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Febrava 2025 confirma protagonismo do setor na agenda de inovação, sustentabilidade e negócios

23ª edição reuniu mais de 600 marcas expositoras, bateu recorde de público, promoveu debates técnicos em eventos e fortaleceu o caráter internacional do setor

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A 23ª edição da Febrava – Feira Internacional de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e de Águas, realizada entre os dias 9 e 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo, em São Paulo, entrou para a história do setor como a maior e mais inovadora já realizada.

Organizada pela RX, a feira consolidou-se como o principal encontro da cadeia de HVAC-R na América Latina, reunindo mais de 600 marcas expositoras e um público qualificado que superou as expectativas desde o primeiro dia. A atmosfera foi marcada por otimismo, inovação e pela percepção clara de que o setor ocupa posição estratégica frente aos desafios globais de eficiência energética, qualidade do ar, sustentabilidade e transição climática.

A RX confirmou em seu balanço divulgado, que a feira recebeu 35 mil visitantes, crescimento de 40% em relação a 2023, consolidando-se como o maior encontro do setor e uma verdadeira vitrine de inovações, tecnologias, soluções e novidades para a área, além de promover networking e capacitação profissional de alto nível.

“A Febrava se reafirma como um ponto de encontro estratégico para toda a cadeia do HVAC-R, conectando indústrias, profissionais, entidades e visitantes qualificados” – Tatiana Rassini

“A Febrava 2025 foi um marco para o setor. Além de bater recordes de visitação, com um crescimento de 40% em público, reunindo mais de 35 mil visitantes, e 25% de marcas expositoras, com relação à última edição, a feira proporcionou um ambiente de negócios extremamente positivo, com networking de alto nível e lançamentos tecnológicos e inovações que vão impactar diretamente o futuro do setor de HVAC-R, reforçando nosso papel como vitrine de tendências e transformações”, comemora Tatiana Rassini, gestora da Febrava.

Ela acrescenta que, o evento superou todos os parâmetros já estabelecidos. “No primeiro dia, em poucas horas, já foi possível identificar que seria o melhor primeiro dia da história da Febrava. O público, os debates e o interesse do mercado superaram todas as expectativas e mostram a força deste setor para o futuro da economia e da sustentabilidade no Brasil”, destacou.

Ela também reforçou que a inovação no formato foi um diferencial: “Transformar o pavilhão em um espaço de experiência prática reforça o compromisso da feira em entregar não apenas exposição de produtos, mas conhecimento aplicado ao visitante profissional. Ao conectar inovação tecnológica a um setor que movimenta quase um quarto do PIB do país, criamos um ecossistema mais produtivo, resiliente e sustentável”.

Com um aumento de 20% na área de exposição em relação à edição anterior, a Febrava 2025 foi organizada em torno de quatro grandes pilares: eficiência energética, descarbonização, qualificação técnica e inovação.

A relevância da feira acompanha o crescimento consistente do setor no Brasil. Segundo projeções da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o mercado deve alcançar um faturamento de R$ 54 bilhões em 2025 e emprega atualmente cerca de 300 mil pessoas no país, sendo 200 mil em postos diretos e 100 mil indiretos.

“A Febrava tornou-se um ponto de encontro estratégico para empresas, profissionais e instituições que estão impulsionando um setor essencial para a qualidade de vida, eficiência energética e sustentabilidade no Brasil”, diz Tatiana.

Com pavilhões inéditos, conteúdo técnico ampliado e arenas temáticas, o evento superou expectativas e reforçou tendências importantes ligadas à inovação, descarbonização, qualificação técnica e ESG.

Foram muitas inovações de formato, com ilhas temáticas destinadas a Cadeia do Frio, Ar-Condicionado Automotivo, SENAI e FATEC, uma verdadeira arena de ensino técnico com demonstrações práticas e sistemas reais instalados ou em operação para proporcionar experiência aplicada aos visitantes.

Entre as novidades desta edição, as arenas de conteúdo do Water Treatment Expo (WTE) e do Smart Heat Expo (SHE) receberam um público engajado para bate-papos com especialistas da área durante os quatro dias de evento.

 

Cerimônia de abertura reúne lideranças

A abertura da feira foi marcada por uma cerimônia que reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes do poder público. Márcio Alves, diretor de Portfólio da RX Brasil, destacou o crescimento da feira em relação à edição anterior, com aumento de 25% na área de exposição e 20% no credenciamento de visitantes. “Esses números refletem a potência e a relevância do setor. Convido a todos a aproveitarem cada momento dessa jornada, a compartilhar conhecimento e a fortalecerem as relações que impulsionam o nosso mercado”, afirmou.

“A Febrava se tornou um espaço único para fortalecer conexões, impulsionar a adoção de soluções sustentáveis e ampliar a visibilidade das empresas brasileiras perante o cenário internacional” – Leonardo Cozac

O Secretário de Mudanças Climáticas de São Paulo, José Renato Nalini, ressaltou a importância do setor frente aos desafios urbanos e climáticos da maior cidade do país. “A Febrava converge exatamente com a política municipal. A descarbonização, a redução da emissão de gases, a eficiência energética e a segurança alimentar não são apenas questões ecológicas, mas de saúde. Não só o planeta corre riscos, mas a humanidade também.”

