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Continente e ilha em debate climático

Professor do CEUB representará a Ilha Maurício nas negociações da COP 30 em Belém

O professor Nitish Monebhurrun, do Centro Universitário de Brasília (CEUB), foi designado representante oficial da Ilha Maurício na COP 30, que será realizada em Belém. Radicado no Brasil, o especialista levará à conferência comparações entre os impactos das mudanças climáticas em países continentais e em Estados-ilha em desenvolvimento.

Segundo Monebhurrun, enquanto o Brasil responde por 1,2% das emissões globais de CO₂ e enfrenta eventos extremos como secas e enchentes, a Maurício contribui com menos de 0,01%, mas sofre com o aumento do nível do mar e a degradação de recifes de corais, ameaças que podem levar ao deslocamento de populações.

O professor destacou avanços como o Acordo de Paris e pareceres da Corte Internacional de Justiça, que reforçam a responsabilidade dos países desenvolvidos em apoiar os mais vulneráveis. Ainda assim, apontou entraves, como a dificuldade de acesso a fundos climáticos e a resistência de potências, entre elas os Estados Unidos, em ampliar compromissos.

Monebhurrun defendeu que países insulares não abrem mão da soberania, mesmo diante da erosão territorial. Ele lembrou que recente decisão consultiva da Corte Internacional de Justiça assegurou a manutenção do status de Estado a territórios ameaçados pela perda de terras.

Para a COP 30, o professor considera que o Brasil, como anfitrião, pode ter papel estratégico ao buscar destravar mecanismos de financiamento e incluir deveres ambientais em acordos econômicos internacionais. “É urgente condicionar a proteção jurídica de empresas ao cumprimento de suas responsabilidades ambientais”, afirmou.

Brasil apresenta avanços na proteção da camada de ozônio na Febrava 2025

Ministério do Meio Ambiente divulga resultados do PBH e anuncia novos investimentos no setor de refrigeração

O Brasil apresentou os resultados de suas ações para proteção da camada de ozônio e enfrentamento das mudanças climáticas. O anúncio ocorreu como parte das comemorações do Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, celebrado em 16 de setembro e instituído a partir do Protocolo de Montreal, de 1987.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e a Cooperação Alemã (GIZ), o país reduziu em 66,56% o consumo de HCFCs em 2024, por meio do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH). O investimento destinado às ações do programa ultrapassou US$ 43,4 milhões.

As medidas incluíram a conversão industrial de 498 empresas do setor de espumas de poliuretano e 18 do setor de refrigeração comercial, além da capacitação de mais de 16 mil técnicos em boas práticas de refrigeração.

O MMA anunciou ainda o início da Etapa III do PBH, com previsão de US$ 33,8 milhões em novos investimentos até 2030, voltados para a eliminação dos HCFCs. A expectativa é reduzir 575,65 toneladas de Potencial de Destruição do Ozônio (PDO). Em paralelo, o Programa Brasileiro de Redução do Consumo de HFCs está em elaboração, em consonância com a Emenda de Kigali, que prevê a diminuição do impacto climático desses gases e a possibilidade de evitar até 0,4 °C de aquecimento global até o final do século.

A programação na FEBRAVA inclui a campanha Família Refrigeração, organizada pelo MMA, GIZ e ABRAVA, além da participação no Congresso Conbrava, promovido com o PNUD. Também serão distribuídos materiais informativos sobre o PBH e o Programa HFCs.

Copeland levará soluções climáticas à FEBRAVA 2025

Empresa apresentará tecnologias em HVAC-R com foco em refrigerantes de baixo GWP e monitoramento remoto

A Copeland, fornecedora global de soluções climáticas, participará da FEBRAVA 2025, que será realizada de 9 a 12 de setembro no São Paulo Expo, em São Paulo. A empresa exibirá tecnologias em HVAC-R voltadas à eficiência energética, ao uso de refrigerantes de baixo potencial de aquecimento global (GWP) e ao monitoramento digital de sistemas.

De acordo com a Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA), o setor de HVAC-R no Brasil deve alcançar R$ 54 bilhões em 2025. Nesse contexto, a Copeland apresentará produtos como as unidades condensadoras ZX e ZXV, projetadas para aplicações de média e baixa temperatura, incluindo versões com modulação digital (ZXD) e velocidade variável (ZXV).

