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Psicrometria garante precisão no tratamento e condicionamento do ar

A psicrometria é a base para entender como temperatura e umidade influenciam o conforto térmico e a eficiência dos sistemas. Dominar seus princípios permite diagnósticos mais precisos e projetos confiáveis

 A psicrometria é um dos pilares da climatização e da ventilação, mas ainda é um tema que muitos técnicos conhecem apenas pela superfície. No entanto, compreender de verdade o comportamento do ar, suas propriedades, limites e interações, é o que separa o trabalho básico de um profissional capaz de diagnosticar sistemas com precisão e tomar decisões fundamentadas.

Para aprofundar o tema, conversamos com o Prof. Dr. Alexandre Fernandes Santos, doutor em Engenharia Mecânica e Diretor da FAPRO – Faculdade Profissional, que trouxe um novo olhar sobre a importância da psicrometria em campo.

Alexandre lembra que psicrometria não é apenas teoria: ela dialoga com questões vitais, inclusive de saúde pública: “Segundo Bill Gates, 500 mil pessoas no planeta morrem de calor. Esse calor é sentido pela temperatura e pela umidade relativa do ar que respiramos. O ar com umidade é a matéria-prima do pulmão, e as características físicas do ar como temperatura, umidade relativa, massa específica e entalpia, que são expressas em um ábaco que chamamos de diagrama psicrométrico. É esse diagrama que orienta desde o conforto térmico até processos industriais sensíveis, passando pelo desempenho energético dos sistemas HVAC”.

Mas se a psicrometria está no centro da climatização, por que tantos profissionais têm dificuldade de aplicá-la? Para o professor, a resposta é simples: falta vínculo entre o conceito e o objetivo.

“A palavra ‘ar condicionado’ é intrinsecamente conectada com psicrometria. Como dizia o Gato Cheshire à Alice, em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: ‘se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve’. A psicrometria indica todos os lugares que devemos ir para controlar as propriedades físicas essenciais do ar. Em outras palavras, é ela que mostra o caminho certo, seja para refrigerar, desumidificar, aquecer ou ventilar”, destaca Alexandre.

Um dos pontos de maior impacto prático é entender como os parâmetros psicrométricos como Temperatura de Bulbo Seco (TBS), Umidade Relativa (UR), ponto de orvalho e entalpia influenciam o conforto e a operação dos sistemas. Embora a temperatura de bulbo seco seja a mais conhecida, é a umidade relativa que domina boa parte das decisões. Todos os processos industriais envolvem a umidade relativa, entalpia e ponto de orvalho. Ou seja, não se limita à qualidade do ar. Assim como na indústria, ambientes climatizados dependem de equilíbrio psicrométrico para evitar mofo, condensação, desconforto e sobrecarga energética.

Pequenas variações podem comprometer tanto o desempenho quanto o consumo. Alexandre dá um exemplo que muitos não associam à climatização: o concreto. “A temperatura para testes e cura de amostras é rigorosamente controlada para garantir resultados confiáveis, sendo regida por normas como a ABNT NBR 5738. A variação da temperatura afeta diretamente o processo de hidratação do cimento e, consequentemente, a resistência final do concreto. Os corpos de prova devem ser armazenados em uma câmara úmida a (23+/-2ºC) e UR acima de 95%. Já pensou? Até a parede de concreto em que você pode estar encostado agora depende de uma verificação psicrométrica. Esse exemplo reforça como a psicrometria é transversal e como sistemas críticos dependem dela para evitar falhas estruturais, contaminações e perdas”.

 Quando os fundamentos não são considerados

Quando princípios psicrométricos são ignorados, os problemas surgem rápido. O professor cita que, muitas vezes, o erro começa antes mesmo da instalação.

“Os erros em processos psicrométricos vêm muito do amadorismo, onde alguém não qualificado promete algo ao cliente por ser mais barato e acaba não atendendo a um nível de umidade relativa. O cliente não sabe o que quer e envia dados errados ao projetista. Quando se trata de valores, minha dica é: se envolve um controle rígido psicrométrico, faça atas, guarde documentos. A experiência vem do acerto, mas também do erro. Eu tive a oportunidade de errar muito jovem, e esses erros me deram mais sensibilidade. Mas quando se trata de psicrometria, é necessário entrada de dados, processamento de dados e saída de dados de qualidade”, enfatiza Alexandre.

Existem aplicações em que esse domínio não é opcional, e sim determinante, como em salas limpas, data centers e processos industriais alimentares. Ele cita o exemplo da gelatina: é um processo absolutamente psicrométrico. Um erro de umidade perde-se o produto. Isso vale para remédios. Nesses ambientes, operar fora da faixa psicrométrica pode interromper linhas de produção inteiras, gerar perdas milionárias ou comprometer requisitos sanitários.

Em um mundo em que apps e softwares fazem cálculos instantaneamente, o professor vê a tecnologia como aliada, mas com uma condição: o profissional precisa saber interpretar.

“Os softwares só ajudam, pois o profissional ganha tempo ao trabalhar com eles e pode usar esse tempo para focar nos princípios psicrométricos. Ou seja, dominar o conceito evita que o técnico aceite resultados incoerentes ou tome decisões erradas confiando apenas no computador”, revela o professor.

Do ponto de vista educacional, Alexandre aponta uma lacuna importante: “O assunto na academia brasileira é muito mal ensinado. Quando se ensina, só se foca nos elementos básicos, mas especificamente as pós-graduações trazem qualidade ao aluno nesse quesito. Para técnicos e engenheiros, isso significa que a especialização e o estudo contínuo são diferenciais reais na carreira. Certa vez perguntaram ao idealizador da cidade de Nauvoo, em Illinois (EUA), ‘como esse povo é tão educado?’ E Joseph Smith disse: ‘eu simplesmente ensino princípios verdadeiros e deixo que eles se governem’. Na psicrometria é igual: aprenda os princípios e eles te guiarão. Compreender e aplicar a psicrometria é, portanto, mais do que saber usar uma carta ou um software: é entender o ar como matéria-prima e enxergar o sistema de climatização como um processo físico completo. Para o técnico que domina esse conhecimento, o diagnóstico fica mais preciso, o trabalho ganha autoridade e a tomada de decisão passa a ser baseada em ciência e não em palpites”.


Resumen (Español)

La psicrometría es presentada como un fundamento técnico indispensable para el diseño, la operación y el diagnóstico preciso de sistemas de climatización y ventilación. Más allá de la temperatura, variables como la humedad relativa, la entalpía y el punto de rocío determinan el confort térmico, la eficiencia energética y la seguridad de procesos industriales sensibles.

Según el profesor Alexandre Fernandes Santos, director de la FAPRO – Faculdade Profissional, la falta de dominio de estos principios genera errores de proyecto, pérdidas productivas y riesgos sanitarios. El uso de software es un apoyo, pero no sustituye la comprensión física del aire, que sigue siendo la base de decisiones técnicas confiables en HVAC-R.


