Arquivo para Tag: Revista do Frio
Análise de capacidade térmica em sistemas de climatização
O cálculo da capacidade térmica permite verificar se um sistema de climatização está entregando o desempenho nominal especificado pelo fabricante.
O método baseia-se na variação de entalpia do ar associada à vazão mássica no evaporador, sendo aplicável a sistemas split, self-contained e fan coils, tanto de expansão direta quanto de água gelada.
A equação fundamental é:
Capacidade térmica (kW) = ṁ × Δh
Onde:
- ṁ = vazão mássica de ar (kg/s)
- Δh = variação de entalpia (kJ/kg)
1 – Cálculo da Capacidade Térmica
A – Determinação da Vazão Mássica de Ar (ṁ)
A vazão mássica é obtida a partir da vazão volumétrica e da densidade do ar.
A.1 – Vazão volumétrica
A vazão volumétrica é calculada por:
Q = V × A
Onde:
- Q = vazão volumétrica (m³/s)
- V = velocidade média do ar (m/s)
- A = área útil da face da serpentina (m²)

Procedimento:
- Medir largura e altura úteis da serpentina.
- Calcular a área (m²).
- Medir a velocidade média com anemômetro digital, distribuindo as medições em múltiplos pontos.
- Calcular Q em m³/s.
- Converter para m³/h quando necessário (multiplicar por 3600).
Em equipamentos de maior porte pode-se utilizar balômetro ou instrumentos digitais com cálculo automático.
A.2 – Determinação da densidade do ar (ρ)
A densidade do ar é determinada a partir das condições psicrométricas na saída do evaporador.
Podem ser utilizados:
- Termohigrômetro digital
- Psicrômetro eletrônico
- Instrumentos multiparâmetro
- Software ou aplicativo psicrométrico
Caso seja utilizada carta psicrométrica, devem ser informados:
- Temperatura de bulbo seco
- Temperatura de bulbo úmido ou umidade relativa
A.3 – Cálculo da vazão mássica
A vazão mássica é dada por:
ṁ = Q × ρ
Onde:
- ṁ = vazão mássica (kg/s)
- Q = vazão volumétrica (m³/s)
- ρ = densidade do ar (kg/m³)
B – Determinação da Variação de Entalpia (Δh)
Medem-se as condições psicrométricas do ar:
- Na entrada do evaporador
- Na saída do evaporador
Obtêm-se os valores de entalpia em kJ/kg.
A variação é calculada por:
Δh = h entrada − h saída
Instrumentos digitais modernos podem fornecer diretamente os valores de entalpia e a variação.

1.1 – Exemplo de Aplicação em Sistema Nominal de 15 TR
Dados medidos em campo
- Vazão de ar no evaporador: 8200 m³/h
- Temperatura de bulbo úmido na entrada: 20 °C
- Temperatura de bulbo úmido na saída: 11,7 °C
- Temperatura de bulbo seco na saída: 12,5 °C
1.1.1 – Determinação da densidade
A partir das condições psicrométricas obtém-se:
ρ = 0,896 kg/m³
1.1.2 – Vazão mássica
8200 m³/h × 0,896 kg/m³ = 7347,2 kg/h
Convertendo para kg/s:
7347,2 ÷ 3600 = 2,04 kg/s
1.1.3 – Variação de entalpia
Valores obtidos:
h entrada = 14,3 kcal/kg
h saída = 8,3 kcal/kg
Δh = 6 kcal/kg
Convertendo para o Sistema Internacional:
1 kcal = 4,186 kJ
Δh = 25,12 kJ/kg

1.1.4 – Capacidade térmica
Capacidade = 2,04 kg/s × 25,12 kJ/kg
Capacidade ≈ 51,24 kW
Conversão para TR:
1 TR = 3,517 kW
51,24 ÷ 3,517 = 14,57 TR
O sistema nominal de 15 TR apresenta capacidade real de aproximadamente 14,6 TR.
2 – Cálculo da Vazão de Ar
Aplicável a sistemas split, self-contained e fan coil.
