Mais espaço para as câmaras frias

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Cresce armazenagem frigorificada no mundo e empresas nacionais apostam em novas tecnologias e na retomada econômica para aproveitar as oportunidades no mercado interno

Mais espaço para as câmaras frias Cresce armazenagem frigorificada no mundo e empresas nacionais apostam em novas tecnologias e na retomada econômica para aproveitar as oportunidades no mercado interno Nos últimos dois anos, a capacidade mundial de armazenamento frigorificado cresceu 8,6%, chegando a 600 milhões de metros cúbicos. De acordo com a Aliança Global da Cadeia do Frio (AGAC, na sigla em inglês), que realizou o estudo, essa significativa expansão ocorreu graças ao aumento de instalações em países emergentes.

Os dados, coletados dos escritórios internacionais da entidade em 52 países, revelam o enorme potencial a ser explorado por toda a cadeia do frio, à medida que cresce a preocupação com o armazenamento e o transporte correto dos produtos perecíveis.

Neste sentido, aumentam também as oportunidades para os fabricantes e distribuidores de câmaras frias, portas e acessórios, a partir do lançamento de novas tecnologias e da especialização nos projetos de construção dessas complexas instalações.

Para Marcelo Weber, gerente geral da EOS Termoisolantes – empresa do grupo Frigelar –, o Brasil acompanhou, de certa forma, este crescimento da capacidade de armazenamento frigorificado. Não fosse a redução dos investimentos e das linhas de crédito, bem como a perda de confiança do mercado brasileiro nos últimos anos, ele acredita que o desempenho do mercado interno teria sido ainda melhor.

“Apesar da crise que afeta o País, houve crescimento na capacidade nacional de armazenagem, mas não nestes níveis internacionais”, afirma o engenheiro mecânico.

A mesma visão é compartilhada por Vinícius de Morais, gerente-geral da Capital Refrigeração, para quem a evolução do mercado de câmaras frias acompanha o próprio aumento da população e a consequente necessidade de se estocar mais alimentos.

“Acredito que o segmento que mais vem crescendo é o de alimentação fora do lar. Com a correria do dia a dia, cada vez mais as pessoas passam o dia todo fora de casa, o que as obriga a consumir alimentos em bares, restaurantes, padarias, lanchonetes, lojas de conveniência e redes de fast food, entre outros estabelecimentos”, acrescenta.

A falta de conscientização de boa parte da população, porém, ainda é um entrave para o setor ampliar o ritmo de expansão no Brasil, na avaliação de Armando Marinho Bailer, sócio-diretor da Refri-Leste.

“Ainda existem comércios que deveriam ter câmaras específicas para produtos com temperaturas diferentes, mas não têm. Também há condomínios que deixam seus lixos armazenados de forma errada, sem refrigeração, proliferando bactérias, insetos e mau cheiro. Tudo isso é prejudicial”, critica Bailer.

Atenção ao projeto e engenharia

Num ramo repleto de complexidades e necessidades específicas, caprichar no projeto e engenharia desde a escolha dos materiais até o pós-venda é o grande segredo para realizar uma instalação segura e aproveitar as oportunidades geradas ao setor de câmaras frias.

Na Girelli Refrigeração, a principal estratégica é prover um atendimento diferenciado em todas as etapas da venda e oferecer soluções de alto valor.

De acordo com o engenheiro mecânico Edson Girelli, um bom projeto nessa área deve se ater aos detalhes, como a presença de iluminação automática na porta ou a adoção da válvula de expansão termostática correta.

“Já ocorreu de vermos câmaras montadas com compressor rotativo de ar-condicionado e tubo capilar como elemento de expansão. É necessário explicar ao cliente que isso não é uma câmara dentro dos padrões de engenharia da atualidade, e sim apenas um sistema de refrigeração adaptado sem critérios de eficiência e durabilidade”, afirma o empresário.

Para Vinicius de Morais, da Capital Refrigeração, uma informação importante que o cliente precisa compreender e cobrar no detalhamento do projeto é a rotatividade de produtos, que nada mais é do que a quantidade máxima de itens que entra na câmara frigorífica em um determinado tempo de processo.

“Em um projeto de câmara frigorífica com tempo de processo de 24 horas, se o cliente recebe mercadoria três vezes por semana, sendo segunda-feira 1.000 kg, quarta-feira 1.000 kg e sexta-feira 1.300kg, a quantidade de produto que deve ser considerada no cálculo de carga térmica é de 1.300 kg/24h. Essa é a maior carga de produto que entra na câmara frigorífica no tempo de processo, que neste caso é de 24 horas”, exemplifica.

Outro cuidado a se tomar antes de efetuar o investimento em uma nova câmara frigorífica, segundo ele, é analisar as variações de quantidade a serem estocadas pelo cliente ao longo do ano.

Deve-se refletir, por exemplo, sobre quais itens são mais críticos quando seus níveis de estoque estiverem altos em decorrência de períodos de sazonalidade.

“Dessa forma, o cliente já pode prever um aumento do tamanho da câmara mais adequada para a sua estratégia de estocagem ao longo do ano. O distribuidor de açaí numa cidade litorânea precisa pensar no tamanho da sua câmara baseado na quantidade de estoque que precisa fazer durante a época de alta temporada”, explica Morais.

Já Marcelo Weber, da EOS Termoisolantes, alerta para o fato de a competição por preço muitas vezes confundir o cliente no momento de tomar a decisão sobre quais projetos adotar em seu estabelecimento.

“A câmara frigorífica é um produto totalmente customizado, ou seja, cada projeto é desenvolvido para atender a necessidade específica do cliente. Com isso, é comum projetos parecidos, feitos por empresas concorrentes, terem preços muito diferentes. O cliente deve procurar entender o que cada empresa está ofertando para ter a certeza de que ele está comprando a solução correta para sua necessidade, a qualidade do produto que está adquirindo e se o fornecedor e o fabricante são confiáveis”, adverte Weber.

Edson Girelli destaca ainda que é essencial estreitar o relacionamento com o cliente ao fim da obra, apresentando a ele mais soluções capazes de melhorar a experiência com o equipamento e trazer economia de energia.

“É o caso, por exemplo, da cortina em PVC para economizar energia e o ventilador desligado por um minuto para o conforto do operador, alarme de porta aberta, detalhes da limpeza e explanação dos canais para assistência técnica em caso de necessidade”, ressalta.

Tais medidas, segundo ele, podem trazer resultados positivos no futuro, ao superar as expectativas do contratante. “Com isso, o próprio cliente passa a recomendar os nossos serviços e ajuda a ampliar a nossa carteira, mesmo em plena crise”, completa.

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