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O avanço de sistemas inteligentes e o novo papel do técnico

Controles, sensores e automação deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos, impulsionados por data centers, edifícios inteligentes e pela digitalização da indústria de HVAC-R

 O mercado global de controles, sensores e sistemas de automação aplicados aos sistemas de HVAC-R caminha para ultrapassar a marca de US$ 30 bilhões até 2027. De acordo com estudos de mercado da Kings Research e de consultorias especializadas em automação predial, o segmento global de controles, sensores e automação no HVAC-R (parte de um mercado mais amplo que já supera US$ 90 bilhões em sistemas de automação predial), tem projeções de forte crescimento, impulsionado por sensores inteligentes, IoT e automação integrada.

Esse crescimento não acontece por acaso. Ele está diretamente ligado à expansão de data centers, agritech, edifícios inteligentes e plantas industriais altamente automatizadas, segmentos que avançam de forma acelerada no Brasil e no mundo.

Na prática, o sistema de climatização e refrigeração deixou de ser um conjunto isolado de equipamentos eletromecânicos e passou a integrar um ecossistema digital. Sensores de temperatura, umidade, pressão, CO2, vazão e presença alimentam controladores programáveis, plataformas em nuvem e sistemas de gestão predial (BMS), permitindo ajustes em tempo real, redução de consumo energético e maior confiabilidade operacional.

Neste contexto surge um novo perfil do técnico de HVAC-R. Se antes o domínio da mecânica, da eletricidade e da refrigeração era suficiente, hoje isso já não basta. O técnico moderno precisa compreender, ao menos em nível básico, conceitos de TI, redes, protocolos de comunicação (como Modbus, BACnet) e Internet das Coisas (IoT). E não se trata de transformar o profissional em um programador, mas de capacitá-lo para interpretar dados, configurar controladores, integrar sistemas e diagnosticar falhas que nem sempre são físicas, mas lógicas ou de comunicação. Por exemplo, um sensor mal endereçado ou uma falha de rede pode derrubar todo o desempenho de um sistema. Essa mudança eleva o patamar da profissão. O técnico deixa de ser apenas um executor de manutenção corretiva e passa a atuar como especialista em desempenho, eficiência energética e confiabilidade.

Um dos pontos mais sensíveis dessa transformação é a formação profissional. A pergunta que o mercado começa a fazer é direta: as escolas técnicas, cursos profissionalizantes e entidades do setor estão acompanhando essa evolução? Ainda há uma lacuna evidente. Segundo a ASHRAE (Sociedade Americana de Engenheiros de Aquecimento, Refrigeração e Ar Condicionado), o setor enfrenta uma lacuna de habilidades porque as formações técnicas muitas vezes não acompanham a evolução tecnológica e a demanda por novos conhecimentos, especialmente em automação, IoT e eficiência energética. Essa desconexão entre educação e as exigências do mercado é um dos fatores que contribui para o déficit de profissionais qualificados no HVAC-R. Muitos cursos continuam focados quase exclusivamente em instalação e manutenção tradicional, enquanto o mercado exige profissionais capazes de lidar com automação, sensores inteligentes e sistemas conectados. Isso cria um descompasso entre oferta e demanda de mão de obra qualificada.

Ronald Borduni, presidente do DN Automação e Elétrica da ABRAVA

“Com a crescente demanda por sistemas de HVAC-R mais eficientes, redução da pegada de carbono e melhora da qualidade do ar interior, cresce também a adoção de recursos digitais, eletrônica embarcada, controle via nuvem e IoT, e tem transformado o perfil do técnico de HVAC-R, sendo que a atuação profissional agora depende não apenas de conhecimento mecânico, mas também de competências ligadas a eletrônica, instrumentação, redes e análise de dados. Assim, o técnico contemporâneo precisa incorporar em suas habilidades a capacidade de interpretar sinais elétricos e lógicos, compreender automações que ajustam sistemas automaticamente e operar ferramentas digitais e softwares de diagnóstico remoto”, explica Ronald Borduni, presidente do DN Automação e Elétrica da ABRAVA.

“Com a digitalização do HVAC, conhecimentos básicos de TI tornaram-se indispensáveis, como noções de redes, segurança da informação, IoT, sensores e interpretação de dados em softwares de monitoramento. Embora parte das escolas técnicas já incorpore esses temas, o ritmo de atualização ainda exige formação contínua para acompanhar a rápida evolução tecnológica do setor”, acrescenta.

Por outro lado, essa lacuna também representa uma grande oportunidade. Profissionais que buscam capacitação complementar em automação, controles e conectividade tendem a se posicionar melhor, fugir da concorrência por preço e acessar contratos de maior valor agregado.

Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls

“Novas tecnologias chegam de forma constante ao mercado, e os profissionais precisam se adaptar conforme surgem novas demandas. Nesse contexto, a cultura de capacitação técnica por parte das empresas torna-se cada vez mais relevante. Esse sempre foi um princípio presente na Full Gauge Controls desde seus primeiros anos e é um dos atributos que nos tornam reconhecidos mundialmente. A Inteligência Artificial, em especial, vem ganhando espaço e desempenha um papel crescente na melhoria das operações em campo. Um exemplo disso é o desenvolvimento, em parceria com a Climtek, empresa canadense, da primeira plataforma de suporte técnico baseada em IA da indústria de HVAC-R, treinada com toda a biblioteca técnica que dispomos. Além disso, algumas empresas do setor já utilizam algoritmos de IA para analisar dados via API, identificando padrões de consumo, prevendo comportamentos anormais e ajustando estratégias de controle. Esse tipo de aplicação gera ganhos reais de eficiência energética, reduz paradas e aumenta a precisão no monitoramento de câmaras frias e sistemas de refrigeração, impactando diretamente a atuação e a qualificação exigida do profissional da área”, informa Antonio Gobbi, CEO da Full Gauge Controls.

Segundo ele, e fundamental que empresas, escolas técnicas e associações acompanhem de forma contínua as novas tendências do mercado e invistam na capacitação dos profissionais. “Hoje, a tecnologia torna esse processo muito mais rápido e acessível quando comparado a alguns anos atrás. Plataformas digitais, como conteúdos técnicos no YouTube, cursos em EAD e a ampliação da oferta de ensino técnico especializado, contribuem significativamente para a formação de novos profissionais e para a atualização constante de quem já atua no setor”.

Formação técnica em transição

Instituições como o SENAI, referência na formação técnica e profissional no Brasil, desempenham papel central na capacitação de técnicos em refrigeração e climatização, com cursos sólidos voltados à instalação, manutenção, eletricidade aplicada e fundamentos de sistemas frigoríficos. No entanto, à medida que o HVAC evolui para um modelo cada vez mais digital e conectado, o próprio setor passa a debater os limites desses currículos tradicionais. A incorporação de conteúdos ligados à automação, sensores inteligentes, protocolos de comunicação, integração com sistemas de gestão predial e conceitos básicos de IoT ainda ocorre de forma gradual e desigual. Esse descompasso cria uma lacuna entre a formação oferecida e as exigências reais de aplicações modernas, como data centers, edifícios inteligentes e indústrias automatizadas, exigindo que muitos profissionais busquem capacitação complementar no mercado para acompanhar a transformação tecnológica do HVAC-R.