Para Leonardo Cozac, presidente da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o setor de HVAC-R vive um momento estratégico, com crescimento acima da média da economia nacional. “O faturamento médio das empresas do setor cresceu 6,9% no segundo trimestre de 2025 em relação ao ano anterior e a projeção é que encerre o ano com alta de 13,1%. O setor está presente em hospitais, escolas, mercados, indústrias, shoppings, aeroportos e lares brasileiros, e garante saúde e segurança alimentar, conforto térmico, eficiência energética e competitividade para toda a economia nacional. Não se trata apenas de conforto, mas de um setor vital para o desenvolvimento sustentável do país”, comentou.

A cerimônia contou ainda com a presença de Pedro Evangelinos (Sindratar-SP), Humberto Barbato e Cláudio Lorenzetti (ABINEE), além de Mariana Rodrigues, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, representando o governador Tarcísio Freitas.

Estiveram presentes também lideranças setoriais representando a ASBRAV, SINDRATAR-RJ, ENPC, Conbrava e FIRJAN.

Cerimônia reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes do poder público – Foto divulgação febrava

 

Representatividade e papel estratégico das entidades

Sob o olhar das lideranças setoriais, o evento representa não só uma vitrine de tecnologias, mas também uma plataforma fundamental de articulação, negócios e valorização profissional.

Segundo o presidente da ABRAVA, a feira reforçou a confiança no mercado e o papel estratégico da entidade como articuladora de pautas essenciais para a indústria. “A Febrava se tornou um espaço único para fortalecer conexões, impulsionar a adoção de soluções sustentáveis e ampliar a visibilidade das empresas brasileiras perante o cenário internacional”, declara Cozac.

Para ele, a presença massiva de visitantes, expositores e lideranças setoriais confirmou que o setor de HVAC-R está preparado para assumir protagonismo em temas como eficiência energética, qualidade do ar interior e transição para refrigerantes de baixo impacto ambiental e reforçou que a Febrava 2025 chega em um momento de crescimento do setor.

“Estamos diante de um mercado que não apenas cresce, mas que se posiciona como essencial para garantir qualidade do ar, eficiência energética e descarbonização em linha com os compromissos internacionais do Brasil”, afirmou.

Cozac também destacou a importância da qualificação e manutenção dos sistemas: “A qualidade do ar interno depende de equipamentos bem projetados, instalados e mantidos, além de profissionais capacitados. Essa é uma das agendas mais urgentes do setor, e a Febrava reforça esse compromisso ao trazer espaços de formação e interação com instituições de ensino”.

Além disso, ele revelou que, em breve, a ABRAVA apresentará o cenário da qualidade do ar interno no Brasil, abordando a evolução do setor desde a criação da portaria 3.523, de 1998, pelo Ministério da Saúde, até os dias atuais.

Já a vice-presidente da ABRAVA, Priscila Baioco, ressaltou que a realização simultânea de eventos paralelos como o Conbrava, o ENPC e as rodadas internacionais de negócios, além do Encontro Nacional de Mulheres do Setor, amplia ainda mais a relevância da feira.

“Essas iniciativas permitem a aproximação entre fabricantes, projetistas, consultores, pesquisadores compradores internacionais, e lideranças femininas, criando um ecossistema completo que vai além da exposição de produtos. A Febrava é um dos pilares da estratégia da ABRAVA para promover a qualificação de profissionais, a disseminação de boas práticas, o estímulo à inovação tecnológica, e a inclusão e diversidade. A feira é a principal oportunidade para apresentar ao mercado brasileiro os avanços globais do setor e, ao mesmo tempo, mostrar para o mundo a força e a capacidade competitiva da indústria nacional”.

Para Mario Henrique Canale, presidente da Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ASBRAV), “a Febrava é referência como feira que viabiliza negócios, aponta tendências e traz visibilidade para lançamentos do setor, além do Conbrava que é mais que um congresso, mas ponto de encontro onde tecnologia, inovação e sustentabilidade se unem para transformar o setor de climatização e refrigeração. É aqui que surgem as ideias, parcerias e soluções que moldam o futuro da qualidade do ar e da eficiência energética no Brasil. Aproveitamos também a feira para reforçar o relacionamento institucional e a presença junto aos nossos associados”.

Ana Luiza Guimarães, presidente do Sindratar-RJ, comemora uma edição memorável: “Foram dias intensos que bateram todos os recordes: público, área de exposição, marcas expositoras e lançamentos de produtos. Uma verdadeira imersão em networking, inovação, tecnologia e conexões de valor para todo o setor de HVAC-R. O Sindratar-RJ marcou presença com uma ilha dedicada a empresas associadas e um estande cheio de movimento, reforçando a força da nossa rede. E essa energia não para por aqui! Nos vemos de 6 a 8 de outubro de 2026, na Febrava Rio, para escrevermos juntos mais um capítulo de sucesso”.

