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MP do Redata perde validade e setor de HVAC-R acompanha impacto sobre data centers

Projeto aprovado na Câmara não foi pautado no Senado; governo avalia alternativa jurídica enquanto mercado de climatização industrial observa efeitos sobre novos investimentos.

O projeto de lei que cria o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) segue sem análise no Senado Federal. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados em fevereiro de 2026, mas não foi incluída na pauta pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), dentro do prazo necessário para substituir a medida provisória editada pelo Executivo. A MP perdeu validade às 23h59 de 25 de fevereiro. Para ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o texto ainda dependia de aprovação do Senado dentro do prazo constitucional de até 120 dias no Congresso Nacional.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo estuda caminhos jurídicos para restabelecer o regime. O Redata prevê regime especial de tributação para empresas de serviços de datacenter que comprovem regularidade fiscal e realizem investimentos no país equivalentes a 2% do valor dos produtos adquiridos com benefício do programa.

Datacenters são estruturas que concentram servidores e sistemas de armazenamento responsáveis por processar grandes volumes de dados, considerados essenciais para aplicações de inteligência artificial. O programa previa investimentos de até R$ 5,2 bilhões na instalação e operação dessas unidades. A expansão da infraestrutura digital amplia a demanda por sistemas de climatização de precisão, chillers, VRF, unidades CRAC e soluções como liquid cooling e free cooling, além de contratos de manutenção especializada.

O regime também suspendia tributos federais na aquisição de equipamentos, como IPI, PIS/Pasep e Cofins, incluindo operações de importação. A medida buscava reduzir o custo de capital dos projetos e evitar acúmulo de créditos tributários. A lista final de equipamentos dependeria de regulamentação do Executivo e incluiria infraestrutura crítica de resfriamento. O texto previa contrapartidas, como investimentos em pesquisa e desenvolvimento no país, uso de energia renovável e metas de eficiência hídrica, com vigência alinhada à transição da reforma tributária até 31 de dezembro de 2026.

O setor acompanham a tramitação e defendem ajustes para evitar que a desoneração beneficie majoritariamente equipamentos importados. A definição legislativa é vista como fator relevante para o ritmo de implantação de novos data centers e, consequentemente, para o volume de negócios do mercado de HVAC-R no Brasil.


Resumen (español):
El proyecto que crea el Redata no fue analizado por el Senado y la medida provisional perdió vigencia el 25 de febrero de 2026. El gobierno estudia alternativas jurídicas para restablecer el régimen, que preveía inversiones de hasta R$ 5,2 mil millones y la suspensión de tributos federales sobre equipos críticos. La expansión de centros de datos en Brasil puede ampliar la demanda por sistemas de climatización y refrigeración industrial, impactando el sector HVAC-R.

Summary (English):
The bill establishing Redata was not reviewed by the Federal Senate, and the related provisional measure expired on February 25, 2026. The government is assessing legal alternatives to reinstate the regime, which foresaw up to R$ 5.2 billion in investments and the suspension of federal taxes on critical equipment. The expansion of data centers in Brazil may increase demand for industrial cooling and HVAC-R systems.

O ar que mantém o mundo ligado

Você provavelmente nunca pensou nisso hoje.

Mas antes mesmo do seu café esfriar, milhares de sistemas já dependeram de uma temperatura exata para funcionar.

O pagamento que passou no cartão.
O e-mail que chegou.
O aplicativo de mensagem que respondeu instantaneamente.

Nada disso depende primeiro da internet.

Depende do calor.

Servidores trabalham como motores em carga máxima permanente. Cada rack é uma carga térmica de TI ativa 24 horas por dia. Se a temperatura de entrada do servidor sair da faixa segura por poucos minutos, ocorre desligamento automático. Não por falha elétrica — por autoproteção.

É aqui que começa um mundo que pouca gente vê: o da climatização de missão crítica.

Em um data center não existe conforto térmico. Existe sobrevivência operacional.

Para que um serviço digital tenha alta disponibilidade, o ar precisa chegar exatamente igual a todos os equipamentos, a chamada homogeneidade térmica.
Se uma área aquece mais que outra, surge um hot spot.
Um ponto quente é suficiente para derrubar um sistema inteiro.

Por isso não existe “um ar-condicionado”.
Existem arquiteturas com redundância N+1 ou 2N, operando continuamente.
Enquanto um equipamento trabalha, outro já está pronto para assumir.

Unidades CRAH alimentadas por água gelada de chillers, ventiladores protegidos por UPS, e até tanques de termoacumulação mantêm a refrigeração ativa durante quedas de energia — tempo suficiente para os geradores entrarem em operação.

O objetivo é simples de explicar e difícil de atingir:

o sistema pode falhar…
mas o serviço não pode parar.

Isso significa operar próximo de 99,999% de disponibilidade.
Na prática: poucos minutos de parada por ano.

Quando o mundo digital funciona, ninguém percebe.
Quando para, todos percebem.

E no meio dessa linha invisível entre funcionar e parar está o profissional de HVAC-R — não mais como instalador de conforto, mas como operador de continuidade.

No data center, não se resfria ar.

Se resfria a economia.

Ética profissional no frio

Como instaladores e técnicos podem proteger o próprio valor, o cliente e o futuro do setor

No setor de refrigeração e climatização, a ética profissional deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um fator direto de sobrevivência. Em um mercado pressionado por importações, plataformas digitais e guerra de preços, a forma como o serviço é vendido, executado e documentado passou a definir quem permanece e quem desaparece. Instalar um ar-condicionado, fazer a manutenção de um chiller ou recuperar uma câmara fria não é apenas “fazer funcionar”. É assumir uma responsabilidade técnica, ambiental, legal e econômica. Quando isso é ignorado, todo o setor perde.