A incorporação de conteúdos ligados à automação e conceitos básicos de IoT ainda ocorre de forma gradual e desigual na formação técnica

Também escolas técnicas especializadas oferecem formação tradicional em refrigeração e climatização, mas o setor reconhece a necessidade de ampliar o foco para sistemas inteligentes e conectados. Segundo estudo da ASHRAE, nesse novo cenário, a formação digital deixa de ser um diferencial e passa a ser um verdadeiro passaporte para oportunidades de maior valor agregado no setor de HVAC-R. Profissionais que dominam automação, sensores inteligentes, análise básica de dados e integração de sistemas conseguem acessar nichos menos sensíveis a preço e mais orientados à confiabilidade, como data centers, edifícios inteligentes, indústria de processos e agronegócio de alta performance. Além de ampliar o escopo de atuação, essa capacitação permite oferecer serviços contínuos, como monitoramento remoto, manutenção preditiva e contratos de desempenho, criando novas fontes de receita e relacionamentos de longo prazo com o cliente.

“A maioria das escolas técnicas busca constantemente apresentar novas tecnologias aos alunos. No entanto, esse processo ocorre sem abrir mão do ensino da refrigeração básica, que ainda representa a maior parte das instalações em operação. Essa base continua sendo essencial para que o profissional compreenda corretamente o funcionamento dos sistemas antes de avançar para aplicações mais tecnológicas. De fato, o avanço do HVAC-R inteligente não é tendência passageira, mas um caminho sem retorno. Controles, sensores e automação deixam de ser opcionais e passam a ser parte essencial do sistema. Para o setor, isso significa mais eficiência, sustentabilidade e confiabilidade. Para o profissional, significa evolução técnica, valorização e novos horizontes de atuação. Quem entender essa mudança e se preparar desde já estará um passo à frente em um mercado cada vez mais tecnológico e estratégico”, comenta o CEO da Full Gauge.

Ele acrescenta que é fundamental ter conhecimento em topologia básica de redes, bem como das normas técnicas que regulamentam as boas práticas de instalação e comunicação de dados. Esses conceitos garantem maior confiabilidade, estabilidade e desempenho dos sistemas de automação HVAC-R.

“Por isso, sempre reforçamos a importância de que a infraestrutura de comunicação RS-485 seja projetada e instalada por técnicos capacitados, seguindo rigorosamente as normas e recomendações técnicas. Uma rede bem dimensionada e corretamente instalada é decisiva para o bom funcionamento do sistema e para a qualidade das informações coletadas. Os principais players do mercado contam com redes consolidadas de instaladores capacitados, aptos a atender empresas interessadas em soluções de HVAC inteligente. Portanto, não se trata exatamente de uma falta de profissionais, mas da necessidade de saber onde encontrar essa mão de obra especializada e com experiência nas tecnologias mais recentes”, diz Gobbi.

Borduni acrescenta ainda que o setor segue em expansão, impulsionado pela demanda por sistemas inteligentes, mas a falta de profissionais capacitados pode frear esse crescimento, como ocorreu com os chillers de compressores de mancal magnético, que demoraram a se consolidar no Brasil por percepção de escassez técnica. “Para evitar esse tipo de gargalo, o setor precisa acelerar a formação por meio da atualização e ampliação de cursos técnicos, treinamentos de curta duração, parcerias entre fabricantes, associações e escolas, além do incentivo à capacitação em automação e IoT, garantindo mão de obra preparada para operar tecnologias cada vez mais eficientes e complexas”, conclui.


Resumen (español)

El avance de la automatización y la digitalización está transformando el sector HVAC-R, impulsado por data centers, edificios inteligentes y la industria conectada. Sensores, controladores y plataformas en la nube permiten monitoreo en tiempo real, eficiencia energética y mayor confiabilidad operativa, cambiando el perfil del técnico, que ahora requiere conocimientos básicos de redes, protocolos de comunicación e interpretación de datos. Estudios de entidades del sector señalan una brecha de capacitación, ya que la formación tradicional no acompaña la velocidad tecnológica. La actualización profesional y la educación continua pasan a ser factores clave para acceder a servicios de mayor valor agregado, como mantenimiento predictivo y contratos de desempeño.


Summary (English)

Automation and digitalization are reshaping the HVAC-R sector, driven by data centers, smart buildings and connected industry. Sensors, controllers and cloud platforms enable real-time monitoring, energy efficiency and operational reliability, redefining the technician’s role to include basic knowledge of networks, communication protocols and data interpretation. Industry organizations point to a skills gap, as traditional training struggles to keep pace with technological change. Continuous education and upskilling are becoming essential for professionals to access higher-value services such as predictive maintenance and performance-based contracts.

Ética profissional no frio

Como instaladores e técnicos podem proteger o próprio valor, o cliente e o futuro do setor

No setor de refrigeração e climatização, a ética profissional deixou de ser um conceito abstrato para se tornar um fator direto de sobrevivência. Em um mercado pressionado por importações, plataformas digitais e guerra de preços, a forma como o serviço é vendido, executado e documentado passou a definir quem permanece e quem desaparece. Instalar um ar-condicionado, fazer a manutenção de um chiller ou recuperar uma câmara fria não é apenas “fazer funcionar”. É assumir uma responsabilidade técnica, ambiental, legal e econômica. Quando isso é ignorado, todo o setor perde.

A concorrência desleal é hoje um dos principais fatores de desgaste do mercado. Ela aparece quando empresas ou profissionais reduzem artificialmente seus preços cortando etapas essenciais do serviço: não emitem nota fiscal, não recolhem impostos, usam peças de baixa qualidade, não seguem normas técnicas ou sequer têm responsável técnico. Para o cliente, isso pode parecer apenas uma economia imediata. Na prática, é um risco. Para o setor, é um processo lento de desvalorização do trabalho técnico. Quando alguém cobra metade do preço porque não emite nota, o custo real é empurrado para quem faz tudo corretamente. O profissional que atua dentro da lei passa a parecer “caro”, quando, na verdade, apenas incorpora no valor aquilo que garante segurança, rastreabilidade e responsabilidade.

A nota fiscal, nesse contexto, não é um detalhe burocrático. Ela é parte do serviço. Para o cliente, é a garantia de que existe uma empresa por trás do trabalho, com deveres, prazos e responsabilidade. Para o técnico, é o que permite crescer, investir, contratar, comprar melhor e se proteger juridicamente. Um serviço sem nota não tem compromisso. Se algo der errado, não há como exigir correção, reembolso ou reparo. Em casos mais graves, como queima de equipamento, vazamento de fluido refrigerante ou acidentes elétricos, a ausência de documentação deixa o cliente completamente desamparado. O profissional que não emite nota não está sendo flexível. Está transferindo o risco para quem o contratou.

O mesmo vale para o cumprimento das normas técnicas. No setor HVAC-R, normas não existem para dificultar a vida do instalador, mas para evitar prejuízos, acidentes e retrabalho. Procedimentos como vácuo, teste de estanqueidade, dimensionamento correto, isolamento térmico e partida assistida não são “opcionais”. Eles definem se o sistema vai operar com eficiência e segurança ou se vai se tornar uma fonte constante de problemas. Quando essas etapas são puladas para reduzir tempo e custo, o defeito quase sempre aparece depois, recaindo sobre o cliente ou sobre outro profissional que terá de corrigir algo feito de forma inadequada.

