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Dutos e difusores atendem novas demandas do mercado

01/04/2011

O aquecimento do setor imobiliário, em especial o voltado a construções comerciais, combinado aos fortes investimentos das indústrias para erguer novas plantas ou atualizar seus sistemas de condicionamento de ar, traz fôlego renovado aos fabricantes de dutos e difusores, componentes largamente utilizados nas instalações centrais. Mas também evidencia uma grande lição de casa a ser feita, algo que parte significativa do setor parece já ter iniciado.

No caso específico dos dutos, um dos traços marcantes da área nos últimos anos tem se revigorado em meio a esse cenário tão dinâmico: a pré-fabricação, com o transporte para os locais de instalação apenas no momento da montagem.

“Isto reduz a quantidade de trabalhadores nas obras, melhora o rendimento do trabalho, diminui os riscos de acidentes e aumenta os controles operacionais de instalação”, defende Marcelo Baptista do Vale, diretor comercial da paulistana Refrin. Além disso, segundo o engenheiro mecânico, esse método gera uma economia média de 15% nas matérias-primas empregadas,

Outra tendência em processo de solidificação na área é identificada pelo sócio da Powermatic, Dilson Carlos Carreira: o emprego de dutos cada vez mais leves, porém com boa resistência mecânica, conforme demonstram soluções vistas por ele em feiras internacionais, com destaque para a utilização de cabos de aço na sustentação das redes.

“Estamos investindo em equipamentos especiais e dutos mais robustos, utilizados em aplicações industriais mais severas”, revela o executivo da empresa, cuja sede fica em Brotas, interior de São Paulo.

Quem também está otimista é a KAO Dutos, fabricante com sede em Cajamar (SP) que prevê expansão em torno de 15% nos seus negócios este ano, com base no momento positivo que vive a construção civil brasileira.

“Buscamos a melhora de nossa capacidade produtiva e, por conta disso, investimos em novos equipamentos, além de nomear representantes em outras cidades brasileiras”, salienta sua diretora, Cleide Thomaz dos Santos.

Fazendo a diferença

A adequação dos produtos a construções sustentáveis, os chamados green building, que buscam conforto térmico com baixo consumo de energia, é outra clara preocupação atual do mercado.

Mas, para que realmente atinjam esse objetivo, as edificações precisam transformar em resultados o bem-estar dos seus usuários, segundo analisa o diretor da MultiVac, Robert van Hoorn.

“Num escritório, a busca de conforto para os ocupantes é o que resulta em produtividade. Uma instalação com baixo consumo de energia, mas que não atenda a essa necessidade, deixa de ser sustentável, pois em pouco tempo fica obsoleta ou precisa ser refeita”, exemplifica.

Por isso, os sistemas centrais com redes de dutos são considerados ideais por ele, em virtude da melhor distribuição de ar que propiciam em detrimento das instalações com aparelhos unitários.

No caso específico de sua empresa, Robert diz que a colaboração para a sustentabilidade das obras também fica por conta de itens de seu portfólio como o sistema MPU, composto por dutos em painéis de alumínio pré-isolados com espuma rígida de poliuretano, fator extra para aumentar o rendimento e economizar energia.

Em se tratando de difusores, o lado estético também merece atenção, pois com a chegada dos splits aos mais diversos tipos de obras, há também quem atribua às grelhas e difusores o poder de quebrar um certo ar de monotonia que estaria tomando conta dos ambientes.

É o caso de André Marques, gerente de engenharia da Comparco, empresa paulistana que oferece ao mercado uma gama de produtos para difusão de ar, incluindo grelhas com várias opções de moldura.

Com seu olhar de arquiteto, ele afirma, e sem pestanejar: “para ter uma instalação diferenciada hoje em dia é necessário ousar com grelhas e difusores que tenham acabamentos sofisticados e exclusivos”, avalia.

Para a Tropical, que também atua nesse segmento, aspectos igualmente fundamentais que os olhos podem não ver, mas outros sentidos dos ocupantes de um prédio fatalmente percebem, incluem renovação e distribuição do ar, controle de sua velocidade e o mínimo de variação de temperatura.

Sua grande novidade atual combinando tudo isso é o difusor VAV, que devido à cota muito baixa na altura, se destaca ainda por economizar pé direito na instalação. “Também pode ser instalado direto com duto flexível, dispensando assim o duto rígido no seu acoplamento”, explica o gerente comercial dessa empresa localizada em Cabreúva (SP), e que faz parte da Indústrias Tosi.

Basicamente, o produto é composto por difusor, sensor de pressão, controladora, atuador e termostato, que pode ser incorporado ao próprio difusor VAV ou ao ambiente, de acordo com a especificação do projeto.

“Outra grande vantagem é que ele pode ser facilmente integrado à rede por um difusor master e até oito escravos”, acrescenta Danilo Decoussau, cuja empresa espera crescer 30% agora em 2011, perspectiva que ele atribui em boa parte ao fato de vários shoppings centers estarem sendo construídos este ano, e também ao início das obras de infraestrutura com vistas a Olimpíada e Copa do Mundo.

Qualidade certificada

Tão importante quanto acompanhar a grande demanda atual do mercado, tem sido para os fabricantes e instaladores de dutos e difusores manter acesa a chama em torno de uma verdadeira guerra em defesa do alto nível desses dois segmentos fundamentais do HVAC.

