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Europa aquece, demanda por climatização cresce

Países enfrentam ondas de calor cada vez mais intensas, mas resistência cultural, custos elevados e metas climáticas limitam uso de ar-condicionado

O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor na Europa tem exposto a limitada infraestrutura de climatização do continente. Em meio a temperaturas que permanecem acima dos 32 °C até durante a noite, moradores de diversas regiões recorrem a ventiladores, chuveiros frios e improvisos para lidar com o calor extremo.

A penetração de sistemas de ar-condicionado na Europa ainda é baixa. Apenas cerca de 20% dos lares possuem algum tipo de refrigeração, com índices ainda menores em países como Reino Unido (5%) e Alemanha (3%). Em contraste, cerca de 90% das residências nos Estados Unidos têm ar-condicionado. A diferença reflete tanto as condições históricas do clima quanto as características culturais e econômicas da região.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), o ar-condicionado tem sido tradicionalmente encarado como luxo. No norte europeu, o clima mais ameno reduziu a percepção de necessidade. A arquitetura local, em especial nos países do sul, também contribuiu para essa realidade: paredes espessas, janelas pequenas e ventilação cruzada foram suficientes durante décadas.

A adaptação ao novo cenário climático, no entanto, é dificultada por fatores estruturais. Muitas residências são antigas, especialmente no Reino Unido, onde uma em cada seis casas foi construída antes de 1900. A modernização desses imóveis para instalação de sistemas centrais enfrenta barreiras técnicas, econômicas e, em alguns casos, burocráticas. Há restrições à instalação de unidades condensadoras externas, especialmente em áreas tombadas ou de preservação histórica.

O custo da energia é outro obstáculo. Além de ser mais elevado do que nos EUA, o preço subiu após a invasão da Ucrânia em 2022 e as medidas da União Europeia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis russos. Embora os valores tenham se estabilizado, manter um aparelho de ar-condicionado em operação continua sendo oneroso para boa parte da população.

O desafio europeu também é político e ambiental. A União Europeia assumiu o compromisso de neutralidade climática até 2050. O crescimento acelerado do uso de climatização artificial ameaça esse objetivo. Os aparelhos não apenas consomem grandes quantidades de energia, mas também aumentam a temperatura externa — um estudo em Paris apontou elevação de até 4 °C em áreas urbanas densamente povoadas.

Medidas de contenção já foram adotadas. Na Espanha, desde 2022, estabelecimentos públicos devem manter o ar-condicionado ajustado a no mínimo 27 °C. Ainda assim, a demanda por sistemas de refrigeração cresce. Segundo a AIE, o número de unidades na União Europeia deve chegar a 275 milhões até 2050 — mais que o dobro de 2019.

Empresas do setor relatam aumento expressivo nas consultas e vendas. No Reino Unido, por exemplo, a Air Conditioning Company observou que o número de pedidos residenciais mais que triplicou nos últimos cinco anos. O fenômeno é atribuído à incapacidade de suportar o calor noturno, considerado por muitos o maior fator de desconforto.

No campo político, o tema entrou na pauta de líderes de direita. Marine Le Pen, na França, propôs um plano nacional de infraestrutura de climatização e criticou o que chamou de “hipocrisia das elites”, que defendem alternativas sustentáveis enquanto usufruem de ambientes refrigerados.

Especialistas alertam para o risco de um ciclo vicioso: o uso intensivo de ar-condicionado, majoritariamente alimentado por fontes fósseis, aumenta as emissões e agrava o aquecimento global, gerando ainda mais demanda por refrigeração. Para Radhika Khosla, da Universidade de Oxford, o impacto desse ciclo deve ser enfrentado com regulação rigorosa da eficiência energética dos aparelhos vendidos.

A adaptação ao calor intenso parece inevitável. Mas o modo como a Europa decidirá estruturar essa transição — conciliando bem-estar térmico com metas ambientais — será determinante para o futuro climático da região.

Fonte – CNN 

Febrava amplia escopo e confirma nova edição em 2025

Feira de refrigeração e climatização terá expansão física em São Paulo e anuncia evento no Rio de Janeiro para 2026

A organização da Febrava – Feira Internacional de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e de Águas – confirmou a realização de sua 23ª edição entre os dias 9 e 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo. O anúncio foi feito na última terça-feira (1º), em evento para convidados, expositores e lideranças do setor HVAC-R (Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração).