A empresa também destacará seus compressores scroll, otimizados para refrigerantes naturais como R-290, A2Ls e CO2; os inversores de frequência EVM, voltados a aplicações comerciais; o sistema de monitoramento remoto XWEB, acompanhado dos controladores XER; e o compressor centrífugo isento de óleo com tecnologia Aerolift™, indicado para resfriadores refrigerados a ar ou água. Esse último foi reconhecido com o Prêmio Selo de Inovação FEBRAVA 2025.

Além da exposição, a Copeland realizará coletiva de imprensa em 9 de setembro, às 14h30, no estande da ABRAVA (nº G09). Participarão Daniel Rohe, gerente geral da América do Sul; Fernando Llopart, vice-presidente da América Latina; Joana Canozzi, diretora de serviços de engenharia América do Sul; e André Stoqui, diretor de negócios América do Sul.

Febrava 2025 terá ilhas temáticas e experiências práticas no setor HVAC-R

Evento em São Paulo reunirá SENAI, Fatec, Keyla Carvalho Dias, Tatiana Rassini e Paulo Hélio Kanayama

A Febrava 2025 será realizada de 9 a 12 de setembro no São Paulo Expo. A feira de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração terá como proposta transformar o pavilhão em um laboratório vivo, com atividades práticas, demonstrações e troca de experiências.

Entre os destaques estão as Ilhas Temáticas. O SENAI participará com palestras técnicas, a instalação real de um sistema frigorífico conduzida por Keyla Carvalho Dias, campeã estadual da modalidade Refrigeração e Ar-Condicionado da SPSkills 2025, além da Escola Móvel de Energias Renováveis. A Fatec levará projetos acadêmicos e sua carreta didática para refrigeração e climatização.

Segundo Tatiana Rassini, gestora da Febrava, o objetivo é oferecer conhecimento aplicado em contato direto com especialistas e instituições do setor. Para Paulo Hélio Kanayama, coordenador da Fatec Franco da Rocha, as ilhas conectam educação e inovação, com foco em formação, sustentabilidade e avanço tecnológico.

Além da participação do SENAI e da Fatec, a feira contará ainda com a Ilha do Ar-Condicionado Automotivo e a Ilha da Cadeia do Frio.

Mayekawa estreia na Fenasucro & Agrocana com foco no mercado de biogás

Multinacional japonesa participa da área FenaBio, voltada à bioeconomia e energias renováveis

A Mayekawa do Brasil participará pela primeira vez da Fenasucro & Agrocana, evento que será realizado de 12 a 15 de agosto de 2025. A empresa integrará a área FenaBio, espaço dedicado à bioeconomia e à discussão de alternativas energéticas renováveis.

Com mais de 1.200 m² de área, a FenaBio terá programação voltada às mudanças climáticas e à pressão global por fontes mais limpas de energia. O Brasil, segundo especialistas, tem potencial de protagonismo no setor de biogás, cujo mercado pode crescer até 15 vezes até 2030.

O biogás é obtido pela decomposição de matéria orgânica, e o biometano é o gás purificado derivado desse processo. O agronegócio e outros setores geram volume expressivo de resíduos que podem ser utilizados na produção desses combustíveis.

Durante a feira, a Mayekawa apresentará suas unidades compressoras para processos de cogeração via biogás. “Estamos presentes nas principais plantas brasileiras com a nossa tecnologia, cujos equipamentos são fabricados em nossa sede, em Arujá (SP). Temos conhecimento do setor e suas demandas. Por isso, já estamos preparados para essa expansão do mercado”, afirma o diretor comercial da Mayekawa do Brasil, Silvio Guglielmoni.

Unidade recuperadora de vapor URV

A força silenciosa por trás da climatização e refrigeração

Dia do Refrigerista celebra profissionais que contribuem para o conforto, preservação de alimentos e proteção do planeta

No dia 7 de julho, o Brasil homenageia um profissional que, mesmo longe dos holofotes, está presente em tudo o que importa: no ar que refresca o ônibus lotado, no freezer que conserva o leite da criança, no hospital que precisa funcionar mesmo durante um apagão. O Dia do Refrigerista é mais do que uma data simbólica — é o reconhecimento de quem põe a mão na massa, carrega a ferramenta nas costas e, com conhecimento e coragem, ajuda a manter a vida em movimento.