Summary (English)

Psychrometrics is described as a core technical discipline for air conditioning and ventilation, directly influencing thermal comfort, energy efficiency, and system reliability. Understanding air properties—such as relative humidity, enthalpy, and dew point—is essential for accurate diagnostics and for avoiding failures in industrial, commercial, and critical environments.

According to Professor Alexandre Fernandes Santos, from FAPRO – Faculdade Profissional, neglecting psychrometric principles often leads to design errors and operational inefficiencies. While digital tools speed up calculations, only solid theoretical knowledge enables professionals to interpret results correctly and base decisions on physics rather than assumptions.

AirCon 2026 amplia integração do HVAC-R ao ecossistema de negócios da Eletrolar Show

Evento será realizado de 22 a 25 de junho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com foco em decisões de compra, aplicações técnicas e geração de negócios no setor de climatização e refrigeração.

A AirCon 2026 será realizada entre 22 e 25 de junho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, integrada à Eletrolar Show All Connected. O evento surge em um contexto de transformação do setor de HVAC-R, marcado pela busca por eficiência energética, redução de custos operacionais e adequação a normas ambientais mais rigorosas.

A integração à Eletrolar Show insere o HVAC-R em um ambiente já consolidado de negócios B2B, que reúne indústria, varejo, distribuidores e compradores profissionais. Na edição mais recente, o ecossistema registrou mais de 1.500 expositores, 5.000 marcas, cerca de 15 mil produtos e mais de 40 mil visitantes, com presença de profissionais de mais de 30 países.

O setor de climatização movimenta cerca de R$ 54 bilhões no Brasil, segundo dados de mercado, e passa por rápida incorporação de tecnologias como sistemas inverter, automação predial (BMS), sensores inteligentes, Internet das Coisas (IoT) e soluções voltadas à qualidade do ar. Paralelamente, a escassez de mão de obra técnica qualificada aumenta a demanda por ambientes que ofereçam demonstrações práticas, treinamentos e comparações entre soluções.

A proposta da AirCon é funcionar como uma feira orientada a negócios e aplicação prática. A programação inclui áreas para demonstrações técnicas e conteúdos voltados a temas como instalação, automação, uso de gases de baixo GWP, eficiência energética e qualidade do ar interior. O desenho do evento busca conectar fabricantes, distribuidores, integradores, instaladores, projetistas e compradores estratégicos, com foco em acelerar decisões de compra em um setor de alta complexidade técnica.

Entre os perfis esperados estão instaladores e técnicos HVAC-R, engenheiros mecânicos, projetistas, consultores, distribuidores, varejistas especializados, construtoras, incorporadoras, gestores de facilities, empresas de retrofit, eficiência energética e oficinas do segmento automotivo. A concentração desse público em um único espaço é apresentada pelos organizadores como um fator para aumentar a densidade técnica e a efetivação de negócios.

Desde sua concepção, a AirCon se posiciona como um evento voltado a empresas e profissionais que acompanham a evolução tecnológica do setor e precisam tomar decisões com base em comparação direta de soluções. Ao integrar o HVAC-R a um ecossistema já estabelecido, a feira passa a ocupar um espaço específico dentro do calendário de eventos do setor na América Latina.

Quer saber mais? Acesse o site: https://airconfair.com.br/


Resumen (Español)

La AirCon 2026 se realizará del 22 al 25 de junio de 2026 en el Distrito Anhembi, en São Paulo, integrada a la Eletrolar Show All Connected. El evento está orientado al sector HVAC-R y se inserta en un ecosistema B2B que reúne industria, distribuidores y compradores profesionales de distintos países.

La feria tendrá foco en aplicaciones prácticas, demostraciones técnicas y contenidos relacionados con eficiencia energética, automatización, gases de bajo GWP y calidad del aire interior, con el objetivo de apoyar la toma de decisiones y la generación de negocios en un mercado en transformación.


Summary (English)

AirCon 2026 will take place from June 22 to 25, 2026, at Distrito Anhembi in São Paulo, as part of the Eletrolar Show All Connected. The event is dedicated to the HVAC-R sector and is positioned within a consolidated B2B ecosystem that connects industry players and professional buyers.

The fair will focus on practical applications, technical demonstrations, and topics such as energy efficiency, automation, low-GWP refrigerants, and indoor air quality, aiming to support decision-making and business development in a rapidly evolving market.

O avanço dos refrigerantes ilegais e seus impactos no HVAC-R brasileiro

O mercado paralelo de fluidos refrigerantes ameaça a segurança, compromete a eficiência dos sistemas e cria uma concorrência desleal que exige ação conjunta de toda a cadeia do setor

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O mercado brasileiro de refrigeração e ar-condicionado convive há anos com a presença de refrigerantes vendidos de forma irregular, desde lotes contrabandeados até cilindros falsificados, blends não identificados e recargas clandestinas. Além do evidente risco ambiental e à segurança, a prática prospera porque, em muitos casos, o refrigerante ilegal custa muito menos do que o produto legal, criando um incentivo econômico imediato para instaladores, lojistas e usuários finais. Mas por que a diferença de preço é tão grande e quais fatores mantêm o circuito ilegal ativo? A elevação dos preços dos refrigerantes regulamentados tem várias origens: políticas de redução de oferta, custos de conformidade (licenças, certificações e rotulagem), tributos e taxas de importação, além do custo logístico de fornecedores homologados. Quando políticas de restrição de oferta (como as metas do Protocolo de Kigali para redução de HFCs) entram em vigor, o volume legal disponível cai e o preço sobe, e isso abre espaço para que fornecedores ilícitos ofereçam produto por valores muito abaixo do mercado regulado. Investigações internacionais mostram que, onde houve redução de quotas, o mercado ilegal cresceu porque compradores buscaram alternativas mais baratas.

Para Frank Amorim, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sem dúvida, o baixo custo é o grande atrativo. Contudo, como todo mercado ilegal, o grande problema é a falta de consciência e responsabilidade de quem vende e, também, de quem compra este tipo de produto.

“Na nossa visão, é um desafio crônico e perigoso: a circulação de fluidos refrigerantes ilegais, falsificados ou fora da regulamentação. Longe de ser apenas uma questão de concorrência desleal, este problema traz sérias implicações para o meio ambiente, a segurança de técnicos/as e dos usuários/as (empresas e consumidores finais), e na integridade dos equipamentos. Além de poder causar danos graves aos equipamentos (deterioração e corrosão), podem levar à perda de eficiência energética e desempenho, resultando em maior consumo de eletricidade para o usuário (empresas e consumidores finais). Portanto, é um problema tão complexo que entendemos que exige esforços e sinergia de ações entre todos (governo, setor privado e sociedade)”, informa.

