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Fabricantes combinam produção local e importados para garantir competitividade

Com fábricas instaladas no país, o setor avalia o equilíbrio entre produzir localmente e importar componentes para garantir competitividade no abastecimento.

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A cadeia de fornecimento local tem ganhado importância estratégica para a indústria de HVAC-R no Brasil, especialmente em um cenário de demanda crescente por climatização, pressões por eficiência energética e necessidade de reduzir vulnerabilidades logísticas globais. Empresas que atuam no país avaliam constantemente se devem produzir localmente ou importar equipamentos, peças e partes.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou um parque industrial relevante na área de climatização e refrigeração. A proximidade com o cliente também favoreceu a customização, atendimento mais ágil e controle de qualidade. Além disso, permite maior agilidade na reposição de peças e serviços, o que se traduz em confiabilidade e menor tempo de resposta nas manutenções. Grandes grupos globais já apostam nessa estratégia: por exemplo, o Midea inaugurou em 2023 uma fábrica de 73 mil metros quadrados em Pouso Alegre (MG), que produz cerca de 1,3 milhão de unidades por ano. Já a Gree do Brasil mantém uma planta em Manaus (AM) com capacidade de mais de 1,5 milhão de aparelhos/ano, confirmando a força da produção local no segmento. Além dessas, empresas como Electrolux, LG, Samsung e Whirlpool também operam montagens no Brasil, beneficiando-se dos incentivos fiscais locais.

No entanto, produzir no Brasil não é isento de desafios. Custos industriais elevados, escala ainda limitada em algumas linhas e a dificuldade em acessar tecnologia de ponta ou componentes específicos podem reduzir a competitividade frente a peças importadas são alguns dos pontos a serem avaliados. Além disso, há escassez de mão de obra especializada em determinados processos, o que muitas vezes exige treinamento ou terceirizações e encarece o produto final.

Essa presença diversificada permite que parte relevante dos equipamentos comercializados no país seja fabricada ou montada localmente, reduzindo o tempo de entrega, facilitando o atendimento técnico e permitindo customizações de acordo com normas brasileiras, como os requisitos de etiquetagem energética e padrões elétricos específicos.

Apesar desses avanços, a cadeia local ainda depende fortemente de componentes importados. A fabricação de placas eletrônicas, sensores, módulos de controle, ventiladores específicos, trocadores de calor de alta densidade e certos modelos de compressores permanece concentrada na Ásia, sobretudo na China.

“Muitos splits montados no Brasil utilizam kits eletrônicos, motores e serpentinas produzidos no exterior, que chegam ao país por meio de distribuidores ou diretamente para as linhas de produção. Isso cria uma produção híbrida, em que o produto final é nacional, mas boa parte dos seus insumos depende de fornecedores internacionais”, informa Leonardo Araujo, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Midea.

Do ponto de vista econômico, produzir localmente traz benefícios claros: reduz a exposição cambial, encurta o lead time, aumenta a previsibilidade de abastecimento e fortalece fornecedores nacionais, que passam a investir em tecnologia e mão de obra qualificada. Além disso, a proximidade entre fábrica e mercado permite ajustes rápidos de portfólio, adequação a legislações e adaptações a padrões climáticos regionais. A geração de empregos diretos e indiretos reforça o impacto positivo da industrialização no país, ampliando a competitividade do setor.

No entanto, a produção local exige investimentos necessários para instalação de fábricas, aquisição de maquinário, automação e certificações são elevados e exigem escala para que a operação se torne economicamente sustentável. Em mercados altamente competitivos, como o de splits residenciais, a pressão por preços baixos faz com que empresas avaliem com cuidado se vale mais montar localmente ou importar o produto acabado. Questões logísticas internas, como o transporte em longas distâncias dentro do território brasileiro, também afetam a equação de custos, além da complexidade tributária nacional, que pode reduzir margens se não houver incentivos adequados.

Programas de conteúdo local, acordos de desenvolvimento com fornecedores brasileiros, investimentos em pesquisa e inovação e a expansão de polos industriais fortalecem a independência tecnológica da indústria nacional.

“Entre os incentivos fiscais aplicáveis à comercialização da produção para fora da área da Zona Franca de Manaus estão a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), as reduções específicas do imposto de importação, isenção do PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas da Zona Franca de Manaus, além de outros incentivos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e crédito estímulo de ICMS. Do ponto de vista logístico, no entanto, existe um desafio a ser superado. Se, por um lado, a sua localização é a mais próxima de grandes mercados externos como a América Central e do Norte, por outro ela está distante de alguns dos principais mercados consumidores do Brasil. Sabe-se que alguns produtos, como o ar condicionado, dependem de modais específicos para manter a sua competitividade, por isso, manter investimentos e discutir alternativas é urgente para que as empresas possam superar adversidades”, comenta Araujo.

Sistema híbrido

Por sua vez, depender exclusivamente de importações traz problemas operacionais: a volatilidade cambial, o aumento de fretes, os prazos imprevisíveis e os gargalos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda ou crise internacional, que podem comprometer cronogramas e inflar preços. Para mitigar esses riscos, muitas empresas participam do Programa Abrava Exporta, uma parceria com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização da indústria HVAC-R nacional. Por meio do programa, as empresas recebem apoio técnico, inteligência de mercado e acesso a feiras.

