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Eletrofrio lança sistema frigorífico com R-290 na Apas Show

Em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), a Eletrofrio está apresentando na Apas Show deste ano um sistema de refrigeração comercial que utiliza o propano (R-290) como fluido refrigerante.

Além do baixíssimo potencial de aquecimento global (GWP, em inglês) da substância, o fabricante destaca que “a novidade representa um marco na evolução sustentável do Brasil e contribui para que o País atinja a meta do Protocolo de Montreal de eliminar a utilização de gases nocivos [à camada de ozônio] até 2040”.

Atualmente, o Brasil é o nono maior consumidor mundial de hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e o quinto entre os países em desenvolvimento. O objetivo do governo brasileiro é eliminá-los em 35% até 2020 e 67,5% até 2025.

Como a solução faz parte do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFC (PBH), ela será de domínio público e ficará disponível para ser utilizada por toda a cadeia de refrigeração comercial do País, informa a Eletrofrio.

Inédita na América do Sul, a tecnologia acaba de ser implantada no hipermercado Condor Wenceslau Braz, em Curitiba (PR), inaugurado no dia 3 de abril.

“Estamos à disposição dos supermercadistas que desejam dar um passo à frente em termos de sustentabilidade. Além disso, também estamos recebendo em nosso estande as empresas da concorrência para apresentar a inovação e, juntos, caminharmos para a construção de um Brasil mais moderno e sustentável”, ressalta o diretor de marketing e vendas do fabricante, Roberto Weidner.

A principal feira mundial do setor supermercadista, que começou ontem (6) em São Paulo, prossegue até a próxima quinta (9), no Expo Center Norte. Além da Eletrofrio, outros grandes nomes do setor – entre os quais Arneg, Bitzer, Chemours, Danfoss, Full Gauge, Superfrio e Thermo Industrial – estão presentes na mostra.

Comissão Europeia aprova, com restrições, compra da Embraco pela Nidec

A compra da Embraco pela Nidec por US$ 1,08 bilhão foi aprovada pela Comissão Europeia (CE) na sexta-feira (12). Contudo, a indústria japonesa deverá se desfazer de seus negócios na área de compressores de refrigeração doméstica e comercial leve.

Preocupada com a possibilidade de a aquisição anunciada em 24 de abril de 2018 reduzir a concorrência no segmento, a CE abriu, em novembro passado, uma investigação profunda sobre a transação, que já obteve o aval de autoridades antitruste nos EUA, Brasil e China.

A Nidec decidiu abordar as preocupações dos reguladores europeus propondo um conjunto de compromissos, incluindo a venda de fábricas na Áustria, Eslováquia e China, o que remove toda a sobreposição comercial entre a Nidec e a Embraco nos mercados onde foram identificados problemas de ordem concorrencial.

As três plantas em questão foram adquiridas junto com o negócio de compressores da Secop, fabricante austríaco comprado pela multinacional asiática em 2017.

A Nidec também se comprometeu a disponibilizar ao comprador financiamento significativo para futuros investimentos nas instalações da Áustria e da Eslováquia.

O montante disponibilizado é igual ao dispêndio de capital que a Nidec teria destinado às duas fábricas sem a transação envolvendo a Embraco.

A CE considera que isso garantirá a viabilidade e a competitividade das fábricas austríacas e eslovacas no futuro.

Enfim, o órgão executivo da União Europeia concluiu que a operação proposta, alterada pelos compromissos, deixa de suscitar preocupações em matéria de concorrência no bloco econômico e em todo o mundo.

Segundo um comunicado distribuído à imprensa, a decisão da CE está condicionada ao cumprimento integral das obrigações assumidas pela Nidec.

“As condições sob as quais aprovamos a compra da Embraco pela Nidec garantem que a concorrência efetiva continuará nesse setor, para que os clientes industriais e consumidores finais não sejam prejudicados com preços mais altos ou menos opções. Também trabalhamos para garantir a viabilidade [econômica] das plantas a serem vendidas pela Nidec”, disse a comissária Margrethe Vestager, responsável pela política antitruste da UE.

“A maioria das pessoas tem pelo menos um compressor de refrigeração em casa, em uma geladeira ou freezer. Eles também são usados em restaurantes ou lojas, em refrigeradores de bebidas ou sorvetes”, justificou.

