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Refrigeração sólida é apontada como alternativa sustentável e eficiente

A refrigeração sólida ou magnética, tem potencial para transformar o mercado, especialmente em um momento em que a sustentabilidade é uma prioridade global.

A tecnologia de refrigeração sólida tem despertado o interesse de cientistas, pesquisadores e profissionais do setor HVAC-R como uma alternativa sustentável e eficiente aos métodos tradicionais de refrigeração. Baseada no uso de materiais sólidos com propriedades termodinâmicas específicas, essa inovação promete ser uma solução para o controle térmico em diversas aplicações. A tecnologia utiliza materiais sólidos conhecidos como materiais calorimétricos, que têm a capacidade de absorver ou liberar calor quando submetidos a alterações em propriedades como campo magnético, pressão ou tensão mecânica, chamado de efeito calorimétrico, que ocorre em materiais como ligas metálicas e cerâmicas. No campo da refrigeração, em vez de trabalhar com fluidos refrigerantes tradicionais, como os gases fluorados (HFCs, HCFCs), a refrigeração sólida oferece uma abordagem mais limpa, eliminando emissões de gases de efeito estufa, com baixo impacto ambiental. O princípio por trás da refrigeração sólida é a manipulação controlada das propriedades físicas de materiais sólidos para gerar uma troca de calor.

Estudos recentes mostram avanços significativos, com equipes ao redor do mundo desenvolvendo protótipos e refinando materiais para maior eficiência e menor custo, onde pesquisadores estão explorando ligas metálicas mais acessíveis e métodos de fabricação mais simples para tornar a tecnologia competitiva. Esses estudos incluem duas abordagens: a refrigeração magnética, que utiliza o efeito magnetocalórico, onde certos materiais absorvem calor quando expostos a um campo magnético e o liberam quando o campo é removido. E a refrigeração elastocalórica, que se baseia no efeito elastocalórico, em que os materiais absorvem ou liberam calor quando são tensionados ou comprimidos mecanicamente.

Exemplo é o ORNL – Laboratório Nacional de Oak Ridge (EUA), especializado em ciência e tecnologia e administrado pelo Departamento de Energia dos Estados Unidos, que estuda o resfriamento em estado sólido com materiais especiais que absorvem e liberam calor quando expostos a um campo magnético, eliminando assim a necessidade de refrigerantes tradicionais e peças móveis. “Esta abordagem não só é mais eficiente, mas também mais ’amiga’ do ambiente. Estes sistemas são mais silenciosos, mais compactos e capazes de controlar a temperatura com grande precisão”, diz a equipe do ORNL, que começou a trabalhar em uma liga com memória de forma magnética composta de níquel, cobalto, manganês e índio.

De acordo com os pesquisadores, esse material tem a capacidade de mudar de forma e retornar ao estado original quando aquecido ou exposto a um campo magnético, processo conhecido como “efeito magnetocalórico”. Durante esta transição de fase, o material absorve calor do seu entorno e depois o libera, resfriando assim o ambiente. A chave para a eficácia desta liga está na sua estrutura atômica, que está próxima de um estado desordenado denominado estado vítreo ferroico, que melhora a capacidade do material de armazenar e liberar calor.

Pesquisadores e protótipo do sistema de refrigeração sólida em operação na Universidade de Hong Kong usando várias ligas feitas à base de níquel e titânio

 

O regenerador elastocalórico em cascata multimaterial e comparação de desempenho

Potencial de refrigeração em estado sólido

A Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong (China), através de pesquisa orientada pelo professor Guoan Zhou e colegas, desenvolveu um sistema de resfriamento elastocalórico em cascata, usando várias ligas com memória de forma diferentes, também conhecidas no campo da robótica como músculos artificiais, feitas à base de níquel (Ni) e titânio (Ti). A equipe selecionou três ligas de NiTi com diferentes temperaturas de transição de fase, uma para operar na extremidade fria, uma no ponto intermediário e outra na extremidade quente.

Qingping Sun é professor do Departamento de Engenharia Mecânica e Aeroespacial

Ao combinar as temperaturas de trabalho de cada unidade com as temperaturas de transição de fase correspondentes, e fazer cada unidade de NiTi operar dentro de sua faixa de temperatura ideal, a janela de temperatura do refrigerador foi expandida para mais de 100 ºC – em comparação com no máximo 50 ºC das demonstrações anteriores. “No futuro, com o avanço contínuo da ciência dos materiais e da engenharia mecânica, estamos confiantes de que a refrigeração elastocalórica poderá fornecer soluções de aquecimento e resfriamento verdes e energeticamente eficientes de última geração, para alimentar o enorme mercado mundial de refrigeração, abordando a tarefa urgente de descarbonização e mitigação do aquecimento global”, disse o professor Qingping Sun.

De acordo com João Pimenta, engenheiro mecânico, Mestre e Dr. do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília, o setor de HVAC-R enfrenta desafios significativos no cenário atual. “As crescentes preocupações ambientais, aliadas a regulamentações mais rigorosas e a busca incessante por eficiência energética, demandam inovações que transcendam os paradigmas da refrigeração convencional, tornando imperativo explorar alternativas inovadoras”, diz.