Nesse ambiente, os chamados orçamentos predatórios se tornam cada vez mais comuns. São propostas feitas apenas para ganhar o serviço, mesmo quando o valor não cobre o trabalho correto. O corte não aparece no papel, mas está nas horas, nos materiais, nos testes e nos cuidados que deixam de ser feitos. O cliente, muitas vezes, só percebe isso quando o sistema falha, o consumo dispara ou o equipamento apresenta defeitos recorrentes. O barato vira caro, mas quase sempre tarde demais, quando corrigir o erro custa mais do que teria custado fazer certo desde o início.

Valorizar o serviço, portanto, passa menos por brigar por preço e mais por tornar visível aquilo que normalmente fica escondido. Um orçamento detalhado, que mostre todas as etapas da instalação ou da manutenção, ajuda o cliente a entender o que está comprando. Fotos, checklists, relatórios simples e termos de garantia reforçam a percepção de profissionalismo. E uma comunicação clara, em linguagem acessível, explicando por que certas etapas são importantes, transforma o cliente em aliado, não em adversário na negociação.

A construção de marca também entra nesse processo. Profissionais e empresas que emitem nota, têm CNPJ, endereço, presença digital e histórico constroem algo que o informal não consegue copiar: reputação. E reputação gera indicação, fidelidade e, com o tempo, a possibilidade de cobrar um preço justo pelo trabalho bem feito.

No fim, ética profissional no setor de refrigeração e climatização não é apenas uma questão moral. É uma estratégia de sobrevivência. Quem segue normas, cumpre a lei e assume responsabilidade pode até perder alguns serviços no curto prazo, mas constrói algo muito mais sólido no longo prazo: confiança.

Ética profissional é o que separa quem apenas instala de quem constrói uma carreira.

Ética também é ambiental e jurídica

Para além da execução técnica imediata, a ética profissional no setor HVAC-R envolve responsabilidades que muitos clientes e até profissionais ainda não percebem. Entre elas estão o controle ambiental, a rastreabilidade dos serviços e a responsabilidade jurídica ao longo da vida útil do sistema.

Segundo Rodrigo Penha Men, presidente do Departamento Nacional de Instalação e Manutenção da ABRAVA, o manuseio inadequado de fluidos refrigerantes é um dos pontos mais críticos. “Vazamentos evitáveis, descarte incorreto e falta de controle sobre carga e recolhimento de fluido não são apenas falhas técnicas. São infrações ambientais que podem gerar penalidades graves para empresas e clientes”, afirma.

Ele ressalta que, com o avanço da legislação ambiental e a transição para fluidos de menor impacto climático, a responsabilidade do instalador e do mantenedor se amplia. “Quem executa um serviço hoje precisa pensar no sistema como um todo, inclusive no que acontece anos depois: manutenção, substituição, retrofit e descarte. Ética também é garantir que esse ciclo seja seguro e documentado.”

Outro ponto destacado é a rastreabilidade. Serviços formais, com relatórios, registros de intervenções e identificação do responsável técnico, protegem tanto o profissional quanto o contratante. “Quando há documentação, fica claro quem fez, o que foi feito e em que condições. Isso evita conflitos, facilita manutenções futuras e reduz riscos legais”, explica.

Para Men, o setor caminha para um cenário em que improviso e informalidade terão cada vez menos espaço. “A profissionalização não é uma escolha ideológica. É uma exigência técnica, ambiental e jurídica. Quem se antecipa a isso estará preparado para o futuro do mercado.”


Resumen (Español)

En el sector de refrigeración y climatización, la ética profesional se ha convertido en un factor decisivo para la supervivencia de empresas y técnicos. La competencia desleal, impulsada por servicios informales, precios predatorios y el incumplimiento de normas técnicas y fiscales, deteriora el mercado y transfiere riesgos al cliente. La emisión de factura, el respeto a los procedimientos técnicos y la documentación de los servicios son elementos centrales para la seguridad, la trazabilidad y la valorización del trabajo. Según Rodrigo Penha Men, presidente del Departamento Nacional de Instalación y Mantenimiento de ABRAVA, la responsabilidad ambiental y jurídica, especialmente en el manejo de fluidos refrigerantes, refuerza la necesidad de profesionalización. En este contexto, la ética deja de ser un valor abstracto y se consolida como una estrategia esencial para el futuro del sector HVAC-R.


Summary (English)

In the refrigeration and air conditioning sector, professional ethics has become a key factor for long-term survival. Unfair competition driven by informal services, predatory pricing and non-compliance with technical standards and tax obligations undermines the market and increases risks for customers. Proper invoicing, adherence to technical procedures and service documentation are essential to ensure safety, traceability and accountability. According to Rodrigo Penha Men, president of ABRAVA’s National Installation and Maintenance Department, environmental and legal responsibilities—especially regarding refrigerant handling—are gaining relevance as regulations evolve. In this scenario, ethics is no longer a moral abstraction but a strategic requirement for building trust and sustainability in the HVAC-R industry.

ABRAVA abre portas para 2026

Evento híbrido da associação ocorre em 29 de janeiro e discute perspectivas econômicas, COP 30 e impactos da reforma tributária no setor HVAC-R.

A ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) realizará, em 29 de janeiro, o evento “ABRAVA de Portas Abertas”, voltado à apresentação de perspectivas e oportunidades para o setor HVAC-R em 2026. A iniciativa será realizada em formato híbrido, com vagas presenciais limitadas na sede da entidade e participação online.

São esperados representantes de empresas associadas e não associadas, setores clientes, parceiros, formadores de opinião e imprensa. A programação prevê a atualização sobre temas relacionados à climatização e à refrigeração, incluindo perspectivas econômicas e oportunidades para 2026, a preparação do setor diante dos compromissos assumidos na COP 30 e os impactos da reforma tributária.

O encontro também abordará o escopo de atuação da ABRAVA, além da agenda de eventos e cursos da associação e aspectos ligados ao associativismo no setor. A programação completa e as inscrições estão disponíveis no site da entidade.


Resumen (Español)

La ABRAVA realizará el 29 de enero el evento “ABRAVA de Portas Abertas”, en formato híbrido, para presentar perspectivas y oportunidades del sector HVAC-R de cara a 2026. La iniciativa está dirigida a empresas asociadas y no asociadas, clientes, socios, formadores de opinión y prensa.

La agenda incluye debates sobre perspectivas económicas, compromisos del sector frente a la COP 30, impactos de la reforma tributaria y la presentación de las actividades, eventos y cursos de la asociación.


Summary (English)

ABRAVA will hold the event “ABRAVA de Portas Abertas” on January 29, in a hybrid format, to discuss perspectives and opportunities for the HVAC-R sector in 2026. The meeting is open to member and non-member companies, clients, partners, opinion leaders, and the press.

The program will address economic outlooks, sector preparation for COP 30 commitments, tax reform impacts, and an overview of the association’s activities, events, and training agenda.

