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Caminho sem volta

Fluidos como o R-290 e o R-600a ganham mais espaço no mercado a partir de normas como a ISO 5149.

A Busca por processos cada vez mais seguros e boas práticas em torno do manuseio e da armazenagem de fluidos refrigerantes inflamáveis tem levado fabricantes desses produtos e de equipamentos de climatização e refrigeração comercial a investir em inovações tecnológicas e a adotar normas técnicas para facilitar o dia a dia dos profissionais do setor.

Essa corrida ganhou corpo há aproximadamente cinco anos, quando foram iniciadas novas pesquisas sobre os potenciais de utilização de fluidos com baixo potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês). Em 2020, em função da pandemia, houve uma freada brusca na evolução das migrações, conforme atestam gestores do mercado ouvidos pela Revista do Frio.

 Mesmo assim, o trabalho não cessou. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), com apoio do Comitê Brasileiro Comitê Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (CB-55), por exemplo, publicaram em 2020 três das quatro partes da ABNT NBR ISO 5149. A parte 2 da norma, atualmente em fase conclusiva de elaboração e tradução, deve ser divulgada em breve.

A NBR ISO 5149 especifica os requisitos para aspectos de segurança e ambientais em relação à operação, manutenção e reparo de sistemas de refrigeração, recolhimento, reutilização e descarte de todos os tipos de fluidos refrigerantes, óleo lubrificante, fluido de transferência de calor, sistema de refrigeração e parte deles.

“Os estudos têm se focado no uso de fluidos inflamáveis (A3) e levemente inflamáveis (A2L). Com iniciativas de parcerias estrangeiras, existem máquinas no mercado com R-290 para refrigeração comercial, e alguns estudos para R-32 ou R-454B para ar condicionado. Mas ainda nada concreto em larga escala de produção”, explica Danilo Gualbino, gerente técnico da Emerson.

Segundo ele, o CB-55 vem trabalhando em algumas normas sobre o assunto, e em breve o mercado terá mais regulamentos sobre manuseio e armazenagem de fluidos inflamáveis, assim como cartilhas sobre boas práticas. “São trabalhos longos que precisam do apoio da indústria e dos profissionais da classe”, salienta.

O gestor acredita que o crescimento do segmento nos próximos anos deve ser influenciado principalmente pela sustentabilidade, redução da emissão de CO2 e no consumo de energia e pelas quebras de paradigmas quanto à operação de sistemas com fluidos inflamáveis.

Para atender às demandas que se apresentarão quando a economia começar a se recuperar, a Emerson oferece compressores das linhas YP e YA, cujo desenvolvimento traz como principais vantagens o uso de menor carga de fluido refrigerante quando comparado com um sistema com R-410A, portanto, com menor GWP.

“Esses equipamentos trazem maior capacidade de resfriamento e, como consequência, melhor eficiência, principalmente quando falamos do R-32 versus R-410A”, complementa Gualbino, enfatizando que o fato de o Brasil ainda não ter ratificado a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal acabou dificultando alguns projetos de saírem do papel.

Segundo o pacto climático, o Brasil faz parte do grupo de países deverá congelar o consumo dos hidrofluorcarbonos (HFCs) em 2024 e iniciar sua redução escalonada a partir de 2029, para em 2045 atingir o consumo máximo de 20% em relação à linha de base (média do consumo antes do congelamento).

Hoje, os carros-chefes da Emerson são os compressores e componentes para uso com o R-410A, conforme pontua o diretor comercial André Stoqui. “Esses produtos estão presentes tanto em ar-condicionado para conforto, como na indústria de processo, e em algumas aplicações de refrigeração comercial”.

A gradual mudança do mercado de fluidos refrigerantes também levou a profundas transformações nos negócios da Embraco, marca que agora faz parte do portfólio da Nidec Global Appliance. Esse processo reforçou os investimentos em pesquisa e desenvolvimento para a fabricação de compressores que utilizam os refrigerantes como o propano (R-290) e o isobutano (R-600A).

