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Descarte correto no HVAC-R torna-se prioridade com marco legal

Diante de normas ambientais mais rígidas e das metas discutidas na COP29, o setor de HVAC-R enfrenta o desafio de adotar práticas sustentáveis para a destinação de resíduos.

A logística reversa no setor de HVAC R é peça-chave para o avanço da sustentabilidade industrial, por meio de um conjunto de práticas e procedimentos que visam garantir que uma empresa esteja em conformidade com leis, regulamentos, normas internas e padrões éticos, o que chamamos de compliance ambiental no Brasil, além do cumprimento das metas assumidas pelo Brasil. A Lei nº 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e detalhada pelos Decretos federais 10.240/2020 e 10.936/2022, exige que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes organizem e viabilizem a devolução e destinação ambientalmente adequada de produtos e resíduos pós-consumo, incluindo eletroeletrônicos, como os sistemas de ar-condicionado e refrigeração. Este marco legal foi complementado por decretos e acordos setoriais, que regulamentam a operacionalização da logística reversa em diferentes segmentos. No setor HVAC-R, o desafio vai além do recolhimento: envolve o tratamento de componentes perigosos como gases refrigerantes, óleos e metais, cujo descarte inadequado pode causar sérios danos ambientais.

Durante a COP29, realizada no Azerbaijão, o Brasil reafirmou o compromisso de reduzir emissões do setor industrial e ampliar práticas de economia circular. A conferência reforçou o papel estratégico de segmentos como o HVAC-R na redução de gases de efeito estufa, especialmente por meio do controle no uso e descarte de refrigerantes com alto potencial de aquecimento global (GWP). A logística reversa, nesse contexto, passa a ser também um instrumento de mitigação climática.

Decretos e acordos setoriais

Com 50% dos gases refrigerantes ainda descartados de forma inadequada no Brasil, segundo o Ministério do Meio Ambiente e estimativas da indústria, há um caminho urgente a percorrer. A aplicação da logística reversa envolve coleta, transporte, triagem, tratamento e destinação ambientalmente adequada através de um processo operacional complexo que requer infraestrutura robusta e parcerias estratégicas. Isso inclui manuseio seguro de gases refrigerantes, óleos e componentes eletrônicos, cujo descarte incorreto pode contaminar solo, água e ar.

A ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) e a ABREE (Associação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos) desempenham papel-chave na orientação das empresas sobre conformidade legal e destinação adequada.

“Ainda na discussão recente, destacam-se os temas de resíduos e logística reversa, que vêm recebendo atenção e atualizações por parte do governo, incluindo recolhimento de fluidos refrigerantes, especialmente na área normativa e regulatória, capacitação e certificação, especialmente neste momento de entrada de novas soluções. Esperamos contribuir, por meio do Departamento Nacional do Meio Ambiente da Abrava, com todo o setor, neste momento de constantes mudanças e desafios. A descarbonização da economia e adoção de práticas ESG, incluindo a logística reversa e descarte consciente, são transformações que muitos já consideram irrevogáveis, cabendo a todos nós encontrar nos desafios, as oportunidades”, destacou Thiago Pietrobon, presidente DNMA e CEO da Ecosuporte.

Apesar das regulamentações, empresas enfrentam obstáculos para implementar logística reversa eficaz. Entre os

principais desafios estão custo inicial elevado, infraestrutura deficiente em regiões remotas, e complexidade regulatória, especialmente para rastreamento de materiais e gestão dos resíduos perigosos. Um ponto satisfatório é que a adoção de certificados de crédito de reciclagem como o CCRLR, CERE e Certificado de Massa Futura, previstos no Decreto nº/ 11.413/2023, oferece maior flexibilidade para cumprimento das metas de descarte. Eles funcionam como mecanismos de compensação ambiental, permitindo que empresas cumpram suas metas de reciclagem por meio da aquisição de créditos gerados por recicladores certificados.

Exemplos de Boas Práticas

O Grupo Polar tem investido em logística reversa como parte de sua estratégia de sustentabilidade. A empresa utiliza a parceira EuReciclo para compensar a reciclagem de suas embalagens pós-consumo, buscando reduzir o impacto ambiental de seus produtos. Além disso, o Grupo Polar foca na gestão de resíduos pós-consumo e na busca por soluções circulares para suas embalagens. ”Hoje, compensamos 100% dos nossos produtos acabados destinados ao mercado em termos de embalagens pré e pós-consumo. Colocamos em torno de 554 toneladas de produtos acabados no mercado e tudo foi compensado”, informa Amir Musleh, engenheiro ambiental da Polar.

