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Nidec inaugura linha de produção de compressores FMS em Joinville

Instalação tem capacidade anual de até 5 milhões de unidades e prevê mais de 220 postos de trabalho

A Nidec ACIM inaugurou, na unidade de Joinville, uma nova linha dedicada à produção de compressores Embraco FMS. A instalação integra a plataforma Global Appliance. A cerimônia contou com a presença de Valter Taranzano, CEO e presidente da Nidec Appliance Automotive Division (AAD); Katia Drusian, CEO e presidente da Nidec ACIM; e Alberto Casnati, presidente da Nidec Global Appliance. A vice-prefeita de Joinville, Rejane Gambin, também participou.

Os visitantes acompanharam um percurso pela área produtiva, onde foram apresentados o processo de fabricação do modelo FMS e iniciativas da empresa nas áreas de inovação e sustentabilidade. A nova linha tem capacidade para produzir até 5 milhões de compressores por ano e prevê a criação de mais de 220 empregos diretos. Segundo Katia Drusian, a iniciativa integra a estratégia global da companhia relacionada a inovação e sustentabilidade. Ela afirmou ainda que a planta de Joinville recebeu reconhecimento interno como unidade carbono neutra.

Alberto Casnati destacou que a ampliação da produção do FMS está associada a metas internas vinculadas à eficiência energética e à difusão da tecnologia de velocidade variável.

O evento marcou a consolidação do projeto industrial voltado à fabricação do FMS, modelo direcionado ao setor de refrigeração residencial. A visita apresentou informações técnicas relacionadas ao uso de refrigerantes naturais e aos parâmetros de eficiência definidos pelo INMETRO para 2026, que orientam parte das decisões de produção.

LG promove imersão tecnológica para instaladores brasileiros na Coreia do Sul

Programa da LG reúne 14 profissionais de HVAC em visitas técnicas, seminários e intercâmbio de conhecimento

A LG Electronics realizou no início deste mês a LG Brazil Installer HVAC Academy, programa de capacitação que levou 14 instaladores brasileiros de aquecimento, ventilação e ar-condicionado para uma imersão tecnológica na Coreia do Sul. A iniciativa integra a estratégia global da companhia de promover aprendizado contínuo e fortalecer parcerias no setor.

O grupo participou de atividades técnicas e visitas a instalações que adotam os sistemas residenciais da LG. Os profissionais observaram o funcionamento das tecnologias em operação e discutiram aplicações voltadas à eficiência energética e à confiabilidade.

Graziela Yang, gerente de Produto de Ar-Condicionado Comercial da LG Brasil, acompanhou os participantes e destacou o objetivo de aproximar a rede de parceiros da matriz. Segundo ela, a imersão permitiu troca de conhecimento e discussão sobre tendências que orientarão o desenvolvimento de soluções de HVAC voltadas ao mercado brasileiro.

A programação incluiu um seminário conduzido por especialistas da Hi-M Solutek, subsidiária da LG dedicada a serviços de HVAC. A sessão tratou de métodos de instalação e práticas aplicadas na Coreia do Sul. Os profissionais brasileiros apresentaram estudos de caso, promovendo intercâmbio técnico com engenheiros da empresa.

O encerramento ocorreu no LG Smart Park, em Changwon, complexo industrial que produz equipamentos residenciais e comerciais. O grupo visitou o showroom de HVAC e participou de sessão de perguntas e respostas com a equipe de desenvolvimento de produto da LG.

A iniciativa integra o plano da empresa de ampliar programas de capacitação para consultores e instaladores, com foco no fortalecimento de parcerias de longo prazo e na difusão de soluções consideradas mais inteligentes e eficientes.

CIBSE inicia adendo brasileiro ao TM65 sobre carbono incorporado

Documento terá orientação específica para estimar carbono incorporado em sistemas prediais no Brasil

A CIBSE (Chartered Institution of Building Services Engineers, entidade britânica que reúne profissionais de engenharia de serviços prediais) iniciou a elaboração do adendo brasileiro da norma TM65, em parceria com a ASHRAE (American Society of Heating, Refrigerating and Air-Conditioning Engineers, associação técnica dos Estados Unidos dedicada a aquecimento, refrigeração, ar-condicionado e ventilação) e o Capítulo Brasil da ASHRAE.