A concorrência desleal é hoje um dos principais fatores de desgaste do mercado. Ela aparece quando empresas ou profissionais reduzem artificialmente seus preços cortando etapas essenciais do serviço: não emitem nota fiscal, não recolhem impostos, usam peças de baixa qualidade, não seguem normas técnicas ou sequer têm responsável técnico. Para o cliente, isso pode parecer apenas uma economia imediata. Na prática, é um risco. Para o setor, é um processo lento de desvalorização do trabalho técnico. Quando alguém cobra metade do preço porque não emite nota, o custo real é empurrado para quem faz tudo corretamente. O profissional que atua dentro da lei passa a parecer “caro”, quando, na verdade, apenas incorpora no valor aquilo que garante segurança, rastreabilidade e responsabilidade.

A nota fiscal, nesse contexto, não é um detalhe burocrático. Ela é parte do serviço. Para o cliente, é a garantia de que existe uma empresa por trás do trabalho, com deveres, prazos e responsabilidade. Para o técnico, é o que permite crescer, investir, contratar, comprar melhor e se proteger juridicamente. Um serviço sem nota não tem compromisso. Se algo der errado, não há como exigir correção, reembolso ou reparo. Em casos mais graves, como queima de equipamento, vazamento de fluido refrigerante ou acidentes elétricos, a ausência de documentação deixa o cliente completamente desamparado. O profissional que não emite nota não está sendo flexível. Está transferindo o risco para quem o contratou.

O mesmo vale para o cumprimento das normas técnicas. No setor HVAC-R, normas não existem para dificultar a vida do instalador, mas para evitar prejuízos, acidentes e retrabalho. Procedimentos como vácuo, teste de estanqueidade, dimensionamento correto, isolamento térmico e partida assistida não são “opcionais”. Eles definem se o sistema vai operar com eficiência e segurança ou se vai se tornar uma fonte constante de problemas. Quando essas etapas são puladas para reduzir tempo e custo, o defeito quase sempre aparece depois, recaindo sobre o cliente ou sobre outro profissional que terá de corrigir algo feito de forma inadequada.

Nesse ambiente, os chamados orçamentos predatórios se tornam cada vez mais comuns. São propostas feitas apenas para ganhar o serviço, mesmo quando o valor não cobre o trabalho correto. O corte não aparece no papel, mas está nas horas, nos materiais, nos testes e nos cuidados que deixam de ser feitos. O cliente, muitas vezes, só percebe isso quando o sistema falha, o consumo dispara ou o equipamento apresenta defeitos recorrentes. O barato vira caro, mas quase sempre tarde demais, quando corrigir o erro custa mais do que teria custado fazer certo desde o início.

Valorizar o serviço, portanto, passa menos por brigar por preço e mais por tornar visível aquilo que normalmente fica escondido. Um orçamento detalhado, que mostre todas as etapas da instalação ou da manutenção, ajuda o cliente a entender o que está comprando. Fotos, checklists, relatórios simples e termos de garantia reforçam a percepção de profissionalismo. E uma comunicação clara, em linguagem acessível, explicando por que certas etapas são importantes, transforma o cliente em aliado, não em adversário na negociação.

A construção de marca também entra nesse processo. Profissionais e empresas que emitem nota, têm CNPJ, endereço, presença digital e histórico constroem algo que o informal não consegue copiar: reputação. E reputação gera indicação, fidelidade e, com o tempo, a possibilidade de cobrar um preço justo pelo trabalho bem feito.

No fim, ética profissional no setor de refrigeração e climatização não é apenas uma questão moral. É uma estratégia de sobrevivência. Quem segue normas, cumpre a lei e assume responsabilidade pode até perder alguns serviços no curto prazo, mas constrói algo muito mais sólido no longo prazo: confiança.

Ética profissional é o que separa quem apenas instala de quem constrói uma carreira.

Ética também é ambiental e jurídica

Para além da execução técnica imediata, a ética profissional no setor HVAC-R envolve responsabilidades que muitos clientes e até profissionais ainda não percebem. Entre elas estão o controle ambiental, a rastreabilidade dos serviços e a responsabilidade jurídica ao longo da vida útil do sistema.

Segundo Rodrigo Penha Men, presidente do Departamento Nacional de Instalação e Manutenção da ABRAVA, o manuseio inadequado de fluidos refrigerantes é um dos pontos mais críticos. “Vazamentos evitáveis, descarte incorreto e falta de controle sobre carga e recolhimento de fluido não são apenas falhas técnicas. São infrações ambientais que podem gerar penalidades graves para empresas e clientes”, afirma.

Ele ressalta que, com o avanço da legislação ambiental e a transição para fluidos de menor impacto climático, a responsabilidade do instalador e do mantenedor se amplia. “Quem executa um serviço hoje precisa pensar no sistema como um todo, inclusive no que acontece anos depois: manutenção, substituição, retrofit e descarte. Ética também é garantir que esse ciclo seja seguro e documentado.”

Outro ponto destacado é a rastreabilidade. Serviços formais, com relatórios, registros de intervenções e identificação do responsável técnico, protegem tanto o profissional quanto o contratante. “Quando há documentação, fica claro quem fez, o que foi feito e em que condições. Isso evita conflitos, facilita manutenções futuras e reduz riscos legais”, explica.