Com esses posicionamentos, as entidades reforçam que a Febrava não é apenas uma feira, mas um ponto de convergência entre negócios, conhecimento e representatividade, sendo decisiva para guiar os rumos do setor de HVAC-R no Brasil nos próximos anos.

Abertura oficial da Febrava também contou com diretores e presidentes de entidades do setor representando a Asbrav, Sindratar-RJ, ENPC, Conbrava e Firjan – Foto divulgação febrava

 

Um marco para o futuro e desafios à frente

Ao final dos quatro dias, ficou claro que a Febrava 2025 foi mais do que uma feira: foi uma plataforma de negócios, conhecimento e conexão internacional. A edição entrou para a história pela força de público, qualidade dos debates técnicos, presença internacional e ambiente de otimismo, firmando-se não só como uma feira de exposição de produtos, mas como plataforma de conhecimento, negócio internacional e articulação institucional. Os eventos paralelos confirmam que o setor está em plena maturação, sob pressão e inspiração da agenda climática, da inovação tecnológica e das demandas de mercados interno e externo.

O desafio, a partir de agora, será manter o ritmo de inovação, expandir a qualificação profissional, consolidar normas e transformar contatos em resultados concretos. Ao mesmo tempo, o setor terá de enfrentar questões regulatórias e econômicas que afetam diretamente sua competitividade, como o impacto do chamado “tarifaço”, amplamente debatido durante a Febrava 2025.

A necessidade de normatização mais forte em alguns segmentos, como o tratamento de águas em sistemas de climatização, foi citada repetidamente. A ausência de padrões nacionais sólidos ou de uma recomendação única para uso de produtos e serviços ainda fragiliza a consistência da oferta técnica, dificultando a padronização de práticas que garantam segurança, eficiência e qualidade.

A qualificação técnica também segue como prioridade. A carência de mão de obra especializada, aliada à necessidade de treinamentos práticos, certificações e cursos aplicados, continua sendo um gargalo. A presença de instituições como SENAI e Fatec contribui, mas o alcance ainda não é suficiente para suprir a demanda crescente do mercado. A qualificação, além de ser uma exigência para o avanço tecnológico, é fundamental para reduzir riscos em um contexto de novas legislações, refrigerantes alternativos e normas internacionais cada vez mais rigorosas.

Outro ponto central é a pressão por sustentabilidade. A demanda por soluções que reduzam emissões, utilize fluidos de baixo impacto ambiental, aumentem a eficiência energética e estejam em conformidade com práticas ESG impõe uma transformação profunda no setor. Empresas precisam adaptar portfólios, processos e cadeias de fornecimento, em um esforço que atravessa desde grandes fabricantes até pequenos prestadores de serviços.

Nesse cenário, o tarifaço surge como um entrave adicional, gerando forte repercussão no setor de HVAC-R. A elevação das tarifas de importação sobre equipamentos e componentes essenciais pode encarecer projetos, comprometer a modernização tecnológica e dificultar o acesso a soluções mais sustentáveis. Para muitas empresas, especialmente de médio e pequeno porte, o impacto direto pode ser a redução da competitividade e o adiamento de investimentos estratégicos.

Assim, a Febrava 2025 destacou que o setor precisará equilibrar, de forma urgente, a busca pela sustentabilidade e inovação com a defesa de condições econômicas justas que permitam esse avanço. O debate em torno do tarifaço mostrou a necessidade de articulação entre indústria, entidades representativas e governo para encontrar soluções que protejam a produção nacional sem sufocar o processo de modernização tecnológica.

“Em um momento em que precisamos acelerar a modernização tecnológica, ampliar a eficiência energética e adotar soluções de baixo impacto ambiental, o aumento das tarifas de importação pode significar um retrocesso. A medida encarece projetos, afasta investimentos e dificulta o acesso a tecnologias essenciais para a transição energética. Defendemos um diálogo construtivo com o governo e associações do setor para que seja possível proteger a indústria nacional sem comprometer a competitividade, a inovação e os avanços sustentáveis”, destaca Mariana Rodrigues, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo.

 

Febrava Rio estreia em 2026

Realizada tradicionalmente de forma bienal, a feira chega em 2026 ao Rio de Janeiro, com a primeira edição da Febrava Rio.

“Diante de um mercado de HVAC-R aquecido na América Latina, percebemos a oportunidade de atender de forma ainda mais direcionada às demandas da indústria e dos grandes complexos do Rio de Janeiro. Essa iniciativa foi muito bem recebida pelas marcas do setor, que acompanharam de perto o sucesso da Febrava 2025. Com isso, a Febrava passará a ocorrer de forma alternada, em São Paulo e no Rio”, explica Tatiana.