A pressão para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, associada ao constante esforço para otimizar a eficiência operacional, destaca a necessidade premente de soluções que transcendam as limitações dos métodos tradicionais.

João Pimenta, engenheiro mecânico, Mestre e Dr. do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília

“Neste contexto desafiador, a refrigeração sólida emerge como uma alternativa inovadora e promissora. A capacidade de manipular o magnetismo para realizar o processo de refrigeração não apenas oferece uma solução eficiente, mas também responde à necessidade urgente de práticas mais sustentáveis no setor de HVAC-R. Sua eficiência energética notável e o potencial para reduzir significativamente o impacto ambiental fazem dela uma candidata proeminente para o futuro do setor”, destaca.

Aplicabilidade

Algumas implementações práticas da refrigeração sólida têm sido realizadas, demonstrando seu potencial. Experiências destacam a aplicação bem-sucedida da refrigeração sólida em centros de dados. Neste tipo de aplicação, a eficiência energética e a capacidade da refrigeração magnética de se adaptar dinamicamente às variações de carga térmica tem impactos significativos na redução do consumo de energia. A implementação dessa tecnologia resultou não apenas em reduções substanciais nos custos operacionais, mas também em uma diminuição notável da pegada de carbono associada à refrigeração desses ambientes críticos.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), recentemente apresentou resultado das pesquisas feitas com a tecnologia de refrigeração sólida em um aparelho condicionador de ar.

A Universidade Federal de Santa Catarina apresentou resultado das pesquisas feitas com a tecnologia de refrigeração sólida em um aparelho condicionador de ar

Fábio Pinto Fortkamp, professor da UDESC

“O trabalho é resultado de uma série de estudos desenvolvidos no Laboratórios de Pesquisa em Refrigeração e Termofísica, sob a coordenação do professor Jader Barbosa, e tem recebido prêmios, um deles da International Conference on Caloric Cooling, concedido à pesquisa do meu doutorado”, diz Fábio Pinto Fortkamp, egresso da UFSC e atualmente professor da UDESC.

De acordo com o professor, há pelo menos 10 anos a universidade busca desenvolver uma alternativa à refrigeração convencional: “O que a gente procura é substituir essa tecnologia por uma outra, baseada em outro princípio, que é o efeito magnetocalórico”, explica.

A busca por um melhor desempenho da tecnologia passa pelo planejamento de um sistema completo, o que tem colocado a universidade como uma das instituições de excelência, em nível nacional, com resultados com repercussão importante também mundialmente.

Outro experimento explora a aplicação da refrigeração sólida em sistemas de resfriamento residencial sustentável. Essa implementação enfatiza não apenas a eficiência energética, mas também a eliminação do uso de fluidos refrigerantes tradicionais, contribuindo para residências mais ecológicas. O estudo destaca o sucesso dessa abordagem em proporcionar conforto térmico aos residentes, ao mesmo tempo em que reduz o impacto ambiental associado ao resfriamento residencial.

Investigações conduzidas exploram também as aplicações industriais em grande escala e destaca como a tecnologia pode ser implementada em setores, como indústria química e farmacêutica, em que a precisão no controle de temperatura é essencial. A capacidade da refrigeração magnética de operar eficientemente em uma ampla faixa de temperaturas e a redução dos custos operacionais foram fatores determinantes para o sucesso dessas aplicações industriais.

Em um estudo mais antigo, realizado por Johnson e Brown, em 2015, analisou a aplicação da refrigeração sólida em sistemas de transporte de produtos perecíveis. Os resultados destacaram a eficiência da tecnologia na manutenção de temperaturas estáveis durante o transporte, oferecendo uma alternativa promissora aos sistemas tradicionais baseados em compressores mecânicos.

“Esses exemplos ilustram a versatilidade e o potencial transformador da refrigeração sólida em várias áreas. À medida que mais pesquisas e implementações práticas continuam a surgir, é evidente que essa tecnologia poderá desempenhar um papel futuro na evolução do setor de HVAC-R”, conclui Pimenta.

 

O impacto Trump no HVAC-R global e brasileiro

Com possíveis tarifas comerciais e eventuais mudanças nas regras ambientais, setor se prepara para novos desafios na produção e no comércio internacional.

A reeleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos promete provocar transformações no mercado global de aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração (HVAC-R). As expectativas giram em torno de mudanças nas políticas ambientais, energéticas e comerciais que podem redefinir as dinâmicas de produção, custo e oferta no setor. As previsões incluem desde a flexibilização de regulamentos ambientais até a imposição de tarifas comerciais mais rigorosas, principalmente para produtos chineses.

Com a perspectiva de relaxamento nas regras ambientais, espera-se a redução de custos para os fabricantes, mas também o risco de menor incentivo para inovações em eficiência energética e redução de emissões de carbono. O cenário pode afetar o desenvolvimento de tecnologias mais limpas e, consequentemente, o ritmo de transição global para um sistema de produção de baixo carbono.