Para Men, o setor caminha para um cenário em que improviso e informalidade terão cada vez menos espaço. “A profissionalização não é uma escolha ideológica. É uma exigência técnica, ambiental e jurídica. Quem se antecipa a isso estará preparado para o futuro do mercado.”


Resumen (Español)

En el sector de refrigeración y climatización, la ética profesional se ha convertido en un factor decisivo para la supervivencia de empresas y técnicos. La competencia desleal, impulsada por servicios informales, precios predatorios y el incumplimiento de normas técnicas y fiscales, deteriora el mercado y transfiere riesgos al cliente. La emisión de factura, el respeto a los procedimientos técnicos y la documentación de los servicios son elementos centrales para la seguridad, la trazabilidad y la valorización del trabajo. Según Rodrigo Penha Men, presidente del Departamento Nacional de Instalación y Mantenimiento de ABRAVA, la responsabilidad ambiental y jurídica, especialmente en el manejo de fluidos refrigerantes, refuerza la necesidad de profesionalización. En este contexto, la ética deja de ser un valor abstracto y se consolida como una estrategia esencial para el futuro del sector HVAC-R.


Summary (English)

In the refrigeration and air conditioning sector, professional ethics has become a key factor for long-term survival. Unfair competition driven by informal services, predatory pricing and non-compliance with technical standards and tax obligations undermines the market and increases risks for customers. Proper invoicing, adherence to technical procedures and service documentation are essential to ensure safety, traceability and accountability. According to Rodrigo Penha Men, president of ABRAVA’s National Installation and Maintenance Department, environmental and legal responsibilities—especially regarding refrigerant handling—are gaining relevance as regulations evolve. In this scenario, ethics is no longer a moral abstraction but a strategic requirement for building trust and sustainability in the HVAC-R industry.

Qualidade do ar em debate técnico

Eventos em Belo Horizonte discutiu normas e gestão da QAI

Nos dias 14 e 15 de maio, Belo Horizonte sediou o 14º Seminário Internacional da Qualidade do Ar de Interiores e a 9ª ExpoQualindoor, reunindo cerca de 200 profissionais na sede do CREA-MG. Os eventos foram promovidos pela ABRAVA, por meio da Regional Minas Gerais, em parceria com o Chapter Brasil da ASHRAE.

O seminário teve como tema “Novos Parâmetros para a Qualidade do Ar Interior”, com foco nas normas ABNT NBR 7256, NBR 17037 e na Lei Federal 13.589/2018, que trata do PMOC. A programação incluiu palestras técnicas sobre ventilação, filtragem e métricas de controle da qualidade do ar. Entre os destaques, a apresentação de Fábio Clavijo (ASHRAE Colômbia) sobre a norma ASHRAE 62.1-2022 e a divulgação do selo ABRAVA/Brasindoor.

Foram realizadas duas mesas-redondas sobre normas de renovação do ar e soluções para gestão da QAI. Ao fim do dia, houve a posse da nova diretoria do Qualindoor para o biênio 2025/2026, com Rafael Munhoz e Frederico Paranhos assumindo os cargos de presidente e vice.

A ExpoQualindoor abordou os desafios da QAI em ambientes críticos, como hospitais. A programação incluiu sete palestras técnicas e duas mesas de debate sobre planejamento e operação desses espaços. O evento contou com apoio de entidades locais e nacionais do setor.

Climatização em foco na Hospitalar

Trane apresenta soluções para ambientes de saúde na Hospitalar 2025

A Trane participará da Hospitalar 2025, que ocorre de 20 a 23 de maio, das 11h às 20h, no São Paulo Expo, em São Paulo. O evento é considerado o principal do setor de saúde na América Latina, reunindo mais de 1.200 marcas expositoras e oferecendo 270 horas de conteúdo especializado.

Durante a feira, a Trane apresentará o Fancolete Hospitalar da Linha HFH, desenvolvido conforme as normas ABNT NBR 16401 e 7256, com capacidade de 1 a 5 TR’s e opções de filtragem, incluindo filtros HEPA. O equipamento possui ventiladores centrífugos de baixo nível de ruído e sistema de amortecimento de vibração, podendo ser instalado em configurações embutidas ou aparentes.

Outro destaque é o Chiller TAEevo TECH, com capacidade de 2 a 53 toneladas, projetado para operação contínua e aplicações críticas, como o resfriamento de equipamentos de ressonância magnética. O sistema possui controles integrados e design compacto, facilitando instalação e manutenção.

A Trane também oferece integração de seus sistemas HVAC com tecnologias de monitoramento remoto, permitindo controle em tempo real das condições ambientais e otimização do consumo de energia.

Sistemas VRF se consolidam no mercado brasileiro

Melhorias significativas nos compressores, controles eletrônicos e na eficiência geral dos sistemas VRF impulsionaram seu crescimento

Nos últimos anos, os sistemas VRF (Fluxo de Refrigerante Variável) têm ganhado uma crescente aceitação no mercado brasileiro de HVAC-R. Este crescimento se deve a vários fatores, incluindo a busca por maior eficiência energética, flexibilidade na instalação e controle preciso da temperatura.

Um dos principais impulsionadores do crescimento dos sistemas VRF no Brasil é a eficiência energética. Os sistemas VRF são projetados para ajustar a quantidade de refrigerante que flui para as unidades internas com base na demanda real de cada zona climatizada. Isso permite uma operação muito mais eficiente em termos de consumo de energia comparado aos sistemas tradicionais de ar condicionado.