Relatórios internacionais e iniciativas brasileiras mostram que o problema é real, internacional e solucionável, mas depende de investimento e cooperação sustentada. Grande parte do produto ilegal vem de mercados onde a produção é barata e o controle aduaneiro é mais frágil. Relatórios de organizações ambientais e operações de fiscalização mostram rotas de entrada por aeroportos, portos e até transporte rodoviário irregular, inclusive com uso de cilindros descartáveis e embalagens falsificadas que driblam controles e tornam possível vender o refrigerante a preços muito inferiores aos praticados por distribuidores legais. Essa disponibilidade externa pressiona os preços e enfraquece o esforço regulatório.

“Um dos principais riscos, falando de fluidos refrigerantes sobre os quais não sabemos a procedência, é a falta de qualidade conforme as normas (ABNT, por exemplo, que tem normas quanto à qualidade, pureza e rotulagem dos fluidos). Então, o/a técnico/a que compra esses produtos não saberá exatamente a composição do fluido que está usando. Esse fluido pode ter um rótulo de R-22, por exemplo, mas pode ter uma porcentagem de fluidos inflamáveis, sem mencionar, o que é um grande risco à segurança do técnico e do usuário. Nosso Projeto para o Setor de Serviços de Refrigeração e Climatização do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), realizado sob coordenação do MMA no âmbito do Protocolo de Montreal, atua com foco nas “Boas Práticas de Refrigeração” visando capacitar os profissionais da área. Essas boas práticas incluem que os técnicos utilizem fluidos refrigerantes somente conforme as normas (legais) e corretamente (sem deixar vazar no meio ambiente)”, esclarece Stefanie von Heinemann, consultora e gerente de Projetos da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH – agência bilateral parceira do PBH.

Segundo Stefanie, pelo PBH, foram capacitados gratuitamente mais de 17 mil técnicos/as em todo o Brasil, até hoje. Contudo, o impacto do programa é ainda maior, porque todas as escolas parcerias, que são dotadas de tecnologia de ponta (equipamentos e ferramentas doados pelo projeto) assimilam as técnicas de Boas Práticas dos cursos do PBH, nos seus próprios cursos técnicos (mecânica e refrigeração), ampliando a disseminação desse conhecimento.

“Neste ano, cientes da tendência de maior uso de fluidos naturais (como propano) no mercado brasileiro, lançamos o curso Treinamento para Uso Seguro e Eficiente de Fluidos Inflamáveis em Sistemas de Ar Condicionado, que está sendo ministrado por instrutores capacitados pelo projeto em 5 escolas parcerias do PBH, de cinco estados, que contemplam as regiões geográficas do país: Centro Oeste (GO); Nordeste (RN); Norte (RO); Sudeste (SP); e Sul (PR). E já estamos trabalhando para que no próximo ano, esse curso seja ampliado para pelo menos mais 5 escolas, em outros estados.  Nossa meta é capacitar 5.000 mil profissionais. Além disso, entendemos que não são só os fluidos refrigerantes que devem seguir as normas e serem bem certificados, mas os profissionais também precisam ser certificados. Para tanto, acabamos de lançar uma “Licitação para a Criação de um Sistema Piloto de Qualificação, Certificação e Registro (QCR) no Setor de Refrigeração”. Nosso objetivo é criar um esquema que melhore a regulamentação do ambiente profissional, reduza os vazamentos de fluidos refrigerantes e garanta a introdução segura de alternativas aos HCFCs, o que coopera diretamente para o combate ao uso de fluidos refrigerantes fora das normas e, portanto, ilegais. Para que esse sistema de certificação, cujo projeto piloto será iniciado em 2026, funcione e tenha sucesso, iremos contar com o importante apoio da sociedade, por meio das escolas técnicas e das entidades do setor parceiras do Programa, como a ABRAVA e a ASBRAV”, informa Stefanie.

Impacto do uso de substâncias não autorizadas no Brasil

O uso de substâncias não autorizadas no Brasil, especialmente no setor de HVAC-R, tem ampliado riscos ambientais, econômicos e operacionais. A entrada de produtos sem certificação compromete a segurança dos sistemas, aumenta a probabilidade de falhas e eleva as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a prática causa distorções competitivas ao favorecer quem opera fora das normas. Para o consumidor, o barato pode sair caro: equipamentos perdem eficiência, sofrem danos e têm sua vida útil reduzida. O problema, embora conhecido, segue crescendo e exige ações coordenadas de fiscalização, educação técnica e responsabilização da cadeia.

“O impacto do uso de substâncias ilegais pode prejudicar todo o trabalho que realizamos com foco na proteção do meio ambiente, no âmbito do Protocolo de Montreal no Brasil. Por exemplo, nós eliminamos o consumo dos CFCs, em 2010, se entram CFCs por contrabando seria um retrocesso em relação à Proteção da Camada de Ozônio e, também, do clima, porque os CFCs têm um alto potencial de aquecimento global. Da mesma forma, o comércio ilegal pode impactar negativamente no controle dos HCFCs (R-22), que pelas nossas metas será eliminado até 2030. Já pensando na Emenda de Kigali e no comércio ilegal de HFCs, ainda estamos no início da implementação do plano para redução do uso desses fluidos no país. Como estamos traçando uma linha de base de consumo, com base em estatísticas oficiais, se houver a entrada de muitos HFCs contrabandeados, essa linha de consumo no Brasil se tornará irreal, e então teremos problemas sérios na implementação das nossas metas no âmbito do Protocolo de Montreal”, reforça Amorim.

Ele acrescenta que os produtos legais possuem rótulos em conformidade com as normas técnicas, têm procedência garantida e são adquiridos por meio de nota fiscal, com os produtos/substâncias devidamente discriminados pelos distribuidores/fabricantes. Se os fluidos refrigerantes forem sempre comprados em estabelecimentos credenciados e da forma correta, o espaço do comércio ilegal será praticamente nulo. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem trabalhando em uma nova instrução normativa que estabelecerá a obrigatoriedade de que os fluidos refrigerantes comercializados devem atender aos requisitos de pureza estabelecidos na Norma ABNT NBR 16.667, o que contribuirá para a conformidade dos produtos.

