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Crescendo em silêncio

01/07/2011

Menos barulho e mais eficiência. A regra número um de qualquer empresa com planos de ir longe no mercado faz ainda mais sentido ao se analisar a expansão do setor de ventilação industrial nos últimos anos.

A partir do investimento em tecnologias capazes de reduzir ao máximo o nível de ruído e o consumo de energia, as fabricantes deste segmento vêm alcançando resultados surpreendentes e vislumbram um futuro promissor, apesar de alguns gargalos persistentes no Brasil.

Uma das que puxam o coro do otimismo na área é a Ebm-Papst, confiante nos nada menos que 14,5 mil itens de seu estoque, destinados a movimentar o ar de forma silenciosa e inteligente, dentre eles os moto-ventiladores com motores AC (Corrente Alternada) e EC (Eletronicamente Comutados).

“Redução de ruído e consumo energético são mesmo as palavras de ordem para as empresas de ventilação industrial nos dias de hoje. Por isso, ofertamos sempre uma solução completa, conforme a necessidade do cliente”, relata o gerente comercial Carlos Rito.

Os bons ventos soprados nos cinco primeiros meses deste ano o fazem acreditar que, até dezembro próximo, sua empresa terá um crescimento 20% superior ao registrado em 2010.

As projeções positivas chegaram também a Caxias do Sul (RS), cidade sede da Airway, fabricante do setor há pouco mais de dez anos, mas que já conquistou um espaço importante ao produzir aparelhos como o BigFan, indicado para a ventilação de grandes ambientes.

“Os equipamentos devem ser muito eficientes, de baixa manutenção e custo adequado ao tipo de solução empregada. O cliente busca produtos diferenciados, com retorno certo, e o nosso não peca em nenhum destes pontos”, orgulha-se o gerente de marketing e vendas, André Vasata, satisfeito com o desempenho comercial obtido por sua empresa nos cinco primeiros meses do ano.

E DÁ PRA MELHORAR

Os únicos vilões capazes de atrapalhar este bom humor geral por alguns momentos atendem por dois nomes bastante conhecidos: impostos e câmbio. Pedras no sapato de qualquer empreendedor brasileiro, eles também tiram o fôlego no setor de ventilação.

Que o diga a Elefant, constituída há cerca de três anos, e que já se prepara para expandir seu raio de ação rumo a outros países. Embora identifique uma série de condições favoráveis para atingir esta meta, o medo de encontrar ventos contrários pela frente existe.

“As expectativas são de expansão na área comercial, com a finalização do projeto Export Elefant’s 2011, em que vamos iniciar nossas atividades pelos países da América Latina”, explica Vanessa Silva, trade marketing da empresa portoalegrense.

Segundo ela, sua empresa pretende chegar ao final deste ano fabricando 70 unidades por mês, crescimento promissor, mas que não consegue neutralizar preocupações remanescentes no campo econômico, sobretudo com relação a taxa de juros e inflação.

“São gargalos que afetam a relação com fornecedores de matéria-prima trazendo, por alguns momentos, uma certa instabilidade para os grandes negócios”, pondera a profissional.

Com a Sictell não é muito diferente, mas a sua queixa principal se refere aos tributos. O diretor industrial da empresa, Rafael Munhoz, se diz inquieto, por exemplo, com a enorme burocracia imposta às indústrias brasileiras neste campo.

“Hoje você paga 10, 12 impostos, com 10, 12 guias, que vão para o mesmo tomador. Você paga todas as contas para todo mundo. Então, por que não fazer uma guia só? Imagine quanto tempo se perde nisto”, argumenta.

SOPROS DE ESPERANÇA

Mesmo assim, Munhoz enxerga uma série de outros aspectos positivos na atuação do governo federal e acredita que serão tomadas medidas capazes de melhorar a vida dos empreendedores.

Uma delas é a tentativa de ampliar os limites de enquadramento do Simples Nacional de R$ 2,4 milhões para R$ 3,6 milhões de faturamento anual, proposta que vem sendo estudada no Congresso Nacional.

“Isso seria bom não apenas para a nossa empresa, mas beneficiaria o mercado de uma maneira geral. Outra questão a ser vista é a desoneração da folha de pagamento, que já vem se arrastando por muito tempo. Mas com essa reestruturação do governo e a troca do presidente Lula por Dilma Roussef, tudo vai ficar mais claro”, prevê o executivo da Sictell.

As perspectivas animadoras têm sido sentidas também pelos lados de Itapira, no interior de São Paulo, onde a Qualitas fabrica vários modelos de ventiladores há mais de 20 anos.

Na avaliação do diretor da empresa, Paulo Stivalli Júnior, tem havido uma preocupação maior com a regulamentação técnica dos equipamentos, a fim de varrer do setor produtos cujo único atrativo seja o preço baixo.