A decisão da CE segue uma análise detalhada da transação que une os dois dos principais produtores globais de compressores de refrigeração usados em eletrodomésticos e aparelhos comerciais leves.

Sediada em Joinville (SC), a Embraco tem plantas de compressores no Brasil, Eslováquia, México e China. Atualmente, a companhia é controlada pela norte americana Whirlpool, dona das marcas Brastemp e Consul.

Com o aval das autoridades europeias, o negócio com a Nidec deverá ser concluído, provavelmente, até o próximo dia 24 de abril, conforme prevê o acordo de compra de ações (SPA, na sigla em inglês) assinado entre as partes.

Carrier comemora instalação de 10 mil sistemas com CO₂ na Europa

A área de refrigeração comercial da Carrier está comemorando uma conquista marcante com a entrega de seu 10.000º sistema de refrigeração com CO₂ para clientes na Europa.

A primeira instalação do gênero da empresa foi realizada em 2004 em um supermercado na Suíça. Desde então, os negócios da companhia norte-americana só cresceram por lá.

“Acreditamos que esse refrigerante natural é a solução adequada para os requisitos regulatórios e as expectativas dos clientes quanto a uma tecnologia de refrigeração sustentável e eficiente”, disse Victor Calvo, presidente da divisão de refrigeração comercial da Carrier.

Atualmente, a empresa oferece uma gama completa de sistemas com CO₂ para atender a uma variedade de aplicações de 1 kW a 1.2 MW em todos os climas.

O movimento do fabricante em direção a refrigerantes naturais, que começou com instalações em supermercados, está se expandindo para locais como pistas de patinação no gelo, armazéns frigoríficos e outros empreendimentos.

Nova tecnologia aumenta eficiência de refrigeradores domésticos

Embora muitos avanços tenham resultado na melhoria da eficiência dos refrigeradores residenciais, eles ainda consomem uma quantidade considerável de energia. Afinal de contas, a maioria das famílias precisa de um ou dois desses eletrodomésticos sempre ligados 24 horas por dia durante os 365 dias do ano.

Por isso, pesquisadores chineses estão trabalhando para minimizar a perda de frio que ocorre na barreira térmica entre o interior do freezer e a parte externa da geladeira.

A ideia dos cientistas é usar parte desse frio que escapa do freezer para resfriar o compartimento de alimentos frescos.

“Existe uma diferença significativa na temperatura entre o freezer de um refrigerador tradicional e a temperatura do ar ambiente, e a barreira térmica normal do freezer causa perda considerável de frio”, diz Jingyu Cao, da Universidade de Ciência e Tecnologia da China.

Cao e sua equipe não são os primeiros cientistas a tentar aumentar a eficiência da refrigeração doméstica. Muitos outros especialistas já examinaram as várias partes desses refrigeradores para melhorar o consumo de energia, mas ainda não foi encontrada uma solução definitiva para o setor.

No estudo de Cao, um novo refrigerador com um circuito de termossifão é apresentado como solução para diminuir a transferência de calor entre o freezer e o ar ambiente.

A perda total de frio das paredes do lado superior e lateral do freezer foi reduzida de 16 W para 14 W nas condições normais de teste, e a taxa de economia variou de 6,3% a 28,5%, o que superou as expectativas dos pesquisadores.

“Esses resultados certificam a capacidade de economia de energia do novo refrigerador e sua confiabilidade, inclusive em climas quentes”, ressalta o cientista.

Embora o estudo de Cao seja atualmente baseado em cálculos teóricos, os resultados são considerados promissores.

“Essa inovação tem um grande potencial de ser popularizada como uma tecnologia de energia sustentável, devido a aspectos como impacto significativo na economia de energia, estrutura simples e baixo custo”, avalia.

Grandes nomes do mercado do frio confirmam presença na Febrava

Chemours, Elgin, Forming Tubing, Full Gauge, Midea Carrier e Multivac, entre outros grandes nomes da indústria do frio, já confirmaram presença na 21ª Feira Internacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Tratamento do Ar (Febrava), que será promovida de 10 a 13 de setembro no São Paulo Expo, na capital paulista.

Além do setor de exposição, a mostra traz opções de atualização profissional com palestras e fóruns para os profissionais e empresários do setor.

“A feira vai oferecer muito conteúdo e treinamento para o instalador, aprimorando sua capacitação para prestar um serviço de qualidade e assim evitar acidentes”, afirma Ivan Romão, gerente de produto da Febrava.

