais pontos de atenção. Janelas mal ajustadas, frestas em portas, cortinas abertas sob sol intenso e ausência de isolamento térmico permitem entrada constante de calor, exigindo maior tempo de operação do equipamento.

Mesmo aparelhos eficientes podem registrar aumento de consumo se o ambiente não estiver adequado. “Se o calor entra o tempo todo, o sistema precisa compensar continuamente essa perda”, diz o supervisor.

O dimensionamento incorreto também interfere no desempenho. Equipamentos com potência abaixo da necessária operam no limite. Já aparelhos superdimensionados podem gerar desperdício e ciclos menos eficientes.

Manutenção e tecnologia

Filtros sujos, serpentinas obstruídas e falhas na instalação comprometem a troca térmica e elevam o consumo. De acordo com Magalhães, parte dos casos de gasto elevado está relacionada à ausência de manutenção básica.

A tecnologia inverter altera a dinâmica de funcionamento ao ajustar continuamente a velocidade do compressor, evitando picos de energia do sistema liga-desliga e mantendo operação mais estável ao longo do dia.

Para equilibrar conforto e consumo, a recomendação inclui manter portas e janelas fechadas durante o uso, utilizar cortinas ou persianas em horários de maior incidência solar, ajustar a temperatura entre 23 °C e 25 °C, usar funções como timer e modo sleep e realizar limpeza periódica dos filtros.


Resumen (español):
Una simulación realizada por Romenig Magalhães, supervisor de Investigación y Desarrollo de Gree Electric Appliances, basada en la metodología del Inmetro (Portaria nº 269), indica que un aire acondicionado split residencial eficiente puede costar alrededor de R$ 44 al mes si se utiliza ocho horas diarias, bajo condiciones específicas de temperatura y tarifa eléctrica. El estudio señala que el consumo elevado suele estar relacionado con problemas de instalación, mantenimiento y aislamiento del ambiente, y destaca que el aire acondicionado no siempre es el principal responsable del aumento en la factura de electricidad.

Summary (English):
A simulation conducted by Romenig Magalhães, R&D supervisor at Gree Electric Appliances, based on Inmetro’s methodology (Ordinance No. 269), shows that an efficient residential split air conditioner may cost about R$ 44 per month when used eight hours a day under specific temperature and tariff conditions. The analysis indicates that higher energy consumption is often linked to installation issues, poor maintenance, and inadequate room insulation, stressing that air conditioning is not always the main driver of rising electricity bills.

O avanço de sistemas inteligentes e o novo papel do técnico

Controles, sensores e automação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos, impulsionados por data centers, edifícios inteligentes e pela digitalização da indústria de HVAC-R

 O mercado global de controles, sensores e sistemas de automação aplicados aos sistemas de HVAC-R caminha para ultrapassar a marca de US$ 30 bilhões até 2027. De acordo com estudos de mercado da Kings Research e de consultorias especializadas em automação predial, o segmento global de controles, sensores e automação no HVAC-R (parte de um mercado mais amplo que já supera US$ 90 bilhões em sistemas de automação predial), tem projeções de forte crescimento, impulsionado por sensores inteligentes, IoT e automação integrada.

Esse crescimento não acontece por acaso. Ele está diretamente ligado à expansão de data centers, agritech, edifícios inteligentes e plantas industriais altamente automatizadas, segmentos que avançam de forma acelerada no Brasil e no mundo.

Na prática, o sistema de climatização e refrigeração deixou de ser um conjunto isolado de equipamentos eletromecânicos e passou a integrar um ecossistema digital. Sensores de temperatura, umidade, pressão, CO2, vazão e presença alimentam controladores programáveis, plataformas em nuvem e sistemas de gestão predial (BMS), permitindo ajustes em tempo real, redução de consumo energético e maior confiabilidade operacional.

Neste contexto surge um novo perfil do técnico de HVAC-R. Se antes o domínio da mecânica, da eletricidade e da refrigeração era suficiente, hoje isso já não basta. O técnico moderno precisa compreender, ao menos em nível básico, conceitos de TI, redes, protocolos de comunicação (como Modbus, BACnet) e Internet das Coisas (IoT). E não se trata de transformar o profissional em um programador, mas de capacitá-lo para interpretar dados, configurar controladores, integrar sistemas e diagnosticar falhas que nem sempre são físicas, mas lógicas ou de comunicação. Por exemplo, um sensor mal endereçado ou uma falha de rede pode derrubar todo o desempenho de um sistema. Essa mudança eleva o patamar da profissão. O técnico deixa de ser apenas um executor de manutenção corretiva e passa a atuar como especialista em desempenho, eficiência energética e confiabilidade.

Um dos pontos mais sensíveis dessa transformação é a formação profissional. A pergunta que o mercado começa a fazer é direta: as escolas técnicas, cursos profissionalizantes e entidades do setor estão acompanhando essa evolução? Ainda há uma lacuna evidente. Segundo a ASHRAE (Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado), o setor enfrenta uma lacuna de habilidades porque as formações técnicas muitas vezes não acompanham a evolução tecnológica e a demanda por novos conhecimentos, especialmente em automação, IoT e eficiência energética. Essa desconexão entre educação e as exigências do mercado é um dos fatores que contribui para o déficit de profissionais qualificados no HVAC-R. Muitos cursos continuam focados quase exclusivamente em instalação e manutenção tradicional, enquanto o mercado exige profissionais capazes de lidar com automação, sensores inteligentes e sistemas conectados. Isso cria um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra qualificada.

Ronald Borduni, presidente do DN Automação e Elétrica da ABRAVA

“Com a crescente demanda por sistemas de HVAC-R mais eficientes, redução da pegada de carbono e melhora da qualidade do ar interior, cresce também a adoção de recursos digitais, eletrônica embarcada, controle via nuvem e IoT, e tem transformado o perfil do técnico de HVAC-R, sendo que a atuação profissional agora depende não apenas de conhecimento mecânico, mas também de competências ligadas a eletrônica, instrumentação, redes e análise de dados. Assim, o técnico contemporâneo precisa incorporar em suas habilidades a capacidade de interpretar sinais elétricos e lógicos, compreender automações que ajustam sistemas automaticamente e operar ferramentas digitais e softwares de diagnóstico remoto”, explica Ronald Borduni, presidente do DN Automação e Elétrica da ABRAVA.

“Com a digitalização do HVAC, conhecimentos básicos de TI tornaram-se indispensáveis, como noções de redes, segurança da informação, IoT, sensores e interpretação de dados em softwares de monitoramento. Embora parte das escolas técnicas já incorpore esses temas, o ritmo de atualização ainda exige formação contínua para acompanhar a rápida evolução tecnológica do setor”, acrescenta.

Por outro lado, essa lacuna também representa uma grande oportunidade. Profissionais que buscam capacitação complementar em automação, controles e conectividade tendem a se posicionar melhor, fugir da concorrência por preço e acessar contratos de maior valor agregado.

Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls

“Novas tecnologias chegam de forma constante ao mercado, e os profissionais precisam se adaptar conforme surgem novas demandas. Nesse contexto, a cultura de capacitação técnica por parte das empresas torna-se cada vez mais relevante. Esse sempre foi um princípio presente na Full Gauge Controls desde seus primeiros anos e é um dos atributos que nos tornam reconhecidos mundialmente. A Inteligência Artificial, em especial, vem ganhando espaço e desempenha um papel crescente na melhoria das operações em campo. Um exemplo disso é o desenvolvimento, em parceria com a Climtek, empresa canadense, da primeira plataforma de suporte técnico baseada em IA da indústria de HVAC-R, treinada com toda a biblioteca técnica que dispomos. Além disso, algumas empresas do setor já utilizam algoritmos de IA para analisar dados via API, identificando padrões de consumo, prevendo comportamentos anormais e ajustando estratégias de controle. Esse tipo de aplicação gera ganhos reais de eficiência energética, reduz paradas e aumenta a precisão no monitoramento de câmaras frias e sistemas de refrigeração, impactando diretamente a atuação e a qualificação exigida do profissional da área”, informa Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls.

