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Refrigeração de missão crítica sem margem para falhas

Com investimentos bilionários previstos em data centers no Brasil, a refrigeração deixa de ser sistema de apoio e passa a ser elemento vital para a continuidade operacional. Em ambientes de missão crítica, desempenho térmico, redundância e expertise técnica definem o sucesso ou o colapso da operação.

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Com a rápida expansão da computação em nuvem, da inteligência artificial e da transformação digital, os data centers se consolidam como uma das maiores oportunidades técnicas e estratégicas para o setor de HVAC-R. Mais do que conforto térmico, a refrigeração passa a ser um elemento vital para a continuidade dos negócios e para a confiabilidade da infraestrutura digital. De acordo com relatório da consultoria internacional Arizton Advisory & Intelligence, o mercado de data centers no Brasil deve receber US$ 3,7 bilhões em investimentos até 2027. O estudo aponta que boa parte desses aportes será destinada à construção de novas instalações e à ampliação da capacidade energética e térmica existente, reforçando o papel estratégico dos sistemas de refrigeração e climatização na garantia da continuidade operacional e da eficiência energética desses ambientes de missão crítica.

Segundo a ABDC (Associação Brasileira de Data Centers), o Brasil conta hoje com cerca de 370 mil m² de área construída de data centers, com previsão de expansão acelerada da capacidade instalada em MW, o que amplia de forma significativa a demanda por sistemas de refrigeração de missão crítica.

“O Brasil possui atualmente cerca de 700 MW de capacidade instalada em data centers. Além disso, há mais de 1.800 MW de capacidade futura planejada ou em desenvolvimento, o que evidencia uma forte expansão da demanda por refrigeração especializada, reforçando a relevância do setor de HVAC-R. Em média, cada 1 MW destinado à tecnologia da informação (TI) exige entre 0,5 e 1 MW adicional em sistemas de refrigeração, tornando-o um ativo estratégico para a confiabilidade do negócio. Nesse contexto, a climatização não está relacionada ao conforto, mas à sobrevivência da operação. Qualquer falha térmica pode gerar desligamentos automáticos, perda de dados e prejuízos significativos”, informa Alexandre Kotoyanis, Diretor de Educação da ABDC.

Para o técnico de refrigeração e climatização, isso representa uma virada de chave: não se trata mais apenas de instalar e manter equipamentos, mas de garantir desempenho térmico contínuo, previsível e mensurável, 24 horas por dia, 7 dias por semana. A partir dessa perspectiva, o profissional especializado não compete por preço, mas por confiabilidade, precisão e conhecimento aplicado. Data centers exigem técnicos capazes de interpretar dados em tempo real, entender o comportamento térmico dos ambientes e antecipar falhas antes que elas ocorram. A especialização passa a ser um diferencial sustentável no longo prazo.

Marcos Santamaria: “No mercado de missão crítica, o menor preço perde relevância frente ao risco operacional, pois o custo de uma interrupção é muito alto, não somente financeiro, como também para a imagem da empresa”

Essa realidade é reforçada por Marcos Santamaria Alves Corrêa, Engenheiro de Aplicação da Indústrias Tosi. Segundo ele, a operação térmica de um data center é dinâmica e exige acompanhamento constante. “Data centers necessitam de profissionais de ar-condicionado especializados para analisar as condições térmicas dos ambientes em tempo real e fazer os ajustes que se fizerem necessários”.

Ele ressalta que a troca frequente de servidores altera o perfil térmico do ambiente, isso exige um conhecimento profundo de gerenciamento de fluxo de ar nessas instalações. “A criticidade do sistema é direta porque os servidores de TI dissipam muito calor, e dependem da manutenção de sua temperatura para operar. Se a temperatura em um processador ultrapassa seu limite de funcionamento, o respectivo servidor entra em processo de desligamento para sua proteção”.

Santamaria acrescenta ainda que no mercado de missão crítica, o menor preço perde relevância frente ao risco operacional, “porque o custo de uma interrupção no funcionamento de um data center é muito alto, não somente financeiro, como também para a imagem da empresa. Assim, a refrigeração de missão crítica consolida um novo patamar para o HVAC-R, no qual o conhecimento técnico, confiabilidade e responsabilidade operacional são tão importantes quanto os próprios equipamentos”.

Aplicação na prática

Na prática, os conceitos de desempenho térmico, alta disponibilidade e contingência ganham forma nas instalações reais de data centers em operação no país. Hyperscalers (hiperescaladores) globais e empresas nacionais de hospedagem e cloud adotam arquiteturas robustas de refrigeração, com redundâncias, monitoramento contínuo e protocolos rigorosos, que servem como referência técnica para o mercado brasileiro. Esses projetos demonstram como o HVAC-R é tratado como sistema vital, capaz de sustentar níveis de disponibilidade próximos a 99,999%, onde falhas térmicas precisam ser neutralizadas em minutos, ou sequer percebidas pela operação.

A presença de grandes provedores de serviços em nuvem no Brasil elevou significativamente o padrão técnico dos data centers instalados no país. A região da Amazon Web Services (AWS) em São Paulo (SP), por exemplo, é composta por múltiplas availability zones (zonas de disponibilidade), fisicamente separadas e com infraestrutura independente de energia, refrigeração e conectividade, contendo um ou mais data centers, projetados para garantir alta disponibilidade, resiliência e tolerância a falhas, permitindo que aplicações continuem operando mesmo se uma zona for afetada por quedas de energia ou desastres naturais. Esse modelo exige sistemas de HVAC-R com desempenho térmico extremamente estável, operando com redundâncias do tipo N+1 ou 2N, monitoramento contínuo e capacidade de manter condições operacionais mesmo durante manutenções ou falhas pontuais, alinhando-se a objetivos de disponibilidade próximos a 99,999%.

Equipamento desenvolvido para atender a demanda de data centers hyperscale, com fluxo de ar horizontal que permite operar com temperatura de água gelada mais altas nos chillers

Instalações associadas a plataformas globais como Google Cloud e Microsoft Azure, que operam regiões e interconexões no Brasil, seguem princípios semelhantes de projeto, com de alta densidade computacional exigindo controle rigoroso da temperatura do ar de entrada nos servidores, normalmente entre 18°C e 27°C, com baixa tolerância a variações. A homogeneidade térmica é fundamental para evitar pontos quentes (hot spots), preservar a vida útil dos equipamentos e garantir que a carga térmica crescente, impulsionada por aplicações de nuvem e inteligência artificial, não comprometa a continuidade do serviço.

“No que ser refere a data centers como ambientes críticos, se faz necessário o monitoramento da temperatura do ar de entrada de cada servidor, que deve estar entre 18ºC e 27ºC. Em data centers em que existe homogeneidade nesta temperatura de entrada em todos os servidores, pode-se operar nas temperaturas mais altas (24ºC / 25ºC) nos corredores frios, o que permite se operar com temperatura de água gelada mais altas nos chillers e CRAH (Computer Room Air Handlers – expansão indireta) ou temperatura de evaporação mais altas no CRAC (Computer Room Air Conditioners – expansão direta), o que promove uma maior eficiência energética ao sistema de climatização”, informa Santamaria.

Empresas como a Locaweb e o UOL Host operam data centers no país voltados a aplicações corporativas, e-commerce e serviços digitais de alta disponibilidade. Nessas instalações, a climatização é tratada como sistema vital, com redundância de equipamentos, distribuição controlada de ar frio, corredores confinados e integração com sistemas elétricos protegidos por nobreaks e grupos geradores, permitindo manutenção sem interrupção da operação.

Em data centers de maior porte, tanto de hyperscalers quanto de provedores locais, os protocolos de contingência incluem não apenas redundância de equipamentos de refrigeração, mas também estratégias para eventos extremos. Tanques de termoacumulação, redes elétricas duplas, UPS dedicados para bombas e ventiladores, além de monitoramento 24/7 com alarmes em múltiplos níveis, garantem que o sistema de climatização continue operando mesmo durante falhas de energia, respeitando o conceito de alta disponibilidade exigido por ambientes de missão crítica.

O objetivo técnico dessas arquiteturas é atingir níveis de disponibilidade da ordem de 99,999%, nos quais o sistema de climatização pode falhar por no máximo cerca de cinco minutos ao ano. Para o técnico de refrigeração e climatização, isso significa atuar em um ambiente onde precisão, confiabilidade e resposta rápida são mais relevantes do que o custo inicial do sistema. Nesse contexto, a expertise técnica deixa de ser um diferencial e passa a ser um requisito básico para operar em data centers modernos no Brasil.

Essas instalações usam sistemas de HVAC-R redundantes, UPS e protocolos de comutação automática entre zonas, pois cargas de missão crítica (bancos de dados, serviços globais e aplicações empresariais) dependem de infraestrutura que suporte falhas sem interrupção perceptível, requisito típico dos SLAs (contratos de desempenho) com abordagem de 99,99%+ (até ~5 minutos de inatividade por ano) em missão crítica, onde a redundância térmica e elétrica é prática padrão para esses modelos.