A expectativa dos organizadores é reunir cerca de 300 marcas expositoras. Com apoio aproximadamente 27 associações dos setores alimentício, hospitalar, transporte, hospedagem, automotivo, distribuição, engenharia civil e mecânica, o evento deverá atrair 25 mil visitantes, entre atacadistas, compradores, consultores, distribuidores, engenheiros, instaladores, projetistas, técnicos e varejistas.

Neste ano, a Febrava também será realizada paralelamente à Equipotel, feira que reúne profissionais do setor de hotelaria, ampliando as possibilidades de negócios para as indústrias do segmento de refrigeração e ar condicionado.

Festa na temperatura certa

Bebidas bem geladas fazem parte do sucesso de um evento. E assegurar isso traz tranquilidade para quem só quer festejar.

Por isso, a Empório da Festa, empresa de aluguel de equipamentos para eventos com mais de oito anos de mercado, optou por oferecer aos seus clientes a locação de freezers conectados ao Sitrad, sistema de gerenciamento remoto da Full Gauge Controls.

Tudo isso para se certificar de que a temperatura dos equipamentos não vai sair do que foi estabelecido.

O software facilita a rotina da empresa, localizada em Tanabi, interior de São Paulo, na organização de eventos muitas vezes em cidades a uma distância de até 100 quilômetros.

Conversor TCP 485

“Antigamente, ao atendermos um cliente mais distante, sempre era preciso o deslocamento de um colaborador para averiguar o funcionamento dos instrumentos durante a festa, o que demandava tempo da equipe e um maior gasto de combustível”, destaca o proprietário da Empório da Festa, Rogério Martinez.

O processo de instalação dos controladores foi feito pela própria empresa, que recorreu a um técnico em informática para a parte de comunicação com sistema. Além disso, mantiveram contato constante com a equipe técnica da Full Gauge Controls, para o auxílio na resolução de dúvidas.

O monitoramento dos dados coletados é feito por meio de relatórios, os quais Martinez gerencia diariamente.

“O Sitrad me faz sentir seguro de que tudo vai estar gelado, conforme prometi aos clientes, e que se por acaso ocorrer alguma alteração, receberemos o aviso do sistema em tempo de corrigir os parâmetros e fazer as devidas substituições, evitando perdas”, pontua.

TC-900E Log

Segundo o proprietário, o que ocorre com mais frequência é o desligamento de algum disjuntor de energia, mas com os alarmes enviados a empresa consegue fazer as correções necessárias rapidamente.

Entre os produtos da Full Gauge Controls disponíveis, a Empório da Festa utiliza o  MT-512 E LOG (controlador para refrigeração ou aquecimento) e o TC-900E LOG (para congelados).

Os dois instrumentos dispõe de opções como degelos periódicos, sensor de porta aberta, memória interna, entre outras facilidades. A empresa usa ainda o conversor TCP 485 para a comunicação dos dispositivos com o Sitrad.

O sistema pode ser baixado gratuitamente em www.sitrad.com.br e necessita apenas que o usuário tenha um dispositivo (tablet, celular ou computador) conectado à Internet para ter acesso aos dados.

MT-512E Log

CFT estuda criar delegacias regionais

Nove meses do início oficial de suas atividades, em 22 de junho de 2018, o Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT), presidido pelo técnico em edificações Wilson Wanderlei Vieira, continua trabalhando para finalizar o desgastante processo de transição da base profissional do Sistema Confea/Crea.

O maior desafio da diretoria tem sido a estruturação da entidade, assim como dos Conselhos Regionais, que ocorre de forma gradual e contínua, pois já foram eleitas e empossadas dez diretorias. No Rio de Janeiro, a eleição se dará em 27 de março. A previsão é que tudo esteja encerrado em abril.

Neste meio tempo, os técnicos agora na base do CFT tiveram problemas com a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) – agora Termo de Responsabilidade Técnica (TRT). O fato gerou protestos principalmente nas redes sociais.

“Hoje nosso sistema funciona em uma plataforma digital, facilitando o acesso de todos os profissionais do Brasil”, lembra o diretor financeiro do CFT, Solomar Pereira Rockembach, ao recordar-se do problema enfrentado pela entidade em outubro do ano passado, quando o site da autarquia sofreu um ataque hacker, inviabilizando por um tempo a emissão dos TRTs.