Outros fatores como flexibilidade de instalação, os torna ideais para uma ampla gama de aplicações, desde pequenos edifícios comerciais até grandes complexos residenciais e corporativos. A capacidade de conectar múltiplas unidades internas a uma única unidade externa permite soluções personalizadas que atendem às necessidades específicas de cada projeto. Outra vantagem significativa dos sistemas VRF é o controle preciso da temperatura. Cada unidade interna pode ser controlada de forma independente, permitindo que diferentes zonas dentro de um edifício mantenham temperaturas distintas de acordo com as preferências dos ocupantes. Isso melhora o conforto e a satisfação dos usuários, um fator crucial em ambientes comerciais e residenciais.

Renan Santos Vieira, Gerente de Engenharia de Aplicação CAC da Gree

“Hoje, o VRF como conceito de ar-condicionado, já está amplamente difundido entre os atores especializados (projetistas, instaladores e distribuidores), o que permite questionar: qual setor ainda não usa VRF? A instalação de VRF em residências de médio e alto padrão já é a referência e foram impulsionadas pela disponibilidade maior nos distribuidores, por outro lado, não se fala mais de água gelada quando o assunto são lajes corporativas padrão A e Triplo A, e por aí passam aplicações tais como hotéis, e a área de quartos em hospitais. No setor industrial, quando se fala em sistemas de conforto térmico, o VRF é a solução mais procurada quando o requisito é eficiência energética, sendo imbatível quando comparado com outros sistemas centrais”, informa Renan Santos Vieira, Gerente de Engenharia de Aplicação CAC da Gree.

Segundo a Eletros, Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletrônicos, que consolida os dados de mercado, o VRF representa em torno de 5% do mercado total de HVAC-R, entretanto, essa métrica não representa o movimento real do mercado, uma vez que a porção residencial representa mais de 90%. “Quando olhamos somente o mercado de centrais, que compreende também os chillers, rooftops, selfs e splitões; o VRF representa 46% do mercado, e cresceu 17% quando comparados os mesmos períodos de 2023 e 2024 até o momento. Entendo que os principais benefícios podem ser resumidos em versatilidade, capacidade de automação e eficiência energética dos sistemas do tipo VRF em comparação com os sistemas tradicionais. No quesito versatilidade, os sistemas do tipo VRF se destacam pelas altas capacidades dos sistemas que vão de 3 a 128 HP de capacidade e até 20 tipos diferentes de unidades internas. Reduzindo o espaço necessário para instalação dos mais diversos sistemas, reduzindo o footprint (pegada de carbono) necessário para a instalação dos equipamentos”, diz Viera.

Ele destaca ainda a capacidade de automação dos sistemas VRF, que podem ser utilizados como o controle via Wi-Fi dos equipamentos ou rede KNX para automação em residências de alto padrão até sistemas mais complexos que utilizam Bacnet ou Modbus para conexão de múltiplos sistemas em um único BMS para clientes industriais, hotéis, entre outros.

Em relação à eficiência energética, os sistemas de fluxo variável contam com mais sensores, sistemas de controle de capacidade e controle dos componentes, permitindo maiores eficiências, principalmente em cargas parciais.

Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas de B2B, IT e ar-condicionado da LG do Brasil

De acordo com o Rodrigo Fiani, vice-presidente de Vendas de B2B, IT e ar-condicionado da LG do Brasil, os sistemas VRF oferecem vários benefícios em comparação com os sistemas tradicionais. “Eles possuem eficiência energética superior devido ao sistema 100% inverter e tecnologias de controle avançadas, que permitem maior performance adaptada a diversas operações. Além disso, esses sistemas permitem a interligação de todas as unidades em um sistema central de automação, proporcionando baixo custo e alta segurança operacional. São adequados para locais segmentados, como escolas, hotéis, escritórios e residências, e possuem design moderno que se adapta a diferentes tipos de ambientes.  Outro benefício é a manutenção facilitada pela alta tecnologia embarcada, que permite fácil visualização de falhas e erros através de controles avançados. O maior desafio, no entanto, é o treinamento e capacitação da mão de obra, que se torna cada vez mais necessária à medida que o mercado cresce”, destaca Fiani.

Além da capacitação e treinamento, um outro desafio enfrentado na implementação dos sistemas do tipo VRF no Brasil é seu custo.

“O custo dos sistemas do tipo VRF ainda são superiores a sistemas tradicionais como o split e multi-split em residências e pequenos comércios e linhas de splitão e rooftop em grandes projetos. Para grandes centros ou obras maiores, não há problemas na implementação destes sistemas, pois são aplicados os conceitos de CAPEX e OPEX (custo de implementação e custos de operação), levados em consideração o espaço utilizado pela capacidade requerida e disponibilidade oferecida por equipamentos com maior tecnologia. Porém, em projetos de pequeno e médio porte, em que o cliente ou até mesmo o projetista está à procura de um menor custo de implementação do sistema de climatização, os sistemas de fluxo variável extrapolam o budget desejado e sistemas tradicionais são utilizados. Outro ponto quanto a implementação e manutenção, é a mão de obra qualificada para aplicação dos sistemas VRF. Embora os profissionais busquem expandir seus conhecimentos, muitos ainda lutam contra a evolução dos sistemas de climatização (vide o que foi a implementação dos sistemas do tipo inverter e agora o R-32) e se mantém apenas nos sistemas tradicionais, ou pela falta de locais de qualificação próximos (fato que ocorre longe das capitais) ou não querem investir em ferramental adequado para instalação e diagnósticos dos sistemas do tipo VRF”, enfatiza Vieira.

