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Aparelhos de janela superam em muito a mera sobrevida

01/03/2007

O que levaria uma empresa que está se dando bem com a importação de splits, uma quase unanimidade do atual mercado, a apostar parte de suas fichas nos aparelhos de janela?

Essa pergunta, certamente, será muito ouvida pela Komeco, que acaba de anunciar a inclusão no seu catálogo, ainda este ano, de uma modalidade de condicionador de ar que muitos no mercado consideram um azarão, e o que é pior, já no caminho irreversível da aposentadoria compulsória.
O projeto, na verdade, não surgiu da noite para o dia. Vem sendo analisado desde o final de 2004, até mesmo em função do êxito na comercialização de splits, iniciada um ano antes pela empresa, em conjunto com revendas especializadas, home centers e também parceiros da área de aquecimento, na qual já atuava.

Vento a favor

Ao comentar a decisão da Komeco, seu gerente Comercial, Sandro Seiti Suda, aponta Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo como exemplos de cidades que ainda não estão totalmente adaptadas aos aparelhos splits, diante da falta de espaços disponíveis nos prédios para se instalarem unidades condensadoras do gênero. “Mesmo em menor escala, fatos assim fazem com que os janela continuem tendo uma demanda garantida, principalmente para o mercado de reposição”, observa.

Outro aspecto positivo apontado por ele é a melhora na situação econômica do país, o que tem levado as pessoas a trocar com maior freqüência os seus eletrodomésticos em busca de novidades tecnológicas. “Mas o ar condicionado ainda não teve o boom da troca”, ressalva.

Ainda segundo Sandro, há muitos aparelhos no atual mercado com dez anos de uso. “Por causa do alto custo do aparelho no passado, as pessoas acabaram se apegando ao seu primeiro condicionador”, justifica.

Mesmo assim, a intenção da Komeco é atuar, inicialmente, apenas com itens de maior giro, na faixa de 7,5 a 12 mil BTU/h, equipamentos que serão trazidos de fabricantes asiáticos, a exemplo do que ocorre atualmente com os splits da marca.
Porém, haverá uma atenção toda especial às preferências do nosso mercado, ao definir sempre localmente aspectos com o layout dos aparelhos. “Não trabalhamos com produtos genéricos, uma das grandes falhas de outras empresas que deixaram em segundo plano o gosto do brasileiro”, pondera o gerente.

A procura constante por novos recursos, outra conhecida paixão nacional, ele garante que também será levada em conta na seleção dos janelas a ser importados. “O mercado pode esperar muitas novidades nos nossos modelos, cuja tendência é agregar recursos que hoje só os splits oferecem”, diz ele, adiantando que atributos como programação liga-desliga, funcionamento silencioso e eficiência energética serão prioridades.

Para cumprir o cronograma do lançamento, previsto para setembro próximo, a empresa – cujas áreas administrativa e gerencial funcionam em Florianópolis, com toda a logística centrada em São Paulo -, vem negociando com seus possíveis parceiros na área desde 2006, todos devidamente motivados ao saber que o Brasil ainda possui um grande mercado a ser explorado em matéria de aparelhos de janela.

Projeção mundial

Presente em 172 países, a Carrier também vê nessa modalidade um produto vigoroso e dono de um mercado expressivo não apenas dentro do País.

Tanto é que sua unidade local, inaugurada em 1934 na cidade gaúcha de Canoas, até hoje é um “design center”, laboratório de desenvolvimento do qual têm saído upgrades tecnológicos para os aparelhos de janela montados em todas as suas unidades espalhadas pelo mundo.

Segundo Cristiano Santos, especialista em Marketing do Produto da empresa, boa parte dessa evolução se exprime em características de modelos atuais como Silentia e MiniMaxi, este último considerado o menor em sua categoria nas capacidades de 10 mil e 18 mil BTU/h.

“Não existe equipamento ultrapassado, mas sim evolução em estilos de projetos arquitetônicos no mercado”, acentua Santos, para quem o espaço do janela sempre estará garantido. “Existem projetos que aceitam perfeitamente um equipamento split, enquanto outros só possibilitam a utilização de um janela para garantir o conforto de seus ocupantes”, acrescenta.