“O nosso mercado está se tornando mais técnico, pois estamos tendo a ação do Inmetro, da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) e do Cobei (Comitê Brasileiro de Eletricidade, Eletrônica, Iluminação e Telecomunicações) regularizando a parte de ventilação, o que ajuda a coibir a entrada no País de materiais importados abaixo de um certo nível de qualidade”.

Embora a etiquetagem do Inmetro ainda não seja compulsória, ela passará a incluir ventiladores de parede e de coluna, “o que já é um avanço”, destaca.

Por outro lado, o diretor geral na América do Sul da Ziehl-Abegg, José Eduardo Rapacci, não vê muitos motivos para comemorar quando o assunto é a regulamentação do setor.

Para ele, o Brasil ainda peca muito neste aspecto, ao deixar entrar no mercado produtos ruins, ao contrário do que ocorre na Europa, onde fica a sede dessa companhia alemã.

“O mercado europeu terá regulamentações bem mais apertadas em termos de eficiência energética nos próximos anos”, prevê o executivo, para quem essa tendência um dia também deverá chegar por aqui.

SEMPRE INOVANDO

Com ou sem problemas estruturais, a verdade é uma só: as empresas do setor não param de lançar novas soluções e aprimorar as tecnologias já existentes.

A Otam, por exemplo, aposta nos seus ventiladores para instalações de combate a incêndio, capazes de resistir a até 400ºC por duas horas. “São modelos certificados pelo IPT/SP (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo). Existem perspectivas comerciais muito boas para eles, em função de estarem sendo exigidos pelas normas regulamentares do corpo de bombeiros”, salienta Carlos Ehlers, diretor geral da empresa.

Habituada a estar sempre com novidades no mercado, a Airway também vem investindo num equipamento arrojado, a fim de crescer ainda mais na ventilação industrial.

Trata-se do BigFan móvel de 2,5m de diâmetro, montado em uma estrutura sobre rodas com sistema de giro para ajustar seu fluxo de ar em qualquer direção.

“Ele pode ser posicionado próximo a aberturas para captar o ar externo e ser facilmente deslocado a outros locais. Tem capacidade de ventilar uma área de 400 metros quadrados, podendo atingir 60 metros de distância. E novos lançamentos estão por vir ainda este ano”, ressalta André Vasata.

A Elefant, por sua vez, está ampliando a linha de ventiladores com grande vazão e baixa velocidade (GVBV). Seu lançamento mais recente do gênero é o também portátil e prático Elefant Mobile.

“Vertical, econômico e de grande mobilidade, é ideal para o chão de fábrica”, frisa Vanessa Silva.

Outra com novidades na área é a Ebm-Papst, que vai mostrar na Febrava, em setembro, seus moto-ventiladores da linha Radical (foto), disponíveis em correntes alternada e contínua.

Segundo a companhia, estes modelos vão ao encontro das metas de redução de ruído e consumo energético, além de serem mais leves. “Utilizamos materiais reciclados, que são empregados em toda a nossa linha denominada Green Tech. Outro atrativo é a capacidade de o ventilador se adaptar às necessidades específicas do cliente”, pontua Carlos Rito.

“Acreditamos que vamos aumentar a cada dia a nossa participação entre os produtos de alta eficiência e baixo nível de ruído, com destaque para os da linha EC GreenTech. Embora apresentem preços iniciais maiores, frente a outras opções, com o passar do tempo demonstram custos operacionais nitidamente vantajosos”, complementa.

Na Qualitas, a bola da vez é a linha de motores para ventiladores/exaustores com quatro tamanhos diferentes de carcaça e potência até 300w. “Está tendo boa aceitação e, neste segundo semestre, vamos lançar uma linha com três tamanhos de míni exaustores/sopradores centrífugos de grande durabilidade, equipados com girante de alumínio fundido e caracol de chapa”, antecipa Paulo Stivalli.

Com a Sictell o panorama é igualmente promissor e as novas soluções estão sempre aparecendo. Dentre as mais recentes, o exaustor centrífugo compacto de alto rendimento da linha MAXX, repleto de diferenciais de mercado, de acordo com Rafael Munhoz.

“Além de ter um custo menor do que outros aparelhos, ele é bem mais compacto e prático, principalmente quando utilizado num forro falso de gesso, onde há limitação de espaço”, explica o diretor industrial.

Já na Ziehl-Abegg a linha de frente do momento é a nova geração de moto-ventiladores com motores de rotor externo eletronicamente comutados, chamados “ECblue”.

Como principais características, a indústria destaca o fato de serem equipamentos axiais e centrífugos com alto rendimento do motor elétrico e aerodinâmica igualmente eficiente, tornando-os ainda silenciosos e confiáveis.

“Eles facilitam também a interface, podendo ser parametrizados por comunicação wireless, além de já atenderem às normais de eficiência energética que irão entrar em vigor na Europa em 2015”, enfatiza José Eduardo Rapacci.

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