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Segurança em altura salva vidas no HVAC-R

20/08/2026

Da análise de risco ao plano de resgate, especialistas destacam que investir em segurança significa proteger vidas e garantir a qualidade das operações.

Veja a edição completa
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Instalações e manutenções em fachadas, coberturas e telhados fazem parte da rotina de muitos profissionais de refrigeração e climatização. No entanto, trabalhar em altura continua sendo uma das atividades com maior potencial de acidentes graves e fatais no setor. Nesse cenário, a NR-35 – Trabalho em Altura do Ministério do Trabalho, estabelece requisitos mínimos para planejamento, organização e execução das atividades, priorizando a prevenção de riscos e a preservação da vida.

Mais do que utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como cinturão de segurança, talabartes, capacete com jugular e trava-quedas, óculos de segurança ou protetor facial, o trabalho seguro exige avaliação criteriosa do ambiente, uso de Equipamentos de Proteção Coletiva (EPCs), análise de risco, permissão de trabalho e um plano de resgate preparado para situações de emergência.

O crescimento da climatização em edifícios residenciais, comerciais e industriais também ampliou a exposição dos profissionais aos trabalhos em altura. Instalações de condensadoras em fachadas, coberturas e áreas de difícil acesso fazem parte da rotina do setor e, quando executadas sem planejamento, figuram entre as atividades de maior risco. O próprio Manual da NR-35 destaca que as quedas de altura estão entre as principais causas de acidentes graves e fatais no trabalho, enquanto estudos recentes sobre gestão de riscos em instalações de ar-condicionado apontam falhas recorrentes como ausência de sistemas de ancoragem, deficiência nos procedimentos de acesso, falta de Permissão de Trabalho (PT) e de Análise de Risco (AR), além do uso inadequado de EPIs.

A preocupação não é apenas teórica. Embora o Brasil não disponha de estatísticas específicas para acidentes envolvendo técnicos de HVAC-R, os registros de ocorrências mostram que quedas durante instalações e manutenções de aparelhos de ar-condicionado em fachadas, telhados e coberturas continuam sendo frequentes, muitas delas com vítimas fatais. Em julho de 2025, por exemplo, um técnico de refrigeração morreu ao cair de aproximadamente 18 metros enquanto realizava a manutenção de uma condensadora na área externa de um edifício residencial em Recife (PE). O Ministério do Trabalho reforça que as quedas em altura figuram entre as principais causas de acidentes graves e fatais no ambiente laboral, o que evidencia a importância do cumprimento rigoroso da NR-35 e do planejamento prévio de cada intervenção.

Sidney de Souza Junior, gerente do Departamento Técnico do CRT-SP

Segundo Sidney de Souza Junior, técnico em refrigeração e climatização e gerente do Departamento Técnico do Conselho Regional Técnico – CRT-SP, a queda de altura continua sendo a principal causa de acidentes fatais, mas não é o único perigo enfrentado pelos técnicos.

“Queda de altura, queda de objetos e ferramentas, choque elétrico, condições climáticas adversas, estruturas instáveis, esforço físico e postura inadequada, além de cortes e esmagamentos durante o manuseio dos equipamentos, estão entre os principais riscos encontrados nas atividades em altura”, informa.

O especialista ressalta que a prevenção começa muito antes da subida ao telhado ou à fachada. A NR-35 determina que toda atividade seja precedida por uma Análise de Risco (AR), realizada no próprio local de trabalho e envolvendo os profissionais responsáveis pela execução.

“A AR deve ser feita no local, com quem vai executar e documentada. É preciso descrever a atividade, identificar os perigos, avaliar os riscos, definir as medidas de controle e estabelecer um plano de emergência. Não podem ser negligenciados fatores como a condição estrutural do ponto de ancoragem, a proximidade de redes elétricas, as condições climáticas durante toda a execução, o acesso seguro e rota de fuga, o estado de conservação dos equipamentos e a experiência da equipe”.

Ele descreve um passo a passo:

  1. Descrever a atividade: O que será feito, onde, por quanto tempo, quantas pessoas.
  2. Identificar os perigos: Altura, energia, clima, estrutura, acesso, materiais.
  3. Avaliar os riscos: Probabilidade x Severidade.
  4. Definir medidas de controle: EPC, EPI, procedimentos, pessoas envolvidas.
  5. Plano de emergência: Como agir se algo der errado.
Treinamento e plano de resgate

Outro aspecto frequentemente negligenciado é o plano de resgate. Muitas empresas concentram seus esforços na prevenção da queda, mas esquecem que uma vítima suspensa pelo cinturão pode sofrer a chamada síndrome do arnês em poucos minutos.

“O plano de resgate é obrigatório pela NR-35. De nada adianta evitar a queda se o trabalhador ficar suspenso por trauma de suspensão. O plano deve prever procedimento escrito, equipe treinada, equipamentos de resgate, comunicação eficiente e tempo-resposta de até seis minutos”, revela.

