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Perspectiva otimista para o setor de HVAC-R em 2025

Especialistas do setor preveem um crescimento acelerado em função de novas oportunidades de negócios, com destaque para soluções inovadoras e demandas específicas impulsionadas pelo mercado.

Com avanços tecnológicos, regulações ambientais mais rigorosas e a busca por eficiência energética, o setor de HVAC-R promete atravessar 2025 com crescimento significativo e abertura de novas oportunidades de negócios. O ano de 2025 já desponta como promissor para o mercado de aquecimento, ventilação, ar-condicionado e refrigeração, impulsionado por uma combinação de fatores econômicos, avanços tecnológicos e a crescente preocupação com a sustentabilidade.  Entidades como a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) e a Federação Internacional de Refrigeração (IIR) apontam que um dos grandes motores de crescimento para o setor será a adoção de soluções sustentáveis e a eficiência energética. De acordo com a ABRAVA, as vendas de equipamentos que utilizam fluidos refrigerantes naturais ou de baixo GWP (Potencial de Aquecimento Global) devem aumentar em até 25% em 2025. Há também uma expectativa de que novas legislações ambientais estimulem investimentos em equipamentos mais modernos e em projetos de retrofit, especialmente em sistemas industriais e comerciais, que ainda dependem de tecnologias antigas e menos eficientes.

A digitalização continua a transformar o setor de HVAC-R. Sistemas inteligentes de gerenciamento de energia, como a Internet das Coisas (IoT) e soluções em nuvem, estarão no centro dos novos negócios. Essas tecnologias permitem que empresas otimizem o desempenho de seus sistemas, reduzam custos operacionais e atendam aos requisitos de eficiência estipulados pelas normativas nacionais e internacionais. Estima-se que o segmento de controle inteligente de HVAC-R registre um crescimento anual composto (CAGR) de 8% até 2025, segundo um estudo recente da Allied Market Research.

Demanda por climatização

No mercado brasileiro, a venda de equipamentos para climatização residenciais também está em alta. Dados do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) indicam que a penetração do ar-condicionado em residências deve crescer 12% no próximo ano, reflexo de uma combinação entre aumento da renda disponível e programas de financiamento que facilitam a aquisição.

Walter Miyagi Corrêa, Fujitsu

Para 2025, a Fujitsu General do Brasil espera expandir sua atuação no mercado e investir em inovações tecnológicas, destacando-se pela eficiência energética e sustentabilidade de seus produtos. “A empresa planeja expandir o portfólio de produtos, com novas linhas e designs, sempre focados em tecnologia, qualidade e conforto. Em termos de negócios, a expectativa é incrementar ainda mais o market share e fortalecer nossa parceria juntos aos clientes e instaladores”, revela Walter Miyagi Corrêa, Gerente Nacional de Vendas da Fujitsu.

Por outro lado, o setor comercial prevê aumento na adoção de soluções completas, como sistemas de HVAC que combinam controle de qualidade do ar interno, eficiência energética e personalização para diferentes aplicações, incluindo hospitais, escolas e shopping centers.

Carlos Murano, Gree

A Gree projeta um crescimento de até 15% em 2025, ligado à evolução do portfólio da companhia, que foi atualizado em 2024 para incluir 100% de equipamentos com tecnologia inverter e gás R-32, uma escolha que visa alta eficiência energética e baixo impacto ambiental. “O R-32 é um fluido refrigerante que apresenta um potencial de aquecimento global 68% inferior ao R-410A, gás comumente utilizado no Brasil. Além disso, não causa danos à camada de ozônio, alinhando-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e as crescentes demandas por soluções ecológicas no mercado”, destaca Carlos Murano, gerente executivo da Gree.

Sistemas sustentáveis

Especialista preveem que em 2025, espera-se que o setor de HVAC-R atinja cifras recordes, com previsão de que o mercado global ultrapasse a marca de US$ 300 bilhões. O Brasil, em particular, se destaca pela adoção de sistemas sustentáveis, como os que utilizam propano e CO2 como fluidos refrigerantes.

O setor de refrigeração apresentou um desempenho sólido em 2024, impulsionado pela crescente demanda por tecnologias sustentáveis e eficientes. Para 2025, as expectativas são ainda mais positivas, com o mercado se consolidando em torno de soluções inovadoras que combinam sustentabilidade e tecnologia.

Joana Canozzi, Copeland

“No Brasil projetamos um aumento na demanda por soluções eficientes e compactas que proporcionam baixo impacto ambiental, tais como as que oferecemos para aplicação de propano e CO2 ‚ principalmente para refrigeração comercial. A narrativa da transição energética continuará guiando nossas ações em 2025, com investimentos em tecnologias que promovam eficiência energética e sustentabilidade”, informa Joana Canozzi, Diretora de Serviços de Engenharia para América do Sul da Copeland.

Segundo a diretora da Copeland, 2025 será um ano promissor para o setor de HVAC-R, impulsionado pela inovação, sustentabilidade e transição energética. “A eficiência energética, redução de emissões e conectividade serão os pilares para atender às demandas globais por soluções mais responsáveis e tecnológicas e estamos trabalhando para esse crescimento”, acrescenta.

Já a Elgin está mais cautelosa. “O desempenho de refrigeração foi muito bom para a Elgin em 2024, especialmente no primeiro semestre, garantindo um crescimento por volta de 25% em relação ao ano anterior. O cenário atual do mercado sugere cautela nas decisões. No momento, o real está fortemente desvalorizado e isso pode acarretar algum arrefecimento do mercado. Mesmo assim, temos planos de crescimento relevante para 2025, assim como nos anos anteriores”, diz Omar Martins Aguilar, Diretor Comercial de Refrigeração da Elgin.