Não é de hoje que o refrigerista trabalha nos bastidores — no calor dos telhados, no frio das câmaras, nas estruturas ocultas da cidade e da indústria. Seu ofício exige mais do que força física: requer leitura de projetos, domínio de normas, compreensão de riscos e, sobretudo, um senso técnico apurado aliado a uma resiliência silenciosa. Instalar, manter e operar sistemas de climatização e refrigeração não é tarefa simples — é ciência aplicada sob pressão, todos os dias.

Em centros urbanos, onde os equipamentos estão nos topos de edifícios ou em fachadas de difícil acesso, é comum que esses profissionais utilizem técnicas de rapel e outros procedimentos de segurança vertical para executar manutenções. Suspensos por cordas, com equipamentos de proteção e atenção total, enfrentam vento, sol e altura para garantir o funcionamento de sistemas essenciais. É um trabalho que exige coragem, preparo físico e extremo cuidado técnico.

Mais do que garantir conforto térmico, o refrigerista tem papel estratégico na manutenção da cadeia do frio — conjunto de tecnologias e processos que asseguram a conservação de alimentos, medicamentos e insumos hospitalares. Também é figura-chave em data centers, laboratórios e sistemas industriais que dependem de controle térmico contínuo. Seu trabalho pode não aparecer nos outdoors, mas sustenta pilares invisíveis da vida moderna.

É uma profissão que alia responsabilidade técnica, zelo ambiental e compromisso com o bem coletivo. Ao manusear fluidos refrigerantes, calibrar instrumentos e buscar eficiência energética, o refrigerista contribui para a redução de impactos ambientais e para a sustentabilidade das operações em que atua — um esforço muitas vezes invisível, mas essencial.

Por trás do profissional, há histórias de vida. Gente que começou com ferramentas emprestadas e orçamento contado. Que estudou à noite, conciliou plantões com provas, enfrentou olhares desconfiados, dormiu pouco e acordou cedo. Pessoas que se reinventaram após demissões, que aprenderam com os erros e que, muitas vezes, encontraram motivação no abraço de um filho, no apoio de uma companheira, ou na fé de que dias melhores viriam. São homens e mulheres que desafiam estatísticas, criam negócios próprios, formam redes de apoio e ajudam a construir um setor mais diverso, técnico e humano.

Neste 7 de julho, celebramos a força de uma profissão que sustenta sistemas vitais com esforço diário, precisão técnica e consciência ambiental. Valorizamos quem transforma suor em serviço público, quem encara o desafio da temperatura — e da altura — com dignidade e orgulho.

Midea apresenta estratégias para expansão do HVAC na América Latina até 2027

Encontro reuniu parceiros de 18 países e detalhou metas, investimentos e dados de mercado

A Midea promoveu na última segunda-feira (16), em São Paulo, a segunda edição da Cúpula de Parceiros HVAC América Latina 2025. Realizado no Hotel Grand Hyatt, o evento reuniu 170 participantes de 18 países, incluindo executivos regionais e globais da empresa, com foco em estratégias de mercado, desenvolvimento regional e ampliação de canais na área de climatização.

O encontro abordou projeções da companhia até 2027 e reforçou o reconhecimento da Midea como líder em aparelhos de climatização na América Latina, conforme levantamento da Euromonitor. Felipe Costa, CEO da Midea Carrier Brasil, Argentina e Chile, destacou a relevância das parcerias regionais para a formulação de soluções alinhadas às demandas locais.

Entre as apresentações, Dennis Lee, vice-presidente de Negócios Internacionais da Midea, apontou a meta de liderança global em HVAC até 2027. Já Vicent Chou, vice-presidente da divisão de ar-condicionado residencial, anunciou o lançamento do AI Ecomaster, primeiro modelo da marca com inteligência artificial, além de investimentos de US$ 1,95 bilhão em pesquisa e desenvolvimento.

Dados de mais de 20 estudos regionais embasaram os lançamentos recentes, segundo Wenyang Lan, diretor de Planejamento de Produto. A análise revelou que 82% dos usuários da região priorizam a economia de energia. A empresa também anunciou a expansão das linhas residenciais para o segmento comercial leve.