A Daikin, por exemplo, em parceria com ABREE, orienta consumidores a encaminhar aparelhos de ar condicionado usados a pontos de coleta credenciados, garantindo desmontagem segura e reciclagem responsável dos componentes e gases.

“A ABREE é a entidade gestora da qual a Daikin é associada para logística reversa dos produtos eletrodoméstico ou eletroeletrônico e respectivas embalagens. Sabemos que produtos eletroeletrônicos e eletrodomésticos descartados no lixo comum impossibilitam a sua reciclagem causando grandes danos ao ambiente, portanto orientamos que procure por um ponto de recebimento. Esse modelo evidencia a logística reversa como parte da cadeia de responsabilidade compartilhada entre fabricantes, distribuidores, comerciantes e consumidores”, destaca Nilson Murayama, Gerente Sênior de Marketing.

Também a Midea Carrier possui um programa de logística reversa chamado Descarte Consciente, que visa o descarte correto de eletrodomésticos e eletroeletrônicos pós-consumo, contribuindo para a sustentabilidade. O programa inclui coleta em domicílio para alguns estados e pontos de coleta em diversas regiões do país, além de incentivar o descarte consciente por meio de descontos na compra de novos produtos.

“Em parceria com a ABREE, oferecemos pontos de coleta em diversas regiões do país. O consumidor pode levar seu eletrodoméstico ou eletroeletrônico a um desses pontos para descarte correto. Os produtos recolhidos são encaminhados para reciclagem ou outras formas de destinação ambientalmente adequada, seguindo as diretrizes da Lei nº 12.305/10, que estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos”, informa Michele Tobias, gerente de marketing da Midea.

Outros grandes fabricantes como Samsung, Gree, Embraco – Nidec, e Eletrolux também mantêm programas de descarte correto.

Aplicação da logística reversa envolve coleta, transporte, triagem, tratamento e destinação adequada através de um processo operacional

Caminhos e recomendações

Embora os obstáculos sejam muitos como falta de infraestrutura em regiões periféricas, alto custo para micro e pequenas empresas, ausência de incentivos fiscais e necessidade de mais acordos setoriais regionalizados, a adoção de tecnologias como IoT (Internet das Coisas), blockchain (tecnologia de banco de dados distribuído e descentralizado) e rastreamento digital de resíduos vem ganhando força no setor, permitindo maior controle e transparência sobre a jornada dos resíduos, da origem ao destino. Essas ferramentas também ajudam na elaboração de relatórios de conformidade e de desempenho ambiental exigidos em auditorias e processos de certificação ESG.

Segundo a SMACNA Brasil, entidade técnica do setor, a integração da logística reversa à cadeia do HVAC-R é uma tendência irreversível, com impacto direto na reputação das empresas, na eficiência dos processos e na redução da pegada de carbono. A organização reforça que a sustentabilidade no setor também passa por refrigeração com fluidos de baixo GWP, eficiência energética e design para desmontagem, facilitando o reaproveitamento de peças e materiais no fim da vida útil dos produtos.

Algumas recomendações incluem:

– Fortalecer os acordos setoriais, com metas claras e fiscalização regionalizada;

– Investir em educação técnica e certificações ambientais (ISO 14001, por exemplo);

– Criar redes locais de coleta e centros de triagem, especialmente fora dos grandes centros urbanos;

– Incluir a logística reversa nos planos de ESG e responsabilidade socioambiental, com indicadores de performance;

– Aproveitar incentivos de créditos de reciclagem como ferramenta de viabilidade econômica para pequenas e médias empresas.

O setor está diante de uma mudança de paradigma: mais do que atender à legislação, as empresas que investirem em logística reversa estruturada e responsável estarão à frente na agenda ambiental global, contribuindo para um futuro mais eficiente e de menor impacto.

Encontro de mulheres do HVAC-R será realizado na Febrava

Evento em parceria com a ABRAVA reunirá lideranças no dia 11 de setembro

Agendado para o dia 11 de setembro de 2025, o VI Encontro Nacional de Mulheres do Setor AVACR, organizado pelo Comitê de Mulheres da ABRAVA, tem como propósito reunir profissionais de diferentes áreas do setor para fomentar o protagonismo feminino e a equidade no mercado de trabalho.

