A trajetória de Jéssica Drieli no comando de cinco empresas do setor
Após enfrentar um diagnóstico de artrite reumatoide aos 28 anos, Jéssica Drieli transformou dor em propósito e construiu um negócio que hoje impacta técnicos e empresários em 83 cidades do Brasil
Aos 34 anos, Jéssica Drieli dos Santos é CEO de cinco empresas no setor de refrigeração e climatização: LES Serviços, RefriGestão, PCICON Praia Grande, Movimento Parcerias Lucrativas e JD Soluções Disruptivas para Climatização. Nascida em Cubatão (SP) e moradora de Praia Grande, Litoral Sul de São Paulo, ela é formada em Marketing Digital e possui MBA em Gestão Estratégica de Pessoas, que foi a base do seu modelo de negócio, estruturado em pessoas, processos e conexões estratégicas.
Sua entrada no HVAC-R aconteceu em 2020, após um dos períodos mais difíceis de sua vida. Diagnosticada com artrite reumatoide em 2019, passou por mais de 25 médicos, enfrentou internações e iniciou tratamento quimioterápico, que segue até hoje. Durante a pandemia, foi desligada da empresa onde atuava na comunicação. Sem renda e com dívidas, começou vendendo bolos e empadas para sobreviver. A virada veio em 5 de dezembro, quando realizou seu primeiro atendimento de ar-condicionado após abrir um MEI e fechar parceria com uma seguradora. Mesmo sem conhecimento técnico de campo, apostou em visão estratégica e na criação de uma rede de credenciados. O que começou no litoral paulista hoje atende 83 cidades em oito estados.
“Passei por mais de 25 médicos até descobrir a doença. Cheguei a ficar acamada à base de morfina, sem conseguir realizar atividades básicas do dia a dia. Quando finalmente descobri que era artrite reumatoide, iniciei tratamentos quimioterápicos invasivos no centro de oncologia, tratamento que sigo fazendo até hoje, uma vez por mês. Naquela época, ouvi de um médico que ninguém me contrataria naquelas condições e que seria melhor buscar uma aposentadoria por invalidez. Aquilo foi o fundo do poço para mim. Eu tinha apenas 28 anos e estava vendo meu futuro ser decretado de forma dolorida e limitante. Em 2020, com a chegada da pandemia, recebi o comunicado de que estava sendo desligada da empresa onde trabalhava. Sem dinheiro, com uma dívida de financiamento do meu apartamento para pagar e remédios caros para comprar, comecei a vender bolo de pote e empadas no meu prédio e para conhecidos, tentando sobreviver. Foi então que meu pai, que é refrigerista há mais de 39 anos e na época era CLT de uma empresa, me apresentou uma oportunidade: fechar parceria com uma seguradora para pegar serviços e contratar meu primeiro técnico. Passei na seleção da seguradora, abri meu primeiro CNPJ como MEI e contratei um técnico”.
Jéssica percebeu que muitos técnicos “sobreviviam” do ar-condicionado, mas não enxergavam o próprio valor. Passou a treiná-los em gestão, vendas e posicionamento, ajudando profissionais a estruturarem empresas lucrativas. Em 2024, fundou o Movimento Parcerias Lucrativas, clube de negócios baseado na “Pirâmide do Legado”, com foco em cooperação estratégica e expansão nacional.
“O maior desafio foi, sem dúvida, credenciar técnicos sendo uma mulher que nem sequer sabia instalar uma máquina. No início, muitos questionavam minha capacidade de liderança e minha presença no setor. Eu não tinha a ‘mão na massa’ técnica, mas tinha algo que muitos não tinham: visão estratégica, processos estruturados e habilidade de comunicação. Consegui, através da forma como me comunico, mostrar toda a possibilidade de multiplicarmos nossos resultados se andássemos juntos. Vi que existiam milhares de versões do meu pai, técnicos extremamente competentes, mas que não entendiam a profundidade do que faziam ou que não sentiam orgulho da profissão. Muitos se rendiam a clientes que queriam dar preço no trabalho, não buscavam se especializar porque estavam em campo por muitas horas ao dia e, no fim do mês, ainda se viam no vermelho. Sempre fui muito boa em processos e gerenciamento de equipes. Me especializei ainda mais em comportamento humano e comunicação, e passei a treinar nossa rede de credenciados, elevando o nível da nossa entrega aos clientes e vendo muitos técnicos tendo sonhos realizados através do nosso trabalho em conjunto. Muitos que não saíam de férias ou não trocavam de carro conquistaram isso dia após dia. Saímos do litoral de Praia Grande e hoje atendemos 83 cidades em nível Brasil, estando presentes em 8 estados. Mas nem sempre foi fácil. Já ouvi, inclusive em palcos onde subi para palestrar para mais de 300 pessoas, técnicos questionarem o que eu estava fazendo ali, primeiro pela forma que me visto, por ser mulher e por não colocar a mão na massa. Mas esses mesmos técnicos, após eu sair do palco, me abraçaram e disseram o quanto eu contribuí para a virada de chave na vida profissional deles. Visto esse impacto, fui convidada para ser mentora nos programas de mentoria do Fábio Dutra, o que ampliou ainda mais meu alcance no setor”, conta Jessica.