Do início das atividades do conselho até meados de março, foram emitidos cerca de 75 mil TRTs em todo o Brasil.

Outro desafio do CFT é a futura instalação de delegacias regionais em cidades do interior, a fim de se aproximar da base – atualmente formada por 541.759 profissionais – para facilitar o relacionamento com os representados. Essa demanda tem sido cobrada pelos técnicos, que sentem a falta de um atendimento mais pessoal.

“Já estamos estudando a viabilidade das cidades que receberão escritórios regionais, processo que será acelerado após a implantação dos Conselhos Regionais”, afirma o diretor, reforçando que há estudos em andamento para entender a realidade de cada região e como atender os profissionais de modo eficiente.

O ano de 2019 continua a ser planejado com base nas entradas das anuidades já recolhidas neste ano. O CFT, entretanto, está aguardando o Sistema Confea/Crea enviar a prestação de contas de 2018, que tem números essenciais para ajudar a traçar novas estratégias.

Decerto, depois de tantas dificuldades enfrentadas desde o início de suas atividades, o Conselho Federal dos Técnicos Industriais pretende melhorar o atendimento aos técnicos.

“O CFT é feito do compromisso com o bom trabalho prestado à sociedade, bem como valorização da qualidade no exercício profissional dos técnicos industriais”, salienta Rockembach.

Fabricante de chillers adota rival do R-32

A Kaltra agora está oferecendo em uma de suas linhas de chillers condensados a água modelos compatíveis com o R-452B, um fluido refrigerante à base de hidrofluorolefina (HFO) desenvolvido para substituir o hidrofluorcarbono (HFC) R-410A em novos equipamentos.

Tal como o R-410A – uma mistura de R-32 (50%) e R-125 (50%) –, ele usa os mesmos dois componentes, mas com adição de 26% de R-1234yf , 67% de R-32 e apenas 7% de R-125.

Segundo a indústria alemã de sistemas de refrigeração e ar condicionado, a nova mistura oferece um ótimo equilíbrio entre desempenho, segurança e compatibilidade para substituir o R-410A, superando outras alternativas disponíveis no mercado.

“Os novos resfriadores de líquido demonstram taxas de eficiência similares ou de 2% a 5% mais altas que as dos modelos com R-410A”, revela a Kaltra, destacando que essas máquinas são “capazes de operar com uma faixa mais ampla de temperaturas de evaporação”.

“Seu design modular e novo software de controle ainda permitem o uso de vários chillers virtualmente como um único sistema, otimizando, dessa forma, a eficiência em cargas parciais”, acrescenta.

De acordo com o Quinto Relatório de Avaliação (AR5) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o potencial de aquecimento global (GWP, em inglês) do R-452B é de 676, cerca de 65% menor que o do R-410A.

Inofensiva à camada de ozônio, a substância é comercializada tanto pela Chemours quanto pela Honeywell, sob as marcas Opteon XL55 e Solstice L41y, respectivamente.

O composto foi desenvolvido para concorrer com o R-32, substituindo o R-410A, particularmente, em bombas de calor, rooftops, sistemas VRF e chillers de média pressão condensados a ar e a água.

Assim como o R-32, o R-452B é classificado como levemente inflamável (A2L) pela Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado (Ashrae), embora a Chemours sustente que ele seja o menos inflamável de todos os principais substitutos existentes para o R-410A.

De acordo com a Honeywell, o R-452B possibilita uma carga até 10% menor em comparação com o equipamentos existentes que utilizam o R-410A.

A indústria química também afirma que seu envelope de operação mais amplo permite que o equipamento alcance temperaturas de evaporação baixas, superando o R-32 no modo de aquecimento e atingindo temperaturas mais altas em bombas de calor e chillers.

Metalfrio registra prejuízo menor em 2018

Uma das maiores empresas de refrigeração comercial do mundo, a Metalfrio acumulou um prejuízo líquido de R$ 5,39 milhões em 2018, valor bem abaixo do prejuízo anual médio de R$ 32,44 milhões registrado nos cinco anos anteriores.

Ainda considerando o ano de 2018, a receita líquida da indústria totalizou R$ 1,2 bilhão. Essa soma foi maior que o valor médio dos últimos cinco anos (R$ 1,02 bilhão), quando a receita líquida da companhia cresceu, em média, 7,95% por ano, revela o comunicado distribuído à imprensa.