O Encontro já se consolidou como um espaço de troca, inspiração e valorização da atuação feminina no setor AVACR, e a edição de 2025 será mais uma oportunidade para fortalecer conexões, debater desafios e celebrar conquistas, e ampliar a representatividade no setor AVACR.

Segundo Juliana Reinhardt, presidente do Comitê de Mulheres da ABRAVA, “O VI Encontro Nacional de Mulheres do Setor AVACR representa mais do que um evento: é um espaço de inspiração, conexão e fortalecimento da rede feminina. Nosso objetivo é ampliar cada vez mais a representatividade das mulheres no setor, reforçando a importância de discutirmos saúde mental e os desafios das mulheres para equilibrar carreira e vida pessoal na jornada de desenvolvimento de carreira”.

Um dos destaques desta edição será a participação da jornalista Izabella Camargo, referência nacional em comunicação, bem-estar e saúde mental. Em sua palestra, “Mulheres: Mais Tempo e Menos Estresse””, ela trará reflexões sobre equilíbrio, produtividade sustentável e qualidade de vida — um convite para repensar jornadas profissionais e pessoais.

A programação também inclui a apresentação dos resultados da 2ª Pesquisa de Mulheres do Setor AVACR, conduzida pelo Comitê de Mulheres, que traz um panorama sobre a evolução da presença feminina no mercado, seus anseios, expectativas e tendências.

Outro momento especial será o painel de debates, com a participação de Alinne Rosa, VP de RH Américas da RX Global, profissional com mais de 25 anos de experiência em Recursos Humanos; Priscila Baioco, VP da ABRAVA e fundadora do Comitê; e André Peixoto, diretor sênior da Samsung Electronics para a América Latina e apoiador do movimento HeForShe.

Copeland levará soluções climáticas à FEBRAVA 2025

Empresa apresentará tecnologias em HVAC-R com foco em refrigerantes de baixo GWP e monitoramento remoto

A Copeland, fornecedora global de soluções climáticas, participará da FEBRAVA 2025, que será realizada de 9 a 12 de setembro no São Paulo Expo, em São Paulo. A empresa exibirá tecnologias em HVAC-R voltadas à eficiência energética, ao uso de refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) e ao monitoramento digital de sistemas.

De acordo com a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o setor de HVAC-R no Brasil deve alcançar R$ 54 bilhões em 2025. Nesse contexto, a Copeland apresentará produtos como as unidades condensadoras ZX e ZXV, projetadas para aplicações de média e baixa temperatura, incluindo versões com modulação digital (ZXD) e velocidade variável (ZXV).

A empresa também destacará seus compressores scroll, otimizados para refrigerantes naturais como R-290, A2Ls e CO2; os inversores de frequência EVM, voltados a aplicações comerciais; o sistema de monitoramento remoto XWEB, acompanhado dos controladores XER; e o compressor centrífugo isento de óleo com tecnologia Aerolift™, indicado para resfriadores refrigerados a ar ou água. Esse último foi reconhecido com o Prêmio Selo de Inovação FEBRAVA 2025.

Além da exposição, a Copeland realizará coletiva de imprensa em 9 de setembro, às 14h30, no estande da ABRAVA (nº G09). Participarão Daniel Rohe, gerente geral da América do Sul; Fernando Llopart, vice-presidente da América Latina; Joana Canozzi, diretora de serviços de engenharia América do Sul; e André Stoqui, diretor de negócios América do Sul.

CONBRAVA 2025 terá mesa sobre mudanças climáticas e ações do setor HVAC-R

Evento reunirá especialistas para discutir propostas que serão apresentadas na COP30, no Brasil

A 19ª edição do Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar (CONBRAVA) promoverá, de 10 a 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo (SP), a mesa-redonda inédita “Clima em Transformação: Como o setor está respondendo às mudanças climáticas”.

O encontro é organizado pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) e pela Comissão Organizadora do CONBRAVA 2025. A atividade reunirá representantes do poder público, academia, mercado e setor técnico para debater como o setor HVAC-R (aquecimento, ventilação, ar condicionado e refrigeração) pode responder aos impactos das mudanças climáticas.

A mesa será moderada por Thiago Pietrobon e contará com a participação de Charles Domingues, presidente da Comissão Organizadora do CONBRAVA; Marcia Oleskovicz, assessora sênior na Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); Roberto Peixoto, professor do Instituto Mauá de Tecnologia e colaborador do IPCC; e Pedro Nogueira, representante do Grupo Raia Drogasil, responsável pelo projeto de descarbonização da climatização da rede.