Ela reforça que as expectativas para a nova edição são extremamente positivas. “Menos de dois meses após o lançamento para o mercado, a Febrava Rio já conta com mais de 20% dos espaços comercializados, com grandes marcas confirmando presença. A nova edição já conta com a presença de 15 marcas entre elas: AIR SYS, Camilo Brandão, Daikin, Elgin, Gatti Química, Gree, Klimatix, Mastercool, Multivac, Projelmec, RAC, RLX, Sicflux, TCL e Uni Refrigeração”, acrescenta.

O evento acontecerá no Riocentro, de 6 a 8 de outubro de 2026, com foco na indústria e na gestão de processos, com soluções aplicadas à realidade dos grandes complexos industriais da região.

Governo desonera data centers com nova medida provisória

Medida inclui isenção de tributos sobre refrigeração e reduz custos para o setor de processamento de dados no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou medida provisória que cria a Política Nacional de Data Centers. O texto, com validade imediata, estabelece a desoneração de tributos federais sobre equipamentos importados não fabricados no Brasil e sobre a exportação de serviços do setor. A proposta ainda precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias para não perder validade.

A política tem como objetivo tornar o Brasil mais atrativo para investimentos em infraestrutura digital, reduzindo custos considerados entre os mais altos do mundo. Entre os eixos da iniciativa, está a isenção de impostos para equipamentos de servidores, sistemas de armazenamento, rede e refrigeração, o que deve impactar diretamente o mercado de refrigeração aplicado a data centers.

O plano também prevê: estímulo ao uso de componentes nacionais, exigência de energia renovável e baixo consumo de água, aplicação de 2% dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, reserva de 10% da capacidade para uso interno e incentivos à desconcentração regional, com condições diferenciadas para Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

De acordo com o governo, a medida busca atrair novos investimentos, expandir a infraestrutura de data centers no país, reduzir a latência, aumentar a segurança e criar capacidade local para aplicações de inteligência artificial.

16 de setembro marca o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio.

Brasil acelera transição de gases refrigerantes em linhas com o setor HVAC-R

Em 16 de setembro, data que lembra, desde 1994, o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio instituído pela ONU, o Brasil reforça compromissos e avanços na substituição e regulação de substâncias que afetam a camada de ozônio, com impacto direto para a indústria de refrigeração e ar-condicionado (HVAC-R), setor que depende dos gases refrigerantes.

Segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada às Nações Unidas, a camada de ozônio atingiu em 2024 a maior espessura registrada em décadas de monitoramento. O buraco que se forma sobre a Antártida a cada primavera teve dimensões abaixo da média de 1990 a 2020, com déficit de 46,1 milhões de toneladas de ozônio.

O país já teve aprovada a terceira e última fase do Plano de Gestão para Eliminação de HCFCs (HPMP – Stage III), com recursos de US$ 36,5 milhões, para eliminar completamente o uso de HCFCs até 2030.

Essa etapa inclui ações voltadas ao setor de serviço de refrigeração e ar-condicionado, para evitar que a substituição dos HCFCs migre para gases de alto potencial de aquecimento global (High GWP HFCs).

Além disso, o Brasil promulgou o Acordo de Kigali, que obriga reduzir o consumo de HFCs com metas bem definidas: congelar o consumo em linha de base calculada entre 2020-2022, e diminuir 10% até 2029, 30% em 2035, 50% em 2040 e 80% em 2045.

Para isso, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, IBAMA, e agências como PNUD, UNIDO e GIZ desenvolvem normativas, capacitação profissional, sistemas de certificação e regulamentos para recuperação e descarte seguro dos refrigerantes.

Na Febrava 2025, em São Paulo, o tema ganhou destaque exatamente por reunir fabricantes, distribuidores, empresas do ramo de HVAC-R e profissionais técnicos, para apresentar tecnologias alternativas de fluidos refrigerantes de baixo GWP, práticas de eficiência energética e soluções de refrigeração industrial. O setor participou ativamente desses debates, unindo demandas de regulação, inovação tecnológica e requisitos de sustentabilidade ambiental.

FEBRAVA 2025 começa na terça com expectativa de recordes

Feira no São Paulo Expo reunirá mais de 600 marcas, novos pavilhões e debates estratégicos para o setor HVAC-R

A Febrava 2025 abre as portas na próxima terça-feira (9) no São Paulo Expo, em São Paulo, consolidada como o maior encontro da indústria de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração (HVAC-R) da América Latina. Até sexta-feira (12), a feira reunirá mais de 600 marcas nacionais e internacionais, com expectativa de atrair cerca de 28 mil visitantes.

Na 23ª edição, a feira cresce em tamanho e diversidade. O espaço de exposição aumentou 25% em relação ao último evento e agora abriga dois novos pavilhões, o Water Treatment Expo, voltado a soluções em tratamento de água, e o Smart Heat Expo, dedicado a tecnologias de aquecimento inteligente. A ampliação reflete um setor em transformação, que hoje dialoga não apenas com a climatização tradicional, mas também com sustentabilidade, automação e gestão de recursos naturais.