Omar Martins Aguilar, Elgin

Atualmente, o cenário econômico global se mostra muito desafiador, especialmente diante de tantos conflitos acontecendo ao redor do mundo, algo que sempre impacta a economia global. “Como o mercado de refrigeração usa muitos insumos adquiridos no mercado internacional, essas instabilidades econômicas afetam diretamente os custos de matéria prima. Estamos em fase adiantada de desenvolvimento de soluções para os produtos que ainda precisam de atualização, e já comercializamos em nosso portfólio diversos produtos que atendem essa demanda, como por exemplo a linha fracionária e as unidades inverter, que está em fase de lançamento. Mantemos uma postura otimista e seguiremos comprometidos com nosso trabalho firme e compromissado, com expectativas de mais um ano de sucesso e crescimento”, aponta o diretor da Elgin.

Capacitação e novos negócios

O setor também trabalha para capacitar mão de obra especializada. O Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), lançado recentemente, é um exemplo claro de como investimentos em qualificação podem fortalecer as empresas e expandir seus horizontes no mercado internacional, promovendo crescimento e geração de trabalho especializado.

Eventos e feiras poderão promover o desenvolvimento de parcerias e apresentação de inovações como a FEBRAVA 2025, que acontece em setembro, e consequentemente, um crescimento significativo. A expectativa é que esses encontros movimentem bilhões em novos contratos e coloquem o Brasil como referência internacional na implementação de tecnologias limpas e seguras no setor de HVAC-R.

Os desafios permanecem, como a falta de componentes no mercado e a necessidade de avançar em regulamentações locais. Ainda assim, o momento é de otimismo.

CONBRAVA 2025 discute desafios climáticos e abre chamada de trabalhos

O XIX CONBRAVA – Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar terá como tema central “O AVACR e os desafios das mudanças climáticas”. O evento ocorrerá de 10 a 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo, na capital paulista. Organizado pela ABRAVA o congresso é reconhecido como o maior da América Latina no setor e referência internacional para o compartilhamento de conhecimento e inovações tecnológicas.

Segundo Charles Domingues, presidente da Comissão Organizadora, a escolha do tema busca provocar reflexões sobre os impactos ambientais e sociais do setor. “Queremos enfatizar a importância de uma atuação responsável, acompanhada da busca contínua por conhecimento, inovação tecnológica e avanços voltados à eficiência energética”, afirmou. Domingues destacou ainda o compromisso da organização em trazer novidades e promover mudanças conceituais alinhadas às tendências globais.

O congresso, realizado desde 1987, já reuniu mais de 17 mil profissionais e promoveu mais de 450 palestras. Para a edição de 2025, foram definidos cinco temas principais, divididos em 27 subtemas: Ar Condicionado, Aplicações no HVAC-R, Refrigeração, HVAC-R como Provedor de Qualidade de Vida e Equipamentos e Sistemas. A convocatória de trabalhos está aberta até 10 de fevereiro de 2025, com expectativa de receber artigos científicos e técnicos de pesquisadores, estudantes, empresas e profissionais do setor. Os três melhores trabalhos serão premiados com R$ 5.000, R$ 3.000 e R$ 1.000, respectivamente, conforme votação do público.

O CONBRAVA ocorre paralelamente à FEBRAVA – Feira Internacional de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento, Tratamento de Ar e de Águas, que será realizada de 9 a 12 de setembro.

Splits tem alta demanda e se consolida como a principal escolha do mercado

Soluções eficientes e tecnológicas ganham destaque diante do aumento das temperaturas e da exigência de sustentabilidade.

O aumento das temperaturas médias no Brasil tem impulsionado a demanda por aparelhos de ar condicionado, especialmente os modelos do tipo split. Com sua combinação de eficiência energética, design moderno e funcionalidades avançadas, o equipamento tem se tornado uma escolha popular entre consumidores que buscam maior conforto térmico em casa ou no trabalho.

Dados da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) mostram que as vendas cresceram 12% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período de 2023. Esse aumento está diretamente relacionado ao aumento das temperaturas médias no país, com ondas de calor registrando picos de até 40°C em algumas regiões, especialmente no Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste.

Já a Agência Internacional de Energia (AIE) projeta que o número de unidades de ar condicionado no Brasil pode saltar de 36 milhões para 160 milhões até 2050, um aumento de 350%.

O impacto dessas temperaturas elevadas tem intensificado a busca por soluções de climatização mais eficientes e acessíveis. Equipamentos do tipo split ganharam destaque e tornaram-se os preferidos dos consumidores.

É conhecido pelo baixo nível de ruído, um diferencial importante para ambientes residenciais e corporativos. Além disso, a tecnologia inverter, presente na maioria dos modelos, permite maior eficiência energética ao ajustar o consumo conforme a necessidade, reduzindo custos e impactos ambientais.

Muitos modelos oferecem tanto resfriamento quanto aquecimento, o que amplia sua utilidade, inclusive nas regiões mais frias do Brasil. A conectividade com dispositivos móveis e a integração com sistemas de Internet das Coisas (IoT) também confere ao equipamento um apelo moderno e tecnológico.

Os fabricantes têm apostado na inovação para atender à demanda crescente, enquanto incentivos governamentais e o Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) reforçam a oferta de produtos sustentáveis.

O cenário é positivo, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde o calor é constante somado a isso o acesso ao crédito e um consumidor mais exigente sinaliza que 2024 finalizará como um bom ano para a climatização residencial e comercial no Brasil, com o split consolidando-se como a principal escolha do mercado. Parte inferior do formulário

Walter Miyagi Corrêa, Fujitsu General do Brasil

“Neste ano, a economia mais estável e a retomada gradativa do mercado imobiliário, incentivou ainda mais o crescimento e o investimento no segmento de condicionadores de ar, tanto residencial quanto comercial. Os modelos com tecnologia inverter se destacaram por seu desempenho superior em economia de energia, característica essa regulamentada e incentivada por métricas como o IDRS (Índice de Desempenho de Resfriamento Sazonal). Esse índice do Inmetro contempla uma visão mais completa de eficiência energética, o que torna os aparelhos classificados como “A” muito atraentes para consumidores que buscam minimizar custos com energia elétrica. Outro fator relevante foi o aumento na oferta de modelos com fluidos refrigerantes de menor impacto ambiental, como o R-32, em combinação com sistemas Inverter que reduzem o consumo energético e contribuem para a sustentabilidade. Isso também impulsionou a aceitação desses aparelhos entre consumidores mais conscientes do impacto ambiental”, informa Walter Miyagi Corrêa, Gerente Nacional de Vendas da Fujitsu General do Brasil.