2.1 – Procedimento
2.1.1 – Medição da área da serpentina
Largura = 1,2 m
Altura = 0,7 m
Área = 1,2 × 0,7 = 0,84 m²
2.1.2 – Medição da velocidade média
Velocidade média medida: 2,65 m/s
2.1.3 – Cálculo da vazão volumétrica
Q = 2,65 × 0,84
Q = 2,23 m³/s
2.1.4 – Conversão para m³/h
2,23 × 3600 = 8028 m³/h
Considerações Técnicas
O método de cálculo por variação de entalpia permanece tecnicamente válido e é amplamente utilizado em:
- Comissionamento
- Retrocomissionamento
- Diagnóstico de desempenho
- Auditorias energéticas
- Avaliação de eficiência operacional
A precisão do resultado depende da qualidade das medições de vazão e das condições psicrométricas.
Para análise completa recomenda-se associar a verificação da capacidade térmica à medição de consumo elétrico e à avaliação de indicadores de eficiência, como COP ou EER.
Autor original
José de Castro Silva — Técnico em Refrigeração e Ar Condicionado; Engenheiro de Produção Mecânica; Mestre em Engenharia Mecânica; Professor universitário na área de Sistemas Térmicos.
Atualização técnica e adequação editorial (2026)
O fim das etiquetas A+, A++ e A+++

As novas etiquetas do Inmetro mudam a forma de identificar a eficiência de aparelhos de ar-condicionado e geladeiras.
As etiquetas de eficiência energética conhecidas pelas classificações A+, A++ e A+++ estão sendo substituídas por um novo sistema de avaliação do Inmetro. A mudança afeta aparelhos de ar-condicionado e refrigeradores e faz parte da adoção de critérios atualizados para medir o consumo de energia dos equipamentos.
No caso dos aparelhos de ar-condicionado, a principal alteração foi a adoção do Índice de Desempenho do Resfriamento Sazonal (IDRS), previsto na Portaria Inmetro nº 234/2020. O indicador substituiu o método tradicional baseado no COP/EER, utilizado para medir a eficiência dos equipamentos em condições estáticas de operação.
Diferentemente do sistema anterior, o IDRS considera o consumo de energia ao longo do ano, levando em conta as variações climáticas típicas do país. Com isso, a avaliação passa a refletir o desempenho do equipamento em diferentes condições de uso.
A mudança também simplificou a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE). Em vez das antigas subdivisões A+, A++ e A+++, os aparelhos passaram a ser classificados em uma escala de A a F.
O processo de transição começou em 2023, quando foi proibida a fabricação e a importação de modelos sem o novo índice de eficiência. A regulamentação avança agora para as etapas finais de adequação do mercado.
Outra mudança está relacionada à obtenção da classificação máxima. O IDRS mínimo exigido para que um aparelho seja enquadrado na Classe A passou de 5,5 para 7,0.
Segundo as informações divulgadas, mais da metade dos aparelhos split de entrada produzidos em Manaus não alcança atualmente a classificação A após a adoção do novo critério.
Os equipamentos enquadrados nas faixas de menor eficiência seguem um cronograma de transição para comercialização. O prazo para escoamento desses modelos no varejo termina no final de junho.
Geladeiras passam a usar apenas três classes
Para os refrigeradores, a mudança ocorre de forma diferente. As etiquetas foram simplificadas para apenas três categorias: A, B e C.
Nesse modelo, os equipamentos que seriam enquadrados nas antigas categorias D, E e F deixaram de fazer parte da classificação. O varejo tem até o final do ano para comercializar os estoques remanescentes desses produtos.
Para os profissionais de climatização e refrigeração, a principal mudança prática é a identificação da eficiência energética dos equipamentos. As antigas referências A+, A++ e A+++ deixam de existir, dando lugar às novas classificações adotadas pelo Inmetro.

Figura ilustrativa
–
Resumen (español)
Las etiquetas de eficiencia energética A+, A++ y A+++ están siendo sustituidas por nuevos criterios definidos por el Inmetro. Los equipos de aire acondicionado ahora utilizan el Índice de Desempeño de Refrigeración Estacional (IDRS) y una escala de A a F, mientras que los refrigeradores adoptan una clasificación simplificada de A a C. El cambio modifica la forma de identificar la eficiencia energética de los equipos comercializados en Brasil.
Summary (English)
The A+, A++ and A+++ energy-efficiency labels are being replaced by new criteria established by Inmetro. Air conditioners are now evaluated using the Seasonal Cooling Performance Index (IDRS) and an A-to-F scale, while refrigerators follow a simplified A-to-C classification system. The change modifies how energy efficiency is identified in equipment sold in Brazil.