Fabricantes combinam produção local e importados para garantir competitividade

Com fábricas instaladas no país, o setor avalia o equilíbrio entre produzir localmente e importar componentes para garantir competitividade no abastecimento.

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A cadeia de fornecimento local tem ganhado importância estratégica para a indústria de HVAC-R no Brasil, especialmente em um cenário de demanda crescente por climatização, pressões por eficiência energética e necessidade de reduzir vulnerabilidades logísticas globais. Empresas que atuam no país avaliam constantemente se devem produzir localmente ou importar equipamentos, peças e partes.

Nos últimos anos, o Brasil consolidou um parque industrial relevante na área de climatização e refrigeração. A proximidade com o cliente também favoreceu a customização, atendimento mais ágil e controle de qualidade. Além disso, permite maior agilidade na reposição de peças e serviços, o que se traduz em confiabilidade e menor tempo de resposta nas manutenções. Grandes grupos globais já apostam nessa estratégia: por exemplo, o Midea inaugurou em 2023 uma fábrica de 73 mil metros quadrados em Pouso Alegre (MG), que produz cerca de 1,3 milhão de unidades por ano. Já a Gree do Brasil mantém uma planta em Manaus (AM) com capacidade de mais de 1,5 milhão de aparelhos/ano, confirmando a força da produção local no segmento. Além dessas, empresas como Electrolux, LG, Samsung e Whirlpool também operam montagens no Brasil, beneficiando-se dos incentivos fiscais locais.

No entanto, produzir no Brasil não é isento de desafios. Custos industriais elevados, escala ainda limitada em algumas linhas e a dificuldade em acessar tecnologia de ponta ou componentes específicos podem reduzir a competitividade frente a peças importadas são alguns dos pontos a serem avaliados. Além disso, há escassez de mão de obra especializada em determinados processos, o que muitas vezes exige treinamento ou terceirizações e encarece o produto final.

Essa presença diversificada permite que parte relevante dos equipamentos comercializados no país seja fabricada ou montada localmente, reduzindo o tempo de entrega, facilitando o atendimento técnico e permitindo customizações de acordo com normas brasileiras, como os requisitos de etiquetagem energética e padrões elétricos específicos.

Apesar desses avanços, a cadeia local ainda depende fortemente de componentes importados. A fabricação de placas eletrônicas, sensores, módulos de controle, ventiladores específicos, trocadores de calor de alta densidade e certos modelos de compressores permanece concentrada na Ásia, sobretudo na China.

“Muitos splits montados no Brasil utilizam kits eletrônicos, motores e serpentinas produzidos no exterior, que chegam ao país por meio de distribuidores ou diretamente para as linhas de produção. Isso cria uma produção híbrida, em que o produto final é nacional, mas boa parte dos seus insumos depende de fornecedores internacionais”, informa Leonardo Araujo, Gerente de Relações Institucionais e Governamentais da Midea.

Do ponto de vista econômico, produzir localmente traz benefícios claros: reduz a exposição cambial, encurta o lead time, aumenta a previsibilidade de abastecimento e fortalece fornecedores nacionais, que passam a investir em tecnologia e mão de obra qualificada. Além disso, a proximidade entre fábrica e mercado permite ajustes rápidos de portfólio, adequação a legislações e adaptações a padrões climáticos regionais. A geração de empregos diretos e indiretos reforça o impacto positivo da industrialização no país, ampliando a competitividade do setor.

No entanto, a produção local exige investimentos necessários para instalação de fábricas, aquisição de maquinário, automação e certificações são elevados e exigem escala para que a operação se torne economicamente sustentável. Em mercados altamente competitivos, como o de splits residenciais, a pressão por preços baixos faz com que empresas avaliem com cuidado se vale mais montar localmente ou importar o produto acabado. Questões logísticas internas, como o transporte em longas distâncias dentro do território brasileiro, também afetam a equação de custos, além da complexidade tributária nacional, que pode reduzir margens se não houver incentivos adequados.

Programas de conteúdo local, acordos de desenvolvimento com fornecedores brasileiros, investimentos em pesquisa e inovação e a expansão de polos industriais fortalecem a independência tecnológica da indústria nacional.

“Entre os incentivos fiscais aplicáveis à comercialização da produção para fora da área da Zona Franca de Manaus estão a isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI), as reduções específicas do imposto de importação, isenção do PIS/PASEP e da COFINS nas operações internas da Zona Franca de Manaus, além de outros incentivos de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e crédito estímulo de ICMS. Do ponto de vista logístico, no entanto, existe um desafio a ser superado. Se, por um lado, a sua localização é a mais próxima de grandes mercados externos como a América Central e do Norte, por outro ela está distante de alguns dos principais mercados consumidores do Brasil. Sabe-se que alguns produtos, como o ar condicionado, dependem de modais específicos para manter a sua competitividade, por isso, manter investimentos e discutir alternativas é urgente para que as empresas possam superar adversidades”, comenta Araujo.

Sistema híbrido

Por sua vez, depender exclusivamente de importações traz problemas operacionais: a volatilidade cambial, o aumento de fretes, os prazos imprevisíveis e os gargalos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda ou crise internacional, que podem comprometer cronogramas e inflar preços. Para mitigar esses riscos, muitas empresas participam do Programa Abrava Exporta, uma parceria com a Apex-Brasil, que apoia a internacionalização da indústria HVAC-R nacional. Por meio do programa, as empresas recebem apoio técnico, inteligência de mercado e acesso a feiras.

“Esse esforço de internacionalização reforça a competitividade global da indústria nacional, promovendo a combinação entre produção local e importação, não apenas para atender à demanda doméstica, mas também torna o Brasil um exportador relevante no setor HVAC-R. O modelo híbrido permite aproveitar o melhor dos dois mundos: manutenção da cadeia produtiva local, com empregos, customização e agilidade; e acesso a tecnologias e componentes importados quando necessário, garantindo inovação e eficiência”, informa Paulo Roberto da Silva, Coordenador de Indústria e Serviços da Apex-Brasil.

Silva acrescenta que no setor de HVAC-R, os principais parceiros comerciais do Brasil incluem China, Estados Unidos, e União Europeia (com destaque para Alemanha e Itália). “A China é um grande exportador de componentes e produtos acabados para o Brasil, enquanto os EUA e países da Europa, são tanto fornecedores quanto compradores de produtos mais especializados e com alta demanda em eficiência energética. Os componentes como motores e ventiladores também compõem uma parte significativa das exportações, especialmente em mercados que buscam alta performance em eficiência energética e sustentabilidade”, revela.

“Em última análise, o equilíbrio entre produção nacional e importação tem se mostrado a estratégia mais eficiente para atender à crescente demanda no Brasil, preservando competitividade, assegurando sustentabilidade da cadeia e aumentando a previsibilidade no abastecimento. No ambiente atual, marcado por incertezas cambiais, variabilidade logística e exigências regulatórias, essa flexibilidade estratégica se traduz em resiliência e capacidade de resposta para o futuro do setor HVAC-R no país”, conclui.


Resumen (Español)
La industria de HVAC-R en Brasil adopta un modelo híbrido que combina producción local e importación de componentes para mantener la competitividad frente a una demanda creciente por climatización y mayores exigencias de eficiencia energética. Con plantas industriales instaladas en el país, las empresas logran reducir plazos de entrega, adaptar productos a normas locales y fortalecer la cadena de suministro nacional, aunque siguen dependiendo de insumos estratégicos provenientes principalmente de Asia.