Com crescimento de 25% em área em comparação à edição anterior, a Febrava 2025 contará com mais de 600 marcas e a expectativa de receber mais de 25 mil visitantes. A feira terá como tema “No Clima da Inovação” e será estruturada em torno de quatro eixos: eficiência energética, descarbonização, qualificação técnica e inovação.

Dois novos pavilhões farão parte da edição de 2025: o WTE – Water Treatment Expo, voltado ao tratamento de águas industriais, e o Smart Heat Expo, direcionado ao setor de aquecimento. A ampliação física somará mais de mil metros quadrados de área de exposição.

O evento terá também uma nova dinâmica de reconhecimento. O Selo Inovação Febrava 2025 permitirá que o público vote entre os vencedores para eleger o produto com maior destaque. Será implementada uma rota de visitação específica para os estandes das empresas participantes.

Já o Prêmio Nelson Baptista, em sua segunda edição, manterá as categorias de Produto Destaque para o visitante, Destaque na Captura de Leads e Personalidade do Setor. A premiação leva o nome de Nelson Baptista, profissional com mais de quatro décadas de atuação no mercado e um dos articuladores da consolidação da feira.

A Febrava ocorrerá simultaneamente à FIEE – Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia e Automação, também no São Paulo Expo. Os eventos terão visitação cruzada.

Durante o lançamento, foi anunciada ainda a expansão da Febrava para o Rio de Janeiro. A nova edição fluminense está prevista para 2026.

Nova geração de fluidos sintéticos impulsiona a refrigeração sustentável

Com a eliminação gradual dos fluidos R-22 e R-404A devido ao seu impacto ambiental, o setor investe em opções sintéticas de baixo GWP

 Diante dos compromissos ambientais globais e das regulamentações cada vez mais rígidas, o setor de refrigeração e climatização tem buscado alternativas sustentáveis aos tradicionais fluidos refrigerantes R-22 e R-404A. Ambos os compostos, amplamente utilizados por décadas, estão sendo progressivamente eliminados por seu alto potencial de destruição da camada de ozônio (ODP) e elevado potencial de aquecimento global (GWP). Nesse contexto, surgem os fluidos alternativos não naturais que, embora sintéticos, apresentam um perfil ambiental mais favorável e são essenciais na transição rumo a sistemas mais ecológicos e eficientes. Embora não sejam naturais, os novos compostos representam um passo importante rumo à eficiência energética e à preservação do meio ambiente.

O R-22, pertencente à família dos HCFCs (hidrocloro-fluorcarbonos), possui um ODP de 0,05 e GWP de cerca de 1.810, sendo progressivamente retirado do mercado conforme o Protocolo de Montreal. Já o R-404A, um HFC (hidrofluorcarbono) com GWP altíssimo – aproximadamente 3.922 – também entrou na lista de compostos com uso restrito. Como resposta, a indústria desenvolveu diversas alternativas técnicas e ambientais que buscam equilibrar desempenho e menor impacto climático.

“Na última década, diversos setores da indústria de HVAC-R foram impactados pela redução global de gases refrigerantes com alto potencial de aquecimento global (GWP). Muitas regiões estão impondo a redução da produção e do consumo de refrigerantes tradicionais, como hidroclorofluorocarbonos (HCFCs) e hidrofluorocarbonos (HFCs) – R-22 e R-404A, respectivamente. Usuários finais do varejo também estão migrando para alternativas mais ecológicas para apoiar suas metas de sustentabilidade ambiental e descarbonização”, informa Joana Canozzi, diretora de engenharia e serviços da Copeland e especialista em fluidos refrigerantes.

Entre as principais opções para substituir o R-22, destacam-se os fluidos HFCs e HFOs (hidrofluorolefinas), como o R-407C, R-407A, R-438A e R-422D. O R-407C, por exemplo, tem GWP de 1.774 e zero ODP, sendo compatível com muitos sistemas originalmente projetados para o R-22. Já o R-438A oferece uma substituição mais direta, com GWP de cerca de 2.265 e ODP zero. Essas opções permitem atualização de equipamentos antigos com adaptações mínimas.

Para o R-404A, as alternativas mais sustentáveis incluem o R-448A, R-449A, R-452A e R-407A. O R-448A, por exemplo, tem GWP de aproximadamente 1.273, uma redução significativa em relação ao R-404A, além de boa eficiência energética e compatibilidade com os óleos POE. O R-449A apresenta características similares, com GWP de 1.397. Ambos têm sido amplamente adotados em supermercados e sistemas comerciais de médio porte. O R-452A, com GWP de 2.141, é indicado para aplicações que exigem alta capacidade de resfriamento, como transporte refrigerado. Já o R-407A tem GWP de 2.107 e pode ser usado em sistemas com arquitetura semelhante à do R-404A, com mudanças nos ajustes de pressão e controle.