Ao longo de quatro dias, o evento oferecerá atividades técnicas, demonstrações práticas e debates estratégicos. As chamadas Ilhas Temáticas funcionarão como espaços de aproximação entre indústria e conhecimento acadêmico, com participação de instituições como Senai e Fatec em treinamentos e apresentações de projetos. Também estará em evidência o Selo Inovação, que reunirá 118 soluções desenvolvidas por 43 expositores. Outro ponto de destaque será o VI Encontro Nacional de Mulheres do Setor AVAC-R, realizado em parceria com a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento), que busca ampliar a presença feminina em um segmento ainda majoritariamente masculino.

Congresso e debates

A programação técnica reforça o caráter de atualização profissional da feira. O XIX Conbrava – Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar – ocorrerá de 10 a 12 de setembro, das 8h às 18h. O tema central será “Os desafios das mudanças climáticas”, com ênfase em sustentabilidade, novos refrigerantes, eficiência energética e digitalização de sistemas. O congresso reunirá cerca de 450 palestrantes em quatro salas no andar superior.

Antes da feira, nos dias 8 e 9, acontece o XXV Encontro Nacional de Projetistas e Consultores, promovido pela Abrava.

A tradicional Rodada Internacional de Negócios será realizada nos dias 10 e 11 de setembro, das 9h às 16h, em área reservada ao lado do auditório. A iniciativa, organizada pela Abrava em parceria com a ApexBrasil, já confirmou a presença de compradores de seis países da América do Sul e do México.

Tendências e mercado

A feira reflete mudanças mais amplas vividas pelo mercado brasileiro. O ar-condicionado, antes associado a luxo, tornou-se item de uso cotidiano em residências e escritórios. A pandemia acelerou a valorização do conforto em casa e a preocupação com a qualidade do ar em ambientes fechados, fatores que ampliaram a demanda por tecnologias mais acessíveis e eficientes. O setor responde com soluções que vão do controle digital de equipamentos à integração com fontes renováveis de energia.

Nesse contexto, a Febrava tem reforçado o espaço dedicado a instaladores, projetistas e especificadores. Esses profissionais estão na linha de frente da cadeia, influenciam decisões de compra e são responsáveis por traduzir inovações em aplicações concretas. Ao priorizar a presença desse público, a feira busca ampliar o alcance das tecnologias apresentadas e aproximar a indústria da realidade de campo.

A dimensão do evento exige preparação dos visitantes. O credenciamento antecipado, disponível no site oficial é apontado como essencial para garantir acesso rápido e facilitar a organização da visita. A plataforma oferece lista de expositores, lançamentos programados e localização dos estandes, recursos que permitem ao público planejar rotas e aproveitar melhor o tempo. Também foram adotadas medidas para reduzir o impacto do trânsito na região: haverá transporte gratuito partindo da estação São Judas do metrô e do Shopping Plaza Sul, alternativa que busca diminuir o fluxo de veículos no entorno do pavilhão.

Baixe o mapa da FEBRAVA

A edição de 2025 ocorrerá em paralelo à FIEE – Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia, Automação e Conectividade, permitindo a circulação cruzada de visitantes. A proximidade entre os dois eventos amplia o alcance das discussões, já que a climatização se conecta cada vez mais à eletrificação e às soluções digitais.

Reconhecida como plataforma de negócios e atualização técnica, a Febrava também atua como ponte entre o mercado brasileiro e tendências internacionais. Experiências observadas em feiras como a AHR Expo, nos Estados Unidos, e a Chillventa, na Alemanha, têm servido de referência para a incorporação de novos formatos e temas. Ao mesmo tempo, o evento preserva sua característica de reunir em um único espaço fabricantes, distribuidores, instaladores e usuários finais, algo ainda pouco comum em outras regiões.

Mais do que vitrine de produtos, a Febrava se tornou um espaço onde se discute o futuro do setor. O Brasil apresenta índices ainda baixos de penetração de climatização em comparação a outros países, o que indica amplo espaço para crescimento. A aposta em tecnologias mais acessíveis e sustentáveis deve acelerar a expansão. A feira, nesse cenário, funciona como laboratório coletivo, onde a indústria mostra avanços, os técnicos conhecem novas práticas e o público identifica caminhos para os próximos anos.

Água do ar-condicionado não é potável: veja como reaproveitar no dia a dia

Em muitas cidades antigas, a coleta da água da chuva era prática comum. No Egito, cisternas escavadas na pedra armazenavam cada gota trazida pelas tempestades raras. No sertão nordestino, por séculos, famílias inteiras dependeram dos potes de barro para guardar a água das chuvas.

Hoje, em pleno século 21, uma fonte inesperada de reaproveitamento surge dentro de casa: a água que escorre dos aparelhos de ar-condicionado.

