Emoção e Ecologia
Já a partir do primeiro troféu entregue, o grande público reunido no Centro Sociocultural APESP percebeu que haveria uma espécie de enredo na comemoração deste ano.
Subia ao palco, naquele momento, Carlos Scarceli, da Scarceli Refrigeração, o mais indicado momentos antes, nos terminais de votação à disposição dos presentes, como “Profissional Comércio/Distribuidor”.
Não por acaso, sua empresa inclui dentre as principais realizações de 2006 ter recebido do Ministério do Meio Ambiente 300 recolhedoras de CFC, equipamentos que passou a distribuir, desde então, para empresas e refrigeristas do interior paulista, dentro do esforço nacional para a eliminação de substâncias agressivas à camada de ozônio e ao agravamento do efeito estufa.
“Ganhar esse troféu está sendo muito importante, pois demonstra que estamos no caminho certo e temos muitos amigos no setor. Gostaria que todos tivessem essa mesma oportunidade”, disse Carlinhos, como é mais conhecido no ramo.
A homenagem seguinte também seria feita a um nome do mercado com forte perfil ecológico, a Refrigeração Marechal, uma empresa que, a exemplo de outras revendas da área, têm nos fluidos refrigerantes um dos principais itens comercializados, tornando-se assim um pólo para a disseminação das boas práticas no manuseio dos CFC’s. “Fico muito feliz por receber esse o prêmio, o que faço em nome dos senhores Expedito e Paulo Veraldi”, disse Diógenes Roberto Piedade, da área comercial da Marechal, prestando ainda um tributo a Oswaldo Moreira, na qualidade de personalidade importante para o êxito do próprio HVAC-R brasileiro.
Muito aplaudido ao ter seu nome anunciado, o “Profissional Indústria”, Alvacyr Leão Junior, da Invensys, também lembrou o fundador da Revista do Frio, “nosso grande amigo, uma figura que sempre me ajudou bastante, contribuindo muito para o meu crescimento profissional”, afirmou.
Quanto à conquista, ele a considerou especialmente significativa por demonstrar o reconhecimento de que vários desafios foram superados e metas atingidas durante um ano em que o setor, como todo, enfrentou dificuldades.
E para não deixar dúvidas de que o meio ambiente seria mesmo um traço forte do evento, chegaria a vez de a DuPont receber o troféu “Destaque Indústria”, “um orgulho a mais no ano em que completamos 70 anos de Brasil”, lembrou o gerente de Vendas da empresa, Miguel Cazavia, outro que fez questão de reverenciar a memória de Oswaldo Moreira.
“Quero dividir esse prêmio com vocês que votaram na gente, reconheceram o trabalho que a DuPont realiza no setor e, também, com a nossa rede de distribuição, que divulga esse esforço, e, é claro, todo o time dos Fluorquímicos”, acrescentou.
Encerrando as homenagens da Festa, o diretor Comercial e de Marketing da Mary Editora, Luiz Gustavo Moreira Gondin, convidou seus irmãos, Fernando e Luiz Gustavo e a mãe, Nádia, todos também diretores da empresa, para agradecer de público ao legado recebido de Mary Moreira, a quem a família surpreendeu ao entregar uma placa com os seguintes dizeres: “ Pela marcante experiência de trabalho conjunto, pela dedicação que fica conosco, pelo companheirismo, por toda a trajetória de aprendizado e ensinamento, pelas palavras certas nos momentos certos que fizeram a grande diferença, por todo trabalho realizado pelo setor HVAC-R, o nosso profundo agradecimento e sincera homenagem” .
Visivelmente emocionada, a empresária que, 17 anos atrás iniciou a Revista do Frio ao lado do marido, agradeceu pelo reconhecimento ao trabalho realizado desde então, uma obra que está tendo continuidade pelas mãos da filha e dos netos.