A Amazon Web Services é composta por múltiplas zonas de disponibilidade, fisicamente separadas e com infraestrutura independente de energia, refrigeração e conectividade

“Os projetos de data center são feitos sempre considerando equipamentos reservas para cada sistema, de forma a garantir a alta disponibilidade. Além disto, os equipamentos de refrigeração estão ligados a redes elétricas que possuem geradores de backup para a falta de energia elétrica. Em data centers de grande porte, especialmente com alta densidade de carga (W / rack ou W / m² ), costuma-se utilizar sistema de expansão indireta ( água gelada com chillers, bombas e CRAH ), e para garantir o suprimento de água gelada logo após uma queda de energia até que os geradores entrem em funcionamento e os chillers atinjam 100% de capacidade, se utilizam tanque de termoacumulação, e a bombas de água gelada e os ventiladores dos CRAH são atendidos por nobreaks para não haver nenhuma interrupção no fornecimento de energia para estes equipamentos”, explica o engenheiro de aplicação da Tosi.

Ele acrescenta que muitos data centers que atendem empresas brasileiras e globais implementam certificação Tier III ou superior, que exige redundância e manutenção sem desligamento, padrão alinhado com requisitos operacionais de alta disponibilidade e, indiretamente, performance térmica estável.


Resumen (español)

El crecimiento de los centros de datos en Brasil, impulsado por la nube y la inteligencia artificial, transforma la refrigeración en un sistema crítico para la continuidad operativa. Las instalaciones demandan control térmico permanente, redundancia y monitoreo en tiempo real para evitar pérdidas de datos y paradas. La expansión prevista en capacidad energética y térmica aumenta la necesidad de técnicos especializados, capaces de anticipar fallas y operar bajo estándares de alta disponibilidad cercanos al 99,999%. Grandes proveedores globales y operadores locales adoptan arquitecturas con múltiples zonas, respaldo eléctrico y certificaciones Tier, consolidando al HVAC-R como elemento esencial para la confiabilidad digital.

Summary (English)

The expansion of data centers in Brazil, driven by cloud computing and artificial intelligence, has turned cooling into a mission-critical system for operational continuity. Facilities require continuous thermal control, redundancy and real-time monitoring to prevent outages and data loss. Growing installed capacity increases demand for specialized technicians able to predict failures and operate under near-99.999% availability standards. Global hyperscalers and local providers deploy multi-zone architectures, backup power and Tier certifications, establishing HVAC-R as a core component of digital infrastructure reliability.

Klüber amplia projetos de eficiência energética na indústria brasileira

Empresa do Grupo Freudenberg amplia atuação no país com projetos de lubrificação industrial voltados à redução de consumo de energia, emissões e custos operacionais.

A Klüber Lubrication, empresa global de lubrificação industrial do Grupo Freudenberg, intensificou no Brasil projetos de eficiência energética voltados à redução do consumo de energia, aumento da confiabilidade operacional e ganhos de desempenho em processos industriais. As iniciativas estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) e às metas ambientais do grupo, com atuação em cerca de 30 setores.

Segundo a empresa, seus lubrificantes contribuem para a redução de atrito, consumo energético, temperatura e vibração dos equipamentos, além de ampliar a vida útil dos ativos e reduzir o volume de descarte. A Klüber utiliza uma metodologia própria de avaliação de indicadores de sustentabilidade ao longo do ciclo de vida dos produtos, apoiada por um scorecard aplicado ao desenvolvimento e à otimização de processos.

Entre os produtos recentes está o Klübersynth MEG 4-460, destinado a redutores e caixas de engrenagem. Em um projeto realizado no Brasil, o uso do lubrificante resultou em economia estimada de 8.808 kWh por ano, redução de 3,3 toneladas de CO₂, diminuição de 7 °C na temperatura de operação e retorno do investimento em aproximadamente dez meses.

“A sustentabilidade na indústria vai além da economia de energia. Uma lubrificação eficiente reduz temperatura, vibração e desgaste, gerando previsibilidade, aumentando a vida útil dos ativos e diminuindo emissões de forma consistente”, afirma Rodrigo Viana, consultor de Eficiência Energética e Sustentabilidade da Klüber Lubrication Brasil.

Criado em 2012, o departamento de Eficiência Energética da empresa já executou mais de cem projetos no país, com ganhos médios próximos a 5%, seguindo metodologias como IPMVP e DIN ISO 50015. Em uma empresa do setor de alimentos, o uso do Klüber Summit R-200 proporcionou economia de 2,5% de energia, redução de 9 °C na temperatura e queda de 20% na vibração em um compressor de refrigeração. Já o Klübersynth GEM 4-220, aplicado em redutores de misturadores de outra empresa do mesmo setor, gerou eficiência energética de 3,3%, redução de vibração de até 83% e ampliação do intervalo de troca para quatro anos.

No campo da economia circular, a Klüber Lubrication informa cumprir no Brasil a meta legal de recolhimento de 40% do volume de óleo comercializado. Em 2022, 34% dos produtos lançados nos cinco anos anteriores utilizaram óleos básicos reciclados, totalizando cerca de 200 toneladas. A prática, adotada também em mercados como Argentina, Chile e Austrália, resultou em redução de 3% na pegada de carbono. Segundo a empresa, cada litro de lubrificante consumido demandaria entre 33 e 35 litros de petróleo.

Em energia renovável, a Klüber Lubrication Brasil migrou para o mercado livre e passou a consumir eletricidade proveniente de fontes eólica, solar, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas. A medida integra a meta global de uso de 100% de energia verde até 2030. A empresa também avança no processo de certificação internacional I-REC e planeja investimentos futuros em painéis solares próprios.

As ações fazem parte da estratégia global de sustentabilidade da Klüber Lubrication, que recebeu pela terceira vez, em 2024, a medalha de ouro da EcoVadis, ficando entre os 5% mais bem avaliados em um universo de mais de 130 mil empresas. Entre os compromissos globais divulgados estão a redução de 75% das emissões equivalentes de CO₂ até 2025, a neutralidade climática no Escopo 3 até 2045, a contribuição para que clientes economizem 800 GWh de energia até 2025 e a redução do consumo energético por tonelada de produto de 652 kWh para 575 kWh.


Resumen (Español)
La Klüber Lubrication, empresa del Grupo Freudenberg, amplió en Brasil sus proyectos de eficiencia energética basados en soluciones de lubricación industrial. La compañía informa reducciones en consumo de energía, temperatura, vibración y emisiones de CO₂, además de iniciativas en economía circular y uso de energía renovable, alineadas a los Objetivos de Desarrollo Sostenible de la ONU y a sus metas globales de sostenibilidad.

Summary (English)
Klüber Lubrication, part of the Freudenberg Group, has expanded its energy efficiency projects in Brazil through industrial lubrication solutions. According to the company, the initiatives deliver reductions in energy consumption, temperature, vibration and CO₂ emissions, while also advancing circular economy practices and the use of renewable energy in line with UN Sustainable Development Goals and global sustainability targets.

Compressor, o coração que define a eficiência do sistema

Entre compressores originais, remanufaturados e reconstruídos, a decisão vai muito além do preço. Compatibilidade técnica, histórico de falhas, tecnologias embarcadas e condições de garantia influenciam diretamente o desempenho, a eficiência energética e a vida útil de todo o sistema de refrigeração ou climatização

 No universo da refrigeração e climatização, o compressor é unanimemente reconhecido como o coração do sistema. É ele quem garante a circulação do fluido refrigerante, viabilizando a troca de calor, promovendo o funcionamento adequado do equipamento. Por isso, a escolha entre um compressor original, remanufaturado ou reconstruído não pode ser tratada como uma decisão meramente financeira. Trata-se de uma escolha estratégica, que impacta diretamente a confiabilidade operacional, o consumo de energia, os custos de manutenção e até a imagem do profissional responsável pela instalação ou reparo.

Os compressores originais, fornecidos pelos fabricantes, oferecem como principais diferenciais a confiabilidade, a padronização de processos e a garantia plena. Produzidos com componentes novos e submetidos a rigorosos testes de desempenho, eles asseguram compatibilidade total com o projeto do sistema e com as tecnologias mais recentes, como motores de alta eficiência, controle eletrônico e adequação a refrigerantes de baixo GWP. Fabricantes globais como Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh e Danfoss investem continuamente em inovação para atender às demandas por eficiência energética, confiabilidade e sustentabilidade. O custo inicial mais elevado costuma ser compensado por maior vida útil, menor risco de falhas e respaldo técnico do fabricante.

Já os compressores remanufaturados surgem como uma alternativa intermediária. Nesse caso, o equipamento retorna à linha de produção ou a centros certificados, onde passa por desmontagem completa, substituição de componentes críticos, atualização de peças e testes similares aos de um compressor novo. Quando o processo é realizado por empresas qualificadas e com rastreabilidade, o remanufaturado pode apresentar desempenho muito próximo ao original, com custo reduzido. No entanto, o técnico deve estar atento à procedência, às especificações técnicas e às condições de garantia, que normalmente são mais limitadas.

André Lago, Professor e Diretor da Divisão Refrigeração da Ar da Terra

“Levando em consideração os diferentes tipos, tamanho e capacidade frigorífica, o compressor desempenha o trabalho de comprimir vapor em um ciclo de refrigeração e tem um papel fundamental no processo. O trabalho realizado deve ser maior que o consumo de energia nele aplicado, sendo assim, um compressor original de fábrica leva uma engenharia embarcada, desempenhando uma excelente eficiência”, explica o Professor André Lago, diretor da Divisão Refrigeração da Ar da Terra.

