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Um ano difícil e otimismo para 2017

01/12/2016

Queda do PIB (Produto Interno Bruto) por seis trimestres consecutivos, crise política, taxa de desemprego acima de 10% e uma dívida bilionária que não para de crescer. Se 2016 foi um ano para ser esquecido por aqui, resta ao HVAC-R e a todos os outros segmentos da economia nacional prejudicados por este cenário comemorar a chegada do final do ano e a perspectiva de leve recuperação em 2017.

A força e a experiência das empresas do frio em superar adversidades, mais uma vez, foram o diferencial para o setor se sustentar diante deste panorama e já começar a projetar melhora para o próximo período, apesar da forte retração registrada pelo segmento este ano.

“Foi um ano difícil pela crise econômica e pela indefinição política. Tivemos momentos sem saber como seria o próximo dia. Aos poucos, as coisas vão se organizando. Em 2017 ainda será difícil, mas não podemos desanimar. Nossos empreendedores não desanimam e estão sendo muito criativos para encarar a crise”, avalia a presidente da Asbrav (Associação Sul Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado Aquecimento e Ventilação), Hani Lori Kleber.

“Eu estou otimista que tenhamos um começo de recuperação no primeiro semestre de 2017. Pequeno, mas um crescimento já nos primeiros seis meses. Nosso setor é formado por empreendedores que acreditam no seu negócio. Queremos que o mercado evolua e trabalhamos forte para isso”, ressalta o presidente da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), Arnaldo Basile.

O otimismo é sustentado pelo próprio vigor do HVAC-R, indústria que fatura mais de R$ 32 bilhões por ano, gerando 250 mil empregos diretos e 200 mil indiretos, de acordo com a associação.

Para se adaptar ao momento de crise, muitas empresas lançaram mão de uma série de ações estratégicas. Na Heatcraft, as saídas foram buscar a diversificação nas áreas de atuação e intensificar o investimento em melhorias nos processos produtivos e na inovação, segundo o coordenador de marketing da companhia, Bruno Franco.

“Conseguimos, com isso, mesmo no cenário adverso, apresentar crescimento de vendas, como vem sendo uma constante nos últimos anos. Agora, as perspectivas são positivas, uma vez que a economia parece começar a dar sinais de recuperação. Sabemos das dificuldades que o mercado ainda oferece, mas as oportunidades continuam a existir da mesma maneira”, afirma o executivo.

O cenário negativo também não impediu que a Danfoss crescesse 10% até o terceiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2015. No terceiro trimestre, inclusive, a multinacional de origem dinamarquesa realizou duas importantes operações globais, adquirindo a Sondex Holding S/A e a White Drive Products Inc.

Foco no chamado core business, aumento da presença física nos clientes e o lançamento de produtos e tecnologias foram algumas das iniciativas da empresa para a conquista destes expressivos resultados.

“Mantivemos a tendência positiva e, apesar de uma economia mundial caracterizada por preços baixos das commodities e níveis geralmente baixos da atividade em diversas grandes indústrias globais, vários fatores estão desencadeando um desenvolvimento positivo”, avalia Peter Young, diretor de vendas indiretas de refrigeração e ar condicionado da Danfoss.

“Olhando para o futuro, com a entrada em vigor do acordo climático da COP-21, vemos um grande potencial para a empresa, pois a eficiência energética é fundamental para que cada país atinja os objetivos planejados de redução de emissões de CO2. Consequentemente, esperamos que a demanda por várias de suas tecnologias e soluções de eficiência energética aumente em médio e longo prazo”, complementa.

Acordo de Kigali

No escopo institucional, a emenda ao Protocolo de Montreal estabelecendo um cronograma de eliminação de HFCs foi um importante avanço conquistado neste ano, na avaliação da Abrava.

O acordo – fechado em outubro em Kigali, capital da Ruanda – determinou que os países desenvolvidos limitem a produção e reduzam em 10% o uso desses gases antes do final de 2019, em relação aos níveis de 2011-2013, e 85% antes de 2036.

Um mês antes do anúncio dessa nova medida, a entidade já havia ratificado a sua concordância com a proposta realizada na reunião do Grupo de Trabalho Ozônio. Na ocasião, a associação acatou o congelamento das importações em 2025, tomando como referência a média dos parâmetros dos anos de 2021 a 2023. Durante a reunião de Kigali, porém, ficou definido que a linha base será de 2020 a 2022, com congelamento em 2024.

“O Brasil está seguindo os caminhos do Protocolo de Montreal, cumprindo as metas estabelecidas desde o início com os CFCs e HCFCs, e não vai ser diferente agora, com o acordo de Kigali, em relação aos HFCs”, afirma Arnaldo Basile.

Na avaliação do presidente da entidade, os prazos estabelecidos para o controle de importação dos HFCs – e seu posterior congelamento, para reduções nos anos seguintes – proporcionam tempo hábil para orientar o setor e usuários finais das novas tecnologias que já vêm sendo implantadas no Brasil.

“É importante ressaltar que os HFCs no Brasil são responsáveis por menos de 0,5% do efeito estufa, e que eventos como queimadas e emissões de CO2 por veículos têm peso considerável neste quesito no País”, pondera.

Para o engenheiro, a questão da viabilidade econômica para a substituição dos fluidos refrigerantes nos segmentos de refrigeração e ar-condicionado – responsáveis por vendas da ordem de R$ 4 bilhões, anualmente – deve ser observada não somente com a atenção nos custos das substâncias, mas também na eficiência energética dos equipamentos.

“No Brasil, temos sistemas modernos e compatíveis com os sistemas de outros países, assim como fluidos refrigerantes. Conforme as tecnologias são implementadas em escala maior, automaticamente os custos tendem a ficar mais viáveis”, conclui.

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