“Esse esforço de internacionalização reforça a competitividade global da indústria nacional, promovendo a combinação entre produção local e importação, não apenas para atender à demanda doméstica, mas também torna o Brasil um exportador relevante no setor HVAC-R. O modelo híbrido permite aproveitar o melhor dos dois mundos: manutenção da cadeia produtiva local, com empregos, customização e agilidade; e acesso a tecnologias e componentes importados quando necessário, garantindo inovação e eficiência”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Silva acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). “A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela.

“Em última análise, o equilíbrio entre produção nacional e importação tem se mostrado a estratégia mais eficiente para atender à crescente demanda no Brasil, preservando competitividade, assegurando sustentabilidade da cadeia e aumentando a previsibilidade no abastecimento. No ambiente atual, marcado por incertezas cambiais, variabilidade logística e exigências regulatórias, essa flexibilidade estratégica se traduz em resiliência e capacidade de resposta para o futuro do setor HVAC-R no país”, conclui.


Resumen (Español)
La industria de HVAC-R en Brasil adopta un modelo híbrido que combina producción local e importación de componentes para mantener la competitividad frente a una demanda creciente por climatización y mayores exigencias de eficiencia energética. Con plantas industriales instaladas en el país, las empresas logran reducir plazos de entrega, adaptar productos a normas locales y fortalecer la cadena de suministro nacional, aunque siguen dependiendo de insumos estratégicos provenientes principalmente de Asia.

El equilibrio entre fabricar localmente e importar permite mitigar riesgos asociados a la volatilidad cambiaria, costos logísticos y limitaciones tecnológicas. Iniciativas de apoyo a la internacionalización y acuerdos con proveedores refuerzan la capacidad del sector para atender tanto al mercado interno como a las exportaciones, consolidando a Brasil como un actor relevante en la industria HVAC-R.


Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is increasingly adopting a hybrid model that combines local manufacturing with imported components to remain competitive amid rising demand for air conditioning and stricter energy-efficiency requirements. Domestic production helps shorten delivery times, enable customization to local standards and strengthen supply chains, while key components continue to be sourced mainly from Asia.

Balancing local production and imports reduces exposure to currency volatility, logistics disruptions and technological constraints. Support programs for internationalization and partnerships with local suppliers enhance the sector’s ability to serve both domestic and export markets, positioning Brazil as a relevant player in the global HVAC-R industry.

CIEPI visita a matriz do Grupo Hot Sat e conhece projetos industriais

Primeira ação do projeto CIEPI Visita em 2026 na matriz do Grupo Hot Sat, em Teresina

Uma comitiva do Centro das Indústrias do Estado do Piauí (CIEPI) realizou hoje visita técnica à matriz do Grupo Hot Sat em Teresina (PI). No encontro, participantes conheceram parte da trajetória do fundador Raimundo Nonato de Albuquerque, a evolução da empresa desde a sua fundação em 1994 e a atuação da terceira geração na diretoria da Hot Sat, incluindo projetos industriais em desenvolvimento.

Durante a visita, a comitiva teve acesso ao Museu das Telecomunicações do Piauí, instalado anexo ao auditório principal da sede, onde foram expostos objetos ligados à evolução tecnológica no setor de telecomunicações. Na área industrial, os convidados acompanharam a apresentação do projeto de dutização do Climatizador Inverter, apontado pela Hot Sat como o primeiro no Brasil a adotar essa tecnologia, e a demonstração das máquinas de injeção plástica utilizadas na fabricação de climatizadores residenciais.

O evento faz parte das atividades programadas pelo CIEPI para 2026, com foco em fortalecer a integração entre empresas e instituições industriais na região. Raimundo Nonato de Albuquerque conduziu parte da programação, acompanhado por executivos da Hot Sat, durante a agenda de visitas às instalações produtivas e ao acervo histórico.

Multi Split ganha espaço em projetos de apartamentos compactos

Sistema com uma única unidade externa responde à redução das áreas técnicas e às restrições arquitetônicas dos novos empreendimentos residenciais.

A redução do tamanho dos apartamentos em São Paulo tem imposto novos desafios aos projetos residenciais. Na última década, a metragem média das unidades de um dormitório caiu cerca de 40%, passando de 46,1 m² para 27,5 m², segundo a Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP (Embraesp). No mesmo período, o número de apartamentos na cidade cresceu 80%, de acordo com o Centro de Estudos da Metrópole (CEM).

Com plantas mais compactas e áreas técnicas reduzidas, a instalação de múltiplas unidades externas de ar-condicionado tornou-se limitada, com impacto sobre fachadas e o uso das varandas. Nesse cenário, sistemas do tipo Multi Split, que permitem a conexão de até cinco unidades internas a uma única condensadora, passaram a integrar soluções adotadas em projetos residenciais com restrição de espaço e regras condominiais que limitam a quantidade de equipamentos externos.

O modelo possibilita a climatização de diferentes ambientes a partir de um único ponto externo, reduzindo a ocupação das áreas técnicas e o impacto visual nas edificações. A adoção desse tipo de sistema também responde às exigências de empreendimentos que buscam preservar a identidade arquitetônica e otimizar o uso dos espaços disponíveis.

Segundo Graziela Yang, gerente de Ar-Condicionado Comercial da LG Electronics do Brasil, o Multi Split foi desenvolvido para atender às mudanças observadas no mercado imobiliário. “O Multi Split foi projetado para a realidade dos apartamentos compactos, permitindo climatizar mais de um ambiente com apenas uma unidade externa. Trabalhamos com uma linha de evaporadoras compatíveis, como Cassete 1 Via, Artcool e Artcool Gallery, o que possibilita adequação ao projeto arquitetônico mesmo quando não há espaço para múltiplas condensadoras”, afirma.

