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Sem bola de cristal

01/04/2012

Pródigo em analisar não apenas as tendências sobre produtos, mas a sua relação com os aspectos econômicos nacionais e internacionais, setor de compressores é um dos poucos que sabem “surfar”, da mesma forma, em ondas de otimismo ou pessimismo.

Com a proximidade do fim do primeiro semestre, ao projetar os cenários para os próximos meses, incluindo possivelmente 2013 inteiro — por conta da Copa do Mundo no ano seguinte —, os fabricantes sabem como e quando agir positivamente na defesa de suas linhas de produção.

A Embraco, por exemplo, baseando-se na conjuntura econômica atual, acredita na representatividade de dois aspectos para o sucesso do segmento dos compressores para refrigeração e ar-condicionado — a maior rigidez nas regulamentações de alta eficiência energética e a criação de ambiente propício e benéfico a empresas rápidas no suporte a clientes.

“Países como China e os da União Europeia estão apertando o cerco contra produtos de alto consumo, num movimento que favorece os fabricantes que têm conhecimento para viabilizar tecnologias de última geração”, avalia o diretor corporativo de marketing da empresa, Natanael Kaminski.

Em consonância com o pensamento do executivo da Embraco, o gerente industrial e de marketing da Bitzer, Eduardo Almeida, crê que, no aspecto internacional, os compressores com tecnologias de comprovada eficiência energética serão os mais solicitados pelo mercado, desde que associados a sistemas mais simples e de alto desempenho, operando com fluídos naturais.

“No Brasil, os eventos esportivos como o Mundial de futebol e as Olimpíadas certamente irão impulsionar o HVAC-R, visto que serão necessários novos investimentos em instalações já existentes, além do desenvolvimento de novas acomodações para receber turistas”, ressalta.

Para a Danfoss, o foco global está em melhorar a eficiência energética dos compressores e torná-los mais amigáveis para o meio ambiente.

“Pode-se atingir este patamar pela aplicação de refrigerantes menos nocivos e de tecnologias que utilizem menos desses produtos, por exemplo, uma central de frio, ou banco de compressores, ao invés de instalar aparelhos individuais em cada balcão”, entende o diretor de vendas da divisão de refrigeração da empresa, Peter Young.

De acordo com o executivo, vislumbram-se tendências claras para uma gradual mudança de tecnologia, com a adição generalizada de scrolls em aplicações tanto de ar-condicionado quanto de refrigeração, em capacidades comerciais. A tecnologia scroll, resulta em melhor eficiência, segundo ele.

“Outra tendência é a inclusão da velocidade variável, desde os inverters em sistemas de ar-condicionado até o uso de conversores de frequência diretamente ligados aos compressores”, afirma Young.

Estes equipamentos de alta eficiência estão fazendo com que o setor do frio invista em alternativas, principalmente naquelas adaptáveis às regras relativas ao uso de refrigerantes.

“O cenário atual cria um ambiente favorável para novos lançamentos e aplicações, gerando diferenciação no mercado e novas oportunidades”, afirma o gerente de vendas da Emerson, Sami Diba.

O gerente de produto global da Tecumseh do Brasil, Homero Busnello, vai além, e associa um projeto eficiente ao design do compressor, dos materiais empregados em sua fabricação e no desenvolvimento conjunto com sua rede de fornecedores e parceiros em pesquisa.

“A indústria deve ficar atenta à padronização dos componentes e das plataformas, para que estas permitam flexibilidade, posto que os produtos precisam estar aptos à manufatura em qualquer parte do mundo, com qualidade e custos operacionais competitivos”, explica o gerente, cuja opinião é compartilhada por Vincenzo Fiore Savino, representante da Tecumseh Europe para o Brasil e Bolívia.

AFLIÇÕES E REAÇÕES

Em meio ao rescaldo da crise financeira mundial, que ainda reflete em vários países, — fabricantes nacionais e multinacionais estrangeiras do HVAC-R — tentam se blindar por todos os lados, ainda que já tenham experiência suficiente neste tema.

A alemã Bitzer, por exemplo, aponta a valorização do real em relação ao dólar e a excessiva carga tributária como fatores redutores da capacidade competitiva da indústria. Outra barreira é a falta de mão de obra especializada.