Com uma capacidade de produção de 1,5 milhão de unidades independentes de refrigeração por ano, a Metalfrio está presente em praticamente todos os continentes, com plantas industriais localizadas no Brasil, México, Rússia e Turquia, produzindo equipamentos com uma estrutura de distribuição global em mais de 80 países.

A empresa tem como clientes diversas marcas mundiais e regionais de bebidas, sorvetes, alimentos e comércio varejista, oferecendo soluções customizadas para exposição dos mais diversos tipos de produtos em pontos de venda.

Carga de inflamáveis em sistemas de refrigeração deve subir para 500 g

Em resposta às regulamentações ambientais que visam proteger a camada de ozônio e reduzir o aquecimento global, o mercado de refrigeração e ar condicionado está mudando rapidamente em todo mundo.

Como resultado desse processo, os chamados refrigerantes naturais, a exemplo dos hidrocarbonetos (HCs), estão sendo introduzidos em uma ampla gama de sistemas do gênero, devido ao seu impacto climático baixíssimo.

No caso específico dos HCs, a norma 60335-2-89, da Comissão Eletrotécnica Internacional (IEC), limita a 150 gramas a carga de fluidos refrigerantes inflamáveis (A3) em sistemas frigoríficos hermeticamente selados com unidade de refrigeração incorporada ou remota, por questões de segurança.

Todavia, uma votação importante sobre o aumento desse limite começou em 1º de março na IEC, processo que deve ser finalizado no outono. Caso a revisão da norma seja aprovada, a carga permitida de HCs subirá para 500 g, e a regra será aplicada a fluidos como o propano (R-290) e o isobutano (R-600a) em equipamentos de refrigeração comercial, o que provavelmente deve ampliar o uso deles em todo o planeta.

A ECOS, uma organização não governamental (ONG) ambientalista global especializada em padronização e políticas técnicas de produtos, avalia que essa revisão “altera, positivamente, o padrão anterior, que impõe barreiras ao uso de refrigerantes inflamáveis, por meio de limites apertados de carga”.

Num artigo publicado na edição de fevereiro da revista Accelerate America, a diretora executiva do Conselho Norte-Americano de Refrigeração Sustentável (NASRC, em inglês), Danielle Wright, diz que, “para muitos varejistas, especialmente redes nacionais de supermercados, os sistemas de refrigeração independentes que usam R-290 são a solução ideal e o caminho mais rápido para a conformidade regulatória em lojas novas e existentes”.

Segundo ela, a lista de benefícios é longa: economia de energia, custos reduzidos de capital, índice praticamente zero de emissões de CO₂ e flexibilidade de comercialização, além de manutenção e serviços simplificados.

“Mas a carga máxima de 150 g impede que esses benefícios sejam plenamente alcançados, colocando os supermercados dos EUA em desvantagem diante das crescentes pressões regulatórias”, argumenta.

Desde 2014, o subcomitê SC61C trabalhou para atualizar o padrão global IEC 60335-2-89. Portanto, a votação do projeto final de revisão da norma, conhecido como Final Draft International Standard (FDIS), representa o último passo de um processo de longas fases.

Depois de várias revisões e um exame minucioso da pesquisa e dos dados de segurança, todos os sinais apontam que o voto a favor da mudança será maioritário, escreve Wright.

Embora o Senado do EUA ainda não tenha ratificado a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal, prossegue a especialista, a indústria norte-americana de supermercados também deverá seguir as tendências tecnológicas globais e reduzir o uso de hidrofluorcarbonos (HFCs) nos próximos anos.

“Estados como Califórnia e Nova York já estão adotando cronogramas rigorosos de redução de HFCs. Agora, mais do que nunca, os varejistas precisam de opções para lidar com as regulamentações pendentes”, diz.

Desde 1º de janeiro, os supermercados californianos não podem mais utilizar gases fluorados de alto potencial de aquecimento global (GWP), como o R-404A e o R-507A, em sistemas de refrigeração comercial novos e modernizados e unidades de condensação remotas; unidades independentes retrofitadas; novas unidades independentes de média temperatura dotadas de compressor com capacidade inferior a 2,2 mil BTU/h e sem evaporador inundado.

A partir de 2020, os refrigerantes de alto GWP serão banidos de outras aplicações. Segundo a legislação local, os fabricantes não podem vender equipamentos ou produtos que usam HFCs proibidos fabricados após suas respectivas datas de proibição.