“Os refrigerantes A2L surgiram como alternativas líderes de baixo GWP, oferecendo características de desempenho comparáveis e uma menor pegada de carbono. De acordo com as classificações de refrigerantes da ASHRAE, os refrigerantes A2L têm uma classificação de “baixa inflamabilidade” que os diferencia dos refrigerantes tradicionais A1. Consequentemente, normas internacionais de segurança para produtos e aplicações estabeleceram diretrizes para o uso seguro de refrigerantes A2L. Os A2Ls oferecem uma redução significativa no GWP e zero potencial de destruição do ozônio (ODP), preservando a eficiência energética, o desempenho e alinhando-se às metas globais de descarbonização”, destaca a especialista.

Ela cita um exemplo de aplicação do A2L em uma grande rede de supermercados: “Recentemente, trabalhamos com uma grande rede de supermercados para substituir um sistema de refrigeração baseado em R-22 em uma de suas unidades por uma solução utilizando o refrigerante A2L R-454C. Este projeto não apenas melhorou a eficiência energética do sistema de refrigeração do supermercado, mas também reduziu significativamente as emissões de gases de efeito estufa, demonstrando o compromisso do varejista com a sustentabilidade e a inovação na cadeia do frio”.

Apesar de não serem classificados como naturais, esses fluidos alternativos cumprem papel importante na transição para um futuro mais sustentável, ao mesmo tempo em que mantêm a confiabilidade operacional exigida por aplicações comerciais e industriais. Outra vantagem é que muitos deles podem ser usados em sistemas existentes com adaptações limitadas, o que reduz custos de conversão e descarte de equipamentos.

Solução utilizando o A2L R-454C reduz as emissões de gases de efeito estufa, demonstrando o compromisso com a sustentabilidade

 

 Impacto dos refrigerantes no clima

O efeito estufa é um fenômeno natural que mantém a Terra aquecida ao reter parte da radiação solar refletida pela superfície terrestre. Ele é essencial para a vida como conhecemos. No entanto, as atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e o uso de certos gases industriais, incluindo refrigerantes, aumentam significativamente a concentração de gases estufa na atmosfera, intensificando esse efeito e provocando o aquecimento global.

Os principais gases envolvidos são o dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxidos de nitrogênio (NOx) e os HFCs, como o R-404A. A contribuição de cada gás ao aquecimento global é medida por seu Potencial de Aquecimento Global (GWP), que compara o impacto de uma tonelada do gás com o CO‚  ao longo de 100 anos. Por exemplo, o R-404A tem um GWP cerca de 3.922 vezes maior que o CO2, ou seja, um quilo de R-404A liberado na atmosfera tem o mesmo efeito estufa que quase quatro toneladas de CO2.

Já o Potencial de Destruição da Camada de Ozônio (ODP) mede o impacto de um gás sobre a camada de ozônio, que protege a Terra da radiação ultravioleta. O R-22, por exemplo, ainda tem um ODP baixo, mas diferente dos HFCs mais modernos que apresentam ODP zero.

A substituição dos fluidos refrigerantes com alto GWP e ODP por alternativas mais seguras é uma das formas mais diretas de mitigar os impactos das mudanças climáticas e proteger a camada de ozônio. Por isso, além das tecnologias, é essencial compreender os conceitos por trás desses índices e como cada decisão no setor HVAC-R pode fazer diferença no equilíbrio ambiental do planeta.

“O R-454B, R-454C e R-32 estão entre as alternativas A2L mais adotadas. Eles são amplamente usados em aplicações residenciais e comerciais de climatização e bombas de calor, bem como em equipamentos comerciais de refrigeração. Esses refrigerantes A2L têm GWP significativamente mais baixos do que os refrigerantes HFC e HCFC tradicionais, reduzindo consideravelmente os impactos ambientais dessas aplicações. Inclusive, já existem normais locais que comtemplam as questões de segurança para a aplicação do A2L como a ABNT, NBR e ISO 5149”, explica Joana.

A seguir, listamos algumas das principais alternativas para substituição.