A substituição gradual de fluidos refrigerantes mais poluentes pelo R32 representa outro avanço significativo. Este fluido, amplamente utilizado em aparelhos split, tem menor impacto ambiental em comparação com o R410A, contribuindo para a redução do potencial de aquecimento global. Além disso, o R32 exige menor quantidade de fluido por quilowatt, melhorando o desempenho energético dos sistemas.

Anderson Bruno, Elgin

Anderson Bruno, Diretor Comercial de Eletroportáteis e Climatização da Elgin, também aponta a época propicia para alta demanda: “Tratando-se do grande crescimento nas vendas em 2024, inclusive no inverno, sendo este considerado o ano mais quente da história por muitos especialistas. O Brasil tem um grande potencial de crescimento em ar-condicionado residencial, já que a presença de aparelhos nas residências ainda é muito baixa, especialmente se tratando de um país tropical. A Elgin foi uma das empresas pioneiras a atender as exigências do protocolo de Kyoto no mercado de ar-condicionado brasileiro, utilizando o gás refrigerante R-32, com baixo GWP. Além disso, também direcionamos 100% de nossa produção para unidades com tecnologia Inverter com selo classificação A no Inmetro, sistema de filtragem com ionizador e filtro de íons de prata para combater microrganismos, assim como a conectividade Wi-Fi, que já é uma exigência dos nossos consumidores”, destaca Bruno.

Eficiência e acessibilidade

Considerando o quarto trimestre mais quente da história, ficando atrás apenas do ano anterior, o avanço da tecnologia e a inovação em aparelhos inverter e silenciosos impulsionaram o crescimento do mercado, levando os consumidores a buscarem cada vez mais esse tipo de produto, que oferece um conforto superior. O crescente interesse por imóveis sustentáveis, confortáveis e tecnologicamente avançados, também tem sido um fator adicional que fortalece essa tendência.

Emerson Wojcik, Philco

“Tais características levam os consumidores a trocarem e instalar novos aparelhos em suas residências, proporcionando mais conforto, refrescância, mais tecnologia e economia. Os ares-condicionados possuem uma classificação energética AAA+, opção de instalação do Kit Home Smart Wi-Fi, o qual permite o controle remoto do aparelho, entre outras vantagens. Esses modelos mantêm um funcionamento estável e contínuo, evitando picos de energia e garantindo economia significativa. Além disso, possuem classificação energética A e utilizam o gás refrigerante R-32, que tem menor impacto ambiental. Dentre os avanços, estão os revestimentos anticorrosivos e serpentina em cobre, o que torna os aparelhos ideais para qualquer região, incluindo áreas litorâneas com alta incidência de maresia”, comenta Emerson Wojcik, Diretor Comercial da Linha Branca da Philco.

Leonardo Fogaça, LG do Brasil

De acordo com Leonardo Fogaça, gerente de produtos de Ar-Condicionado Residencial da LG do Brasil, a combinação de fatores elevou a produção nacional de equipamentos do tipo split, registrando um crescimento de 75,8% no primeiro semestre, conforme dados da SUFRAMA (Superintendência da Zona Franca de Manaus), refletindo um aumento nas vendas. A resposta do mercado a essas condições desafiadoras destaca a resiliência do setor em se adaptar e prosperar: “Com a crescente conscientização sobre a sustentabilidade e a necessidade de redução de custos, a LG tem adotado uma abordagem proativa para lidar com essas questões, investindo em inovação e tecnologia para oferecer soluções eficientes e adaptáveis às necessidades do consumidor. Além disso, estamos focados em desenvolver produtos com maior eficiência energética e que ofereçam conforto térmico de forma sustentável, alinhando-nos às expectativas dos consumidores com soluções que respeitem o meio ambiente. Esse é um fator importante que auxilia o consumidor na hora da tomada de decisão de compra e reflete na economia doméstica, além de colaborar com o meio ambiente”, diz Fogaça.

Carlos Murano, Gree

A Gree, por exemplo, em 2024, atualizou 100% do portfólio de produtos para a tecnologia inverter, com o objetivo de oferecer maior eficiência energética, alcançar rapidamente uma temperatura de conforto de forma homogênea, reduzir o nível de ruído e introduzir conectividade aos ambientes residenciais. “O mercado vem passando por uma transição de produto, migrando dos modelos convencionais de ar-condicionado split on-off para o split inverter. O modelo inverter oferece maior eficiência energética e gera economia significativa de energia em comparação ao split convencional.  Muitos consumidores aproveitaram esse momento para reavaliar os aparelhos que já tinham em casa e optaram por trocar por modelos com tecnologia superior. A Gree registrou um crescimento de 16% de 2023 para 2024, alcançando a posição de Top 3 no mercado brasileiro, promovendo constantemente a qualificação profissional no setor”, revela Carlos Murano, gerente executivo da Gree.

A Fujitsu General do Brasil também teve um desempenho sólido em 2024, destacando-se por investimentos estratégicos e iniciativas que visaram fortalecer a sua presença no mercado brasileiro com equipamentos mais eficientes e acessíveis aos consumidores através de vendas online.