Ninguém questiona na área a importância de legislações como a Portaria 3.523/98, do Ministério da Saúde, e a Resolução Anvisa 09/03. Da mesma forma, porém, beira à unanimidade a sensação de que novos parâmetros são imprescindíveis para que a evolução neste campo persista.

Tanto é que a Norma ABNT 14.679/01 está sendo revisada, enquanto se pensa seriamente numa certificação ou algo do gênero estabelecendo normas padronizadas para a atuação em áreas como a higienização de sistemas de ar-condicionado e a sanitização de ambientes.

Ambos os temas têm sido levados a sério por entidades como a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, que desde 2008 possui uma área especificamente ligada ao tema, o Departamento Nacional de Qualidade do Ar de Interiores.

“Basicamente, a ideia é coibir a ação de empresas que acabam depreciando o setor por não realizar serviços adequados, seja por falta de tecnologia ou mão-de-obra especializada, seja por deficiências de ordem técnica”, argumenta o engenheiro mecânico de segurança do trabalho Guilherme Francisco Botana, responsável-técnico da Ductbusters Engenharia.

“A normatização é fundamental para conscientizarmos os clientes sobre esse tipo de serviço e a gravidade de se contratar empresas despreparadas em um segmento que envolve tecnologia, equipamentos específicos e muita responsabilidade por parte de quem desempenha tais funções”, afirma o especialista.

Segundo ele, muitas vezes importa apenas ao contratante pagar um preço mais baixo ao invés de receber um serviço realmente de qualidade. “E é isso que queremos mudar”, acentua Botura, falando também na qualidade de membro do DN da Abrava, onde os estudos e discussões em torno do tema têm sido frequentes.

Preocupação semelhante é demonstrada por fabricantes como a Powermatic, conforme revela seu diretor, Dilson Carlos Carreira. “A escassez de mão-de-obra qualificada, aliada à omissão na fiscalização da aplicação das normas e à falta de conscientização de alguns usuários – que ainda priorizam a economia na instalação em detrimento da redução dos gastos no próprio uso do sistema – é um reflexo da atual situação”, afirma o executivo dessa fabricante de dutos e acessórios.

Em compensação, ele considera altamente oportuno para se iniciar a modificação desse quadro o fato de o HVAC-R estar plenamente aquecido, o que pode significar o momento ideal de ir à luta, “e com a faca nos dentes, para driblar tais obstáculos”, defende.

Normas em xeque

Nos últimos anos, o setor tem se esforçado para normatizar as instalações de ar-condicionado. Um nítido exemplo disso é a atualização da NBR 6401, de 1980, para a NBR 16401, de 2008.

Mas a defasagem de quase 30 anos em relação às modernas e atuais tecnologias que antecedeu a esse mais do que desejável upgrade acabou criando uma situação surreal, com projetos dando origem a sistemas repletos de vazamentos e infiltrações, bem como elevados custos iniciais e de operação.

“Toda essa operacionalização estava de acordo e amparada pela norma antiga, fazendo com que diversos profissionais recorressem às especificações norte-americanas da SMACNA, mais completas e atuais, porém muito complexas e em inglês”, argumenta o diretor comercial da Refrin, Marcelo Baptista do Vale.

Ele enfatiza ainda a necessidade de muitos desafios serem vencidos, caso dos problemas suscitados pelas construções gerenciadas por mão-de-obra considerada artesanal. “Infelizmente, essa prática não favorece o melhor aproveitamento da matéria-prima e gera dutos sem a devida uniformidade, fora das normas, o que transforma baixos investimentos em significativos vazamentos e alto consumo energético”, alerta.

Baseado em sua experiência de 20 anos atuando com dutos e acessórios, o engenheiro mecânico lamenta que cerca de 60% das redes de dutos ainda sejam fabricadas nos próprios locais das obras, por meio de processos artesanais que acarretam perdas entre 20 e 30% .

Outro fator a se considerar nesse campo é a aceleração dos novos negócios, com o segmento a todo o vapor para dar conta do crescimento dos pedidos, especialmente em setores como a indústria alimentícia.

“A forte demanda implica prazos menores para a entrega de equipamentos e obras, mais investimentos em infraestrutura e desenvolvimento de novos produtos”, avalia Einar Ingo Mühle, sócio da Montef, empresa especializada em dutos têxteis.

“Com os prazos ficando cada vez mais curtos, este mercado poderá, no futuro, registrar alguma queda na qualidade dos produtos e serviços”, preocupa-se o empresário.

O dimensionamento incorreto de filtros é outro conhecido fator de problemas, na avaliação de Flávio Augusto Valle, gerente de marketing da Trox para o Rio de Janeiro, Norte e Nordeste.

Na qualidade de quem produz tanto grelhas e difusores quanto os dispositivos responsáveis pela filtragem do ar que por eles circula, o profissional atribui a problemas neste conjunto inúmeros casos de prejuízo ao conforto térmico e à qualidade da atmosfera respirada nos mais diversos ambientes.

“É comum a existência de filtros dimensionados e colocados de forma inadequada, possibilitando o acúmulo de sujidades na parte interna dos dutos”, exemplifica o engenheiro mecânico.

No seu entender, está mais do que na hora de os clientes se conscientizarem sobre a importância da qualidade das instalações, em detrimento do fator custo, pois se forem utilizadas grelhas e difusores dentro das conformidades, certamente o investimento corresponderá a menos de 1% do valor total da obra e com um retorno bem maior. “É isso, ou então amargar prejuízos na certa”, arremata o profissional.

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