Esses fluidos não naturais têm como principal vantagem o baixo ODP e GWP reduzido em relação aos antecessores. Além disso, muitos podem ser usados em sistemas existentes com adaptações mínimas, reduzindo custos e evitando o descarte prematuro de equipamentos. Contudo, a transição exige atenção. É essencial avaliar pressões de trabalho, compatibilidade de materiais, tipo de óleo lubrificante (geralmente POE) e ajustes nos componentes de controle. O uso de boas práticas é indispensável para garantir eficiência energética e evitar vazamentos – que podem anular os ganhos ambientais. Além dos aspectos técnicos, a capacitação profissional é vital. Conhecer os dados dos fluidos, aplicar normas de segurança e manter os sistemas bem ajustados faz parte do compromisso com a sustentabilidade no setor de HVAC-R.

 

FRANÇA – Refrigeração busca reconhecimento como infraestrutura essencial

No Dia Mundial da Refrigeração, IIR propõe comitês nacionais e defende integração global do setor


FRANÇA – O Instituto Internacional de Refrigeração (IIR) defendeu nesta quinta-feira (26) o reconhecimento da refrigeração como infraestrutura crítica para a saúde, segurança alimentar, eficiência energética e sustentabilidade climática. A manifestação ocorre no contexto do Dia Mundial da Refrigeração, celebrado anualmente em 26 de junho.

Como parte das ações, o IIR propôs a criação de comitês nacionais de refrigeração. Esses grupos intersetoriais teriam a função de coordenar estratégias e políticas voltadas ao uso sustentável da refrigeração em diferentes frentes — da criogenia e aplicações em temperaturas ultrabaixas às cadeias de frio para alimentos e medicamentos, passando por sistemas de ar condicionado e bombas de calor.

Segundo a entidade, os comitês devem incluir representantes dos setores público e privado, além de técnicos e formuladores de políticas, com o objetivo de ampliar a participação social e promover uma abordagem integrada. O instituto afirma que essa estrutura contribuiria para o fortalecimento dos sistemas alimentares, da saúde pública, da indústria e da resposta às mudanças climáticas.

A posição do IIR foi reforçada durante o evento internacional realizado em 18 de junho em Paris, que antecedeu a data comemorativa. Com a presença de mais de 170 participantes de 60 países — entre representantes governamentais, industriais, pesquisadores e membros de organizações internacionais — o encontro teve como tema a refrigeração como infraestrutura essencial.

Para a entidade, que atua como organismo científico intergovernamental, a inclusão da refrigeração nas agendas nacionais e internacionais é necessária para garantir o desenvolvimento sustentável e a resiliência climática. “Esta é a década em que a refrigeração sustentável moldará nossas sociedades”, disse Yosr Allouche, diretor-geral do IIR, durante o evento.

A instituição também convocou mais países a se juntarem formalmente à sua missão e a apoiarem os esforços multilaterais para consolidar o papel da refrigeração nas políticas públicas globais. A proposta do IIR é que o setor atue como um vetor estratégico nas áreas de saúde, alimentação, energia e meio ambiente.

Técnicos ganham protagonismo em plataformas digitais de ensino

Ao transformar conhecimento prático em plataformas digitais, profissionais de climatização e refrigeração conectam experiência de campo com inovação no ensino.

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O setor de climatização e refrigeração, historicamente pautado pelo aprendizado prático e presencial, está passando por uma revolução silenciosa e digital. Nos últimos anos, a popularização do ensino online, impulsionada pelas redes sociais e plataformas de conteúdo, deu origem a uma nova geração de profissionais e educadores: influenciadores técnicos que, além de atuarem diretamente na área, fundaram suas próprias escolas virtuais para capacitar milhares de instaladores, técnicos e iniciantes em todo o Brasil.

Hoje, esses profissionais se destacam não apenas por sua atuação técnica, mas pela maneira como transformaram sua autoridade em projetos educacionais robustos. Juntos, eles reescrevem o modelo tradicional de formação no HVAC-R e provam que o ensino remoto não apenas veio para ficar, como também molda o futuro da mão de obra no setor.

Influência que ensina

Ricardo Viana, fundador e diretor da escola Viana Refrigeração Treinamentos e Marketing, é um dos pioneiros nesse movimento. Com uma forte presença nas redes sociais, ele conseguiu converter seguidores em alunos ao perceber uma demanda reprimida por ensino técnico acessível e didático. “Os cursos online permitem levar conhecimento especializado a pessoas e regiões não atendidas por conhecimentos específicos, nivelando as oportunidades em diversas áreas de atuação. Os criadores destes cursos têm o papel de incentivar os alunos na busca de qualificação continuada através das diversas formas de ensino”, afirma Viana, que já capacitou milhares de alunos em cursos como Instalação de Split, PMOC, Refrigeração e Manutenção.