O TM65 Brasil terá orientações voltadas a consultores e fabricantes do país sobre estimativas de carbono incorporado em sistemas prediais, considerando práticas, regulamentações e condições locais. A iniciativa segue modelos adotados em outras regiões.

Segundo as entidades, a cooperação entre CIBSE, ASHRAE e o Capítulo Brasil da ASHRAE inclui também ações de divulgação para ampliar o uso do guia no país.

O projeto se soma à parceria anterior que resultou no documento “Carbono incorporado em serviços prediais: Uma metodologia de cálculo para a América do Norte”, que apresentou hipóteses específicas para aplicar a metodologia da CIBSE no Canadá, nos Estados Unidos e no México.

A CIBSE afirma que o desenvolvimento do adendo reforça seu esforço para apoiar profissionais de serviços prediais na construção de edifícios sustentáveis e alinhados às necessidades locais.

O novo olhar feminino que movimenta o HVAC-R pernambucano

Da venda de ar-condicionado ao comando da própria empresa, Julliane Gomes construiu uma trajetória marcada por propósito, coragem e sensibilidade, representando a nova geração feminina no setor

Tudo começou com uma jovem de 21 anos que vendia ar-condicionado em Recife (PE) e sonhava em ir além. Hoje, Julliane Gomes é referência no setor de HVAC-R e exemplo de como propósito e coragem podem mudar destinos. Natural de Escada (PE), ela saia todos os dias antes do sol nascer, enfrentando 75 quilômetros de estrada para chegar ao trabalho e à faculdade em Recife. Sem saber, cada quilômetro percorrido ajudava a construir a trajetória que a transformaria em empresária e empreendedora, inspirando muitas mulheres do setor de climatização em Pernambuco.

Aos 37 anos, ela é a CEO e fundadora da JG Engenharia & Climatização, formada em Administração de Empresas e pós-graduada em Planejamento e Gestão Organizacional pela FCAP-UPE. “Iniciei minha trajetória na área de refrigeração e climatização em 2009 como vendedora em loja de ar-condicionado em Recife. Mesmo com a rotina intensa, me destaquei nas vendas, bati metas e realizei meus sonhos: Conquistar minha independência financeira, morar sozinha em Recife e comprar meu primeiro carro. Logo após, comecei a prestar consultoria para empresas do setor, conciliando o trabalho na Dufrio durante o dia e a consultoria à noite. Adquiri muito conhecimento com planejamento, oração e determinação, e em 12 de julho de 2013, meu maior sonho se realizou, fundei a JG Engenharia & Climatização. Comecei do zero, mas com o coração cheio de propósito. Desde o início, sempre digo que Deus é o meu sócio majoritário e que sem Ele e o total apoio da minha família nada teria acontecido”, comemora.

A vivência nas vendas deu a ela algo que nenhum curso ensina: empatia, humildade e respeito. “Os profissionais que conheci nessa fase foram essenciais. Quando abri minha empresa, muitos me estenderam a mão. Tenho uma relação de amizade e admiração que dura mais de uma década”.

Equilíbrio e propósito

No comando da empresa, Julliane faz questão de unir técnica, gestão e sensibilidade ao mesmo tempo, cultivando sua essência feminina. “Já amanheci o dia em obra, já dirigi 600 km com a equipe para executar serviços e comi marmita junto com todos. Isso me deu total conhecimento operacional. Sempre mantive o bom gosto, o salto, o perfume e o cuidado estético que me representam. E nunca deixei de sentar-se à mesa para discutir gestão e negócios em alto nível. Desde cedo, precisei ser PHD em equilíbrio entre a firmeza e a sensibilidade, entre o comando e o cuidado”.

Atuante no Comitê de Mulheres da ABRAVA e no movimento Elas no AVAC-R, para ela, a presença feminina trouxe novas perspectivas ao setor onde a união é fundamental. “As mulheres têm mostrado competência técnica, visão estratégica e um jeito único de liderar com empatia e inteligência emocional. Diversidade gera resultados reais e sustentáveis e esses espaços fortalecem o papel da mulher no setor. Quando uma mulher cresce, ela abre caminhos para outras também crescerem”.

No momento, ela prepara o livro “Elas no mercado predominantemente masculino”, que reunirá relatos e aprendizados para inspirar outras profissionais.