O HVAC-R também se vê impactado pelas previsões de apoio de Trump às indústrias de combustíveis fósseis, o que pode desacelerar a eletrificação e o crescimento de bombas de calor, além de favorecer o mercado de caldeiras a óleo e gás. Essa orientação pode se refletir no mercado brasileiro, que segue de perto as tendências globais de produção e consumo de equipamentos de climatização.

As políticas protecionistas são outro elemento que deve abalar o setor. Nos Estados Unidos, a aplicação de tarifas de até 60% sobre produtos chineses tem potencial para interromper cadeias globais de produção. As indústrias chinesas, que desde o início da guerra comercial em 2018 começaram a realocar suas bases de produção para o Sudeste Asiático, podem se ver forçadas a buscar novas saídas.

Esse ambiente de incerteza pode impulsionar a transferência de produção para os Estados Unidos, mas não sem desafios. A falta de mão de obra qualificada e a complexidade para transferência de cadeias industriais completas tornam o processo lento e oneroso. Marcas japonesas e sul-coreanas já começaram a investir na produção local nos EUA, uma medida que pode influenciar o fluxo global de componentes, afetando os custos finais para outros mercados, incluindo o Brasil.

Para o mercado brasileiro de HVAC-R, o impacto é latente. Os Estados Unidos figuram como o segundo maior parceiro comercial do Brasil, com exportações brasileiras de petróleo, ferro, café e produtos industrializados totalizando quase US$ 33 bilhões em 2024. As políticas protecionistas norte-americanas podem reduzir o acesso dos produtos brasileiros ao mercado estadunidense, gerando um efeito em cascata sobre a indústria nacional de HVAC-R, que depende de insumos importados e da manutenção de preços competitivos.

A expectativa para o setor de HVAC-R no Brasil é de adaptação. Enquanto indústrias internacionais buscam alternativas para as tarifas dos EUA, o mercado interno se reconfigura para reduzir a dependência de insumos importados e aumentar a produção local. A previsão é de que as empresas do setor redobrem seus esforços em eficiência produtiva e em negociações bilaterais para evitar o agravamento dos custos de importação.

CONBRAVA 2025 discute desafios climáticos e abre chamada de trabalhos

O XIX CONBRAVA – Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar terá como tema central “O AVACR e os desafios das mudanças climáticas”. O evento ocorrerá de 10 a 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo, na capital paulista. Organizado pela ABRAVA o congresso é reconhecido como o maior da América Latina no setor e referência internacional para o compartilhamento de conhecimento e inovações tecnológicas.

Segundo Charles Domingues, presidente da Comissão Organizadora, a escolha do tema busca provocar reflexões sobre os impactos ambientais e sociais do setor. “Queremos enfatizar a importância de uma atuação responsável, acompanhada da busca contínua por conhecimento, inovação tecnológica e avanços voltados à eficiência energética”, afirmou. Domingues destacou ainda o compromisso da organização em trazer novidades e promover mudanças conceituais alinhadas às tendências globais.

O congresso, realizado desde 1987, já reuniu mais de 17 mil profissionais e promoveu mais de 450 palestras. Para a edição de 2025, foram definidos cinco temas principais, divididos em 27 subtemas: Ar Condicionado, Aplicações no HVAC-R, Refrigeração, HVAC-R como Provedor de Qualidade de Vida e Equipamentos e Sistemas. A convocatória de trabalhos está aberta até 10 de fevereiro de 2025, com expectativa de receber artigos científicos e técnicos de pesquisadores, estudantes, empresas e profissionais do setor. Os três melhores trabalhos serão premiados com R$ 5.000, R$ 3.000 e R$ 1.000, respectivamente, conforme votação do público.

O CONBRAVA ocorre paralelamente à FEBRAVA – Feira Internacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento, Tratamento de Ar e de Águas, que será realizada de 9 a 12 de setembro.

“Químicos eternos” sob pressão ameaçam o futuro dos fluidos refrigerantes

Revisão da regulação europeia sobre PFAS pode impor proibições amplas a refrigerantes HFC e HFO.

EUROPA – As substâncias perfluoroalquilas e polifluoroalquilas (PFAS) estão no centro de uma revisão regulatória na União Europeia (UE) que pode transformar o mercado de fluidos refrigerantes e impactar significativamente o setor de aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração (HVAC-R). Conhecidos como “químicos eternos” por sua persistência no meio ambiente, os PFAS têm sido usados desde a década de 1940 em uma ampla variedade de produtos, como revestimentos antiaderentes, roupas hidrorrepelentes e espumas de combate a incêndios.

A preocupação com a contaminação de águas subterrâneas, solos e águas superficiais, aliada às evidências de que os PFAS podem causar câncer e danos hepáticos, levou cinco países europeus — Dinamarca, Alemanha, Holanda, Noruega e Suécia — a propor à Agência Europeia de Produtos Químicos (ECHA) uma restrição abrangente às substâncias. A proposta visa proibir a fabricação, colocação no mercado e uso dos PFAS no bloco europeu, utilizando o regulamento REACH (Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Produtos Químicos) como base legal.