“Ambos já são uma parte considerável do nosso portfólio de compressores e unidades condensadoras. Isso porque a migração para refrigerantes naturais é um movimento mundial. Eles são considerados inflamáveis, mas as normas criadas para regulamentar seu uso garantem a segurança dessa utilização”, argumenta Fábio Venâncio, gerente de vendas responsável pelo portfólio Embraco para aplicações comerciais e mercado de reposição na América Latina.

Segundo ele, com a alta demanda do mercado, principalmente no segundo semestre do ano passado, os clientes focaram em entregaras produções e seguraram os novos desenvolvimentos, impactando diretamente nas migrações para os chamados refrigerantes naturais.

“Nossa expectativa, porém, é que os novos desenvolvimentos sejam retomados a partir do segundo trimestre de 2021”, projeta.

O gestor conta que entre os clientes de grande porte da multinacional, tanto do segmento de refrigeração comercial quanto do doméstico, todos já possuem produtos que utilizam R-600a e R-290. “No entanto, todos eles ainda utilizam plataformas para R-134a e R404A, entre outros tipos de HFCs”, preocupa-se.

Atualmente, entre os equipamentos da Embraco para o mercado brasileiro que usam refrigerantes naturais, destacam-se algumas famílias de compressores, como o modelo FMF, voltados à refrigeração comercial de todos os segmentos, desde o varejo de alimentos até a área médica. Já para o segmento residencial, a empresa oferece a família de compressores da linha EM, cujos modelos mais modernos disponíveis no país são o EM2 e o EM3.

“Acreditamos que o uso de refrigerantes naturais são uma parte importante do presente e do futuro da refrigeração. Por isso, direcionamos nossos esforços para desenvolver compressores e unidades condensadoras aptos a utilizar esses tipos de fluidos, que não causam a destruição da camada de ozônio e têm impacto mínimo no aquecimento global, além de contribuírem para a eficiência energética do equipamento”, completa Venâncio.

Koura desenvolve refrigerante alternativo ao CO₂

A mexicana Koura (refrigerante Klea) está desenvolvendo uma nova alternativa ao CO₂. Segundo a companhia, o fluido refrigerante em questão poderá fornecer maior eficiência e menores pressões operacionais em sistemas de ar condicionado automotivo e bombas de calor residenciais.

O fluorproduto em desenvolvimento, chamado inicialmente de LFR3, é considerado não inflamável e, fundamentalmente, possui um potencial de aquecimento global (GWP, na sigla em inglês) abaixo do limite de 150, conforme requerido para sistemas de ar condicionado automotivo na União Europeia.

Os componentes do novo refrigerante não foram revelados e a Koura ainda não o submeteu ao processo de classificação da Associação Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionando (Ashrae).

No entanto, a Koura afirma que o novo gás não é inflamável. A indústria mexicana também afirma que é ele 20% mais eficiente do que o CO₂ e também tem uma pressão de operação de 15% a 20% menor do que o refrigerante “natural” com o qual procura competir.

O material de divulgação da Koura enfatiza que “o LFR3 foi projetado para atingir um impacto ambiental menor e melhor desempenho do que o CO₂ em uma ampla faixa de temperatura ambiente – será adequado para uma variedade de aplicações de resfriamento em toda a indústria”.

As aplicações potenciais que listadas pela empresa são de ar condicionado de transporte de veículos e passageiros, sistemas de bomba de calor, cadeia do frio e sistemas de transporte, bem como aplicações de refrigeração comercial.

No entanto, o mesmo material de divulgação sugere que seu mercado primário seja o setor de ar condicionado automotivo, comparando o LFR3 com o CO₂ em testes realizados em conformidade com o J2765, padrão utilizado na indústria de climatização automotiva.