Fora do trabalho, valoriza o convívio com a família e os momentos de paz, desacelerando da rotina intensa. “Minha família é meu alicerce. O amor do meu sobrinho José Netto é meu combustível para seguir com alegria. Também decidi cuidar da mente, do corpo e da paz. A JG pessoa jurídica já teve o meu máximo, agora é tempo de viver plenamente a Ju pessoa física”, revela.

E para os profissionais do setor, ela deixa uma mensagem de propósito: “Não se compare, se prepare. O sucesso vem com propósito, humildade e fé. Quando Deus é o centro, o impossível se torna rotina”.

Um dos prazeres de Juliane é viajar e conhecer lugares e culturas diferentes

 

Frigo King apresenta Zeus e eFlex City na Fetranslog 2025

Equipamentos ampliam oferta nacional para transporte refrigerado em reboques, semirreboques e veículos urbanos

A Frigo King comercializou sete unidades do Zeus e outras 20 do eFlex City durante a Fetranslog 2025, realizada de 11 a 14 de novembro, em Chapecó (SC). Segundo o diretor-geral da empresa, operadores logísticos buscam soluções nacionais para ampliar a eficiência de suas operações.

O Zeus é a primeira máquina de refrigeração para reboques e semirreboques desenvolvida no Brasil. Trata-se de um equipamento a diesel projetado para o segmento pesado. A empresa afirma que o modelo foi dimensionado para facilitar a manutenção e reduzir o consumo de combustível, além de operar com eficiência energética.

O eFlex City é um equipamento de refrigeração com bateria integrada de 48 volts e possibilidade de alimentação por placa fotovoltaica. De acordo com o executivo, a autonomia é um ponto crítico para caminhões elétricos no transporte refrigerado, e o modelo foi desenvolvido para atender empresas interessadas em metas ESG. O equipamento também pode operar em caminhões a combustão, com potencial de redução de até 20% no consumo de combustível por veículo.

Com painéis solares flexíveis de 300 W ou 500 W, o eFlex City dispõe de bateria independente, o que pode ampliar a autonomia do caminhão em até 20%. Os painéis têm instalação simples e não exigem perfurações. A vida útil média estimada do sistema é de dez anos.

Todos os equipamentos da empresa estão integrados ao aplicativo Meu Frigo King, que permite monitoramento remoto da operação e ajuste de temperatura. Segundo Marcos Augusto Pordeus de Paula, a companhia desenvolve soluções alinhadas à demanda por tecnologias mais limpas e conectadas no transporte refrigerado.

A Frigo King informa que seus projetos seguem o conceito Super Heavy Duty, aplicado ao desenvolvimento das máquinas. O princípio reúne práticas de produção e operação voltadas à oferta de equipamentos com menor consumo e menor impacto ambiental.

Futuro do HVAC-R une eficiência, sustentabilidade e ar mais saudável

Com foco em eficiência energética, uso de refrigerantes de baixo GWP e melhoria da qualidade do ar interno, o setor de HVAC-R no Brasil acelera sua transição para uma era mais sustentável

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À medida que o setor de HVAC-R no Brasil avança, as atenções se voltam para três pilares que definirão o futuro da climatização e refrigeração: eficiência energética, transição para refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) e melhoria da qualidade do ar interno, e vem assumindo papel estratégico na agenda de sustentabilidade no país, além de representar participação significativa na produção industrial.

Representando cerca de 2,3% da produção industrial, nacional a eficiência energética é hoje uma das prioridades da política ambiental e industrial brasileira. O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a organização internacional CLASP, promoveu em 14 de outubro último, o seminário “Brasil e a COP30: o papel da eficiência energética no setor HVAC-R”, que reuniu representantes do governo, entidades industriais e especialistas nacionais e internacionais.

Durante o encontro, foi lançado o Comitê de Acompanhamento do Projeto de Eficiência Energética como Instrumento de Política Industrial, iniciativa que reunirá representantes públicos e privados para sugerir ações que ampliem a competitividade e a sustentabilidade do setor. O grupo também será responsável pela elaboração de uma carta de compromisso com a eficiência energética, que poderá ser apresentada na COP30, em Belém (PA), este mês de novembro.

Para o MME, a cooperação entre ministérios, indústria e instituições de pesquisa é essencial para fortalecer a política energética brasileira e posicionar o país como referência global em inovação. O diretor do Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética do MME, Leandro Andrade, destacou que o setor de HVAC-R representa cerca de 10% do consumo de energia elétrica do setor residencial no país, índice que evidencia o enorme potencial de economia e de crescimento.

