Projetos de data centers flutuantes avançam em vários países
Empresas estudam embarcações, barcaças e estruturas em alto-mar para atender à demanda de energia e resfriamento dos servidores.
A expansão dos data centers voltados à inteligência artificial tem levado empresas a estudar instalações sobre a água. Os projetos variam de navios adaptados a estruturas construídas para operar em alto-mar. A disponibilidade de energia e o resfriamento dos servidores estão entre os fatores que orientam essas propostas.
Nos Estados Unidos, a Samsung Heavy Industries e a Mousterian planejam instalar data centers flutuantes em várias embarcações próximas a uma usina de energia, em Houston. Segundo a Mousterian, a localização pode acelerar o acesso à eletricidade sem recorrer ao abastecimento local de água potável. Trata-se de uma implantação planejada.
Outra proposta prevê a conversão de navios usados. A Mitsui O.S.K. Lines, a Hitachi e a Hitachi Systems anunciaram estudos para desenvolver esse modelo, com possibilidade de iniciar operações em 2027 ou depois. As empresas avaliam o uso de água do mar ou de rios no resfriamento.
Há também projetos de instalações construídas para essa finalidade. A Hanwha Ocean apresentou um modelo de 60 MW com geração própria de energia. O Hockema Group desenvolveu o conceito de uma barcaça com capacidade projetada de 25 MW. A Panthalassa propõe estruturas em alto-mar alimentadas pelo movimento das ondas.
Os modelos diferem quanto à fonte de energia, ao sistema de resfriamento e à localização. Uma análise da Reuters aponta que a demora para conectar instalações à rede elétrica e a demanda por resfriamento dificultam a expansão dos data centers. Os projetos flutuantes apresentados ainda precisam demonstrar seus resultados em operação.
O debate no Brasil
Em Belém (PA), o projeto terrestre BEL1, da Elea Data Centers, prevê investimento inicial de R$ 250 milhões e fornecimento de energia pela Axia Energia. O Ministério Público do Pará instaurou um inquérito civil para examinar o licenciamento e possíveis impactos ambientais e sociais, incluindo a formação de ilhas de calor. A apuração não significa que esses impactos tenham sido constatados. Segundo a Elea, o sistema de resfriamento previsto não usa água nesse processo.
Fontes renováveis responderam por 86,8% da matriz elétrica brasileira em 2025, segundo a Empresa de Pesquisa Energética. A Lei nº 15.504/2026, que criou o Redata, condiciona seus benefícios tributários a exigências de fornecimento de energia de fontes renováveis ou de baixa emissão e de eficiência hídrica. Os casos citados mostram que a avaliação de um data center envolve também a localização e seus possíveis efeitos no entorno.


Amaro Fotografia

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