“Neste ano tivemos o lançamento do primeiro e-commerce da Fujitsu no Brasil. A plataforma visa fortalecer e consolidar ainda mais a marca no Brasil, mas também oferecer uma nova experiência para os consumidores, onde esses podem adquirir produtos da marca com o suporte de distribuidores certificados e assistência especializada para instalação, garantindo assim uma experiência mais completa e transparente ao consumidor. O ano de 2024 foi de avanços tecnológicos significativos importantes para a marca, consolidando sua estratégia de inovação e sustentabilidade, ao mesmo tempo em que expandiu sua presença digital para atender melhor o mercado”, conclui Corrêa.

Design e inovação

O split não é apenas funcional; sua estética moderna tem atraído a atenção de arquitetos e designers de interiores. Os modelos premiados já marcaram presença em eventos como a CASACOR, a maior mostra de design de interiores das Américas, destacando-se como elementos de decoração que aliam tecnologia e sofisticação.

Inovações como o “ar parado”, que distribui o fluxo de maneira uniforme sem incidir diretamente sobre as pessoas, e o uso de inteligência artificial para personalizar o funcionamento do equipamento são exemplos de como os fabricantes investem em diferenciação. Algumas unidades contam ainda com sistemas autolimpantes que eliminam resíduos contaminantes, mesmo quando desligadas.

Impactos e desafios

O aumento no consumo de aparelhos de ar condicionado, embora atendendo à necessidade de conforto térmico, levanta preocupações ambientais. Os especialistas apontam a importância de políticas que incentivem o uso de tecnologias mais limpas e a eficiência energética para minimizar os impactos do setor.

No entanto, para os consumidores, os splits representam uma solução eficaz e acessível para enfrentar os extremos climáticos, consolidando-se como uma escolha que une funcionalidade, economia e preocupação ambiental.

ABRAVA celebra 63ª Noite do Pinguim

A ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) realizou, em 6 de dezembro, a 63ª edição da Noite do Pinguim. O evento reuniu mais de 400 profissionais, parceiros e convidados, consolidando-se como um dos principais encontros do setor HVAC-R no Brasil.

Durante a cerimônia, foi realizado o lançamento oficial da 19ª edição do CONBRAVA (Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar), o mais importante e maior congresso do setor da América Latina, segundo a entidade.  Charles Domingues, presidente da comissão organizadora do congresso, destacou os desafios e as expectativas para a edição de 2025, ressaltando o compromisso com a inovação e a sustentabilidade no setor.

A Noite do Pinguim também foi marcada por homenagens a figuras relevantes para o setor. O médico e ambientalista Gilberto Natalini recebeu o prêmio “Amigo Profissional do Setor”, em reconhecimento à sua atuação em defesa do desenvolvimento sustentável e da equidade social.

Outro homenageado foi o engenheiro Joaquim do Valle, fundador da Refrin, empresa que completou 46 anos de mercado e se destacou como um dos maiores fabricantes de dutos da América do Sul. O reconhecimento celebrou a contribuição de Valle para o desenvolvimento tecnológico e industrial do setor.

Para o presidente da comissão organizadora da Noite do Pinguim, Eduardo Brunacci, o evento reafirmou o compromisso da ABRAVA com a responsabilidade social. Segundo ele, a edição deste ano teve um significado especial, pois, além de celebrar a história e as conquistas do setor, reforçou o apoio às iniciativas da Associação da Pedra Para a Rocha. “A 63ª Noite do Pinguim foi muito mais que uma festa: foi uma celebração da história, das conquistas e do futuro promissor do setor HVAC-R. Um verdadeiro marco que ficará registrado como um dos maiores eventos da trajetória da ABRAVA”, afirmou Brunacci.

Encontro de projetistas discute clima e eficiência energética em Joinville

Joinville será palco, nos dias 5 e 6 de novembro, do XXIV Encontro Nacional de Empresas Projetistas e Consultores, promovido pelo Departamento Nacional de Empresas Projetistas e Consultores (DNPC) da ABRAVA. O evento, realizado em formato itinerante, traz como tema “Condições Climáticas – Mitos e Verdades” e reúne especialistas para debater temas centrais para o setor de climatização, engenharia e arquitetura.

De acordo com Fernando Tessaro, presidente do DNPC, “Nosso objetivo é promover um evento de destaque, caracterizado pela diversidade de ações e iniciativas em torno do tema condições climáticas, especialmente em um momento em que os efeitos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais evidentes. As palestras explorarão mitos e realidades do setor HVAC-R, com o objetivo de promover o intercâmbio de conhecimento técnico, aumentar a conscientização sobre a realidade climática e capacitar profissionais para enfrentar os desafios climáticos nas áreas de projetos e consultoria.”

A programação inclui mais de 15 palestras com profissionais de destaque. Entre os convidados, o Prof. Roberto Lamberts, da Universidade Federal de Santa Catarina, abordará o “Condicionamento do Ar no PBE Edifica – Programa Brasileiro de Etiquetagem de Edificações”, tema relevante para a aplicação de práticas sustentáveis ​​e eficientes em projetos de edificações climatização.

30ª edição do “Destaques do Ano” premia obras do setor

O Chapter Brasil da SMACNA (The Sheet Metal and Air Conditioning Contractors’ National Association), em parceria com a ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), realizou no dia 17 de outubro, no Teatro J . Safra, a 30ª edição do prêmio “Destaques do Ano”. O evento reuniu profissionais do setor de HVAC-R, incluindo engenheiros, projetistas, fabricantes e clientes finais.

A edição contou com a presença de Aaron Hilger, CEO da SMACNA EUA, que elogiou o crescimento do Chapter Brasil e destacou a importância de eventos como o “Destaques do Ano” para o desenvolvimento do setor. Edson Alves, presidente da SMACNA Brasil, comemorou a participação de Hilger e reforçou o reconhecimento dos 35 anos de atuação da entidade no país.

