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Mercado de controladores segue de vento em popa

01/03/2008

O atual momento que atravessa o setor de controles eletrônicos é um dos melhores dos últimos tempos motivado, em grande parte, pelo fato de a automação ter se consolidado no mercado não mais como artigo de luxo, mas sim como necessidade.

A procura tem sido maior, principalmente, quando se trata de atingir a uma necessidade específica, muito própria a determinada instalação, o que já leva boa parte dos usuários a colocarem qualidade acima de preço ao especificar uma obra.

É nisso que acreditam profissionais de área como Paulo César Mariotto, gerente de Vendas da Divisão de Supermercados da Danfoss. Segundo ele, os clientes estão entendendo cada vez mais que tecnologia é investimento, e não custo. “Os supermercados, por exemplo, já perceberam que os controles bem aplicados ao seu negócio, reduzem a necessidade de manutenção e, sobretudo, perdas de produtos, além de racionalizar o consumo de energia e fornecer um histórico completo, o que resulta numa operação mais eficiente e lucrativa”, analisa.

Rudinei Cristian Zimmermann, gerente Comercial da Inova, também acredita no potencial do mercado de controladores. “As empresas estão investindo no aprimoramento dos equipamentos e na automação de processos, devido à preocupação com a qualidade transmitida aos clientes e também no cumprimento das normas exigidas pelo mercado”, complementa.

O relativo barateamento desse item também tem favorecido o atual panorama favorável na área, pois hoje o usuário não tem tantas dificuldades, como no passado, para adquirir um bom controle. “Assim, o consumidor pode optar por um produto de melhor qualidade e funcionalidade, pois a diferença de preços frente ao valor do equipamento é quase insignificante”, reflete Fabio Cardoso, há oito anos diretor Comercial da Every Control.

Diante desses aspectos, bem como da estabilidade na economia e do aumento no poder aquisitivo dos brasileiros, a situação atual é digna de comemorações. “Ainda mais estimulante é ver a resposta positiva e a motivação por parte de todos os nossos principais parceiros, distribuidores, revendas e grandes fabricantes, pois estão confiantes em um ótimo 2008, inclusive com base em pedidos e programações já em andamento”, assinala Marlon Madalena Derosa, gestor de Produto da InControl.

O investimento em grandes projetos, possibilitado pelo crescimento da construção civil, também tem animado bastante o setor. “Percebemos que as grandes construtoras do nosso país estão apostando em edificações com alto grau de sofisticação, onde existe uma demanda enorme a produtos de comando, controle e proteção”, sinaliza o gerente de Vendas da Weg, Marcelo Palavani.

Mas não é só no presente que estão focadas as atenções dos empresários do segmento, havendo os que já se preparam para incrementar a comercialização em decorrência de futuras possibilidades. “Diante da ameaça de escassez de energia elétrica, a tendência das tarifas é mesmo disparar, então, sistemas de controles que proporcionem economia de energia em função da inteligência colocada em seus chips são vistos como oportunidades”, afirma o diretor da Full Gauge, Antonio Gobbi.
Embora haja tantos bons presságios, o diretor de Tecnologia da Novus Produtos, Marcos Dillenburg, acredita que também haja forças atuando no sentido contrário. “Nossa missão é deslocar as forças negativas para que se somem às positivas. Pelo lado negativo vemos a baixa do dólar favorecendo os competidores importados no mercado nacional e a elevação de qualidade de muitos produtos asiáticos, tradicionalmente competitivos em preço. Pelo lado positivo, vemos o mercado global em expansão”, aponta ele, destacando que em 2007 sua empresa exportou para mais de 40 países, como resultado de um longo trabalho de melhoria da qualidade, redução de custos e prospecção do mercado internacional, que culminou na abertura de escritório e depósito de produtos no mercado norte-americano.

Mudando para melhor
Pode-se dizer que a economia estável, o aumento do crédito, o bom momento da construção civil, a baixa dos preços e a maior consciência do consumidor em relação à utilidade dos controles eletrônicos são aspectos de peso para o aumento da demanda, porém isso não seria possível se, junto com todos esses fatores não houvesse a evolução constante do segmento.
Dentre os sinais inequívocos disso estão a melhora na eficiência energética, o aperfeiçoamento tecnológico, a integração de sistemas e a sustentabilidade, desde o projeto até a implantação. A especialização na área é igualmente notável, fazendo dos itens cada vez mais requisitados quando o primordial é manter as variáveis no nível adequado, principalmente em se tratando de refrigeração.