Troféu Oswaldo Moreira entra em fase de apuração

Revista do Frio e Clube do Frio contabilizam os votos da primeira etapa da premiação que reconhece profissionais, empresas e marcas do setor HVAC-R.
Os votos da primeira fase do Troféu Oswaldo Moreira 2025 já foram enviados e a organização iniciou a etapa de apuração das indicações. A premiação, promovida pela Revista do Frio e pelo Clube do Frio, reconhece profissionais, empresas e marcas mais lembrados pelo setor HVAC-R brasileiro.
Segundo a organização, os votos recebidos estão sendo contabilizados para definir os indicados oficiais que avançarão para a fase final da premiação. A divulgação dos classificados para a próxima etapa será feita em breve.
O Troféu Oswaldo Moreira é realizado anualmente e reúne representantes de diferentes segmentos da cadeia de refrigeração, climatização, aquecimento e ventilação. A premiação tem como objetivo destacar a atuação de empresas, marcas e profissionais apontados pelos próprios participantes do setor.
A organização também agradeceu a participação do público na primeira etapa da votação. Segundo o comunicado, o envolvimento dos profissionais contribui para fortalecer o reconhecimento das atividades ligadas ao HVAC-R no país.

Estudo propõe medidas para reduzir emissões de refrigerantes em veículos na União Europeia
Grupo técnico formado por fabricantes, fornecedores e produtores de refrigerantes estima que medidas regulatórias aplicadas entre 2030 e 2050 podem reduzir pela metade as emissões acumuladas de fluidos refrigerantes em sistemas de ar-condicionado automotivo na União Europeia.
Um grupo técnico criado para avaliar as emissões de refrigerantes em sistemas de ar-condicionado automotivo na União Europeia publicou um estudo que estabelece uma linha de base para o período de 2021 a 2050 e apresenta cenários de redução de emissões associados a possíveis medidas regulatórias.
O documento foi elaborado por Thom Hermens e Mark Smith, da Chemours, e por Curt Vincent e MaryJo VandenBrink, da Honeywell, vinculada à marca Solstice.
Segundo o relatório, o objetivo do grupo foi quantificar as emissões de refrigerantes ao longo de todo o ciclo de vida dos sistemas de ar-condicionado veicular, incluindo produção, distribuição, carga inicial, uso do veículo, acidentes, reparos, manutenção, fim de vida útil e recuperação de refrigerantes. O trabalho foi desenvolvido para apoiar autoridades europeias que analisam alternativas regulatórias relacionadas à proposta de restrição de PFAS e gases fluorados no setor de transportes.
O grupo reuniu representantes da cadeia de valor, incluindo oito fabricantes de veículos (OEMs), seis fabricantes de componentes automotivos (Tier 1), uma rede de oficinas, um distribuidor, dois produtores de refrigerantes e dois operadores de fim de vida útil de veículos.
De acordo com as estimativas apresentadas, as emissões anuais totais de refrigerantes em aplicações automotivas na União Europeia poderiam cair de 15.353 toneladas métricas em um cenário de referência para 6.083 toneladas métricas em 2050 com a adoção das medidas propostas, representando redução de aproximadamente 60%. Entre 2030 e 2050, o estudo calcula que cerca de 183 mil toneladas métricas de emissões poderiam ser evitadas.
O relatório identifica que a maior parcela das emissões ocorre durante a vida útil do veículo, principalmente em função de vazamentos naturais dos sistemas de climatização. Entre as medidas analisadas estão limites máximos para taxas de vazamento em novos veículos, obrigatoriedade de reparo quando vazamentos forem detectados durante serviços de manutenção, inspeções periódicas dos sistemas de ar-condicionado, monitoramento da saúde do sistema e especificações mais rigorosas para condensadores.
O estudo também aponta que a eletrificação da frota tende a reduzir parte das emissões por eliminar o retentor mecânico presente nos compressores acionados por correia dos veículos com motor de combustão interna. Segundo os autores, compressores elétricos utilizados em veículos elétricos a bateria (BEVs) apresentam taxas menores de vazamento, embora sistemas com bomba de calor possam adicionar novas conexões ao circuito frigorífico.
Entre os dados analisados, o documento indica que cerca de 76% dos veículos em circulação na União Europeia em 2021 possuíam ar-condicionado instalado de fábrica. A projeção é que essa participação alcance aproximadamente 97% em 2035 e praticamente 100% em 2050.