Os debates seguirão as diretrizes do Compromisso Global de Resfriamento (Global Cooling Pledge) e buscarão formular uma Contribuição Globalmente Determinada (GDC) para ser apresentada na COP30, em novembro de 2025, em Belém (PA). A programação prevê apresentações iniciais e rodada de perguntas e respostas, com foco em propostas concretas e alinhadas ao limite de 1,5 °C de aquecimento global.

Segundo Pietrobon, o setor deve atuar tanto para garantir conforto e segurança em um cenário de extremos climáticos quanto para reduzir emissões e aumentar a eficiência energética.

CONBRAVA 2025 abre inscrições para debater mudanças climáticas e o futuro do HVAC-R

Evento será realizado de 10 a 12 de setembro no São Paulo Expo, em paralelo à FEBRAVA

Estão abertas as inscrições para a 19ª edição do CONBRAVA – Congresso Brasileiro de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento de Ar. O evento ocorrerá entre os dias 10 e 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo, na capital paulista, e terá como tema central “O AVACR e os desafios das mudanças climáticas”.

Organizado pela ABRAVA – Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, o congresso reunirá especialistas nacionais e internacionais, com mais de 40 palestras programadas, além de cinco mesas-redondas temáticas. Os temas das mesas incluem Qualidade do Ar Interno, Eficiência Energética, Fluidos Refrigerantes, Tratamento de Águas e “Clima em Transformação”.

De acordo com Charles Domingues, presidente da comissão organizadora, a edição de 2025 pretende promover reflexões sobre o papel do setor frente às transformações climáticas, com foco em inovação, eficiência energética e responsabilidade ambiental.

O CONBRAVA é realizado a cada dois anos desde 1987 e, ao longo de suas edições anteriores, contou com mais de 17 mil participantes e 450 palestrantes. O evento é reconhecido por seu caráter técnico e por promover a atualização profissional no setor HVAC-R.

A programação será desenvolvida paralelamente à FEBRAVA – Feira Internacional de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar, que ocorre de 9 a 12 de setembro de 2025, também no São Paulo Expo.

Seminário apresenta soluções para reduzir impacto ambiental da climatização

Evento discute substituição de equipamentos com HCFCs e viabilidade de distritos térmicos

Representantes do setor de climatização e refrigeração participaram nesta quarta-feira (26) do seminário “Projetos para o Setor AVAC-R – Promovendo Ações em Benefício da Camada de Ozônio e do Clima”, realizado em São Paulo. O encontro, que segue até esta quinta-feira (27), é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a ABRAVA e a ELETROS.

Um dos eixos centrais do evento é o programa de assistência técnica voltado à substituição de sistemas de ar condicionado que utilizam substâncias prejudiciais à Camada de Ozônio, como os fluidos refrigerantes HCFC-22 e HCFC-123. A proposta visa incentivar o uso de tecnologias com menor impacto ambiental e maior eficiência energética. Edifícios comerciais e industriais, como hospitais, hotéis, shopping centers e data centers, estão entre os públicos-alvo da iniciativa.

Durante o seminário, foram apresentados critérios de elegibilidade e o cronograma de atividades previsto para 2025 e 2026. De acordo com Edgard Soares, assessor técnico do projeto no PNUD, o foco está na promoção de soluções modernas para sistemas de climatização, alinhadas às metas climáticas e de conservação da Camada de Ozônio.

Outro tema abordado foram os distritos térmicos. Nesses sistemas, uma central única realiza o resfriamento ou aquecimento e distribui água gelada ou quente para diferentes edifícios. A alternativa é apontada como mais eficiente do ponto de vista energético e operacional. Experiências brasileiras e sete casos implementados na Colômbia foram apresentados durante o evento. Também está em andamento um estudo para mapear empreendimentos viáveis no Brasil.

A discussão sobre data centers foi outro ponto destacado. O país ocupa a 13ª posição entre os maiores mercados do setor, o que amplia a necessidade de avaliar o consumo energético e as emissões desses empreendimentos. Segundo a gerente de projetos do PNUD, Ana Paula Leal, o seminário aborda as tecnologias disponíveis, a situação da infraestrutura brasileira e experiências internacionais. O objetivo é discutir a viabilidade de projetos demonstrativos e as etapas seguintes de implementação.