Outros temas discutidos incluíram o avanço da digitalização dos serviços HVAC e a adoção de manutenção remota preditiva. A apresentação foi conduzida por Maggie Chou, gerente de Produtos Digitais Inteligentes.

O evento contou ainda com dados de mercado apresentados por Fabio Assunção, da GfK/NIQ. Segundo o executivo, o segmento de climatização cresce acima da média de eletrodomésticos, mesmo com desaceleração da economia, puxado principalmente pelos mercados do Brasil e da Argentina.

Henry Hwong, da AHRI, abordou as novas regulamentações e padrões de eficiência energética, enquanto José Jorge Nascimento, presidente da Eletros, indicou crescimento de 29% no mercado brasileiro de ar-condicionado em 2025, com concentração produtiva na Zona Franca de Manaus.

Na área de pós-venda, foram apresentados casos como os programas no Peru, Venezuela e México. No Brasil, destacou-se o Midea Club, voltado a instaladores, com 22 mil profissionais cadastrados. A plataforma oferece treinamentos, certificações e benefícios.

Encerrando a programação, Carter Yang, diretor de Vendas RAC LATAM, anunciou a meta de aumento de 20% nas vendas até 2027. Tim Xie, diretor de Vendas MBT LATAM, detalhou o plano para alcançar a terceira posição regional no setor de Building Technologies.

Expansão dos data centers impulsiona HVAC-R

O Brasil tem se destacado como um dos principais destinos para investimentos em data centers na América Latina, impulsionado pela crescente demanda por serviços de computação em nuvem e inteligência artificial. Empresas nacionais e internacionais estão direcionando recursos significativos para ampliar suas infraestruturas no país.​

A Ascenty, controlada pela Brookfield Asset Management e Digital Realty, opera 34 data centers na América Latina e busca financiamento adicional para expandir suas operações no Brasil. A FS, empresa brasileira de segurança cibernética, anunciou um investimento de R$ 1,8 bilhão para construir três data centers no país, motivada pela estabilidade política, disponibilidade de energia renovável e crescente demanda local.

Gigantes da tecnologia também estão ampliando sua presença no Brasil. A Amazon Web Services (AWS) planeja investir R$ 10,1 bilhões até 2034 para expandir suas operações de data center. A Microsoft anunciou um aporte de R$ 13,5 bilhões nos próximos três anos para aprimorar sua infraestrutura de nuvem e capacidades de inteligência artificial no país. ​

A Odata, agora parte do grupo americano Aligned, anunciou investimentos de R$ 26 bilhões até 2026, com a meta de atingir 1,3 GW de capacidade energética de TI. Sua mais recente unidade, inaugurada em Osasco (SP), incorpora tecnologias avançadas de resfriamento, incluindo um sistema que possibilita a instalação de servidores para IA.

A Elea e a Tecto também expandem sua atuação. A primeira destinará R$ 1,7 bilhão para ampliar suas instalações em São Paulo, enquanto a Tecto investe R$ 5,7 bilhões em novos data centers no Ceará e em São Paulo. Já a Scala prevê a construção de um complexo de data centers em Eldorado do Sul (RS), com potencial de expansão para até 4.750 MW.

Esses investimentos refletem diretamente no mercado de climatização e refrigeração (HVAC-R), que enfrenta o desafio de atender às exigências térmicas dessas infraestruturas de alta densidade energética. A adoção de tecnologias de resfriamento eficientes e sustentáveis é essencial para manter a operação desses centros sem comprometer a eficiência energética. ​

Com a contínua expansão do setor de data centers e a crescente demanda por soluções de climatização especializadas, o Brasil tende a se consolidar como um dos principais polos globais de infraestrutura digital.

Indústria de HVAC-R, desafios impostos pelos veículos elétricos

Montadoras e setor de HVAC-R trabalham juntos para criar soluções personalizadas, ajustadas às necessidades específicas de diferentes modelos de veículos elétricos.

O mercado de veículos elétricos (EVs) tem registrado um crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado pela busca por soluções sustentáveis e pela transição para uma economia de baixo carbono. No Brasil, o mercado de carros elétricos é liderado principalmente por grandes montadoras que já têm experiência no segmento internacional e essa tendência também se reflete no aumento da adoção de carros elétricos e híbridos, especialmente nas grandes cidades.