Segundo ele, e fundamental que empresas, escolas técnicas e associações acompanhem de forma contínua as novas tendências do mercado e invistam na capacitação dos profissionais. “Hoje, a tecnologia torna esse processo muito mais rápido e acessível quando comparado a alguns anos atrás. Plataformas digitais, como conteúdos técnicos no YouTube, cursos em EAD e a ampliação da oferta de ensino técnico especializado, contribuem significativamente para a formação de novos profissionais e para a atualização constante de quem já atua no setor”.

Formação técnica em transição

Instituições como o SENAI, referência na formação técnica e profissional no Brasil, desempenham papel central na capacitação de técnicos em refrigeração e climatização, com cursos sólidos voltados à instalação, manutenção, eletricidade aplicada e fundamentos de sistemas frigoríficos. No entanto, à medida que o HVAC evolui para um modelo cada vez mais digital e conectado, o próprio setor passa a debater os limites desses currículos tradicionais. A incorporação de conteúdos ligados à automação, sensores inteligentes, protocolos de comunicação, integração com sistemas de gestão predial e conceitos básicos de IoT ainda ocorre de forma gradual e desigual. Esse descompasso cria uma lacuna entre a formação oferecida e as exigências reais de aplicações modernas, como data centers, edifícios inteligentes e indústrias automatizadas, exigindo que muitos profissionais busquem capacitação complementar no mercado para acompanhar a transformação tecnológica do HVAC-R.

A incorporação de conteúdos ligados à automação e conceitos básicos de IoT ainda ocorre de forma gradual e desigual na formação técnica

Também escolas técnicas especializadas oferecem formação tradicional em refrigeração e climatização, mas o setor reconhece a necessidade de ampliar o foco para sistemas inteligentes e conectados. Segundo estudo da ASHRAE, nesse novo cenário, a formação digital deixa de ser um diferencial e passa a ser um verdadeiro passaporte para oportunidades de maior valor agregado no setor de HVAC-R. Profissionais que dominam automação, sensores inteligentes, análise básica de dados e integração de sistemas conseguem acessar nichos menos sensíveis a preço e mais orientados à confiabilidade, como data centers, edifícios inteligentes, indústria de processos e agronegócio de alta performance. Além de ampliar o escopo de atuação, essa capacitação permite oferecer serviços contínuos, como monitoramento remoto, manutenção preditiva e contratos de desempenho, criando novas fontes de receita e relacionamentos de longo prazo com o cliente.

“A maioria das escolas técnicas busca constantemente apresentar novas tecnologias aos alunos. No entanto, esse processo ocorre sem abrir mão do ensino da refrigeração básica, que ainda representa a maior parte das instalações em operação. Essa base continua sendo essencial para que o profissional compreenda corretamente o funcionamento dos sistemas antes de avançar para aplicações mais tecnológicas. De fato, o avanço do HVAC-R inteligente não é tendência passageira, mas um caminho sem retorno. Controles, sensores e automação deixam de ser opcionais e passam a ser parte essencial do sistema. Para o setor, isso significa mais eficiência, sustentabilidade e confiabilidade. Para o profissional, significa evolução técnica, valorização e novos horizontes de atuação. Quem entender essa mudança e se preparar desde já estará um passo à frente em um mercado cada vez mais tecnológico e estratégico”, comenta o CEO da Full Gauge.

Ele acrescenta que é fundamental ter conhecimento em topologia básica de redes, bem como das normas técnicas que regulamentam as boas práticas de instalação e comunicação de dados. Esses conceitos garantem maior confiabilidade, estabilidade e desempenho dos sistemas de automação HVAC-R.

“Por isso, sempre reforçamos a importância de que a infraestrutura de comunicação RS-485 seja projetada e instalada por técnicos capacitados, seguindo rigorosamente as normas e recomendações técnicas. Uma rede bem dimensionada e corretamente instalada é decisiva para o bom funcionamento do sistema e para a qualidade das informações coletadas. Os principais players do mercado contam com redes consolidadas de instaladores capacitados, aptos a atender empresas interessadas em soluções de HVAC inteligente. Portanto, não se trata exatamente de uma falta de profissionais, mas da necessidade de saber onde encontrar essa mão de obra especializada e com experiência nas tecnologias mais recentes”, diz Gobbi.

Borduni acrescenta ainda que o setor segue em expansão, impulsionado pela demanda por sistemas inteligentes, mas a falta de profissionais capacitados pode frear esse crescimento, como ocorreu com os chillers de compressores de mancal magnético, que demoraram a se consolidar no Brasil por percepção de escassez técnica. “Para evitar esse tipo de gargalo, o setor precisa acelerar a formação por meio da atualização e ampliação de cursos técnicos, treinamentos de curta duração, parcerias entre fabricantes, associações e escolas, além do incentivo à capacitação em automação e IoT, garantindo mão de obra preparada para operar tecnologias cada vez mais eficientes e complexas”, conclui.


Resumen (español)

El avance de la automatización y la digitalización está transformando el sector HVAC-R, impulsado por data centers, edificios inteligentes y la industria conectada. Sensores, controladores y plataformas en la nube permiten monitoreo en tiempo real, eficiencia energética y mayor confiabilidad operativa, cambiando el perfil del técnico, que ahora requiere conocimientos básicos de redes, protocolos de comunicación e interpretación de datos. Estudios de entidades del sector señalan una brecha de capacitación, ya que la formación tradicional no acompaña la velocidad tecnológica. La actualización profesional y la educación continua pasan a ser factores clave para acceder a servicios de mayor valor agregado, como mantenimiento predictivo y contratos de desempeño.


Summary (English)

Automation and digitalization are reshaping the HVAC-R sector, driven by data centers, smart buildings and connected industry. Sensors, controllers and cloud platforms enable real-time monitoring, energy efficiency and operational reliability, redefining the technician’s role to include basic knowledge of networks, communication protocols and data interpretation. Industry organizations point to a skills gap, as traditional training struggles to keep pace with technological change. Continuous education and upskilling are becoming essential for professionals to access higher-value services such as predictive maintenance and performance-based contracts.

O ar que mantém o mundo ligado

Você provavelmente nunca pensou nisso hoje.

Mas antes mesmo do seu café esfriar, milhares de sistemas já dependeram de uma temperatura exata para funcionar.

O pagamento que passou no cartão.
O e-mail que chegou.
O aplicativo de mensagem que respondeu instantaneamente.

Nada disso depende primeiro da internet.

Depende do calor.

Servidores trabalham como motores em carga máxima permanente. Cada rack é uma carga térmica de TI ativa 24 horas por dia. Se a temperatura de entrada do servidor sair da faixa segura por poucos minutos, ocorre desligamento automático. Não por falha elétrica — por autoproteção.

É aqui que começa um mundo que pouca gente vê: o da climatização de missão crítica.

Em um data center não existe conforto térmico. Existe sobrevivência operacional.

Para que um serviço digital tenha alta disponibilidade, o ar precisa chegar exatamente igual a todos os equipamentos, a chamada homogeneidade térmica.
Se uma área aquece mais que outra, surge um hot spot.
Um ponto quente é suficiente para derrubar um sistema inteiro.

Por isso não existe “um ar-condicionado”.
Existem arquiteturas com redundância N+1 ou 2N, operando continuamente.
Enquanto um equipamento trabalha, outro já está pronto para assumir.

Unidades CRAH alimentadas por água gelada de chillers, ventiladores protegidos por UPS, e até tanques de termoacumulação mantêm a refrigeração ativa durante quedas de energia — tempo suficiente para os geradores entrarem em operação.

O objetivo é simples de explicar e difícil de atingir:

o sistema pode falhar…
mas o serviço não pode parar.

Isso significa operar próximo de 99,999% de disponibilidade.
Na prática: poucos minutos de parada por ano.

Quando o mundo digital funciona, ninguém percebe.
Quando para, todos percebem.