Leandro Andrade destacou o papel da eficiência energética no setor HVAC-R durante seminário “Brasil e a COP30”

“A eficiência energética é o primeiro e mais imediato mecanismo de impacto para os sistemas HVAC-R. No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou diretrizes específicas para aparelhos de ar-condicionado, estabelecendo novos índices mínimos de eficiência com metodologia baseada na norma ISO 16358-1, que permite diferenciar os equipamentos com tecnologia inverter, capazes de consumir até 30 % menos energia que os convencionais de rotação fixa. A eficiência energética usualmente é como se fosse o combustível mais barato, a alternativa energética mais econômica para o consumidor de energia. Ela pode reduzir a necessidade de novos investimentos em geração e transmissão de energia e trazer benefícios diretos ao consumidor, com redução na conta de luz, sem perder qualidade de vida. Num contexto de COP, reforçar a eficiência dentro da política industrial brasileira é essencial para alcançarmos a transição energética inclusiva que desejamos”, afirmou Andrade.

A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) vem alertando sobre os desafios na implementação de alternativas de refrigerantes de baixo GWP, tecnologias com máxima eficiência e QAI, destacando questões como infraestrutura, custo, capacitação técnica e normas de segurança e fabricantes já se movimentam.

“Durante o evento “Brasil e a COP30”, foi assinado o termo com os SENAI Amazonas e Paraná, que farão o mapeamento de toda cadeia produtiva do HVAC-R na intenção de apresentar iniciativas que impulsionam a sustentabilidade e a inovação no país. Além disso, eu e Felipe Raats representaremos a ABRAVA no Comitê de Acompanhamento do Projeto Eficiência Energética no setor”, informa Thiago Pietrobon, Diretor de Meio Ambiente da ABRAVA.

Tanto para os grandes fabricantes quanto para instaladores, esse tripé: pressão regulatória + mercado + tecnologia, significa que os sistemas devem ser projetados com componentes de alta eficiência, controles inteligentes, manutenção rigorosa e integração digital (IoT/monitoramento). O resultado: menor consumo de energia, menores custos operacionais e menor emissões de CO‚  no ciclo de vida.

A Daikin divulgou que pretende duplicar a eficiência energética de seus equipamentos até 2030 e zerar as emissões de carbono em 2050. Em sua participação no seminário “Brasil e a COP30”, a empresa apresentou sua visão de sustentabilidade e o avanço tecnológico em equipamentos inverter e VRV.

“A promoção do inverter e o desenvolvimento do VRV foram fundamentais para o salto tecnológico que resultou em equipamentos mais eficientes. Em cada COP, a Daikin buscar trazer novas ideias e aplicações com o objetivo de reduzir sua pegada de carbono e transformar o setor. Na COP30, o foco será em soluções para descarbonização de edificações e combate ao overcooling (arrefecimento excessivo)”, enfatiza João Aureliano, Gerente Sênior de Engenharia de Produto da Daikin.

Já a Hitachi, teve projeto pelo retrofit do Condomínio Edifício Villa Lobos com a substituição de chillers, infraestrutura elétrica e hidráulica que resultou em redução de consumo de energia elétrica de cerca de 20% e água em 25%. O retrofit substituiu a Central de Água Gelada (CAG), condicionadores de ar, infraestrutura elétrica e hidráulica, além da instalação das seis unidades resfriadoras de água gelada com Chiller Parafuso com Condensação a Ar de capacidade 140 TR cada, totalizando 840 TR.

Transição para refrigerantes de baixo GWP

O segundo grande vetor é a transição para refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global (GWP). No Brasil, esse movimento é impulsionado tanto por compromissos internacionais como a Protocolo de Kigali (sobre HFCs), quanto por iniciativas setoriais. A Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ASBRAV), por exemplo, publicou recentemente um alerta sobre “Desafios na implementação de refrigerantes de baixo GWP no Brasil”, mencionando barreiras como infraestrutura, custo e capacitação técnica.