Tendências futuras

Atualmente, o VRF figura como uma das principais soluções de HVAC no mercado brasileiro, dividindo a liderança com sistemas de água gelada.

“A tendência é de crescimento contínuo no Brasil, impulsionado pelo desenvolvimento econômico e pela expansão da construção civil. Além disso, há uma migração de outros sistemas, como Split e Chiller para o VRF, atraídos pela eficiência e flexibilidade que este sistema oferece.  Os sistemas VRF têm sido um grande sucesso no Brasil devido à sua eficiência e versatilidade. Temos milhares de projetos espalhados por todo o país, atendendo a diversos segmentos, desde comerciais e residenciais até industriais, demonstrando sua adaptabilidade e eficácia”, revela Fiani.

Para Vieira, assim como o restante da indústria, o futuro do VRF irá seguir três caminhos principais: aumento da eficiência dos sistemas, utilização de IA (Inteligência Artificial) e fontes alternativas de energia.

“Os sistemas do tipo VRF já possuem uma elevada eficiência energética quando comparados com sistemas tradicionais, porém com o avanço de novas tecnologias a busca por melhores motores, compressores e sistemas de comunicação mais eficientes irão guiar a indústria em busca de soluções adequadas às novas necessidades. Com motores e compressores mais eficientes podemos diminuir o consumo direto dos equipamentos e com sistemas de comunicação e controle mais rápidos e eficientes podemos diminuir o tempo de resposta às variações de carga térmica requerida e atuar de forma mais rápida e eficaz no controle dos parâmetros de operação. A utilização de inteligência artificial nos equipamentos já é uma realidade em alguns países, porém, ainda dependem de uma complexa rede e infraestrutura para seu funcionamento eficiente no Brasil. Por exemplo, os sistemas GMV da Gree na China, utilizam banco de dados climáticos para otimizar a operação dos equipamentos de forma automática, além de ler e identificar os parâmetros de operação dos equipamentos e prever a troca de componentes antes que ocorra uma falha e parada do sistema por quebra de algum componente crítico. Quanto às fontes alternativas de energia, já existem sistemas do tipo VRF que utilizam placas fotovoltaicas para acionamento direto dos equipamentos e operação híbrida (rede + fotovoltaico), uma vez que sistemas inverter por padrão transformam a energia CA vinda da rede à CC para utilização no equipamento. Estes equipamentos têm como objetivo principal diminuir as perdas de conversão de energia e otimizar a utilização de sistemas fotovoltaicos para acionamento das unidades VRF. Um caso de sucesso que temos quanto a implementação de sistemas de fluxo variável é a própria fábrica da Gree em Manaus (AM), onde são utilizados equipamentos do tipo VRF da linha SOLAR para climatização do setor corporativo, onde são conectados diretamente às placas fotovoltaicas. O sistema opera de forma híbrida, onde quando há geração de energia suficiente para manter o equipamento, apenas as placas são utilizadas, quando não há energia suficiente das placas a rede é utilizada para complementar a o fornecimento de energia ao sistema e nos dias em que não há expediente, os equipamentos converter a energia gerada de CC à CA e fazem a inserção dessa energia na rede elétrica da concessionária, gerando créditos pela geração de energia dos painéis fotovoltaicos”, conclui Vieira.

Tosi leva à Febrava fancoil, chiller, self split e bomba de calor

Os profissionais de refrigeração e ar condicionado que passarem pelo da Tosi na Febrava deste ano podem conhecer detalhes sobre diversos produtos, com destaque para o FCTP (Fancoil Tosi Precisão), o AFC110 (Chiller Turbocore Multistack) e o SELF+CND (Self Split Tosi + Condensadora Horizontal).

A lista continua com o FCTH02 (Fancolete Hospitalar 02 TR), a TEX09 (Unidade de Tratamento de Ar Tosi), os SERP (Padrões de Serpentina Fabricados Tosi), o ÁGUA (Trocador Água-Água Jelly Fish) e a BC50 (Bomba de Calor Jelly Fish).

“Estamos empolgados em compartilhar as mais recentes inovações que desenvolvemos para atender, pelos próximos anos, às demandas do mercado e às necessidades dos nossos clientes”, afirma a sócia-diretora Patrice Tosi.

A 22ª edição da Feira Internacional de Ar Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e da Água (Febrava) vai até 15 de setembro, das 13 às 20h, no São Paulo Expo, em São Paulo (SP).

Trane anuncia fechamento de fábrica no Brasil

Um dos players globais mais conceituados do mercado de ar condicionado, a Trane anunciou ontem (4/7) que vai fechar sua fábrica em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, a partir de agosto.

Apesar do encerramento da planta fabril, a empresa reforçou que continuará atuando fortemente no Brasil, mantendo suas operações comerciais de vendas, serviços e pós-vendas.

A companhia assegurou que “todos os clientes que compraram equipamentos produzidos no País serão honrados e terão os seus produtos entregues dentro do prazo acordado.”

“Acreditamos que os nossos clientes se beneficiarão com o acesso ao portfólio de produtos de outras fábricas da Trane, bem como as soluções sustentáveis de ponta no setor disponíveis em nosso portfólio global.”

Sem informar quantos colaboradores serão demitidos, a empresa também garantiu que apoiará todos os funcionários impactados pela decisão, em um esforço para minimizar os efeitos adversos do fechamento.