E no meio dessa linha invisível entre funcionar e parar está o profissional de HVAC-R — não mais como instalador de conforto, mas como operador de continuidade.

No data center, não se resfria ar.

Se resfria a economia.

Refrigeração de missão crítica sem margem para falhas

Com investimentos bilionários previstos em data centers no Brasil, a refrigeração deixa de ser sistema de apoio e passa a ser elemento vital para a continuidade operacional. Em ambientes de missão crítica, desempenho térmico, redundância e expertise técnica definem o sucesso ou o colapso da operação.

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Com a rápida expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e da transformação digital, os data centers se consolidam como uma das maiores oportunidades técnicas e estratégicas para o setor de HVAC-R. Mais do que conforto térmico, a refrigeração passa a ser um elemento vital para a continuidade dos negócios e para a confiabilidade da infraestrutura digital. De acordo com relatório da consultoria internacional Arizton Advisory & Intelligence, o mercado de data centers no Brasil deve receber US$ 3,7 bilhões em investimentos até 2027. O estudo aponta que boa parte desses aportes será destinada à construção de novas instalações e à ampliação da capacidade energética e térmica existente, reforçando o papel estratégico dos sistemas de refrigeração e climatização na garantia da continuidade operacional e da eficiência energética desses ambientes de missão crítica.

Segundo a ABDC (Associação Brasileira de Data Centers), o Brasil conta hoje com cerca de 370 mil m² de área construída de data centers, com previsão de expansão acelerada da capacidade instalada em MW, o que amplia de forma significativa a demanda por sistemas de refrigeração de missão crítica.

“O Brasil possui atualmente cerca de 700 MW de capacidade instalada em data centers. Além disso, há mais de 1.800 MW de capacidade futura planejada ou em desenvolvimento, o que evidencia uma forte expansão da demanda por refrigeração especializada, reforçando a relevância do setor de HVAC-R. Em média, cada 1 MW destinado à tecnologia da informação (TI) exige entre 0,5 e 1 MW adicional em sistemas de refrigeração, tornando-o um ativo estratégico para a confiabilidade do negócio. Nesse contexto, a climatização não está relacionada ao conforto, mas à sobrevivência da operação. Qualquer falha térmica pode gerar desligamentos automáticos, perda de dados e prejuízos significativos”, informa Alexandre Kotoyanis, Diretor de Educação da ABDC.

Para o técnico de refrigeração e climatização, isso representa uma virada de chave: não se trata mais apenas de instalar e manter equipamentos, mas de garantir desempenho térmico contínuo, previsível e mensurável, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A partir dessa perspectiva, o profissional especializado não compete por preço, mas por confiabilidade, precisão e conhecimento aplicado. Data centers exigem técnicos capazes de interpretar dados em tempo real, entender o comportamento térmico dos ambientes e antecipar falhas antes que elas ocorram. A especialização passa a ser um diferencial sustentável no longo prazo.

Marcos Santamaria: “No mercado de missão crítica, o menor preço perde relevância frente ao risco operacional, pois o custo de uma interrupção é muito alto, não somente financeiro, como também para a imagem da empresa”

Essa realidade é reforçada por Marcos Santamaria Alves Corrêa, Engenheiro de Aplicação da Indústrias Tosi. Segundo ele, a operação térmica de um data center é dinâmica e exige acompanhamento constante. “Data centers necessitam de profissionais de ar-condicionado especializados para analisar as condições térmicas dos ambientes em tempo real e fazer os ajustes que se fizerem necessários”.

Ele ressalta que a troca frequente de servidores altera o perfil térmico do ambiente, isso exige um conhecimento profundo de gerenciamento de fluxo de ar nessas instalações. “A criticidade do sistema é direta porque os servidores de TI dissipam muito calor, e dependem da manutenção de sua temperatura para operar. Se a temperatura em um processador ultrapassa seu limite de funcionamento, o respectivo servidor entra em processo de desligamento para sua proteção”.

Santamaria acrescenta ainda que no mercado de missão crítica, o menor preço perde relevância frente ao risco operacional, “porque o custo de uma interrupção no funcionamento de um data center é muito alto, não somente financeiro, como também para a imagem da empresa. Assim, a refrigeração de missão crítica consolida um novo patamar para o HVAC-R, no qual o conhecimento técnico, confiabilidade e responsabilidade operacional são tão importantes quanto os próprios equipamentos”.

Aplicação na prática

Na prática, os conceitos de desempenho térmico, alta disponibilidade e contingência ganham forma nas instalações reais de data centers em operação no país. Hyperscalers (hiperescaladores) globais e empresas nacionais de hospedagem e cloud adotam arquiteturas robustas de refrigeração, com redundâncias, monitoramento contínuo e protocolos rigorosos, que servem como referência técnica para o mercado brasileiro. Esses projetos demonstram como o HVAC-R é tratado como sistema vital, capaz de sustentar níveis de disponibilidade próximos a 99,999%, onde falhas térmicas precisam ser neutralizadas em minutos, ou sequer percebidas pela operação.

A presença de grandes provedores de serviços em nuvem no Brasil elevou significativamente o padrão técnico dos data centers instalados no país. A região da Amazon Web Services (AWS) em São Paulo (SP), por exemplo, é composta por múltiplas availability zones (zonas de disponibilidade), fisicamente separadas e com infraestrutura independente de energia, refrigeração e conectividade, contendo um ou mais data centers, projetados para garantir alta disponibilidade, resiliência e tolerância a falhas, permitindo que aplicações continuem operando mesmo se uma zona for afetada por quedas de energia ou desastres naturais. Esse modelo exige sistemas de HVAC-R com desempenho térmico extremamente estável, operando com redundâncias do tipo N+1 ou 2N, monitoramento contínuo e capacidade de manter condições operacionais mesmo durante manutenções ou falhas pontuais, alinhando-se a objetivos de disponibilidade próximos a 99,999%.

Equipamento desenvolvido para atender a demanda de data centers hyperscale, com fluxo de ar horizontal que permite operar com temperatura de água gelada mais altas nos chillers

Instalações associadas a plataformas globais como Google Cloud e Microsoft Azure, que operam regiões e interconexões no Brasil, seguem princípios semelhantes de projeto, com de alta densidade computacional exigindo controle rigoroso da temperatura do ar de entrada nos servidores, normalmente entre 18°C e 27°C, com baixa tolerância a variações. A homogeneidade térmica é fundamental para evitar pontos quentes (hot spots), preservar a vida útil dos equipamentos e garantir que a carga térmica crescente, impulsionada por aplicações de nuvem e inteligência artificial, não comprometa a continuidade do serviço.

“No que ser refere a data centers como ambientes críticos, se faz necessário o monitoramento da temperatura do ar de entrada de cada servidor, que deve estar entre 18ºC e 27ºC. Em data centers em que existe homogeneidade nesta temperatura de entrada em todos os servidores, pode-se operar nas temperaturas mais altas (24ºC / 25ºC) nos corredores frios, o que permite se operar com temperatura de água gelada mais altas nos chillers e CRAH (Computer Room Air Handlers – expansão indireta) ou temperatura de evaporação mais altas no CRAC (Computer Room Air Conditioners – expansão direta), o que promove uma maior eficiência energética ao sistema de climatização”, informa Santamaria.

Empresas como a Locaweb e o UOL Host operam data centers no país voltados a aplicações corporativas, e-commerce e serviços digitais de alta disponibilidade. Nessas instalações, a climatização é tratada como sistema vital, com redundância de equipamentos, distribuição controlada de ar frio, corredores confinados e integração com sistemas elétricos protegidos por nobreaks e grupos geradores, permitindo manutenção sem interrupção da operação.

Em data centers de maior porte, tanto de hyperscalers quanto de provedores locais, os protocolos de contingência incluem não apenas redundância de equipamentos de refrigeração, mas também estratégias para eventos extremos. Tanques de termoacumulação, redes elétricas duplas, UPS dedicados para bombas e ventiladores, além de monitoramento 24/7 com alarmes em múltiplos níveis, garantem que o sistema de climatização continue operando mesmo durante falhas de energia, respeitando o conceito de alta disponibilidade exigido por ambientes de missão crítica.