Quando ainda se chamava Mexichem, a Koura desenvolveu o blend R-445A para substituir o R-134a em sistemas do gênero. O produto recebeu críticas muito positivas e foi considerado menos inflamável do que o R-1234yf, mas, por ter chegado depois do yf ao mercado, não conseguiu se firmar no segmento.

Danfoss apresenta nova versão do controlador de evaporador EKE 400

A Danfoss anuncia uma nova versão do controlador de evaporador EKE 400 , desenvolvido para operar em sistemas de refrigeração industrial de qualquer porte. Munido das mesmas funcionalidades de controle e otimização operacional no modo de refrigeração e degelo, o controlador de evaporador é projetado para obter grande desempenho em válvulas da Danfoss, mas também funciona com outras válvulas.

O controlador de evaporador EKE 400 gerencia toda a operação no modo de refrigeração e degelo, ajudando a proporcionar uma sequência ideal de degelo em sistemas com amônia, CO2 e HFC/HCFC. A ferramenta é aplicável em sistemas inundados e com expansão direta (DX), além de oferecer suporte a vários métodos de degelo, como gás quente por controle de pressão ou drenagem de líquido, degelo elétrico e degelo com água/brine.

Composto por um Sistema de Controle Distribuído (DCS) e um controle por algoritmos, o EKE 400 apresenta praticidade em suas configurações. Esta combinação, segundo a empresa, ajuda a reduzir o tempo e o custo de sua instalação, além de garantir segurança e eficácia operacional.

O EKE 400 inclui comunicação Modbus, o que permite uma integração de suas atividades a um sistema PLC central. Porém, ele também pode ser utilizado de forma autônoma, caso esta opção seja mais compatível com a dinâmica de funcionamento da instalação.

Mayekawa torna-se única empresa a oferecer portfólio completo de Refrigeração com CO2

A parceria entre as gigantes da refrigeração atenderá o mercado latino americano, onde filiais da Mayekawa serão responsáveis por distribuir e instalar os produtos TEKO no continente. A partir dessa união, a Mayekawa disponibilizará para o mercado portfólio completo em soluções e equipamentos de Refrigeração com CO2, já que a Mayekawa é uma das poucas empresas fabricantes que entrega soluções de refrigeração com CO2 bombeado (CO2 como fluido secundário), transcrítico e subcrítico para o mercado.

“O Grupo Mayekawa é centenário e detentor de tecnologias patenteadas, que fazem a diferença em instalações industriais promovendo o melhor custo x benefício para a qualidade final do produto. Dessa forma nos unimos com parceiros de ponta, como a TEKO, para oferecer esta concepção as demais áreas da Refrigeração, disponibilizando soluções completas para o setor”, informa o diretor comercial da Mayekawa do Brasil, Silvio Guglielmoni, que acrescenta: “além da tecnologia japonesa presente nos equipamentos Mayekawa, através da TEKO, o mercado brasileiro passa a contar também com a tecnologia alemã para os sistemas transcríticos e subcríticos”.

Transcrítico e Subcrítico – Seguindo as tendências mundiais e com a futura regulamentação da emenda de Kigali do protocolo de Montreal em nosso país, o sistema CO2 transcrítico vem se tornando a aplicação mais viável e eficiente para sistemas de refrigeração em baixas temperaturas em diversos mercados como o varejo de alimentos e centros de distribuição em zonas de clima frio a moderado.

Este sistema permite uma excelente e eficiente recuperação de calor e o consumo de energia está em um nível igual ou melhor em relação aos sistemas com fluidos HFC sendo que o projeto é relativamente simples.