De acordo com a executiva, o sistema atende a ambientes integrados, como salas e dormitórios, nos quais a limitação de espaço torna mais perceptíveis questões como ruído e ocupação das áreas técnicas.

2026 deve ter temperatura média global 1,4 °C acima do nível pré-industrial

No Brasil, fenômenos atmosféricos e oceânicos apontam para oscilações no clima ao longo do ano, com chuvas irregulares e calor acima da média.

O Met Office, serviço meteorológico do Reino Unido, prevê que a temperatura média global em 2026 ficará cerca de 1,4 °C acima dos níveis pré-industriais, considerando o período entre 1850 e 1900. A projeção foi divulgada em dezembro de 2025 e se baseia em modelos climáticos e séries históricas globais.

Segundo o órgão, 2026 não deve superar o recorde observado em 2024, quando a temperatura média global alcançou cerca de 1,55 °C acima do nível pré-industrial, mas ainda assim tende a figurar entre os quatro anos mais quentes já registrados desde o início das medições sistemáticas.

O Met Office estima que a temperatura média global em 2026 ficará dentro de uma faixa entre 1,34 °C e 1,58 °C acima do período pré-industrial. De acordo com o climatologista Adam Scaife, responsável pela previsão, é provável que 2026 seja o quarto ano consecutivo em que a média global ultrapasse o patamar de 1,4 °C.

A projeção reforça a proximidade do limite de aquecimento estabelecido pelo Acordo de Paris, que busca restringir o aumento da temperatura média global a até 1,5 °C. O dado divulgado refere-se exclusivamente à temperatura média mundial, não a países ou regiões específicas.

No Brasil, com informações da Climatempo, análises climáticas indicam que 2026 pode ser marcado por condições climáticas mais conturbadas, com oscilações ao longo do ano devido à interação de diversos fenômenos atmosféricos e oceânicos, como neutralidade no Pacífico após o enfraquecimento do La Niña e maior influência de sistemas regionais sobre o território. Essas condições tendem a resultar em chuvas irregulares, períodos de calor acima da média histórica e variabilidade pluviométrica entre as regiões.

Inmetro orienta uso da geladeira para reduzir consumo de energia

Instituto orienta sobre instalação, uso e manutenção de refrigeradores domésticos, com foco na redução do consumo de energia elétrica e na eficiência dos equipamentos.

O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) divulgou orientações sobre práticas de instalação, uso e manutenção de geladeiras para reduzir o consumo de energia elétrica nas residências e evitar desperdícios, segundo reportagem da Agência Brasil.

O Inmetro destaca que geladeiras funcionam continuamente e que abrir a porta com frequência ou manter o aparelho colado à parede prejudica a ventilação do compressor e do condensador, elevando o consumo de eletricidade. A recomendação é manter uma distância mínima de cerca de 15 centímetros das paredes, organizar os itens no interior para reduzir o tempo de abertura da porta e não armazenar alimentos ainda quentes.

Entre as medidas de manutenção, o instituto orienta verificar regularmente a borracha de vedação da porta e limpar o condensador (serpentina) na parte traseira, pois o acúmulo de poeira e gordura dificulta a liberação de calor e pode aumentar o gasto de energia. A prática de secar roupas atrás da geladeira é considerada inadequada por bloquear a saída de calor e reduzir a ventilação do equipamento.

Ao comprar um novo modelo, o Inmetro recomenda verificar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE) para avaliar o consumo mensal e dar preferência a modelos mais eficientes, já que isso pode influenciar a conta de energia.


Resumen (español)

El Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) publicó orientaciones sobre cómo usar y mantener los refrigeradores domésticos para reducir el consumo de energía eléctrica. Entre las recomendaciones están mantener espacio para ventilación alrededor del equipo, organizar los alimentos para minimizar la apertura de la puerta y verificar sellos y limpieza de componentes clave.

También se sugiere elegir modelos con mejores etiquetas de eficiencia energética (ENCE) al comprar, con el objetivo de reducir el gasto mensual de electricidad en los hogares brasileños.


Summary (English)

The Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) issued guidance on proper use and maintenance of household refrigerators to lower energy consumption. Key tips include ensuring adequate ventilation space, organizing contents to reduce door openings, and regularly checking seals and cleaning components.

Consumers are also advised to consult the National Energy Conservation Label (ENCE) when purchasing new refrigerator models to favor higher efficiency and potentially lower monthly electricity costs.

São José dos Campos amplia uso de climatizadores em UBS e hospitais no verão

Município instala 50 climatizadores na rede municipal de saúde para enfrentar altas temperaturas; modalidade de aluguel de equipamentos ganhou maior demanda durante a pandemia.

A Prefeitura de São José dos Campos implementou a instalação de 50 climatizadores em unidades da rede municipal de saúde para amenizar o calor no período de verão, com o objetivo de oferecer mais conforto a pacientes e profissionais. O Hospital Municipal receberá quatro equipamentos, e os demais foram alugados para atender 40 unidades de emergência, atenção primária, secundária e vigilâncias por três meses, correspondente ao período de temperaturas mais altas.

Os climatizadores têm sistema de resfriamento a seco, sem vapor de água, e já foram instalados em três unidades básicas de saúde — Santa Inês, Campos de São José e Vista Verde —, em três unidades de pronto atendimento — Putim, Eugênio de Melo e Novo Horizonte — e no Hospital de Clínicas Sul.