Uma das áreas importantes para o conforto e a eficiência desses veículos é o sistema de ar-condicionado automotivo que desempenha um papel fundamental ao garantir a qualidade do ambiente interno do veículo, mas também representam um desafio técnico importante devido à demanda energética. Em veículos elétricos, onde toda a energia provém da bateria, o impacto do uso do ar-condicionado sobre a autonomia do carro torna-se ainda mais relevante.

Segundo a International Energy Agency (IEA), o mercado global de EVs cresceu 55% entre 2022 e 2023, com estimativas que indicam que cerca de 15% de todos os veículos vendidos no mundo em 2025 serão elétricos. No Brasil, mesmo com desafios relacionados à infraestrutura de carregamento, há previsão de que as vendas desses veículos superem os 10% até 2030.

Dados da Abrava (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento) indicam que o setor automotivo responde por uma parcela significativa do consumo de produtos de HVAC-R, demonstrando sua relevância para a indústria de climatização.

De acordo com André Oliveira, presidente do DN Ar Condicionado Automotivo da Abrava, fabricantes de automóveis e empresas de HVAC-R trabalham juntos para criar soluções personalizadas, ajustadas às necessidades específicas de diferentes modelos de EVs: “Instituições como a Abrava tem promovido estudos e iniciativas para aprimorar essas tecnologias, explorando soluções com impacto mínimo no consumo energético. Essas inovações destacam o compromisso da indústria de HVAC-R em superar os desafios impostos pelo mercado de veículos elétricos, garantindo eficiência energética, conforto e sustentabilidade”.

As normas e regulamentações também desempenham um papel fundamental na direção das inovações no setor. A Resolução CONAMA 449/2012, que trata do uso de fluidos refrigerantes de baixo impacto ambiental, e as regulamentações globais de eficiência energética vêm impulsionando investimentos e ajustes das montadoras.

O circuito de ar-condicionado é integrado ao sistema que regula a temperatura das baterias, equilibrando o desempenho do veículo

 

Diferenças estruturais

O funcionamento do ar-condicionado em veículos elétricos apresenta particularidades em relação aos veículos com motores a combustão interna. Nos carros elétricos, o compressor do ar-condicionado é alimentado diretamente pelo sistema de baterias de alta tensão, geralmente entre 300 V e 400 V. Essa alimentação direta permite que o sistema opere de forma independente do motor de tração, mas também implica que o uso do ar-condicionado impacta diretamente na autonomia do veículo.

“O uso do ar-condicionado em veículos elétricos pode reduzir a autonomia em até 17%, dependendo das condições de uso e do clima. Essa redução ocorre porque o sistema de climatização consome energia diretamente das baterias que alimentam o motor elétrico. Para mitigar esse impacto, recomenda-se o uso de tecnologias mais eficientes e a adoção de práticas como o pré-condicionamento térmico do veículo enquanto ele ainda está conectado à rede elétrica, permitindo que a cabine atinja a temperatura desejada sem consumir a carga da bateria”, aponta o engenheiro Ricardo Takahira, vice coordenador da comissão técnica de veículos elétricos e híbridos da SAE Brasil.

Inovações

Nos sistemas de climatização para veículos elétricos, as inovações tecnológicas têm sido importantes para melhorar a eficiência e maximizar a autonomia das baterias. A Octa-válvula desenvolvida pela Tesla para o Tesla Model 3 é um excelente exemplo disso. Esta tecnologia revolucionária permite um controle mais preciso do fluxo de ar dentro do sistema de climatização, otimizando tanto o conforto dos passageiros quanto o consumo de energia.

“A Octa-válvula utiliza oito válvulas independentes para direcionar o ar de forma mais eficiente pelos dutos de ventilação. Isso não apenas melhora a distribuição do ar dentro do veículo, proporcionando um ambiente mais confortável, mas também permite ajustes mais finos na velocidade do ventilador e na temperatura sem comprometer a eficiência energética. Quanto ao impacto no consumo de bateria, a Octa-válvula contribui para reduzir o uso de energia do sistema de climatização. Ao garantir uma distribuição mais eficiente do ar condicionado ou aquecimento, a tecnologia pode ajudar a minimizar o consumo elétrico, aumentando assim a autonomia do veículo entre as cargas”, dizem os membros do Tesla Motors Club, um dos maiores fóruns dedicados aos veículos Tesla, onde entusiastas e proprietários compartilham experiências e análises técnicas.