Uma das mudanças mais significativas está na definição de PFAS adotada pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2021. Com essa nova definição, mais de nove mil produtos químicos passaram a ser classificados como PFAS, incluindo a maioria das moléculas fluoradas usadas como fluidos refrigerantes com exceção do R-32, R-152a e R-23. Os HFCs (hidrofluorcarbonos) e HFOs (hidrofluorolefinas) — componentes críticos para a transição para refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) — ficaram sob risco de serem enquadrados na nova regulação.

Entre os fluidos potencialmente afetados estão os HFCs R-125, R-134a e R-143a e os HFOs R-1234yf, R-1234ze(E) e R-1233zd(E). Caso a restrição seja aprovada, praticamente todas as novas e atuais misturas de refrigerantes de baixo GWP poderão ser proibidas no mercado europeu, causando incertezas para o setor HVAC-R. Além disso, o impacto não se limita aos fluidos. Polímeros fluorados usados em componentes críticos de sistemas de refrigeração também podem ser afetados pela medida.

O impacto potencial da proposta preocupa o setor. Se aprovada, pode levar à falta de alternativas viáveis de refrigerantes no curto prazo, à interrupção da cadeia de suprimentos e ao aumento dos custos de produção e manutenção de sistemas HVAC-R. Também há a possibilidade de que as empresas precisem investir fortemente em pesquisa e desenvolvimento para criar novos fluidos que não se enquadrem na definição de PFAS.

Atualmente, a ECHA está conduzindo uma análise em seus Comitês de Avaliação de Riscos (RAC) e de Análise Socioeconômica (SEAC), utilizando uma abordagem baseada em evidências científicas e na análise de impacto socioeconômico. As conclusões preliminares desses comitês só serão formalizadas após a avaliação de todos os setores de uso afetados. O resultado será comunicado ao público antes que a Comissão Europeia tome a decisão final sobre a restrição, o que ocorrerá em conjunto com os Estados-membros da UE.

Embora o Reino Unido tenha optado por uma abordagem diferenciada — categorizando os PFAS em grupos de risco e propondo exceções para sistemas selados e contidos, como os de refrigeração —, não há indicação de que a UE seguirá esse caminho. A própria ECHA tem mantido uma posição mais rigorosa, buscando uma regulação ampla que pode afetar diretamente o uso de HFCs e HFOs.

Nos próximos meses, o desfecho dessa questão regulatória será determinante para o futuro do setor HVAC-R europeu. As empresas e associações industriais seguem engajadas no processo de consulta, buscando mitigar os impactos negativos e garantir a continuidade do fornecimento de fluidos refrigerantes essenciais para o cumprimento das metas climáticas globais estabelecidas pelo Acordo de Paris e pela Emenda de Kigali.

Sensores de temperatura em ônibus do Rio permitirão fiscalização em tempo real

A Prefeitura do Rio de Janeiro iniciou a instalação de sensores de temperatura nos ônibus com ar-condicionado. O projeto, que começou em 18 de dezembro de 2024, tem como meta abranger toda a frota até o fim do verão. Inicialmente, 60 coletivos circulam com o equipamento, permitindo o monitoramento em tempo real da temperatura interna dos veículos.

O objetivo é verificar se o ar-condicionado está ligado e se atende às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que exige uma diferença de ao menos 8°C em relação à temperatura externa. Caso as empresas de ônibus não cumpram a regra, poderão perder parte dos subsídios pagos pela prefeitura.

De acordo com o prefeito Eduardo Paes, as empresas tiveram prazo até 31 de julho de 2023 para instalar os monitores de temperatura, mas recorreram judicialmente contra a obrigação. Diante da demora, a própria prefeitura passou a comprar e instalar os sensores.

O dispositivo fica na saída de ar do ônibus e é conectado ao sistema de bilhetagem, permitindo o acompanhamento em tempo real da temperatura. Segundo o subsecretário de Tecnologia em Transportes, Lauro Silvestre, o sistema também verifica se o ar-condicionado está funcionando com capacidade plena ou em modo de ventilação.

A medida ocorre em meio às discussões sobre a climatização da frota. Dados do DataRio indicam que, em junho de 2024, cerca de 22% das viagens foram realizadas em ônibus sem ar-condicionado. Em 2019, esse percentual era de 28%, piorando para 30% em maio de 2020, o pior índice do período analisado.

Para o Sindicato das Empresas de Ônibus do Rio (RioÔnibus), 90% da frota já conta com ar-condicionado. No entanto, a entidade alega que variações pontuais podem resultar em viagens sem o equipamento funcionando. A Secretaria Municipal de Transportes (SMTR) confirma a presença de climatização em 90% das viagens, mas pontua que os veículos sem ar-condicionado recebem subsídios menores.

O sistema de subsídios é parte do embate entre a prefeitura e as empresas de ônibus. Desde meados de 2023, o município adotou a política de pagar menos para ônibus que circulam sem climatização. Atualmente, ônibus com ar recebem R$ 4 por quilômetro rodado, enquanto os sem ar recebem cerca de R$ 2,91, uma diferença de 30%.

Inauguração de capela marca homenagem na sede da Star Center em Diadema

A Star Center inaugurou (13/12) a Capela Luzia Luz Alves em sua sede, localizada na cidade de Diadema (SP). O espaço destina-se à oração e à meditação de colaboradores, independentemente de sua confissão religiosa.