“Globalmente, a indústria de HVAC-R é incentivada a diminuir o uso de refrigerantes tradicionais devido ao seu alto GWP, que contribui significativamente para o aquecimento global. O Protocolo de Kigali, uma emenda ao Protocolo de Montreal, exige uma redução substancial na utilização destes gases até 2030. Para o Brasil, a adesão a este protocolo significa necessidades urgentes de adaptação às novas normativas internacionais que promovem um mercado mais sustentável. A transição para refrigerantes de baixo GWP no Brasil é inevitável e essencial para alinhar o país com objetivos globais de sustentabilidade. Enquanto os desafios são consideráveis, as oportunidades para inovar e liderar em eficiência energética e redução de emissões são vastas. Com o apoio governamental adequado através de incentivos fiscais e programas de financiamento, juntamente com um ambiente regulatório claro e estável, o Brasil pode superar esses obstáculos e estabelecer um novo padrão em sustentabilidade ambiental no setor de HVAC-R”, comenta Mario Henrique Canale, presidente da ASBRAV.

No setor industrial, as fabricantes já lideram esse movimento. A Daikin iniciou em Manaus a produção de equipamentos que utilizam o R-32, fluido com GWP até 68% menor que o R-410A. A Midea também investe em linhas com R-32 e em projetos que testam o uso do R-290 (propano), considerado uma solução natural e de baixíssimo impacto ambiental. Já a Copeland oferece compressores e sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚  (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais de alta eficiência.

Esses avanços colocam o Brasil em sintonia com os compromissos do Protocolo de Kigali, que prevê a redução gradual dos HFCs. No entanto, para consolidar a transição, é indispensável investir na capacitação de técnicos e instaladores, pois o manuseio de novos gases requer normas de segurança, ferramentas específicas e procedimentos de comissionamento adequados.

Grandes fabricantes já oferecem sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚ (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais


Qualidade do ar interno e saúde

A pandemia reforçou a importância da qualidade do ar interno (QAI) como fator de saúde pública e produtividade. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a ABRAVA têm enfatizado que a QAI deve integrar políticas ambientais e de edificações sustentáveis. Segundo dados da ABRAVA, em ambientes fechados onde passamos cerca de 90% do tempo, a poluição interna pode ser 2 a 5 vezes maior do que a externa. Isso reforça o papel crítico de projetistas, instaladores e técnicos em garantir sistemas bem dimensionados e limpos, com ventilação adequada, filtragem eficiente, controle de umidade, troca de ar e manutenção periódica.

Até recentemente, a Resolução RE 09/2003 da ANVISA era o principal documento que definia padrões referenciais de QAI no país. Contudo, ela foi substituída pela nova ABNT NBR 17.037:2023, que modernizou e ampliou os critérios de avaliação. A norma estabelece parâmetros para contaminantes biológicos, químicos e físicos, além de condições térmicas ideais e taxas mínimas de renovação de ar.

“A publicação dessa norma representa um avanço importante, pois substitui padrões antigos e alinha o Brasil às práticas internacionais de controle de qualidade do ar. A NBR 17.037 dialoga com outras referências, como a NBR 16.401-3, voltada ao projeto e manutenção de sistemas de ar-condicionado central e unitário, e as normas ASHRAE 62.1 e 55, que orientam o conforto térmico e a ventilação adequada em edifícios. Além disso, em 2024 foi sancionada a Lei nº 14.850, que institui a Política Nacional de Qualidade do Ar. Embora voltada principalmente ao ar externo, a legislação reforça a necessidade de monitoramento, divulgação de dados e integração de políticas públicas, o que influencia diretamente os esforços pela melhoria da QAI”, diz Leonardo Cozac, Presidente da ABRAVA.

Essas mudanças normativas refletem uma nova mentalidade no setor HVAC-R. Hoje, não basta climatizar, é preciso purificar, ventilar e monitorar o ar que se respira. Essa evolução tecnológica e regulatória vem acompanhada de desafios, como o custo das medições e adequações, a necessidade de atualização profissional e a substituição de equipamentos antigos por sistemas mais eficientes.

A LG, por exemplo, em sua plataforma de soluções, afirma adotar uma abordagem “digital e ecologicamente correta” e aponta que suas soluções ajudam a “garantir ambientes mais seguros e saudáveis”, com filtros de alta eficiência, monitoramento de qualidade do ar e ventilação térmica otimizada.


Desafios de instaladores e técnicos

Mesmo com equipamentos de ponta e fluidos de baixo impacto, se a instalação for inadequada, a manutenção negligente ou os controles inexistentes, o ganho se perde. Entre os desafios destacados estão:

– Capacitação técnica para os novos refrigerantes (manuseio, instalação, segurança) e para manutenção de sistemas inverter e de vazamento reduzido.