“Os cursos online permitem levar conhecimento especializado a pessoas e regiões não atendidas” – Ricardo Viana

Viana acrescenta que o ensino a distância proporcionado flexibilidade de horário, permitindo que técnicos mantenham sua rotina de atendimentos enquanto estudam e mostram uma didática mais próxima a realidade do aluno e conhecimentos muitas vezes não mostradas na grade de conteúdo dos cursos das instituições tradicionais. “Meus cursos, por exemplo, estão mais focados no resultado dos alunos que no conteúdo programático. E por isso, sempre está sendo atualizado e melhorado”.

Outro nome é Gabriel Pardo, conhecido como “Pardo Mestre”, diretor da Magister Digital. Com uma linguagem direta e uma abordagem prática, Gabriel lançou sua própria plataforma com cursos voltados a iniciantes e profissionais em busca de aperfeiçoamento. “As escolas de profissionais do segmento estão ajudando muitos instaladores, técnicos e engenheiros a terem acesso a conhecimentos, mas devemos tomar cuidado com a base didática e os conhecimentos compartilhados. É preciso considerar a qualificação dos professores e instrutores para que o conteúdo seja seguro, técnico e siga as normas e legislações vigentes na parte técnica e na parte de segurança das atividades”, revela. “A qualificação on-line é uma ferramenta altamente rentável, uma vez que apresenta um custo reduzido em relação às estruturas físicas de imóveis e à mão de obra, mas os gestores devem levar em conta a experiência dos alunos, normas técnicas e normas de segurança”, explica.

Já na opinião de Carmosinda Santos, atualmente dedicada aos cursos programados do CRT-SP (Conselho Regional dos Técnicos Industriais), “o curso online permite que o aluno aprenda no seu tempo, com apoio constante. Isso empodera o técnico, especialmente em regiões onde o ensino técnico presencial é escasso ou caro”. Carmosinda também criou cursos online com enfoque didático e sensível às dificuldades que muitas mulheres enfrentam nesse ambiente majoritariamente masculino.

Outro nome conhecido do setor é Rafael Ferreira, que une teoria e prática em módulos que vão do básico à automação avançada. Seu diferencial está na metodologia que simula situações reais de campo em vídeo, algo que os alunos valorizam. “A internet é a nova sala de aula. O que muda é a forma, mas o compromisso com a qualidade permanece”, resume Rafael.

Na Academia Gaivota, o foco é na refrigeração com forte ênfase em práticas sustentáveis. “Queremos técnicos com consciência técnica e ambiental. Isso é essencial para o futuro do setor”, reforça Luiz Fernando Gaivota.

O que impressiona nessas iniciativas é a estrutura envolvida. Ao contrário da ideia de “aulas gravadas em casa”, essas escolas virtuais contam com estúdios profissionais de gravação, plataformas exclusivas, certificação válida em todo o país e suporte técnico contínuo. Muitas oferecem ainda comunidades fechadas, fóruns, mentorias ao vivo e conteúdos extras atualizados conforme as normas e exigências do mercado.

Mercado em transformação

O avanço dessas plataformas reflete uma tendência global. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), a modalidade EAD cresceu mais de 400% no segmento técnico nos últimos cinco anos. No HVAC-R, o movimento é ainda mais visível pela falta de mão de obra qualificada — um gargalo que o ensino remoto ajuda a aliviar.

Outro ponto é o dinamismo do setor: com constantes atualizações tecnológicas, novas regulamentações e a transição para gases refrigerantes ecológicos, o técnico precisa se manter atualizado.

Para muitos alunos, esses cursos são o primeiro passo para uma carreira sólida. E, mais do que isso, esses influenciadores se tornam referências, mentores e fontes permanentes de aprendizado. “Em meus cursos são ministradas aulas teóricas e práticas demonstrativas em equipamentos reais no laboratório e no campo (atendimentos) com uma estrutura separadas por módulos. Os alunos têm como avaliar as aulas (avaliação utilizada para atualização) e o curso como um todo, tem acesso a grupos de alunos. Administro através de aplicativo e estrutura fornecida pela plataforma Hotmart onde tenho acesso ao desempenho do aluno, assiduidade nas aulas, exercícios, forneço materiais complementares e recebo as dúvidas. O certificado de curso livre somente é fornecido aos que concluem 100% no período contratado. Caso não tenham concluído, podem fazer a renovação pelo mesmo período com desconto para alunos”, diz Viana.

O modelo híbrido, que combina vídeos gravados, fóruns e encontros online ao vivo, mostra que o ensino digital pode ser completo, eficaz e acessível. E quando bem conduzido, molda não apenas profissionais, mas um setor inteiro em constante evolução.