O objetivo técnico dessas arquiteturas é atingir níveis de disponibilidade da ordem de 99,999%, nos quais o sistema de climatização pode falhar por no máximo cerca de cinco minutos ao ano. Para o técnico de refrigeração e climatização, isso significa atuar em um ambiente onde precisão, confiabilidade e resposta rápida são mais relevantes do que o custo inicial do sistema. Nesse contexto, a expertise técnica deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito básico para operar em data centers modernos no Brasil.

Essas instalações usam sistemas de HVAC-R redundantes, UPS e protocolos de comutação automática entre zonas, pois cargas de missão crítica (bancos de dados, serviços globais e aplicações empresariais) dependem de infraestrutura que suporte falhas sem interrupção perceptível, requisito típico dos SLAs (contratos de desempenho) com abordagem de 99,99%+ (até ~5 minutos de inatividade por ano) em missão crítica, onde a redundância térmica e elétrica é prática padrão para esses modelos.

A Amazon Web Services é composta por múltiplas zonas de disponibilidade, fisicamente separadas e com infraestrutura independente de energia, refrigeração e conectividade

“Os projetos de data center são feitos sempre considerando equipamentos reservas para cada sistema, de forma a garantir a alta disponibilidade. Além disto, os equipamentos de refrigeração estão ligados a redes elétricas que possuem geradores de backup para a falta de energia elétrica. Em data centers de grande porte, especialmente com alta densidade de carga (W / rack ou W / m² ), costuma-se utilizar sistema de expansão indireta ( água gelada com chillers, bombas e CRAH ), e para garantir o suprimento de água gelada logo após uma queda de energia até que os geradores entrem em funcionamento e os chillers atinjam 100% de capacidade, se utilizam tanque de termoacumulação, e a bombas de água gelada e os ventiladores dos CRAH são atendidos por nobreaks para não haver nenhuma interrupção no fornecimento de energia para estes equipamentos”, explica o engenheiro de aplicação da Tosi.

Ele acrescenta que muitos data centers que atendem empresas brasileiras e globais implementam certificação Tier III ou superior, que exige redundância e manutenção sem desligamento, padrão alinhado com requisitos operacionais de alta disponibilidade e, indiretamente, performance térmica estável.


Resumen (español)

El crecimiento de los centros de datos en Brasil, impulsado por la nube y la inteligencia artificial, transforma la refrigeración en un sistema crítico para la continuidad operativa. Las instalaciones demandan control térmico permanente, redundancia y monitoreo en tiempo real para evitar pérdidas de datos y paradas. La expansión prevista en capacidad energética y térmica aumenta la necesidad de técnicos especializados, capaces de anticipar fallas y operar bajo estándares de alta disponibilidad cercanos al 99,999%. Grandes proveedores globales y operadores locales adoptan arquitecturas con múltiples zonas, respaldo eléctrico y certificaciones Tier, consolidando al HVAC-R como elemento esencial para la confiabilidad digital.

Summary (English)

The expansion of data centers in Brazil, driven by cloud computing and artificial intelligence, has turned cooling into a mission-critical system for operational continuity. Facilities require continuous thermal control, redundancy and real-time monitoring to prevent outages and data loss. Growing installed capacity increases demand for specialized technicians able to predict failures and operate under near-99.999% availability standards. Global hyperscalers and local providers deploy multi-zone architectures, backup power and Tier certifications, establishing HVAC-R as a core component of digital infrastructure reliability.

Klüber amplia projetos de eficiência energética na indústria brasileira

Empresa do Grupo Freudenberg amplia atuação no país com projetos de lubrificação industrial voltados à redução de consumo de energia, emissões e custos operacionais.

A Klüber Lubrication, empresa global de lubrificação industrial do Grupo Freudenberg, intensificou no Brasil projetos de eficiência energética voltados à redução do consumo de energia, aumento da confiabilidade operacional e ganhos de desempenho em processos industriais. As iniciativas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e às metas ambientais do grupo, com atuação em cerca de 30 setores.

Segundo a empresa, seus lubrificantes contribuem para a redução de atrito, consumo energético, temperatura e vibração dos equipamentos, além de ampliar a vida útil dos ativos e reduzir o volume de descarte. A Klüber utiliza uma metodologia própria de avaliação de indicadores de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida dos produtos, apoiada por um scorecard aplicado ao desenvolvimento e à otimização de processos.

Entre os produtos recentes está o Klübersynth MEG 4-460, destinado a redutores e caixas de engrenagem. Em um projeto realizado no Brasil, o uso do lubrificante resultou em economia estimada de 8.808 kWh por ano, redução de 3,3 toneladas de CO₂, diminuição de 7 °C na temperatura de operação e retorno do investimento em aproximadamente dez meses.

“A sustentabilidade na indústria vai além da economia de energia. Uma lubrificação eficiente reduz temperatura, vibração e desgaste, gerando previsibilidade, aumentando a vida útil dos ativos e diminuindo emissões de forma consistente”, afirma Rodrigo Viana, consultor de Eficiência Energética e Sustentabilidade da Klüber Lubrication Brasil.

Criado em 2012, o departamento de Eficiência Energética da empresa já executou mais de cem projetos no país, com ganhos médios próximos a 5%, seguindo metodologias como IPMVP e DIN ISO 50015. Em uma empresa do setor de alimentos, o uso do Klüber Summit R-200 proporcionou economia de 2,5% de energia, redução de 9 °C na temperatura e queda de 20% na vibração em um compressor de refrigeração. Já o Klübersynth GEM 4-220, aplicado em redutores de misturadores de outra empresa do mesmo setor, gerou eficiência energética de 3,3%, redução de vibração de até 83% e ampliação do intervalo de troca para quatro anos.

No campo da economia circular, a Klüber Lubrication informa cumprir no Brasil a meta legal de recolhimento de 40% do volume de óleo comercializado. Em 2022, 34% dos produtos lançados nos cinco anos anteriores utilizaram óleos básicos reciclados, totalizando cerca de 200 toneladas. A prática, adotada também em mercados como Argentina, Chile e Austrália, resultou em redução de 3% na pegada de carbono. Segundo a empresa, cada litro de lubrificante consumido demandaria entre 33 e 35 litros de petróleo.

Em energia renovável, a Klüber Lubrication Brasil migrou para o mercado livre e passou a consumir eletricidade proveniente de fontes eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. A medida integra a meta global de uso de 100% de energia verde até 2030. A empresa também avança no processo de certificação internacional I-REC e planeja investimentos futuros em painéis solares próprios.

As ações fazem parte da estratégia global de sustentabilidade da Klüber Lubrication, que recebeu pela terceira vez, em 2024, a medalha de ouro da EcoVadis, ficando entre os 5% mais bem avaliados em um universo de mais de 130 mil empresas. Entre os compromissos globais divulgados estão a redução de 75% das emissões equivalentes de CO₂ até 2025, a neutralidade climática no Escopo 3 até 2045, a contribuição para que clientes economizem 800 GWh de energia até 2025 e a redução do consumo energético por tonelada de produto de 652 kWh para 575 kWh.


Resumen (Español)
La Klüber Lubrication, empresa del Grupo Freudenberg, amplió en Brasil sus proyectos de eficiencia energética basados en soluciones de lubricación industrial. La compañía informa reducciones en consumo de energía, temperatura, vibración y emisiones de CO₂, además de iniciativas en economía circular y uso de energía renovable, alineadas a los Objetivos de Desarrollo Sostenible de la ONU y a sus metas globales de sostenibilidad.

Summary (English)
Klüber Lubrication, part of the Freudenberg Group, has expanded its energy efficiency projects in Brazil through industrial lubrication solutions. According to the company, the initiatives deliver reductions in energy consumption, temperature, vibration and CO₂ emissions, while also advancing circular economy practices and the use of renewable energy in line with UN Sustainable Development Goals and global sustainability targets.