À primeira vista, parece um líquido puro, cristalino, quase convidativo. Mas a aparência engana. Essa água é resultado da condensação do vapor do ar. Tecnicamente destilada, ela não contém sais minerais nem nutrientes — e, dependendo da manutenção do aparelho, pode carregar resíduos de produtos químicos. Beber ou oferecer aos animais não é recomendável.

Isso não significa, no entanto, que o gotejamento precise ser desperdiçado. Assim como os antigos buscavam maneiras criativas de guardar cada gota, hoje é possível dar novo destino à água do ar-condicionado.

Algumas ideias práticas:

  • Regar plantas adaptadas a solos pobres em nutrientes, como samambaias e jiboias.

  • Abastecer o ferro de passar roupas.

  • Produzir sabão caseiro.

  • Lavar o carro, economizando água potável.

O que antes parecia apenas um incômodo no quintal ou na varanda pode se transformar em recurso útil. Do improviso das cisternas de pedra ao dreno moderno do ar-condicionado, a lógica continua a mesma: nenhuma gota precisa ser desperdiçada.

Trane participa do ESG Summit 2025 em São Paulo

Engenheiro Giancarlo Delatore apresenta palestra sobre propósito da Trane Technologies nos dias 28 e 29 de agosto

A Trane confirmou presença no ESG Summit 2025, programado para os dias 28 e 29 de agosto, no hotel Meliá Paulista, em São Paulo.

O fórum reúne debates sobre práticas de sustentabilidade, governança e impacto social. Assim como no ano anterior, a empresa contará com a participação de Giancarlo Delatore, engenheiro de energia e aplicação sênior da Trane, como palestrante.

Delatore fará uma apresentação de 40 minutos sobre o propósito da Trane Technologies, definido como “Desafiar corajosamente o que é possível para um mundo sustentável”.

O evento integra a agenda de iniciativas ligadas à gestão energética e à adoção de tecnologias voltadas ao desempenho ambiental e operacional de empresas e edificações.

Tecnologia limpa em pauta

Seminário discute substituição de chillers com HCFCs por sistemas mais eficientes e sustentáveis

Nos dias 5 e 7 de agosto, as cidades de Curitiba (PR) e Porto Alegre (RS) recebem o seminário “Projetos para o Setor AVAC-R: Promovendo Ações em Benefício da Camada de Ozônio e do Clima”, que busca discutir o futuro do ar-condicionado comercial e industrial no Brasil.

Organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o evento faz parte da terceira etapa do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH).

O foco está na apresentação de projetos demonstrativos para substituição de equipamentos que utilizam os gases HCFC-22 ou HCFC-123, como chillers, por sistemas com menor impacto ambiental. O objetivo é evitar trocas provisórias por modelos que utilizem HFCs, substâncias que também contribuem para o aquecimento global.

As tecnologias promovidas pelo programa têm potencial de destruição da camada de ozônio (PDO) igual a zero e potencial de aquecimento global (GWP) baixo ou médio, conforme orientações da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal — acordo internacional que prevê a redução progressiva do uso de HFCs.

Além de apresentar soluções técnicas, o seminário abordará mecanismos de incentivo à adoção de sistemas mais limpos e eficientes já disponíveis no país. As inscrições são gratuitas e as vagas, limitadas.

Transição para A2L nos splits exige preparo técnico e combate à desinformação

Os refrigerantes A2L ganham protagonismo nos sistemas split, combinando eficiência energética e menor impacto ambiental. Sua aplicação, no entanto, exige atenção técnica, conformidade com normas e adoção de boas práticas para garantir segurança e desempenho

 A transição para refrigerantes de baixo impacto ambiental é uma realidade no setor de HVAC-R, especialmente nos sistemas split de ar-condicionado. Entre os novos fluidos que vêm ganhando espaço, os classificados como A2L merecem atenção especial. Com menor potencial de aquecimento global (GWP), esses refrigerantes equilibram eficiência energética e sustentabilidade, mas exigem cuidados específicos quanto à instalação, manutenção e segurança.

Para muitos técnicos e consumidores, o termo “A2L” ainda é uma novidade e, infelizmente, alvo de desinformação em redes sociais e fóruns não especializados. Nesta matéria, reunimos informações técnicas, recomendações práticas e depoimentos de especialistas e fabricantes para esclarecer o que são os A2L, porque estão substituindo fluidos como o R-410A e como garantir uma instalação segura e eficiente.

Segundo a classificação da ASHRAE Standard 34, os refrigerantes são categorizados de acordo com sua inflamabilidade e toxicidade. Os A2L são levemente inflamáveis (classe 2L) e de baixa toxicidade (classe A). Diferem dos A2 e A3 por terem uma inflamabilidade significativamente menor e serem considerados seguros quando utilizados conforme normas técnicas. O R-32, por exemplo, já é adotado extensivamente em splits em países da Europa e Ásia.