El equilibrio entre fabricar localmente e importar permite mitigar riesgos asociados a la volatilidad cambiaria, costos logísticos y limitaciones tecnológicas. Iniciativas de apoyo a la internacionalización y acuerdos con proveedores refuerzan la capacidad del sector para atender tanto al mercado interno como a las exportaciones, consolidando a Brasil como un actor relevante en la industria HVAC-R.


Summary (English)
Brazil’s HVAC-R industry is increasingly adopting a hybrid model that combines local manufacturing with imported components to remain competitive amid rising demand for air conditioning and stricter energy-efficiency requirements. Domestic production helps shorten delivery times, enable customization to local standards and strengthen supply chains, while key components continue to be sourced mainly from Asia.

Balancing local production and imports reduces exposure to currency volatility, logistics disruptions and technological constraints. Support programs for internationalization and partnerships with local suppliers enhance the sector’s ability to serve both domestic and export markets, positioning Brazil as a relevant player in the global HVAC-R industry.

O avanço dos refrigerantes ilegais e seus impactos no HVAC-R brasileiro

O mercado paralelo de fluidos refrigerantes ameaça a segurança, compromete a eficiência dos sistemas e cria uma concorrência desleal que exige ação conjunta de toda a cadeia do setor

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O mercado brasileiro de refrigeração e ar-condicionado convive há anos com a presença de refrigerantes vendidos de forma irregular, desde lotes contrabandeados até cilindros falsificados, blends não identificados e recargas clandestinas. Além do evidente risco ambiental e à segurança, a prática prospera porque, em muitos casos, o refrigerante ilegal custa muito menos do que o produto legal, criando um incentivo econômico imediato para instaladores, lojistas e usuários finais. Mas por que a diferença de preço é tão grande e quais fatores mantêm o circuito ilegal ativo? A elevação dos preços dos refrigerantes regulamentados tem várias origens: políticas de redução de oferta, custos de conformidade (licenças, certificações e rotulagem), tributos e taxas de importação, além do custo logístico de fornecedores homologados. Quando políticas de restrição de oferta (como as metas do Protocolo de Kigali para redução de HFCs) entram em vigor, o volume legal disponível cai e o preço sobe, e isso abre espaço para que fornecedores ilícitos ofereçam produto por valores muito abaixo do mercado regulado. Investigações internacionais mostram que, onde houve redução de quotas, o mercado ilegal cresceu porque compradores buscaram alternativas mais baratas.

Para Frank Amorim, analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sem dúvida, o baixo custo é o grande atrativo. Contudo, como todo mercado ilegal, o grande problema é a falta de consciência e responsabilidade de quem vende e, também, de quem compra este tipo de produto.

“Na nossa visão, é um desafio crônico e perigoso: a circulação de fluidos refrigerantes ilegais, falsificados ou fora da regulamentação. Longe de ser apenas uma questão de concorrência desleal, este problema traz sérias implicações para o meio ambiente, a segurança de técnicos/as e dos usuários/as (empresas e consumidores finais), e na integridade dos equipamentos. Além de poder causar danos graves aos equipamentos (deterioração e corrosão), podem levar à perda de eficiência energética e desempenho, resultando em maior consumo de eletricidade para o usuário (empresas e consumidores finais). Portanto, é um problema tão complexo que entendemos que exige esforços e sinergia de ações entre todos (governo, setor privado e sociedade)”, informa.

Relatórios internacionais e iniciativas brasileiras mostram que o problema é real, internacional e solucionável, mas depende de investimento e cooperação sustentada. Grande parte do produto ilegal vem de mercados onde a produção é barata e o controle aduaneiro é mais frágil. Relatórios de organizações ambientais e operações de fiscalização mostram rotas de entrada por aeroportos, portos e até transporte rodoviário irregular, inclusive com uso de cilindros descartáveis e embalagens falsificadas que driblam controles e tornam possível vender o refrigerante a preços muito inferiores aos praticados por distribuidores legais. Essa disponibilidade externa pressiona os preços e enfraquece o esforço regulatório.

“Um dos principais riscos, falando de fluidos refrigerantes sobre os quais não sabemos a procedência, é a falta de qualidade conforme as normas (ABNT, por exemplo, que tem normas quanto à qualidade, pureza e rotulagem dos fluidos). Então, o/a técnico/a que compra esses produtos não saberá exatamente a composição do fluido que está usando. Esse fluido pode ter um rótulo de R-22, por exemplo, mas pode ter uma porcentagem de fluidos inflamáveis, sem mencionar, o que é um grande risco à segurança do técnico e do usuário. Nosso Projeto para o Setor de Serviços de Refrigeração e Climatização do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), realizado sob coordenação do MMA no âmbito do Protocolo de Montreal, atua com foco nas “Boas Práticas de Refrigeração” visando capacitar os profissionais da área. Essas boas práticas incluem que os técnicos utilizem fluidos refrigerantes somente conforme as normas (legais) e corretamente (sem deixar vazar no meio ambiente)”, esclarece Stefanie von Heinemann, consultora e gerente de Projetos da Cooperação Alemã para o Desenvolvimento Sustentável, por meio da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH – agência bilateral parceira do PBH.

Segundo Stefanie, pelo PBH, foram capacitados gratuitamente mais de 17 mil técnicos/as em todo o Brasil, até hoje. Contudo, o impacto do programa é ainda maior, porque todas as escolas parcerias, que são dotadas de tecnologia de ponta (equipamentos e ferramentas doados pelo projeto) assimilam as técnicas de Boas Práticas dos cursos do PBH, nos seus próprios cursos técnicos (mecânica e refrigeração), ampliando a disseminação desse conhecimento.

“Neste ano, cientes da tendência de maior uso de fluidos naturais (como propano) no mercado brasileiro, lançamos o curso Treinamento para Uso Seguro e Eficiente de Fluidos Inflamáveis em Sistemas de Ar Condicionado, que está sendo ministrado por instrutores capacitados pelo projeto em 5 escolas parcerias do PBH, de cinco estados, que contemplam as regiões geográficas do país: Centro Oeste (GO); Nordeste (RN); Norte (RO); Sudeste (SP); e Sul (PR). E já estamos trabalhando para que no próximo ano, esse curso seja ampliado para pelo menos mais 5 escolas, em outros estados.  Nossa meta é capacitar 5.000 mil profissionais. Além disso, entendemos que não são só os fluidos refrigerantes que devem seguir as normas e serem bem certificados, mas os profissionais também precisam ser certificados. Para tanto, acabamos de lançar uma “Licitação para a Criação de um Sistema Piloto de Qualificação, Certificação e Registro (QCR) no Setor de Refrigeração”. Nosso objetivo é criar um esquema que melhore a regulamentação do ambiente profissional, reduza os vazamentos de fluidos refrigerantes e garanta a introdução segura de alternativas aos HCFCs, o que coopera diretamente para o combate ao uso de fluidos refrigerantes fora das normas e, portanto, ilegais. Para que esse sistema de certificação, cujo projeto piloto será iniciado em 2026, funcione e tenha sucesso, iremos contar com o importante apoio da sociedade, por meio das escolas técnicas e das entidades do setor parceiras do Programa, como a ABRAVA e a ASBRAV”, informa Stefanie.