Ele acrescenta que, tratando de compressor remanufaturado, o principal cuidado em repará-lo é garantir que os valores de dimensionamento, performance e desempenho sejam iguais ou o mais próximo possível do projeto original, mantendo assim uma eficiência satisfatória e uma vida útil durável. “Tal prática de remanufatura, deve-se levar em conta peças com as características e dimensional conforme os originais de fábrica”, acrescenta.

Ele cita como exemplo os compressores semi-herméticos, levando em consideração mecanismo de compressão a pistão, parafusos, centrífugos, que são passiveis à prática de remanufatura e reconstrução das partes mecânicas e elétricas. Porém os herméticos, deve-se avaliar a potência e capacidade frigorífica e se compensa a remanufatura.

“Sendo assim os semi-herméticos são mais aceitos para a remanufatura, entregando um resultado bem próximo do original de fábrica, desde que seja realizado um balanceamento adequado ao sistema que se está instalado”, diz Lago.

A Engenheira de Qualidade da Embraco, Helena Pacheco Ferreira Kretzer, enfatiza que os compressores originais apresentam desempenho superior porque são produzidos dentro de um processo industrial totalmente controlado, com rastreabilidade completa de materiais, usinagem, soldagem, estatores, montagem e demais testes para aprovação do produto.

Helena Pacheco Ferreira Kretzer, Engenheira de Qualidade da Embraco

“Cada compressor é submetido a testes padronizados de estanqueidade, vibração, rendimento, performance e eficiência, seguindo normas internacionais e requisitos de certificações que garantem repetibilidade e tolerâncias muito estreitas. Esse nível de controle assegura curvas de desempenho, maior estabilidade operacional, menor variação entre compressores e uma confiabilidade comprovada em campo há mais de 50 anos”, informa Helena.

Para ela, os compressores remanufaturados, embora possam funcionar, dependendo do local e da estrutura de onde foram remanufaturados, não seguem os mesmos procedimentos e nem dispõem da mesma infraestrutura de engenharia, metrologia e controle de qualidade. “Não há garantia de que os componentes internos como válvulas, folgas radiais e axiais, componentes mecânicos e motor elétrico retornem às especificações originais de fábrica. O desempenho tende a variar entre os compressores, e a eficiência pode ser afetada por desgaste prévio, contaminação interna ou diferenças de materiais utilizados. Por isso, mesmo podendo atender temporariamente à aplicação, um compressor remanufaturado não alcança o mesmo nível de eficiência, consistência e confiabilidade de um compressor original. Além disso, a segurança do usuário final fica comprometida”.

Por sua vez, os compressores reconstruídos exigem ainda mais cautela. Geralmente recondicionados em oficinas independentes, eles podem ter apenas parte dos componentes substituídos, sem seguir padrões industriais ou protocolos rigorosos de teste. Embora o preço seja atrativo, os riscos são consideráveis como incompatibilidade com o sistema, falhas prematuras, aumento do consumo de energia e ausência de garantia efetiva. Para aplicações críticas, essa escolha pode resultar em paradas inesperadas e prejuízos significativos.

Custo-benefício

Do ponto de vista do custo-benefício, os compressores remanufaturados podem oferecer uma redução relevante no investimento inicial em relação aos originais, mantendo desempenho e confiabilidade próximos quando provenientes de processos certificados e com garantia. Já os compressores reconstruídos apresentam riscos maiores, como vida útil reduzida, falhas recorrentes e ausência de padronização técnica, fatores que o técnico deve avaliar com cautela antes da escolha.

Em termos de custo-benefício, compressores remanufaturados costumam apresentar um preço inicial mais baixo, o que pode ser atrativo em situações de orçamento restrito. No entanto, essa economia limita-se ao momento da compra, já que o remanufaturado não garante que todos os componentes críticos retornem às especificações originais, nem oferece o mesmo nível de testes, eficiência e previsibilidade de vida útil. Somado a isso, o compressor remanufaturado não garante o mesmo tempo de vida quando comparado ao original. Em um primeiro momento pode ocorrer a troca com custo baixo, porém, o compressor normalmente vai precisar de uma intervenção do técnico novamente em um tempo menor. Por isso, o custo total pode acabar sendo maior caso ocorram falhas, retrabalhos ou substituições antecipadas. Como normalmente são reparados apenas de forma pontual e sem controle dimensional ou elétrico adequado, os remanufaturados apresentam maior probabilidade de falhas precoces, incompatibilidades e riscos elétricos, incluindo sobreaquecimento e possibilidade de incidentes. Por isso, exigem atenção redobrada dos técnicos no campo”, informa Helena.

Para o Professor Lago, esse tema é muito polêmico, devido ao envolvimento de operações financeiras e econômicas: “O técnico está suportado pelo fabricante uma vez que o compressor original é fabricado através dos padrões pré-estabelecidos e submetido a controle de qualidade e uma garantia de fabricação aplicada. Já o compressor remanufaturado tem um valor em média de 60% menor que o original (os valores variam por modelo e fabricante), para isso, o trabalho de remanufatura deve ser feito por profissional experiente, caso isso não ocorra, podemos considerar os riscos de um mal desempenho, quebra mecânica ou queima elétrica devido fadigas prematuras, considerando também o despreparo do técnico no momento da montagem e teste de desempenho”.

Controle de qualidade

Os procedimentos de fabricação, inspeção e controle de qualidade entre um compressor original, um remanufaturado e um reconstruído passam por etapas que impactam a expectativa de vida útil e a taxa de falhas.

Para Helena, os compressores originais passam por processos de fabricação controlados, usinagem precisa com parâmetros em micrômetros, controle de alta tecnologia, como máquinas de medição por coordenadas, erros de forma, máquinas óticas, rastreabilidade com padrões internacionais de medição e procedimentos de medição para cada componente interno do compressor e elevada precisão dimensional. “No processo de produção, cada compressor passa por inúmeros filtros de linha, que garantem no detalhe a padronização. Esse nível de controle garante a vida útil do compressor de forma previsível, baixa variabilidade entre os compressores e uma taxa de falha reduzida e controlada em campo. Já no caso dos remanufaturados, o procedimento de remanufatura vai depender de fornecedor a fornecedor. Embora esses fornecedores possam substituir partes internas e realizar testes mais básicos, não possuem a mesma infraestrutura de engenharia e processo do fabricante. Como resultado, há maior incerteza quanto às folgas, performance, limpeza interna e durabilidade do compressor”.

“Considerando um compressor original fabricado através de projeto de engenharia, montagem, teste de desempenho e performance que garante sua eficiência e durabilidade, o compressor remanufaturado deve ser aplicado os mesmos métodos para garantir sua performance e eficiência. Na falta desse procedimento, encontramos diversos problemas como a falta de compressão, o aumento de consumo energético, aquecimento do estator, altas taxas de falha mecânica e elétrica reduzindo a vida útil desonerando o investimento aplicado”, acrescenta Lago.

A escolha do compressor também impacta diretamente as condições de garantia do sistema como um todo. Instalações fora das especificações, uso de componentes incompatíveis ou de procedência duvidosa podem invalidar garantias e transferir toda a responsabilidade para o técnico ou a empresa de manutenção.

Responsabilidade técnica

Independentemente da opção, o papel do técnico é decisivo. Um diagnóstico preciso da falha original é fundamental para evitar a repetição do problema. Contaminação por umidade, retorno de líquido, falhas elétricas ou dimensionamento incorreto do sistema são causas recorrentes que, se não tratadas, comprometem qualquer compressor, seja ele novo ou recondicionado. Além disso, a atenção à compatibilidade com o fluido refrigerante, ao tipo de óleo e às condições de operação é indispensável para garantir desempenho e durabilidade.

“Para termos o resultado atual de baixas falhas em campo, os compressores originais foram projetados e testados exatamente para trabalhar com o tipo de óleo, fluido refrigerante, faixa de trabalho, componentes elétricos e kit mecânico. Absolutamente todos os componentes utilizados no compressor passaram por anos de estudo. Existe muita engenharia envolvida. Nos remanufaturados, os maiores riscos de incompatibilidade estão relacionados à contaminação interna do compressor. Isso ocorre devido à mistura inadequada de óleos, refrigerantes divergentes no sistema e substituição de componentes em desacordo com o original. E o risco aumenta significativamente quando ocorre a substituição de componentes elétricos por outros que não condizem com a especificação original. Isso ocorre porque ao fazer a troca, utilizam elétricos similares ou equivalentes. Aproveito a oportunidade para frisar que não existem elétricos genéricos ou universais. Cada compressor foi testado e validado com o relé, protetor térmico, capacitor ou no caso de compressores inverter (velocidade variável), com o inversor adequado para cada uso. Temos registros de casos de fogo por uso incorreto dos elétricos em que foi trocado por modelos similares e gerou a sobrecarga no motor. Também já tivemos acesso a informações de que empresas que remanufaturam compressores estão remanufaturando os elétricos também, o que gera ainda mais possibilidade de problemas em campo”, adverte Helena.

Para Lago, em um cenário de margens cada vez mais apertadas e clientes mais exigentes, a escolha correta do “coração” do sistema deixa de ser apenas uma decisão técnica e passa a ser um diferencial competitivo.