“No passado, em muitos processos industriais, utilizava-se instrumentos com poucos recursos de automação, controle apenas local e havia um grau de incerteza muito maior. Já existiam sistemas sofisticados, mas eram, em sua maioria, importados e extremamente caros, exigindo uma engenharia especializada e de alto custo. Com a evolução da eletrônica e a difusão da informática, vieram novos conceitos de instrumentos de controle e comunicação mais refinados, custos acessíveis e aplicações mais simples, moldadas ao porte e às necessidades do processo”, avalia Adalberto Barreira Macedo, diretor-presidente da Contemp.

Diante de tal cenário, muitos empresários do setor, como o diretor de Tecnologia da gaúcha Novus Produtos, empresa que mantêm filiais em Curitiba, São Paulo, Argentina, México e Estados Unidos, defendem a idéia de que este avanço não sofrerá retrocessos. “O segmento vem sofrendo grande melhoria. No plano técnico, os componentes eletrônicos cada vez mais incorporam capacidade de memória e velocidade de processamento maiores, viabilizando funcionalidades mais avançadas a custo e dimensões progressivamente menores”, identifica

“Sistemas e controles mais competentes estão a cada ano mais presentes e continuará assim com o aperfeiçoamento tecnológico dos equipamentos e projetos”, emenda Reginaldo de Almeida, engenheiro Projetista da Sictron Sistemas e Controles Elétricos Indústria e Comércio Ltda.

Para Vinicius Estevão do Couto, vendedor técnico de automação da Encon, indústria fundada em 1987 e atualmente estabelecida em Santo André, o atendimento cada vez mais preciso às exigências dos usuários vai permitir uma inevitável e positiva movimentação no mercado. “Estamos na era da evolução, tudo se desatualiza muito rápido. Em pouco tempo, temos lançamento de novos produtos mais práticos e de fácil manuseio, favorecendo a prática e a comodidade”, resume o profissional.

A atmosfera de confiança na capacidade do setor tem mobilizado empresários do Frio a equipararem os controles nacionais aos importados, no tocante aos níveis de tecnologia, recursos e funcionalidades. É o caso do coordenador da Divisão de Sistemas da Digimec, Roberto Bilevic, para quem o desenvolvimento brasileiro foi tamanho que, atualmente, os equipamentos do País não ficam devendo nada aos de fora. “Devido ao avanço da tecnologia microprocessada ocorrida nos últimos anos, houve uma evolução na eletrônica dos controladores com redução significativa de preços, assim, hoje a indústria nacional compete em igualdade com qualquer produto importado”, avalia o tecnólogo.

Um outro motivo para essa eqüidade, segundo a gerente de Marketing da Microblau, Luciana Kimi, foi a globalização, fator de aproximação entre as nações. “Controladores fabricados no Brasil atingiram o nível mundial, é o que chamamos de ‘tecnologia nacional com qualidade internacional’. Acredito que o aproveitamento do Wi-Fi (sem fio) pode gerar um bom resultado no quesito redução de custos e operação facilitada”, defende.

Prova de que a baixa no preço dos componentes é um dos fatores para a demanda elevada e a alta tecnologia atuais é dado pela RCL, fabricante paulistana de sensores e sondas de temperatura. “Nós fizemos um barateamento dos microcontroladores, porque eles são o coraçãozinho de qualquer produto eletrônico, e como estavam em escala muito grande de produção, o preço caiu e as indústrias brasileiras tiveram acesso à tecnologia, podendo utilizá-los rumo à evolução”, conclui seu gerente de Engenharia, Leonardo Puschiavo.

A inegável evolução dos controles eletrônicos tem mudado, inclusive, a percepção que os usuários tinham de tais produtos, fazendo-os perceber que eles foram muito além da condição de um ‘serviço’ para armazenagem de informações importantes. “Vemos que hoje os inversores de freqüência e controladores programáveis não são ‘caixas pretas’ como foram há dez anos, sendo que qualquer pessoa habilitada na área elétrica tem total condição de operar esses equipamentos”, opina Marcelo Palavani, da Weg.
Antonio Gobbi, porém, faz um alerta: as mudanças vêm sem dúvida, mas as instituições precisam estar preparadas, até mesmo com o objetivo de contribuir para que o setor ganhe ainda mais destaque. “A maioria das empresas atingiu um certo nível e se acomodou; felizmente, outras continuaram investindo, desenvolvem novas tecnologias e conseguem levar o segmento a uma evolução ampla fazendo, por exemplo, com que não se admita mais que os equipamentos funcionem sozinhos, sem que o usuário consiga gerenciá-los remotamente”, finaliza.

Segundo Fábio Ricardo Rigon Gambini, gerente Comercial da Instrutemp, o ponto abordado por Gobbi com relação ao uso da internet é um dos mais importantes na linha evolutiva dos controladores. “Por questões de economia, a web se tornou um veículo de ligação entre filiais a um custo próximo de zero, o que permitiu a sistemas de controle e automação trabalhar em série conectando diferentes localidades”, resume.

