Data centers de IA ampliam demanda elétrica e mudam sistemas de refrigeração
Pedidos de acesso ao sistema elétrico relacionados a data centers somam 38 GW no Brasil, enquanto a refrigeração líquida avança como alternativa para reduzir o consumo de energia.
A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial está elevando a procura por equipamentos de energia e refrigeração e levando o setor elétrico brasileiro a se preparar para cargas de maior porte. Os pedidos de acesso relacionados a esses empreendimentos somam 38 GW no país, segundo dados divulgados pelo Ministério de Minas e Energia.
A capacidade efetivamente liberada representa uma parcela desse total. A Empresa de Pesquisa Energética passou a coletar informações específicas sobre data centers para avaliar os impactos desses projetos na geração e na transmissão de energia ao longo da próxima década.
O movimento acompanha a expansão mundial da infraestrutura computacional. A McKinsey estima que os investimentos necessários para atender à demanda por data centers podem chegar a quase US$ 7 trilhões até 2030. O valor inclui servidores, aceleradores de inteligência artificial, sistemas elétricos, refrigeração e outras estruturas necessárias à operação.
O aumento dos projetos também ampliou a procura por transformadores. A HD Hyundai Electric encerrou junho com uma carteira de pedidos de US$ 8,5 bilhões, crescimento de 23% em seis meses. Segundo a empresa sul-coreana, as encomendas ocupam mais de três anos de sua capacidade de produção de equipamentos elétricos de grande porte.
Na Hainan Jinpan Smart Technology, da China, os novos pedidos relacionados a data centers mais que quadruplicaram no primeiro semestre, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
A concentração de equipamentos computacionais também exige novas formas de retirada do calor. O Bank of America projeta que a refrigeração líquida estará presente em 70% das novas instalações destinadas à inteligência artificial em 2030, ante cerca de 30% atualmente.
Nesse sistema, líquidos retiram o calor dos componentes computacionais, substituindo ou complementando a circulação de ar. De acordo com estimativa da McKinsey, a tecnologia pode reduzir em mais de 27% o consumo de energia destinado à refrigeração.
Outra tecnologia em desenvolvimento são os transformadores de estado sólido, ou SSTs, que utilizam semicondutores para transformar e distribuir eletricidade. A solução ainda está em estágio inicial de adoção comercial. HD Hyundai Electric e Jinpan desenvolvem equipamentos desse tipo, enquanto a Delta Electronics informou que seus SSTs já são utilizados em data centers de pequeno porte.
A Delta também amplia sua estrutura produtiva na Tailândia, nos Estados Unidos e na China para atender à demanda por equipamentos de energia, refrigeração e infraestrutura de data centers.
No Brasil, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou em junho que projetos equivalentes a 7,1 GW representariam investimentos de R$ 159 bilhões. A EPE ressalta, porém, que os pedidos de acesso representam demandas apresentadas ao sistema, e não capacidade de data centers já instalada.
Em junho, a EPE apresentou uma solução de transmissão para atender até 4 GW de novas cargas eletrointensivas no Ceará e no Piauí a partir de 2032. A empresa também avalia o atendimento de novas cargas em São Paulo e no Rio Grande do Norte.
A expansão dos data centers foi incluída na revisão da previsão de carga do Sistema Interligado Nacional para o período de 2026 a 2030. Elaborada pela EPE, pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico e pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, a projeção estima uma carga de 98.824 MW médios em 2030, com crescimento anual médio de 4%.
O Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2026 também prevê a preparação do sistema para cargas eletrointensivas. Entre os objetivos está a ampliação da interligação entre o Nordeste e o Sudeste para atender ao crescimento de empreendimentos como os data centers.
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Resumen (español)
La expansión de los centros de datos destinados a la inteligencia artificial está aumentando la demanda de electricidad, transformadores y sistemas de refrigeración. En Brasil, las solicitudes de acceso vinculadas a estos proyectos suman 38 GW, aunque representan demanda presentada al sistema y no capacidad ya instalada. El enfriamiento líquido también gana espacio y podría estar presente en el 70% de las nuevas instalaciones de IA en 2030, mientras el sector eléctrico brasileño prepara la red para atender nuevas cargas intensivas en energía.
Summary (English)
The expansion of data centers designed for artificial intelligence is increasing demand for electricity, transformers and cooling systems. In Brazil, access requests associated with these projects total 38 GW, although they represent proposed demand rather than installed capacity. Liquid cooling is also gaining ground and could be used in 70% of new AI facilities by 2030, while Brazil’s electricity sector prepares the grid for additional energy-intensive loads.