–
Resumen (español)
El Grupo Técnico de Trabajo sobre Emisiones de Refrigerantes en Vehículos de la Unión Europea publicó un estudio que evalúa las emisiones de refrigerantes de los sistemas de aire acondicionado automotriz entre 2021 y 2050. El documento propone medidas regulatorias orientadas a reducir fugas durante la vida útil de los vehículos, mejorar los procedimientos de mantenimiento y fortalecer el diseño de los componentes. Según las estimaciones del informe, las emisiones anuales podrían reducirse en alrededor del 60% para 2050, evitando más de 183 mil toneladas métricas de emisiones acumuladas entre 2030 y 2050.
Summary (English)
The European Union Automotive Refrigerant Emissions Technical Working Group has released a study assessing refrigerant emissions from vehicle air-conditioning systems between 2021 and 2050. The report evaluates potential regulatory measures aimed at reducing leakage during vehicle operation, improving maintenance practices and strengthening component design requirements. According to the study, annual refrigerant emissions could decline by about 60% by 2050, preventing more than 183,000 metric tons of cumulative emissions between 2030 and 2050.
Privação térmica amplia riscos do calor extremo, apontam estudos
Pesquisadores utilizam a expressão inglesa cooling poverty para descrever situações em que a proteção contra o calor depende não apenas de equipamentos de climatização, mas também de moradia, infraestrutura urbana, acesso à água e serviços públicos.
A expressão inglesa cooling poverty tem sido utilizada por pesquisadores para descrever situações em que pessoas e comunidades não dispõem de condições adequadas para se proteger do calor extremo. O conceito amplia a compreensão da refrigeração para além dos equipamentos, sistemas de climatização e tecnologias de controle térmico.
Como não existe uma tradução consolidada para o português, esta reportagem adota a expressão privação térmica, uma tentativa de aproximar o conceito do leitor brasileiro sem perder o significado atribuído pelos autores dos estudos. O termo refere-se à falta de recursos, infraestrutura e condições sociais necessárias para enfrentar episódios de calor intenso.
Segundo pesquisadores envolvidos em estudos publicados na revista científica Nature Sustainability, a chamada systemic cooling poverty, ou privação térmica sistêmica, ocorre quando indivíduos, famílias ou organizações ficam expostos aos efeitos do estresse térmico devido à insuficiência de infraestruturas físicas, sociais e de recursos intangíveis relacionados à adaptação ao calor e à umidade.
A definição proposta pelos autores vai além do acesso a equipamentos de ar-condicionado ou ventilação mecânica. O conceito engloba fatores como qualidade das moradias, soluções passivas de resfriamento, disponibilidade de áreas verdes, acesso à água, serviços públicos, cadeias de frio, sistemas de saúde e redes de apoio social.
Os pesquisadores identificaram cinco dimensões principais associadas ao fenômeno: condições climáticas, infraestrutura e ativos relacionados ao conforto térmico, desigualdade social e térmica, saúde e condições de educação e trabalho.
Um estudo divulgado em maio deste ano analisou aproximadamente 3 bilhões de pessoas em 28 países, principalmente em economias em desenvolvimento. Os autores estimam que cerca de 600 milhões de pessoas vivam em condições severas de privação térmica. As maiores concentrações foram identificadas no Sul da Ásia e na África Subsaariana.
De acordo com os pesquisadores, populações submetidas a condições climáticas semelhantes podem apresentar níveis bastante diferentes de vulnerabilidade ao calor. As diferenças estariam relacionadas à disponibilidade de infraestrutura, à qualidade das habitações e à capacidade local de adaptação.
O trabalho destaca que o acesso ao resfriamento permanece desigual em diversas regiões do mundo. Em muitos casos, a proteção contra o calor depende de uma combinação de fatores que incluem arborização urbana, ventilação adequada das edificações, disponibilidade de espaços públicos, acesso à água potável e funcionamento dos serviços de saúde e assistência social.
A pesquisa também aponta que idade, renda, condições de saúde e características do ambiente construído influenciam diretamente a exposição ao calor extremo. A refrigeração deixa de ser vista apenas como uma questão tecnológica e passa a integrar debates relacionados à saúde pública, habitação, planejamento urbano e adaptação climática.
Para os autores, enfrentar a privação térmica exige ações coordenadas entre diferentes setores. Habitação, saúde, agricultura, transporte e infraestrutura urbana são apontados como áreas que podem contribuir para ampliar o acesso a condições adequadas de resfriamento e reduzir a exposição das populações mais vulneráveis aos eventos de calor extremo.