Sete obras foram premiadas em diferentes categorias. Na categoria Obra Nova / Expansão Direta, os premiados foram “O Parque” (São Paulo) e “Arena do Galo MVR” (Belo Horizonte). Na categoria Obra Nova / Hospital, a obra vencedora foi o Hospital Ortopédico da Bahia (Salvador). A nova fábrica da Harald venceu na categoria Obra Nova / Climatização Industrial – Instalações Especiais. Já na categoria Retrofit, os vencedores foram o Celepar Paraná (Curitiba) e, na subcategoria Climatização Conforto, o Shopping Praça da Moça (Diadema) e o Centro Financeiro Brasileiro (São Paulo).

Mayekawa destaca sustentabilidade na 11ª Semana Tecnológica

A Mayekawa do Brasil terá participação na 11ª Semana Tecnológica SENAI, no dia 18 de outubro,  com a palestra “Refrigeração Industrial com Fluidos Naturais: O Caminho para a Eficiência e Sustentabilidade”, apresentada por Leonardo Mitsugui. A empresa abordará a importância dos refrigerantes naturais, destacando os benefícios para o meio ambiente e a eficiência energética dos sistemas industriais.

“Vivemos numa época em que a questão climática está no topo dos assuntos urgentes. Vamos mostrar a importância dos refrigerantes naturais não apenas para o melhor desempenho dos sistemas, mas também para a preservação da Camada de Ozônio e a economia de energia”, afirma Caroline Braga, coordenadora de Marketing da Mayekawa para a América Latina.

A programação do evento inclui 24 palestras ao longo de quatro dias, destinadas a estudantes, técnicos, profissionais liberais, empresários e representantes de instituições de ensino.

Organizado pela Escola Senai em parceria com a Abrava, o encontro tem apoio do Sindratar-SP e oferece inscrições gratuitas.

Avanços e incentivos na aplicação de fluidos refrigerantes naturais

Brasil alinha sua política de refrigeração, promovendo a transição para tecnologias mais ecológicas na utilização de fluidos naturais.

Nos últimos anos, o Brasil tem testemunhado avanços significativos na adoção de fluidos refrigerantes naturais, impulsionados por preocupações ambientais e regulamentações mais rigorosas. Esses refrigerantes, como o CO2 (dióxido de carbono), amônia (NH3), e hidrocarbonetos, têm ganhado destaque devido ao seu baixo impacto ambiental e alta eficiência energética. O CO2, por exemplo, tem sido amplamente utilizado em sistemas de refrigeração comercial e industrial devido à sua capacidade de atuar como um refrigerante eficaz em diversas condições de temperatura e pressão. Além disso, sua pegada de carbono reduzida o torna uma escolha atraente para empresas comprometidas com a sustentabilidade.

A amônia também, especialmente em aplicações industriais de grande porte, devido ao seu alto desempenho térmico e baixo custo operacional. Apesar de ser inflamável em concentrações específicas, seu uso é seguro quando aplicado corretamente e em conformidade com as normas de segurança.

Os hidrocarbonetos, como propano e isobutano, têm sido adotados em sistemas menores, como em refrigeradores domésticos e comerciais devido à sua excelente eficiência energética e compatibilidade ambiental. A tecnologia de compressores e componentes de sistemas foi desenvolvida para garantir o desempenho seguro desses refrigerantes em diferentes aplicações.

Tecnologias disponíveis

“Em nosso país, temos tido bons avanços nas aplicações de fluidos refrigerantes naturais tanto para aplicações comerciais quanto para aplicações industriais de refrigeração. O CO2 já é uma realidade, iniciada há 15 anos, e o propano (R-290) caminha a passos largos para ser uma referência nos novos projetos, principalmente como fluido primário em sistemas subcríticos em cascata com CO2 e propilenoglicol. A amônia dispensa apresentação e justificativas, uma vez que é um fluido centenário, que apresenta alto rendimento e baixo custo, porém, sua particular característica de toxicidade a faz limitada em certas aplicações e regiões”, informa Marcos Euzébio, engenheiro de aplicação da Bitzer Brasil.

Marcos Euzébio, engenheiro de aplicação da Bitzer

Todas as aplicações mencionadas já estão presentes em nosso país. Os três fluidos naturais como Amônia, CO2 e Propano (R-290) são realidade presente. “Sistemas tradicionais aplicados com amônia a 100% estão sendo redesenhados para condição híbrida em regime subcrítico com CO2, reduzindo a carga de amônia bruscamente e elevando a performance e segurança. Sistemas com CO2 em regime subcrítico e transcrítico se expandiram no mercado nacional devido a maior qualificação da mão de obra e disponibilidade interna de componentes. A Bitzer, por exemplo, disponibiliza compressores para propano, CO2 e amônia. Componentes constituintes dos circuitos também são encontrados no Brasil. Mão de obra qualificada sem dúvida é indispensável e fator determinante para a expansão dessas tecnologias em nosso mercado, bem como importante é a fiscalização e valorização dessa mão de obra empregada para a operação desses equipamentos”, comenta Euzebio.

 

Trazendo à tona as soluções inovadoras em fluidos refrigerantes naturais de baixo impacto ambiental e máxima eficiência, incluindo a sua aplicação, segurança das instalações, manutenção e operação, disponibilidade e normatização, Joana Canozzi, diretora de serviços de engenharia da Copeland, destaca vários pilares para discussão quanto as tendências na aplicação de fluido com baixo impacto ambiental: “Não existe ainda uma verdadeira solução, e sim, seguir as premissas de cada empresa elaborando sua estratégia de acordo com as necessidades do usuário final em diferentes situações. Hoje, tanto o fabricante quanto o OEM (Original Equipment Manufacturer ou Fabricante Original do Equipamento) podem dar um norte ao cliente final direcionando-o de acordo com a sua estratégia. No cenário nacional, acredito que ainda estamos buscando entender os diferentes nichos, sem uma definição clara de qual fluido entrará para a lista do mais utilizado, e sim, na necessidade de cada instalação. Já existe uma antecipação na transição dos fluidos refrigerantes de baixo impacto ambiental e disponibilidade de tecnologias. A Copeland dispõe do que há de mais moderno e inovador em termos de tecnologia como as aplicações de menor GWP com fluidos naturais (CO2 e Propano) como compressores Scroll de velocidade variável para máxima eficiência para operar com propano e soluções integradas”.