Tecnologias de monitoramento ampliam horizontes do HVAC-R

A intensa evolução deste segmento do HVAC-R demonstrou a crescente preocupação com a sustentabilidade ambiental e a eficiência energética, levando à invenção de equipamentos e componentes automatizados, mais precisos e inteligentes, visando minimizar o desperdício de energia e garantir um ambiente saudável e termicamente confortável para as pessoas.

Para atingir esses objetivos, players do setor do frio estão investindo em componentes automatizados e cada vez mais diminutos, com capacidade de gerenciamento a distância e dotados de inteligência artificial para gerar dados e análises.

Os sistemas atualmente embarcados em equipamentos e centrais de refrigeração e climatização têm capacidade de ajustar temperatura, umidade e fluxo de ar de forma dinâmica de acordo com as condições externas e internas.

As informações coletadas por sensores e sistemas de controle podem ser analisadas, em tempo real, para identificar possíveis problemas e evitar falhas catastróficas. Além disso, os dados de monitoramento podem ser usados para otimizar o desempenho do sistema em longo prazo, garantindo a vida útil de aparelhos, peças e componentes e reduzindo o custo total de propriedade.

“Existem hoje, no mercado, sistemas de gestão de edifícios que realizam o gerenciamento completo nas grandezas do HVAC-R, tais como temperatura, umidade, pressão do ar e/ou da água, vazão de ar e/ou de água, qualidade do ar, velocidade do ar e/ou da água e demais grandezas das disciplinas de climatização e refrigeração”, descreve o engenheiro Paulo Reis, presidente do Comitê de Normas e ESG da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava).

Para o dirigente, a fim de atender estes requisitos, é necessário contar com o trabalho de profissionais com a devida “expertise” na área de automação predial, “mas, acima de tudo, especificar os sistemas de fabricantes certificados e homologados”, complementa.

Este aspecto precisa ser definido nos projetos porque existem exigências específicas no gerenciamento dos sistemas de HVAC-R conforme o perfil do cliente e o tipo de edifício a ser gerenciado, por exemplo, prédios corporativos, shopping centers, hotéis, aeroportos e residências, onde o quesito principal são o controle de temperatura e a qualidade do ar, nos ambientes interiores.

“Há, ainda, os edifícios como hospitais, clínicas de análises, consultórios e escolas, onde é necessário o controle mais efetivo da temperatura e umidade e, principalmente, da qualidade do ar, além da necessidade de neutralização de agentes biológicos nocivos em aerodispersoides dos ambientes. No caso dos centros cirúrgicos, as atenções também envolvem o controle da pressão atmosférica, com a manutenção da pressão positiva”, explica Reis.

O engenheiro salienta que em edifícios de indústrias farmacêuticas, de alta tecnologia e petroquímicas, os sistemas de gestão técnica são os mais completos e complexos para as disciplinas do HVAC-R, quanto à climatização, refrigeração, ventilação, exaustão e aquecimento.

“Infelizmente, o Brasil não conta com diretivas governamentais que, no mínimo, criariam um critério ou mesmo uma classificação baseada na eficiência energética para sistemas de refrigeração e climatização e para qualidade do ar interior para climatização. O que possuímos são normas técnicas da ABNT, internacionais da ISO e IEC e recomendações e procedimentos da Abrava e/ou da Ashrae para atender os quesitos de engenharia do HVAC-R”, comenta.

De acordo com ele, “como normas técnicas e recomendações não têm o chamado ‘poder de lei’, os procedimentos e padronizações são realizados e respeitados de acordo com o interesse do cliente”, completa.

 Mercado em transição

A busca por processos capazes de aumentar a eficiência energética dos equipamentos e o impacto ecológico das instalações da cadeia produtiva do frio colocou este setor, atualmente, em uma fase de transição de tecnologias.

Na Coel, por exemplo, a família de controladores de temperatura E34B, ET1 e ET3 dispõe de uma confiável conectividade embarcada, uma tecnologia que conquistou inclusive a confiança da Coca-Cola Company. A multinacional norte-americana decidiu usar esses controladores nos refrigeradores comerciais instalados em pontos de venda no Brasil e na América Latina, obtendo informações importantes sobre o funcionamento dos equipamentos em campo.

“A avaliação dos dados obtidos, como a análise das entradas, saídas e alarmes de funcionamento, permite a efetividade do uso do refrigerador, bem como uma melhor tomada de decisão na estratégia comercial do cliente”, revela o engenheiro Fernando Lemos, gerente de desenvolvimento de negócios da empresa.

O gestor destaca que a Coel também tem uma linha completa de controladores de temperatura e processos para o segmento de refrigeração e automação industrial, formada pela linha nanoPAC, que oferece uma plataforma modular para atender projetos de maior complexidade. Além disso, para o acompanhamento de falhas no equipamento ou na instalação, seus produtos são dotados de um conjunto de alarmes que permite melhor ação corretiva em campo.

“O mercado brasileiro tem um potencial gigantesco de modernização dos sistemas de controle nos segmentos que formam o HVAC-R, e estamos acompanhando de perto esta evolução. Entre essas transformações, estão as soluções focadas em retrofit, as quais permitem uma instalação fácil para sistemas que já estão em operação”, destaca Lemos, enfatizando que a companhia brevemente lançará produtos com novos protocolos de comunicação, permitindo ao cliente a escolha do padrão que melhor atenda o seu projeto.

Pensamento similar sobre a incorporação de novas tecnologias no setor tem vendedor externo Alex Pagiato, lotado no Departamento de Food Retail da dinamarquesa Danfoss. De acordo com ele, geralmente os clientes buscam soluções tecnológicas para minimizar impactos de perdas em sua cadeia.