A abordagem proposta pelos pesquisadores sugere uma ampliação do próprio entendimento sobre refrigeração. Sob essa perspectiva, o tema não se restringe à disponibilidade de equipamentos ou ao consumo de energia, mas inclui o conjunto de condições que permite às pessoas viver, trabalhar e se deslocar em ambientes capazes de reduzir os riscos associados ao calor.
O que a privação térmica revela sobre o Brasil
Alguns dos trabalhos que discutem a chamada privação térmica utilizam o Rio de Janeiro para mostrar que o acesso ao resfriamento envolve mais do que equipamentos de climatização. Enquanto áreas como a orla de Ipanema contam com brisas marítimas, sombra e infraestrutura urbana, comunidades localizadas em encostas e periferias enfrentam condições distintas, marcadas por maior retenção de calor, menor cobertura vegetal e menos recursos para enfrentar temperaturas elevadas.
Os autores argumentam que a vulnerabilidade ao calor não depende apenas da temperatura registrada pelos termômetros. Fatores como qualidade da moradia, presença de árvores, disponibilidade de água potável, ventilação dos ambientes, condições de trabalho e acesso a serviços públicos influenciam diretamente a capacidade de adaptação das pessoas.
A pesquisa também chama atenção para situações frequentemente ignoradas nas estatísticas. Durante entrevistas realizadas em bairros populares e favelas do Rio de Janeiro, moradores relataram mudanças de rotina para evitar os horários mais quentes do dia, aumento das despesas com energia elétrica durante o verão e dificuldades de acesso a locais considerados mais frescos da cidade.
Para os autores, a privação térmica ajuda a compreender por que duas populações submetidas à mesma onda de calor podem enfrentar consequências muito diferentes. No caso brasileiro, o conceito sugere que o enfrentamento do calor passa não apenas pela expansão do acesso à climatização, mas também por políticas relacionadas à habitação, arborização urbana, mobilidade, saneamento, saúde pública e qualidade dos espaços coletivos. Sob essa perspectiva, a refrigeração passa a ser entendida também como uma questão de infraestrutura e inclusão social.
–
Resumen (español)
Investigadores han ampliado el concepto de refrigeración mediante el término cooling poverty, traducido en este artículo como privación térmica. El concepto describe situaciones en las que las personas no cuentan con recursos, infraestructura o servicios suficientes para protegerse del calor extremo. Los estudios indican que factores como vivienda, acceso al agua, áreas verdes, servicios públicos y sistemas de salud son tan relevantes como los equipos de climatización para reducir la vulnerabilidad térmica de la población.
Summary (English)
Researchers have expanded the concept of cooling through the term cooling poverty, translated in this article as thermal deprivation. The concept refers to situations where people lack the resources, infrastructure and services needed to protect themselves from extreme heat. According to the studies, housing quality, access to water, green spaces, public services and healthcare systems are as important as cooling equipment in reducing heat-related vulnerability.
Trump anuncia flexibilização de regras para HFCs usados na refrigeração e climatização

Medida anunciada pelo governo dos Estados Unidos altera regras sobre hidrofluorcarbonos (HFCs), gases amplamente utilizados em sistemas de refrigeração e ar-condicionado e associados às metas de redução de emissões do setor.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (21) a flexibilização de regras aplicadas aos hidrofluorcarbonos (HFCs), gases utilizados em refrigeradores, equipamentos de refrigeração comercial e aparelhos de ar-condicionado.
O anúncio foi feito ao lado da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, durante evento na Casa Branca, em Washington. Segundo informações divulgadas pela AFP, Trump classificou como “ridículas” regulamentações adotadas durante o governo de Joe Biden para o controle desses gases.
Os HFCs não afetam a camada de ozônio, mas possuem elevado potencial de aquecimento global. Por esse motivo, diversos países vêm promovendo a substituição gradual dessas substâncias por alternativas de menor impacto climático, especialmente nos setores de refrigeração e climatização.
A decisão do governo norte-americano ocorre em um contexto de implementação da American Innovation and Manufacturing Act (AIM Act), legislação que estabelece a redução progressiva da produção e do consumo de HFCs nos Estados Unidos. A lei foi aprovada em 2020 e constitui a base regulatória para a transição do mercado norte-americano para refrigerantes com menor potencial de aquecimento global.