Mesmo sendo um sistema simples, o transcrítico tem as suas particularidades pois trabalha com pressões do CO2 bem acima dos fluidos dos sistemas convencionais de refrigeração, obrigando o mercado e os usuários a uma mudança de paradigmas, exigindo várias medidas para se adequar as estas pressões como treinamento de mão de obra especializada em CO2 e sistemas de segurança adequados a estas pressões envolvidas. “Para amenizar estas mudanças de conceitos no mercado e acostumar os usuários e operadores a trabalhar com o CO2, o sistema subcrítico serve como uma transição neste processo pois, além de ser um sistema também eficiente, ele também trabalha com pressões médias de CO2 e com sistemas convencionais de refrigeração para condensação do mesmo”, conclui Guglielmoni.

Agora com a TEKO, a Mayekawa, que também é distribuidora exclusiva dos compressores Frascold, presentes nestes sistemas, oferece portfólio completo para sistemas de Refrigeração.

Ministério do Meio Ambiente divulga estudo de caso sobre retrofit do R-22

O relatório técnico do Terceiro Projeto Demonstrativo de Melhor Contenção de HCFC-22 em Supermercados, criado no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), já está disponível para download gratuito.

O relatório traz resultados significativos de ganhos sociais, ambientais e econômicos, obtidos durante estudo de caso realizado no supermercado Angeloni, localizado na cidade de Balneário Camboriú, em Santa Catarina, por cerca de dois anos.

No estudo são detalhados todos os procedimentos para a troca do antigo sistema de refrigeração comercial da loja, com fluido refrigerante HCFC-22, pelo atual sistema subcrítico de dióxido de carbono (CO₂) em cascata com o HFC-134a.

 “Este estudo é resultado de um trabalho muito complexo, porque a instalação de um sistema de refrigeração que originalmente foi projetado e dimensionado para uma outra loja foi um desafio, mas conseguimos alcançar plenamente o objetivo graças ao apoio dos nossos parceiros: o Grupo Angeloni, a Eletrofrio e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras)”, diz Stefanie von Heinemann, consultora e gerente de projetos da GIZ-Proklima no Brasil, responsável pelas ações do Projeto paro o Setor de Serviços do PBH, coordenadas pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

“Nesta empreitada, contamos também com o conhecimento de consultores técnicos com experiência internacional, como por exemplo o próprio autor do relatório, o engenheiro Miquel Pitarch.  Devido a esse esforço conjunto,  os varejistas e suas equipes técnicas têm agora acesso a um estudo inédito no País, que traz informações valiosas e bem embasadas para poderem optar por fluidos refrigerantes alternativos de baixo GWP, como por exemplo os fluidos naturais, na futura troca de seus sistemas de refrigeração”, explica

Os ganhos demonstrados ressaltam a relevância do tema. O Projeto foi criado com objetivo de promover conhecimento técnico aos supermercadistas, tendo em vista que o HCFC-22, fluido refrigerante mais utilizado na refrigeração comercial no Brasil, deve ter seu uso eliminado até 2040, seguindo os cronogramas estabelecidos pelo Protocolo de Montreal  — para 2025 está prevista redução das importações de HCFC em 67,5%.

Cumprindo esse objetivo, o estudo de caso destaca ações para redução dos vazamentos de fluidos refrigerantes para a atmosfera, por meio da aplicação das boas práticas durante a instalação, operação, reparo e manutenção de equipamentos de refrigeração e ar condicionado.

“É um estudo muito importante, que vale a pena ser conferido por outros supermercadistas, que ainda utilizam o R-22. Estimo que mais de 85% dos supermercados brasileiros ainda utilizam R-22, que vai ser eliminado, e, portanto, esses varejistas precisam de alternativas, como a demonstrada no estudo. Os resultados alcançados são muito relevantes”, afirma Rogério Marson Rodrigues, gerente de engenharia da Eletrofrio.

A publicação deste terceiro estudo completa o escopo do Projeto Demonstrativo de Melhor Contenção de HCFC-22 em Supermercado. Destaca-se que nos dois primeiros estudos do Projeto publicados (Yamada Nazaré, em Belém, e Hortifruti do Campo, em São Paulo) foram realizadas intervenções completas (incluindo troca de peças e equipamentos) para redução dos vazamentos de HCFC- 22, sem troca de fluido refrigerante.