“Importante destacar que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desempenha um papel central e essencial no controle de substâncias como os fluidos refrigerantes no Brasil. Sua atuação está diretamente ligada ao cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo país, principalmente o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.  O Ibama controla a importação e exportação. É a autoridade responsável por controlar e fiscalizar a entrada e saída de fluidos refrigerantes controlados (como os HCFCs e, mais recentemente, os HFCs, devido ao seu alto Potencial de Aquecimento Global – GWP) no território nacional, em portos e aeroportos. Isso inclui a verificação do conteúdo dos cilindros para combater o comércio ilegal. Destaco também que a extensa faixa de fronteira terrestre e marítima do país, combinada com a complexidade e o volume do comércio internacional, torna o combate ao contrabando de fluidos refrigerantes um desafio constante para o Ibama e órgãos parceiros como a Receita Federal, daí a importância de todo o apoio da sociedade nesse combate. No âmbito da Etapa III do PBH, sob a Coordenação do MMA e implementação do PNUD, serão realizadas ações voltadas para o fortalecimento da fiscalização por órgãos de controle em nível federal, estadual e municipal, para a capacitação dos agentes fiscalização e disponibilização de equipamentos para a identificação dos fluidos refrigerantes. Essas ações contribuirão para coibir o comércio e a importação ilegal de fluidos refrigerantes”, diz o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Quanto a conscientização, para Stefanie, além das ações de treinamento e do projeto piloto de certificação dos profissionais, o Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores em Fluidos Naturais do PBH resultou em 39 instrutores qualificados no curso “Uso Seguro e Eficiente de CO2‚  e R-290 em Sistemas de Refrigeração Comercial”. São instrutores que irão capacitar centenas de alunos/as nos próximos anos em escolas nas 5 regiões do país.

“Durante o encontro, que ocorreu no novo ‘Laboratório Modelo Mini Supermercado com Fluidos Refrigerantes Naturais: CO2‚  e R-290 do PBH’, localizado na escola Firjan SENAI Benfica, no Rio de Janeiro-RJ, o tema ‘fluidos refrigerantes ilegais’ foi bastante debatido.  Os instrutores relataram que seus alunos estão bastante preocupados com esse tema, por causa da possibilidade de acidentes graves em campo, motivada pelo alto volume de produtos oferecidos a baixo custo.  Ao longo do debate sobre o tema, durante o treinamento, foram destacadas pelos instrutores-especialistas do PBH, que ministraram o curso, as orientações de Boas Práticas em Refrigeração, que devem ser reforçadas aos alunos, no processo de maior conscientização dos profissionais da área sobre o tema.  Além disso, foi destacado que é importante a sociedade fiscalizar também e que as irregularidades com fluidos refrigerantes (ilegais, falsificados ou fora da regulamentação, inclusive com rótulos que não deixam claro o uso de fluidos inflamáveis) devem ser denunciadas aos órgãos oficiais (Ibama, Procon, etc.) e para as entidades da sociedade, nos seus fóruns específicos” comemora.

 Diferentes elos da cadeia com atuação integrada

O combate ao uso de refrigerantes ilegais no Brasil exige uma atuação integrada entre fabricantes, distribuidores, lojistas e técnicos, cada um responsável por uma parte essencial da solução. Fabricantes podem fortalecer a rastreabilidade, garantir informação clara e ampliar ações de conscientização sobre riscos e impactos ambientais. Distribuidores e lojistas, por sua vez, têm papel decisivo ao adotar políticas rígidas de compra, checar procedência e assegurar que apenas produtos regulamentados cheguem ao mercado. Já os profissionais técnicos, que estão na ponta do atendimento, influenciam diretamente o comportamento do consumidor ao orientar sobre segurança, eficiência e conformidade. Quando esses elos trabalham alinhados, cria-se uma cultura de responsabilidade que reduz incentivos ao mercado ilegal, protege equipamentos e reforça o compromisso do setor com práticas sustentáveis.

Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores resultou em 39 instrutores qualificados

“Acreditamos que só uma ação coordenada, a médio e longo prazo, entre governo, setor privado (fabricantes, distribuidores e revendedores) e sociedade (profissionais da refrigeração e usuários em especial) será efetiva no combate aos fluidos refrigerantes ilegais no país. Todos precisam fazer a sua parte. A responsabilidade de exigir comprovação da compra e venda de fluidos refrigerantes, por exemplo, é de todos. Os fabricantes devem garantir os registros dos fluidos no Ibama; os distribuidores e o varejo devem conferir e só podem vender produtos com procedência confirmada; e os profissionais, como os técnicos/as de refrigeração, também devem estar atentos a esse controle e só comprar produto de origem legal. Da mesma forma, os usuários (empresas e consumidores) devem exigir a nota fiscal dos fluidos refrigerantes colocados em seus aparelhos/sistemas, além de contratar somente profissionais habilitados (técnicos formados pelo SENAI e Institutos Federais, por exemplo) que, no futuro, como planejamos, serão certificados pelo sistema QCR que implantaremos a partir de 2026”, conclui Stefanie.

 


Resumen (Español)

El avance del comercio ilegal de refrigerantes en Brasil representa un riesgo creciente para el sector de refrigeración y aire acondicionado. Productos sin certificación, falsificados o de origen desconocido comprometen la seguridad de técnicos y usuarios, reducen la eficiencia energética de los equipos y generan impactos ambientales relevantes, además de distorsionar la competencia al ofrecer precios muy inferiores a los del mercado regulado.

Autoridades ambientales y programas internacionales alertan que el problema afecta directamente el cumplimiento de los compromisos asumidos por Brasil en el Protocolo de Montreal y la Enmienda de Kigali. Iniciativas de capacitación técnica, certificación profesional y fortalecimiento de la fiscalización buscan contener el mercado ilegal, pero el enfrentamiento del problema exige una acción coordinada entre gobierno, sector privado y sociedad.


Summary (English)

The growth of illegal refrigerant trade in Brazil poses increasing risks to the HVAC-R sector. Uncertified, counterfeit or undocumented products jeopardize technician and user safety, reduce system efficiency, and intensify environmental impacts, while creating unfair competition through significantly lower prices than those in the regulated market.

Environmental authorities and international programs warn that illegal refrigerants threaten Brazil’s commitments under the Montreal Protocol and the Kigali Amendment. Technical training, professional certification and stronger enforcement are key measures to curb this practice, but effective results depend on coordinated action among government, industry stakeholders and society as a whole.

Quando nem o ar-condicionado de frigorífico resolve

Influenciadora instala ar-condicionado de câmaras frias para enfrentar calor da pré-menopausa; conta de luz ultrapassa R$ 5 mil e caso repercute na internet.

Em post nas redes sociais, a influenciadora Ana Paula Oliveira relatou que, diante das ondas de calor intensas da pré-menopausa, instalou em casa um equipamento de refrigeração utilizado em câmaras frias. A decisão ocorreu após considerar insuficientes os aparelhos domésticos. A conta de luz ultrapassou R$ 5 mil após alguns dias de uso.

O episódio repercutiu e trouxe atenção para práticas inadequadas de climatização. O conforto térmico depende de variáveis como dimensionamento correto, manutenção, escolha de modelos eficientes e uso racional de temperatura.

Segundo o Inmetro, operar aparelhos residenciais entre 23 °C e 25 °C reduz o consumo e mantém o conforto térmico. Temperaturas muito baixas, comuns entre usuários que deixam entre 15 °C e 16 °C a depender o tipo de aparelho, elevam o gasto energético e exigem mais do compressor. Boas práticas também envolvem vedação adequada, filtros limpos e seleção de equipamentos com classificação de eficiência “A+++.”.