“Mas, o que podemos constatar é que eles não desejam fazer o monitoramento, mas sim os benefícios que ele proporciona. Monitorar não significa dizer que todos os problemas vão desaparecer, mas sim, vão ser evidenciados, e para isso, ações terão de ser tomadas para alcançar performance. As tecnologias atuais proporcionam aos clientes desde o controle de temperatura em balcões, geladeiras etc. que podem garantir a qualidade de produtos comercializados como gerar alarmes que reduzem tempos de paradas”, comenta.

Hoje, a Danfoss oferece automação para todos os segmentos em que atua. Para refrigeração comercial, tem a linha ERC, que são controladores para geladeiras de bebidas, freezers horizontais, e entre as várias funções de controle, destaque para a economia de energia sobre o controle de abertura de portas e da frequência com que clientes passam em frente ao expositor.

Além disso, dispõe de uma função específica que indica se há algum problema com o sistema, o que tem reduzido a quebra de compressores neste segmento, garantindo a qualidade dos produtos expostos dentro dos equipamentos.

Para as centrais frigoríficas, há tecnologias como o modelo AK-PC 551, o qual possui um software de controle com alguns algoritmos específicos para compressores e dos ventiladores do condensador. “Ele traz também a possibilidade de controlar um chiller pensando na demanda com sistemas com glicol, otimizando a condensação de acordo com o delta T do condensador como uma das suas maiores virtudes”, descreve Pagiato.

No caso dos sistemas com CO2, a multinacional oferece o controlador AK-PC783A, que, além de controlar todo o sistema do frio, é capaz de analisar o balance de carga do sistema e entregar a melhor performance possível de acordo com a demanda. Ele também controla os periféricos, como bomba e aquecimento de água.

Para o controle de evaporadores, o modelo AK-CC55 é capaz de controlar válvulas de expansão eletrônica (AKVP-pulso ou a ETS-motorizada) e traz uma interface bluetooth para comunicação com o celular para facilitar a configuração, o comissionamento e a manutenção.

“Em uma instalação com muitos evaporadores, essa interface facilita a programação em massa, pois pode ser usada como um arquivo eletrônico armazenando as configurações e pode compartilhar a programação com outros controladores”, afirma.

A Danfoss dispõe ainda em seu portfólio o modelo EKE400, controlador para evaporadores aplicados com amônia. Já a linha MCX é formada por controladores programáveis.

Para todo o sistema, a empresa tem o gerenciador AK-SM-880A, que interliga todos os controladores que estão no sistema de refrigeração, ar-condicionado, medição de energia, dentre outros. Ele realiza leitura e armazenamento de dados (registros), gerenciamento de alarmes por nível de criticidade.

 Vanguarda

Assim como os demais concorrentes, a Carel também acelera em direção a tecnologias de vanguarda. Atualmente, a companhia oferece a família de supervisórios Boss, que atendem desde pequenas instalações (15 dispositivos) até grandes plantas (300 dispositivos).

“Nosso portfólio também oferece serviços de monitoramento remoto, como a plataforma IoT Tera, que pode monitorar até dez dispositivos por CloudGate com conectividade 4G integrada, ideal para pequenas instalações e locais onde não há provedor de internet disponível”, ressalta o engenheiro Rafael Valsani Leme Passos, analista pleno de suporte técnico.

O gestor projeta como principal tendência os serviços de computação em nuvem para HVAC-R, que agregam valor às instalações onde cada dispositivo pode ser conectado à internet, gerando dados importantes para o gerenciamento da planta.

“O registro de dados e a sua análise são fundamentais durante o processo de gerenciamento de plantas e instalações de HVAC-R. A partir dos dados coletados, é possível fazer análises de eficiência, otimização de funcionamento de máquinas por meio do ajuste de parâmetros e também detectar anomalias, tais como pequenas fugas de refrigerante”, exemplifica Passos, citando que a tecnologia pode otimizar remotamente o processo de degelo de balcões frigoríficos somente analisando a tendência de funcionamento do equipamento no sistema de supervisão.

A Carel contra-ataca no mercado com a plataforma em nuvem RED Optimise, que integra múltiplos supervisórios em um só portal, onde os dados de cada instalação são processados, gerando estatísticas, dashboards e alarmes. Por meio de um algoritmo avançado, a plataforma é capaz de identificar em cada instalação pontos de otimização, traduzindo em economia de energia.

Igual velocidade na tomada de decisões também permeia o dia a dia na Full Gauge Controls, conforme esclarece o diretor Antonio Gobbi. A empresa tem hoje uma linha com 147 produtos, além do software de gerenciamento remoto Sitrad PRO.

“Demos um grande salto migrando dos termostatos mecânicos para os controladores digitais. Depois, tivemos outra grande evolução com os softwares de gerenciamento e suas versões mobiles”, afirma Gobbi, para quem o futuro do setor pode estar ligado a tecnologias como Metaverso e ChatGPT, que em algum momento poderão oferecer soluções dentro do HVAC-R.

Avanços integrados

O avanço dos equipamentos integrados às tecnologias como 5G, Internet das Coisas (IoT), realidade aumentada e inteligência artificial está cada vez mais forte e veloz, e esta realidade também tem transformado o modelo de negócios de muitos players.

Nesta área tecnológica, especialistas acreditam que na utilização em definitivo e exclusivamente dos chamados controladores DDC, dedicados à gestão técnica de edifícios.