Quem também parece disposto a restringir ainda mais o uso de HFCs em sistemas de refrigeração é o governo da Dinamarca. O Ministério do Meio Ambiente do país europeu considera proibir totalmente, a partir de 2020, novas plantas com esses gases, informa a Associação Dinamarquesa da Indústria de Refrigeração e Bombas de Calor (AKB, em dinamarquês).

Por sinal, a Dinamarca tem liderado iniciativas de redução de HFCs desde 2001, quando adotou sua primeira legislação nacional sobre o tema. Isso incluiu a proibição de seu uso para determinados fins, medidas tributárias e suporte para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias alternativas.

Em fevereiro, o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão anunciou que vai aumentar os subsídios para o desenvolvimento de substâncias de baixo GWP nos próximos anos.

O aumento vem depois que o Ministério do Meio Ambiente do país asiático confirmou em dezembro do ano passado um orçamento de € 58 milhões para instalações com refrigerantes naturais no ano fiscal de 2019.

A medida recém-anunciada ajudará o Japão a “cumprir sua obrigação de redução de HFCs a partir de 2029, fortalecendo nossos esforços para desenvolver e introduzir fluidos refrigerantes usando novas alternativas”, disse Hideyuki Naoi, vice-diretor do Ministério da Economia.

Em junho do ano passado, o Japão revisou sua Lei de Proteção da Camada de Ozônio para controlar a produção e importação de HFCs. A nova legislação entrou em vigor em 1º de janeiro de 2019, assim como a Emenda de Kigali, pacto ratificado pelos japoneses em dezembro.

Esse acordo, aprovado pelas partes do Protocolo de Montreal na capital Ruanda, em 2016, obriga os países desenvolvidos signatários a reduzir o uso de HFCs em 85% até 2036, com base no consumo entre 2011 e 2013.

A ação também deverá ajudar esses países a atingir as metas de redução de emissões de dióxido de carbono (CO2) do Acordo de Paris.

Fluidos refrigerantes propano (R-290) e isobutano (R-600a) em loja da Frigelar

Caso seja aprovada, revisão de norma da IEC será aplicada a fluidos como o propano (R-290) e o isobutano (R-600a) | Foto: Nando Costa/Pauta Fotográfica

Oportunidades de negócios

A indústria global de refrigerantes de baixo GWP avança aproveitando oportunidades lucrativas em nações desenvolvidas, assim como nos países em desenvolvimento.

Para os especialistas, a crescente demanda por sistemas de refrigeração e condicionadores de ar, juntamente com a eliminação dos clorofluorcarbonos (CFCs) e hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) em todas as regiões do planeta, gerou um impacto positivo para o segmento, aumentando o consumo de substâncias mais ecológicas.

Um relatório recém-publicado pela Fact.MR, empresa global de pesquisa de inteligência de mercado, indica que o mercado de refrigerantes de baixo GWP vai registrar uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 8,1% entre 2019 e 2027.

Embora o cronograma de adoção de refrigerantes amigáveis ao clima possa variar por região ou país, em função de requisitos regulatórios individuais, as indústrias de compressores têm uma visão global focada na busca por refrigerantes de menor impacto climático.

“Em uma visão de curto a médio prazo, as regulamentações locais reduzirão ou banirão significativamente o uso de HFCs com alto GWP em aplicações de refrigeração”, reforça a Tecumseh, fabricante de compressores herméticos alternativos, rotativos e scroll, com capacidade de 1/15 a 30 cavalos de potência (hp), além de uma linha completa de unidades e sistemas de condensação para uso em aplicações residenciais e comerciais de refrigeração e ar condicionado.

Fundada em 1934, a companhia norte-americana – cujos equipamentos são fabricados em quatro continentes, incluindo a América Sul, onde a multinacional possui uma planta em São Carlos (SP) – acredita que os refrigerantes de baixo ou baixíssimo GWP serão a escolha principal dos fabricantes e usuários de sistemas de refrigeração comercial.

Num comunicado divulgado à imprensa no início do ano, a multinacional destaca que já dedicou recursos consideráveis na avaliação de refrigerantes de baixo GWP. Por isso, a empresa tem fornecido ao mercado compressores homologados para compostos desse tipo, assim como outras grandes indústrias do setor.