Compressor, o coração que define a eficiência do sistema

Entre compressores originais, remanufaturados e reconstruídos, a decisão vai muito além do preço. Compatibilidade técnica, histórico de falhas, tecnologias embarcadas e condições de garantia influenciam diretamente o desempenho, a eficiência energética e a vida útil de todo o sistema de refrigeração ou climatização

 No universo da refrigeração e climatização, o compressor é unanimemente reconhecido como o coração do sistema. É ele quem garante a circulação do fluido refrigerante, viabilizando a troca de calor, promovendo o funcionamento adequado do equipamento. Por isso, a escolha entre um compressor original, remanufaturado ou reconstruído não pode ser tratada como uma decisão meramente financeira. Trata-se de uma escolha estratégica, que impacta diretamente a confiabilidade operacional, o consumo de energia, os custos de manutenção e até a imagem do profissional responsável pela instalação ou reparo.

Os compressores originais, fornecidos pelos fabricantes, oferecem como principais diferenciais a confiabilidade, a padronização de processos e a garantia plena. Produzidos com componentes novos e submetidos a rigorosos testes de desempenho, eles asseguram compatibilidade total com o projeto do sistema e com as tecnologias mais recentes, como motores de alta eficiência, controle eletrônico e adequação a refrigerantes de baixo GWP. Fabricantes globais como Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh e Danfoss investem continuamente em inovação para atender às demandas por eficiência energética, confiabilidade e sustentabilidade. O custo inicial mais elevado costuma ser compensado por maior vida útil, menor risco de falhas e respaldo técnico do fabricante.

Já os compressores remanufaturados surgem como uma alternativa intermediária. Nesse caso, o equipamento retorna à linha de produção ou a centros certificados, onde passa por desmontagem completa, substituição de componentes críticos, atualização de peças e testes similares aos de um compressor novo. Quando o processo é realizado por empresas qualificadas e com rastreabilidade, o remanufaturado pode apresentar desempenho muito próximo ao original, com custo reduzido. No entanto, o técnico deve estar atento à procedência, às especificações técnicas e às condições de garantia, que normalmente são mais limitadas.

André Lago, Professor e Diretor da Divisão Refrigeração da Ar da Terra

“Levando em consideração os diferentes tipos, tamanho e capacidade frigorífica, o compressor desempenha o trabalho de comprimir vapor em um ciclo de refrigeração e tem um papel fundamental no processo. O trabalho realizado deve ser maior que o consumo de energia nele aplicado, sendo assim, um compressor original de fábrica leva uma engenharia embarcada, desempenhando uma excelente eficiência”, explica o Professor André Lago, diretor da Divisão Refrigeração da Ar da Terra.

Ele acrescenta que, tratando de compressor remanufaturado, o principal cuidado em repará-lo é garantir que os valores de dimensionamento, performance e desempenho sejam iguais ou o mais próximo possível do projeto original, mantendo assim uma eficiência satisfatória e uma vida útil durável. “Tal prática de remanufatura, deve-se levar em conta peças com as características e dimensional conforme os originais de fábrica”, acrescenta.

Ele cita como exemplo os compressores semi-herméticos, levando em consideração mecanismo de compressão a pistão, parafusos, centrífugos, que são passiveis à prática de remanufatura e reconstrução das partes mecânicas e elétricas. Porém os herméticos, deve-se avaliar a potência e capacidade frigorífica e se compensa a remanufatura.

“Sendo assim os semi-herméticos são mais aceitos para a remanufatura, entregando um resultado bem próximo do original de fábrica, desde que seja realizado um balanceamento adequado ao sistema que se está instalado”, diz Lago.

A Engenheira de Qualidade da Embraco, Helena Pacheco Ferreira Kretzer, enfatiza que os compressores originais apresentam desempenho superior porque são produzidos dentro de um processo industrial totalmente controlado, com rastreabilidade completa de materiais, usinagem, soldagem, estatores, montagem e demais testes para aprovação do produto.

Helena Pacheco Ferreira Kretzer, Engenheira de Qualidade da Embraco

“Cada compressor é submetido a testes padronizados de estanqueidade, vibração, rendimento, performance e eficiência, seguindo normas internacionais e requisitos de certificações que garantem repetibilidade e tolerâncias muito estreitas. Esse nível de controle assegura curvas de desempenho, maior estabilidade operacional, menor variação entre compressores e uma confiabilidade comprovada em campo há mais de 50 anos”, informa Helena.

Para ela, os compressores remanufaturados, embora possam funcionar, dependendo do local e da estrutura de onde foram remanufaturados, não seguem os mesmos procedimentos e nem dispõem da mesma infraestrutura de engenharia, metrologia e controle de qualidade. “Não há garantia de que os componentes internos como válvulas, folgas radiais e axiais, componentes mecânicos e motor elétrico retornem às especificações originais de fábrica. O desempenho tende a variar entre os compressores, e a eficiência pode ser afetada por desgaste prévio, contaminação interna ou diferenças de materiais utilizados. Por isso, mesmo podendo atender temporariamente à aplicação, um compressor remanufaturado não alcança o mesmo nível de eficiência, consistência e confiabilidade de um compressor original. Além disso, a segurança do usuário final fica comprometida”.

Por sua vez, os compressores reconstruídos exigem ainda mais cautela. Geralmente recondicionados em oficinas independentes, eles podem ter apenas parte dos componentes substituídos, sem seguir padrões industriais ou protocolos rigorosos de teste. Embora o preço seja atrativo, os riscos são consideráveis como incompatibilidade com o sistema, falhas prematuras, aumento do consumo de energia e ausência de garantia efetiva. Para aplicações críticas, essa escolha pode resultar em paradas inesperadas e prejuízos significativos.

Custo-benefício

Do ponto de vista do custo-benefício, os compressores remanufaturados podem oferecer uma redução relevante no investimento inicial em relação aos originais, mantendo desempenho e confiabilidade próximos quando provenientes de processos certificados e com garantia. Já os compressores reconstruídos apresentam riscos maiores, como vida útil reduzida, falhas recorrentes e ausência de padronização técnica, fatores que o técnico deve avaliar com cautela antes da escolha.

Em termos de custo-benefício, compressores remanufaturados costumam apresentar um preço inicial mais baixo, o que pode ser atrativo em situações de orçamento restrito. No entanto, essa economia limita-se ao momento da compra, já que o remanufaturado não garante que todos os componentes críticos retornem às especificações originais, nem oferece o mesmo nível de testes, eficiência e previsibilidade de vida útil. Somado a isso, o compressor remanufaturado não garante o mesmo tempo de vida quando comparado ao original. Em um primeiro momento pode ocorrer a troca com custo baixo, porém, o compressor normalmente vai precisar de uma intervenção do técnico novamente em um tempo menor. Por isso, o custo total pode acabar sendo maior caso ocorram falhas, retrabalhos ou substituições antecipadas. Como normalmente são reparados apenas de forma pontual e sem controle dimensional ou elétrico adequado, os remanufaturados apresentam maior probabilidade de falhas precoces, incompatibilidades e riscos elétricos, incluindo sobreaquecimento e possibilidade de incidentes. Por isso, exigem atenção redobrada dos técnicos no campo”, informa Helena.

Para o Professor Lago, esse tema é muito polêmico, devido ao envolvimento de operações financeiras e econômicas: “O técnico está suportado pelo fabricante uma vez que o compressor original é fabricado através dos padrões pré-estabelecidos e submetido a controle de qualidade e uma garantia de fabricação aplicada. Já o compressor remanufaturado tem um valor em média de 60% menor que o original (os valores variam por modelo e fabricante), para isso, o trabalho de remanufatura deve ser feito por profissional experiente, caso isso não ocorra, podemos considerar os riscos de um mal desempenho, quebra mecânica ou queima elétrica devido fadigas prematuras, considerando também o despreparo do técnico no momento da montagem e teste de desempenho”.