– Necessidade de projetos bem dimensionados e execução com qualidade (tubulação, isolantes térmicos, carga correta, comissionamento).

– Manutenção periódica que garanta desempenho real, qualidade do ar e vida útil dos equipamentos.

– Conscientização dos usuários finais para optar por soluções de maior eficiência, ainda que com investimento maior.

– Alinhamento regulatório, incentivos fiscais ou programas de apoio para acelerar a substituição de sistemas obsoletos, inclusive em edificações públicas ou industriais.

Projetos-piloto para reciclagem de fluidos

Recigases propõe a instrutores do PBH iniciativas para recolhimento e destinação correta de refrigerantes

Filipe Colaço, diretor da Recigases e presidente do Departamento Nacional de Meio Ambiente da Abrava, apresentou aos instrutores do Programa Brasileiro de Hidrocarbonetos (PBH) a proposta de criação de projetos-piloto de reciclagem e regeneração de fluidos refrigerantes em escolas técnicas parceiras. A iniciativa foi anunciada durante palestra no Encontro Nacional 2025 do PBH – Treinamento Sênior em Fluidos Naturais, realizado entre 20 e 31 de outubro na Firjan-Senai-Benfica, no Rio de Janeiro, que reuniu 39 instrutores e três professores-especialistas.

Segundo Colaço, a Recigases pretende desenvolver, em conjunto com cada escola, um projeto-piloto que inclui a disponibilização gratuita de alguns cilindros para coleta de fluidos. O objetivo é incentivar o recolhimento e o encaminhamento dos refrigerantes para destinação adequada.

O diretor afirma que a proposta busca responder a uma dúvida recorrente no setor — o destino dos fluidos recolhidos. Ao provocar os instrutores a aderirem ao piloto, Colaço ressaltou que cada professor do PBH poderá construir sua própria solução ao encaminhar os materiais para a Recigases, contribuindo para a estruturação de práticas de tratamento e descarte no país.

O avanço da etapa inicial do Programa HFCs

Evento em São Paulo no dia 1º/12 apresentará diretrizes da primeira fase da estratégia nacional para redução do consumo de HFCs

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) farão no dia 1º de dezembro a Apresentação da Proposta de Estratégia para a Etapa I do Programa Brasileiro de Redução do Consumo de Hidrofluorcarbonos (Programa HFCs). O encontro ocorrerá às 14h30, no auditório da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), em São Paulo, com participação presencial e online.

A atividade tem como foco apresentar as diretrizes estratégicas da primeira fase do Programa, alinhadas às metas da Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal para redução do consumo de hidrofluorcarbonos. O evento incluirá a exposição do diagnóstico do consumo brasileiro de HFCs por substâncias e setores e detalhará ações previstas para apoiar a transição para tecnologias de menor potencial de aquecimento global e maior eficiência energética.

Também serão tratadas iniciativas voltadas ao cumprimento das metas assumidas pelo Brasil, à modernização tecnológica e ao fortalecimento da indústria nacional no processo de substituição dos HFCs.

Calor intenso expõe fragilidades da COP30

O histórico climático de Belém e a vulnerabilidade térmica reforçam a necessidade de projetos adequados de climatização e ventilação para garantir segurança e conforto.

As falhas no sistema de ar-condicionado em diversas áreas da COP30 foram destacadas pelo secretário-executivo da ONU, evidenciando que o desconforto térmico não é apenas questão de conforto, mas de segurança.

Belém pertence à zona climática Af (clima tropical úmido ou equatorial), segundo a classificação de Köppen, o que significa clima tropical chuvoso, quente e extremamente úmido. Dados do INMET entre 1967 e 1996 indicam que a temperatura média máxima anual gira entre cerca de 30 °C e 33 °C, com mínimas próximas a 23 °C. A umidade relativa do ar também é elevada, frequentemente entre 79 % e 89 %.

Além disso, as medições de temperatura de bulbo úmido (que combinam calor, umidade e vento para estimar o impacto real no corpo humano) já mostraram picos de até 31,5 °C em Belém.

Valores desse tipo comprometem a eficiência da transpiração como mecanismo de resfriamento corporal, e, segundo especialistas, representam situação de risco térmico elevado.