No entanto, diante do elevado Custo-Brasil e da supervalorização do real frente a moedas como o dólar e o euro, também há empresas que já fabricaram aparelhos de janela no País, mas hoje preferem trazer o produto de fora. É o caso da Gree, que produziu esse tipo de condicionador em Manaus durante cinco anos, mas resolveu abandonar a fabricação local em 2006, passando assim a recorrer novamente à sua fábrica chinesa para abastecer o mercado brasileiro.

Importações em alta

Ao retomar agora um caminho trilhado em 1998, quando sua marca aportou por aqui, a empresa frisa não ter desistido do janela; pelo contrário, pois nos últimos dois anos vem fortalecendo o produto, conforme conta o gerente Comercial, Cláudio Vares.

Segundo ele, a idéia inicial de ter esse item no portfólio apenas como um complemento de linha aos poucos foi mudando de conotação e, hoje, o cliente da Gree encontra diversas opções nas lojas, numa faixa de 5 a 21 mil BTU/h.

“Percebemos que para entrar forte e com volumes significativos nos grandes magazines teríamos de oferecer o janela em grande escala”, diz ele. “E a idéia deu certo”, comemora Vares, lembrando que a marca já se encontra em 60% dessas lojas em todas as regiões brasileiras, o que vem abrindo espaço até mesmo para uma maior penetração dos splits, seu carro-chefe até hoje.

Boa parte desse quadro, porém, ele reconhece decorrer de deficiências do varejo, já que em home centers e hipermercados, por exemplo, quem procura um split para comprar nem sempre recebe orientação adequada, sem falar no choque que o custo de instalação mais elevado ainda provoca na maioria dos clientes.

A LG Electronics é outro nome respeitável da área que, embora não tenha encerrado a produção local dos aparelhos janela, aumentou sensivelmente a vinda do produto de sua matriz coreana.

Prova disso é que, desde agosto do ano passado, os modelos de 7,5 e 10 mil BTU/h passaram a vir de lá, continuando apenas os de 18 e 21 mil a ser produzidos em Manaus, na moderna fábrica inaugurada pela empresa em 2001.

Mas o gerente de Produto na área de condicionadores de ar, Demis Sanches, acredita ainda estar muito distante o dia em que o mais popular dos condicionadores vai se tornar uma peça de museu.

“O mercado do janela ainda é bastante forte em matéria de reposição, principalmente por conta da infra-estrutura dos prédios mais antigos de cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, que foram concebidos apenas para receber esse tipo de aparelho”, exemplifica.

Tendo até hoje como carro-chefe da linha o modelo de 7,5 mil BTU, destinado a ambientes entre 10 e 15 m², ele reconhece ainda que foi o janela o grande responsável pela consolidação da marca LG no Brasil como um player expressivo na área de ar-condicionado.

No seu entender, porém, isso não impediu que os splits passassem a merecer primazia em termos de inovações tecnológicas, motivo pelo qual o janela, de uma forma geral, pouco evoluiu ao longo do tempo, a não ser pela agregação do controle remoto à maior parte dos modelos, em substituição aos painéis com ajustes exclusivamente mecânicos.

Outra tese recorrente entre os profissionais do setor é a de que o janela acaba incentivando a futura aquisição de um split, pois assim como o consumidor do ar automotivo tende a estender o conforto térmico para a sua casa e o escritório, quem inicialmente adquire um aparelho mais simples pode muito bem querer ir além.
A própria LG tem testemunhado essa tendência ao realizar campanhas bem-sucedidas na região Nordeste, nas quais convence quem tenha um janela de 7,5 mil BTU a trocá-lo por um split Baby de 5,5 mil BTU.
O compromisso da empresa é devolver o valor ou trocar o aparelho por outro janela que atenda à necessidade do comprador eventualmente insatisfeito com a substituição.

“A difusão do split é mais eficiente, em função da maior área de útil de sua grade frontal, o que permite uma melhor distribuição do ar e, conseqüentemente, bons resultados frente ao janela até mesmo com aparelhos de menor capacidade nominal”, explica Demis.

Mas Sandro Suda, da Komeco, pensa de forma diferente. “Se a pessoa tem condições técnicas para colocar um split, já parte direto para essa solução”, sentencia. E justifica seu raciocínio invocando a própria diminuição na diferença de preço entre as duas modalidades, algo que já teria chegado a cerca de três vezes e, hoje em dia, dificilmente supera os 70%.

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