“Um compressor original é fabricado a partir de um projeto de engenharia completo, passando por etapas rigorosas de montagem e testes de desempenho e performance, que garantem sua eficiência e durabilidade ao longo da vida útil. No caso do compressor remanufaturado, é fundamental que sejam aplicados os mesmos métodos de fabricação, inspeção e controle de qualidade para assegurar níveis equivalentes de performance e eficiência; na ausência desses procedimentos, surgem problemas recorrentes como falta de compressão, aumento do consumo energético, aquecimento do estator e elevadas taxas de falhas mecânicas e elétricas, comprometendo a vida útil do equipamento e onerando o investimento realizado”, conclui.

 


Resumen (Español)
El compresor es el componente central de los sistemas de refrigeración y climatización, y su elección influye directamente en la eficiencia energética, la confiabilidad y la vida útil del equipo. Más allá del precio, factores como compatibilidad técnica, ingeniería embarcada, historial de fallas y condiciones de garantía determinan el desempeño del sistema. Fabricantes como Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh y Danfoss destacan por procesos industriales controlados, pruebas rigurosas y cumplimiento de normas internacionales.

Los compresores remanufacturados pueden representar una alternativa intermedia cuando provienen de procesos certificados, aunque presentan mayor variabilidad y garantías limitadas. Los reconstruidos, generalmente reacondicionados sin control industrial estricto, implican riesgos elevados de fallas prematuras y mayor consumo energético. Especialistas como André Lago y Helena Pacheco Ferreira Kretzer coinciden en que la responsabilidad técnica y el diagnóstico correcto son decisivos para asegurar la confiabilidad y el desempeño del sistema a largo plazo.


Summary (English)
The compressor is the core component of refrigeration and air conditioning systems, and its selection has a direct impact on energy efficiency, reliability, and equipment lifespan. Beyond cost, technical compatibility, embedded engineering, failure history, and warranty conditions play a decisive role in system performance. Manufacturers such as Embraco, Copeland, Bitzer, Tecumseh, and Danfoss stand out for controlled industrial processes, rigorous testing, and compliance with international standards.

Remanufactured compressors may offer a lower initial investment when sourced from certified processes, but they involve greater variability and limited guarantees. Rebuilt compressors, often refurbished without strict industrial controls, carry higher risks of premature failure and increased energy consumption. Experts André Lago and Helena Pacheco Ferreira Kretzer emphasize that technical responsibility and accurate fault diagnosis are essential to ensure long-term reliability and operational efficiency.

Refrigeração Tipi lança cortinas de ar Friven

Linha amplia portfólio da empresa, que integra o grupo Soprano, com modelos voltados ao controle térmico de diferentes ambientes.

A Refrigeração Tipi, empresa que integra o grupo Soprano, lançou a linha de cortinas de ar Friven, marca própria, ampliando sua atuação nos segmentos de refrigeração e climatização. Os equipamentos estão disponíveis nas dimensões de 900 mm, 1.200 mm e 1.500 mm.

Segundo a empresa, as cortinas de ar Friven foram desenvolvidas para separar ambientes internos e externos por meio de uma barreira de ar, com aplicação em espaços comerciais, industriais e residenciais. A proposta inclui a melhoria do conforto térmico e a redução de custos de climatização.

Os modelos utilizam tecnologia cross-flow associada ao sistema full-air, que intensifica o fluxo contínuo de ar, além de motor silencioso, indicado para locais com grande circulação de pessoas. As cortinas também contribuem para reduzir a troca térmica com o ambiente externo, favorecendo a economia de energia e o desempenho de sistemas de refrigeração e aquecimento.

De acordo com a Tipi, os equipamentos auxiliam ainda na diminuição da entrada de poeira, odores, poluição e insetos. A instalação é descrita como simplificada, o que permite aplicação por integradores e administradores prediais em diferentes perfis de uso, como comércios, restaurantes, indústrias, armazéns, condomínios e residências.

As cortinas de ar Friven estão disponíveis em revendas e lojas especializadas do setor, reforçando a presença da Refrigeração Tipi no mercado de soluções para controle climático.


Resumen (Español)

La empresa Refrigeração Tipi, que forma parte del grupo Soprano, lanzó la línea de cortinas de aire Friven, ampliando su portafolio de soluciones en refrigeración y climatización. Los equipos están disponibles en tamaños de 900 mm, 1.200 mm y 1.500 mm.

Según la compañía, los productos están destinados a separar ambientes internos y externos mediante una barrera de aire, contribuyendo al control térmico, a la eficiencia energética y al desempeño de sistemas de refrigeración y calefacción en diferentes tipos de espacios.


Summary (English)

Refrigeração Tipi, part of the Soprano group, has launched the Friven air curtain line, expanding its refrigeration and air conditioning portfolio. The products are available in 900 mm, 1,200 mm and 1,500 mm versions.

According to the company, the air curtains are designed to separate indoor and outdoor environments through an air barrier, supporting thermal control, energy efficiency and the performance of cooling and heating systems across a range of applications.

Fabricantes combinam produção local e importados para garantir competitividade

Com fábricas instaladas no país, o setor avalia o equilíbrio entre produzir localmente e importar componentes para garantir competitividade no abastecimento.

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A cadeia de fornecimento local tem ganhado importância estratégica para a indústria de HVAC-R no Brasil, especialmente em um cenário de demanda crescente por climatização, pressões por eficiência energética e necessidade de reduzir vulnerabilidades logísticas globais. Empresas que atuam no país avaliam constantemente se devem produzir localmente ou importar equipamentos, peças e partes.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou um parque industrial relevante na área de climatização e refrigeração. A proximidade com o cliente também favoreceu a customização, atendimento mais ágil e controle de qualidade. Além disso, permite maior agilidade na reposição de peças e serviços, o que se traduz em confiabilidade e menor tempo de resposta nas manutenções. Grandes grupos globais já apostam nessa estratégia: por exemplo, o Midea inaugurou em 2023 uma fábrica de 73 mil metros quadrados em Pouso Alegre (MG), que produz cerca de 1,3 milhão de unidades por ano. Já a Gree do Brasil mantém uma planta em Manaus (AM) com capacidade de mais de 1,5 milhão de aparelhos/ano, confirmando a força da produção local no segmento. Além dessas, empresas como Electrolux, LG, Samsung e Whirlpool também operam montagens no Brasil, beneficiando-se dos incentivos fiscais locais.

No entanto, produzir no Brasil não é isento de desafios. Custos industriais elevados, escala ainda limitada em algumas linhas e a dificuldade em acessar tecnologia de ponta ou componentes específicos podem reduzir a competitividade frente a peças importadas são alguns dos pontos a serem avaliados. Além disso, há escassez de mão de obra especializada em determinados processos, o que muitas vezes exige treinamento ou terceirizações e encarece o produto final.

Essa presença diversificada permite que parte relevante dos equipamentos comercializados no país seja fabricada ou montada localmente, reduzindo o tempo de entrega, facilitando o atendimento técnico e permitindo customizações de acordo com normas brasileiras, como os requisitos de etiquetagem energética e padrões elétricos específicos.

Apesar desses avanços, a cadeia local ainda depende fortemente de componentes importados. A fabricação de placas eletrônicas, sensores, módulos de controle, ventiladores específicos, trocadores de calor de alta densidade e certos modelos de compressores permanece concentrada na Ásia, sobretudo na China.

“Muitos splits montados no Brasil utilizam kits eletrônicos, motores e serpentinas produzidos no exterior, que chegam ao país por meio de distribuidores ou diretamente para as linhas de produção. Isso cria uma produção híbrida, em que o produto final é nacional, mas boa parte dos seus insumos depende de fornecedores internacionais”, informa Leonardo Araujo, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Midea.

Do ponto de vista econômico, produzir localmente traz benefícios claros: reduz a exposição cambial, encurta o lead time, aumenta a previsibilidade de abastecimento e fortalece fornecedores nacionais, que passam a investir em tecnologia e mão de obra qualificada. Além disso, a proximidade entre fábrica e mercado permite ajustes rápidos de portfólio, adequação a legislações e adaptações a padrões climáticos regionais. A geração de empregos diretos e indiretos reforça o impacto positivo da industrialização no país, ampliando a competitividade do setor.

No entanto, a produção local exige investimentos necessários para instalação de fábricas, aquisição de maquinário, automação e certificações são elevados e exigem escala para que a operação se torne economicamente sustentável. Em mercados altamente competitivos, como o de splits residenciais, a pressão por preços baixos faz com que empresas avaliem com cuidado se vale mais montar localmente ou importar o produto acabado. Questões logísticas internas, como o transporte em longas distâncias dentro do território brasileiro, também afetam a equação de custos, além da complexidade tributária nacional, que pode reduzir margens se não houver incentivos adequados.

Programas de conteúdo local, acordos de desenvolvimento com fornecedores brasileiros, investimentos em pesquisa e inovação e a expansão de polos industriais fortalecem a independência tecnológica da indústria nacional.

“Entre os incentivos fiscais aplicáveis à comercialização da produção para fora da área da Zona Franca de Manaus estão a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), as reduções específicas do imposto de importação, isenção do PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas da Zona Franca de Manaus, além de outros incentivos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e crédito estímulo de ICMS. Do ponto de vista logístico, no entanto, existe um desafio a ser superado. Se, por um lado, a sua localização é a mais próxima de grandes mercados externos como a América Central e do Norte, por outro ela está distante de alguns dos principais mercados consumidores do Brasil. Sabe-se que alguns produtos, como o ar condicionado, dependem de modais específicos para manter a sua competitividade, por isso, manter investimentos e discutir alternativas é urgente para que as empresas possam superar adversidades”, comenta Araujo.