A empresa tem como política desenvolver negócios com seus fornecedores nacionais, oferecendo ao cliente sistemas mais completos que minimizem os trabalhos em campo. A atuação para o fortalecimento de uma ampla rede de serviços autorizados com a supervisão direta da fábrica é outra ação considerada eficaz.

“Reagimos a estes problemas proporcionando treinamentos anuais em diversas aplicações de refrigeração e climatização”, argumenta o gerente industrial e de marketing da companhia, Eduardo Almeida, salientando os investimentos realizados no primeiro Centro de Treinamento e Tecnologia de CO2 das Américas, instalado em sua sede, na cidade de Cotia (SP).

Pensamento similar tem a brasileira Elgin. Segundo a empresa, a crise econômica mundial reflete-se por aqui também na escassez de mão de obra especializada. “Atuamos num mercado muito promissor, o de conservação de alimentos, que cada vez mais aumentará de importância”, salienta o gerente comercial Omar Martins Aguilar, ao lembrar a relevância do aspecto formação profissional neste contexto.

Movimento parecido ocorre na Embraco, que reconhece a enorme pressão existente sobre os custos, além da forte competitividade. Entretanto, ser uma empresa global favorece a tomada de decisões. “O fato de termos nossas unidades em seis países nos ajuda a compreender os mais variados cenários. Com isso, antecipamos tendências e geramos uma performance inteligente, entendendo o que cada mercado realmente precisa e oferecendo respostas rápidas”, explica o diretor corporativo de marketing Natanael Kaminski, ressaltando que, atualmente, três tendências norteiam a estratégia de tecnologia da empresa: miniaturização, eficiência energética e uso de eletrônica.

Já a norte-americana Emerson coloca entre suas maiores preocupações a falta de normatização para compressores, bem como de pré-requisitos mínimos de consumo de energia e segurança no Brasil, situações que podem criar um ambiente competitivo com poucas regras e canibalizado.

“Estamos investindo na busca de novas tecnologias e lançamentos. Desde a nossa entrada no Brasil, não houve um número tão grande de lançamentos de compressores com tantas inovações de fato”, enfatiza o gerente de vendas Sami Diba.

Por falar em canibalização, ainda que esta palavra não seja diretamente citada pelo executivo da Tecumseh Europe, Vincenzo Fiore Savino, ele aponta outro aspecto que tem afligido o mercado. “Tememos que se assimile de vez, por aqui, o conceito segundo o qual o melhor produto sempre é aquele que tenha o menor preço. Esta referência dificulta o desenvolvimento de um bom produto e de sua tecnologia, entre outros aspectos”, argumenta.

A Tecumseh Europe, conta Savino, vem desenvolvendo pesquisas e testes de campo com seus compressores, principalmente com gases alternativos e ecologicamente corretos. “Arquitetamos uma excelente rede de distribuição, inclusive com a participação da Tecumseh do Brasil”, intervém.

E a própria Tecumseh do Brasil, por sua vez, reconhece que a competitividade do País hoje se encontra desalinhada com as melhores práticas mundiais e, por esta razão, a indústria de transformação está perdendo espaço.

“A capacidade exportadora está sendo diretamente atingida pelos custos elevados decorrentes da elevada carga tributária e por problemas logísticos e de infraestrutura, além de fretes caros, encargos sociais elevados e câmbio sobrevalorizado. Isso vem provocando um autêntico processo de desindustrialização no País”, afirma o gerente de produto global Homero Busnello.

Para tentar reverter este cenário negativo, sua empresa vem buscando novos mercados, desenvolvendo soluções inovadoras em aplicações especiais e venda de produtos com maior valor agregado, e mesmo que sejam adotadas de forma generalizada atitudes assim, acredita não ser tão simples retomar a competitividade brasileira. “Desta maneira, o Brasil ficará para trás tanto na evolução de futuras tecnologias quanto na manutenção de seu parque fabril extenso e variado”, receia o engenheiro.

Enfim, ao enfrentar todas as intempéries políticas e econômicas nacionais e internacionais do momento, o que o segmento de compressores parece procurar são os melhores resultados, e no menor período de tempo possível, é claro.

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