“O A2L, como o R-32, está se tornando o novo padrão nos sistemas splits porque combina eficiência energética com um GWP muito mais baixo do que o R-410A. Temos em nosso portfólio produtos realmente inovadores, como fluidos refrigerantes que otimizam a performance energética dos sistemas de refrigeração e ar-condicionado e reduzem o impacto climático dos negócios dos nossos clientes”, explica Renato Cesquini, líder da área comercial de fluidos refrigerantes da Chemours na América. “O R-32, por exemplo, tem GWP de 675, comparado aos 2.088 do R-410A”.

Além do R-32, outros exemplos de A2L incluem o R-454B, o R-1234yf e outros HFOs usados em diversas aplicações. Esses fluidos estão alinhados com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na Emenda de Kigali, que visa à redução gradual do uso de HFCs com alto GWP. A Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal exige que países reduzam o uso de HFCs de alto GWP e os A2L se apresentam como solução eficaz. São refrigerantes com pressão operacional compatível com os sistemas split tradicionais, o que facilita a adoção sem reengenharia completa. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, somente entre 2020 e 2022 foi estabelecida a linha base para HFCs, buscando cortar 50% até 2040 e 80% até 2045.

Normas técnicas e diretrizes de segurança

Normas como ISO 5149, ABNT NBR 16069, ASHRAE 15 e ASHRAE 34 regulam os requisitos de segurança para manuseio, instalação e operação de A2L. Entre os principais pontos estão a limitação da carga de fluido por ambiente fechado, instalações com ventilação adequada, detectores de vazamento específicos para A2L, e uso de equipamentos certificados para fluidos levemente inflamáveis.

Natanael Oliveira Lima, diretor técnico da RLX Fluidos Refrigerantes, afirma que “Não se trata de um risco novo e descontrolado, mas sim de um cenário técnico que exige capacitação. Há décadas se trabalha com fluidos inflamáveis no setor e, com os A2L, temos segurança desde que os protocolos sejam seguidos. Contudo, como qualquer inovação, esses refrigerantes exigem atenção às normas técnicas. A ISO 5149, a ABNT NBR 16069 e a própria ASHRAE 15 abordam os critérios de segurança para instalações com fluidos levemente inflamáveis. Entre os pontos críticos estão a limitação da carga máxima de fluido por ambiente, sistemas de ventilação apropriados e detectores de vazamento em espaços confinados”.

Instalação, manutenção e boas práticas com A2L

A instalação de sistemas com refrigerantes A2L não é radicalmente diferente das rotinas já adotadas pelos profissionais qualificados, mas existem algumas recomendações como: evitar fontes de ignição no ambiente durante a instalação e manutenção; utilizar ferramentas certificadas e adequadas a fluidos inflamáveis (bombas de vácuo, manifolds, detectores); realizar testes de estanqueidade rigorosos com detectores específicos para A2L; ventilar o ambiente adequadamente, principalmente em locais fechados ou abaixo do nível do solo.

Para os profissionais que atuam na linha de frente, é fundamental investir em capacitação contínua. “O técnico que busca atualização está preparado para lidar com A2L com total segurança e pode até se destacar em um mercado cada vez mais exigente e regulado”, afirma André Dorta, gerente regional da divisão de fluidos refrigerantes da Honeywell. E ele faz um alerta: “Atualmente, no Brasil, não existe uma legislação federal específica que imponha limites obrigatórios de carga ou aplicação para o uso de refrigerantes A2L (como o R-32) em sistemas de ar-condicionado split. Porém, existem normas técnicas nacionais e internacionais que servem como base de orientação para projetos, instalações e segurança”.

 Combate à desinformação: o perigo dos tutoriais não oficiais

Apesar dos avanços técnicos, cresce nas redes sociais uma onda de vídeos e postagens que espalham desinformação sobre os refrigerantes A2L. De tutoriais sem qualquer respaldo técnico a boatos alarmistas sobre riscos de explosão, o que se vê é um desserviço à categoria dos instaladores sérios e às empresas comprometidas com a qualidade.

Os fabricantes alertam: confiar em vídeos de procedência duvidosa pode comprometer a segurança da instalação e expor o profissional a riscos legais. A recomendação é buscar informações apenas em fontes reconhecidas, como: Associações técnicas; documentação oficial de fabricantes; cursos profissionalizantes com instrutores certificados; Normas da ABNT e manuais de boas práticas.

Além disso, a responsabilidade é também dos distribuidores e revendedores, que devem orientar corretamente seus clientes e oferecer produtos com especificações claras e atualizadas.

Com a evolução regulatória, a demanda por soluções mais sustentáveis deve crescer. A migração para refrigerantes A2L em sistemas splits já é realidade em países da Europa e da Ásia, e o Brasil caminha para seguir o mesmo rumo, especialmente com a chegada de novos modelos e linhas de fabricantes que já adotam esses fluidos como padrão. A fase de transição exige diálogo entre indústria, instaladores, técnicos e entidades de classe. Com treinamento, boas práticas e informação técnica, os A2Ls representam um avanço positivo, seguro e necessário para o setor.