“Atualmente temos uma grade imensa de cursos dentro e fora do segmento da refrigeração, tanto on-line como ‘incompany’. Mas uma coisa é fato, o online veio para facilitar muito a vida corrida dos técnicos, mas não veio substituir o presencial, pois cada um tem uma forma de aprender e sempre haverá demanda para o presencial”, enfatiza Gabriel.

“A qualificação on-line é uma ferramenta altamente rentável, uma vez que apresenta um custo reduzido” – Gabriel Pardo

Acompanhando essa transformação, também o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) tem expandido significativamente sua oferta de cursos na modalidade de Educação a Distância (EAD), incluindo programas voltados para o setor de Refrigeração e Climatização (HVAC-R). O curso técnico de Refrigeração e Climatização EAD tem por objetivo habilitar profissionais na elaboração de projetos de instalação de sistemas de refrigeração e climatização sob supervisão e na coordenação da execução da manutenção e da instalação de sistemas de refrigeração e climatização, seguindo legislação e normas técnicas, ambientais, de saúde e segurança no trabalho e utilizando as boas práticas. Essa iniciativa visa democratizar o acesso à formação técnica de qualidade, permitindo que profissionais de diversas regiões do Brasil se capacitem de forma flexível e acessível.

A plataforma Futuro.Digital, vinculada ao SENAI, oferece cursos técnicos e profissionalizantes em diversas áreas industriais, incluindo Refrigeração e Climatização. Os cursos são 100% online, com aulas disponíveis 24 horas por dia, permitindo que os alunos estudem no seu próprio ritmo. Além disso, os cursos contam com certificação nacional emitida pelo SENAI, o que agrega valor ao currículo dos profissionais formados.

Benefícios diretos para os técnicos

Os cursos online oferecidos por esses profissionais geram uma série de benefícios práticos e estratégicos para os técnicos, como:

Acesso à formação técnica de qualidade em qualquer lugar do Brasil, com apenas um celular e conexão à internet;

Flexibilidade de horário, permitindo que o aluno estude enquanto trabalha;

Atualizações constantes, alinhadas às inovações do mercado, como novas normas, gases refrigerantes e eficiência energética;

Certificação, que ajuda na valorização profissional e na conquista de novas oportunidades;

– Comunidade de apoio, com fóruns, mentorias e contato direto com os instrutores;

– Redução de custos com deslocamentos, hospedagem e material didático.

Além disso, os cursos muitas vezes incluem conteúdos extras, suporte pós-curso, oportunidades de networking e parcerias com empresas do setor, o que amplia ainda mais o alcance e as possibilidades de crescimento dos profissionais.

O que une os influenciadores técnicos e seus cursos online é mais do que a atuação no digital. É o propósito de transformar vidas por meio do conhecimento. Com estruturas sólidas, linguagem acessível e compromisso com a excelência, esses profissionais estão não apenas ensinando, estão ajudando a construir um novo futuro para o HVAC-R no Brasil.

Para muitos alunos, cursos online são o primeiro passo para uma carreira sólida

Febrava 2025 abre credenciamento gratuito para visitantes

Feira será realizada entre 9 e 12 de setembro, no São Paulo Expo, com novas áreas temáticas e congresso técnico

Está aberto o credenciamento online e gratuito para a 23ª edição da Febrava – Feira Internacional de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e de Águas. O evento ocorrerá entre os dias 9 e 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo, com participação de mais de 600 marcas nacionais e internacionais.

Com o tema “No Clima da Inovação”, a feira deste ano se organiza a partir de quatro eixos: eficiência energética, descarbonização, qualificação técnica e inovação. A expectativa é receber mais de 25 mil profissionais da cadeia HVAC-R, entre engenheiros, técnicos, projetistas, distribuidores e compradores corporativos.

A área de exposição cresceu 20% em relação à edição anterior. Entre as novidades, estão dois pavilhões inéditos: o WTE – Water Treatment Expo, voltado ao setor de tratamento de águas industriais, e o Smart Heat Expo, com foco em soluções para aquecimento.

A programação inclui também a Mostra Selo Inovação, organizada com curadoria da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), que destacará produtos selecionados por critérios técnicos.

Serão mantidas as ilhas temáticas sobre Cadeia do Frio, Ar-Condicionado Automotivo, Auditório FATEC e a tradicional Ilha do SENAI, com demonstrações práticas e atividades de formação profissional.