Impacto do uso de substâncias não autorizadas no Brasil

O uso de substâncias não autorizadas no Brasil, especialmente no setor de HVAC-R, tem ampliado riscos ambientais, econômicos e operacionais. A entrada de produtos sem certificação compromete a segurança dos sistemas, aumenta a probabilidade de falhas e eleva as emissões de gases de efeito estufa. Além disso, a prática causa distorções competitivas ao favorecer quem opera fora das normas. Para o consumidor, o barato pode sair caro: equipamentos perdem eficiência, sofrem danos e têm sua vida útil reduzida. O problema, embora conhecido, segue crescendo e exige ações coordenadas de fiscalização, educação técnica e responsabilização da cadeia.

“O impacto do uso de substâncias ilegais pode prejudicar todo o trabalho que realizamos com foco na proteção do meio ambiente, no âmbito do Protocolo de Montreal no Brasil. Por exemplo, nós eliminamos o consumo dos CFCs, em 2010, se entram CFCs por contrabando seria um retrocesso em relação à Proteção da Camada de Ozônio e, também, do clima, porque os CFCs têm um alto potencial de aquecimento global. Da mesma forma, o comércio ilegal pode impactar negativamente no controle dos HCFCs (R-22), que pelas nossas metas será eliminado até 2030. Já pensando na Emenda de Kigali e no comércio ilegal de HFCs, ainda estamos no início da implementação do plano para redução do uso desses fluidos no país. Como estamos traçando uma linha de base de consumo, com base em estatísticas oficiais, se houver a entrada de muitos HFCs contrabandeados, essa linha de consumo no Brasil se tornará irreal, e então teremos problemas sérios na implementação das nossas metas no âmbito do Protocolo de Montreal”, reforça Amorim.

Ele acrescenta que os produtos legais possuem rótulos em conformidade com as normas técnicas, têm procedência garantida e são adquiridos por meio de nota fiscal, com os produtos/substâncias devidamente discriminados pelos distribuidores/fabricantes. Se os fluidos refrigerantes forem sempre comprados em estabelecimentos credenciados e da forma correta, o espaço do comércio ilegal será praticamente nulo. Além disso, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) vem trabalhando em uma nova instrução normativa que estabelecerá a obrigatoriedade de que os fluidos refrigerantes comercializados devem atender aos requisitos de pureza estabelecidos na Norma ABNT NBR 16.667, o que contribuirá para a conformidade dos produtos.

“Importante destacar que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desempenha um papel central e essencial no controle de substâncias como os fluidos refrigerantes no Brasil. Sua atuação está diretamente ligada ao cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo país, principalmente o Protocolo de Montreal sobre Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio.  O Ibama controla a importação e exportação. É a autoridade responsável por controlar e fiscalizar a entrada e saída de fluidos refrigerantes controlados (como os HCFCs e, mais recentemente, os HFCs, devido ao seu alto Potencial de Aquecimento Global – GWP) no território nacional, em portos e aeroportos. Isso inclui a verificação do conteúdo dos cilindros para combater o comércio ilegal. Destaco também que a extensa faixa de fronteira terrestre e marítima do país, combinada com a complexidade e o volume do comércio internacional, torna o combate ao contrabando de fluidos refrigerantes um desafio constante para o Ibama e órgãos parceiros como a Receita Federal, daí a importância de todo o apoio da sociedade nesse combate. No âmbito da Etapa III do PBH, sob a Coordenação do MMA e implementação do PNUD, serão realizadas ações voltadas para o fortalecimento da fiscalização por órgãos de controle em nível federal, estadual e municipal, para a capacitação dos agentes fiscalização e disponibilização de equipamentos para a identificação dos fluidos refrigerantes. Essas ações contribuirão para coibir o comércio e a importação ilegal de fluidos refrigerantes”, diz o analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Quanto a conscientização, para Stefanie, além das ações de treinamento e do projeto piloto de certificação dos profissionais, o Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores em Fluidos Naturais do PBH resultou em 39 instrutores qualificados no curso “Uso Seguro e Eficiente de CO2‚  e R-290 em Sistemas de Refrigeração Comercial”. São instrutores que irão capacitar centenas de alunos/as nos próximos anos em escolas nas 5 regiões do país.

“Durante o encontro, que ocorreu no novo ‘Laboratório Modelo Mini Supermercado com Fluidos Refrigerantes Naturais: CO2‚  e R-290 do PBH’, localizado na escola Firjan SENAI Benfica, no Rio de Janeiro-RJ, o tema ‘fluidos refrigerantes ilegais’ foi bastante debatido.  Os instrutores relataram que seus alunos estão bastante preocupados com esse tema, por causa da possibilidade de acidentes graves em campo, motivada pelo alto volume de produtos oferecidos a baixo custo.  Ao longo do debate sobre o tema, durante o treinamento, foram destacadas pelos instrutores-especialistas do PBH, que ministraram o curso, as orientações de Boas Práticas em Refrigeração, que devem ser reforçadas aos alunos, no processo de maior conscientização dos profissionais da área sobre o tema.  Além disso, foi destacado que é importante a sociedade fiscalizar também e que as irregularidades com fluidos refrigerantes (ilegais, falsificados ou fora da regulamentação, inclusive com rótulos que não deixam claro o uso de fluidos inflamáveis) devem ser denunciadas aos órgãos oficiais (Ibama, Procon, etc.) e para as entidades da sociedade, nos seus fóruns específicos” comemora.

 Diferentes elos da cadeia com atuação integrada

O combate ao uso de refrigerantes ilegais no Brasil exige uma atuação integrada entre fabricantes, distribuidores, lojistas e técnicos, cada um responsável por uma parte essencial da solução. Fabricantes podem fortalecer a rastreabilidade, garantir informação clara e ampliar ações de conscientização sobre riscos e impactos ambientais. Distribuidores e lojistas, por sua vez, têm papel decisivo ao adotar políticas rígidas de compra, checar procedência e assegurar que apenas produtos regulamentados cheguem ao mercado. Já os profissionais técnicos, que estão na ponta do atendimento, influenciam diretamente o comportamento do consumidor ao orientar sobre segurança, eficiência e conformidade. Quando esses elos trabalham alinhados, cria-se uma cultura de responsabilidade que reduz incentivos ao mercado ilegal, protege equipamentos e reforça o compromisso do setor com práticas sustentáveis.

Encontro Nacional de Treinamento de Treinadores resultou em 39 instrutores qualificados

“Acreditamos que só uma ação coordenada, a médio e longo prazo, entre governo, setor privado (fabricantes, distribuidores e revendedores) e sociedade (profissionais da refrigeração e usuários em especial) será efetiva no combate aos fluidos refrigerantes ilegais no país. Todos precisam fazer a sua parte. A responsabilidade de exigir comprovação da compra e venda de fluidos refrigerantes, por exemplo, é de todos. Os fabricantes devem garantir os registros dos fluidos no Ibama; os distribuidores e o varejo devem conferir e só podem vender produtos com procedência confirmada; e os profissionais, como os técnicos/as de refrigeração, também devem estar atentos a esse controle e só comprar produto de origem legal. Da mesma forma, os usuários (empresas e consumidores) devem exigir a nota fiscal dos fluidos refrigerantes colocados em seus aparelhos/sistemas, além de contratar somente profissionais habilitados (técnicos formados pelo SENAI e Institutos Federais, por exemplo) que, no futuro, como planejamos, serão certificados pelo sistema QCR que implantaremos a partir de 2026”, conclui Stefanie.

