Nova York proíbe venda de R404A e R507A virgens a partir do fim de março
Norma estadual restringe refrigerantes de alto GWP e relatório da HARDI aponta possível impacto na manutenção de sistemas de refrigeração no varejo de alimentos.
A venda de refrigerantes virgens R404A e R507A será proibida no estado de Nova York a partir de 31 de março de 2026. A medida integra a regulamentação 6 NYCRR Parte 494, estabelecida pelo Departamento de Conservação Ambiental de Nova York (DEC), que restringe a comercialização de fluidos com Potencial de Aquecimento Global (GWP) superior a 2.200.
Os gases foram incluídos na norma devido ao seu impacto climático. O R404A tem GWP aproximado de 3.922, cerca de quatro mil vezes superior ao dióxido de carbono no aquecimento da atmosfera. A regulamentação faz parte das metas estaduais de redução de emissões de gases de efeito estufa.
O cronograma da regra foi implementado em etapas. Desde 2021, o uso desses refrigerantes em novos equipamentos e em reformas de sistemas de refrigeração já estava restrito. A partir de março de 2026, a proibição se estende à venda de refrigerante virgem. O uso de gás recuperado ou reciclado permanece permitido para manutenção de equipamentos existentes, de acordo com normas federais.
A medida foi analisada em relatório da associação americana de atacadistas de sistemas HVACR HARDI. O documento, intitulado “Medindo o Impacto da Proibição de Refrigerantes em Nova York e o Impacto da Escassez na Infraestrutura do Varejo de Alimentos”, avalia efeitos potenciais da restrição no setor de varejo alimentício.
Segundo a análise, cerca de 18.130 sistemas de refrigeração instalados em supermercados e lojas de conveniência no estado utilizam R404A ou R507A. A manutenção dessa base instalada demandaria aproximadamente 1,16 milhão de libras de refrigerante por ano. O volume histórico de refrigerante recuperado disponível nacionalmente, porém, é estimado em cerca de 606 mil libras anuais.
O relatório considera que a diferença entre oferta e demanda de refrigerante recuperado pode afetar a operação de equipamentos de refrigeração comercial. Em um cenário descrito como de interrupção moderada, a HARDI estima redução anual de US$ 106,2 milhões na produção econômica do estado.
“A refrigeração não é opcional para os varejistas de alimentos. É fundamental para a segurança alimentar, a saúde pública e o bem-estar da comunidade”, afirmou Alex Ayers, vice-presidente de assuntos governamentais da HARDI. Segundo ele, restringir o acesso a refrigerantes de serviço antes da adaptação do mercado pode gerar consequências econômicas e operacionais.
A regulamentação estadual também está alinhada à American Innovation and Manufacturing Act (AIM Act), legislação federal que estabelece a redução gradual do uso de hidrofluorcarbonetos (HFCs) nos Estados Unidos.
No Brasil, a política de controle desses fluidos ocorre de forma gradual no âmbito do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), voltado à redução progressiva de substâncias com impacto ambiental utilizadas em refrigeração e climatização.