O analista ambiental do MMA, Frank Amorim, ressaltou que o evento contribui para a construção da estratégia nacional de implementação da Emenda de Kigali, que trata da eliminação progressiva dos HFCs. Está prevista, para 2026, a negociação de recursos com o Fundo Multilateral para a etapa inicial do programa no Brasil. Amorim destacou o potencial de tecnologias como o liquid cooling para data centers, que combinam menor impacto ambiental e alta eficiência energética.

Quem foi Oswaldo Moreira, mesmo?

Radialista, editor e articulador do setor HVAC-R, ele foi pioneiro na comunicação técnica e na construção de uma identidade nacional para a refrigeração no Brasil.


A cerimônia de entrega do Troféu Oswaldo Moreira, marcada para esta quinta-feira (26), homenageia um dos principais articuladores da comunicação técnica no setor de climatização e refrigeração do país.

Oswaldo da Silva Moreira (1931–1996) foi radialista, jornalista e editor. Atuou diretamente na estruturação de uma linguagem técnica comum e na consolidação de redes de relacionamento entre os profissionais da cadeia HVAC-R, em um momento em que o setor ainda não contava com meios sistematizados de comunicação.

Sua atuação teve início nos anos 1950, com experiências no setor de assinaturas e distribuição de revistas no Rio de Janeiro. Em 1957, ingressou na Revista Refrigeração e passou a atuar em campo, promovendo a publicação em visitas a empresas do setor. Em entrevista concedida em 1978 à Sicom S.A., declarou ter realizado mais de 800 assinaturas nos três primeiros meses de trabalho em São Paulo.

Com base na experiência acumulada, fundou a Revista do Frio, o Jornal do Refrigerista e o Anuário do Frio — veículos que passaram a registrar e disseminar informações técnicas, além de ampliar a visibilidade de empresas fora dos grandes centros. Essas publicações desempenharam papel relevante na consolidação de um mercado nacional para o setor, aproximando fabricantes, lojistas, instaladores e técnicos.

Entre suas iniciativas paralelas, destaca-se a criação do Fusfrio, campeonato de futebol de salão entre trabalhadores do setor. O evento tinha como objetivo promover a integração entre profissionais e concorrentes de mercado em um ambiente de convivência. Também são atribuídas a ele a articulação para o reconhecimento do Dia da Refrigeração, celebrado em 20 de junho, que integra o calendário comemorativo do Estado de São Paulo por meio da Lei nº 9.151, de 24 de março de 1995, de autoria do então deputado estadual Mantelli Neto, a criação do Troféu Urso Branco e a fundação da Arcopar, entidade que antecedeu a Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento).

Oswaldo foi lembrado por contemporâneos como uma figura presente nas rotinas do setor, visitando empresas, incentivando novos profissionais e prestando apoio financeiro ou logístico a colegas. Depoimentos reunidos após sua morte, em 1996, apontam como marcas de sua atuação a persistência, a disposição para o diálogo e o compromisso com a organização do setor.

O troféu que leva seu nome é entregue anualmente e tem o objetivo de destacar contribuições relevantes ao setor. A homenagem reafirma a importância de ações voltadas à valorização do conhecimento técnico, da solidariedade entre profissionais e da construção de uma identidade coletiva no campo da climatização e da refrigeração.

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Assista à premiação ao vivo a partir das 19h00.

Presença feminina no setor HVAC-R é tema de nova pesquisa

Comitê de Mulheres da ABRAVA busca traçar perfil e desafios das profissionais da área

O Comitê de Mulheres da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA) promove, ao longo de junho, a segunda edição de sua pesquisa voltada às mulheres que atuam nos segmentos representados pela entidade.

Realizada de forma online, a iniciativa tem como objetivo traçar o perfil das profissionais do setor HVAC-R (Aquecimento, Ventilação, Ar Condicionado e Refrigeração), identificando características, áreas de atuação e desafios enfrentados. A proposta é utilizar os dados para subsidiar a elaboração de um plano de ação que reflita as demandas e necessidades das mulheres que trabalham na área.

A nova edição retoma o levantamento feito em 2020, cujos resultados serviram de base para ações desenvolvidas pelo Comitê. Segundo Ana Carolina Rodrigues, vice-presidente do Comitê de Mulheres, o cruzamento dos dados entre as duas edições permitirá mensurar o comportamento e o perfil das profissionais do setor ao longo do tempo.

As perguntas do questionário abrangem dados como faixa etária, formação acadêmica, área de atuação, além de aspectos relacionados a ambições, obstáculos e fortalezas identificadas pelas participantes.