Lembrou ainda a importância do apoio do setor, acreditando não apenas na publicação pioneira do ramo, mas também na confraternização anual que relembra os valores cultivados por Oswaldo Moreira, “em prol da união e do crescimento do nosso mercado”, algo que as gerações mais novas, segundo Mary, conhecem apenas através de depoimentos como os dados pelos homenageados da noite, mas cujos benefícios também desfrutam, diante da força assumida pelo HVAC-R no contexto da economia nacional.
Destacou também que chega a ser simbólico entregar apenas quatro trófeus, diante de tantos profissionais brilhantes e empresas bem-sucedidas na área. Isso a faz considerar igualmente vencedores os finalistas, nomes que durante a fase de indicação foram os mais lembrados: Norte Refrigeração e Refrigeração Sudeste (Destaque Comécio/Distribuidor); Brastak e VL (Destaque Indústria) e os profissionais Paulo Veraldi e Sebastião Arruda (Profissional Comércio/Distribuidor), assim como Fernando Gomes e Wilson Cará (Profissional Indústria).
Aula Ecológica
O diretor do Departamento de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Rui Góes Leite de Barros, brindou a todos com uma verdadeira aula sobre o tema “Protocolos de Montreal e Kyoto e Perspectivas para o Setor”.
Embora reconheça o sucesso do Brasil na substituição de substâncias ofensivas à camada de ozônio, a ponto de colocar o País dentre as nações em desenvolvimento que conseguiram antecipar o cumprimento de todas as suas metas na área, ele traçou um quadro dos próximos passos a serem seguidos.
Lembrou, por exemplo, que as mudanças climáticas são hoje o problema mais grave com que a geração atual e as próximas terão de conviver, o que coloca os setores de refrigeração e ar condicionado novamente em evidência, diante do desafio de encontrar substâncias capazes de substituir os HCFC’s.
No caso do CO², o especialista disse que se não houver um corte de 50% a 85% nas emissões globais haverá uma elevação de 2 graus Celsius na temperatura média da Terra, o que seria o suficiente para extinguir de 20% a 30% das espécies hoje conhecidas, algo de dimensões semelhantes, do ponto de vista ambiental, ao meteoro que caiu na Terra no período Pleistocenoe extinguiu animais como os dinossauros.
“Ao mesmo tempo, não se consegue um acordo entre as nações que consiga congregar os países em torno da mesma mesa para tal redução”, lamentou Leite de Barros.
O Protocolo de Kyoto, por exemplo, prevê um corte de 5% de 2008 a 2012, o que é muito pouco, e, mesmo assim, os Estrados Unidos, país que mais contribui para o chamado efeito estuda, continuam se negando a aderir ao tratado.
O Brasil, por sua vez, em seu último inventário nacional de emissões mostra uma participação pequena nesse quadro tão grave, em virtude do predomínio das usinas hidrelétricas na geração de energia e da participação expressiva do álcool no campo dos combustíveis.
“Nossa matriz energética é limpa, mas as queimadas de cana-de-açúcar ainda são o Calcanhar de Aquiles, respondendo por 55% das nossas emissões, principalmente na Amazônia”, afirmou.
O segundo fator mais preocupante, segundo ele, é a fermentação entérica, provocada pelos gases de origem bovina. “Parece piada, mas isso é complicadíssimo para o efeito estufa, devido à geração de metano, que chega a ser mais prejudicial do que o próprio CO² na questão do aquecimento global”, explicou Rui.
Indústria e agricultura, somadas, chegam a 80% e os 20% que faltam ficam por conta de atividades ligadas a transporte, energia e outros segmentos.
Mesmo assim, a situação brasileira continua sendo privilegiada, já que
as 100 milhões de toneladas emitidas anualmente pelo País em 1999 caíram em 70%, ou seja, hoje se encontram na faixa dos 30 milhões.
Segundo Rui, boa parte desse sucesso decorre da postura da indústria brasileira em segmentos como o HVAC-R, onde a preocupação pela adoção de condutas ecologicamente responsáveis tem sido uma tendência em franco crescimento.