O caso expõe a necessidade de ampliar a orientação técnica ao consumidor sobre o uso responsável de climatização. A adoção improvisada de sistemas industriais em residências é economicamente ineficiente e pode comprometer a durabilidade dos equipamentos.

O episódio envolvendo Ana Paula Oliveira reforça a busca crescente por conforto térmico, mas evidencia a importância de seguir parâmetros técnicos e práticas de eficiência energética no uso do ar-condicionado.

Vidros especiais ampliam controle térmico e experiência do cliente

Soluções avançadas em vidros ajudam a reduzir desperdício, preservar alimentos, economizar energia e melhorar a experiência do cliente

 Nos supermercados brasileiros, a transparência dos expositores vai muito além da estética. Hoje, o vidro é um dos principais aliados do controle de temperatura, da preservação de alimentos e da eficiência energética. Portas, vitrines e tampas de freezers utilizam tecnologias específicas para ambientes refrigerados, equilibrando desempenho térmico, segurança e visibilidade dos produtos.

Entre as soluções está o vidro duplo insulado (IGU), formado por duas lâminas separadas por gás inerte. Essa estrutura cria uma barreira que minimiza a troca de calor e evita a condensação. Em redes como Carrefour, Assaí e Pão de Açúcar, o uso de portas com vidros duplos nas seções de frios e laticínios tem reduzido o consumo de energia em até 25%, além de melhorar a conservação e a aparência dos alimentos expostos.

Nos projetos mais modernos, o destaque vai para o vidro a vácuo (VIG), que oferece isolamento térmico até quatro vezes superior ao vidro comum, mantendo as temperaturas internas estáveis mesmo em ambientes de alta umidade, reduzindo o trabalho dos compressores e garantindo condições ideais para a conservação de produtos congelados e sensíveis ao calor. Lojas conceito como as do Super Nosso (MG) e do Hirota Food Express (SP) já adotam expositores com VIG, que dispensam o uso de resistências elétricas antiembaçamento.

Outro tipo amplamente utilizado é o vidro de baixa emissividade (Low-E), que recebe uma camada metálica microscópica capaz de refletir o calor infravermelho. Essa barreira impede a entrada do calor externo e retém o frio interno, tornando-o ideal para portas de freezers verticais, câmaras e adegas climatizadas. Além de promover economia de energia, o Low-E ajuda a manter a temperatura constante, promovendo maior segurança alimentar e reduzindo o desperdício de perecíveis.

Fabricantes como Guardian Glass, AGC, Saint-Gobain, Pilkington e Cebrace oferecem linhas específicas de vidros para refrigeração comercial. “A Cebrace, por exemplo, desenvolve soluções de vidro Low-E, como o Themo Vision, fabricado no Brasil, que aliam alto desempenho térmico, ampliando o conforto e a eficiência em ambientes climatizados e refrigerados. A empresa tem investido em tecnologias de revestimento que melhoram a durabilidade e o desempenho óptico dos painéis utilizados em sistemas de refrigeração e fachadas comerciais. O produto ser adquirido na versão jumbo (3,21 m x 6 m), permitindo maior aproveitamento da chapa no processamento e no corte, trazendo ainda mais economia ao processo para as indústrias de refrigeração comercial e de linha branca”, explica Luiz Carlos Gonçalves Junior, diretor de Marketing da Cebrace e Comercial da Saint-Gobain.

No Brasil, empresas como Eletrofrio e Metalfrio já integram esses materiais em suas soluções, combinando vidros Low-E e insulados com perfis de alumínio de baixa condutividade e sistemas de vedação avançados. Essa integração é parte fundamental das metas de sustentabilidade do varejo alimentar, que busca reduzir o consumo elétrico e as perdas por deterioração de alimentos.

“Na Eletrofrio, priorizamos o uso de vidros de alta performance em todos os expositores, especialmente os Low-E e insulados com camadas antiembaçantes. Essa combinação proporciona maior eficiência energética e visibilidade dos produtos, além de garantir a estabilidade térmica e a segurança alimentar. Os resultados têm sido expressivos: nossos clientes observam economia de energia e melhor experiência de compra para o consumidor final”, explica Rogério Marson Rodrigues, da Eletrofrio Refrigeração.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança

Conservação e a aparência

Uma das inovações mais relevantes no setor é a tecnologia antiembaçamento, essencial em ambientes com alta umidade e portas frequentemente abertas. A condensação sobre o vidro, além de comprometer a visibilidade dos produtos, pode alterar a eficiência do sistema e causar desperdício energético. Para contornar esse problema, as portas de refrigeradores comerciais e vitrines contam hoje com diferentes tipos de vidros desembaçantes. O método mais utilizado é o aquecimento perimetral, no qual uma resistência elétrica de baixa potência é instalada na borda do vidro ou na moldura da porta. O leve aquecimento evita a formação de gotículas de água, mantendo a superfície sempre transparente. Essa solução é amplamente adotada em expositores de supermercados como Muffato e Pão de Açúcar, que valorizam a visibilidade dos produtos congelados e reduzem o tempo de manutenção.

Uma alternativa são os revestimentos anti-fog (ou antiembaçamento), aplicados sobre a superfície interna do vidro. Essa película condutiva ou hidrofílica distribui uniformemente a umidade, impedindo o embaçamento mesmo em temperaturas muito baixas.

Adegas climatizadas utilizam vidro Low-E com proteção UV para manter o equilíbrio térmico e evitar o envelhecimento precoce dos vinhos

O vidro Low-E também pode atuar como desembaçante quando combinado a resistências marginais. Essa combinação é uma das mais eficientes do mercado, pois reflete o calor externo enquanto mantém a superfície livre de condensação — garantindo máxima visibilidade e conforto térmico para o consumidor.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança. Já em locais de alto tráfego, como padarias e lojas de conveniência, o vidro laminado com película interna protege contra impactos e mantém a estrutura coesa em caso de quebra, além de poder receber tratamento anti-fog.

As adegas e empórios gourmet também se beneficiam dessas tecnologias. No Empório Santa Maria (SP), por exemplo, portas de vidro Low-E com proteção UV mantêm o equilíbrio térmico e evitam o envelhecimento precoce dos vinhos. Além da conservação, a estética e a clareza visual valorizam o ambiente e os produtos expostos.

“Mais do que garantir eficiência energética, os vidros tecnológicos são fundamentais para a segurança dos alimentos. Ao evitar oscilações térmicas e eliminar a formação de condensação, eles mantêm carnes, frios, laticínios e congelados dentro da faixa segura de refrigeração. Isso reduz o risco de contaminações, amplia o prazo de validade e evita perdas por descarte. Estudos do setor indicam que o controle adequado de temperatura pode reduzir em até 10% o desperdício de perecíveis no varejo”, comenta Gonçalves.