O tema também está relacionado à Emenda de Kigali, acordo internacional que prevê a redução gradual do uso de HFCs em diversos países. As mudanças regulatórias anunciadas por Trump podem influenciar debates sobre a transição tecnológica e os investimentos da cadeia de HVAC-R, segmento que acompanha a evolução das normas ambientais e dos refrigerantes utilizados em novos equipamentos.
–
Resumen (Español)
El presidente de Estados Unidos, Donald Trump, anunció la flexibilización de normas aplicadas a los hidrofluorocarbonos (HFC), gases utilizados en equipos de refrigeración y aire acondicionado. La medida modifica regulaciones impulsadas durante la administración de Joe Biden y surge en un momento en que el país implementa la American Innovation and Manufacturing Act (AIM Act), legislación que establece la reducción gradual de los HFC. El tema también está vinculado a la Enmienda de Kigali, acuerdo internacional orientado a disminuir el uso de estos refrigerantes debido a su elevado potencial de calentamiento global.
Summary (English)
U.S. President Donald Trump announced the easing of regulations affecting hydrofluorocarbons (HFCs), refrigerants widely used in cooling and air-conditioning equipment. The move changes rules adopted during the Joe Biden administration and comes as the United States continues implementing the American Innovation and Manufacturing Act (AIM Act), which mandates a phased reduction in HFC production and consumption. The issue is also linked to the Kigali Amendment, an international agreement aimed at reducing the use of high global warming potential refrigerants.
TecnoCarne 2026 destaca refrigeração e automação para a cadeia de proteína

Realizada simultaneamente à Fispal Tecnologia, feira reunirá soluções para processamento, embalagem, refrigeração, automação e gestão industrial, além de atrações voltadas à cadeia frigorífica.
A TecnoCarne 2026 será realizada entre os dias 16 e 19 de junho, no São Paulo Expo, na capital paulista, e reunirá fornecedores de tecnologias, equipamentos e serviços voltados à cadeia de proteína animal. O evento ocorre em um cenário de busca da indústria frigorífica por eficiência operacional, redução de desperdícios, automação e controle sanitário.
Com um único ingresso, os visitantes poderão acessar as duas feiras, que apresentarão soluções para processamento, embalagem, refrigeração, automação, ingredientes, logística e gestão industrial. Os eventos ocuparão 58 mil metros quadrados de área de exposição, com mais de 500 expositores e expectativa de receber 48 mil visitantes.
Segundo Marina Cappi, gerente das feiras, a presença dos principais fornecedores do mercado e a realização simultânea com a Fispal Tecnologia ampliam as oportunidades de negócios e integração entre os diferentes segmentos da cadeia produtiva.
De acordo com a organização, a área de exposição cresceu 40% em relação à edição de 2024. Outro indicador apresentado é a participação de novas empresas, que representam 40% dos expositores desta edição.
A feira também contará com expositores internacionais da Alemanha, Estados Unidos e China. Entre as iniciativas previstas está o Pavilhão de Hessen, voltado à apresentação de tecnologias relacionadas à automação, processamento e eficiência para a indústria de proteína animal.
Entre as atrações, a Vitrine da Carne passará a reunir demonstrações com proteínas bovina, avícola e suína. As atividades serão conduzidas por Marcelo Bolinha, especialista em corte de carnes, com foco em técnicas de aproveitamento, padronização e valorização de cortes.
Outro espaço programado é a Ilha de Ingredientes Inovadores, dedicada a ingredientes, aditivos, sistemas de conservação e tecnologias relacionadas à segurança dos alimentos e às exigências de mercados internacionais. O local já confirmou a participação das empresas DR Aromas & Ingredientes, New Max e Corbion.
A refrigeração figura entre os segmentos contemplados pela feira, integrando o conjunto de soluções voltadas ao processamento, conservação e logística da cadeia frigorífica.
–
Resumen (español)
La TecnoCarne 2026 se realizará junto con Fispal Tecnologia y reunirá soluciones para procesamiento, envasado, refrigeración, automatización y gestión industrial dirigidas a la cadena de proteína animal. El evento contará con más de 500 expositores, participación internacional de Alemania, Estados Unidos y China, además de espacios como la Vitrina de la Carne y la Isla de Ingredientes Innovadores, enfocadas en eficiencia operativa, conservación de alimentos y seguridad alimentaria.