Porém, na avaliação de Marcos Eugênio Dauernheimer, sócio-fundador da Digiport, a integração com sistemas de controle de produção em plataforma alta são mais efetivos a longo prazo, embora enfatize que a crescente utilização da Internet possibilitou o que ele considera o maior avanço da área, focado no desenvolvimento de aplicativos para o monitoramento remoto de controladores, notadamente nas aplicações supervisórias e sistemas web baseados em tecnologia TCP/IP.

Próximos passos
No campo das tendências, o setor de controles apontam para caminhos tão evidentes quanto sua predisposição para evoluir sempre.

Uma delas é a adoção cada vez mais freqüente de protocolos abertos de comunicação entre as diferentes marcas, um processo cheio de desafios, segundo o diretor da Honeywell do Brasil. “Esse tema é sempre motivo de discussão entre fabricantes, projetistas, integradores e instaladores porém, na maioria das vezes, não é um tema de interesse do consumidor final que, geralmente, não tem conhecimento necessário para discernir entre as vantagens e desvantagens de cada protocolo. A tendência para essa questão é a elaboração de controladores capazes de interagir com todos os protocolos existentes, trazendo benefícios como flexibilidade e facilidade de operação ao usuário final”, avalia Gilberto Machado.

A integração com os equipamentos (unidades de ventilação, fancoils, câmaras frias), barramentos padrões (BAcNet, LonWorks), comunicação wireless, sistemas de otimização energética, dentre outros recursos para edificações, tende a evoluir ainda mais, nas palavras de Mario Filho, gerente Executivo da Divisão de Sistemas da Johnson Controls.

Já para o diretor Comercial da Globus, Gilberto Rossato de Medeiros, outro bom nicho para as empresas fabricantes de controladores é o investimento em controle centralizado em PCs, com supervisão local e remota.

“Outra tendência é o monitoramento centralizado, onde a central única pode monitorar várias lojas de uma cadeia por meio de um único ponto, com pessoal especializado, tomando ações a distância, sejam elas preventivas ou corretivas”, reforça Paulo César Mariotto, da Danfoss.

A junção de tecnologias de comunicação com os controles microprocessados é outra vertente muito interessante, na visão de Luciana Kimi, da Microblau. “Atualmente a automação está mais presente no nosso dia-a-dia do que aparenta. Ter uma geladeira que controla a quantidade de alimentos e que avisa o proprietário, por exemplo, já não faz mais parte de filmes futuristas. O preço, é claro, ainda não é acessível, mas pensar que em um futuro próximo poderemos, por exemplo, através de etiquetas inteligentes, saber quando, a que temperatura e como foi transportado o produto que queremos comprar parece ser muito interessante”, ilustra a profissional.

Já Djalma Carnevalli, gerente de Vendas da Invensys, aposta na substituição dos controles eletromecânicos pelos eletrônicos como foco para o futuro próximo.

E o setor de refrigeração não escapa desse desenvolvimento. De acordo com Mário Camargo, gerente de Vendas da Brasiterm, em breve serão necessários controladores ainda mais fáceis de operar e com comunicação HM.

Para engrossar esse coro, Marcos Dauernheimer, da Digiport, destaca a integração de controles, em diversos níveis, com a incorporação de novas tecnologias como GSM/GPRS e GPS. “São soluções direcionadas para o mercado de transporte de cargas refrigeradas e controle de preocessos menos suscetíveis a falhas ou variações bruscas de temperatura”, identifica.
Para o ramo de ar condicionado, no entanto, Vinicius Couto, da Encon, acredita ser necessário um maior grau de aprimoramento para atender a todos os requisitos futuros. “As empresas terão de se especializar em áreas com controle de CFTV, incêndio e controle de acesso, viabilizando ao cliente um único responsável para automação e controle dos processos em um mesmo sistema de gerenciamento”, explicita.

Mas há os que colocam o aspecto confiabilidade acima de tudo. É o caso do gestor de Produto da InControl, Marlon Madalena Derosa. “Neste ponto, as empresas precisam se concentrar para trazer tecnologias confiáveis ao mercado, garantindo assim que os consumidores possam contar com aquele equipamento em conformidade com o seu uso ao longo do tempo. Os custos devem ser razoáveis sim, e devem ser obtidos com a produtividade, mas a confiabilidade do sistema é tudo”, acredita.

E por fim, economia de energia e compromisso com o meio ambiente também dão claros sinais de que vieram para ficar. “Para os próximos dez anos, esses serão os grandes focos, mas o uso de válvula de expansão eletrônica e aplicações para CO2, trazidas por nossa empresa, também tendem a se fortalecer”, finaliza Marcelo Lorenço de Souza, gerente de Produtos da Carel.

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