O uso de equipamentos alugados, ainda pouco conhecido por parte da população, tem se expandido no mercado de climatização desde a pandemia de covid-19, quando a necessidade de soluções temporárias, inclusive em hospitais de campanha, impulsionou a procura por locação de sistemas de climatização. Durante esse período, a locação de equipamentos passou a ser vista como alternativa flexível em situações de demanda inesperada ou temporária, com prazos de entrega mais rápidos e menor necessidade de investimento inicial em comparação à compra de unidades permanentes

Justiça exige plano emergencial de climatização em escolas estaduais do Rio

Salas de aula com até 42 °C e relatos de desmaios levaram o Tribunal de Justiça a determinar diagnóstico e ações emergenciais na rede estadual.

A Justiça do Rio de Janeiro determinou que o Estado apresente um diagnóstico completo da rede estadual de ensino e um plano de ação emergencial voltado à climatização das escolas. A decisão ocorre após recurso do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que contabilizou 52 episódios graves ao longo de 2025, relacionados a ambientes escolares considerados insalubres, com salas de aula que chegaram a 42 °C em dias de calor e registros de desmaios de alunos.

O diagnóstico deverá ser elaborado em até 90 dias. Já o plano emergencial deverá ser apresentado em 60 dias, com cronograma detalhado de execução e de gastos. As medidas previstas terão início em até 30 dias após aprovação judicial.

A decisão do Tribunal de Justiça do Rio foi tomada após o MPRJ recorrer de entendimento da 9ª Vara de Fazenda Pública, que havia negado pedido de tutela de urgência em ação civil pública. Na nova análise, o relator reconheceu a gravidade da situação e concedeu parcialmente a liminar. A ação aponta precariedade térmica, sistemas de climatização inadequados, manutenção predial insuficiente, riscos estruturais, deficiências em equipamentos básicos e falta de acessibilidade.

Em nota, a Secretaria de Estado de Educação informou que 1.135 escolas da rede contam com ambientes climatizados, o que corresponde a 97% do total, e que trabalha para concluir a instalação nas 37 unidades restantes. A pasta afirmou ainda que executa um plano contínuo de climatização e que o relatório utilizado pelo Ministério Público se baseia em dados de 2024, anteriores às intervenções mais recentes. Em 2024, segundo a secretaria, foram realizadas mais de 600 obras, incluindo manutenção, adequação da rede elétrica, reforço de carga de energia, cobertura de quadras esportivas e aquisição de ventiladores como solução temporária.


Resumen (Español)

La Justicia de Río de Janeiro ordenó al Estado presentar un diagnóstico y un plan de acción de emergencia enfocado en la climatización de las escuelas de la red estadual. El Ministerio Público registró 52 episodios graves en 2025, con aulas que alcanzaron hasta 42 °C y desmayos de estudiantes.

La Secretaría de Educación informó que el 97% de las escuelas ya cuenta con ambientes climatizados y que continúa las obras y ajustes en las unidades restantes.


Summary (English)

The Rio de Janeiro Court of Justice ordered the state government to present a full diagnosis and an emergency action plan focused on school air conditioning. The Public Prosecutor’s Office reported 52 serious incidents in 2025, including classrooms reaching 42 °C and student fainting.

The State Department of Education stated that 97% of schools already have air-conditioned environments and that work continues in the remaining units.

Vertiv amplia centro de treinamento em Barueri com foco em IA e HPC

Atualização da Vertiv Academy América Latina incorpora resfriamento líquido e amplia infraestrutura para capacitação técnica em data centers de alta densidade.

A Vertiv ampliou as operações da Vertiv Academy América Latina, em Barueri, com a incorporação de soluções de resfriamento líquido voltadas a aplicações de inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho (HPC). A atualização do centro de treinamento passa a permitir contato direto com tecnologias térmicas utilizadas em data centers de alta densidade, incluindo unidades de distribuição de fluido.

A infraestrutura ganhou novas salas de aula, simuladores em grande escala e uma equipe ampliada de instrutores. Segundo a empresa, o currículo foi atualizado para acompanhar as demandas associadas à IA e ao HPC. “A revolução impulsionada por IA e HPC cria oportunidades inéditas para inovação. Atualizamos nossas instalações e currículo para garantir que profissionais de toda a região tenham acesso a treinamentos de classe mundial, fortalecendo a liderança latino-americana na economia digital”, afirmou a Vertiv em comunicado.

Os treinamentos são oferecidos em português, espanhol e inglês e são exclusivos para usuários finais das soluções Vertiv, parceiros de canal e equipe interna de serviços.


Resumen (español)

La Vertiv amplió las operaciones de la Vertiv Academy América Latina, en Barueri (SP), con la incorporación de soluciones de refrigeración líquida orientadas a aplicaciones de inteligencia artificial y computación de alto rendimiento. El centro de formación permite el contacto directo con tecnologías térmicas utilizadas en centros de datos de alta densidad.

La actualización incluye nuevas aulas, simuladores a gran escala y un equipo ampliado de instructores. Los entrenamientos se ofrecen en portugués, español e inglés, de forma exclusiva para clientes finales, socios de canal y el equipo interno de servicios de la empresa.


Summary (English)

Vertiv has expanded the Vertiv Academy Latin America operations in Barueri, São Paulo, by adding liquid cooling solutions for artificial intelligence and high-performance computing applications. The upgraded training center provides hands-on access to thermal technologies used in high-density data centers.

The expansion includes new classrooms, large-scale simulators, and an expanded instructor team. Training programs are offered in Portuguese, Spanish, and English, exclusively for Vertiv end users, channel partners, and internal service teams.