Ela acrescenta que o time de engenharia procura dar suporte ao cliente, além da decisão do GWP, incluindo na sua linha decisória, também, questões relevantes como equilibrar custos, disponibilidade de mão de obra, e de produto, guiando o usuário final em termos de conhecimento.

Joana Canozzi, diretora de serviços de engenharia da Copeland

“Acredito que o próprio mercado vai definir esse caminho através da demanda de aplicações. E ainda temos as questões das normatizações, e neste ponto, vejo o papel proativo de entidades nacionais para a regulamentação de normas brasileiras, acompanhando o que está definido na Europa e EUA. Neste momento, temos por missão promover esse debate e discussão, conciliando tecnologias por Região, ou seja, nem tudo que é aplicado em outros países será bom no Brasil, considerando fatores como eficiência, GWP e clima”, destaca Joana.

Incentivos e regulamentações

No contexto internacional, o Protocolo de Montreal e suas emendas, como a Emenda de Kigali, incentivam a redução progressiva do uso de HFCs, estimulando a adoção de alternativas de baixo GWP. O Brasil, como signatário desses acordos, tem buscado alinhar sua política de refrigeração com essas diretrizes, promovendo a transição para tecnologias mais ecológicas. O governo brasileiro, por meio de programas e políticas de eficiência energética e sustentabilidade, tem criado incentivos para a adoção de tecnologias que utilizam fluidos refrigerantes naturais. Além disso, parcerias com o setor privado e organizações internacionais têm sido fundamentais para a promoção de pesquisas e a implementação de projetos-piloto no país.

Desde o primeiro Programa Brasileiro de eliminação de CFC e, agora, no Programa Brasileiro de eliminação de HCFC, entidades e empresas vem contribuindo e acompanhando os esforços nacionais para proteção da camada de ozônio e seus impactos sobre o setor HVAC-R. A recente aprovação dos recursos para Etapa III do PBH é o reconhecimento dos esforços de todos e uma importante notícia para o setor, que será beneficamente afetado através de ações de proteção da camada de ozônio que receberam em junho de 2024, aporte de US$ 36,5 milhões.

Renato Cesquini, diretor de Meio Ambiente da Abrava

“Na semana em que mundialmente se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente (05 de junho), é muito encorajador receber a notícia deste significante aporte financeiro, que vai beneficiar o mercado na busca de inovação tecnológica para substituição dos HCFCs. Isto permitirá que o Brasil siga o legado de sucesso de estar sempre à frente na implementação do programa”, destaca Renato Cesquini, diretor de Meio Ambiente da Abrava.

A Etapa III do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) foi anunciada em 27/05/2024, durante a 94ª Reunião do Comitê Executivo do Fundo Multilateral para a Implementação do Protocolo de Montreal – FML, que ocorreu em Montreal, Canadá. Essa é a última etapa do PBH e conta com recursos da ordem de US$ 36,5 milhões de dólares para apoiar o país a alcançar a meta de eliminar em 100% o consumo de HCFCs até 2030.

Além da efetiva contribuição para proteger a camada de ozônio, com a implementação da Etapa III, o Brasil evitará a emissão de mais de 19,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente para a atmosfera, trazendo efeitos benéficos para o regime climático global.

Estratégias

A estratégia para a Etapa III do PBH tem como o objetivo promover o uso seguro e eficiente de fluidos refrigerantes alternativos que não destruam a camada de ozônio, de baixo GWP e que proporcionem maior eficiência energética,  implementando projetos voltados para treinamento de diferentes níveis de profissionais que atuam no setor de serviços, bem como prestação de assistência técnica para a execução de projetos demonstrativos com potencial de serem reproduzidos nos setores abordados, evitando conversões transitórias. As atividades aprovadas se complementam e serão executadas em consonância e estreita colaboração entre a entidade coordenadora, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), e as três agências implementadoras, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), agência implementadora líder, Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável por meio da Deutsche Gesellschaftfür Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH.

Exemplo de aplicação

A Swift, alinhada com o compromisso da JBS em zerar o balanço das suas emissões de gases de 03até 2040, realizou a troca de equipamentos frigoríficos para modelos mais sustentáveis que consomem menos energia e utilizam gases que reduzem o impacto na camada de ozônio. A tecnologia fornecida utiliza o propano (R-290), selecionado devido ao seu baixo GWP. “O conjunto dessas iniciativas acarretou na redução de 65% do Impacto de Aquecimento Equivalente Total (Total Equivalent Warming Impact – TEWI) que expressa o impacto de um sistema de refrigeração combinando seu efeito direto e indireto no aquecimento global”, explica Airton Peres, gerente de engenharia e inovações da Swift. O monitoramento remoto dos equipamentos calcula a eficiência energética e atua diretamente na máquina se ela apresentar algum tipo de problema. Além de garantir a qualidade dos produtos da marca, isto evita o deslocamento humano até a loja.

Legislação impulsiona inovação no setor de HVAC-R

Para a Qualidade do Ar Interior (QAI), a legislação tem sido um divisor de águas

As prioridades legislativas que impactam a indústria de HVAC-R estão cada vez mais focadas em sustentabilidade, eficiência energética e segurança. As mudanças nas regulamentações influenciam diretamente a forma como a indústria opera, desde a fabricação de equipamentos até o seu uso e manutenção. A recente atualização regulatória na qualidade do ar interno nos ambientes de uso público e coletivo no Brasil, foi decretada a partir de 25 de julho de 2024, através da Resolução 09 da ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que estabelecia os Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior, em ambientes climatizados artificialmente de uso público e coletivo, foi substituída pela NBR 17037 – Qualidade do Ar Interior em ambientes não residenciais climatizados artificialmente – Padrões referenciais. Entre os pontos de mudança, está limite da concentração de Dióxido de Carbono – CO2. O valor máximo aceitável deixa de ser um valor fixo de 1.000 ppm (partes por milhão) e passa a ser 700 ppm acima do valor medido no ambiente externo.

