Ar-condicionado pode custar R$ 44 por mês com uso diário de 8 horas

Simulação baseada na metodologia do Inmetro indica que, em condições adequadas, impacto na conta de luz pode ser menor do que o esperado.
Em meio às ondas de calor e à pressão sobre o orçamento doméstico, o ar-condicionado costuma ser apontado como principal responsável pelo aumento da conta de energia. Simulação técnica indica, porém, que o impacto pode ser mais limitado, a depender das condições de uso e instalação.
O supervisor de Pesquisa e Desenvolvimento da Gree Electric Appliances, Romenig Magalhães, realizou cálculo com base na metodologia do Inmetro (Portaria nº 269), utilizada para classificação da Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE).
A simulação considerou um ar-condicionado split residencial com consumo anual de 362,6 kWh/ano, temperatura externa média de 35 °C, ambiente interno a 27 °C, ajuste do controle entre 24 °C e 25 °C, tarifa média de R$ 1,04 por kWh e mês com 30 dias. O consumo estimado foi de aproximadamente 0,174 kWh por hora.
Com base nesses parâmetros, o custo mensal estimado seria:
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2 horas por dia: cerca de R$ 10,80
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5 horas por dia: cerca de R$ 27,10
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8 horas por dia: cerca de R$ 44,00
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10 horas por dia: cerca de R$ 54,30
Os valores são estimativas orientativas e consideram equipamento eficiente e corretamente instalado. Ainda assim, ajudam a dimensionar o debate: o ar-condicionado nem sempre é o vilão da conta de luz.
Segundo Magalhães, consumo elevado costuma estar associado a fatores externos. “Vedação inadequada, excesso de entrada de calor, falta de manutenção e instalação fora das recomendações fazem o aparelho trabalhar mais do que deveria”, afirma.
Ambiente influencia desempenho
A vedação do ambiente é um dos principais pontos de atenção. Janelas mal ajustadas, frestas em portas, cortinas abertas sob sol intenso e ausência de isolamento térmico permitem entrada constante de calor, exigindo maior tempo de operação do equipamento.
Mesmo aparelhos eficientes podem registrar aumento de consumo se o ambiente não estiver adequado. “Se o calor entra o tempo todo, o sistema precisa compensar continuamente essa perda”, diz o supervisor.
O dimensionamento incorreto também interfere no desempenho. Equipamentos com potência abaixo da necessária operam no limite. Já aparelhos superdimensionados podem gerar desperdício e ciclos menos eficientes.
Manutenção e tecnologia
Filtros sujos, serpentinas obstruídas e falhas na instalação comprometem a troca térmica e elevam o consumo. De acordo com Magalhães, parte dos casos de gasto elevado está relacionada à ausência de manutenção básica.
A tecnologia inverter altera a dinâmica de funcionamento ao ajustar continuamente a velocidade do compressor, evitando picos de energia do sistema liga-desliga e mantendo operação mais estável ao longo do dia.
Para equilibrar conforto e consumo, a recomendação inclui manter portas e janelas fechadas durante o uso, utilizar cortinas ou persianas em horários de maior incidência solar, ajustar a temperatura entre 23 °C e 25 °C, usar funções como timer e modo sleep e realizar limpeza periódica dos filtros.