Um dos principais exemplos no setor é o trabalho desenvolvido pelo casal Gisieli e Luis Severo, proprietários da Severo Climatização. Referências nacionais em segurança para trabalhos em altura, eles foram pioneiros na aplicação do alpinismo industrial ao mercado de HVAC-R e hoje atuam na capacitação de profissionais em todo o Brasil. Por meio de treinamentos em trabalho em altura, acesso por corda, técnicas de resgate e disseminação da cultura de segurança, contribuem para elevar o nível técnico do setor e reforçar que a prevenção deve estar presente em todas as etapas das instalações e manutenções, preservando vidas e promovendo práticas cada vez mais seguras.

“A segurança começa antes mesmo de colocar o cinturão. Planejamento, análise de risco, escolha correta dos pontos de ancoragem e treinamento contínuo são fatores que fazem a diferença entre voltar para casa ou sofrer um acidente. Nenhum serviço é tão urgente que justifique abrir mão da segurança”, destacam Luis e Gisieli.

Nos treinamentos promovidos pela Severo Climatização, a segurança é tratada como um valor inegociável. Enquanto Luís conduz a capacitação técnica em trabalho em altura e acesso por corda, Gisieli atua como socorrista e instrutora, reforçando os procedimentos de resgate e prevenção de acidentes. A empresa adota critérios rigorosos, exigindo que todos os profissionais possuam capacitação conforme a NR-35, além de manter seguro de vida para seus colaboradores. A qualificação em trabalho em altura também é um requisito para contratação, refletindo o compromisso da empresa com a segurança desde a formação da equipe. Paralelamente, Gisieli ministra palestras sobre prevenção de acidentes e cultura de segurança para empresas e instituições, contribuindo para disseminar boas práticas e conscientizar profissionais sobre a importância do planejamento e do cumprimento das normas em atividades realizadas em altura.

Para Sidney, criar uma verdadeira cultura de segurança depende do envolvimento de toda a organização.

“A cultura começa com a liderança pelo exemplo, passando para a participação do trabalhador nas análises de risco, treinamento contínuo, fornecimento de EPIs de qualidade e comunicação aberta para interromper uma atividade insegura são medidas que fazem a diferença. Se for difícil fazer o trabalho de forma segura, o profissional vai improvisar”.

A tecnologia também vem transformando a segurança em altura. Linhas de vida retráteis que travam mais rápido e dão mais mobilidade, ancoragens permanentes e definitivas instaladas na obra para facilitar manutenções futuras, drones para inspeções prévias de fachadas e coberturas sem expor ninguém, aplicativos digitais para emissão de Permissão de Trabalho (PT) e Análise de Risco, além de EPIs mais leves e ergonômicos, já fazem parte da realidade de muitas empresas.

Segundo Sidney, as principais tendências e avanços em equipamentos, tecnologias e procedimentos são:

  • Wearables (sensores vestíveis): Coletes que medem queda, batimento e enviam alerta;
  • Realidade aumentada: Treinamento em altura sem risco real;
  • Robôs para instalação: Para içamento de condensadoras pesadas;
  • Análise de risco com IA: Cruzar dados de clima, local e histórico para prever riscos;
  • Maior foco em saúde mental: Fadiga e pressa são grandes causas de acidente.

–

Resumen (español)

El trabajo en altura forma parte de la rutina de muchos profesionales de refrigeración y climatización, especialmente en instalaciones y mantenimientos realizadas en fachadas, cubiertas y tejados. Especialistas destacan que el cumplimiento de la NR-35, el análisis previo de riesgos, el uso adecuado de equipos de protección, la capacitación y la existencia de un plan de rescate son fundamentales para prevenir accidentes graves y fatales. Sidney de Souza Junior, del CRT-SP, y los especialistas Luis y Gisieli Severo, de Severo Climatização, también señalan la importancia de consolidar una cultura de seguridad en las empresas. Nuevas tecnologías, como drones, sensores vestibles, realidad aumentada, sistemas modernos de anclaje e inteligencia artificial aplicada al análisis de riesgos, comienzan a ampliar las herramientas disponibles para proteger a los profesionales del sector HVAC-R.

Summary (English)

Working at height is part of the routine for many refrigeration and air-conditioning professionals, particularly during installation and maintenance activities on façades, rooftops and other elevated areas. Experts emphasize that compliance with Brazil’s NR-35 regulation, proper risk assessment, adequate protective equipment, professional training and a well-prepared rescue plan are essential to preventing serious and fatal accidents. Sidney de Souza Junior, from CRT-SP, and safety specialists Luis and Gisieli Severo, from Severo Climatização, also highlight the importance of building a strong safety culture within companies. Emerging technologies, including drones, wearable sensors, augmented reality, advanced anchorage systems and artificial intelligence for risk assessment, are expanding the resources available to improve safety for HVAC-R professionals.
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