“Para a Qualidade do Ar Interior (QAI), a legislação existente tem sido um divisor de águas. Desde a criação da Portaria 3.523/98 pelo Ministério da Saúde, colocou em evidência a importância dos sistemas de climatização para a saúde e bem-estar das pessoas. Os sistemas de ar-condicionado começam a ser percebidos como elementos que vão além do conforto térmico, mas na melhoria da qualidade do ar dentro dos ambientes fechados, tornando-se um grande aliado para a saúde dos usuários”, informa Leonardo Cozac, presidente do Brasindoor (Sociedade Brasileira de Meio Ambiente e Controle de Qualidade do Ar de Interiores).

Leonardo Cozac presidente da Brasindoor e CEO da Conforlab

Assim como a Resolução 09 de 2003 foi uma atualização da Resolução 176 de 2001, agora a sociedade brasileira dispõe de uma nova regulamentação. Essas alterações visam a modernização da legislação nacional de acordo com a evolução tecnológica e conhecimento da sociedade adquirido ao longo dos anos e embora as novas regulamentações possam aumentar os custos de produção inicialmente, elas também incentivam a criação de produtos mais avançados, que podem oferecer uma vantagem competitiva no mercado, como por exemplo, a necessidade de conformidade com normas de segurança e manuseio de novos refrigerantes que requer um foco maior na capacitação profissional, criando uma demanda por técnicos especializados.

Dentre os avanços legislativos conquistados pelo setor de HVAC-R, Cozac cita a PEC 07/2021– Proposta de Emenda à Constituição da Senadora Mara Gabrili, que garante o direito qualidade do ar entre os direitos garantias fundamentais da Constituição, especialmente em ambientes internos. Já na cidade de São Paulo está sendo discutida a votação em 2º turno de Projeto de Lei 110/2012 do ex-vereador Gilberto Natalini, que está sendo revisado pelo vereador Eliseu Grabriel, que trata o plano municipal de qualidade do ar interno, um projeto pioneiro que pode colocar a cidade de São Paulo na vanguarda do tema.

“Meu mandato tem feito discussões com especialistas do setor da Qualidade do Ar Interno visando a formulação de uma Política Municipal da Qualidade do Ar Interno, por meio da elaboração de um Substitutivo ao Projeto de Lei (PL) 110/2012.  Estamos focados na conclusão da proposta do Substitutivo ao PL 110/2012, que já será um avanço muito importante para melhorar a saúde do cidadão paulistano. Como São Paulo é referência, acredito que o que for feito aqui poderá se ampliar para o Brasil inteiro. Temos um projeto aprovado em primeira votação na Câmara Municipal. No entanto, para colocarmos em segunda (e definitiva) votação é preciso adequá-lo aos pontos observados pelo Executivo na tramitação do projeto. Com base nisso, com este grupo qualificado, estamos concluindo o trabalho de reformulação deste projeto, para propor um Substitutivo e, a seguir, reiniciarmos a conversa com os setores responsáveis na prefeitura para poder fazer os ajustes necessários para colocar o PL para segunda votação, sem correr o risco de ter vetos do prefeito. Aprovar este projeto criará a Política Municipal da Qualidade do Ar Interno, um passo muito importante para a cidade e a saúde da população”, informa o vereador por São Paulo, Eliseu Gabriel.

Ele acrescenta ainda que as principais normas técnicas (ABNT – NBR 17.037, 16.401-3, 16.000-40) que orientam o setor são boas, porém, a legislação precisa se adequar, para atendê-las, incorporando a necessidade de garantir o monitoramento, controle e melhoria da qualidade do ar interno nas edificações públicas e privadas.

Eliseu Grabriel, vereador por São Paulo

”Acho fundamental que todos os interessados e especialistas colaborem no processo de construção das políticas públicas. Eu sempre convido os grupos para colaborarem quando me proponho a fazer um projeto de lei. Meu foco é ouvir as demandas do setor e avaliar o que pode beneficiar o cidadão e a cidade de São Paulo. Mas, já adianto, a equipe multidisciplinar que está conosco na construção desse projeto para a cidade tem os conhecimentos necessários das melhores tecnologias e práticas. Nela, há empresas, engenheiros, membros dos conselhos nacionais, como o CREA, integrantes de academias (das melhores universidades do país), como também estrangeiros. É muito bom construir um projeto dessa importância com uma equipe tão qualificada. Estamos atentos às mudanças no clima e, a priori, a nossa iniciativa é a única que conheço, considerando que a piora da qualidade do ar externo e as ondas de calor extremo farão com que cada vez mais as pessoas precisem ficar em ambientes fechados e climatizados e, por isso, é fundamental a regulação para garantir a boa qualidade do ar interno. É para isso que estamos trabalhando”, comenta Eliseu.

Arnaldo Basile, presidente executivo da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) destaca o trabalho da senadora Mara Gabrilli, uma grande colaboradora dos avanços legislativos para o setor de HVAC-R, mobilizando dezenas de seus pares nesse sentido: “Por esse motivo, foi homenageada na Noite do Pinguim em 2022. Não podemos nos esquecer também das assertivas atuações parlamentares dos Deputados Estaduais Arnaldo Faria de Sá e Adalberto Freitas, que foram decisivas para a promulgação da Lei Federal 13.589/18, que regulamenta o PMOC (Plano de Manutenção, Operação e Controle). Questões relacionadas com a Qualidade do Ar de Interiores tem sido tratada de maneira proativa desde a ocorrência da pandemia da Covid-19. A interlocução que a Abrava mantém com esses parlamentares tem propiciado notória exposição do Setor de HVAC-R para a sociedade civil”, informa Basile.