Como os hospitais garantem a pureza do ar em ambientes críticos

A aplicação rigorosa das normas e o monitoramento contínuo do ar asseguram padrões elevados de segurança, reduzindo riscos microbiológicos em áreas sensíveis dos hospitais

Garantir a pureza do ar em ambientes hospitalares críticos como centros cirúrgicos, UTIs, salas de isolamento, hemodinâmica e áreas de preparo de materiais é essencial para a segurança do paciente e a prevenção de infecções relacionadas à assistência à saúde. No Brasil, esse compromisso é norteado pela ABNT NBR 7256, norma que estabelece os requisitos mínimos para projeto, manutenção e operação dos sistemas de condicionamento de ar e ventilação em estabelecimentos assistenciais de saúde. Mais do que um simples conjunto de regras técnicas, a NBR 7256 funciona como um guia que integra qualidade do ar, engenharia clínica, biossegurança e gestão hospitalar, definindo padrões rigorosos de filtragem, vazão de ar, diferenciais de pressão, controle de temperatura e umidade.

Em ambientes críticos, a interpretação e a aplicação dessa norma são particularmente desafiadoras. A pureza do ar depende da adoção de sistemas de renovação de ar com taxas adequadas de trocas por hora, a instalação de filtros de alta eficiência (HEPA), a criação de barreiras físicas e pressurização específica, quer seja positiva para proteger áreas limpas e negativa para conter contaminantes em ambientes de isolamento. Além disso, a operação contínua com parâmetros dentro dos limites recomendados requer monitoramento em tempo real, calibração de sensores, manutenção preventiva rigorosa e equipes treinadas para responder rapidamente a qualquer desvio que possa comprometer a segurança ambiental.

“Nesse contexto, a NBR 7256 se consolida como o elo que conecta boa engenharia, protocolos clínicos e práticas de controle de infecção hospitalar. Sua aplicação contribui diretamente para reduzir riscos microbiológicos, químicos e particulados, assegurando que cada procedimento, da esterilização de materiais a uma cirurgia de alta complexidade, ocorra em condições ambientais ideais. Ao mesmo tempo, a norma impulsiona a modernização tecnológica dos hospitais brasileiros, estimulando o uso de soluções mais eficientes, sustentáveis e seguras. A UTI é uma área crítica dentro do hospital, pois o paciente que está recebendo tratamento intensivo está geralmente debilitado. São vários fatores que a norma exige que sejam controlados e estejam dentro de parâmetros que garantam que o ar esteja livre de vírus, bactérias e contaminantes. A temperatura deve estar entre 20ºC e 24ºC. A umidade relativa menor de 60% e a absoluta maior 4 g/Kg. A filtragem do ar deve ser classes G4 + F8, sendo que o filtro fino tem que estar depois do ventilador (à montante) da unidade de tratamento de ar. A UTI tem que ser mantida com pressão negativa à sua antecâmara que deve receber o mesmo ar tratado, estando positiva com relação à UTI e ao corredor. Por fim, deve ter a quantidade suficiente de ar de renovação, conforme cálculos que consideram o número de ocupantes da UTI, sendo este ar externo admitido na caixa de mistura da unidade de tratamento de ar, para que seja processado juntamente com o ar que retorna da UTI”, explica o diretor executivo da Traydus, Ricardo Facuri.

Em UTIs de grande porte, como as da Rede D’Or, por exemplo, a qualidade do ar depende de dois fatores:  climatizadores adequados e monitorização contínua do sistema. Como a UTI não exige filtragem HEPA não existe um protocolo de teste de filtros, apenas exigir filtros com certificados de teste em fábrica. Na prática, os hospitais seguem padrões de qualidade do ar e análises periódicas, geralmente realizadas a cada seis meses. Essas avaliações incluem medições microbiológicas, verificação de renovação de ar, CO2, temperatura, umidade e partículas em suspensão. Além disso, a NBR 7256 orienta tecnicamente o funcionamento do sistema de climatização, definindo taxas mínimas de renovação, pressões diferenciais e classes de filtragem, no caso das UTIs, com uso de pré-filtro e filtro fino F8. O sistema de automação também monitora a perda de carga dos filtros e emite alertas de saturação, garantindo a troca no momento correto. Juntos, esses protocolos asseguram ambientes controlados e alinhados às exigências sanitárias. Ou seja, o plano de manutenção tem que estar perfeitamente praticado, a automação controlada principalmente a troca de filtros/ vazões de ar e regularmente a higienização dos equipamentos e dutos deve ser feita.

