Tarifa adicional dos EUA entra em vigor e amplia incerteza para cadeia brasileira de HVAC-R
Nova cobrança de 12,5% se soma à sobretaxa de 25% para parte dos produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. No setor de climatização e refrigeração, o principal efeito esperado é indireto, com pressão sobre custos, insumos e planejamento industrial.
A tarifa adicional de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor e passou a ampliar a pressão sobre segmentos da indústria nacional, incluindo a cadeia de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração (HVAC-R). Em alguns casos, a nova cobrança se soma à sobretaxa de 25% em vigor desde 22 de julho, elevando a tributação para até 37,5% sobre produtos alcançados pelas duas medidas.
Embora a exposição direta do setor HVAC-R ao mercado consumidor norte-americano seja limitada em diversos segmentos, fabricantes e fornecedores acompanham os possíveis reflexos sobre a cadeia global de suprimentos. A expectativa é de aumento da volatilidade nos preços de componentes importados, além de insumos metalmecânicos, como aço e alumínio, cujas cotações acompanham as oscilações do mercado internacional.
O cenário reforça um movimento que já vinha sendo observado pela indústria. Indicadores recentes do setor apontam desaceleração da melhora dos custos de produção, inflação ainda elevada e redução da confiança empresarial, embora a demanda doméstica por projetos de infraestrutura de refrigeração, climatização e retrofit continue sustentando as expectativas acima da linha de neutralidade.
Diante do novo quadro, empresas da cadeia HVAC-R intensificam estratégias de gestão de estoques de componentes críticos, diversificação de fornecedores, principalmente na Ásia e no mercado interno, e adoção de mecanismos de proteção cambial em contratos de longo prazo. Também acompanham as linhas de crédito disponibilizadas pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas medidas comerciais.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende a criação de uma sétima missão da Nova Indústria Brasil (NIB) destinada aos setores impactados pelas tarifas norte-americanas. A proposta prevê um plano de ação conjunto entre governo, federações estaduais e entidades setoriais para ampliar instrumentos de financiamento, capital de giro, apoio às exportações e diversificação de mercados.
Para o setor de HVAC-R, o momento é de cautela operacional. Até o momento, não há indicação de paralisação da atividade, mas de adaptação das empresas a um ambiente de maior incerteza nos custos, no comércio internacional e no planejamento de investimentos.