Controle de qualidade

Os procedimentos de fabricação, inspeção e controle de qualidade entre um compressor original, um remanufaturado e um reconstruído passam por etapas que impactam a expectativa de vida útil e a taxa de falhas.

Para Helena, os compressores originais passam por processos de fabricação controlados, usinagem precisa com parâmetros em micrômetros, controle de alta tecnologia, como máquinas de medição por coordenadas, erros de forma, máquinas óticas, rastreabilidade com padrões internacionais de medição e procedimentos de medição para cada componente interno do compressor e elevada precisão dimensional. “No processo de produção, cada compressor passa por inúmeros filtros de linha, que garantem no detalhe a padronização. Esse nível de controle garante a vida útil do compressor de forma previsível, baixa variabilidade entre os compressores e uma taxa de falha reduzida e controlada em campo. Já no caso dos remanufaturados, o procedimento de remanufatura vai depender de fornecedor a fornecedor. Embora esses fornecedores possam substituir partes internas e realizar testes mais básicos, não possuem a mesma infraestrutura de engenharia e processo do fabricante. Como resultado, há maior incerteza quanto às folgas, performance, limpeza interna e durabilidade do compressor”.

“Considerando um compressor original fabricado através de projeto de engenharia, montagem, teste de desempenho e performance que garante sua eficiência e durabilidade, o compressor remanufaturado deve ser aplicado os mesmos métodos para garantir sua performance e eficiência. Na falta desse procedimento, encontramos diversos problemas como a falta de compressão, o aumento de consumo energético, aquecimento do estator, altas taxas de falha mecânica e elétrica reduzindo a vida útil desonerando o investimento aplicado”, acrescenta Lago.

A escolha do compressor também impacta diretamente as condições de garantia do sistema como um todo. Instalações fora das especificações, uso de componentes incompatíveis ou de procedência duvidosa podem invalidar garantias e transferir toda a responsabilidade para o técnico ou a empresa de manutenção.

Responsabilidade técnica

Independentemente da opção, o papel do técnico é decisivo. Um diagnóstico preciso da falha original é fundamental para evitar a repetição do problema. Contaminação por umidade, retorno de líquido, falhas elétricas ou dimensionamento incorreto do sistema são causas recorrentes que, se não tratadas, comprometem qualquer compressor, seja ele novo ou recondicionado. Além disso, a atenção à compatibilidade com o fluido refrigerante, ao tipo de óleo e às condições de operação é indispensável para garantir desempenho e durabilidade.

“Para termos o resultado atual de baixas falhas em campo, os compressores originais foram projetados e testados exatamente para trabalhar com o tipo de óleo, fluido refrigerante, faixa de trabalho, componentes elétricos e kit mecânico. Absolutamente todos os componentes utilizados no compressor passaram por anos de estudo. Existe muita engenharia envolvida. Nos remanufaturados, os maiores riscos de incompatibilidade estão relacionados à contaminação interna do compressor. Isso ocorre devido à mistura inadequada de óleos, refrigerantes divergentes no sistema e substituição de componentes em desacordo com o original. E o risco aumenta significativamente quando ocorre a substituição de componentes elétricos por outros que não condizem com a especificação original. Isso ocorre porque ao fazer a troca, utilizam elétricos similares ou equivalentes. Aproveito a oportunidade para frisar que não existem elétricos genéricos ou universais. Cada compressor foi testado e validado com o relé, protetor térmico, capacitor ou no caso de compressores inverter (velocidade variável), com o inversor adequado para cada uso. Temos registros de casos de fogo por uso incorreto dos elétricos em que foi trocado por modelos similares e gerou a sobrecarga no motor. Também já tivemos acesso a informações de que empresas que remanufaturam compressores estão remanufaturando os elétricos também, o que gera ainda mais possibilidade de problemas em campo”, adverte Helena.

Para Lago, em um cenário de margens cada vez mais apertadas e clientes mais exigentes, a escolha correta do “coração” do sistema deixa de ser apenas uma decisão técnica e passa a ser um diferencial competitivo.

“Um compressor original é fabricado a partir de um projeto de engenharia completo, passando por etapas rigorosas de montagem e testes de desempenho e performance, que garantem sua eficiência e durabilidade ao longo da vida útil. No caso do compressor remanufaturado, é fundamental que sejam aplicados os mesmos métodos de fabricação, inspeção e controle de qualidade para assegurar níveis equivalentes de performance e eficiência; na ausência desses procedimentos, surgem problemas recorrentes como falta de compressão, aumento do consumo energético, aquecimento do estator e elevadas taxas de falhas mecânicas e elétricas, comprometendo a vida útil do equipamento e onerando o investimento realizado”, conclui.

 


Resumen (Español)
El compresor es el componente central de los sistemas de refrigeración y climatización, y su elección influye directamente en la eficiencia energética, la confiabilidad y la vida útil del equipo. Más allá del precio, factores como compatibilidad técnica, ingeniería embarcada, historial de fallas y condiciones de garantía determinan el desempeño del sistema. Fabricantes como Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh y Danfoss destacan por procesos industriales controlados, pruebas rigurosas y cumplimiento de normas internacionales.

Los compresores remanufacturados pueden representar una alternativa intermedia cuando provienen de procesos certificados, aunque presentan mayor variabilidad y garantías limitadas. Los reconstruidos, generalmente reacondicionados sin control industrial estricto, implican riesgos elevados de fallas prematuras y mayor consumo energético. Especialistas como André Lago y Helena Pacheco Ferreira Kretzer coinciden en que la responsabilidad técnica y el diagnóstico correcto son decisivos para asegurar la confiabilidad y el desempeño del sistema a largo plazo.


Summary (English)
The compressor is the core component of refrigeration and air conditioning systems, and its selection has a direct impact on energy efficiency, reliability, and equipment lifespan. Beyond cost, technical compatibility, embedded engineering, failure history, and warranty conditions play a decisive role in system performance. Manufacturers such as Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh, and Danfoss stand out for controlled industrial processes, rigorous testing, and compliance with international standards.

Remanufactured compressors may offer a lower initial investment when sourced from certified processes, but they involve greater variability and limited guarantees. Rebuilt compressors, often refurbished without strict industrial controls, carry higher risks of premature failure and increased energy consumption. Experts André Lago and Helena Pacheco Ferreira Kretzer emphasize that technical responsibility and accurate fault diagnosis are essential to ensure long-term reliability and operational efficiency.

Refrigeração Tipi lança cortinas de ar Friven

Linha amplia portfólio da empresa, que integra o grupo Soprano, com modelos voltados ao controle térmico de diferentes ambientes.

A Refrigeração Tipi, empresa que integra o grupo Soprano, lançou a linha de cortinas de ar Friven, marca própria, ampliando sua atuação nos segmentos de refrigeração e climatização. Os equipamentos estão disponíveis nas dimensões de 900 mm, 1.200 mm e 1.500 mm.

Segundo a empresa, as cortinas de ar Friven foram desenvolvidas para separar ambientes internos e externos por meio de uma barreira de ar, com aplicação em espaços comerciais, industriais e residenciais. A proposta inclui a melhoria do conforto térmico e a redução de custos de climatização.

Os modelos utilizam tecnologia cross-flow associada ao sistema full-air, que intensifica o fluxo contínuo de ar, além de motor silencioso, indicado para locais com grande circulação de pessoas. As cortinas também contribuem para reduzir a troca térmica com o ambiente externo, favorecendo a economia de energia e o desempenho de sistemas de refrigeração e aquecimento.

De acordo com a Tipi, os equipamentos auxiliam ainda na diminuição da entrada de poeira, odores, poluição e insetos. A instalação é descrita como simplificada, o que permite aplicação por integradores e administradores prediais em diferentes perfis de uso, como comércios, restaurantes, indústrias, armazéns, condomínios e residências.

As cortinas de ar Friven estão disponíveis em revendas e lojas especializadas do setor, reforçando a presença da Refrigeração Tipi no mercado de soluções para controle climático.