Sistema híbrido

Por sua vez, depender exclusivamente de importações traz problemas operacionais: a volatilidade cambial, o aumento de fretes, os prazos imprevisíveis e os gargalos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda ou crise internacional, que podem comprometer cronogramas e inflar preços. Para mitigar esses riscos, muitas empresas participam do Programa Abrava Exporta, uma parceria com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização da indústria HVAC-R nacional. Por meio do programa, as empresas recebem apoio técnico, inteligência de mercado e acesso a feiras.

“Esse esforço de internacionalização reforça a competitividade global da indústria nacional, promovendo a combinação entre produção local e importação, não apenas para atender à demanda doméstica, mas também torna o Brasil um exportador relevante no setor HVAC-R. O modelo híbrido permite aproveitar o melhor dos dois mundos: manutenção da cadeia produtiva local, com empregos, customização e agilidade; e acesso a tecnologias e componentes importados quando necessário, garantindo inovação e eficiência”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Silva acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). “A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela.

“Em última análise, o equilíbrio entre produção nacional e importação tem se mostrado a estratégia mais eficiente para atender à crescente demanda no Brasil, preservando competitividade, assegurando sustentabilidade da cadeia e aumentando a previsibilidade no abastecimento. No ambiente atual, marcado por incertezas cambiais, variabilidade logística e exigências regulatórias, essa flexibilidade estratégica se traduz em resiliência e capacidade de resposta para o futuro do setor HVAC-R no país”, conclui.


Resumen (Español)
La industria de HVAC-R en Brasil adopta un modelo híbrido que combina producción local e importación de componentes para mantener la competitividad frente a una demanda creciente por climatización y mayores exigencias de eficiencia energética. Con plantas industriales instaladas en el país, las empresas logran reducir plazos de entrega, adaptar productos a normas locales y fortalecer la cadena de suministro nacional, aunque siguen dependiendo de insumos estratégicos provenientes principalmente de Asia.

El equilibrio entre fabricar localmente e importar permite mitigar riesgos asociados a la volatilidad cambiaria, costos logísticos y limitaciones tecnológicas. Iniciativas de apoyo a la internacionalización y acuerdos con proveedores refuerzan la capacidad del sector para atender tanto al mercado interno como a las exportaciones, consolidando a Brasil como un actor relevante en la industria HVAC-R.


Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is increasingly adopting a hybrid model that combines local manufacturing with imported components to remain competitive amid rising demand for air conditioning and stricter energy-efficiency requirements. Domestic production helps shorten delivery times, enable customization to local standards and strengthen supply chains, while key components continue to be sourced mainly from Asia.

Balancing local production and imports reduces exposure to currency volatility, logistics disruptions and technological constraints. Support programs for internationalization and partnerships with local suppliers enhance the sector’s ability to serve both domestic and export markets, positioning Brazil as a relevant player in the global HVAC-R industry.

Psicrometria garante precisão no tratamento e condicionamento do ar

A psicrometria é a base para entender como temperatura e umidade influenciam o conforto térmico e a eficiência dos sistemas. Dominar seus princípios permite diagnósticos mais precisos e projetos confiáveis

 A psicrometria é um dos pilares da climatização e da ventilação, mas ainda é um tema que muitos técnicos conhecem apenas pela superfície. No entanto, compreender de verdade o comportamento do ar, suas propriedades, limites e interações, é o que separa o trabalho básico de um profissional capaz de diagnosticar sistemas com precisão e tomar decisões fundamentadas.

Para aprofundar o tema, conversamos com o Prof. Dr. Alexandre Fernandes Santos, doutor em Engenharia Mecânica e Diretor da FAPRO – Faculdade Profissional, que trouxe um novo olhar sobre a importância da psicrometria em campo.

Alexandre lembra que psicrometria não é apenas teoria: ela dialoga com questões vitais, inclusive de saúde pública: “Segundo Bill Gates, 500 mil pessoas no planeta morrem de calor. Esse calor é sentido pela temperatura e pela umidade relativa do ar que respiramos. O ar com umidade é a matéria-prima do pulmão, e as características físicas do ar como temperatura, umidade relativa, massa específica e entalpia, que são expressas em um ábaco que chamamos de diagrama psicrométrico. É esse diagrama que orienta desde o conforto térmico até processos industriais sensíveis, passando pelo desempenho energético dos sistemas HVAC”.

Mas se a psicrometria está no centro da climatização, por que tantos profissionais têm dificuldade de aplicá-la? Para o professor, a resposta é simples: falta vínculo entre o conceito e o objetivo.

“A palavra ‘ar condicionado’ é intrinsecamente conectada com psicrometria. Como dizia o Gato Cheshire à Alice, em Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll: ‘se você não sabe para onde ir, qualquer lugar serve’. A psicrometria indica todos os lugares que devemos ir para controlar as propriedades físicas essenciais do ar. Em outras palavras, é ela que mostra o caminho certo, seja para refrigerar, desumidificar, aquecer ou ventilar”, destaca Alexandre.

Um dos pontos de maior impacto prático é entender como os parâmetros psicrométricos como Temperatura de Bulbo Seco (TBS), Umidade Relativa (UR), ponto de orvalho e entalpia influenciam o conforto e a operação dos sistemas. Embora a temperatura de bulbo seco seja a mais conhecida, é a umidade relativa que domina boa parte das decisões. Todos os processos industriais envolvem a umidade relativa, entalpia e ponto de orvalho. Ou seja, não se limita à qualidade do ar. Assim como na indústria, ambientes climatizados dependem de equilíbrio psicrométrico para evitar mofo, condensação, desconforto e sobrecarga energética.

Pequenas variações podem comprometer tanto o desempenho quanto o consumo. Alexandre dá um exemplo que muitos não associam à climatização: o concreto. “A temperatura para testes e cura de amostras é rigorosamente controlada para garantir resultados confiáveis, sendo regida por normas como a ABNT NBR 5738. A variação da temperatura afeta diretamente o processo de hidratação do cimento e, consequentemente, a resistência final do concreto. Os corpos de prova devem ser armazenados em uma câmara úmida a (23+/-2ºC) e UR acima de 95%. Já pensou? Até a parede de concreto em que você pode estar encostado agora depende de uma verificação psicrométrica. Esse exemplo reforça como a psicrometria é transversal e como sistemas críticos dependem dela para evitar falhas estruturais, contaminações e perdas”.

 Quando os fundamentos não são considerados

Quando princípios psicrométricos são ignorados, os problemas surgem rápido. O professor cita que, muitas vezes, o erro começa antes mesmo da instalação.

“Os erros em processos psicrométricos vêm muito do amadorismo, onde alguém não qualificado promete algo ao cliente por ser mais barato e acaba não atendendo a um nível de umidade relativa. O cliente não sabe o que quer e envia dados errados ao projetista. Quando se trata de valores, minha dica é: se envolve um controle rígido psicrométrico, faça atas, guarde documentos. A experiência vem do acerto, mas também do erro. Eu tive a oportunidade de errar muito jovem, e esses erros me deram mais sensibilidade. Mas quando se trata de psicrometria, é necessário entrada de dados, processamento de dados e saída de dados de qualidade”, enfatiza Alexandre.

Existem aplicações em que esse domínio não é opcional, e sim determinante, como em salas limpas, data centers e processos industriais alimentares. Ele cita o exemplo da gelatina: é um processo absolutamente psicrométrico. Um erro de umidade perde-se o produto. Isso vale para remédios. Nesses ambientes, operar fora da faixa psicrométrica pode interromper linhas de produção inteiras, gerar perdas milionárias ou comprometer requisitos sanitários.

Em um mundo em que apps e softwares fazem cálculos instantaneamente, o professor vê a tecnologia como aliada, mas com uma condição: o profissional precisa saber interpretar.

“Os softwares só ajudam, pois o profissional ganha tempo ao trabalhar com eles e pode usar esse tempo para focar nos princípios psicrométricos. Ou seja, dominar o conceito evita que o técnico aceite resultados incoerentes ou tome decisões erradas confiando apenas no computador”, revela o professor.

Do ponto de vista educacional, Alexandre aponta uma lacuna importante: “O assunto na academia brasileira é muito mal ensinado. Quando se ensina, só se foca nos elementos básicos, mas especificamente as pós-graduações trazem qualidade ao aluno nesse quesito. Para técnicos e engenheiros, isso significa que a especialização e o estudo contínuo são diferenciais reais na carreira. Certa vez perguntaram ao idealizador da cidade de Nauvoo, em Illinois (EUA), ‘como esse povo é tão educado?’ E Joseph Smith disse: ‘eu simplesmente ensino princípios verdadeiros e deixo que eles se governem’. Na psicrometria é igual: aprenda os princípios e eles te guiarão. Compreender e aplicar a psicrometria é, portanto, mais do que saber usar uma carta ou um software: é entender o ar como matéria-prima e enxergar o sistema de climatização como um processo físico completo. Para o técnico que domina esse conhecimento, o diagnóstico fica mais preciso, o trabalho ganha autoridade e a tomada de decisão passa a ser baseada em ciência e não em palpites”.


Resumen (Español)

La psicrometría es presentada como un fundamento técnico indispensable para el diseño, la operación y el diagnóstico preciso de sistemas de climatización y ventilación. Más allá de la temperatura, variables como la humedad relativa, la entalpía y el punto de rocío determinan el confort térmico, la eficiencia energética y la seguridad de procesos industriales sensibles.