Portanto, totalizam três publicações técnicas de estudos de caso, totalmente gratuitas, à disposição dos varejistas brasileiros (empresários e profissionais da área de refrigeração comercial) que procuram estratégias para redução de vazamentos de fluidos refrigerantes e/ou opções para substituição do HCFC-22.

Confira o relatório técnico sobre a mudança de sistemas no Angeloni. Baixe o pdf em: http://www.boaspraticasrefrigeracao.com.br/publicacoes

Danfoss busca neutralidade de CO₂ até 2030

O Grupo Danfoss reduziu consideravelmente sua intensidade energética global nos últimos anos. Atualmente, atividades adicionais são iniciadas para reduzir ainda mais o consumo de energia e fazer a transição para energia renovável da demanda restante em todas as operações da Danfoss. Além disso, a empresa compromete-se a mudar sua frota de carros para se tornar elétrica até 2030. Essas são as iniciativas para se tornar neutra em CO2 em todas as operações globais o mais tardar em 2030. A multinacional atualizará continuamente os planos para permanecer alinhados com a ciência.

Para enfatizar ainda mais seu compromisso em combater o aquecimento global, a Danfoss está participando da campanha do Pacto Global da ONU “Business Ambition for 1.5°C – Our Only Future” e se compromete a estabelecer metas baseadas na ciência. A Danfoss se une ao movimento global de empresas líderes, alinhando seus negócios com o objetivo mais ambicioso do Acordo de Paris, para limitar o aumento da temperatura global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

“O foco em eficiência energética, acoplamento setorial e eletrificação são as principais etapas para um futuro sustentável. Esse é o núcleo do nosso negócio e as soluções que oferecemos aos nossos clientes. A descarbonização de nossos negócios, por exemplo, usando energia excedente do nosso calor de processo na produção e nos datacenters, são etapas naturais. Impulsionar a eletrificação e integrar as energias renováveis é como tomamos as medidas climáticas e atingimos nossas metas. Estamos bem encaminhados e continuaremos avançando para mostrar que o crescimento verde é realmente possível”, diz Kim Fausing, Presidente e CEO do Grupo Danfoss.

A Danfoss está trabalhando em planos detalhados sobre como atingir as metas, incluindo como equilibrar o potencial impacto de CO2, termos comerciais e considerações de footprint de fábrica a longo prazo. A abordagem geral é a “eficiência energética em primeiro lugar”, que também suporta uma alta parcela de fontes renováveis. Menos energia verde necessária significa que são necessários menos investimentos em extensão da rede, armazenamento de energia, capacidades de backup e importações de energia. Por fim, a eletrificação, alimentada por fontes renováveis, é uma ferramenta que permitirá à Danfoss descarbonizar o negócio.

“Sustentabilidade é um bom negócio para nossos clientes, ao planeta e às pessoas. Como empresa líder, provamos que é possível cumprir metas climáticas ambiciosas descarbonizando nosso próprio negócio e fornecendo as soluções necessárias para dissociar o crescimento econômico do consumo de energia, reduzindo a energia necessária em primeiro lugar”, finaliza Kim Fausing.

Setor se reúne na implementação de alternativas para fim do uso de gases prejudiciais à camada de ozônio

Representantes do setor de refrigeração do país inteiro se reuniram nesta quinta-feira (25) para debater sobre a substituição de um dos gases danosos ao meio ambiente. O evento propôs iniciar a capacitação para utilização de CO2 em equipamentos de refrigeração comercial, como alternativa a substâncias que causam danos à camada de ozônio e têm maior potencial de aquecimento global.

Os HCFCs, assim como outros fluidos sintéticos, são gases utilizados extensivamente em diversos setores industriais como o da refrigeração, espumas e solventes. Mas causam um grande dano à camada de ozônio e, por consequência, ao planeta.