A capela leva o nome de Luzia Luz Alves, mãe do diretor da empresa, Edson Alves, que faleceu no início deste ano. A cerimônia de inauguração contou com um ato ecumênico conduzido pelo padre Jorge Luis, da Paróquia Maria Mãe dos Pobres. Familiares e colaboradores participaram do evento.

No sábado (14), a Star Center realizou a confraternização de Natal. O evento reuniu mais de 800 pessoas, entre colaboradores e seus familiares. Durante a celebração, houve a entrega de cestas natalinas e a presença de um Papai Noel para interagir com as crianças.

Parceria entre Scania Brasil e Chemours impulsiona mobilidade sustentável

A Scania Brasil e a Chemours firmaram uma parceria para a utilização do fluido refrigerante Opteon™ YF (R-1234yf) em 100% da produção de caminhões na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). A montadora é a primeira no país a adotar o fluido, que possui baixo potencial de aquecimento global (GWP), em linha com normas internacionais.

A decisão antecipa a adequação à regulação ambiental brasileira, que seguirá diretrizes internacionais para a substituição de fluidos refrigerantes com alto GWP. Nos Estados Unidos e na Europa, leis já determinam o uso de gases de menor impacto ambiental em sistemas automotivos.

O fluído é fabricado nos Estados Unidos e possui desempenho termodinâmico comparável ao do R-134a, fluido tradicionalmente usado em sistemas de ar-condicionado automotivo. No entanto, seu impacto ambiental é significativamente menor. Com potencial de aquecimento global 99% inferior ao do R-134a e sem risco à camada de ozônio (ODP zero), o fluido já é adotado como padrão na Europa e nos Estados Unidos, sendo utilizado em cerca de 250 milhões de veículos leves.

Para viabilizar a transição, a Scania Brasil reestruturou sua planta de produção. Um novo layout foi implementado, incluindo a instalação de um tanque estacionário com capacidade para 10 toneladas de armazenagem e uma máquina de carga para abastecimento de caminhões. A operação também contou com a participação das equipes de engenharia da Scania e da Chemours, que acompanharam os testes e a produção inicial.

Os caminhões equipados com o novo fluido refrigerante já estão sendo comercializados no mercado interno e também para exportação.

Barão do VRF: a trajetória de Anderson Soares de Oliveira

Aos 44 anos, Anderson Soares de Oliveira, conhecido como “Barão do VRF”, é um nome de destaque na climatização brasileira. Técnico em Refrigeração e Ar-Condicionado, atualmente ele gerencia projetos e supervisiona equipes na Artico Ar, empresa sediada em Belo Horizonte (MG).  Sua caminhada no mercado de climatização e refrigeração iniciou em janeiro de 1994, como ajudante na empresa Tecnoclima, onde participou de instalações de sistemas self e manutenções de fancoils. Durante seus estudos no CEFET-PE (Centro de Educação Tecnológica de Pernambuco), em Petrolina, ele conciliava trabalho e aprendizado, o que acelerou seu crescimento.  A mudança para Belo Horizonte foi um divisor de águas. Após um estágio na cidade, foi efetivado e, logo em seguida, assumiu uma posição de supervisão na Isotherm, na Bahia. Sua experiência continuou a se expandir com passagens pela Siemens e Huawei, onde aprofundou conhecimentos em sistemas de precisão e chiller.

“Enquanto trabalhava e estudava no CEFET-PE, unidade de Petrolina, no período de 1994 a 1999, cresci muito profissionalmente. Tive a oportunidade de estagiar em Belo Horizonte (MG), onde tenho parentes e, desde então, me apaixonei pela cidade. A adaptação foi rápida, e logo me destaquei na execução das atividades, que incluíam levantamento de materiais, execução de instalações e diagnóstico de corretivas. Após um ano de estágio, fui efetivado e recebi uma proposta para assumir a posição de supervisor na Isotherm, na Bahia. Essa nova fase foi fundamental para o meu crescimento, onde passei por diversos níveis de supervisão e pude evoluir dentro da empresa. Estou sempre em busca de novos desafios e oportunidades de aprendizado. Após cinco anos, fui para a Siemens, e depois para a Huawei, no Espírito Santo, onde aprofundei conhecimentos em selfs, chiller e sistema de precisão para o segmento de telecomunicações. Em 2011, retornei a Minas Gerais para atuar na Arminas, me consolidando no segmento de VRF/VRV, que se tornou minha grande paixão”.

Hoje, Anderson é uma referência em instalações, manutenção e orçamentos de sistemas de climatização VRF e dutados, especialmente no setor terciário, como clínicas, hospitais, museus e restaurantes.

Desafios e visão de mercado

Para Anderson, o mercado de HVAC-R está aquecido, com alta demanda desde sistemas split até centrais de ar. No entanto, ele destaca a escassez de mão de obra qualificada como um desafio central.