Resumen (Español)

La empresa Refrigeração Tipi, que forma parte del grupo Soprano, lanzó la línea de cortinas de aire Friven, ampliando su portafolio de soluciones en refrigeración y climatización. Los equipos están disponibles en tamaños de 900 mm, 1.200 mm y 1.500 mm.

Según la compañía, los productos están destinados a separar ambientes internos y externos mediante una barrera de aire, contribuyendo al control térmico, a la eficiencia energética y al desempeño de sistemas de refrigeración y calefacción en diferentes tipos de espacios.


Summary (English)

Refrigeração Tipi, part of the Soprano group, has launched the Friven air curtain line, expanding its refrigeration and air conditioning portfolio. The products are available in 900 mm, 1,200 mm and 1,500 mm versions.

According to the company, the air curtains are designed to separate indoor and outdoor environments through an air barrier, supporting thermal control, energy efficiency and the performance of cooling and heating systems across a range of applications.

Fabricantes combinam produção local e importados para garantir competitividade

Com fábricas instaladas no país, o setor avalia o equilíbrio entre produzir localmente e importar componentes para garantir competitividade no abastecimento.

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A cadeia de fornecimento local tem ganhado importância estratégica para a indústria de HVAC-R no Brasil, especialmente em um cenário de demanda crescente por climatização, pressões por eficiência energética e necessidade de reduzir vulnerabilidades logísticas globais. Empresas que atuam no país avaliam constantemente se devem produzir localmente ou importar equipamentos, peças e partes.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou um parque industrial relevante na área de climatização e refrigeração. A proximidade com o cliente também favoreceu a customização, atendimento mais ágil e controle de qualidade. Além disso, permite maior agilidade na reposição de peças e serviços, o que se traduz em confiabilidade e menor tempo de resposta nas manutenções. Grandes grupos globais já apostam nessa estratégia: por exemplo, o Midea inaugurou em 2023 uma fábrica de 73 mil metros quadrados em Pouso Alegre (MG), que produz cerca de 1,3 milhão de unidades por ano. Já a Gree do Brasil mantém uma planta em Manaus (AM) com capacidade de mais de 1,5 milhão de aparelhos/ano, confirmando a força da produção local no segmento. Além dessas, empresas como Electrolux, LG, Samsung e Whirlpool também operam montagens no Brasil, beneficiando-se dos incentivos fiscais locais.

No entanto, produzir no Brasil não é isento de desafios. Custos industriais elevados, escala ainda limitada em algumas linhas e a dificuldade em acessar tecnologia de ponta ou componentes específicos podem reduzir a competitividade frente a peças importadas são alguns dos pontos a serem avaliados. Além disso, há escassez de mão de obra especializada em determinados processos, o que muitas vezes exige treinamento ou terceirizações e encarece o produto final.

Essa presença diversificada permite que parte relevante dos equipamentos comercializados no país seja fabricada ou montada localmente, reduzindo o tempo de entrega, facilitando o atendimento técnico e permitindo customizações de acordo com normas brasileiras, como os requisitos de etiquetagem energética e padrões elétricos específicos.

Apesar desses avanços, a cadeia local ainda depende fortemente de componentes importados. A fabricação de placas eletrônicas, sensores, módulos de controle, ventiladores específicos, trocadores de calor de alta densidade e certos modelos de compressores permanece concentrada na Ásia, sobretudo na China.

“Muitos splits montados no Brasil utilizam kits eletrônicos, motores e serpentinas produzidos no exterior, que chegam ao país por meio de distribuidores ou diretamente para as linhas de produção. Isso cria uma produção híbrida, em que o produto final é nacional, mas boa parte dos seus insumos depende de fornecedores internacionais”, informa Leonardo Araujo, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Midea.

Do ponto de vista econômico, produzir localmente traz benefícios claros: reduz a exposição cambial, encurta o lead time, aumenta a previsibilidade de abastecimento e fortalece fornecedores nacionais, que passam a investir em tecnologia e mão de obra qualificada. Além disso, a proximidade entre fábrica e mercado permite ajustes rápidos de portfólio, adequação a legislações e adaptações a padrões climáticos regionais. A geração de empregos diretos e indiretos reforça o impacto positivo da industrialização no país, ampliando a competitividade do setor.

No entanto, a produção local exige investimentos necessários para instalação de fábricas, aquisição de maquinário, automação e certificações são elevados e exigem escala para que a operação se torne economicamente sustentável. Em mercados altamente competitivos, como o de splits residenciais, a pressão por preços baixos faz com que empresas avaliem com cuidado se vale mais montar localmente ou importar o produto acabado. Questões logísticas internas, como o transporte em longas distâncias dentro do território brasileiro, também afetam a equação de custos, além da complexidade tributária nacional, que pode reduzir margens se não houver incentivos adequados.

Programas de conteúdo local, acordos de desenvolvimento com fornecedores brasileiros, investimentos em pesquisa e inovação e a expansão de polos industriais fortalecem a independência tecnológica da indústria nacional.

“Entre os incentivos fiscais aplicáveis à comercialização da produção para fora da área da Zona Franca de Manaus estão a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), as reduções específicas do imposto de importação, isenção do PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas da Zona Franca de Manaus, além de outros incentivos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e crédito estímulo de ICMS. Do ponto de vista logístico, no entanto, existe um desafio a ser superado. Se, por um lado, a sua localização é a mais próxima de grandes mercados externos como a América Central e do Norte, por outro ela está distante de alguns dos principais mercados consumidores do Brasil. Sabe-se que alguns produtos, como o ar condicionado, dependem de modais específicos para manter a sua competitividade, por isso, manter investimentos e discutir alternativas é urgente para que as empresas possam superar adversidades”, comenta Araujo.

Sistema híbrido

Por sua vez, depender exclusivamente de importações traz problemas operacionais: a volatilidade cambial, o aumento de fretes, os prazos imprevisíveis e os gargalos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda ou crise internacional, que podem comprometer cronogramas e inflar preços. Para mitigar esses riscos, muitas empresas participam do Programa Abrava Exporta, uma parceria com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização da indústria HVAC-R nacional. Por meio do programa, as empresas recebem apoio técnico, inteligência de mercado e acesso a feiras.

“Esse esforço de internacionalização reforça a competitividade global da indústria nacional, promovendo a combinação entre produção local e importação, não apenas para atender à demanda doméstica, mas também torna o Brasil um exportador relevante no setor HVAC-R. O modelo híbrido permite aproveitar o melhor dos dois mundos: manutenção da cadeia produtiva local, com empregos, customização e agilidade; e acesso a tecnologias e componentes importados quando necessário, garantindo inovação e eficiência”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Silva acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). “A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela.

“Em última análise, o equilíbrio entre produção nacional e importação tem se mostrado a estratégia mais eficiente para atender à crescente demanda no Brasil, preservando competitividade, assegurando sustentabilidade da cadeia e aumentando a previsibilidade no abastecimento. No ambiente atual, marcado por incertezas cambiais, variabilidade logística e exigências regulatórias, essa flexibilidade estratégica se traduz em resiliência e capacidade de resposta para o futuro do setor HVAC-R no país”, conclui.


Resumen (Español)
La industria de HVAC-R en Brasil adopta un modelo híbrido que combina producción local e importación de componentes para mantener la competitividad frente a una demanda creciente por climatización y mayores exigencias de eficiencia energética. Con plantas industriales instaladas en el país, las empresas logran reducir plazos de entrega, adaptar productos a normas locales y fortalecer la cadena de suministro nacional, aunque siguen dependiendo de insumos estratégicos provenientes principalmente de Asia.

El equilibrio entre fabricar localmente e importar permite mitigar riesgos asociados a la volatilidad cambiaria, costos logísticos y limitaciones tecnológicas. Iniciativas de apoyo a la internacionalización y acuerdos con proveedores refuerzan la capacidad del sector para atender tanto al mercado interno como a las exportaciones, consolidando a Brasil como un actor relevante en la industria HVAC-R.


Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is increasingly adopting a hybrid model that combines local manufacturing with imported components to remain competitive amid rising demand for air conditioning and stricter energy-efficiency requirements. Domestic production helps shorten delivery times, enable customization to local standards and strengthen supply chains, while key components continue to be sourced mainly from Asia.

Balancing local production and imports reduces exposure to currency volatility, logistics disruptions and technological constraints. Support programs for internationalization and partnerships with local suppliers enhance the sector’s ability to serve both domestic and export markets, positioning Brazil as a relevant player in the global HVAC-R industry.

Psicrometria garante precisão no tratamento e condicionamento do ar

A psicrometria é a base para entender como temperatura e umidade influenciam o conforto térmico e a eficiência dos sistemas. Dominar seus princípios permite diagnósticos mais precisos e projetos confiáveis

 A psicrometria é um dos pilares da climatização e da ventilação, mas ainda é um tema que muitos técnicos conhecem apenas pela superfície. No entanto, compreender de verdade o comportamento do ar, suas propriedades, limites e interações, é o que separa o trabalho básico de um profissional capaz de diagnosticar sistemas com precisão e tomar decisões fundamentadas.

Para aprofundar o tema, conversamos com o Prof. Dr. Alexandre Fernandes Santos, doutor em Engenharia Mecânica e Diretor da FAPRO – Faculdade Profissional, que trouxe um novo olhar sobre a importância da psicrometria em campo.

Alexandre lembra que psicrometria não é apenas teoria: ela dialoga com questões vitais, inclusive de saúde pública: “Segundo Bill Gates, 500 mil pessoas no planeta morrem de calor. Esse calor é sentido pela temperatura e pela umidade relativa do ar que respiramos. O ar com umidade é a matéria-prima do pulmão, e as características físicas do ar como temperatura, umidade relativa, massa específica e entalpia, que são expressas em um ábaco que chamamos de diagrama psicrométrico. É esse diagrama que orienta desde o conforto térmico até processos industriais sensíveis, passando pelo desempenho energético dos sistemas HVAC”.

Mas se a psicrometria está no centro da climatização, por que tantos profissionais têm dificuldade de aplicá-la? Para o professor, a resposta é simples: falta vínculo entre o conceito e o objetivo.

“A palavra ‘ar condicionado’ é intrinsecamente conectada com psicrometria. Como dizia o Gato Cheshire à Alice, em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: ‘se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve’. A psicrometria indica todos os lugares que devemos ir para controlar as propriedades físicas essenciais do ar. Em outras palavras, é ela que mostra o caminho certo, seja para refrigerar, desumidificar, aquecer ou ventilar”, destaca Alexandre.

Um dos pontos de maior impacto prático é entender como os parâmetros psicrométricos como Temperatura de Bulbo Seco (TBS), Umidade Relativa (UR), ponto de orvalho e entalpia influenciam o conforto e a operação dos sistemas. Embora a temperatura de bulbo seco seja a mais conhecida, é a umidade relativa que domina boa parte das decisões. Todos os processos industriais envolvem a umidade relativa, entalpia e ponto de orvalho. Ou seja, não se limita à qualidade do ar. Assim como na indústria, ambientes climatizados dependem de equilíbrio psicrométrico para evitar mofo, condensação, desconforto e sobrecarga energética.

Pequenas variações podem comprometer tanto o desempenho quanto o consumo. Alexandre dá um exemplo que muitos não associam à climatização: o concreto. “A temperatura para testes e cura de amostras é rigorosamente controlada para garantir resultados confiáveis, sendo regida por normas como a ABNT NBR 5738. A variação da temperatura afeta diretamente o processo de hidratação do cimento e, consequentemente, a resistência final do concreto. Os corpos de prova devem ser armazenados em uma câmara úmida a (23+/-2ºC) e UR acima de 95%. Já pensou? Até a parede de concreto em que você pode estar encostado agora depende de uma verificação psicrométrica. Esse exemplo reforça como a psicrometria é transversal e como sistemas críticos dependem dela para evitar falhas estruturais, contaminações e perdas”.

 Quando os fundamentos não são considerados

Quando princípios psicrométricos são ignorados, os problemas surgem rápido. O professor cita que, muitas vezes, o erro começa antes mesmo da instalação.

“Os erros em processos psicrométricos vêm muito do amadorismo, onde alguém não qualificado promete algo ao cliente por ser mais barato e acaba não atendendo a um nível de umidade relativa. O cliente não sabe o que quer e envia dados errados ao projetista. Quando se trata de valores, minha dica é: se envolve um controle rígido psicrométrico, faça atas, guarde documentos. A experiência vem do acerto, mas também do erro. Eu tive a oportunidade de errar muito jovem, e esses erros me deram mais sensibilidade. Mas quando se trata de psicrometria, é necessário entrada de dados, processamento de dados e saída de dados de qualidade”, enfatiza Alexandre.

Existem aplicações em que esse domínio não é opcional, e sim determinante, como em salas limpas, data centers e processos industriais alimentares. Ele cita o exemplo da gelatina: é um processo absolutamente psicrométrico. Um erro de umidade perde-se o produto. Isso vale para remédios. Nesses ambientes, operar fora da faixa psicrométrica pode interromper linhas de produção inteiras, gerar perdas milionárias ou comprometer requisitos sanitários.

Em um mundo em que apps e softwares fazem cálculos instantaneamente, o professor vê a tecnologia como aliada, mas com uma condição: o profissional precisa saber interpretar.

“Os softwares só ajudam, pois o profissional ganha tempo ao trabalhar com eles e pode usar esse tempo para focar nos princípios psicrométricos. Ou seja, dominar o conceito evita que o técnico aceite resultados incoerentes ou tome decisões erradas confiando apenas no computador”, revela o professor.

Do ponto de vista educacional, Alexandre aponta uma lacuna importante: “O assunto na academia brasileira é muito mal ensinado. Quando se ensina, só se foca nos elementos básicos, mas especificamente as pós-graduações trazem qualidade ao aluno nesse quesito. Para técnicos e engenheiros, isso significa que a especialização e o estudo contínuo são diferenciais reais na carreira. Certa vez perguntaram ao idealizador da cidade de Nauvoo, em Illinois (EUA), ‘como esse povo é tão educado?’ E Joseph Smith disse: ‘eu simplesmente ensino princípios verdadeiros e deixo que eles se governem’. Na psicrometria é igual: aprenda os princípios e eles te guiarão. Compreender e aplicar a psicrometria é, portanto, mais do que saber usar uma carta ou um software: é entender o ar como matéria-prima e enxergar o sistema de climatização como um processo físico completo. Para o técnico que domina esse conhecimento, o diagnóstico fica mais preciso, o trabalho ganha autoridade e a tomada de decisão passa a ser baseada em ciência e não em palpites”.


Resumen (Español)

La psicrometría es presentada como un fundamento técnico indispensable para el diseño, la operación y el diagnóstico preciso de sistemas de climatización y ventilación. Más allá de la temperatura, variables como la humedad relativa, la entalpía y el punto de rocío determinan el confort térmico, la eficiencia energética y la seguridad de procesos industriales sensibles.

Según el profesor Alexandre Fernandes Santos, director de la FAPRO – Faculdade Profissional, la falta de dominio de estos principios genera errores de proyecto, pérdidas productivas y riesgos sanitarios. El uso de software es un apoyo, pero no sustituye la comprensión física del aire, que sigue siendo la base de decisiones técnicas confiables en HVAC-R.


Summary (English)

Psychrometrics is described as a core technical discipline for air conditioning and ventilation, directly influencing thermal comfort, energy efficiency, and system reliability. Understanding air properties—such as relative humidity, enthalpy, and dew point—is essential for accurate diagnostics and for avoiding failures in industrial, commercial, and critical environments.

According to Professor Alexandre Fernandes Santos, from FAPRO – Faculdade Profissional, neglecting psychrometric principles often leads to design errors and operational inefficiencies. While digital tools speed up calculations, only solid theoretical knowledge enables professionals to interpret results correctly and base decisions on physics rather than assumptions.