“O HCFC é geralmente atrelado a um GWP (Global Warming Potential ou potencial de aquecimento global) elevado. Usando CO2, o impacto ambiental é muito menor. O GWP do CO2 é a referência-base, GWP igual a um. Um dos fluidos mais utilizados hoje no meio de refrigeração, o HFC 134a, tem o GWP de 1430”, disse o palestrante Marcus Vinícius, da Universidade Federal de Uberlândia. Ele ainda alerta dos perigos dos HCFCs: “Já os HCFCs contêm cloro e o cloro reage com o ozônio. Essa reação é uma das causas do problema da camada de ozônio”.

O dióxido de carbono (CO2) se apresenta como uma alternativa com resultados energéticos similares e com um impacto incomparavelmente menor ao meio ambiente.

“O CO2 é um fluido natural e vem contribuir com essa tendência de combater o aquecimento global, sem falar nos efeitos na camada de ozônio. Ele tem uma eficiência energética, com a tecnologia que temos hoje, muito boa e com isso você consegue ter equipamentos compatíveis e com uma eficácia similar aos que são usados atualmente e que prejudicam o meio ambiente”, disse Enio Bandarra, um dos palestrantes do workshop.

O palestrante ainda citou uma vantagem de se trabalhar com elementos naturais em detrimento de outros fluidos sintéticos: “Por ser natural, por exemplo, se acontece um vazamento, ele é naturalmente absorvido pela natureza. É um fluido muito barato e também muito disponível na natureza”.

Desafios

Se os benefícios da utilização do CO2 são iminentes, os desafios para que essa tecnologia alcance todo o mercado que pode atingir também estão claros. Entre os expositores do workshop, Sidney Mourão, representante da Dorin (empresa de compressores), reconheceu os empecilhos, mas salientou a necessidade da mudança de mentalidade.

“É um fluido novo, requer alguns cuidados, mas não é um bicho de sete cabeças. Não é uma mudança que acontecerá da noite para o dia, mas se você não fizer eventos como o de hoje, vai demorar ainda mais. É uma quebra de paradigma e você só consegue fazer mostrando novas opções para as pessoas. O ponto é que essa transformação já está acontecendo lá fora. Quando chegar aqui no Brasil, nós estaremos prontos?”

Nesse sentido, o evento cumpriu seu papel. Além das informações técnicas passadas pelos palestrantes, as trocas de experiências entre os profissionais foi intensa do começo ao fim.

O palestrante David Marcucci destacou a importância dessa troca de informações para superar alguns tabus. “Eventos como esse permitem que as empresas tenham contato com novas tecnologias dessa área, saibam mais sobre os quesitos para utilização desses fluídos e até quebrem alguns preconceitos sobre essas novas tecnologias.”

Entre os que participaram como espectadores do encontro, Tomaz Cleto, da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), destacou a urgência do tema para o país. “O Brasil já está atrasado em relação a outros países no sentido de discutir opções aos HCFCs. Nós, fabricantes, instaladores, empresas de serviço e também os usuários temos que nos preparar para isso.”

Ele também frisou a importância do evento e de se discutir o tema para avanços na área de refrigeração. “Eu acho extremamente oportuno esse tipo de evento. Precisamos de mais eventos e mais pessoas participando para enriquecer essa discussão de novas tecnologias.”

O CO2 já em uso

Empresas expositoras desta quinta feira mostraram diversos aparelhos que já funcionam com a utilização do CO2.

Representante da empresa Eletrofrio, Ivair Soares acredita que mais mudanças no setor estão por vir: “Eu acredito que, num período de cinco a dez anos, nós veremos e viveremos essa revolução de encontro a essa tecnologia. Hoje, olhando pelo viés ambiental, o CO2 em conjunto com o propano é a escolha mais acertada entre os fluidos”.