“O condicionador de ar indicado para UTIs sem dúvida nenhuma são as UTAs (Unidades de Tratamento de Ar). Ao longo dos anos, desenvolvemos uma linha completa de unidades de tratamento de ar com diferentes configurações para atender projetos variados e arquiteturas complexas. Embora existam modelos mais compactos, versões inteligentes e alternativas verticais, todos eles compartilham os mesmos módulos essenciais que compõem uma UTA: caixa de mistura de ar, estágio de pré-filtragem (classe G4), serpentina de resfriamento e desumidificação, seja por expansão direta ou por água gelada, sistema de umidificação a vapor quando aplicável, aquecimento elétrico ou por serpentina de água quente, ventiladores de alta pressão com controle de velocidade e filtragem fina de alta eficiência (classes F8/F9). Além disso, o gabinete dessas unidades precisa garantir excelente estanqueidade, com painéis estruturados de 25 mm ou 50 mm, assegurando desempenho térmico e acústico adequados. Complementarmente, também desenvolvemos fancoletes específicos para aplicações hospitalares, disponíveis nas versões dutadas ou tipo cassete. Esses equipamentos são instalados individualmente, muitas vezes por leito, atendendo à demanda de hospitais cuja infraestrutura não permite a instalação de dutos tradicionais. Contudo, é importante destacar que muitos fancoletes disponíveis no mercado não atendem plenamente aos requisitos de uma UTA hospitalar. No nosso caso, esses fancoletes são projetados para funcionar praticamente como miniunidades de tratamento de ar, com gabinete de fácil higienização, isolamento adequado para instalação no forro e todos os recursos essenciais: caixa de mistura, resfriamento, aquecimento e filtragem compatíveis com as exigências normativas. Por fim, a automação desempenha um papel fundamental. Tanto as UTAs quanto os fancoletes são fornecidos com sistemas automáticos testados e calibrados de fábrica, garantindo que todos os parâmetros ambientais permaneçam dentro dos limites estabelecidos ao longo de toda a vida útil do equipamento. Isso assegura precisão operacional, segurança e conformidade com os requisitos técnicos de ambientes hospitalares críticos”, explica Facuri.

Grandes redes hospitalares brasileiras, como Rede D’Or, se destacam pela adoção de práticas avançadas de manutenção e controle microbiológico do ar

Boas práticas de aplicação

Grandes redes hospitalares brasileiras, como Rede D’Or, Hospital Israelita Albert Einstein e Sírio-Libanês, se destacam pela adoção de práticas avançadas de manutenção e controle microbiológico do ar, garantindo que ambientes críticos permaneçam dentro dos padrões mais rigorosos de segurança. Nessas instituições, o ciclo de qualidade do ar começa pela operação contínua de sistemas de climatização projetados de acordo com as normas. Esses hospitais mantêm equipes multidisciplinares unindo engenharia clínica, manutenção, higiene e infectologia, trabalhando de forma integrada para monitorar, registrar e ajustar os parâmetros ambientais em tempo real.

Uma das práticas mais comuns nessas redes é o monitoramento ativo da qualidade do ar, realizado por meio de sensores, inspeções manuais e auditorias periódicas. Temperatura, umidade relativa, pressão diferencial e níveis de partículas são continuamente avaliados, garantindo que centros cirúrgicos, UTIs, farmácias hospitalares e salas de isolamento permaneçam protegidos contra contaminações cruzadas. A verificação de pressão positiva ou negativa é feita diariamente, muitas vezes com checklists digitalizados e integração com sistemas de automação predial.

No controle microbiológico, essas instituições realizam amostragens de bioaerossóis, sedimentação de placas e coletas de superfícies em cronogramas definidos pela CCIH. Os resultados são acompanhados por microbiologistas e infectologistas que validam a eficácia dos filtros, a adequação da taxa de renovação de ar e a presença de possíveis fontes de contaminação. Quando há irregularidades, protocolos robustos de resposta rápida são ativados desde a higienização imediata de componentes até substituições emergenciais de filtros HEPA.

“A filtragem adequada é um dos pontos mais importantes para a segurança em redes hospitalares porque impede que partículas finas, aerossóis e microrganismos circulem livremente pelo ambiente. O uso combinado de pré-filtros e filtros finos F8 garante a retenção das partículas mais críticas, reduzindo significativamente a carga microbiana no ar. Isso, aliado à renovação constante de ar externo e ao controle de pressão entre ambientes, evita que contaminantes se desloquem para áreas sensíveis ou entre boxes de pacientes. Quando o sistema mantém fluxo, renovação e filtragem dentro dos parâmetros da NBR 7256, o risco de infecções hospitalares associadas ao ar cai drasticamente, protegendo tanto os pacientes quanto a equipa clínica. Nos próximos anos, a filtragem de ar em UTIs tende a ficar muito mais ‘inteligente’ e ativa, combinando diferentes camadas de tecnologia. Além dos filtros mecânicos de alta eficiência, começam a ganhar espaço mídias filtrantes com nanotecnologia, capazes de reter partículas ultrafinas e incorporar materiais antimicrobianos (como prata ou óxidos metálicos) que inativam microrganismos na própria superfície do filtro. Em paralelo, soluções de purificação complementar por UV-C em dutos ou unidades de tratamento de ar vêm sendo testadas e normalizadas por entidades como ASHRAE, com capacidade de alcançar altas taxas de inativação de patógenos em passagem única e redução progressiva da carga microbiana ao longo do tempo. Tecnologias de fotocatálise também despontam como opção para degradar compostos orgânicos e microrganismos, com estudos específicos em ambientes críticos como UTIs e unidades de cuidados intensivos. Tudo isso tende a ser integrado a sistemas de monitoramento contínuo via IoT e algoritmos de manutenção preditiva, que acompanham em tempo real a perda de carga dos filtros, qualidade do ar e desempenho do sistema, permitindo intervenções mais rápidas e assertivas, com impacto direto na redução do risco biológico para pacientes e equipas clínicas”, diz Facuri.

UTAs (Unidades de Tratamento de Ar) possuem diferentes configurações para atender projetos variados e arquiteturas complexas para ambientes hospitalares

Importância da manutenção

As atividades de manutenção também seguem rotinas extremamente rigorosas. Os hospitais realizam limpeza periódica das UTAs, dutos e serpentinas, utilizando produtos e metodologias compatíveis com ambientes hospitalares. Filtros G4, M5, F8/F9 e HEPA são trocados conforme cronograma e monitoramento de perda de carga. Além disso, a calibração sistemática de sensores, a verificação de estanqueidade de gabinetes e o balanceamento de vazão garantem que cada sistema opere dentro dos parâmetros projetados.