Além disso, a Octa-válvula exemplifica como a inovação no design dos sistemas de climatização pode acompanhar as necessidades específicas dos veículos elétricos, onde cada watt-hora de energia consumida impacta diretamente na performance e na capacidade de percorrer distâncias maiores com uma única carga de bateria. Essas características fazem da Octa-válvula não apenas uma tecnologia diferenciadora nos sistemas de climatização para veículos elétricos, mas também um exemplo de como a eficiência energética pode ser maximizada através de inovações técnicas específicas para o contexto dos EVs.

Outras tecnologias envolvem o desenvolvimento de sistemas baseados em bombas de calor que podem aquecer ou resfriar o interior do veículo, utilizando energia de forma mais eficiente em comparação com resistências elétricas tradicionais. As bombas de calor capturam o calor externo e o transferem para o interior do veículo. No modo reverso, extraem calor de dentro da cabine para resfriar o ar interno gerando maior eficiência energética, especialmente em climas extremos, com redução do impacto na autonomia em até 30% em comparação com sistemas convencionais.

A adoção de novos fluidos refrigerantes, como o R-1234yf, contribui para uma operação mais sustentável dos sistemas de climatização, reduzindo o impacto ambiental associado aos gases de efeito estufa, além de melhorar a troca de calor e desempenho térmico em condições extremas.

Materiais avançados para isolamento térmico também fazem parte das inovações para EVs, proporcionando melhoria na qualidade dos materiais usados na cabine aumentando a retenção de calor ou frio, reduzindo a carga no sistema de climatização.

Octa-válvula utiliza oito válvulas independentes para direcionar o ar de forma mais eficiente pelos dutos de ventilação

Gerenciamento térmico das baterias

A integração dos sistemas de climatização com o gerenciamento térmico das baterias é uma tendência observada no mercado. O circuito de refrigerante pode ser utilizado tanto para resfriar a cabine quanto para manter a temperatura ideal das baterias, garantindo desempenho e longevidade dos componentes. Essa abordagem integrada exige um design cuidadoso dos sistemas de ar-condicionado para equilibrar as necessidades de conforto dos ocupantes e a eficiência energética do veículo.

Muitos fabricantes introduziram sistemas de pré-condicionamento, que permitem aquecer ou resfriar a cabine enquanto o veículo está conectado a uma fonte de energia externa (rede elétrica). O sistema é ativado por aplicativos ou timers antes do início da viagem, proporcionado economia significativa na energia das baterias durante o uso, ao manter a temperatura interna já ajustada. O circuito de ar-condicionado é integrado ao sistema que regula a temperatura das baterias, equilibrando o desempenho do veículo e o conforto dos ocupantes, prolongando a vida útil das baterias ao evitar sobreaquecimento e garante maior eficiência energética no consumo global do veículo.

Já a aplicação de sensores inteligentes, monitoram as condições internas e externas em tempo real, ajustando automaticamente o sistema de HVAC para máxima eficiência, além de gerenciar zonas climáticas independente em diferentes áreas da cabine reduzindo o desperdício energético ao focar o conforto diretamente onde necessário.

Casos de sucesso

Diversas marcas têm investido fortemente em tecnologias avançadas para tornar o ar-condicionado nos EVs mais sustentável, garantindo conforto e eficiência sem comprometer a autonomia.  Dentre as conhecidas estão:

BYD

– Bomba de calor integrada: A BYD utiliza sistemas de bomba de calor nos seus modelos, como o Dolphin e Seal, reduzindo significativamente o consumo de energia ao aquecer ou resfriar o veículo.

– Ar inteligente: Funções para purificação do ar interno e sensores de qualidade do ar.

Tesla

– Octa-válvula: Gerenciamento térmico eficiente que integra a climatização da cabine, bateria e motor, otimizando o consumo energético e aumentando a autonomia.

– Filtro HEPA: Em alguns modelos, como o Model X, melhora significativamente a qualidade do ar dentro da cabine.