Summary (English)
TecnoCarne 2026 will take place alongside Fispal Tecnologia, bringing together solutions for processing, packaging, refrigeration, automation and industrial management for the animal protein industry. The event will feature more than 500 exhibitors, international participation from Germany, the United States and China, and attractions such as the Meat Showcase and the Innovative Ingredients Island, focusing on operational efficiency, food preservation and food safety.
Entre projetos e manutenções, Alana Carvalho conquista seu espaço no frio
Engenheira mecânica e técnica de refrigeração, a soteropolitana divide a rotina entre a Power Clim e o planejamento de manutenção no Grupo Artemp, fortalecendo a presença feminina no HVAC-R.
Engenheira mecânica e técnica de refrigeração, a soteropolitana Alana Alves Moraes de Carvalho divide sua rotina entre a empresa que fundou, a Power Clim, e o trabalho na área de planejamento de manutenção no Grupo Artemp, mostrando que competência e determinação não têm gênero no setor de HVAC-R. A curiosidade sempre foi o ponto de partida para sua trajetória profissional.
Nascida e residente em Salvador (BA), seu primeiro contato com o mundo do trabalho aconteceu ainda cedo. Em janeiro de 2010, aos 16 anos, Alana atuava como menor aprendiz em um supermercado enquanto concluía os estudos. Foi em 2013 que decidiu direcionar sua carreira para a área técnica, iniciando o curso de Mecatrônica no SENAI Cimatec. Um ano depois, ao perceber que seu interesse estava em outra vertente da engenharia, migrou para o curso técnico em Mecânica Industrial, decisão que mudaria seu caminho profissional. Durante o curso, a disciplina de refrigeração despertou sua paixão pelo setor.
“Em julho de 2013, comecei o curso de técnico em Mecatrônica, porém, após um ano, percebi que não era o que eu queria. Mudei para o técnico em Mecânica e me apaixonei pela área, principalmente por refrigeração, que era uma das matérias do curso. Em dezembro de 2016, concluí o curso técnico em Mecânica Industrial, e em 2017, sem hesitar, escolhi o curso de Engenharia Mecânica para dar continuidade à área que amava. Em agosto de 2022 conclui o curso. Foi um grande desafio cursar os semestres principais de forma EAD por conta da pandemia, já que tanto o curso técnico quanto os primeiros cinco semestres da faculdade foram presenciais. Assim que concluí meu TCC, recebi a proposta de trabalhar em uma empresa no ramo de refrigeração, e foi assim que minha paixão pela área terminou de aflorar. Percebi que era uma área predominantemente masculina e que precisava de um toque feminino. Comecei nessa empresa como técnica de planejamento, mas desempenhava várias funções, inclusive a supervisão de equipes de campo. Naquela época, fiquei à frente de uma parada programada em uma empresa do Polo Petroquímico de Camaçari, onde organizei as tarefas e supervisionei uma equipe de 20 homens, em várias manutenções corretivas em equipamentos de grande porte como chiller entre outros; graças a Deus, tudo deu certo. Com essa experiência, pude perceber os erros e acertos da área”, revela Alana.
Em 2023, passou a atuar na Casa do Ar, onde ampliou seus conhecimentos em diferentes tecnologias, incluindo sistemas VRF, e fortaleceu o contato direto com clientes. Nesse período, também foi convidada a integrar o grupo “A Tropa da Climatização”, tornando-se a primeira mulher a fazer parte da iniciativa.
“Em abril de 2023, eu estava fixa em um dos clientes dessa empresa e conheci o Alexandre (AJ Climatização) e o Adilson (AJ Instalações). Eles foram fazer um serviço de garantia e o Alexandre, conhecendo minha história, me convidou para participar do grupo “A Tropa da Climatização”. Amei o projeto e, após algumas análises do grupo, fui adicionada, tornando-me a primeira mulher do grupo, o que digo com muito orgulho, pois somos uma família”.
Após um período difícil em 2024, marcado pela perda de sua mãe, Alana decidiu dar um novo passo em sua trajetória. Com o incentivo de Ítalo, seu marido e parceiro de vida, além de colegas do setor, fundou em setembro de 2024 a Power Clim, empresa voltada à manutenção e serviços de climatização.