Paralelamente à feira, ocorre o CONBRAVA, que chega à sua 19ª edição. Com o tema “AVACR e os Desafios das Mudanças Climáticas”, o congresso abordará tópicos como qualidade do ar, eficiência energética, inteligência artificial e práticas ESG.

O credenciamento está disponível no site oficial da Febrava. A liberação para imprensa e assessorias será anunciada posteriormente.

SENAI-SP leva programação técnica à Fispal Sorvetes 2025

Palestras abordam manutenção, automação e eficiência energética na indústria de sorvetes

O SENAI-SP participa da FISPAL Sorvetes 2025 com uma programação voltada à eficiência energética, digitalização e manutenção na indústria de sorvetes. A feira ocorre de 27 a 30 de maio, no Distrito Anhembi, em São Paulo, e reúne fabricantes, técnicos e especialistas da cadeia produtiva.

Durante o evento, o público poderá visitar o Espaço SENAI-SP (rua L 155) e acompanhar uma série de palestras sobre manutenção preventiva de máquinas, automação em equipamentos de refrigeração, rotulagem nutricional, transformação enxuta e digitalização industrial. Também serão apresentados programas voltados ao ganho de produtividade e à transição energética na indústria, como a Jornada de Transformação Digital, a Jornada de Descarbonização e o PotencializEE – Programa Investimentos Transformadores de Eficiência Energética na Indústria.

A instituição ainda participa da mesa-redonda “Você vende sorvete de verdade?”, promovida em parceria com a Associação Brasileira do Sorvete (Abrasorvete), que discute os critérios de qualidade exigidos pelo consumidor e os desafios da rotulagem e da composição nutricional.

Programação das palestras no Espaço SENAI-SP

Terça-feira – 27/5

15h20 – Jornada de Descarbonização: menos impacto ambiental, mais competitividade na indústria – Ellen Marcom e Mariana Sayuri

17h00 – Benefícios da manutenção preventiva em máquinas de sorvete – Marcelo Evangelista

Quarta-feira – 28/5

14h30 – Automação em equipamentos de refrigeração para sorvetes – José Inaldo

15h20 – Você vende sorvete de verdade? – Mesa-redonda com Abrasorvete

16h10 – Eficiência energética como diferencial competitivo – Josiel Godinho e William Romualdo

17h00 – Rotulagem nutricional de sorvetes – Jéssica Tavares

Quinta-feira – 29/5

14h30 – Transformação enxuta na indústria – Fernando Beija

15h20 – Impactos da digitalização na produtividade – Rodrigo César

16h10 – Jornada de Descarbonização – Ellen Marcom e Mariana Sayuri

Sexta-feira – 30/5

14h30 – Manutenção preventiva em máquinas de sorvete – Marcelo Evangelista

15h20 – Eficiência energética como diferencial competitivo – Luiz Gustavo e Júlio Paschoal

16h10 – Soluções tecnológicas para a indústria de sorvetes – Viviane Cremaschi

17h00 – Eficiência energética como diferencial competitivo – Paulo Victor e Carlos Sanches

FEBRAVA 2025 terá mais de 600 marcas e foco técnico

Maior edição da história do evento reunirá público especializado, lançamentos e conteúdo técnico de HVAC-R em setembro, no São Paulo Expo


Com mais de 600 marcas expositoras confirmadas, a 23ª edição da FEBRAVA — Feira Internacional de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação, Aquecimento e Tratamento do Ar e da Água — será realizada entre os dias 9 e 12 de setembro de 2025, no São Paulo Expo.

Reconhecida como o principal evento da cadeia HVAC-R na América Latina, a FEBRAVA volta ao pavilhão com ampliação de quase 20% na área de exposição e expectativa de atrair mais de 25 mil visitantes. Segundo a ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento), o setor deve movimentar cerca de R$ 54 bilhões no país no próximo ano.

O evento contará com público altamente qualificado, formado por engenheiros, técnicos, instaladores, projetistas, distribuidores, gestores industriais e usuários corporativos. A programação técnica exclusiva terá ativações práticas e demonstrações voltadas à capacitação e atualização profissional.

Dois novos pavilhões temáticos integram a edição: o Water Treatment Expo (WTE), com foco no tratamento de águas industriais, e o Smart Heat Expo, voltado ao setor de aquecimento. Ambos terão exposição de equipamentos, rodadas de negócios e painéis segmentados.

O tema desta edição será “No Clima da Inovação”, com quatro eixos de discussão: eficiência energética, descarbonização, qualificação técnica e inovação.