Com ambientes mais confortáveis, exposição aprimorada e economia comprovada, os vidros inteligentes consolidam-se como peças-chave na refrigeração moderna. Em um cenário em que eficiência energética, segurança alimentar e sustentabilidade são prioridades, eles representam o elo que conecta tecnologia, economia e qualidade, mantendo o frio e o alimento protegido.

Futuro do HVAC-R une eficiência, sustentabilidade e ar mais saudável

Com foco em eficiência energética, uso de refrigerantes de baixo GWP e melhoria da qualidade do ar interno, o setor de HVAC-R no Brasil acelera sua transição para uma era mais sustentável

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À medida que o setor de HVAC-R no Brasil avança, as atenções se voltam para três pilares que definirão o futuro da climatização e refrigeração: eficiência energética, transição para refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) e melhoria da qualidade do ar interno, e vem assumindo papel estratégico na agenda de sustentabilidade no país, além de representar participação significativa na produção industrial.

Representando cerca de 2,3% da produção industrial, nacional a eficiência energética é hoje uma das prioridades da política ambiental e industrial brasileira. O Ministério de Minas e Energia (MME), em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a organização internacional CLASP, promoveu em 14 de outubro último, o seminário “Brasil e a COP30: o papel da eficiência energética no setor HVAC-R”, que reuniu representantes do governo, entidades industriais e especialistas nacionais e internacionais.

Durante o encontro, foi lançado o Comitê de Acompanhamento do Projeto de Eficiência Energética como Instrumento de Política Industrial, iniciativa que reunirá representantes públicos e privados para sugerir ações que ampliem a competitividade e a sustentabilidade do setor. O grupo também será responsável pela elaboração de uma carta de compromisso com a eficiência energética, que poderá ser apresentada na COP30, em Belém (PA), este mês de novembro.

Para o MME, a cooperação entre ministérios, indústria e instituições de pesquisa é essencial para fortalecer a política energética brasileira e posicionar o país como referência global em inovação. O diretor do Departamento de Informações, Estudos e Eficiência Energética do MME, Leandro Andrade, destacou que o setor de HVAC-R representa cerca de 10% do consumo de energia elétrica do setor residencial no país, índice que evidencia o enorme potencial de economia e de crescimento.

Leandro Andrade destacou o papel da eficiência energética no setor HVAC-R durante seminário “Brasil e a COP30”

“A eficiência energética é o primeiro e mais imediato mecanismo de impacto para os sistemas HVAC-R. No Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) publicou diretrizes específicas para aparelhos de ar-condicionado, estabelecendo novos índices mínimos de eficiência com metodologia baseada na norma ISO 16358-1, que permite diferenciar os equipamentos com tecnologia inverter, capazes de consumir até 30 % menos energia que os convencionais de rotação fixa. A eficiência energética usualmente é como se fosse o combustível mais barato, a alternativa energética mais econômica para o consumidor de energia. Ela pode reduzir a necessidade de novos investimentos em geração e transmissão de energia e trazer benefícios diretos ao consumidor, com redução na conta de luz, sem perder qualidade de vida. Num contexto de COP, reforçar a eficiência dentro da política industrial brasileira é essencial para alcançarmos a transição energética inclusiva que desejamos”, afirmou Andrade.

A Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) vem alertando sobre os desafios na implementação de alternativas de refrigerantes de baixo GWP, tecnologias com máxima eficiência e QAI, destacando questões como infraestrutura, custo, capacitação técnica e normas de segurança e fabricantes já se movimentam.

“Durante o evento “Brasil e a COP30”, foi assinado o termo com os SENAI Amazonas e Paraná, que farão o mapeamento de toda cadeia produtiva do HVAC-R na intenção de apresentar iniciativas que impulsionam a sustentabilidade e a inovação no país. Além disso, eu e Felipe Raats representaremos a ABRAVA no Comitê de Acompanhamento do Projeto Eficiência Energética no setor”, informa Thiago Pietrobon, Diretor de Meio Ambiente da ABRAVA.

Tanto para os grandes fabricantes quanto para instaladores, esse tripé: pressão regulatória + mercado + tecnologia, significa que os sistemas devem ser projetados com componentes de alta eficiência, controles inteligentes, manutenção rigorosa e integração digital (IoT/monitoramento). O resultado: menor consumo de energia, menores custos operacionais e menor emissões de CO‚  no ciclo de vida.

A Daikin divulgou que pretende duplicar a eficiência energética de seus equipamentos até 2030 e zerar as emissões de carbono em 2050. Em sua participação no seminário “Brasil e a COP30”, a empresa apresentou sua visão de sustentabilidade e o avanço tecnológico em equipamentos inverter e VRV.

“A promoção do inverter e o desenvolvimento do VRV foram fundamentais para o salto tecnológico que resultou em equipamentos mais eficientes. Em cada COP, a Daikin buscar trazer novas ideias e aplicações com o objetivo de reduzir sua pegada de carbono e transformar o setor. Na COP30, o foco será em soluções para descarbonização de edificações e combate ao overcooling (arrefecimento excessivo)”, enfatiza João Aureliano, Gerente Sênior de Engenharia de Produto da Daikin.

Já a Hitachi, teve projeto pelo retrofit do Condomínio Edifício Villa Lobos com a substituição de chillers, infraestrutura elétrica e hidráulica que resultou em redução de consumo de energia elétrica de cerca de 20% e água em 25%. O retrofit substituiu a Central de Água Gelada (CAG), condicionadores de ar, infraestrutura elétrica e hidráulica, além da instalação das seis unidades resfriadoras de água gelada com Chiller Parafuso com Condensação a Ar de capacidade 140 TR cada, totalizando 840 TR.

Transição para refrigerantes de baixo GWP

O segundo grande vetor é a transição para refrigerantes com baixo potencial de aquecimento global (GWP). No Brasil, esse movimento é impulsionado tanto por compromissos internacionais como a Protocolo de Kigali (sobre HFCs), quanto por iniciativas setoriais. A Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ASBRAV), por exemplo, publicou recentemente um alerta sobre “Desafios na implementação de refrigerantes de baixo GWP no Brasil”, mencionando barreiras como infraestrutura, custo e capacitação técnica.

“Globalmente, a indústria de HVAC-R é incentivada a diminuir o uso de refrigerantes tradicionais devido ao seu alto GWP, que contribui significativamente para o aquecimento global. O Protocolo de Kigali, uma emenda ao Protocolo de Montreal, exige uma redução substancial na utilização destes gases até 2030. Para o Brasil, a adesão a este protocolo significa necessidades urgentes de adaptação às novas normativas internacionais que promovem um mercado mais sustentável. A transição para refrigerantes de baixo GWP no Brasil é inevitável e essencial para alinhar o país com objetivos globais de sustentabilidade. Enquanto os desafios são consideráveis, as oportunidades para inovar e liderar em eficiência energética e redução de emissões são vastas. Com o apoio governamental adequado através de incentivos fiscais e programas de financiamento, juntamente com um ambiente regulatório claro e estável, o Brasil pode superar esses obstáculos e estabelecer um novo padrão em sustentabilidade ambiental no setor de HVAC-R”, comenta Mario Henrique Canale, presidente da ASBRAV.