A pesquisa é anônima e segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Comitê convida empresas e profissionais a divulgarem e incentivarem a participação no levantamento, descrito como simples e de rápida resposta.

Curso gratuito sobre CO₂ e R-290 é lançado em Curitiba

Escola FAPRO-ETP inaugura laboratório com tecnologia de refrigeração para capacitar profissionais do setor comercial

A Escola Técnica Profissional (ETP), vinculada à Faculdade Profissional (FAPRO), inaugurou em Curitiba (PR) o primeiro laboratório do Brasil voltado à capacitação para uso seguro e eficiente de fluidos refrigerantes naturais em sistemas comerciais. O centro de treinamento integra o Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH) e tem estrutura no modelo de um mini supermercado, com sistemas operando com CO₂ e R-290.

As inscrições para o curso, gratuito e inédito, foram abertas em 10 de junho. Técnicos e engenheiros que atuam em supermercados e estabelecimentos similares poderão participar de 40 horas de formação presencial, sendo 70% em atividades práticas no laboratório e 30% em sala de aula. O material pedagógico foi elaborado com apoio de especialistas internacionais.

O laboratório foi implantado com equipamentos e insumos fornecidos pela Eletrofrio, indústria nacional escolhida por meio de processo de licitação. A implementação do projeto foi coordenada pela GIZ (Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável), parceira bilateral do PBH, sob responsabilidade de Stefanie von Heinemann, gerente de projetos da GIZ-Proklima no Brasil.

Segundo Frank Amorim, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o curso tem como meta apoiar a transição do setor varejista para o uso de fluidos de baixo potencial de aquecimento global e zero potencial de destruição da camada de ozônio. A iniciativa é voltada à capacitação de técnicos, operadores e engenheiros.

A escola FAPRO-ETP atua há mais de 27 anos na formação de profissionais em refrigeração e mantém parcerias com entidades do setor, como ABRAVA e ASBRAV. O corpo docente responsável pelo novo curso foi treinado pelo projeto, conforme informou Alexandre Fernandes Santos, diretor da escola.

A expectativa inicial é de que 150 profissionais sejam treinados no local. Outros três laboratórios com a mesma finalidade devem ser instalados no país, incluindo uma unidade prevista ainda para este ano no Instituto SENAI de Tecnologia Automação e Simulação, no Rio de Janeiro.

A inauguração do laboratório foi acompanhada por representantes do MMA, da GIZ e de entidades como ABRAVA, ASBRAV, PNUD, UNIDO e empresas do setor de refrigeração.

Jovens profissionais discutem rumos do HVAC-R em evento em SP

Palestras abordaram desafios, automação, sustentabilidade e carreira no setor de climatização e refrigeração

O VI Encontro de Inverno para Jovens Profissionais do Setor AVAC-R foi realizado no dia 10 de junho, na Escola SENAI Oscar Rodrigues Alves, em São Paulo. Organizado pelo Departamento Nacional de Projetistas e Consultores da ABRAVA (DNPC), o evento reuniu estudantes e profissionais em início de carreira nas áreas de ar-condicionado, ventilação, aquecimento e refrigeração.

Com o tema “Jovens em movimento: qualificação que impulsiona a evolução dos projetos no AVAC-R”, o encontro teve como objetivo promover a troca de experiências, a ampliação de redes de contato e a qualificação técnica dos participantes. A programação contou com sete palestras que abordaram aspectos técnicos e profissionais do setor.

Roberto Montemor, representante da ABRAVA, abriu o evento com a apresentação do Departamento Nacional de Empresas Projetistas e Consultores. Em seguida, Guilherme Moreira (DNPC) tratou das oportunidades e desafios do setor AVAC-R.

André Dickert (Armacell) abordou conceitos e práticas sobre isolamento térmico. Fernando Castilho (Daikin) discutiu o papel do jovem engenheiro na automação e sustentabilidade, sob a perspectiva do chamado AVAC-R 4.0. Raphael Neri (Soler & Palau) falou sobre os caminhos para construção de uma carreira na área de ventilação.

Carlos Vilares (Traydus) apresentou estratégias para a seleção de equipamentos com foco em eficiência energética. Encerrando a programação, Leonardo Shin Iti Mitsugui (Mayekawa) expôs formas de aplicar o conhecimento técnico à prática na refrigeração industrial.

O evento foi voltado a jovens que iniciam ou desenvolvem sua trajetória no setor e buscou aproximar esse público das transformações técnicas e profissionais que caracterizam a cadeia HVAC-R.