 


Resumen (Español)

El avance del comercio ilegal de refrigerantes en Brasil representa un riesgo creciente para el sector de refrigeración y aire acondicionado. Productos sin certificación, falsificados o de origen desconocido comprometen la seguridad de técnicos y usuarios, reducen la eficiencia energética de los equipos y generan impactos ambientales relevantes, además de distorsionar la competencia al ofrecer precios muy inferiores a los del mercado regulado.

Autoridades ambientales y programas internacionales alertan que el problema afecta directamente el cumplimiento de los compromisos asumidos por Brasil en el Protocolo de Montreal y la Enmienda de Kigali. Iniciativas de capacitación técnica, certificación profesional y fortalecimiento de la fiscalización buscan contener el mercado ilegal, pero el enfrentamiento del problema exige una acción coordinada entre gobierno, sector privado y sociedad.


Summary (English)

The growth of illegal refrigerant trade in Brazil poses increasing risks to the HVAC-R sector. Uncertified, counterfeit or undocumented products jeopardize technician and user safety, reduce system efficiency, and intensify environmental impacts, while creating unfair competition through significantly lower prices than those in the regulated market.

Environmental authorities and international programs warn that illegal refrigerants threaten Brazil’s commitments under the Montreal Protocol and the Kigali Amendment. Technical training, professional certification and stronger enforcement are key measures to curb this practice, but effective results depend on coordinated action among government, industry stakeholders and society as a whole.

Nova gestão assume o DNIM da ABRAVA

Diretoria 2025–2027 prioriza formação profissional, segurança operacional e avanço regulatório no setor de instalação e manutenção de HVAC-R.

O Departamento Nacional de Instalação e Manutenção (DNIM), da ABRAVA, anunciou a nova gestão para o biênio 2025–2027, coordenada por Mariangela Rolfini e Rodrigo Men, com participação de Sergio Levi,  Paulo Ruba, e Celso Kochi. O grupo inicia o ciclo com foco em formação profissional, segurança operacional e alinhamento às diretrizes estratégicas de Descarbonização, Segurança Alimentar e Qualidade do Ar Interno.

A mensagem ao mercado destaca o compromisso em ampliar a representatividade das empresas do segmento, com ênfase na clareza regulatória e na orientação administrativa. Segundo Rodrigo Men, a gestão pretende apoiar instaladoras na estruturação de processos e no controle de custos, reforçando que qualificação técnica e organização empresarial são complementares.

O planejamento da gestão contempla duas frentes principais: qualificação de mão de obra e legislação. As etapas incluem reorganização interna, revisão dos cursos em parceria com o Departamento de Cursos da ABRAVA e retomada de parcerias estratégicas para ampliar a oferta de capacitações. A médio prazo, está prevista a criação de novos programas técnicos e administrativos, além do diálogo com órgãos reguladores para propostas legislativas que elevem padrões de segurança e eficiência nas instalações e manutenções de HVAC-R.

Mariangela Rolfini afirma que as ações previstas buscam fortalecer a imagem técnica do departamento e ampliar sua autoridade no setor. A gestão pretende estruturar contribuições para uma legislação nacional que permita uma transição normativa faseada, atendendo às demandas de técnicos, empresas e usuários.


Resumen (español)

La nueva gestión del Departamento Nacional de Instalación y Mantenimiento (DNIM) de la ABRAVA, liderada por Mariangela Rolfini y Rodrigo Men, inicia el ciclo 2025–2027 con enfoque en formación profesional, seguridad operativa y fortalecimiento regulatorio en el sector de HVAC-R. El plan incluye reorganización interna, revisión de cursos y nuevas alianzas estratégicas para ampliar la capacitación técnica y administrativa.
La dirección busca avanzar en propuestas legislativas nacionales que eleven los estándares de seguridad y eficiencia en instalaciones y mantenimiento, reforzando la representación de empresas y la autoridad técnica del departamento.

Summary (English)

The National Department of Installation and Maintenance (DNIM) of ABRAVA has appointed its 2025–2027 leadership, headed by Mariangela Rolfini and Rodrigo Men. The new board focuses on professional training, operational safety, and regulatory development within the HVAC-R installation and maintenance sector. Planned actions include internal restructuring, course updates, and renewed strategic partnerships to expand technical and administrative training.
The management intends to contribute to national legislation that raises safety and efficiency standards for HVAC-R installations and maintenance, strengthening the sector’s representation and the department’s technical authority.

64ª Noite do Pinguim reúne profissionais do HVAC-R em São Paulo

 Evento da ABRAVA marca homenagens, transição de comissão e programação musical

A 64ª Noite do Pinguim da ABRAVA ocorreu em 5 de dezembro, na Casa Giardini, em São Paulo, e reuniu mais de 400 profissionais, parceiros e convidados do setor. O encontro teve como propósito celebrar as ações previstas para 2025, realizar homenagens e promover interação entre representantes do HVAC-R.

Anicia Pio Pio, da FIESP, recebeu reconhecimento pela contribuição ao setor. Carim Facuri, fundador da Traydus, também foi homenageado pela atuação na área de HVAC-R. O evento marcou ainda a transição da presidência da comissão organizadora: após 12 anos, Eduardo Brunacci deixou o cargo, que passou à diretora social Patrice Tosi.

A programação incluiu apresentação da banda Beatles Forever e a realização da tradicional Faixa Nobre. A ABRAVA registrou agradecimento aos patrocinadores, convidados e parceiros que participaram da 64ª edição.

Agenda HVAC-R 2026

Calendário reúne eventos no Brasil e no exterior, incluindo etapas do Circuito dos Instaladores

A programação de eventos de climatização e refrigeração em 2026 inclui feiras nacionais e internacionais, além do calendário completo do Circuito dos Instaladores, com datas e locais definidos pelas organizações responsáveis.