No setor industrial, as fabricantes já lideram esse movimento. A Daikin iniciou em Manaus a produção de equipamentos que utilizam o R-32, fluido com GWP até 68% menor que o R-410A. A Midea também investe em linhas com R-32 e em projetos que testam o uso do R-290 (propano), considerado uma solução natural e de baixíssimo impacto ambiental. Já a Copeland oferece compressores e sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚  (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais de alta eficiência.

Esses avanços colocam o Brasil em sintonia com os compromissos do Protocolo de Kigali, que prevê a redução gradual dos HFCs. No entanto, para consolidar a transição, é indispensável investir na capacitação de técnicos e instaladores, pois o manuseio de novos gases requer normas de segurança, ferramentas específicas e procedimentos de comissionamento adequados.

Grandes fabricantes já oferecem sistemas compatíveis com refrigerantes A2L, CO2‚ (R-744) e R-290, desenvolvidos para aplicações comerciais e industriais


Qualidade do ar interno e saúde

A pandemia reforçou a importância da qualidade do ar interno (QAI) como fator de saúde pública e produtividade. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a ABRAVA têm enfatizado que a QAI deve integrar políticas ambientais e de edificações sustentáveis. Segundo dados da ABRAVA, em ambientes fechados onde passamos cerca de 90% do tempo, a poluição interna pode ser 2 a 5 vezes maior do que a externa. Isso reforça o papel crítico de projetistas, instaladores e técnicos em garantir sistemas bem dimensionados e limpos, com ventilação adequada, filtragem eficiente, controle de umidade, troca de ar e manutenção periódica.

Até recentemente, a Resolução RE 09/2003 da ANVISA era o principal documento que definia padrões referenciais de QAI no país. Contudo, ela foi substituída pela nova ABNT NBR 17.037:2023, que modernizou e ampliou os critérios de avaliação. A norma estabelece parâmetros para contaminantes biológicos, químicos e físicos, além de condições térmicas ideais e taxas mínimas de renovação de ar.

“A publicação dessa norma representa um avanço importante, pois substitui padrões antigos e alinha o Brasil às práticas internacionais de controle de qualidade do ar. A NBR 17.037 dialoga com outras referências, como a NBR 16.401-3, voltada ao projeto e manutenção de sistemas de ar-condicionado central e unitário, e as normas ASHRAE 62.1 e 55, que orientam o conforto térmico e a ventilação adequada em edifícios. Além disso, em 2024 foi sancionada a Lei nº 14.850, que institui a Política Nacional de Qualidade do Ar. Embora voltada principalmente ao ar externo, a legislação reforça a necessidade de monitoramento, divulgação de dados e integração de políticas públicas, o que influencia diretamente os esforços pela melhoria da QAI”, diz Leonardo Cozac, Presidente da ABRAVA.

Essas mudanças normativas refletem uma nova mentalidade no setor HVAC-R. Hoje, não basta climatizar, é preciso purificar, ventilar e monitorar o ar que se respira. Essa evolução tecnológica e regulatória vem acompanhada de desafios, como o custo das medições e adequações, a necessidade de atualização profissional e a substituição de equipamentos antigos por sistemas mais eficientes.

A LG, por exemplo, em sua plataforma de soluções, afirma adotar uma abordagem “digital e ecologicamente correta” e aponta que suas soluções ajudam a “garantir ambientes mais seguros e saudáveis”, com filtros de alta eficiência, monitoramento de qualidade do ar e ventilação térmica otimizada.


Desafios de instaladores e técnicos

Mesmo com equipamentos de ponta e fluidos de baixo impacto, se a instalação for inadequada, a manutenção negligente ou os controles inexistentes, o ganho se perde. Entre os desafios destacados estão:

– Capacitação técnica para os novos refrigerantes (manuseio, instalação, segurança) e para manutenção de sistemas inverter e de vazamento reduzido.

– Necessidade de projetos bem dimensionados e execução com qualidade (tubulação, isolantes térmicos, carga correta, comissionamento).

– Manutenção periódica que garanta desempenho real, qualidade do ar e vida útil dos equipamentos.

– Conscientização dos usuários finais para optar por soluções de maior eficiência, ainda que com investimento maior.

– Alinhamento regulatório, incentivos fiscais ou programas de apoio para acelerar a substituição de sistemas obsoletos, inclusive em edificações públicas ou industriais.

ONU alerta que demanda por ar-condicionado deve triplicar até 2050

Relatório do Pnuma indica que emissões do setor podem dobrar e defende acesso ao resfriamento como infraestrutura essencial.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgou, durante a COP30, em Belém, o relatório Global Cooling Watch 2025, que aponta o crescimento acelerado da demanda global por refrigeração. Segundo o documento, o uso de aparelhos de ar-condicionado e sistemas de refrigeração deve triplicar até 2050, o que pode dobrar as emissões de gases de efeito estufa associadas ao setor.

O relatório relaciona o aumento da população mundial e a intensificação das ondas de calor extremo ao maior acesso de famílias de baixa renda a equipamentos de refrigeração ineficientes e mais poluentes. A projeção é de que as emissões atinjam 7,2 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2050, mais do que o dobro do registrado em 2022.

O Pnuma aponta que a adoção de equipamentos mais eficientes e o uso combinado de ventiladores e ar-condicionado poderiam reduzir as emissões do setor em 64% até meados do século. A medida evitaria US$ 43 trilhões em gastos com energia e infraestrutura e protegeria 3 bilhões de pessoas dos impactos do calor extremo. Se houver uma descarbonização rápida da matriz energética, a redução da poluição poderia chegar a 97%.

A diretora-executiva do Pnuma, Inger Andersen, afirmou que o acesso ao resfriamento deve ser tratado como infraestrutura essencial, a exemplo de água e saneamento, e destacou que “não é possível resolver a crise do calor apenas com ar-condicionado”, alertando para o aumento das emissões e o risco de sobrecarga nas redes elétricas.

Segundo o relatório, mais de um bilhão de pessoas vivem hoje sem acesso adequado à refrigeração, número que também deve triplicar até 2050, com impacto maior sobre mulheres, idosos e pequenos agricultores.

Entre as soluções propostas estão o resfriamento passivo, por meio de projetos arquitetônicos que favorecem ventilação e sombreamento; sistemas de baixo consumo energético, como ar-condicionado híbrido e soluções solares off-grid; e a redução do uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs), substâncias com alto potencial de aquecimento global.