Esse histórico climático reforça por que um projeto de climatização para a COP30 deveria ter levado em conta não apenas a instalação de aparelhos de ar-condicionado, mas também a concepção de um sistema com ventilação natural bem desenhada, zonas sombreadas, postos de hidratação adequados, e consideração da densidade de público. Na prática, no entanto, participantes relataram longas filas nas zonas Azul e Verde sob forte sol, poucas áreas sombreadas no Parque da Cidade e hidratação insuficiente — evidências de que o planejamento do conforto térmico ficou aquém do necessário.

O professor Fabio Teixeira Gonçalves, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, destacou que a ocupação excessiva, mais de oito mil pessoas na Blue Zone, aliada à baixa ventilação intensifica o estresse térmico. A combinação de umidade entre 60% e 80%, temperaturas acima de 30°C e radiação solar exerce grande pressão sobre o sistema de termorregulação do corpo, especialmente em grupos vulneráveis, como idosos, crianças e pessoas enfermas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), parceira do Brasil no plano de adaptação a extremos, estar na sombra é essencial, já que a sensação térmica ao sol pode ser de 10 °C a 15 °C mais alta do que a temperatura medida oficialmente. Essa orientação reforça que medidas simples, cobertura solar, ventilação e sombras, são tão importantes quanto um ar-condicionado funcional, especialmente em climas como o de Belém.

No evento, esforços para amenizar o calor já se fizeram visíveis. Na última quarta-feira, a primeira-dama Rosângela Silva pediu desculpas aos artistas pelo calor durante o painel “Narrativas e histórias para enfrentar a crise climática”. No mesmo dia, um encontro com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, no Pavilhão do Brasil, contou com o barulho constante de leques para contrabalançar o abafamento, mesmo com ventilador extra — sem sucesso para resolver completamente o problema.

O espaço interno da COP30 é administrado pela ONU, enquanto a prefeitura de Belém dá suporte em segurança e zeladoria urbana. A prefeitura afirmou que as ações planejadas para garantir conforto e infraestrutura estão sendo executadas diariamente, mas os relatos de calor persistente mostram que, para evitar riscos à saúde e garantir bem-estar, será necessário reforçar e revisar o projeto de climatização.

ONU alerta que demanda por ar-condicionado deve triplicar até 2050

Relatório do Pnuma indica que emissões do setor podem dobrar e defende acesso ao resfriamento como infraestrutura essencial.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou, durante a COP30, em Belém, o relatório Global Cooling Watch 2025, que aponta o crescimento acelerado da demanda global por refrigeração. Segundo o documento, o uso de aparelhos de ar-condicionado e sistemas de refrigeração deve triplicar até 2050, o que pode dobrar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor.

O relatório relaciona o aumento da população mundial e a intensificação das ondas de calor extremo ao maior acesso de famílias de baixa renda a equipamentos de refrigeração ineficientes e mais poluentes. A projeção é de que as emissões atinjam 7,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2050, mais do que o dobro do registrado em 2022.

O Pnuma aponta que a adoção de equipamentos mais eficientes e o uso combinado de ventiladores e ar-condicionado poderiam reduzir as emissões do setor em 64% até meados do século. A medida evitaria US$ 43 trilhões em gastos com energia e infraestrutura e protegeria 3 bilhões de pessoas dos impactos do calor extremo. Se houver uma descarbonização rápida da matriz energética, a redução da poluição poderia chegar a 97%.

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que o acesso ao resfriamento deve ser tratado como infraestrutura essencial, a exemplo de água e saneamento, e destacou que “não é possível resolver a crise do calor apenas com ar-condicionado”, alertando para o aumento das emissões e o risco de sobrecarga nas redes elétricas.

Segundo o relatório, mais de um bilhão de pessoas vivem hoje sem acesso adequado à refrigeração, número que também deve triplicar até 2050, com impacto maior sobre mulheres, idosos e pequenos agricultores.

Entre as soluções propostas estão o resfriamento passivo, por meio de projetos arquitetônicos que favorecem ventilação e sombreamento; sistemas de baixo consumo energético, como ar-condicionado híbrido e soluções solares off-grid; e a redução do uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs), substâncias com alto potencial de aquecimento global.

O Pnuma alerta ainda que o estresse térmico pode inviabilizar 80 milhões de empregos em tempo integral até 2030, tornando o acesso ao resfriamento sustentável fundamental para a continuidade de atividades em escolas, hospitais e empresas.