FEVEREIRO

AHR EXPO

Data: 2 a 4 de fevereiro de 2026

Local: Las Vegas Convention Center – Las Vegas – EUA

Informação: ahrexpo.com

 

WARSAW HVAC EXPO

Data: 24 a 26 de fevereiro de 2026

Local: Ptak Warsaw Expo – Varsóvia – Polônia

Informação: warsawhvacexpo.com

 

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Ribeirão Preto

Data: 26 e 27 de fevereiro de 2026

Local: Ribeirão Preto – SP – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

MARÇO

ACREX INDIA

Data: 12 a 14 de março de 2026

Local: Bombay Exhibition Centre (BEC) – Mumbai – Índia

Informação: acrex.in

 

MCE – MOSTRA CONVEGNO EXPOCOMFORT

Data: 24 a 27 de março de 2026

Local: Fiera Milano – Milão – Itália

Informação: mcexpocomfort.it

 

ABRIL

FEICON

Data: 23 a 26 de abril de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo – SP – Brasil

Informação: feicon.com.br

 

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Cuiabá

Data: 22, 23 e 24 de abril de 2026

Local: Cuiabá – MT – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

MAIO

APAS SHOW

Data: 18 a 21 de maio de 2026

Local: Expo Center Norte – São Paulo – SP – Brasil

Informação: apasshow.com

 

HOSPITALAR

Data: 19 a 22 de maio de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo – SP – Brasil

Informação: www.hospitalar.com

 

FISPAL FOOD SERVICE

Data: 26 a 29 de maio de 2026

Local: Distrito Anhembi – São Paulo – SP – Brasil

Informação: fispalfoodservice.com.br

 

 

JUNHO

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Aracaju

Data: 3, 4 e 5 de junho de 2026

Local: Aracaju – SE – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

TECNOCARNE

Data: 16 a 19 de junho de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo – SP – Brasil

Informação: tecnocarne.com.br

 

TROFÉU OSWALDO MOREIRA – TOM 2026

Data: 18 junho de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo – SP – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

FISPAL TECNOLOGIA

Data: 16 a 19 de junho de 2026

Local: São Paulo Expo – São Paulo – SP – Brasil

Informação: fispaltecnologia.com.br

 

AIRCON 2026

Data: 22 a 25 de junho de 2026

Local: Distrito Anhembi – São Paulo – SP – Brasil

Informação: airconfair.com.br/

 

 

AGOSTO

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Imperatriz

Data: 19, 20 e 21 de agosto de 2026

Local: Imperatriz – MA – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

SETEMBRO

MERCOFRIO

Data: 15 a 17 de setembro de 2026

Local: Porto Alegre – RS – Brasil

Informação: abrava.com.br

 

EQUIPOTEL

Data: 15 a 18 de setembro de 2026

Local: Expo Center Norte – São Paulo – SP – Brasil

Informação: equipotel.com.br

 

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Maceió

Data: 23, 24 e 25 de setembro de 2026

Local: Maceió – AL – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

OUTUBRO

FEBRAVA RIO

Data: 6 a 8 de outubro de 2026

Local: Riocentro – Rio de Janeiro – RJ – Brasil

Informação: febrava.com.br

 

CHILLVENTA

Data: 13 a 15 de outubro de 2026

Local: Exhibition Centre Nuremberg – Nuremberg – Alemanha

Informação: chillventa.de

 

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Joinville

Data: 21, 22 e 23 de outubro de 2026

Local: Joinville – SC – Brasil

Informação: revistadofrio.com.br

 

NOVEMBRO

CIRCUITO DOS INSTALADORES – Ciudad del Este

Data: 18, 19 e 20 de novembro de 2026

Local: Ciudad del Este – Paraguai

Informação: revistadofrio.com.br

Quando nem o ar-condicionado de frigorífico resolve

Influenciadora instala ar-condicionado de câmaras frias para enfrentar calor da pré-menopausa; conta de luz ultrapassa R$ 5 mil e caso repercute na internet.

Em post nas redes sociais, a influenciadora Ana Paula Oliveira relatou que, diante das ondas de calor intensas da pré-menopausa, instalou em casa um equipamento de refrigeração utilizado em câmaras frias. A decisão ocorreu após considerar insuficientes os aparelhos domésticos. A conta de luz ultrapassou R$ 5 mil após alguns dias de uso.

O episódio repercutiu e trouxe atenção para práticas inadequadas de climatização. O conforto térmico depende de variáveis como dimensionamento correto, manutenção, escolha de modelos eficientes e uso racional de temperatura.

Segundo o Inmetro, operar aparelhos residenciais entre 23 °C e 25 °C reduz o consumo e mantém o conforto térmico. Temperaturas muito baixas, comuns entre usuários que deixam entre 15 °C e 16 °C a depender o tipo de aparelho, elevam o gasto energético e exigem mais do compressor. Boas práticas também envolvem vedação adequada, filtros limpos e seleção de equipamentos com classificação de eficiência “A+++.”.

O caso expõe a necessidade de ampliar a orientação técnica ao consumidor sobre o uso responsável de climatização. A adoção improvisada de sistemas industriais em residências é economicamente ineficiente e pode comprometer a durabilidade dos equipamentos.

O episódio envolvendo Ana Paula Oliveira reforça a busca crescente por conforto térmico, mas evidencia a importância de seguir parâmetros técnicos e práticas de eficiência energética no uso do ar-condicionado.

Setor discute Estratégia da Etapa I do Programa HFCs

Plano prevê redução de 10% do consumo nacional de HFCs até 2029, alinhado à Emenda de Kigali

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) promoveram, em 1º de dezembro, no auditório da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), em São Paulo-SP, a apresentação da proposta da Estratégia para a Etapa I do Programa Brasileiro de Redução do Consumo de Hidrofluorcarbonos (HFCs). O encontro ocorreu em formato presencial e online, com participação de representantes do setor produtivo, associações, consultores e especialistas.

A proposta apresentada integra o compromisso brasileiro com a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal. A Etapa I do Programa HFCs será implementada entre 2027 e 2032 e prevê ações para reduzir 7.289.768 t CO₂ equivalente, volume correspondente a 10% da linha de base nacional. As diretrizes discutidas tratam do consumo de HFCs por setores, da transição tecnológica e de medidas para apoiar a implementação multissetorial.

O evento teve abertura de Leonardo Cozac, ABRAVA; Thiago Rodrigues, Eletros; e Frank Amorim, MMA. Foram apresentados diagnósticos, projeções e ações regulatórias, incluindo limites máximos de GWP por tipo de equipamento, a proibição do uso de HFC-134a e R-410A na manufatura de equipamentos de refrigeração doméstica e ar condicionado residencial a partir de 2029, além da internalização de normas internacionais e atualização de etiquetagem de eficiência energética.

Frank Amorim, MMA, tratou do perfil de consumo de HFCs e projeções até 2035. Ana Paula Leal, PNUD, apresentou cenários de crescimento para refrigeração e ar condicionado, indicando que, sem ações, o consumo poderá chegar a 55 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2035, acima do limite de 51 milhões. Arcanjo Miguel Pacheco, IBAMA, esclareceu pontos sobre a instrução normativa referente à importação de HFCs e sobre o processo de consulta pública previsto para 2025.

Edgard Neto, PNUD, detalhou o plano setorial para refrigeração comercial leve, a conversão tecnológica em equipamentos de baixo GWP e projetos para o setor automotivo. Sérgia Oliveira e David Marcucci, UNIDO, abordaram iniciativas para refrigeração industrial e bombas de calor, incluindo sistemas modulares com amônia. Stefanie von Heinemann, GIZ, apresentou ações de capacitação, boas práticas e o futuro projeto de Qualificação, Certificação e Registro (QCR) de técnicos do subsetor de refrigeração comercial.

A audiência participou com perguntas e sugestões que poderão ser incorporadas ao documento atualmente em Consulta Pública. Contribuições à Estratégia da Etapa I do Programa HFCs poderão ser enviadas de 27 de novembro a 27 de dezembro de 2025 por cidadãos, empresas, entidades e especialistas.