O Pnuma alerta ainda que o estresse térmico pode inviabilizar 80 milhões de empregos em tempo integral até 2030, tornando o acesso ao resfriamento sustentável fundamental para a continuidade de atividades em escolas, hospitais e empresas.

Johnson Controls reforça presença da marca YORK no mercado brasileiro de HVAC-R

Campanha busca consolidar a atuação da YORK no país e acompanhar o avanço das normas de eficiência energética no setor.

A Johnson Controls conduz uma campanha de consolidação da marca YORK no mercado brasileiro de HVAC-R (aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração). A iniciativa visa ampliar a presença da marca em projetos de grande porte e integrar soluções de climatização com tecnologias digitais e de automação predial.

O movimento ocorre em meio ao aumento da demanda por sistemas de HVAC-R em segmentos como data centers, complexos corporativos, shopping centers, hospitais e indústrias. O crescimento do setor também é favorecido pela resolução do Ministério de Minas e Energia que define o Índice Mínimo de Eficiência Energética para novas edificações, medida que deve incentivar práticas mais sustentáveis e a modernização de infraestruturas.

“Os setores público e privado estão cada vez mais empenhados em se adequar a essa nova realidade energética, não apenas para cumprirem suas metas de descarbonização, mas também para se manterem em linha com a tendência pró-conforto que tem sido a tônica no mercado. Essa norma do governo federal deve acelerar ainda mais esse processo”, afirma Adhemar Liza, general manager da Johnson Controls no Brasil.

Em 2025, a Johnson Controls completa 140 anos de atuação global, enquanto a YORK celebra 150 anos de fundação. Para Liza, a consolidação da marca no país está ligada ao fortalecimento da estrutura técnica e ao suporte especializado oferecido aos clientes. “O pós-venda técnico especializado e com suporte contínuo é um diferencial da Johnson Controls no Brasil, fortalecendo o vínculo com nossos clientes e assegurando maior estabilidade operacional com menor custo no longo prazo”, diz.

Carrier apresenta sistema de resfriamento líquido para data centers com IA

Nova CDU da linha QuantumLeap™ é exibida no DCD Connect Brasil 2025, em São Paulo, com foco em eficiência e alto desempenho.

A Midea Carrier apresentou no DCD Connect Brasil 2025, em São Paulo, o sistema de resfriamento líquido CDU (Coolant Distribution Unit) da linha QuantumLeap™, desenvolvido para data centers que processam inteligência artificial.

A tecnologia, já adotada em outros mercados, difere dos modelos tradicionais de climatização ao resfriar diretamente o chip, em vez de reduzir a temperatura do ar de todo o ambiente. Segundo a empresa, essa configuração aumenta a eficiência da operação, reduz o consumo de energia e permite maior capacidade de processamento em espaços físicos menores.

Durante o evento, o gerente comercial da Midea Carrier, Cristiano Brasil, destacou que a companhia está preparada para apoiar a transição dos data centers para soluções híbridas e líquidas de alto desempenho.

Guia Técnico do R-717: dados operacionais e requisitos de segurança

Ficha de referência com informações sobre pressões, lubrificantes, compatibilidade e limites de uso segundo IIAR e ASHRAE.

O R-717, conhecido como amônia, é um refrigerante natural amplamente utilizado em sistemas industriais de refrigeração. Sua composição é 100% natural, sem mistura com outros compostos. O fluido destaca-se por sua alta eficiência energética e impacto ambiental nulo, características que o mantêm como referência técnica no setor HVAC-R.


Condições de operação

Lado de baixa pressão (Low Side): –9,4 °C (15 °F)

  • Pressão: 2,97 bar

  • Ponto de ebulição: –33,3 °C

  • Razão de compressão: 6,66

Lado de alta pressão (High Side): 21,1 °C (70 °F)

  • Pressão: 11,65 bar

  • Razão de compressão: 2,99


Propriedades termodinâmicas
  • Deslizamento (Glide): 0 °C (substância pura).

  • Calor latente de vaporização:

    • 1.294 kJ/kg (a –9,4 °C)

    • 1.147 kJ/kg (a 21,1 °C)

Esses valores demonstram a alta capacidade de absorção de calor da amônia, o que se traduz em excelente eficiência no ciclo de refrigeração.


Segurança e compatibilidade
  • Inflamabilidade: Sim

  • Toxicidade: Alta

  • Classe de segurança (ASHRAE 34): B2L — tóxico e levemente inflamável

  • Compatibilidade de materiais: não utilizar com cobre ou ligas de cobre

  • Lubrificantes recomendados: MO (óleo mineral) e PAO (polialfaolefina)

A amônia requer instalações específicas, com boa ventilação e monitoramento de vazamentos, devido à sua toxicidade e risco de inflamabilidade.


Impacto ambiental
  • Potencial de Aquecimento Global (GWP): 0

  • Potencial de Destruição da Camada de Ozônio (ODP): 0

Essas características fazem do R-717 uma alternativa de longo prazo diante das restrições aos HFCs impostas por acordos internacionais, como o Protocolo de Kigali.


Limites de segurança
  • RCL (limite de concentração): 320 ppm

  • LFL (limite inferior de inflamabilidade): 167.000 ppm

Esses limites definem as concentrações máximas seguras de exposição e os valores mínimos para que o gás possa inflamar.


Compatibilidade de aplicação (SNAP – EPA)

De acordo com a EPA (Environmental Protection Agency) e o programa SNAP (Significant New Alternatives Policy), o R-717 é aprovado para uso em:

  • Armazéns frigoríficos industriais

  • Refrigeração de processos industriais

  • Fábricas de gelo comerciais

  • Refrigeração de alimentos e bebidas

  • Sistemas de ar-condicionado não residenciais

Por outro lado, não é indicado para chillers centrífugos nem para desumidificadores residenciais, devido ao risco de vazamentos em ambientes fechados.


Resumo técnico
Propriedade Valor
Tipo Natural
GWP / ODP 0 / 0
Ponto de ebulição –33,3 °C
Calor latente (–9,4 °C) 1.294 kJ/kg
Pressão de evaporação 2,97 bar
Pressão de condensação 11,65 bar
Lubrificantes MO, PAO
Compatibilidade Não usar com cobre
Classe de segurança B2L
Inflamável Sim
Tóxico Sim
Aplicações principais Refrigeração industrial, processos alimentícios, fábricas de gelo

Conclusão

A amônia continua sendo um dos fluidos refrigerantes mais eficientes e sustentáveis do mercado. Seu uso, no entanto, exige projeto e operação com alto padrão técnico e protocolos de segurança rigorosos, especialmente em ambientes confinados. Quando corretamente aplicada, oferece desempenho térmico superior e custo operacional competitivo, mantendo-se como referência na refrigeração industrial de médio e grande porte.