Os controladores são dedicados e distintos para cada finalidade. Para climatização, possuem características específicas e próprias para o controle total das condições do ambiente interior, e os controladores para refrigeração específicas para a geração e controle do frio.

“Hoje já são uma realidade no Brasil, estando disponíveis os sistemas de gestão técnica de edifícios com as mais novas tecnologias com 5G, IoT, backup em nuvem e segurança cibernética, e alguns até realidade aumentada, e a previsão é a de que até 2030 já ter sido incorporada à inteligência artificial”, comenta o engenheiro Paulo Reis, presidente do Comitê de Normas e ESG da Abrava.

Exemplo deste movimento, a multinacional Danfoss investiu na plataforma Alsense, que é uma solução de IoT para varejo alimentar e o mais recente lançamento em nuvem da empresa para supermercados e aplicações de varejo de alimentos.

“Trata-se de um portal escalonável e seguro para otimizar o desempenho das operações de varejo de alimentos, com uma tecnologia que pode ajudar a alcançar as eficiências necessárias, pois a solução Alsense permite rastrear facilmente o desempenho dos equipamentos de refrigeração que estão conectados ao gerenciador AK-SM880A, responder a alarmes, integrar monitoramento 24 horas por dia, sete dias por semana, reduzir o consumo de energia e muito mais – tudo em uma plataforma moderna e integrada”, detalha o vendedor externo Alex Pagiato, do Departamento de Food Retail.

“Acho que os hardwares terão menos responsabilidade direta sobre o controle e mais em compartilhar com a nuvem os dados do equipamento/instalação e os algoritmos ou as IAs ficarão em nuvem enviando comandos para os hardwares nas plantas. Os sistemas de gestão devem sair fisicamente das plantas e ficar na nuvem”, aposta o gestor.

Na mesma linha de pensamento, a Carel aposta na integração a serviços de IoT, inteligência artificial e Internet móvel por meio do sistema de supervisão Boss e também pelos sistemas de integração a serviços baseados na nuvem.

“Um sistema de água gelada pode ser integrado facilmente a serviços de IoT e monitoramento remoto com Internet móvel a partir do CloudGate. A integração dos dispositivos a serviços de computação impacta de maneira positiva o dia a dia dos clientes, uma vez que as instalações podem ser monitoradas e gerenciadas de forma totalmente remota”, arremata o engenheiro Rafael Valsani Leme Passos, analista pleno de suporte técnico.

Por fim, o engenheiro Fernando Lemos, gerente de desenvolvimento de negócios da Coel, entende que, no aspecto do controle de temperatura, o mercado oferece uma extensa gama de soluções. “Mas, quando abordamos essas novas frentes de conectividade de inteligência artificial, notamos que há muitas oportunidades a serem exploradas”, vislumbra.

Mayekawa lança sistema de refrigeração para barcos pesqueiros

A Mayekawa do Brasil acabou de lançar o Chiller RSW (Refrigerated Sea Water), um sistema de refrigeração para água do mar utilizado a bordo de barcos pesqueiros para preservar grandes capturas de peixes em alto mar, que, em um período mínimo, os peixes são resfriados próximo ao ponto de congelamento da água do mar, garantindo sua conservação e qualidade durante o transporte.

Para o diretor da Mayekawa do Brasil, Silvio Guglielmoni, “armazenar os peixes em um sistema de refrigeração de água do mar é um método eficaz de preservar a captura até o descarregamento em terra”, afirma.

Segundo a empresa, o novo chiller é um equipamento compacto com dimensões reduzidas para se adequar a barcos e navios e possui como destaque um evaporador spray com expansão seca, que permite alto coeficiente de transferência térmica. Além disso não necessita de bomba de amônia. Devido à sua aplicação, os tubos, conexões de água e as tampas dos trocadores são fabricadas em titânio, conferindo alta resistência à corrosão. A carga de amônia é de 5 a 10 vezes menor se comparada a um chiller convencional.

Barcos Frigoríficos

Na pesca comercial, os barcos frigoríficos são determinantes na conservação dos peixes recém pescados. Com porões equipados de maquinários de refrigeração, essas embarcações contam com uma grande estrutura para manter o peixe na temperatura ideal até chegar aos frigoríficos terrestres. “A questão é o logo após a pesca, o quão rápido o peixe é levado ao frigorífico do navio, pois assim que for abatido, ele deve ser congelado (dentro de 1h) numa temperatura mínima de – 40 ºC. Esse processo de congelamento, conhecido como ultrarrápido, determina a qualidade que o alimento terá depois de descongelado”, explica Guglielmoni.

Para se ter uma ideia, um barco de pesca tradicional conta apenas com um porão de gelo e chega a ficar um mês com a mercadoria, havendo muito desperdício, pois o peixe que é pescado no primeiro dia muitas vezes é descarregado estragado. Já a embarcação equipada com frigorífico possui um sistema de refrigeração, garantindo peixe fresco e saudável para consumo.

No Brasil

Em alguns lugares do mundo, como na Alemanha, todo o processo de captura, congelamento, classificação e embalagem do peixe é realizado dentro dos próprios barcos frigoríficos. Após descarregada, a mercadoria é encaminhada diretamente ao cliente. No Brasil, essa tecnologia ainda não acontece. O processo geral ainda é feito em frigoríficos terrestres. Já na América Latina, a pesca é fundamental para a economia e, para muitos dos que ali vivem, um modo de vida. De acordo com a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, a região produz 21,5 milhões de toneladas métricas de pescado por ano, um quarto da produção anual mundial. E, na América Latina, cerca de 2,3 milhões de pessoas participam da pesca.