Sobre o workshop

O evento foi realizado pela Organização das Nações Unidas para Desenvolvimento Industrial (UNIDO), como parte das atividades do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), visando cumprir metas traçadas em 2007 do Protocolo de Montreal.

Esse é o segundo de um ciclo de três workshops que tem por objetivo auxiliar tecnicamente pequenas e média empresas fabricantes de equipamentos de refrigeração comercial na implantação de novas tecnologias. A proposta é ajudá-las a adotar fluídos frigoríficos alternativos ao HCFC-22.

Pretende-se que esse ciclo de reuniões seja a introdução de um processo de construção e aprimoramento do conhecimento sobre fluidos frigoríficos alternativos, com vistas a que sejam utilizados, manuseados e aplicados de forma tecnicamente adequada, segura e responsável.

O próximo workshop, que abordará os fluidos frigoríficos HFOs, acontecerá novamente na cidade de São Paulo, no dia 13 de junho.

Fonte: Nações Unidas

Carrier comemora instalação de 10 mil sistemas com CO₂ na Europa

A área de refrigeração comercial da Carrier está comemorando uma conquista marcante com a entrega de seu 10.000º sistema de refrigeração com CO₂ para clientes na Europa.

A primeira instalação do gênero da empresa foi realizada em 2004 em um supermercado na Suíça. Desde então, os negócios da companhia norte-americana só cresceram por lá.

“Acreditamos que esse refrigerante natural é a solução adequada para os requisitos regulatórios e as expectativas dos clientes quanto a uma tecnologia de refrigeração sustentável e eficiente”, disse Victor Calvo, presidente da divisão de refrigeração comercial da Carrier.

Atualmente, a empresa oferece uma gama completa de sistemas com CO₂ para atender a uma variedade de aplicações de 1 kW a 1.2 MW em todos os climas.

O movimento do fabricante em direção a refrigerantes naturais, que começou com instalações em supermercados, está se expandindo para locais como pistas de patinação no gelo, armazéns frigoríficos e outros empreendimentos.

Carel triplica participação em projetos com CO₂

A Carel, fabricante italiano de componentes. triplicou o número de seus projetos de sistemas de refrigeração com dióxido de carbono (R-744) e inversores de frequência em 2018, informou a multinacional num comunicado à imprensa.

Os sistemas vendidos durante o ano de 2018 economizaram quase três mil MWh de energia, evitando o lançamento de 1,5 mil tonelada de CO₂ no meio ambiente, destacou a Carel no comunicado.

Além disso, a empresa estimou que seus projetos de 2018 reduzem 2,5 mil toneladas de emissões CO₂ em comparação com as soluções com o hidrofluorcarbono (HFC) R-404A de mesma capacidade. Isso representa uma economia total líquida de quatro mil toneladas de CO₂ – o equivalente a nenhum carro circulando pelo centro de Londres por 20 dias.

Os produtos para CO₂ da Carel incluem controladores, válvulas de alta pressão e ejetores moduladores eletrônicos.

“Soluções com refrigerantes naturais representam o presente e não mais o futuro”, disse Matteo Dal Corso, especialista em aplicações para o varejo da Carel.

Latas de bebidas já resfriam sozinhas nos EUA

A empresa californiana The Joseph Company, especializada em tecnologia e alimentação, acaba de lançar um sistema que permite refriar uma lata de cerveja de forma autônoma.

A tecnologia, chamada de “MicroCool”, demorou duas décadas para ser desenvolvida e aperfeiçoada.

Até o momento, as latinhas que se resfriam em um minuto sem usar eletricidade, energia ou gelo, apenas são comercializadas em algumas lojas de Los Angeles, na Califórnia.

Como funciona?

Ao girar o item, a peça libera o dióxido de carbono (CO2) de um depósito interno na lata. É ele que resfria a bebida dentro de 75 a 90 segundos, fazendo com que sua temperatura caia cerca em de 16ºC. O produto fica 150 gramas mais pesado em função do novo sistema.

Fonte: G1