Segundo Facuri, o ideal é ter pressostatos diferenciais que enviam sinais avisando que os filtros estejam saturados. “Os filtros G4 devem ser trocados mensalmente, ou somente monitorados com manômetros localmente na unidade de tratamento de ar. Já o F8 como são filtros caros e sensíveis, o ideal que ser monitorados via automação com pressostatos ou transdutores de pressão que indicam a perda de carga ‘on time’ e permitem ao sistema supervisório avisar o mantenedor o momento da troca. Logicamente que na inspeção visual que o mantenedor deve fazer quinzenalmente ou pelo menos mensalmente, para limpeza, ele verifique visualmente a integridade dos filtros, pois a perda de carga pode estar baixa, por ele ter se rompido”.

Na sua visão, os maiores desafios ainda são mão de obra especializada e disponibilidade de filtros. “O hospital deve manter uma grande quantidade de filtros em estoque, disponíveis para a troca no momento certo. Logicamente, isso tem um custo financeiro e logístico elevado. Por vezes, chega o momento da troca e não tem disponibilidade. Então a troca ocorre 40, 60 dias depois do momento correto. A qualidade da manutenção é um desafio enorme também, pois exige profissionais ou empresas qualificados e responsáveis, que tenham o cuidado absoluto com o sistema. Claro que estes dois fatores encarecem a operação do hospital, mas o gestor tem que levar em conta que se não troca filtro consome mais energia, então uma coisa anula a outra em termos financeiros. Mas, o mais grave é o risco dos pacientes e equipe médica. Se alguém sofre uma infecção hospitalar, o custo para hospital pode ser maior ainda com diversas demandas jurídicas e de imagem. Estamos falando de vidas, e no setor público não tem como negociar custo quando colocamos vidas em risco”.


Resumen (Español)

La garantía de la pureza del aire en ambientes hospitalarios críticos es un factor central para la seguridad del paciente y la prevención de infecciones asociadas a la atención sanitaria. En Brasil, este control está orientado por la norma ABNT NBR 7256, que define requisitos técnicos para el diseño, operación y mantenimiento de los sistemas de climatización y ventilación en hospitales, con énfasis en filtración, renovación de aire, presiones diferenciales, temperatura y humedad.

El texto muestra cómo grandes redes hospitalarias aplican monitoreo continuo, mantenimiento riguroso y automatización para asegurar la calidad del aire en UTIs y áreas sensibles. También aborda tendencias tecnológicas, como filtros avanzados, UV-C, fotocatálisis e integración con IoT, destacando que la correcta aplicación de las normas y la capacitación técnica siguen siendo decisivas para reducir riesgos microbiológicos y proteger vidas.


Summary (English)

Ensuring air purity in critical hospital environments is essential for patient safety and infection prevention. In Brazil, this process is guided by ABNT NBR 7256, which establishes technical requirements for the design, operation, and maintenance of HVAC systems in healthcare facilities, covering air filtration, renewal rates, pressure differentials, temperature, and humidity control.

The article highlights how major hospital networks rely on continuous monitoring, preventive maintenance, and automation to maintain air quality in ICUs and other sensitive areas. It also points to emerging technologies such as advanced filtration media, UV-C disinfection, photocatalysis, and IoT-based monitoring, emphasizing that strict compliance with standards and qualified maintenance remain critical to minimizing biological risks in hospital settings.

Reforma Tributária: o que muda para o setor de refrigeração e climatização?

Eu sou Carla Vieira, contadora especializada em Refrigeração e hoje a convite da revista do frio vim tirar uma das principais dúvidas do refrigerista: gostou deste conteúdo me segue lá no @redentorcontanilidade_ e fique por dentro de todas as novidades sobre a contabilidade para refrigeristas

Você já ouviu falar que “a reforma tributária vem aí”, né? Pois é —  agora é pra valer.

E, se você é do ramo de refrigeração e climatização, seja MEI, Simples Nacional ou uma empresa maior, é hora de entender o que muda na prática, sem aquele “economês” complicado.

A Reforma Tributária (aprovada pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e detalhada pela Lei Complementar nº 214/2025) vai transformar a forma como os impostos sobre consumo são cobrados no Brasil.

E isso mexe diretamente com o bolso de quem compra, vende, instala e presta serviço com nota fiscal — ou seja, com você.

 

Primeira coisa: o que exatamente vai mudar?

Hoje convivemos com uma verdadeira sopa de letrinhas: PIS, COFINS, IPI, ICMS e ISS.

A Reforma vai simplificar tudo isso, criando dois novos tributos:

– CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), substitui PIS, COFINS e IPI (nível federal);

– IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), substitui ICMS e ISS (nível estadual e municipal).

Ou seja: cinco impostos se transformam em dois, com regras mais claras e menos chance de pagar imposto “duas vezes” pelo mesmo produto ou serviço.

Mas calma! A mudança será gradual até 2033, o que significa que dá tempo de se adaptar — e, com a estratégia certa, isso pode até virar uma vantagem competitiva.

 

E o que isso significa pro setor de refrigeração?

Quem trabalha com instalação, manutenção e venda de peças sabe que o negócio mistura produto e serviço.