Ao identificar lacunas em softwares do setor, criou o RefriGestão, sistema integrado voltado às necessidades reais da climatização. Em 2025, inaugurou a PCICON Praia Grande e lançou o primeiro livro sobre vendas no setor de ar-condicionado publicado na Biblioteca Nacional por uma mulher.
“Com a entrada na mentoria, conheci o Ricardo e toda a trajetória da PCICON. Em 2025, eu e a minha sócia Nathalia tomamos a decisão, por conta da falta de mão de obra qualificada na região do litoral, de abrir uma unidade em parceria com a cessão da imagem de uma empresa que já é reconhecida por sua entrega em conserto de placas eletrônicas, em Praia Grande. Tivemos o prazer, inclusive, de receber o Clube do Frio na inauguração que aconteceu em maio. 2025 não parou por aí. Cada vez mais profissionais me procuravam para receber treinamentos para eles e suas equipes, querendo o ‘copia e cola’ do que faço nas minhas empresas para aprimorar seus resultados. Foi então que resolvi condensar meu conhecimento no primeiro livro que fala sobre vendas no setor de ar-condicionado que foi de fato publicado na Biblioteca Nacional Brasileira por uma mulher. Nele, você encontra um guia prático do mercado real, com técnicas para aplicar e melhorar seus resultados. E se você desejar ter meu acompanhamento mais de perto, entrego uma mentoria que se chama Legado Lucrativo na Refrigeração”.
Um propósito muito maior
Casada e sem filhos, Jessica tem como hobbies leitura, natação e tênis. Viajar mensalmente é símbolo de superação.
“Uma das minhas maiores conquistas pessoais é ter conseguido, mesmo com as limitações impostas pela artrite reumatoide, realizar meus sonhos e viajar para lugares incríveis, procuro viajar uma vez por mês. Cada viagem é uma vitória, porque representa a superação das limitações que médicos disseram que eu teria. Outra conquista pessoal importante foi a compra do meu apartamento, que quase perdi durante a pandemia. Hoje, ele representa não apenas um bem material, mas a prova de que eu não desisti, mesmo quando tudo parecia impossível. Minha família e meus amigos são minha base de apoio. Eles me lembram diariamente de que somos muito mais do que nossas limitações e que podemos transformar dor em propósito”.
Para ela, climatização é serviço, propósito e impacto social.
“Você é mais do que um técnico. É um agente de transformação. Por que legado? Porque acredito que tudo que fazemos é alinhado a um propósito muito maior, que é o de servir. Servir através da climatização pessoas que estavam esperando por uma mão de obra ruim e ter seu investimento de ar-condicionado desperdiçado. Hoje, com profissionais cada vez mais treinados e conectados com a profundidade da profissão, eles servem sua genialidade técnica da melhor forma, entendendo o impacto e a importância do que fazem. Para as mulheres do setor, minha mensagem é: Você pertence aqui. Seu lugar é onde você decidir estar. Não deixe que ninguém te diga que você não é capaz por ser mulher, por não ter força física ou por não ter vindo da área técnica. Suas habilidades são valiosas e o setor precisa de você. Quando você entende que está servindo com excelência, sua profissão ganha um significado muito maior. E é aí que os resultados financeiros, emocionais e de realização pessoal aparecem naturalmente. Conecte-se. Cresça. Sirva. E construa o legado que você quer deixar”.

Viajar é símbolo de superação: “Cada viagem é uma vitória, porque representa a superação das limitações que médicos disseram que eu teria”