“Parece que os mais novos não querem evoluir ou assumir responsabilidades, e isso impacta setores como o de funilaria, que está em extinção. Muitos profissionais não querem mais ser carreiristas, e com a chegada das altas estações, a demanda é tão grande em instalações residências de split e se tornam mais atrativas, aumentando a concorrência com valores de serviços prestados muito abaixo da média, ou seja, muitas vezes sem noção. Mas, quem trabalha com sistemas centrais de VRF se diferencia na multidão, não tem frio ou calor para profissionais deste ramo”, comenta.

Ele vê nos sistemas centrais de VRF uma área promissora e menos vulnerável à sazonalidade do mercado. Para se destacar, Anderson reforça a importância da qualificação, especialmente em habilidades técnicas e elaboração de orçamentos.

Anderson utiliza as redes sociais e o YouTube para disseminar conhecimento. Seus perfis no Instagram (@grupoarticoar, @articotec.cursos) e o canal @barãovrf no YouTube são fontes de aprendizado e entretenimento para profissionais do setor. Além de dicas técnicas, ele compartilha conteúdos bem-humorados sob a persona do “Pai Barão”, o “exorcista de VRF”.

Fora do trabalho, ele valoriza o tempo com seus quatro filhos – Ana Luiza, Gustavo, Arthur e Anthony, além de apreciar momentos simples, como tocar violão, jogar xadrez e organizar churrascos com amigos. Suas conquistas vão além do profissional, com viagens em família e a realização de sonhos, como adquirir um carro novo.

Seus maiores objetivos são ver seus filhos felizes e bem-sucedidos, vivendo com menos preocupações e mais realizações.

“Eu gosto de passar um tempo com meus filhos. Eles são o meu legado. É gratificante ver o fruto do nosso trabalho, seja através do crescimento da empresa, da conquista de um carro ou das viagens em família, que proporcionam momentos de qualidade juntos. Meu maior sonho é ver meus filhos se tornando pessoas dignas e felizes, vivendo uma vida com menos preocupações e mais realizações”, revela.

Com sua trajetória, Anderson inspira profissionais a buscar excelência e inovação no setor de HVAC-R, provando que dedicação e paixão fazem a diferença.

“Qualificação é fundamental para se destacar no mercado. Ao investir em aprendizado, você se torna especialista, evolui e agrega valor ao seu trabalho. Cola comigo que você brilha!”, conclui.

Anderson valoriza o tempo com seus quatro filhos: Ana Luiza, Gustavo, Arthur e Anthony

Conferência ISH Value of Water 2025: rumo a um futuro sustentável para a água

Evento visa acelerar o cumprimento da meta de acesso universal à água potável e ao saneamento até 2030.

A Conferência ISH Value of Water, que acontece nos dias 17 e 18 de março de 2025 em Frankfurt, reunirá especialistas dos setores de água, saneamento e infraestrutura para moldar um futuro mais sustentável para a gestão hídrica. O objetivo principal é acelerar o progresso na direção do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 6 da ONU, que visa garantir à população acesso à água potável e ao saneamento até 2030.

O encontro ocorre em meio a um cenário de crescente escassez de água, impulsionada pelo crescimento populacional, pela urbanização e pelo aumento da demanda. Diante desse contexto, a conferência pretende estimular a cooperação internacional e divulgar soluções inovadoras. A expectativa é reunir representantes do setor empresarial, do poder público e da área tecnológica para o intercâmbio de boas práticas, a apresentação de tecnologias para eficiência hídrica e a divulgação de iniciativas ligadas ao conceito WASH (sigla em inglês para água, saneamento e higiene).

Integrada à ISH, a maior feira mundial de HVAC + Água, a conferência se consolida como uma plataforma de networking, transferência de conhecimento e cooperação. O objetivo é estabelecer a sustentabilidade hídrica como um tema central na indústria, incentivando o debate e a troca de conhecimentos técnicos.

Participe e faça parte dessa discussão. Garanta seu ingresso agora: ish-value-of-water.com

O mercado mundial oferece oportunidades de exportação para o setor de HVAC-R

Análises de mercado mapeiam possibilidades e auxiliam no processo de internacionalização das empresas para comércio exterior.

Recentemente, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e Jorge Viana, presidente da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), anunciaram investimentos de mais de R$ 18,3 milhões para preparar empresas para exportação através do novo Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), oferecendo grandes vantagens para o setor de HVAC-R no Brasil. De acordo com especialistas, o PEIEX capacita as empresas a compreenderem e atenderem às exigências internacionais, expandindo seus horizontes para mercados além das fronteiras nacionais, o que aumenta a competitividade do setor.

“Ao qualificar empresas para exportação, o programa incentiva a busca por padrões globais de qualidade e eficiência. Isso estimula a inovação, tanto no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, como no uso de fluidos refrigerantes naturais e equipamentos mais eficientes, alinhando-se às demandas globais. A Apex-Brasil auxilia empresas, oferecendo serviços como capacitação em comércio exterior, missões comerciais, participação em feiras internacionais e acesso a rodadas de negócios. A Agência também fornece análises de mercado, mapeia oportunidades em mercados estrangeiros e auxilia no processo de internacionalização das empresas. Outro benefício importante é a defesa de interesses e apoio em questões regulatórias”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Ele acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética.

Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil

“O Brasil exporta principalmente produtos de refrigeração comercial, como unidades condensadoras, evaporadores e chillers, que são usados em ambientes como supermercados e grandes empreendimentos industriais. Além disso, o país se destaca na exportação de sistemas de ar condicionado split, que são populares devido à sua eficiência energética. Outro item relevante são os compressores fabricados no Brasil, conhecidos pela durabilidade e aplicados em sistemas de refrigeração e climatização. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela Silva.

Segundo ele, as projeções indicam um crescimento moderado nas exportações de equipamentos HVAC-R, impulsionado pela demanda crescente por eficiência energética e sustentabilidade. No entanto, esse crescimento está condicionado à capacidade de inovação das empresas brasileiras e ao desenvolvimento de produtos competitivos em termos de tecnologia e preço. O fortalecimento de acordos comerciais e a entrada em novos mercados, como nações em desenvolvimento, também são fatores que podem acelerar o crescimento.

Competitividade global

Moldado por diversos fatores que inclui mudanças nas demandas de mercado, inovações tecnológicas, regulamentações ambientais e a recuperação econômica pós-pandemia, o setor de HVAC-R brasileiro enfrenta desafios significativos com importações e exportações, impactando a sua competitividade de toda cadeia de valor. Esses desafios se concentram em fatores econômicos, logísticos, regulatórios e tecnológicos.

Um dos principais desafios é a volatilidade cambial que afeta grande parte dos componentes e insumos importados para a fabricação de equipamentos de ar condicionado e refrigeração. Com a constante oscilação do real em relação ao dólar, os custos desses materiais variam consideravelmente, afetando diretamente a formação do preço final dos produtos e a margem de lucro das empresas importadoras, das distribuidoras e das revendedoras”, comenta Arnaldo Basile, Presidente Executivo da ABRAVA.

Fator importante para Basile são as deficiências na infraestrutura de transporte e os altos custos logísticos no Brasil, tanto para a importação, quanto para a exportação, começando pela burocracia dos processos alfandegários e a falta de integração digital nos sistemas de importação e exportação aumentam o tempo e os custos envolvidos na movimentação de mercadorias. As longas distâncias, a precariedade das estradas, os altos custos portuários fazem com que os custos e despesas com processos de exportações sejam mais caros e demorados, prejudicando a competitividade internacional. Outro ponto são as barreiras tarifárias e não tarifárias, tanto no Brasil quanto em outros países, fazem com que o comércio internacional para o setor seja mais complexo quando comparado com outros países. O Brasil impõe tarifas sobre muitos insumos importados, o que encarece a produção nacional. Os importadores dos produtos brasileiros aplicam regulamentações e padrões técnicos cada vez mais rigorosos, especialmente em relação à eficiência energética e ao impacto ambiental. Isso demanda que os fabricantes brasileiros adaptem seus produtos a normas específicas para cada país importador, o que pode encarecer os ciclos de produção e transporte.

Arnaldo Basile, Presidente Executivo da Abrava

”A competição com outros países, especialmente a China, é outro desafio importante. A China é um grande exportador de produtos de ar condicionado e refrigeração, e suas empresas conseguem operar com custos mais baixos devido à escala de produção e à menor carga tributária. Isso pressiona os fabricantes brasileiros a buscarem soluções para reduzir custos e aumentar a eficiência. A ausência de acordos comerciais estratégicos que favoreçam as exportações brasileiras para mercados chave, como Estados Unidos e Europa, é uma barreira relevante. Sem esses acordos, os produtos brasileiros enfrentam tarifas mais elevadas em comparação com os concorrentes de países com melhores tratados comerciais. Isso limita o alcance do setor no mercado internacional, mesmo quando há demanda pelos produtos. Embora Brasil mantenha intensas transações comerciais de importação e exportação com a China e outros mercados internacionais estratégicos, ainda faltam estabelecimentos de acordos comerciais mais robustos que não limitem a competitividade dos produtos brasileiros no exterior, especialmente em relação às tarifas aplicadas a produtos brasileiros. Tive a oportunidade de conversar com Li Jiang, presidente da China Refrigeration and Air-Conditioning Association (CHAA), sobre a necessidade de mantermos relações mais próximas para facilitar nossas relações associativas e comerciais, apesar das questões burocráticas diplomáticas e governamentais”, enfatiza Basile.

Ele diz que para superar esses desafios, é fundamental que as empresas do setor continuem investindo em eficiências operacionais, no desenvolvimento de novas tecnologias e em estratégias de exportação para mercados emergentes. Ao mesmo tempo, políticas públicas que promovam a simplificação de processos alfandegários, a redução de tarifas de insumos e a celebração de acordos comerciais estratégicos são essenciais para fortalecer a competitividade do Brasil nesse setor.

Tarifas e insumos

A variação cambial e as demandas por maior eficiência energética e sustentabilidade em mercados internacionais podem aumentar os custos para adequação.