Além dos lançamentos, a feira terá ilhas temáticas interativas, como o espaço da Cadeia do Frio, área de ar-condicionado automotivo, auditório da FATEC e a tradicional ilha do SENAI, que promove conteúdos de formação técnica.

A FEBRAVA ocorrerá simultaneamente à FIEE – Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia, Automação e Conectividade, o que permitirá circulação entre os dois eventos e ampliará as possibilidades de negócios.

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FEBRAVA 2025
Data: 09 a 12 de setembro de 2025
Local: São Paulo Expo (Rodovia dos Imigrantes, 1,5 km – São Paulo/SP)

Diel Trends 2025 reúne setor de facilities em São Paulo

Evento será aberto ao público pela primeira vez e abordará temas como eficiência energética, manutenção e inovação tecnológica

O Diel Trends 2025 será realizado no dia 15 de maio, no Cubo Itaú, em São Paulo. Em sua quarta edição, o evento voltado ao setor de facilities será aberto ao público pela primeira vez. Nas edições anteriores, a participação era restrita a convidados.

Com o tema “Facilities 360°: Conectando Todo o Setor”, a programação inclui palestras, painéis e atividades de networking. São esperados cerca de 350 participantes, entre líderes e especialistas em gestão de facilities, manutenção, energia e utilities.

Entre os destaques da programação está a palestra de Amyr Klink, que abordará a gestão de desafios em cenários de incerteza. Representantes de empresas como Carrier, Tools/Santander, Leroy Merlin, Assaí Atacadista e Cinemark também participarão das discussões.

O evento contará ainda com painéis interativos, como o “Manutenção 360º”, nos quais o público poderá interagir em tempo real com os debatedores. Estão previstas também ações de relacionamento, como sorteios, premiações e happy hour.

Além da atualização sobre tendências do setor, o encontro busca fomentar debates sobre eficiência energética, inovação tecnológica, sustentabilidade e desenvolvimento profissional.

Mercado de AC de precisão para data centers deve chegar a US$ 3,8 bi até 2030

Com crescimento previsto de 7,4% ao ano, mercado global busca tecnologias inovadoras e sustentáveis para resfriamento eficiente de data centers.

O mercado global de sistemas de ar condicionado de precisão para data centers projeta uma expansão significativa até 2030. Segundo o “Relatório de Pesquisa Estratégica de Ar Condicionado de Precisão de Data Center 2023-2024 e 2030”, divulgado nesta terça-feira (28), o segmento deve crescer de US$ 2,3 bilhões em 2023 para US$ 3,8 bilhões no fim da década, impulsionado por uma taxa composta anual de 7,4%. Esse crescimento reflete a demanda crescente por soluções de resfriamento eficientes em estruturas que hospedam servidores compartilhados por várias empresas (colocation) e em data centers de grande porte, conhecidos como hiperescala.

A expansão do setor está diretamente ligada à intensificação do uso de tecnologias como computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT). Esses aplicativos exigem ambientes de alta densidade computacional, que, por sua vez, necessitam de sistemas avançados para garantir temperaturas e níveis de umidade ideais.

Paralelamente, a busca por tecnologias de resfriamento com eficiência energética tem se intensificado, impulsionada por metas globais de sustentabilidade e redução de custos operacionais. Soluções inovadoras, como sistemas de resfriamento líquido e resfriamento gratuito, estão ganhando espaço no mercado devido à sua capacidade de otimizar o consumo energético e atender às normas ambientais.

O estudo aponta ainda para avanços significativos em tecnologias emergentes, como sensores de IoT e ferramentas de gestão de resfriamento baseadas em IA. Esses recursos possibilitam o monitoramento em tempo real das condições ambientais dos data centers, ajustando automaticamente o desempenho de resfriamento às cargas de trabalho variáveis.

Regionalmente, os Estados Unidos lideram o mercado, com um valor de US$ 625,2 milhões em 2023, enquanto a China desponta como um dos países com maior crescimento projetado, registrando uma taxa anual de 11,8% e estimativa de alcançar US$ 842,1 milhões até 2030. Outras regiões em destaque incluem Japão, Canadá, Europa e os mercados emergentes da Ásia-Pacífico.

No que diz respeito à segmentação, o resfriamento em linha, que mantém racks de servidores em temperatura controlada, deve atingir US$ 1,9 bilhão até 2030, com uma taxa de crescimento anual de 8,1%. Já os sistemas de resfriamento in-rack, posicionados dentro dos próprios racks, apresentam previsão de expansão de 6,7% ao ano no mesmo período.