E é justamente aí que a reforma muda o jogo: o consumo (ou seja, o que você vende ou presta) será tributado de forma diferente.

 

Isso afeta:

1- O preço das peças e insumos — já que o imposto embutido será calculado de outro jeito;

2- A emissão de notas fiscais — que precisará refletir os novos tributos;

3- O fluxo de caixa — porque o imposto pode ser pago automaticamente via split payment (aguenta aí, te explico já já ).

 

MEI e Simples Nacional: continua valendo?

Sim!

O Simples Nacional e o MEI continuam existindo e mantendo seus principais benefícios.

Mas há novidades importantes:

– As empresas do Simples não terão direito a crédito de impostos do novo sistema, a menos que optem por recolher o IBS/CBS “por fora”;

– A partir de 2026, entramos na fase da contabilidade híbrida, onde parte dos tributos ainda será apurada no sistema antigo e parte no novo modelo.

 

Na prática:

Se você compra muitas peças, tubos, compressores e outros insumos para revenda ou uso em serviços, talvez valha conversar com sua contabilidade sobre optar pelo recolhimento separado — o que permite aproveitar créditos tributários.

Mas se sua atuação é voltada ao consumidor final, o Simples Nacional continua sendo a melhor pedida.

 

Atenção

Uma das mudanças mais sutis — e talvez mais impactantes — é a integração das informações entre CPF e CNPJ, que será intensificada a partir da Lei Complementar nº 214/2025, responsável por regulamentar a Reforma Tributária.

Na prática, isso significa que o governo passará a cruzar automaticamente os rendimentos da pessoa física e da pessoa jurídica, é isso mesmo. Esta lei diz o seguinte: a administração tributária poderá “cruzar e integrar dados fiscais e financeiros de pessoas físicas e jurídicas para fins de fiscalização, verificação de limites de enquadramento e prevenção de evasão fiscal”.

Além disso, o artigo 18-A da LC nº 123/2006 (incluído pela LC nº 188/2021) já autoriza a Receita Federal a monitorar o limite de faturamento do MEI e promover o desenquadramento automático em caso de excesso de receita.

 

Como isso vai funcionar?

Com o avanço da digitalização dos sistemas tributários, a Receita Federal utilizará bases unificadas para acompanhar o fluxo de rendas de cada contribuinte.

Isso quer dizer por exemplo que, se o MEI tiver outras fontes de renda — como salário CLT, aluguéis, aplicações financeiras, consultorias ou atividades paralelas —, esses valores poderão ser somados à receita do CNPJ.

Caso o total ultrapasse o limite anual do MEI (hoje em R$ 81 mil, mas com previsão de atualização pela Reforma), o sistema poderá emitir automaticamente um alerta de desenquadramento, obrigando o empresário a migrar para o Simples Nacional.

 

E não é só o MEI que entra nessa mira!

A integração CPF–CNPJ também valerá para empresas do Simples Nacional e do Lucro Presumido, com foco em detectar casos de confusão patrimonial — quando o empresário mistura as finanças pessoais com as da empresa, prática que pode gerar autuações e até multas.

 

O que isso exige de você?

– Separar completamente as finanças pessoais das empresariais;

– Registrar pró-labore e distribuição de lucros corretamente;

– Declarar movimentações bancárias e financeiras de forma coerente entre CPF e CNPJ;

– Manter organização contábil e suporte profissional ativo.

 

Em resumo: 2026 será o ano da transparência total.

Quem já trabalha com clareza e organização vai sair na frente.

Mas quem ainda mistura as contas, precisa ajustar o quanto antes — porque o fisco vai ver tudo, e em tempo real.

 

Split Payment: o “Pix dos impostos”

Parece complicado, mas é simples:

Quando o cliente te pagar, o sistema vai separar automaticamente o valor do imposto e enviar direto ao governo.

Ou seja: se você vender algo por R$ 1.000, o valor que realmente cai na sua conta será o líquido — já com os tributos descontados.

Isso traz mais transparência, mas muda o fluxo de caixa.

Vai ser essencial planejar melhor o financeiro, porque o imposto não passa mais pela sua mão.

Este sistema começará a ser implementado em 2027, de forma opcional, e se tornará obrigatório gradualmente até 2033.

 

O impacto real pro empresário de refrigeração

A Reforma Tributária vai mudar a forma de calcular o lucro e de gerir o caixa.

Mas o impacto varia conforme o modelo do seu negócio:

 

Dicas de ouro pra se preparar desde já

1- Converse com sua contabilidade — ela será sua bússola nessa transição.

2- Atualize seu sistema de notas fiscais — ele precisa reconhecer CBS, IBS e split payment.

3- Revise contratos e preços — principalmente se atender empresas que pedem créditos tributários.

4- Cuide do fluxo de caixa — o imposto vai direto pro governo.

5- Busque informação — quem entende antes, se adapta melhor.

 

Conclusão: não é o fim do mundo — é o começo de uma nova era

A Reforma Tributária é desafiadora, mas também abre oportunidades incríveis para o setor de refrigeração e climatização.

Menos burocracia, mais clareza e uma chance real de planejar com segurança o crescimento da sua empresa.

Além disso, o novo modelo tende a atrair investidores do mundo todo, já que o sistema tributário brasileiro sempre foi um obstáculo por sua complexidade tributária e falta de clareza. Isto era visto como inibidor para o capital estrangeiro.

E lembre-se: “quem se antecipa, governa.”

Entenda as regras do jogo e aproveite o oceano azul de oportunidades que a reforma nos trará.