“As tarifas de importação aumentam os custos de equipamentos e componentes de HVAC-R vindos de fora, impactando a competitividade das empresas brasileiras para aquelas empresas que não fazem uso do benefício fiscal do drawback (incentivo fiscal à exportação). Por outro lado, tarifas de importação em alguns mercados externos também limitam a capacidade de competição das empresas nacionais no exterior. No entanto, em alguns casos, acordos comerciais bilaterais podem reduzir essas tarifas, facilitando o comércio. Empresas têm enfrentado dificuldades em balancear esses custos, especialmente quando dependem de matérias-primas ou tecnologia importada. As políticas governamentais que estão facilitando as exportações no setor de HVAC-R incluem medidas como os incentivos à inovação tecnológica, eficiência energética e a promoção de sustentabilidade”, observa o Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Ele comenta sobre a iniciativa Nova Industrialização do Brasil, lançada pelo Governo Federal, que busca modernizar e aumentar a competitividade da indústria nacional, com um foco especial em tecnologias verdes e de baixa emissão de carbono, o que beneficia diretamente empresas de HVAC-R que investem em soluções eficientes e sustentáveis. Essa política oferece incentivos fiscais e linhas de crédito para empresas que desejam expandir suas operações internacionais e modernizar suas tecnologias. Além disso, o governo pretende reforçar acordos comerciais bilaterais que favorecem a exportação de produtos industriais, eliminando barreiras e facilitando o acesso a mercados internacionais. A simplificação de processos alfandegários e a maior integração com plataformas de comércio exterior também têm sido facilitadores importantes para as exportações brasileiras no setor. Esse foco em desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade está alinhado com as demandas globais por produtos de HVAC-R mais eficientes e ecologicamente corretos, aumentando as oportunidades para o Brasil competir em mercados internacionais.

Basile aponta a dependência de insumos e componentes importados, tornando a indústria vulnerável a disrupção nas cadeias globais de suprimentos, como observado durante a pandemia de COVID-19: “A escassez de peças e insumos, combinada com o aumento dos custos de transporte internacional, criou gargalos nos ciclos produtivos de inúmeras empresas, atrasando a entrega de produtos e elevando os preços. Além disso, o aumento do protecionismo em alguns mercados internacionais também pode afetar a disponibilidade de componentes importados, gerando incerteza nas operações industriais, impactando diretamente os preços finais dos produtos no mercado Brasileiro”.

Oportunidades e programas de incentivo

Oportunidades emergentes incluem o crescimento da demanda por soluções de HVAC-R sustentáveis e de alta eficiência energética, especialmente em países que adotam metas rígidas de sustentabilidade ambiental. A América Latina e alguns mercados da Ásia e África também oferecem grande potencial devido à crescente urbanização e industrialização. Além disso, a exportação de tecnologia de refrigeração comercial para grandes redes varejistas internacionais em expansão no Brasil e no exterior é uma área promissora. Atividades associativas também fazem parte do contexto que busca soluções para o setor, como o Programa ABRAVA Exporta, que mantém acordo celebrado entre a Apex e a ABRAVA que tem auxiliado empresas do setor de HVAC-R a entenderem esses desafios e se capacitarem para exportarem seus produtos fabricados no Brasil. Esse programa ampliou recentemente o seu escopo de atuação para as empresas prestadoras de serviços, como por exemplo, instalações, projetos de sistemas, e consultorias.

Leila Vasconcellos, Gestora Técnica do Programa Abrava Exporta

“O Programa ABRAVA Exporta tem como objetivo promover as exportações do setor HVAC-R nos mercados internacionais, através de ações de promoção comercial, como feiras, rodadas de negócios, missões comerciais, prospectivas a mercados, informações de inteligência competitiva, como os estudos de mercado. Todas estas ações facilitam as relações comerciais com potenciais compradores de outros países e inserem as empresas em novos mercados internacionais. As empresas exportadoras brasileiras enfrentam muita concorrência nos mercados internacionais, principalmente em função de preços. Os produtos brasileiros nem sempre possuem preços competitivos com outros players internacionais, pois o Custo Brasil impacta diretamente na produção industrial e, consequentemente, no preço final do produto. É importante ressaltar que quando o mercado é regulado por preço, é sempre mais difícil para as empresas efetuarem suas exportações, pois as negociações nem sempre têm sucesso. Quando regulado por tecnologia e qualidade, as empresas brasileiras têm maior nível de competitividade e reconhecimento internacional. Outro desafio também importante é a certificação internacional, pois hoje mercados como Europa e Estados Unidos possuem este requisito e muitas pequenas e médias empresas exportadoras do setor não possuem tais certificações, atuando, portanto, em mercados latino-americanos nos quais a certificação não é condição essencial de compra”, diz Leila Vasconcellos, Gestora Técnica do Programa ABRAVA Exporta.

Segundo Leila, até agosto de 2024, o setor de HVAC-R contabiliza como principais parceiros comerciais países como Estados Unidos, México, Argentina, Colômbia, França, Chile, Paraguai e Peru. As empresas também exportaram para outros 57 destinos internacionais, demonstrando que as exportadoras estão buscando novos mercados considerados não tradicionais como Emirados Árabes, China, Itália, Espanha, Alemanha, Austrália, Índia, Coreia do Sul, Argélia, entre outros. Isto demonstra que a qualidade e tecnologia nacionais têm permitido a introdução destes produtos em mercados mais exigentes.