Refrigeração solar reduz perdas pós-colheita e amplia acesso a mercados na África
Sistemas alimentados por energia solar avançam em países africanos para conservar alimentos, reduzir desperdícios e ampliar a renda de pequenos produtores rurais.
O uso de sistemas de refrigeração alimentados por energia solar tem avançado em diversos países africanos como alternativa para reduzir perdas pós-colheita e ampliar o acesso de pequenos agricultores aos mercados consumidores. A tecnologia permite armazenar produtos perecíveis sem depender de redes elétricas instáveis ou de geradores movidos a diesel.
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), até 40% dos alimentos produzidos na África são perdidos entre a colheita e a comercialização, principalmente devido à limitação da infraestrutura de armazenamento, transporte e processamento.
No Quênia, produtores passaram a utilizar um modelo de pagamento pelo uso das câmaras frigoríficas, em que o armazenamento é cobrado conforme a quantidade de produtos refrigerados. A modalidade elimina a necessidade de investimento inicial para aquisição dos equipamentos.
A agricultora Yvonne Anyonyi Mumiah, produtora de alecrim, manjericão e outras culturas destinadas a supermercados europeus, afirmou que a refrigeração permitiu preservar a qualidade da produção e reduzir a necessidade de comercialização imediata após a colheita.
De acordo com Emmanuel Aziebor, diretor regional para a África da CLASP, a ausência de armazenamento refrigerado continua sendo um dos principais desafios das cadeias de valor agrícola no continente. Segundo ele, a ampliação da capacidade de conservação permite reduzir desperdícios, ampliar o acesso a mercados e aumentar a renda dos produtores.
A adoção da refrigeração solar também cresce na Nigéria, Etiópia, Ruanda e África do Sul. Na Nigéria, câmaras frigoríficas instaladas em mercados agrícolas são alugadas por agricultores e comerciantes. Em Ruanda, a tecnologia é utilizada por cooperativas leiteiras, enquanto na Etiópia os investimentos em cadeia do frio apoiam a exportação de hortaliças.
Além de reduzir a dependência de geradores a diesel, os sistemas solares diminuem os custos operacionais e o consumo de combustível. Especialistas destacam, contudo, que o principal benefício está na possibilidade de utilizar a energia elétrica para agregar valor à produção agrícola e ampliar oportunidades econômicas nas comunidades rurais.
O financiamento permanece como um dos principais entraves para a expansão da tecnologia. Segundo Carol Koech, vice-presidente para a África da Aliança Global de Energia para as Pessoas e o Planeta (GEAPP), o desafio atual é estruturar projetos capazes de atrair investimentos em maior escala. Embora subsídios e linhas de crédito possam reduzir os custos iniciais, o predomínio de pequenos produtores e a fragmentação dos mercados agrícolas ainda dificultam a captação de recursos privados.



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