Copeland publica seu primeiro Relatório de Impacto Global

Documento destaca metas ambientais, desempenho operacional e políticas de inclusão

A Copeland, empresa global especializada em soluções de aquecimento, resfriamento e refrigeração, publicou seu primeiro Relatório de Impacto Global desde sua transição para companhia autônoma, em maio de 2023. O documento reúne dados sobre as metas ambientais, práticas operacionais e políticas de engajamento social da empresa.

Segundo Ross B. Shuster, CEO da Copeland, a iniciativa reflete a nova fase da companhia após sua independência administrativa e operacional. A Copeland, com mais de 100 anos de atuação no setor, emprega atualmente mais de 18 mil pessoas em todo o mundo.

O relatório apresenta as principais diretrizes da empresa com base em três pilares: Propósito, Desempenho e Pessoas. Entre os pontos destacados, estão as metas de redução absoluta de 55% nas emissões de Escopo 1 e 2, e de 32,5% nas emissões de Escopo 3 até 2033. Essas metas se referem, respectivamente, a emissões diretas, indiretas provenientes de energia comprada, e emissões indiretas ao longo da cadeia de valor.

A empresa também detalha suas ações para promover a adoção de refrigerantes naturais e de baixo Potencial de Aquecimento Global (GWP, na sigla em inglês), além de soluções para garantir a integridade de produtos alimentícios e farmacêuticos por meio de uma cadeia de frio mais eficiente.

No campo social, o relatório inclui informações sobre políticas internas voltadas à inclusão, segurança no ambiente de trabalho e cultura corporativa. A Copeland afirma que implementa programas com foco em impacto comunitário e reconhecimento do desempenho dos colaboradores.

Ao divulgar o relatório, Shuster afirmou que a sustentabilidade está integrada à visão e aos valores da empresa. Segundo ele, os esforços são voltados à descarbonização, eficiência energética e combate ao desperdício de recursos.

A força silenciosa por trás da climatização e refrigeração

Dia do Refrigerista celebra profissionais que contribuem para o conforto, preservação de alimentos e proteção do planeta

No dia 7 de julho, o Brasil homenageia um profissional que, mesmo longe dos holofotes, está presente em tudo o que importa: no ar que refresca o ônibus lotado, no freezer que conserva o leite da criança, no hospital que precisa funcionar mesmo durante um apagão. O Dia do Refrigerista é mais do que uma data simbólica — é o reconhecimento de quem põe a mão na massa, carrega a ferramenta nas costas e, com conhecimento e coragem, ajuda a manter a vida em movimento.

Não é de hoje que o refrigerista trabalha nos bastidores — no calor dos telhados, no frio das câmaras, nas estruturas ocultas da cidade e da indústria. Seu ofício exige mais do que força física: requer leitura de projetos, domínio de normas, compreensão de riscos e, sobretudo, um senso técnico apurado aliado a uma resiliência silenciosa. Instalar, manter e operar sistemas de climatização e refrigeração não é tarefa simples — é ciência aplicada sob pressão, todos os dias.

Em centros urbanos, onde os equipamentos estão nos topos de edifícios ou em fachadas de difícil acesso, é comum que esses profissionais utilizem técnicas de rapel e outros procedimentos de segurança vertical para executar manutenções. Suspensos por cordas, com equipamentos de proteção e atenção total, enfrentam vento, sol e altura para garantir o funcionamento de sistemas essenciais. É um trabalho que exige coragem, preparo físico e extremo cuidado técnico.

Mais do que garantir conforto térmico, o refrigerista tem papel estratégico na manutenção da cadeia do frio — conjunto de tecnologias e processos que asseguram a conservação de alimentos, medicamentos e insumos hospitalares. Também é figura-chave em data centers, laboratórios e sistemas industriais que dependem de controle térmico contínuo. Seu trabalho pode não aparecer nos outdoors, mas sustenta pilares invisíveis da vida moderna.

É uma profissão que alia responsabilidade técnica, zelo ambiental e compromisso com o bem coletivo. Ao manusear fluidos refrigerantes, calibrar instrumentos e buscar eficiência energética, o refrigerista contribui para a redução de impactos ambientais e para a sustentabilidade das operações em que atua — um esforço muitas vezes invisível, mas essencial.

Por trás do profissional, há histórias de vida. Gente que começou com ferramentas emprestadas e orçamento contado. Que estudou à noite, conciliou plantões com provas, enfrentou olhares desconfiados, dormiu pouco e acordou cedo. Pessoas que se reinventaram após demissões, que aprenderam com os erros e que, muitas vezes, encontraram motivação no abraço de um filho, no apoio de uma companheira, ou na fé de que dias melhores viriam. São homens e mulheres que desafiam estatísticas, criam negócios próprios, formam redes de apoio e ajudam a construir um setor mais diverso, técnico e humano.

Neste 7 de julho, celebramos a força de uma profissão que sustenta sistemas vitais com esforço diário, precisão técnica e consciência ambiental. Valorizamos quem transforma suor em serviço público, quem encara o desafio da temperatura — e da altura — com dignidade e orgulho.