Renault

– Eco-mode: Ajuste automático do sistema de climatização para reduzir o impacto no consumo de bateria em modelos como o Zoe.

– Conectividade avançada: Controle remoto da climatização via aplicativo.

Nissan

– Heat pump technology: Nos modelos como o Leaf, oferece aquecimento eficiente com menor impacto no consumo de bateria.

– Ventilação inteligente: Sensor de ocupação para otimizar a distribuição do ar.

Caoa Chery

– Filtros inteligentes: Sistema que monitora constantemente o ar interno e o externo, ajustando a climatização.

– Tecnologia dual-zone: Disponível em modelos como o iCar, que oferece configurações independentes para motorista e passageiros.

JAC Motors

– Bomba de calor: Presente em modelos como o e-JS4, economiza energia ao transferir calor em vez de criá-lo.

– Climatização pré-programada: Sistema que permite resfriar ou aquecer o carro remotamente.

GWM (Great Wall Motors)

– Sistemas de purificação: Climatizadores com filtragem PM2.5 para partículas finas.

– Gerenciamento térmico avançado: Utiliza módulos que integram climatização, bateria e powertrain.

Fiat

– Climatização integrada com a bateria: No modelo 500e, o sistema de ar-condicionado é otimizado para o consumo em condições urbanas.

– Funções de climatização pré-viagem: Controle via aplicativo para maior conforto e eficiência.

Volvo

– Tecnologia de bomba de calor de última geração: Usada no XC40 Recharge, aproveita o calor ambiente para maior eficiência.

– IA para personalização: Ajusta a climatização com base nas preferências dos passageiros e no clima externo.

Haval

– Smart Climate Control: Monitora as condições internas e externas para proporcionar conforto com menor uso de energia.

– Purificação integrada: Sistemas focados em qualidade do ar, presentes em modelos eletrificados.

BMW

– iZone individual: Disponível nos modelos i4 e iX, oferece controle personalizado para cada passageiro.

– Pré-condicionamento eficiente: Resfria ou aquece o veículo durante o carregamento para minimizar impacto na bateria.

 

Brasil avança na regulação de refrigerantes naturais mas adesão ainda é limitada

Mercado regional cresce, mas fica atrás de EUA e Europa.

A América Latina registrou avanços na adoção de refrigerantes naturais em 2024, consolidando-se como um dos mercados de crescimento promissor nesse setor. Segundo o relatório da ATMOsphere, a região conta com pelo menos 680 instalações de CO₂ transcrítico, sendo 580 em supermercados e 100 em instalações industriais. O Brasil se destaca no desenvolvimento de regulamentações para o uso seguro desses refrigerantes, ao lado de Chile e Argentina.

O país também apresenta um número significativo de supermercados operando com sistemas em cascata R134a/CO₂, com cerca de 863 lojas utilizando essa tecnologia. Além disso, 81 supermercados brasileiros adotam chillers de propano, que podem fornecer refrigeração por meio de circuitos de glicol propileno ou sistemas subcríticos de CO₂.

No contexto global, a América Latina ainda tem participação modesta na transição para refrigerantes naturais. A região possui 680 instalações de CO₂ transcrítico, enquanto a Europa lidera o setor com 95.600 instalações e 30% de penetração de mercado. O Japão, com 12.720 instalações, também apresenta índices superiores aos da América Latina.

Além do CO₂, outros refrigerantes naturais como a amônia (R717) e os hidrocarbonetos (R290 e R600a) continuam a ganhar espaço no mercado global. Segundo o relatório, a Europa liderou o uso de unidades autônomas de refrigeração com hidrocarbonetos, totalizando aproximadamente 17 milhões de instalações até dezembro de 2024.

Nos Estados Unidos, o número de unidades que utilizam hidrocarbonetos cresceu significativamente, atingindo 4,6 milhões de equipamentos em 2024.

A amônia continua sendo amplamente utilizada em instalações industriais de grande porte.

Apesar do crescimento, desafios persistem. A regulamentação específica para refrigerantes naturais avança em países como o Brasil, mas a adoção de tecnologias mais eficientes ainda ocorre de forma desigual. A expectativa é de que novos incentivos e políticas ambientais possam acelerar a transição no setor de refrigeração comercial e industrial na região.