Desenvolvidos para resfriar e/ou aquecer múltiplos ambientes simultaneamente e sem a necessidade de instalação de redes de dutos, os sistemas de ar condicionado com fluxo de refrigerante variável (VRF, na sigla em inglês) satisfazem plenamente aos anseios dos clientes mais exigentes.
Afinal de contas, essas máquinas
usam algoritmos avançados para otimizar componentes já altamente eficientes,
como compressores de velocidade variável e ventiladores controlados
eletronicamente, além do sub-resfriamento interno e a modulação da válvula de
expansão eletrônica.
Um ar-condicionado do gênero, por
exemplo, funciona perfeitamente em cargas parciais e, portanto, cada ambiente
climatizado pode ter sua temperatura controlada individualmente.
Muitos empreendimentos comerciais
e residenciais de alto padrão têm priorizado sua instalação, devido à
facilidade de operação e à economia de energia.
O design compacto e o layout
flexível em termos de unidades externas e internas são grandes vantagens
competitivas adicionais desses equipamentos, segundo empreiteiros do setor.
“Na era da Indústria 4.0 na
construção civil, quem contrata quer soluções prontas”, diz o engenheiro
Arnaldo Basile, diretor executivo da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar
Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).
“Para diminuir o custo final dos
empreendimentos, só existe uma maneira: reduzir a mão de obra nas construções
adotando soluções do tipo Lego. É aí que o VRF se encaixa”, uma vez que “as
instalações de centrais de água gelada (CAGs) demandam mão de obra intensiva, e
a indústria da construção civil quer exatamente o contrário”.
A facilidade de instalação dos sistemas VRF,
enfim, é altamente atrativa para os empreendedores. “As obras medianas de ar
condicionado não serão mais de água gelada, serão de VRF. Isso é irreversível
no mundo todo”, ressalta Basile.
De acordo com o gerente de
marketing de produto da Midea Carrier, Nikolas Corbacho, o Brasil é um mercado
aberto a oportunidades e está mais maduro em relação à aplicação da tecnologia.
“Temos visto uma diversificação grande em projetos que antes eram concentrados
em água gelada ou package e estão migrando para VRF”, afirma.
“O mercado brasileiro é uma das
maiores vertentes deste segmento no mundo, com crescimentos expressivos ano
sobre ano”, reforça o engenheiro.
Recentemente, a companhia lançou
o Midea V6, “um dos produtos mais avançados e eficientes de sua categoria”, que
sai de fábrica com três inovações exclusivas: o Sistema de Gestão de Energia
(EMS), o compressor com injeção otimizada de vapor (EVI) e a carga automática
de refrigerante (opcional).
“Levando em consideração que o
custo da energia elétrica no Brasil está entre um dos mais caros do mundo, a
economia em sistemas de climatização torna-se fundamental. Além disso,
facilidade na operação e manutenção são outros pontos em destaque”, enfatiza o
gerente nacional de VRF da Trane no Brasil, Felipe Oliveira.
Segundo a gerente de produtos da
área de ar condicionado central da LG do Brasil, Graziela Yang, o cenário
brasileiro apresenta um grande espaço para a expansão do setor comercial, além
de um nível de urbanização e reorganização residencial nas cidades ainda em
ascensão, que impulsiona a demanda por equipamentos de climatização.
“Os sistemas de ar condicionado
também estão sendo integrados a diversas tecnologias de última geração, como
sensores conectados à internet, sistemas de controle remoto e unidades de
climatização híbridas, para fornecer o máximo conforto com consumo de energia
reduzido”, destaca.
Junto com seu portfólio de VRF, a indústria sul-coreana oferece um line up amplo de evaporadoras, inclusive com design diferenciado, como a ArtCool Mirror. “Também possuímos soluções que funcionam com gás natural, como o GHP, que pode ser utilizado em locais com pouca oferta de energia elétrica”, lembra.
“Além dos nossos sistemas de ar condicionado, temos o Hydro Kit, que esquenta água através do calor rejeitado na condensadora. Ao utilizar essa tecnologia, pode-se economizar espaço de instalação (quando comparado com sistemas de placas solares, por exemplo) e energia elétrica ao fornecer água quente para piscinas, chuveiros, cozinhas etc.”, acrescenta.
Gargalos
Segundo os
fabricantes ouvidos pela Revista do Frio, um dos principais riscos no
mercado brasileiro é a falta de qualificação da mão de obra para instalação de
máquinas VRF e manutenção desses sistemas, assim como a necessidade de uma
melhor regulamentação para detecção de vazamento do gás refrigerante.
“Além da economia
relativamente estagnada, a concorrência acirrada entre os mais de dez players
do segmento dificulta o desenvolvimento dos negócios no Brasil”, diz Felipe
Oliveira, da Trane.
“Isso, de certa
forma, gera oportunidade para que os fabricantes se diferenciem no suporte e
fornecimento de novas tecnologias ao cliente, o que de fato é uma tendência no
mercado brasileiro de sistemas VRF”, afirma.
“Uma das
dificuldades de se desenvolver em negócios neste segmento no Brasil é a
volatilidade da situação cambial e econômica, que são fatores importantes
quando tratamos de produtos importados”, lembra Nikolas Corbacho, da Midea
Carrier.
“Além de não
termos uma regulação clara em relação aos padrões de eficiência a serem
adotados para o nosso mercado, como temos diversas normas internacionais, esse
acaba sendo um dos pontos de divergência para aplicações que exigem diferentes
níveis de eficiência energética”, revela.
Apesar desses
gargalos, o gerente de produto da área de ar condicionado da Samsung, Tiago Dias,
considera o mercado brasileiro de VRF muito maduro e com grandes oportunidades.
Para superar os desafios, a multinacional investe em produtos de alta
tecnologia, com alto nível de eficiência energética e uma enorme gama de
unidades internas e externas.
“Além disso, a Samsung conta com profissionais do mais alto nível que auxiliam a elaboração de projetos, suporte de pré e pós venda, e treinamento das empresas de instalação”, diz o gestor, ressaltando que treinamento e suporte aos instaladores são o principal foco do fabricante no segmento de VRF.