Según el profesor Alexandre Fernandes Santos, director de la FAPRO – Faculdade Profissional, la falta de dominio de estos principios genera errores de proyecto, pérdidas productivas y riesgos sanitarios. El uso de software es un apoyo, pero no sustituye la comprensión física del aire, que sigue siendo la base de decisiones técnicas confiables en HVAC-R.


Summary (English)

Psychrometrics is described as a core technical discipline for air conditioning and ventilation, directly influencing thermal comfort, energy efficiency, and system reliability. Understanding air properties—such as relative humidity, enthalpy, and dew point—is essential for accurate diagnostics and for avoiding failures in industrial, commercial, and critical environments.

According to Professor Alexandre Fernandes Santos, from FAPRO – Faculdade Profissional, neglecting psychrometric principles often leads to design errors and operational inefficiencies. While digital tools speed up calculations, only solid theoretical knowledge enables professionals to interpret results correctly and base decisions on physics rather than assumptions.

AirCon 2026 amplia integração do HVAC-R ao ecossistema de negócios da Eletrolar Show

Evento será realizado de 22 a 25 de junho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, com foco em decisões de compra, aplicações técnicas e geração de negócios no setor de climatização e refrigeração.

A AirCon 2026 será realizada entre 22 e 25 de junho de 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo, integrada à Eletrolar Show All Connected. O evento surge em um contexto de transformação do setor de HVAC-R, marcado pela busca por eficiência energética, redução de custos operacionais e adequação a normas ambientais mais rigorosas.

A integração à Eletrolar Show insere o HVAC-R em um ambiente já consolidado de negócios B2B, que reúne indústria, varejo, distribuidores e compradores profissionais. Na edição mais recente, o ecossistema registrou mais de 1.500 expositores, 5.000 marcas, cerca de 15 mil produtos e mais de 40 mil visitantes, com presença de profissionais de mais de 30 países.

O setor de climatização movimenta cerca de R$ 54 bilhões no Brasil, segundo dados de mercado, e passa por rápida incorporação de tecnologias como sistemas inverter, automação predial (BMS), sensores inteligentes, Internet das Coisas (IoT) e soluções voltadas à qualidade do ar. Paralelamente, a escassez de mão de obra técnica qualificada aumenta a demanda por ambientes que ofereçam demonstrações práticas, treinamentos e comparações entre soluções.

A proposta da AirCon é funcionar como uma feira orientada a negócios e aplicação prática. A programação inclui áreas para demonstrações técnicas e conteúdos voltados a temas como instalação, automação, uso de gases de baixo GWP, eficiência energética e qualidade do ar interior. O desenho do evento busca conectar fabricantes, distribuidores, integradores, instaladores, projetistas e compradores estratégicos, com foco em acelerar decisões de compra em um setor de alta complexidade técnica.

Entre os perfis esperados estão instaladores e técnicos HVAC-R, engenheiros mecânicos, projetistas, consultores, distribuidores, varejistas especializados, construtoras, incorporadoras, gestores de facilities, empresas de retrofit, eficiência energética e oficinas do segmento automotivo. A concentração desse público em um único espaço é apresentada pelos organizadores como um fator para aumentar a densidade técnica e a efetivação de negócios.

Desde sua concepção, a AirCon se posiciona como um evento voltado a empresas e profissionais que acompanham a evolução tecnológica do setor e precisam tomar decisões com base em comparação direta de soluções. Ao integrar o HVAC-R a um ecossistema já estabelecido, a feira passa a ocupar um espaço específico dentro do calendário de eventos do setor na América Latina.

Quer saber mais? Acesse o site: https://airconfair.com.br/


Resumen (Español)

La AirCon 2026 se realizará del 22 al 25 de junio de 2026 en el Distrito Anhembi, en São Paulo, integrada a la Eletrolar Show All Connected. El evento está orientado al sector HVAC-R y se inserta en un ecosistema B2B que reúne industria, distribuidores y compradores profesionales de distintos países.

La feria tendrá foco en aplicaciones prácticas, demostraciones técnicas y contenidos relacionados con eficiencia energética, automatización, gases de bajo GWP y calidad del aire interior, con el objetivo de apoyar la toma de decisiones y la generación de negocios en un mercado en transformación.


Summary (English)

AirCon 2026 will take place from June 22 to 25, 2026, at Distrito Anhembi in São Paulo, as part of the Eletrolar Show All Connected. The event is dedicated to the HVAC-R sector and is positioned within a consolidated B2B ecosystem that connects industry players and professional buyers.

The fair will focus on practical applications, technical demonstrations, and topics such as energy efficiency, automation, low-GWP refrigerants, and indoor air quality, aiming to support decision-making and business development in a rapidly evolving market.

O avanço dos refrigerantes ilegais e seus impactos no HVAC-R brasileiro

O mercado paralelo de fluidos refrigerantes ameaça a segurança, compromete a eficiência dos sistemas e cria uma concorrência desleal que exige ação conjunta de toda a cadeia do setor

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O mercado brasileiro de refrigeração e ar-condicionado convive há anos com a presença de refrigerantes vendidos de forma irregular, desde lotes contrabandeados até cilindros falsificados, blends não identificados e recargas clandestinas. Além do evidente risco ambiental e à segurança, a prática prospera porque, em muitos casos, o refrigerante ilegal custa muito menos do que o produto legal, criando um incentivo econômico imediato para instaladores, lojistas e usuários finais. Mas por que a diferença de preço é tão grande e quais fatores mantêm o circuito ilegal ativo? A elevação dos preços dos refrigerantes regulamentados tem várias origens: políticas de redução de oferta, custos de conformidade (licenças, certificações e rotulagem), tributos e taxas de importação, além do custo logístico de fornecedores homologados. Quando políticas de restrição de oferta (como as metas do Protocolo de Kigali para redução de HFCs) entram em vigor, o volume legal disponível cai e o preço sobe, e isso abre espaço para que fornecedores ilícitos ofereçam produto por valores muito abaixo do mercado regulado. Investigações internacionais mostram que, onde houve redução de quotas, o mercado ilegal cresceu porque compradores buscaram alternativas mais baratas.

Para Frank Amorim, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sem dúvida, o baixo custo é o grande atrativo. Contudo, como todo mercado ilegal, o grande problema é a falta de consciência e responsabilidade de quem vende e, também, de quem compra este tipo de produto.

“Na nossa visão, é um desafio crônico e perigoso: a circulação de fluidos refrigerantes ilegais, falsificados ou fora da regulamentação. Longe de ser apenas uma questão de concorrência desleal, este problema traz sérias implicações para o meio ambiente, a segurança de técnicos/as e dos usuários/as (empresas e consumidores finais), e na integridade dos equipamentos. Além de poder causar danos graves aos equipamentos (deterioração e corrosão), podem levar à perda de eficiência energética e desempenho, resultando em maior consumo de eletricidade para o usuário (empresas e consumidores finais). Portanto, é um problema tão complexo que entendemos que exige esforços e sinergia de ações entre todos (governo, setor privado e sociedade)”, informa.

Relatórios internacionais e iniciativas brasileiras mostram que o problema é real, internacional e solucionável, mas depende de investimento e cooperação sustentada. Grande parte do produto ilegal vem de mercados onde a produção é barata e o controle aduaneiro é mais frágil. Relatórios de organizações ambientais e operações de fiscalização mostram rotas de entrada por aeroportos, portos e até transporte rodoviário irregular, inclusive com uso de cilindros descartáveis e embalagens falsificadas que driblam controles e tornam possível vender o refrigerante a preços muito inferiores aos praticados por distribuidores legais. Essa disponibilidade externa pressiona os preços e enfraquece o esforço regulatório.

“Um dos principais riscos, falando de fluidos refrigerantes sobre os quais não sabemos a procedência, é a falta de qualidade conforme as normas (ABNT, por exemplo, que tem normas quanto à qualidade, pureza e rotulagem dos fluidos). Então, o/a técnico/a que compra esses produtos não saberá exatamente a composição do fluido que está usando. Esse fluido pode ter um rótulo de R-22, por exemplo, mas pode ter uma porcentagem de fluidos inflamáveis, sem mencionar, o que é um grande risco à segurança do técnico e do usuário. Nosso Projeto para o Setor de Serviços de Refrigeração e Climatização do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), realizado sob coordenação do MMA no âmbito do Protocolo de Montreal, atua com foco nas “Boas Práticas de Refrigeração” visando capacitar os profissionais da área. Essas boas práticas incluem que os técnicos utilizem fluidos refrigerantes somente conforme as normas (legais) e corretamente (sem deixar vazar no meio ambiente)”, esclarece Stefanie von Heinemann, consultora e gerente de Projetos da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH – agência bilateral parceira do PBH.

Segundo Stefanie, pelo PBH, foram capacitados gratuitamente mais de 17 mil técnicos/as em todo o Brasil, até hoje. Contudo, o impacto do programa é ainda maior, porque todas as escolas parcerias, que são dotadas de tecnologia de ponta (equipamentos e ferramentas doados pelo projeto) assimilam as técnicas de Boas Práticas dos cursos do PBH, nos seus próprios cursos técnicos (mecânica e refrigeração), ampliando a disseminação desse conhecimento.