Indústria competitiva

À medida que as regulamentações se tornam mais rigorosas, centradas na sustentabilidade, eficiência energética, segurança e gestão de resíduos, a indústria de HVAC-R precisa adaptar-se, investindo em inovação, treinamento e novas tecnologias para permanecer competitiva e em conformidade com as exigências legais. Essas mudanças legislativas, embora desafiadoras, também representam oportunidades para o setor se tornar mais sustentável e eficiente no longo prazo.

Arnaldo Basile, presidente executivo da Abrava

“A missão da Abrava é incentivar o desenvolvimento tecnológico e competitivo do setor defendendo os legítimos interesses empresariais, legais, tecnológicos, mercadológicos e normativos. Representa as empresas e profissionais do setor, e visa promover e incentivar de maneira confiável a criação correta de ambientes internos climatizados, sistemas e processos de refrigeração, aquecimento e ventilação por meio do uso responsável de tecnologias e das boas práticas de engenharia. A reforma tributária tramitada recentemente na Câmara dos Deputados, por exemplo, provocará efeitos distintos nas atividades operacionais, administrativas e fiscais de todas as empresas do HVAC-R. O setor manufatureiro (indústria) interpreta que deverá sofrer menor impacto, com tendências de até poder usufruir de alguma redução na carga tributária. O mesmo não ocorrerá no setor prestação de serviços. Com base nesses princípios, em 2018, a Abrava passou a integrar o Grupo “Entidades Do Mesmo Lado”, conduzido pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), que atua de maneira coordenada para desenvolver soluções que promovam um ambiente de negócios mais saudável, fortalecendo a relação com o poder público para que as demandas do setor e setores afins sejam atendidas, aumentando a competitividade, gerando riqueza e empregos de forma sustentável. Esse Grupo tem trabalhado ativamente junto aos Parlamentares da Câmara dos Deputados e Senadores para que a reforma tributária seja neutra e que não gere aumento no custo dos serviços nos setores direta e indiretamente atuantes na cadeia da construção civil.  O segmento do ar-condicionado e climatização é um dos mais importantes nessa cadeia”, destaca Basile.

Outro Grupo de Trabalho é o liderado pela CEBRASSE, Central Brasileira de Segurança e Serviços, da qual é membro associada. Esse GT esteve reunido recentemente com a Deputada Estadual por SP, Renata Abreu, para elaborar um PL mais adequado à realidade do Setor de Serviços, identificado como o mais afetado pela reforma tributária.

Embora as legislações voltadas para a qualidade do ar interior têm sido um grande motor para a inovação no setor, Cozac acredita que o estado brasileiro ainda não tem uma agenda pautada no QAI: “Entendem a importância do tema, porém não está entre as prioridades. Na ausência do estado, a sociedade se organizou e criou o PNQAI (Plano Nacional da Qualidade do Ar Interno) para conduzir o tema no país. Composto atualmente por mais de 45 organizações aderentes, tem um plano de ação baseado em iniciativas com objetivo principal de informar a população a cuidar do ar que respiram”.

Já as tecnologias desenvolvidas, não apenas cumprem as exigências mandatórias, mas também contribuem para a criação de ambientes internos mais saudáveis e sustentáveis. À medida que as regulações continuam a evoluir, espera-se que novas soluções tecnológicas surjam para atender às necessidades de saúde e bem-estar das populações.

Cozac destaca novas tecnologias como o peróxido de hidrogênio, lavadores de ar e lâmpadas UVCs. “São tecnologias que devem ser aplicadas juntamente com os tradicionais e conhecidos filtros de ar para a remoção de impurezas do ar. Sistemas de monitoramento online também tem ganhado importância, com custos mais acessíveis e produtos mais confiáveis e que atendem requisitos de normas e legislações vigentes”.

Evento em São Paulo comemora o sucesso do Protocolo de Montreal

Cerimônia reuniu representantes de entidades setoriais, ONGs e empresas para celebrar os resultados da implementação do Protocolo de Montreal, tratado ambiental que tem avançado na eliminação de substâncias que destroem a camada de ozônio.

Nos dias 16 e 17 de setembro de 2024, foi realizada em São Paulo uma cerimônia para comemorar o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, destacando a implementação do Protocolo de Montreal, amplamente reconhecido como um dos tratados ambientais mais bem-sucedidos do mundo. O Protocolo, com a adesão de 198 países, visa eliminar gradualmente as substâncias que destroem a camada de ozônio (SDOs).

O evento, organizado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com o apoio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ​​(IBAMA), reuniu representantes de diversas entidades, como associações setoriais da indústria, comércio e serviços, além de universidades, ONGs, e empresas privadas. A conferência apresentou os resultados da Etapa II do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), que alcançou uma redução de 63% no consumo de substâncias produzidas até 2023. Também foram considerados os planos para a Etapa III, que resultam ainda em 2024.

Autoridades do governo federal estiveram presentes, como Érico Rial Pinto da Rocha, coordenador-geral de Mitigação e Proteção da Camada de Ozônio do MMA, que destacou o impacto positivo do Protocolo de Montreal para a preservação ambiental global. Elisa Calcaterra, representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reforçou a parceria sólida entre o PNUD e o governo brasileiro na implementação do PBH. Clovis Zapata, da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), e Marco Schiewe, da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável (GIZ), também participaram, sublinhando a importância da cooperação internacional no sucesso do tratado.

Várias empresas e entidades parceiras, como a ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), a Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), e escolas técnicas que participam da formação de técnicos para o setor de refrigeração, foram homenageadas por sua contribuição no cumprimento das metas do Protocolo.

No dia 17 de setembro, ocorreu o Workshop da Implementação da Emenda de Kigali, reforçando o compromisso do Brasil em adotar tecnologias com menor impacto climático.