“Em janeiro de 2024, fui demitida em um período muito difícil da minha vida, pois tinha acabado de perder minha mãe, mas Deus tem planos para tudo. E em fevereiro do mesmo ano, para a honra e glória do Senhor, consegui passar de primeira na prova do DETRAN e tirei minha CNH, realizando um grande sonho. Daí em diante, comecei a perguntar a Deus qual seria minha função no setor e se deveria de fato abrir uma empresa. Desde que entrei na Tropa, os rapazes me incentivavam a abrir minha própria empresa e sempre aprendi muito com eles. Em meio às dúvidas sobre o nome e a estrutura do negócio, muitos deles me ajudaram e, em setembro de 2024, nasceu a Power Clim. A ideia inicial é ter majoritariamente mulheres atuando nas manutenções. Enquanto esse sonho amadurece, meu marido me acompanha nas manutenções, que realizamos aos finais de semana ou à noite, após meu expediente na Artemp. Atuo como CLT e autônoma ao mesmo tempo, até quando Deus quiser”.
Equipe forte com presença feminina
Hoje, Alana concilia a atuação na Artemp com o desenvolvimento de sua empresa, realizando atendimentos técnicos fora do horário comercial. Para ela, a presença feminina no setor de HVAC-R vem crescendo graças à competência, ao detalhismo e à dedicação das profissionais. Integrante também do grupo “Elas no AVAC-R”, que reúne mais de 250 mulheres do setor, a Alana acredita que a diversidade fortalece o mercado.
“Hoje, a Power Clim é uma empresa em desenvolvimento. Em nome de Jesus, se for da vontade de Deus, ainda em 2026 terei minha primeira auxiliar mulher, que será uma parceira de missão e não minha funcionária ou subordinada. Hoje as mulheres têm ganhado força e notoriedade no ramo pela competência, detalhismo e determinação. Existem empresas e clientes que preferem o atendimento feminino pelas nossas habilidades multitarefas. Antigamente, o preconceito era muito maior e o espaço, mais difícil de conquistar. Hoje, os homens estão buscando entender que podemos aprender uns com os outros, independente do gênero. Na Power Clim, entendo que a diversidade é chave: preciso de rapazes para tarefas que exigem força física bruta, e de mulheres pelo detalhismo nas manutenções”.
Entre as conquistas recentes, Alana destaca a participação na FEBRAVA 2025, onde teve contato com referências da área e ampliou sua rede de relacionamento profissional, e lutando para a aquisição de carro próprio para a empresa.
“Atualmente, lutamos para adquirir o carro próprio, que será de grande serventia. A Power Clim possui várias ferramentas que foram presentes de amigos da área, como Fernando (Super Cold), Alexandre (AJ Climatização), Fagner (Floco Refrigeração), Job Ney Palmeira, entre outros que fizeram a diferença na minha trajetória”.
Com uma rotina intensa entre trabalho, empresa e família, ela segue motivada pela paixão pela área. “A refrigeração é um setor amplo e cheio de oportunidades. Devemos buscar nosso espaço ajudando o próximo e valorizando o trabalho de todos”, conclui.

Tempo de transformação

Editorial – A Revista do Frio completa neste mês 36 primaveras acompanhando, edição após edição, as transformações do setor HVAC-R. Ao voltar para 1990, ano em que a publicação iniciou sua trajetória, é possível perceber o quanto a indústria mudou em tecnologia, eficiência energética e responsabilidade ambiental.
Naquele período, o setor vivia uma transição impulsionada pelo Protocolo de Montreal, que colocou os CFCs na rota de eliminação. O R-12 ainda dominava aplicações domésticas e automotivas, enquanto o R-22 era praticamente unanimidade no ar-condicionado. Ao mesmo tempo, os compressores scroll começavam a substituir os antigos alternativos. No Brasil, o ar-condicionado de janela ainda predominava, enquanto os primeiros split chegavam ao mercado como novidade para poucos consumidores.
Mais de três décadas depois, o setor continua em transformação. E com essa frequência de mudanças, nossa matéria de capa mostra como ruídos e vibrações em sistemas de climatização se tornaram desafios centrais em edifícios modernos.
Esta edição maio também aborda como a organização do veículo dos profissionais do setor impacta a eficiência do atendimento em campo e o avanço dos supermercados na adoção de sistemas com CO₂ e outros refrigerantes naturais.
Mudam os fluidos, os equipamentos e as tecnologias. Permanece a capacidade do setor HVAC-R de se reinventar continuamente.