“Neste ano, cientes da tendência de maior uso de fluidos naturais (como propano) no mercado brasileiro, lançamos o curso Treinamento para Uso Seguro e Eficiente de Fluidos Inflamáveis em Sistemas de Ar Condicionado, que está sendo ministrado por instrutores capacitados pelo projeto em 5 escolas parcerias do PBH, de cinco estados, que contemplam as regiões geográficas do país: Centro Oeste (GO); Nordeste (RN); Norte (RO); Sudeste (SP); e Sul (PR). E já estamos trabalhando para que no próximo ano, esse curso seja ampliado para pelo menos mais 5 escolas, em outros estados.  Nossa meta é capacitar 5.000 mil profissionais. Além disso, entendemos que não são só os fluidos refrigerantes que devem seguir as normas e serem bem certificados, mas os profissionais também precisam ser certificados. Para tanto, acabamos de lançar uma “Licitação para a Criação de um Sistema Piloto de Qualificação, Certificação e Registro (QCR) no Setor de Refrigeração”. Nosso objetivo é criar um esquema que melhore a regulamentação do ambiente profissional, reduza os vazamentos de fluidos refrigerantes e garanta a introdução segura de alternativas aos HCFCs, o que coopera diretamente para o combate ao uso de fluidos refrigerantes fora das normas e, portanto, ilegais. Para que esse sistema de certificação, cujo projeto piloto será iniciado em 2026, funcione e tenha sucesso, iremos contar com o importante apoio da sociedade, por meio das escolas técnicas e das entidades do setor parceiras do Programa, como a ABRAVA e a ASBRAV”, informa Stefanie.

Impacto do uso de substâncias não autorizadas no Brasil

O uso de substâncias não autorizadas no Brasil, especialmente no setor de HVAC-R, tem ampliado riscos ambientais, econômicos e operacionais. A entrada de produtos sem certificação compromete a segurança dos sistemas, aumenta a probabilidade de falhas e eleva as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a prática causa distorções competitivas ao favorecer quem opera fora das normas. Para o consumidor, o barato pode sair caro: equipamentos perdem eficiência, sofrem danos e têm sua vida útil reduzida. O problema, embora conhecido, segue crescendo e exige ações coordenadas de fiscalização, educação técnica e responsabilização da cadeia.

“O impacto do uso de substâncias ilegais pode prejudicar todo o trabalho que realizamos com foco na proteção do meio ambiente, no âmbito do Protocolo de Montreal no Brasil. Por exemplo, nós eliminamos o consumo dos CFCs, em 2010, se entram CFCs por contrabando seria um retrocesso em relação à Proteção da Camada de Ozônio e, também, do clima, porque os CFCs têm um alto potencial de aquecimento global. Da mesma forma, o comércio ilegal pode impactar negativamente no controle dos HCFCs (R-22), que pelas nossas metas será eliminado até 2030. Já pensando na Emenda de Kigali e no comércio ilegal de HFCs, ainda estamos no início da implementação do plano para redução do uso desses fluidos no país. Como estamos traçando uma linha de base de consumo, com base em estatísticas oficiais, se houver a entrada de muitos HFCs contrabandeados, essa linha de consumo no Brasil se tornará irreal, e então teremos problemas sérios na implementação das nossas metas no âmbito do Protocolo de Montreal”, reforça Amorim.

Ele acrescenta que os produtos legais possuem rótulos em conformidade com as normas técnicas, têm procedência garantida e são adquiridos por meio de nota fiscal, com os produtos/substâncias devidamente discriminados pelos distribuidores/fabricantes. Se os fluidos refrigerantes forem sempre comprados em estabelecimentos credenciados e da forma correta, o espaço do comércio ilegal será praticamente nulo. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem trabalhando em uma nova instrução normativa que estabelecerá a obrigatoriedade de que os fluidos refrigerantes comercializados devem atender aos requisitos de pureza estabelecidos na Norma ABNT NBR 16.667, o que contribuirá para a conformidade dos produtos.

“Importante destacar que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desempenha um papel central e essencial no controle de substâncias como os fluidos refrigerantes no Brasil. Sua atuação está diretamente ligada ao cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo país, principalmente o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.  O Ibama controla a importação e exportação. É a autoridade responsável por controlar e fiscalizar a entrada e saída de fluidos refrigerantes controlados (como os HCFCs e, mais recentemente, os HFCs, devido ao seu alto Potencial de Aquecimento Global – GWP) no território nacional, em portos e aeroportos. Isso inclui a verificação do conteúdo dos cilindros para combater o comércio ilegal. Destaco também que a extensa faixa de fronteira terrestre e marítima do país, combinada com a complexidade e o volume do comércio internacional, torna o combate ao contrabando de fluidos refrigerantes um desafio constante para o Ibama e órgãos parceiros como a Receita Federal, daí a importância de todo o apoio da sociedade nesse combate. No âmbito da Etapa III do PBH, sob a Coordenação do MMA e implementação do PNUD, serão realizadas ações voltadas para o fortalecimento da fiscalização por órgãos de controle em nível federal, estadual e municipal, para a capacitação dos agentes fiscalização e disponibilização de equipamentos para a identificação dos fluidos refrigerantes. Essas ações contribuirão para coibir o comércio e a importação ilegal de fluidos refrigerantes”, diz o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Quanto a conscientização, para Stefanie, além das ações de treinamento e do projeto piloto de certificação dos profissionais, o Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores em Fluidos Naturais do PBH resultou em 39 instrutores qualificados no curso “Uso Seguro e Eficiente de CO2‚  e R-290 em Sistemas de Refrigeração Comercial”. São instrutores que irão capacitar centenas de alunos/as nos próximos anos em escolas nas 5 regiões do país.

“Durante o encontro, que ocorreu no novo ‘Laboratório Modelo Mini Supermercado com Fluidos Refrigerantes Naturais: CO2‚  e R-290 do PBH’, localizado na escola Firjan SENAI Benfica, no Rio de Janeiro-RJ, o tema ‘fluidos refrigerantes ilegais’ foi bastante debatido.  Os instrutores relataram que seus alunos estão bastante preocupados com esse tema, por causa da possibilidade de acidentes graves em campo, motivada pelo alto volume de produtos oferecidos a baixo custo.  Ao longo do debate sobre o tema, durante o treinamento, foram destacadas pelos instrutores-especialistas do PBH, que ministraram o curso, as orientações de Boas Práticas em Refrigeração, que devem ser reforçadas aos alunos, no processo de maior conscientização dos profissionais da área sobre o tema.  Além disso, foi destacado que é importante a sociedade fiscalizar também e que as irregularidades com fluidos refrigerantes (ilegais, falsificados ou fora da regulamentação, inclusive com rótulos que não deixam claro o uso de fluidos inflamáveis) devem ser denunciadas aos órgãos oficiais (Ibama, Procon, etc.) e para as entidades da sociedade, nos seus fóruns específicos” comemora.

 Diferentes elos da cadeia com atuação integrada

O combate ao uso de refrigerantes ilegais no Brasil exige uma atuação integrada entre fabricantes, distribuidores, lojistas e técnicos, cada um responsável por uma parte essencial da solução. Fabricantes podem fortalecer a rastreabilidade, garantir informação clara e ampliar ações de conscientização sobre riscos e impactos ambientais. Distribuidores e lojistas, por sua vez, têm papel decisivo ao adotar políticas rígidas de compra, checar procedência e assegurar que apenas produtos regulamentados cheguem ao mercado. Já os profissionais técnicos, que estão na ponta do atendimento, influenciam diretamente o comportamento do consumidor ao orientar sobre segurança, eficiência e conformidade. Quando esses elos trabalham alinhados, cria-se uma cultura de responsabilidade que reduz incentivos ao mercado ilegal, protege equipamentos e reforça o compromisso do setor com práticas sustentáveis.

Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores resultou em 39 instrutores qualificados

“Acreditamos que só uma ação coordenada, a médio e longo prazo, entre governo, setor privado (fabricantes, distribuidores e revendedores) e sociedade (profissionais da refrigeração e usuários em especial) será efetiva no combate aos fluidos refrigerantes ilegais no país. Todos precisam fazer a sua parte. A responsabilidade de exigir comprovação da compra e venda de fluidos refrigerantes, por exemplo, é de todos. Os fabricantes devem garantir os registros dos fluidos no Ibama; os distribuidores e o varejo devem conferir e só podem vender produtos com procedência confirmada; e os profissionais, como os técnicos/as de refrigeração, também devem estar atentos a esse controle e só comprar produto de origem legal. Da mesma forma, os usuários (empresas e consumidores) devem exigir a nota fiscal dos fluidos refrigerantes colocados em seus aparelhos/sistemas, além de contratar somente profissionais habilitados (técnicos formados pelo SENAI e Institutos Federais, por exemplo) que, no futuro, como planejamos, serão certificados pelo sistema QCR que implantaremos a partir de 2026”, conclui Stefanie.

 


Resumen (Español)

El avance del comercio ilegal de refrigerantes en Brasil representa un riesgo creciente para el sector de refrigeración y aire acondicionado. Productos sin certificación, falsificados o de origen desconocido comprometen la seguridad de técnicos y usuarios, reducen la eficiencia energética de los equipos y generan impactos ambientales relevantes, además de distorsionar la competencia al ofrecer precios muy inferiores a los del mercado regulado.

Autoridades ambientales y programas internacionales alertan que el problema afecta directamente el cumplimiento de los compromisos asumidos por Brasil en el Protocolo de Montreal y la Enmienda de Kigali. Iniciativas de capacitación técnica, certificación profesional y fortalecimiento de la fiscalización buscan contener el mercado ilegal, pero el enfrentamiento del problema exige una acción coordinada entre gobierno, sector privado y sociedad.


Summary (English)

The growth of illegal refrigerant trade in Brazil poses increasing risks to the HVAC-R sector. Uncertified, counterfeit or undocumented products jeopardize technician and user safety, reduce system efficiency, and intensify environmental impacts, while creating unfair competition through significantly lower prices than those in the regulated market.

Environmental authorities and international programs warn that illegal refrigerants threaten Brazil’s commitments under the Montreal Protocol and the Kigali Amendment. Technical training, professional certification and stronger enforcement are key measures to curb this practice, but effective results depend on coordinated action among government, industry stakeholders and society as a whole.

Quando nem o ar-condicionado de frigorífico resolve

Influenciadora instala ar-condicionado de câmaras frias para enfrentar calor da pré-menopausa; conta de luz ultrapassa R$ 5 mil e caso repercute na internet.

Em post nas redes sociais, a influenciadora Ana Paula Oliveira relatou que, diante das ondas de calor intensas da pré-menopausa, instalou em casa um equipamento de refrigeração utilizado em câmaras frias. A decisão ocorreu após considerar insuficientes os aparelhos domésticos. A conta de luz ultrapassou R$ 5 mil após alguns dias de uso.

O episódio repercutiu e trouxe atenção para práticas inadequadas de climatização. O conforto térmico depende de variáveis como dimensionamento correto, manutenção, escolha de modelos eficientes e uso racional de temperatura.

Segundo o Inmetro, operar aparelhos residenciais entre 23 °C e 25 °C reduz o consumo e mantém o conforto térmico. Temperaturas muito baixas, comuns entre usuários que deixam entre 15 °C e 16 °C a depender o tipo de aparelho, elevam o gasto energético e exigem mais do compressor. Boas práticas também envolvem vedação adequada, filtros limpos e seleção de equipamentos com classificação de eficiência “A+++.”.

O caso expõe a necessidade de ampliar a orientação técnica ao consumidor sobre o uso responsável de climatização. A adoção improvisada de sistemas industriais em residências é economicamente ineficiente e pode comprometer a durabilidade dos equipamentos.

O episódio envolvendo Ana Paula Oliveira reforça a busca crescente por conforto térmico, mas evidencia a importância de seguir parâmetros técnicos e práticas de eficiência energética no uso do ar-condicionado.

Vidros especiais ampliam controle térmico e experiência do cliente

Soluções avançadas em vidros ajudam a reduzir desperdício, preservar alimentos, economizar energia e melhorar a experiência do cliente

 Nos supermercados brasileiros, a transparência dos expositores vai muito além da estética. Hoje, o vidro é um dos principais aliados do controle de temperatura, da preservação de alimentos e da eficiência energética. Portas, vitrines e tampas de freezers utilizam tecnologias específicas para ambientes refrigerados, equilibrando desempenho térmico, segurança e visibilidade dos produtos.

Entre as soluções está o vidro duplo insulado (IGU), formado por duas lâminas separadas por gás inerte. Essa estrutura cria uma barreira que minimiza a troca de calor e evita a condensação. Em redes como Carrefour, Assaí e Pão de Açúcar, o uso de portas com vidros duplos nas seções de frios e laticínios tem reduzido o consumo de energia em até 25%, além de melhorar a conservação e a aparência dos alimentos expostos.

Nos projetos mais modernos, o destaque vai para o vidro a vácuo (VIG), que oferece isolamento térmico até quatro vezes superior ao vidro comum, mantendo as temperaturas internas estáveis mesmo em ambientes de alta umidade, reduzindo o trabalho dos compressores e garantindo condições ideais para a conservação de produtos congelados e sensíveis ao calor. Lojas conceito como as do Super Nosso (MG) e do Hirota Food Express (SP) já adotam expositores com VIG, que dispensam o uso de resistências elétricas antiembaçamento.

Outro tipo amplamente utilizado é o vidro de baixa emissividade (Low-E), que recebe uma camada metálica microscópica capaz de refletir o calor infravermelho. Essa barreira impede a entrada do calor externo e retém o frio interno, tornando-o ideal para portas de freezers verticais, câmaras e adegas climatizadas. Além de promover economia de energia, o Low-E ajuda a manter a temperatura constante, promovendo maior segurança alimentar e reduzindo o desperdício de perecíveis.

Fabricantes como Guardian Glass, AGC, Saint-Gobain, Pilkington e Cebrace oferecem linhas específicas de vidros para refrigeração comercial. “A Cebrace, por exemplo, desenvolve soluções de vidro Low-E, como o Themo Vision, fabricado no Brasil, que aliam alto desempenho térmico, ampliando o conforto e a eficiência em ambientes climatizados e refrigerados. A empresa tem investido em tecnologias de revestimento que melhoram a durabilidade e o desempenho óptico dos painéis utilizados em sistemas de refrigeração e fachadas comerciais. O produto ser adquirido na versão jumbo (3,21 m x 6 m), permitindo maior aproveitamento da chapa no processamento e no corte, trazendo ainda mais economia ao processo para as indústrias de refrigeração comercial e de linha branca”, explica Luiz Carlos Gonçalves Junior, diretor de Marketing da Cebrace e Comercial da Saint-Gobain.

No Brasil, empresas como Eletrofrio e Metalfrio já integram esses materiais em suas soluções, combinando vidros Low-E e insulados com perfis de alumínio de baixa condutividade e sistemas de vedação avançados. Essa integração é parte fundamental das metas de sustentabilidade do varejo alimentar, que busca reduzir o consumo elétrico e as perdas por deterioração de alimentos.

“Na Eletrofrio, priorizamos o uso de vidros de alta performance em todos os expositores, especialmente os Low-E e insulados com camadas antiembaçantes. Essa combinação proporciona maior eficiência energética e visibilidade dos produtos, além de garantir a estabilidade térmica e a segurança alimentar. Os resultados têm sido expressivos: nossos clientes observam economia de energia e melhor experiência de compra para o consumidor final”, explica Rogério Marson Rodrigues, da Eletrofrio Refrigeração.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança

Conservação e a aparência

Uma das inovações mais relevantes no setor é a tecnologia antiembaçamento, essencial em ambientes com alta umidade e portas frequentemente abertas. A condensação sobre o vidro, além de comprometer a visibilidade dos produtos, pode alterar a eficiência do sistema e causar desperdício energético. Para contornar esse problema, as portas de refrigeradores comerciais e vitrines contam hoje com diferentes tipos de vidros desembaçantes. O método mais utilizado é o aquecimento perimetral, no qual uma resistência elétrica de baixa potência é instalada na borda do vidro ou na moldura da porta. O leve aquecimento evita a formação de gotículas de água, mantendo a superfície sempre transparente. Essa solução é amplamente adotada em expositores de supermercados como Muffato e Pão de Açúcar, que valorizam a visibilidade dos produtos congelados e reduzem o tempo de manutenção.

Uma alternativa são os revestimentos anti-fog (ou antiembaçamento), aplicados sobre a superfície interna do vidro. Essa película condutiva ou hidrofílica distribui uniformemente a umidade, impedindo o embaçamento mesmo em temperaturas muito baixas.

Adegas climatizadas utilizam vidro Low-E com proteção UV para manter o equilíbrio térmico e evitar o envelhecimento precoce dos vinhos

O vidro Low-E também pode atuar como desembaçante quando combinado a resistências marginais. Essa combinação é uma das mais eficientes do mercado, pois reflete o calor externo enquanto mantém a superfície livre de condensação — garantindo máxima visibilidade e conforto térmico para o consumidor.

Em freezers horizontais, o vidro temperado com camada antiembaçante é preferido por sua resistência mecânica e segurança. Já em locais de alto tráfego, como padarias e lojas de conveniência, o vidro laminado com película interna protege contra impactos e mantém a estrutura coesa em caso de quebra, além de poder receber tratamento anti-fog.

As adegas e empórios gourmet também se beneficiam dessas tecnologias. No Empório Santa Maria (SP), por exemplo, portas de vidro Low-E com proteção UV mantêm o equilíbrio térmico e evitam o envelhecimento precoce dos vinhos. Além da conservação, a estética e a clareza visual valorizam o ambiente e os produtos expostos.

“Mais do que garantir eficiência energética, os vidros tecnológicos são fundamentais para a segurança dos alimentos. Ao evitar oscilações térmicas e eliminar a formação de condensação, eles mantêm carnes, frios, laticínios e congelados dentro da faixa segura de refrigeração. Isso reduz o risco de contaminações, amplia o prazo de validade e evita perdas por descarte. Estudos do setor indicam que o controle adequado de temperatura pode reduzir em até 10% o desperdício de perecíveis no varejo”, comenta Gonçalves.

Com ambientes mais confortáveis, exposição aprimorada e economia comprovada, os vidros inteligentes consolidam-se como peças-chave na refrigeração moderna. Em um cenário em que eficiência energética, segurança alimentar e sustentabilidade são prioridades, eles representam o elo que conecta tecnologia, economia e qualidade, mantendo o frio e o alimento protegido.